Se desde então ainda havia
dúvidas em Joaquim Barbosa quanto ao projeto de disputar a Presidência, elas
diminuíram significativamente com a pesquisa Datafolha, publicada no domingo
15. Posto pela primeira vez como alternativa, Barbosa oscila nas intenções de
voto entre 8% e 10%. Ele já aparece em terceiro lugar, atrás apenas de Jair
Bolsonaro (PSL), com 17%, e Marina Silva (Rede), com 15%. Tem mais intenções de
votos do que Geraldo Alckmin (PSDB), que varia entre 6% e 8%.Ele é socialista
por convicção, mas é liberal na economia. Defende as privatizações
“Ele encarna a necessidade de
renovação política, mas mantendo princípios e valores claros, trazidos da sua
atuação no Supremo”, resume o deputado Júlio Delgado, um dos mais ardorosos
defensores da sua candidatura. Em maio do ano passado, o ex-ministro fez uma
provocação nas redes sociais: “Será que o País estaria preparado para ter um
presidente negro?”. Ao ler a frase, Júlio Delgado pediu uma audiência com
Barbosa. Foi ao seu encontro no seu escritório de advocacia em Brasília.
Encontrou um Joaquim formal, grave e rigoroso. “Pois não? Em que lhe posso ser
útil?”, perguntou Joaquim. “Vim aqui porque fui provocado pelo senhor. Acho que
o Brasil está mais do que preparado para ter um presidente negro”.
A partir daí, as conversas
evoluíram. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, comprou a idéia. Tem sido ele
o responsável por tentar quebrar as resistências internas. “Aparentemente, Joaquim
é o candidato que queremos. Mas ainda precisamos conhecê-lo melhor”, disse
Siqueira a ISTOÉ, demonstrando os cuidados de cravar a candidatura antes de
todo o périplo de conversas do ex-ministro com os líderes do partido.
Inicialmente, Barbosa dizia que só entraria no PSB se o partido garantisse que
ele seria candidato à Presidência. “Ministro, isso não tenho como garantir. A
candidatura vai precisar passar por conversas internas. Nem o Eduardo Campos
(ex-governador de Pernambuco morto em um desastre aéreo na campanha de 2014)
conseguiu isso”.
“Ele terá que aprender a lidar
com o meio político e minimizar sua personalidade autoritária”Murilo Hidalgo,
presidente do Instituto Paraná Pesquisas.
O namoro durou oito meses até
que Barbosa, enfim, assinasse a filiação ao partido no dia 6 de abril. Mas o
longo tempo de maturação das conversas no PSB demonstram que ainda há muito
chão para pavimentar a estrada que vai levar Barbosa à Presidência. Para Murilo
Hidalgo, ele “terá que aprender a lidar com o meio político e minimizar sua
personalidade autoritária”. Pesa contra o ex-ministro, e isso também foi
identificado no estudo da Big Data, justamente seu temperamento explosivo e
falta de paciência.


0 comments:
Enviar um comentário