Todas as escolas de jornalismo são unânimes em
considerar que, de todos os tópicos conhecidos da profissão, a reportagem sobre
a guerra é a mais complexa. Por isso nos grandes “media” as equipas
destacadas para reportar sobre guerras devem possuir duas características
essenciais: coragem e alto sentido ético.
Significa saber interpretar e contextualizar a
informação recolhida. Porque filmar e divulgar imagens de pessoas mortas ou de
palhotas queimadas, sem mais, não é informação: é mera confusão! E há-de ser aí
onde o jornalista se distingue do mero “facebookeiro”.
Por sentido ético entende-se aqui a virtude de
exprimir, nas notícias, o princípio fundamental de que na guerra está sempre
posto em causa o maior de todos os bens: a vida humana. Porque as pessoas não
são números: são seres humanos, cobertos de dignidade. E aqui, “pessoas”
referimo-nos a qualquer individuo, seja entre a população civil, seja entre as
partes em conflito.
Estamos no campo da linguagem, seja verbal,
seja visual. Em muitos países existem códigos de reportagem sobre guerra. Nos
Estados Unidos por exemplo, nenhum órgão de informação mostra o cadáver de um
soldado americano!

Não serão também os factos uma questão de
escolha, portanto do domínio da subectividade?
É que, mesmo a própria verdade dos factos pode
chegar ao público com cores bem diferentes. Veja o seguinte caso: reportando
sobre a mesma morte de soldados em combate, um jornal vai dizer que “cinco
soldados foram alvejados mortalmente ”; e um outro vai dizer que “cinco homens
armados foram abatidos”.
Nos tempos modernos, marcados pelos media
digitais e, nomeadamente pelas chamadas redes sociais, os debates sobre a media
e os conflitos militares não têm nunca fim. Pelo largo alcance e impacto
proporcionados pelos veículos da Internet e suas gravíssimas implicações
éticas.
E pontualmente.
(Por Tomás Vieira Mário)
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