sexta-feira, julho 21, 2017

Afinal, qual é o plano?

Quando o assunto das dívidas despoletou, o FMI e outros disseram ao Governo de Moçambique que deveria investigar. Uma auditoria independente e internacional foi contratada. Desde o princípio o Governo de Moçambique disse que estava em condições de usar os recursos internos apara investigar a dívida. O FMI e outros afirmaram que por razões de confiança e transparência, não seria bom que o mesmo governo que contratara a dívida a investigasse. Veio a Kroll. Investigou e disse que mais informação era necessária para explicar alguns montantes que ela não conseguiu explicar. No recente comunicado, o FMI insta ao governo a trabalhar para preencher o vazio da informação sobre o destino dos dinheiros, etc.

Resultado de imagem para egidio vazOra, gostaria de compreender algumas coisas:
1. O FMI insta o governo moçambicano a trabalhar para fornecer mais informação que a Kroll não conseguiu obter. Mas a Kroll foi contrata para fazer esse trabalho. E não foi nenhuma empresa local por falta de confiança. Então, quem vai trabalhar para explicar a parte que resta? O mesmo governo que o FMI desconfia? A PGR? Outra empresa a ser contratada? Pelos vistos, o apelo foi feito ao Governo. Quer com isso dizer que a confiança está restabelecida? Podem as instituições do estado trabalhar para o esclarecimento da dívida? E sobre a Kroll, com grandes lacunas que apresenta o seu relatório, pode dizer-se que fizeram bom trabalho? Sobre a informação que falta, qual é o seu peso comparado com o que já foi desvendado?

2. Para esta auditoria, a Kroll teve um prazo, várias vezes adiado. Em 3 meses trouxeram informação lacunosa. Se para a Kroll não foi possível extrair informação que falta, em quanto tempo acha o FMI que o governo ou suas instituições conseguirão? Pode até dizer-se, “o mais rapidamente possível”. Mas o mais rapidamente possível significa o quê? Um, dois, três meses? Um, dois, três anos? Enquanto essa informação não for recolhida, o que o FMI pensa em fazer? Qual é o Plano B? Pelos vistos não existe. E não existindo o FMI não poderá negociar nenhum outro programa de assistência.

3. De novo em relação a informação: se o governo trouxer a informação que falta, o FMI irá aceitá-la? Qual seria a base para aceitar, se confiança é tudo que estoirou entre as partes?
Atenção, não estou a dizer que não houve roubo e que os implicados são inocentes. Muito pelo contrário. Os prevaricadores devem ser responsabilizados e vão. O meu foco é olhar como o estado pode estar a ser complicado desnecessariamente. 
Resultado de imagem para fmi
Estou querendo entender QUAL É O PLANO? Se é de asfixia de um país por conta das dívidas, se é uma pressão política ou se se trata de uma preocupação em resolver o mais rapidamente possível os candentes e urgentes problemas de um país. De qualquer maneira, quero perceber o lugar da lógica: primeiro você diz ao seu parceiro que não é credível para fazer um trabalho e convoca outro. E depois insta ao parceiro para completar o relatório apresentado por outra pessoa. O que mudou?

PS: Esse assunto é complexo e longo. O seu desfecho poderá levar meses senão anos e irá se ramificar em vários outros pequenos ou grandes processos. É preciso ter em mente esse aspecto.
PS1: Com essa lacuna a condicionar o reatamento das relações, quer com isso dizer que o FMI passou certificado de incompetência a Kroll? Que foi um equívoco a PGR ter recebido um documento lacunoso?


0 comentários: