quinta-feira, outubro 17, 2019

(...) Ouviram bem?!


Resultado de imagem para politicos nao comunicam(…) "Aqueles são ambiciosos, corruptos e ladrões…! Nós não vamos pagar as dívidas ocultas contraídas pela Frelimo. Aqueles gatunos não fizeram quase nada, durante os 40 anos de governação. Meus irmãos! Chegou o momento da verdade! No dia de votação vamos escorraçar do poder os malandros da Frelimo. Depois de votar, cada um deve permanecer no local, para controlar os votos…blá blá blá…! Não é verdade…?! Ouviram bem?!" (…).
Durante a campanha eleitoral, os partidos da oposição (Renamo e MDM), no lugar de alinharem as ideias para o desenvolvimento do país, esbanjaram o tempo em citar a marca Frelimo com palavras maquiavélicas e ofensivas, usaram uma estratégia de comunicação que padecia de vários defeitos e preocuparam-se em fazer turismo eleitoral. A visibilidade do plano de governação de Ossufo e Simango fracassou nos canais tradicionais e digitais e, nos encontros com os potenciais eleitores. Notou-se um desequilíbrio emocional e organizacional e, falta de definição de prioridades.
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O namoro exotérico entre a oposição e o eleitorado teve marcas de promessas vazias em termos de conteúdo. Os partidos em causa foram pérfidos aos rabiscos dos seus Manifestos Eleitorais. Por exemplo, relactivamente ao combate à corrupção, a Renamo deveria ter destacado os seguintes pontos: “um dos meios fundamentais para um combate eficaz contra a corrupção é a edificação de uma Administração Pública despartidarizada, isenta e baseada em princípios éticos universais, tecnocracia e de observância obrigatória da lei, por parte de todos os funcionários públicos do país”. Ossufo teria dito que pretende:

a) criar uma “Administração Pública apartidária assente no profissionalismo, na prática dos princípios da legalidade, de justiça, da transparência, de celeridade burocrática e de respeito pelos cidadãos e contribuintes”;
b) garantir a “primazia das competências técnica e profissional, como critérios de admissão, nomeação e promoção, na Administração Pública”; c) despartidarizar a “participação e gestão do Estado, em empresas públicas”.
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Ainda sobre o mesmo assunto, o partido do galo teria avançado as seguintes linhas de pensamento: “não há sistema político que funcione de uma forma justa para os seus cidadãos num contexto de corrupção. O MDM teria dito que o “combate à corrupção exige a despartidarização da Administração Pública e das empresas Estatais e evitar que o Estado e as empresas estatais sejam sacos azuis para partidos políticos”. Simango teria destacado três soluções para o combate à corrupção:

(1) garantir o “cumprimento dos princípios éticos e morais bem como o cumprimento da legislação anticorrupção e de conflito de interesse”;
(2) criar mecanismos de Educação para a Cidadania”;
(3) produzir instrumentos internos do domínio público em consonância com a legislação moçambicana”.

Portanto, gritar com todas as palavras, por exemplo, “nós queremos acabar com os corruptos da Frelimo”, não é a forma correcta de conquistar o voto. O povo sabe muito bem que a corrupção existe e conhece alguns autores, pelo que, o importante é a proposta de solução para este mal que coloca o crescimento do país em “slow motion”.
Imagem relacionada“Ahhhh…porque polícias, professores e enfermeiros têm salário magro, quando eu ganhar as eleições todos vão ter um bom salário. Votem em mim e no meu partido porque vamos criar postos de emprego e construir casas para os jovens”, etc. Mas, não explicam a mecânica desta visão. Isso tudo faz parte de promessas para embalar bebé para adormecer. É um modelo de campanha que afugenta a capacidade imaginativa do eleitorado.
Não se pode falar da robustez de um país democrático que possui partidos da oposição que andam em contra-mão, partidos que só dão a cara no período eleitoral. Os nossos partidos da oposição precisam de ampliar as suas ideias tendo em conta às tendências de transformação da realidade e, os princípios de planeamento, execução e avaliação de suas acções. Em 2024, haverá mais eleições. Comecem hoje a desenhar o plano de acção.
O povo quer ideias de desenvolvimento e não exibicionismo de força verbal.

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