
Mas por incrível que pareça, o que apurei no
tocante ao seu sentimento politico e tendências eleitorais, surpreenderam-me
bastante também pela negativa, e levou-me a dar mais razão ainda ao agora
falecido jornalista português, Augusto de Abelaira, quando dizia que Governar é
Desagradar. O que apurei convenceu-me tambem da validade da tese do nosso
ex-Presidente, Joaquim Chissano, de que a tendência do ser humano é ser sempre
insatisfeito com tudo.
O mesmo cenário se passou na Grã-Bretanha,
onde o Partido Conservador da Primeira-Ministra Theresa May empatou quase com o
seu eterno adversário, o Partido Trabalhista, dado que a diferença de assentos
entre os dois foi de apenas 55 parlamentares. Este desfecho de 317 deputados
para os Torys contra 262 dos trabalhistas forçou May a se coligar com o Partido
Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, para puder somar com os 10
assentos deste, e assim puder ter uma maioria parlamentar para governar com
alguma estabilidade.Onde se prova que os seres humanos nunca se
sentem satisfeitos com nada que têm já, é na Noruega, onde nas últimas eleições
de 2017 o seu Partido Trabalhista (PT) no poder teve apenas 27% dos votos ou 49
dos 169 assentos do Parlamento, e que teve de se coligar com mais cinco
partidos para poder formar um governo representativo.\

Como se pode ver, mesmo os povos cujos países
são Paraísos na Terra quando vistos pelos olhos de nós que estamos ainda na
estaca zero do nosso desenvolvimento, e que faz com que o que temos a mais
sejam problemas e sofrimento, não estão em consenso sobre quem os deve
governar, daí que os seus votos estejam dispersos em mais do que um partido.
Isto prova que é válida a tal tese de Abelaira de que Governar é (de facto)
Desagradar, ou essa de Chissano de que os seres humanos são sempre
insatisfeitos com tudo. Minha mãe diz sempre que se os que morreram antes da
nossa independência pudesse ressuscitar e ver como está o nosso país, diriam
que o transformamos num autêntico paraíso. Ela diz isto sempre que vê crianças e jovens
de cor irem massivamente às escolas e universidades quando no tempo dela tal
era nos negado deliberadamente pelos colonialistas, sempre que vê jovens de
raça negra de ambos os sexos ao volante dos seus carros, sempre que vê jovens a
viveram em casas de alvenaria e não mais nas de caniço e capim…Ela remata
sempre que nunca pensou que isto fosse acontecer aqui no nosso país. Por isso,
ela fica muito ofendida quando ouve alguns jovens formatados pela Quinta-Coluna
proclamarem que temos que nos libertarmos dos nossos libertadores.
Já Nelson Mandela contou no seu mais famoso
livro A Longa Marcha para a Liberdade, que quando viajou na Etiópia em 1962 num
avião pilotado por negros, ficou perplexo, e sentiu-se mais impelido a lutar
contra o regime racista do apartheid. Mandela vinca que este facto levou-o a
concluir que Independência é sinónimo de se passar a ter direito a tudo o que
nos era negado pelos regimes coloniais ou racistas, incluindo o direito à saúde
e educação.
Portanto, assumo que os moçambicanos que
dizem não irão votar ou que só optarao pela Oposição, podem estar a provar
também uma tese de Giovani Papini, que reza que a tendência dos humanos é
gostar mais do ignoro, isto é, do que é novo ou que nunca antes provaram.É este gosto pelo ignoto que faz com que
mesmo os quem teem belíssimas esposas, se sintam atraídos pelas outras
mulheres, mesmo que não sejam mais bonitas ou ajuizadas que as suas. É este
mesmo gosto que faz com que apreciemos mais a mobília da loja mesmo que não
seja melhor que a que temos nas nossas casas.
É este gosto que fará com que
alguns de nós votemos nas próximas eleições nos partidos que de partidos não
têm nada, incluindo os que são assassinos por tendência, só para satisfazermos
a vontade de mudar por mero capricho, ou como dizem os ingleses, for sake of
change. Não é por acaso que o conceituado sociólogo e analista Elísio Macamo
nos alerta para não apostarmos em mudar por mudar, no seu último artigo que
publicou nas redes sociais este fim-de-semana, com o título TER JUÍZO.
É imperioso que tenhamos juízo, para que não
sejamos levados a preferir aqueles que nuca fizeram nada de especial senão
terem feito do nosso país um autentico inferno, e terem retardado o nosso
desenvolvimento.
Temos que TER JUIZO porque há todo um esforço
coordenado e consertado pelas chancelarias dos países que não toleram ver os
povos cujos países estão abençoados por imensuráveis riquezas naturais
desfrutarem delas. Temos que TER JUIZO, porque se desejassem o nosso bem, não
aplaudiriam os tais partidos que nos têm submetido no belicismo infernal, e
depois atribuirem sistematicamente culpas ao nosso governo ou sempre que são
perpetrados crimes pelos malfeitores, como o estão fazendo agora que o meu
colega Ercílio de Salema, foi raptado e brutalmente mal tarado. No lugar de nos
providenciarem com os meios sofisticados de que dispõem para que a nossa
polícia descubra os seus autores, o que fazem é apregoar a tese de que o seu
rapto foi mais uma obra do regime sem apresentem provas.
A única prova que dão é que ele foi alvo do
rapto porque criticou a conduta de Florindo, um dos filhos do presidente Nyusi.
Isto é falácia, porque há muita gente que tem diabolizado o próprio o
presidente Nyusi e que tem indignado muitos moçambicanos pelos insultos que proferem
contra ele nos seus jornais, mas que ele nunca se vingou contra nenhum deles.
Porque será agora que ele se vingaria contra Salema por ter criticado o seu
filho?
A maneira leviana com que se tem feito as
acusações contra os sucessivos governos da Frelimo, é como se Moçambique fosse
o único país onde ocorrem crimes ou raptos. Qualquer um que fazer uma busca na
Google dar-se-á conta que há raptos em quase todos os países, incluindo nos que
têm máquinas que filmam quase tudo que ocorre, como os EUA e outros ocidentais,
mas que mesmo assim não conseguem esclarecer todos os crimes que são
perpetrados. Mas já querem que seja a nossa polícia a apanhar todos os
raptores, não obstante seja um facto notável que já tivemos momentos em que os
raptos ocorriam todas as semanas de dia e de noite, mas que agora reduziram
quase para zero, graças ao trabalho da mesma polícia que se acusa de nunca
fazer nada.Temos que nos indagar da razão que leva os
que culpam recorrentemente o nosso governo, mas já não culpam aqueles políticos
da oposição que de facto são assassinos por tendência e assumem publicamente
que o são. Porquê é que nunca os acusam, e em contrapartida os aplaudem e os
apoiam por todos os meios, para que sejam cada vez mais os preferidos pelos
eleitores incautos. Porquê será? Será mesmo porque nos querem o bem, ou é para
que tenhamos no futuro governos que os dêem de bandeja todas as nossas
riquezas?
Por: Gustavo Mavie
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