As forças de defesa e segurança moçambicanas continuam
a conter uma crescente insurgência na zona norte do país, onde a violência
matou centenas de civis e forçou milhares a fugir de suas casas.
Especialistas dizem que insurgentes islâmicos
exploraram queixas sociais e económicas da população local numa região rica em
recursos naturais.
Katupha disse que militantes islâmicos foram capazes
de estabelecer “uma rede eficiente de logística e recolha de informações
formada por jovens inseridos na comunidade.”Ele acrescentou que essas redes fornecem informações
críticas sobre o movimento das forças de segurança do governo na região.
“O governo não deve impedir o trabalho de jornalistas,
pesquisadores e grupos da sociedade civil para coletar a história completa de
ambos os lados do conflito, a fim de entender as causas do problema",
disse Liazzat Bonate, professora da Universidade West Indies em Trinidad e
Tobago. Bonate alegou que as autoridades moçambicanas procurarm ajuda incluindo
de empresas privadas de segurança e mercenários, “em vez de se envolverem com
seus próprios cidadãos. Se a situação piorou nos últimos três anos, isso indica
que provavelmente as estratégias do governo estavam erradas ”, disse Bonate.
Outros especialistas salientam que as forças armadas
moçambicanas tiveram dificuldades em fornecer segurança adequada no norte de
Moçambique. Quando os militantes atacaram os distritos de Mocimboa da Praia e
Quissanga no final de março, os militares moçambicanos não puderam defender as
áreas, onde os insurgentes assumiram brevemente o controle dos edifícios do
governo.


"Obviamente, há uma necessidade a curto prazo de
uma resposta militar eficaz à insurgência, mas a longo prazo, isso precisa ser
apoiado por uma estratégia eficaz de desenvolvimento que reduza a pobreza,
forneça empregos e mostre que o estado oferece bens públicos", ele disse.
Pedro Esteves, do Africa Monitor em Lisboa, tem
opiniões semelhantes.
“Primeiro, temos que resolver o problema militarmente.
Mas, então, precisamos de abordagens políticas e humanitárias ”, afirmou ele
durante o webinar. Esteves acrescentou que é necessário apoio regional,
"mas há muitos fatores domésticos e internos que influenciam o que
está a acontecer em Cabo Delgado. Portanto, a solução deve ser interna”
frisou.
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