Tudo o que se diz não passa de especulação. Nenhuma das partes
pronunciou sobre as reais causas. Mas, indo às consequências dos tais
pronunciamentos, começamos por salientar que o tal jogo com o Textáfrica do
Chimoio não correu da melhor maneira. Os locomotivas chegaram a estar em
desvantagem de dois-a-zero e depois de reduzir para 1-2 igualaram o jogo num
lance polémico, bastante debatido em toda a semana.
Acabou por vencer a
partida, mas a Direcção do Ferroviário de Maputo não quis “engolir em seco” os
pronunciamentos do treinador e decidiu romper o compromisso e colocar Carlos
Manuel (Caló) no comando técnico, coadjuvado por Carlos Baúte, Florêncio Tembe
e Manuel Valoi, estes dois que haviam feito parte da equipa técnica anterior.
Recorde-se que o Ferroviário de
Maputo contratou Nélson Santos quando este parecia firme no Costa do Sol, até
porque conseguira conquistar a Taça de Moçambique, depois de um largo tempo de
interregno de festejos pelos canarinhos. Para os locomotivas, que haviam
conquistador o seu último campeonato em 2015, tinha sido uma grande vitória ir
buscar um treinador que havia sido vice-campeão por duas vezes (2015 e 2017),
sem ligar a certeza de que esse é o lugar do primeiro dos últimos. Essa
contratação contagiou positivamente os adeptos fervorosos locomotivas, que
apoiaram a entrada em “sua casa”. No plano exibicional a equipa de Nélson
Santos não enchia o olho aos mais atentos e adeptos do bom futebol, mas as
vitórias suplantavam todo o resto. Nos finais das partidas o jovem técnico
dava-se ao luxo de explicar aos leitores, ouvintes e telespectadores que o mais
importante era ganhar e que o aspecto exibicional não era o mais importante. O
campeonato foi seguindo, com os locomotivas 100 por cento vitoriosos nos jogos
no Estádio da Machava, até à recepção ao Maxaquene, com quem perderam por 1-3.
Ainda assim o Ferroviário de Maputo vinha com algumas alterações no “xadrez” em
relação ao ano passado (Diogo perdera a titularidade, o mesmo acontecendo com
Timbe), lançando novas unidades que foram respondendo positivamente à sua
chamada ao “onze”. Tudo indicava que, mesmo sem um futebol convincente, pela
primeira vez Nélson Santos, face ao avanço na tabela classificativa em relação
aos restantes concorrentes, poderia festejar o título.
No percurso para a conquista do
título outro pecado significativo prendeu-se com as derrotas “fora de portas”,
mesmo com adversários considerados inferiores. Essa forma titubeante de
caminhar pode ter sido um dos elementos fundamentais para permitir que a União
Desportiva do Songo alcançasse os locomotivas e ainda se desse ao luxo de
ultrapassá-los com vantagem confortável. Nos percalços vão as duas derrotas
consecutivas frente à Liga Desportiva de Maputo, na Matola “C”, e frente ao
Songo no campo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. A equipa descontrolou-se e
mesmo assim venceu na recepção ao seu homónimo de Nampula, no Estádio da
Machava, mas aí a sua situação começou a ficar mais complicada porque os
hidroeléctricos não tiram o pé do acelerador. Nélson Santos, de certeza, deve
ter se recordado do que andava a dizer sobre o capítulo exibicional e mesmo
face à derrota do seu concorrente directo na luta pelo título, na Beira, não
conseguiu vencer diante do aflito Ferroviário de Nacala, empatando a zero, num
jogo em que a segunda parte começou 25 minutos depois em relação a todas outras
desse dia, criando celeuma que recordou os nove minutos de 2015 que levaram o
Ferroviário de Maputo a celebrar o título.
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