
Durante
a campanha eleitoral, os partidos da oposição (Renamo e MDM), no lugar de alinharem
as ideias para o desenvolvimento do país, esbanjaram o tempo em citar a marca
Frelimo com palavras maquiavélicas e ofensivas, usaram uma estratégia de
comunicação que padecia de vários defeitos e preocuparam-se em fazer turismo
eleitoral. A visibilidade do plano de governação de Ossufo e Simango fracassou
nos canais tradicionais e digitais e, nos encontros com os potenciais
eleitores. Notou-se um desequilíbrio emocional e organizacional e, falta de
definição de prioridades.
O namoro
exotérico entre a oposição e o eleitorado teve marcas de promessas vazias em
termos de conteúdo. Os partidos em causa foram pérfidos aos rabiscos dos seus
Manifestos Eleitorais. Por exemplo, relactivamente ao combate à corrupção, a
Renamo deveria ter destacado os seguintes pontos: “um dos meios fundamentais
para um combate eficaz contra a corrupção é a edificação de uma Administração
Pública despartidarizada, isenta e baseada em princípios éticos universais,
tecnocracia e de observância obrigatória da lei, por parte de todos os
funcionários públicos do país”. Ossufo teria dito que pretende:
a) criar
uma “Administração Pública apartidária assente no profissionalismo, na prática
dos princípios da legalidade, de justiça, da transparência, de celeridade
burocrática e de respeito pelos cidadãos e contribuintes”;
b) garantir
a “primazia das competências técnica e profissional, como critérios de
admissão, nomeação e promoção, na Administração Pública”; c) despartidarizar a
“participação e gestão do Estado, em empresas públicas”.
Ainda
sobre o mesmo assunto, o partido do galo teria avançado as seguintes linhas de
pensamento: “não há sistema político que funcione de uma forma justa para os
seus cidadãos num contexto de corrupção. O MDM teria dito que o “combate à
corrupção exige a despartidarização da Administração Pública e das empresas
Estatais e evitar que o Estado e as empresas estatais sejam sacos azuis para
partidos políticos”. Simango teria destacado três soluções para o combate à
corrupção:
(1) garantir
o “cumprimento dos princípios éticos e morais bem como o cumprimento da
legislação anticorrupção e de conflito de interesse”;
(2) criar
mecanismos de Educação para a Cidadania”;
(3) produzir
instrumentos internos do domínio público em consonância com a legislação
moçambicana”.
Portanto,
gritar com todas as palavras, por exemplo, “nós queremos acabar com os
corruptos da Frelimo”, não é a forma correcta de conquistar o voto. O povo sabe
muito bem que a corrupção existe e conhece alguns autores, pelo que, o
importante é a proposta de solução para este mal que coloca o crescimento do
país em “slow motion”.

Não se
pode falar da robustez de um país democrático que possui partidos da oposição
que andam em contra-mão, partidos que só dão a cara no período eleitoral. Os
nossos partidos da oposição precisam de ampliar as suas ideias tendo em conta
às tendências de transformação da realidade e, os princípios de planeamento,
execução e avaliação de suas acções. Em 2024, haverá mais eleições. Comecem
hoje a desenhar o plano de acção.
O povo
quer ideias de desenvolvimento e não exibicionismo de força verbal.
Por: Bernardino Tomo
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