segunda-feira, julho 24, 2017

“Batacuios”

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A cidade da Beira está a viver, de algum tempo a esta parte, um ambiente de terror resultante da acção de grupos de bandidos espalhados por quase todos os bairros, onde dia e noite atacam, ferem e matam cidadãos indefesos na rua; assaltam e roubam bens e dinheiro em casas de habitação e de actividades económicas. Também abrem capôs dos carros e retiram baterias, usando métodos que só eles dominam.
Diariamente chegam-nos relatos de pessoas imobilizadas e despojadas dos seus pertences por malfeitores que agem livremente, muitas vezes em plena luz solar, ante o olhar de transeuntes assustados, estupefactos e impotentes.
Resultado de imagem para Pioneiros, Esturro, MatacuaneNa baixa da cidade, a zona do Maquinino é o epicentro da crueldade dos bandidos que circulam e actuam em grupos numerosos e, regra geral, têm como covil o canal do Chiveve ou o chamado “Prédio Gandira”, também conhecido como centro de venda e consumo de droga e que chegou a ser alvo de uma intervenção policial de efeitos efémeros.Aliás, mesmo nas proximidades do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) há uma área, a da Casa dos Bicos, em que os criminosos multiplicam vítimas sem o mínimo de hesitação, certamente por estarem seguros da sua intocabilidade.
Imagem relacionadaImagem relacionadaBairros do centro urbano como Pioneiros, Esturro, Matacuane e outros também não escapam da ofensiva dos bandidos, vulgarmente designados por “batacuios”, que infernizam a capital provincial de Sofala e têm como “modus operandi” a técnica de apertar o pescoço com o braço para sufocar as suas “presas” e assim rouba-las. 
Enquanto isso, na periferia da segunda maior autarquia do país proliferam e reinam os famigerados homens de catana que, sem dó nem piedade, agridem cidadãos para apoderar-se dos seus bens, principalmente na calada da noite, período durante o qual foi praticamente declarado um recolher obrigatório não institucional. Não estamos a falar de simples carteiristas que são um problema comum em qualquer cidade do mundo, mas sim de indivíduos extremamente violentos e que já denotam alguma evolução em termos de organização ou estratégia, razão pela qual actuam em grupos subdivididos por zonas e rapidamente se dispersam após a consumação do crime.
Imagem relacionadaEntretanto, tudo leva a crer que este recrudescimento da criminalidade é estimulado pela inacção dos homens da lei e ordem. O patrulhamento é quase inexistente na Beira, onde tornou-se raro ver polícias a trabalhar na rua, tanto durante o dia como no período nocturno.

Por incrível que pareça, nesta cidade é possível percorrer longas distâncias, de bairro em bairro, sem se deparar com uma patrulha policial, excepto as unidades móveis das polícias de Trânsito e Municipal que frequentemente se posicionam nas vias públicas. Na verdade, é difícil compreender o aparente acantonamento dos agentes da Polícia de Protecção nas esquadras ou nos comandos, talvez à espera das sempre solicitadas denúncias, numa altura em que a população se queixa de ser vítima da violência protagonizada por bandidos a solto. 
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Reconhecemos as limitações com que a PRM se debate em termos de recursos humanos e materiais, mas temos a convicção de que, com o pouco que está à sua disposição, a corporação pode fazer muito mais, bastando para tal agir com inteligência e profissionalismo, acima de tudo. Em nossa modesta opinião, uma das medidas prioritárias a tomar é o reforço do patrulhamento. É que a visibilidade das forças policiais na rua é um factor dissuasor à acção dos malfeitores e transmite uma atmosfera de segurança aos cidadãos. Por isso, a Polícia não pode continuar a dar sinais de estar acomodada perante o agravamento da situação criminal na cidade da Beira.

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