
Julgo que não estou inventando coisa alguma. “O boi no palácio é bem visível”.
Há exemplos de sobra por este Moçambique todo. Simples esc
Porquê toda esta tolerância ao manifestamente lesivo aos princípios de organização de um Estado?
Porque tanta complacência e tolerância a actos ilícitos e ao mesmo tempo proclamar-se que se pretende desenvolver o país e dignificar os moçambicanos?
É a farra de quem vive montado nas costas de quem um dia há-de acordar violentamente se não houver lucidez para se evitar já o pior. Um país só pode fortalecer-se e desenvolver-se com o envolvimento de seus cidadãos sob direcção de um governo sério que se assuma servidor do povo. A dimensão e significado de Público, servir o público, respeitar a lei e contribuir para que todos sejam a todo momento iguais perante ela, ultrapassam a esfera partidária.
A nação e a moçambicanidade não são prerrogativa partidária.Tem sido o permanente açambarcamento da verdadeira agenda nacional por uma elite sem visão estratégica que contribui para a corrosão do tecido social nacional e o exacerbar da crise no país. Essa maneira de agir e proceder tem conduzido à alienação progressiva dos cidadãos e a que estes se mostrem pouco interessados em participar nos assuntos que afinal são seus. Embrutecer a juventude e transformá-la em imitadora de padrões consumistas e culturais dos outros é apresentado como desenvolvimento mas faz parte de uma campanha insidiosa de moldar e pacificar mentes. A juventude urbana que alguns queriam ou querem chamar de “geração da viragem” tem rapidamente se transformado numa massa acrítica pouco interessada no debate sério e consequente dos problemas do país. “Pintada de vermelho” e alimentada por uma máquina propagandista que vai buscar recursos aos cofres de empresas públicas, especialmente na telefonia móvel pública, dança ao som de imitações medíocres de aprendizes de “rappers” e imagina-se vivendo em Los Angeles ou Nova Iorque. Esfomeados e embrutecidos, os poucos que conseguem concluir estudos superiores de qualidade questionável são logo recrutados para as “fileiras” de organizações servis e para um Aparelho de Estado onde cada vez é mais clara a necessidade de possuir o cartão vermelho para nele se ingressar. Estes são alguns dos cancros que fazem definhar o país. Estas são algumas das metástases de cancros de origem política implantados cirurgicamente para possibilitar a conquista e manutenção no poder. Nada é fortuito neste campo da política ou do confronto entre os partidos políticos. Existe uma corrida contra o tempo e uma sensação de que os detentores do poder não estão preparados para o futuro e no que diz respeito ao presente não tem qualquer perspectiva de abordagem consequente. Quando parecia que tinham o barco controlado e que tudo estava caminhando ao sabor de seus desígnios, nuvens negras surgem no horizonte prenunciando tempestades. Todos os acontecimentos políticos regionais e internacionais nesta era de grande e rápido fluxo de informações tornam-se preocupações reais e tangíveis em qualquer país. Quem fala de “efeito dominó” ou “efeito de Tunis-Cairo não está mentido pois é uma realidade: as pessoas estão perdendo o medo. É como se de repente homens couraçados, munidos com equipamento tecnologicamente avançado e concebido para controlar multidões enfurecidas tivessem perdido completamente seu poder de dissuasão. Quando na “segura” e inexpugnável Líbia cidadãos desarmados avançam contra a polícia anti-motim, isso deixa o seu efeito psicológico mesmo em governantes que se supunham à margem daqueles processos da África do Norte. É a falta de desenvolvimento ou o desenvolvimento concêntrico eleito política oficiosa que empurram o país para caminhos desastrosos. Aquilo que parecia uma plataforma política válida para governar o país tem se revelado continuamente fonte de desastres, de crises e de crispações crescentes entre os cidadãos governados. Conceitos que pareciam comprovadamente infalíveis estão se mostrando esburacados e incapazes de oferecer orientação tão necessária em momentos de crise. “Cada um puxa a brasa para a sua sardinha” e se havia diferenças de interpretação ou de visão entre gente do mesmo partido agora estas diferenças de interpretação resvalaram para o campo da economia, da política económica, monetária. Aparentemente os cavalos estão puxando o carro para direcções diferentes. De onde deveria vir orientação sábia e apaziguadora surgem verdadeiras contradições que em situação de normalidade governativa já teriam significado a queda ou demissão de figuras ligadas a esta importante esfera da governação. Afinal quem tem razão ou quem está transmitindo as decisões do PR? Quem é que dirige a política monetária do país? O ministro dos “7 milhões” oferecidos estrategicamente, distribuídos para garantir votos eleitorais tem se revelado um orador activo mas sem soluções estratégicas para guiar o desenvolvimento económico nacional. Surgiram no panorama intelectual e político moçambicano experiências muito interessantes e importantes de “think-tanks’ à medida e dimensão moçambicana, produzindo reflexões, estudos e análises de grande valor. O IESE, CIP, CEMO e outros têm sido atentos aos fenómenos nacionais e respondido com grande responsabilidade intelectual e política aos desafios de desenvolvimento actuais. Mas estranhamente os governantes fazem de conta que não tem capacidade de escutar, ler e ouvir. Não aceitam conselhos de ninguém talvez somente dos digníssimos conselheiros inter

Uma alta de preços de mercadorias agrícolas cuja produção é perfeitamente viável no país vai afectar a estabilidade nacional e poderá ser a causa de levantamentos populares. Isto é um facto e não invenção conspirativa. Se os especialistas apontam e aconselham determinadas acções e quem deveria pelo menos escutar e dialogar com eles não o faz, que se pode dizer dessa maneira de agir?
Moçambique pode voltar a ser produtor de excedentes agrícolas e aliviar a pressão que as importações de alimentos exercem na sua balança de pagamentos. Existem tecnologias conhecidas, experimentadas e acessíveis. Existem recursos humanos em qualidade e quantidade para abordar a questão de escassez de alimentos. Não existe enquadramento empresarial nem estruturação bancária que possa sustentar as acções do fomento específico necessário. Aí e por aí se deveria avançar. Mas primeiro é necessário que quem governa entenda e aceite que precisa dos moçambicanos que dominam este dossier e colocá-los ao serviço da causa nacional independentemente de suas cores ou crenças partidárias…Mas isso estragaria o negócio de muitos que abocanharam o poder político com a sua ignorância. (Noé Nhantumbo)
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