Governo zimbabweano acredita que acordo pode melhorar as
relações com o Ocidente. Expulsão de 4,5 mil farmeiros brancos em favor de 300
mil famílias negras é vista como um dos episódios mais controversos da era
Mugabe.
O Zimbábwe concordou na quarta-feira\29\ em pagar 3,5 mil
milhões de dólares em indemnizações aos agricultores brancos cujas terras foram
expropriados pelo Governo para reassentar famílias negras. A decisão aproxima o
país da resolução de uma das questões políticas mais divisórias da era Mugabe.
Como não tem o dinheiro para transferir às famílias
expulsas do país, o Governo declarou que pretende emitir títulos de longo prazo
e negociar o levantamento de fundos junto a doadores internacionais. Os termos
constam no acordo de compensação.
"Como zimbabweano, optámos por resolver este
questão de longa data", disse Andrew Pascoe, chefe do Sindicato dos
Agricultores Comerciais, que representam os agricultores brancos.
As apreensões de terras foram uma das políticas mais
marcantes do Governo Mugabe e contribuiu para complicar as relações do ditador
com o Ocidente. Mugabe acusava o Ocidente de impor sanções ao seu Governo como
punição pelo episódio. A reforma ainda divide opiniões no Zimbabué. Os
opositores da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF)
– partido no poder há quase 40 anos – veem-na como catastrófica, porque teria
sido responsável por tornar o "celeiro de África” num um país com aguda
retração na produção de alimentos. Os apoiantes da ZANU-PF dizem que a política
empoderou agricultores negros sem-terra. O Presidente Emmerson Mnangagwa disse que a reforma
agrária não poderia ser revertida, mas que o pagamento de indemnizações seria
chave para o restabelecimento dos laços com o Ocidente.
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