O caso mais emblemático é o de Camarões. A situação
do futebol do país pode ser resumida pelo fato de um dirigente com mais de uma
década no poder e preso (isso mesmo, preso) por desvio de dinheiro de uma
empresa pública ter sido reeleito como presidente da federação do país
(Fecafoot). O nome dele é Iya Mohammed, que por sinal, segue atrás das grades.
As eleições, no entanto, foram canceladas pouco depois justamente pelas
acusações contra Mohammed. E como nada é tão ruim que não possa piorar,
Camarões recentemente foi suspenso pela Fifa por interferência do governo na
federação. Explica-se: após a prisão de Mohammed, o candidato derrotado nas
eleições, John Begheni Ndeh, se autoproclamou chefe da federação e começou a
trabalhar com o auxílio da polícia. A Fifa entendeu o caso como interferência
política.
E outra entidade africana já está na mira da Fifa:
é a de Uganda. Tudo porque a Ministra de Educação e Desportos do país, Jessica
Alupo Rose Epel, alega que a federação local (Fufa) atua como uma empresa
privada desde 2009 e isso é inconsistente com as leis de Uganda. A Fifa, no
entanto, alega que o status legal da federação já foi esclarecido em uma
reunião no ano passado e só aceita discutir o assunto novamente se o estatuto
jurídico da Fufa estiver totalmente esclarecido. Caso contrário (ou seja, uma
medida tomada unilateralmente contra os estatutos da Fufa), a Fifa acena com
uma punição.
E ainda tem mais. A Fifa chegou a suspender seu
financiamento anual para a Federação Gabonesa de Futebol (Fegafoot) até que os
funcionários da entidade justifiquem como recursos anteriores foram gastos. Uma
auditoria da Fifa revelou um déficite de 100 mil dólares na gestão de recursos
alocados para a federação. Ou seja, um dinheiro que supostamente deveria ser
utilizado para melhorar a estrutura do futebol gabonês está sob forte suspeita
de desvio por parte dos dirigentes.
Além da corrupção, as federações são pessimamente
organizadas. Prova disso é que seis selecções já perderam pontos nas eliminatórias
para o Mundial devido a escalações
irregulares (Etiópia, Guiné-Equatorial, Burkina Faso, Gabão, Sudão e Togo).
Algumas delas pelos motivos mais pitorescos, como jogadores suspensos por
acúmulo de cartões amarelos entrando em campo. Se não há um controle para
situações simples como essa, não surpreende o desperdício dos recursos que
deveriam proporcionar melhorias na estrutura do desporto. Infelizmente,
enquanto estiverem reféns de dirigentes amadores, corruptos e desfasados,
muitos países da África não conseguirão progredir no futebol. Ainda que, ao
contrário do que muitos imaginam, apresentem um potencial gigantesco para isso.
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