Algumas decisões estratégicas do Presidente
da República, Filipe Nyusi, no comando do conflito militar na província de Cabo
Delgado, são avaliadas pelas chefias militares das Forças Armadas de Defesa de
Moçambique (FADM), nos chamados círculos restritos, como tendo sido pouco
ajustadas para as operações no terreno.
Comandante-em-Chefe das
Forças de Defesa
e Segurança (FDS), Filipe
Nyusi e o
seu Governo classificaram
de alteração à ordem
segurança pública, durante
2 anos e
6 meses, os
ataques por células
armadas de inspiração
islâmica em Cabo
Delgado. Os atacantes
foram qualificados de
malfeitores, criminosos ou
insurgentes. Durante este período,
Filipe Nyusi entregou
o comando do
combate em Cabo
delgado às Unidades
Especiais da Polícia
da República de
Moçambique (PRM), com
apoio das FADM
e do Serviço de Informações e
Segurança do Estado
(SISE). Apenas a 23 de Abril,
depois dos mi-litantes islâmicos terem invadido em poucas
semanas 3 vilas sede
distritais - Mocímboa
da Praia, Quissanga e Muidumbe - o Con-selho Nacional
de Defesa e Segurança (CNDS)
se reuniu para
avaliar a situação,
tendo declrado o conflito de
“agressão externa perpetrada por
terroristas”.
A declaração pelo
CNDS, que aconselha
o Presidente da
República em matéria
de Defesa e
Segurança, corresponde a
uma reclassificação do
conflito em Cabo Delgado pelas
chefias mlitares, deixando de
ser tratado como uma
ameaça de segurança
pública. Desde então,
o con-flito passou
a ser tratado
como ameaça à integridade
territorial, significando uma
alteração imediata no comando,
passando as FADM
a liderar as
operações no terreno,
com a retirada
ou recuo das Unidades Especiais da PRM.
Na
arquitectura das FDS,
a defesa da
soberania nacional é
da competência das
FADM, podendo ser
apoiadas por outras
forças de segurança. Conforme apurado,
os militares pretendem
ainda a declaração
de Estado de
Sítio na região
centro e norte
de Cabo Delgado,
para permitir resposta
adequada aos ataques. É
ainda comum nos
referidos círculos o
entendimento de que
a resistência do
Presidente da República
em passar o comando às
FADM correspondeu a
objectivos designados de incompreensivies, incluindo
possíveis contratações de
Empresas Militares Privadas
que apoiam as
FDS no combate aos militantes islâmicos. As chefias
militares alegam que a
gestão dos contratos
de aluguer de
meios aéreos está
a cargo do
Comandante Geral da PRM,
Bernardino Rafael.
Os aparelhos
estão actualmente na
Líbia ao serviço da Frontier Services Group (FSG), com sede na Republica
Popular da China, pacialmente detida pelo empresário Erik Prince,
fundador da Bla-ckwater
, e parceiro
da chinesa CITIC na FSG. O Lancaster Six Group (L6G),
com sede no Dubai , assim como
a Umbra Aviation
( África do Sul ),
são apontadas como
empresas de fachada
de Erik Prince
(dirigidas respec-tivamente por
CHRISTIAAN DURRANT e STEVE
LODGE ). As chefias militares questionam a eficácia
dos meios aéreos usados para combate
aos militantes em Cabo Delgado,
classificando-os como inadequados para o
tipo de intervenção
que se exige. Referem que são helicópteros civis
com armas acopladas,
com autonomia de
combate limitada.
O
crescimento exponencial do poder
de fogo dos
militantes islâmicos em
Cabo Delgado, exacerbou o mal estar no circuito das FDS,
forçando o Presidente
da República e
seus conselheiros a
alterar a estratégia
inicial de abordagem
do conflito, centrada no empenho exclusivo de forças
governamentais (PRM, FADM e SISE).
Nesse pressuposto, Filipe
Nyusi aceitou a intervenção militar de
mercenários, sob coordenação
da DAG, com
helicópteros, aviões e
drones de reconhecimento.Também a
actuação das chefias militares tem sido objecto de
desconfiança por parte
da Presidência da
República. Uma investigação
a cargo dos
serviços de inteligência
militar apurou um
conjunto de factos
que cimentaram algumas certezas
em relação à existência de niglegência de altas
patentes das FADM
nos ataques “jihadistas” em Cabo
Delgado.

De acordo com
as chefias militares, a
aparente subordinação do
seu ministro ao
ministro do Interior
tem repercussões no
campo das operações,
a princi-pal das
quais o facto
de a PRM
não se sobrepor
aos militares. Aquando da
deslocação de Filipe
Nyusi para reunião
da “Troika” de Defesa e
Segurança da SADC em
Harare, com os
PR do Zimbabwe,
Emmerson Mnan-gagwa, da Zâmbia,
Edgar Lungu e do Botswana, Keabetswe
Masisi, Filipe Nyusi
fez-se acompanhar por Amade
Miquidade e deixou em
Maputo Jaime Neto.
O facto foi
interpretado pelos militares
como mais um
sinal de subalter-nização em
relação ao Interior.Face
à situação, os
militares entendem como urgente e
crucial que assumam
o comando estratégico
e operacional do
conflito em Cabo Delgado,
assim como o
controlo das fronteiras
nacionais, que actualmente
está a cargo
da PRM, exigindo
que o Comando da
Guarda de Fronteira
passe de imediato e em definitivo para as FADM.
Apontam que nos 6 países da região da SADC que partilham fronteiras com
Moçambique, o controlo
fronteiriço está a
cargo das respectivas
Forças Armadas, sendo o caso moçambicano a excepção.
Enquanto
durar o conflito, os militares
pretendem ainda o
controlo da Guarda
Costeira, que neste
momento está também
a cargo de um comando da PRM.A
manutenção da situação
actual está a frustrar as altas hie-rarquias militares
e poderá repercutir no
teatro de operações,
com os militares
a recuar e deixar a PRM comandar
as operações no terreno, com impacto negativo na moral entre
as tropas e
perda de eficácia
operacional. A
gestão do contrato
com a DAG
e sua substituição
a breve trecho
por militares moçambicanos
preparados e
equipados de meios
aéreos adequados é
outra das exigências
dos mili-tares. (ZAMBEZE)
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