A Fundação ICCF (“International Conservation Caucus Foundation”), anunciou
hoje no Capitólio do Senado dos EUA que tinha atribuído o seu Prémio de Mérito
na Conservação a Sua Excelência, o Presidente Filipe Nyusi da República de
Moçambique. John Gantt, Presidente da ICCF, declarou: "O Presidente Nyusi ganhou
este prémio por promover um novo conceito de parque nacional no seu país:
"o parque nacional enquanto motor de desenvolvimento humano".Gantt
continuou: "Não é nenhum segredo que a fauna bravia de Moçambique sofre
com a caça furtiva. No entanto, o presidente Nyusi comprometeu o seu país a
efectuar uma melhor protecção dos seus treze Parques Nacionais e Reservas
enquanto promove, simultaneamente, uma nova abordagem de desenvolvimento rural:
utilizar os Parques e Reservas de Moçambique como motores de educação, desenvolvimento
económico, e prestação de serviços para as comunidades tradicionais que
compartilham ecossistemas com estes tesouros naturais.No passado, algumas
pessoas entendiam que a conservação da natureza e o desenvolvimento humano eram
objectivos que competiam entre si. Agora, líderes visionários como o presidente
Nyusi reconhecem que o crescimento económico sustentável está intimamente ligado
a um meio ambiente saudável – e que os seres humanos e as economias naturais
são interdependentes.O Presidente alertou que “Moçambique seria menos
Moçambique se olhássemos passivamente para o abate ilegal das florestas e da
fauna.” No seu discurso, o Presidente Nyusi agradeceu ao ICCF pelo prémio
recebido e enalteceu o trabalho que está a ser desenvolvido no Parque Nacional
da Gorongosa – o parque nacional de referência do sistema de áreas protegidas
de Moçambique – e o impacto que o mesmo tem junto das comunidades locais. A
Gorongosa é gerida conjuntamente pelo Governo de Moçambique e pela Carr
Foundation, organização sem fins lucrativos dos EUA.O Presidente Nyusi explicou
que o Parque Nacional da Gorongosa é um exemplo de área de conservação que protege
a biodiversidade, enquanto ajuda as comunidades humanas que o circundam. O
acordo de gestão conjunta para a Gorongosa inclui o Parque Nacional de 400 mil
hectares e também uma Zona Tampão (Zona de Desenvolvimento Humano) de
sensivelmente 600 mil hectares, adjacente ao Parque e onde vivem cerca de
175.000 pessoas.No Parque Nacional da Gorongosa, ao longo dos últimos 10 anos,
os números de animais selvagens aumentaram de 10.000 para mais de 71.000. O
Parque, entre outras realizações, tem criado empregos na área do turismo e
estabeleceu o Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson que aprofunda os
conhecimentos ecológicos e forma jovens moçambicanos para serem cientistas.Entretanto,
na Zona de Desenvolvimento Humano, o Parque da Gorongosa implementou programas
nas áreas da saúde, educação e agricultura sustentável. No ano passado, cerca
de 114.000 pessoas beneficiaram de serviços de saúde do Parque. Mais de quatro
mil famílias participaram num programa agrícola que aumenta os rendimentos
familiares.No evento no Capitólio dos EUA, Greg Carr, membro da Comissão de
Supervisão do Parque, manifestou a sua satisfação pela extensão por 25 anos do
acordo de gestão conjunta do Parque Nacional da Gorongosa, anunciada pelo
Governo de Moçambique na semana anterior e aproveitou a oportunidade para
apresentar o lançamento de um novo programa de educação de raparigas nas 93
escolas primárias que são vizinhas do Parque. Nestes Clubes de Raparigas
(financiados pelo Parque) em horário pós-escolar, as adolescentes podem concentrar-se
na leitura, estudar ciências naturais (ir em visitas de estudo ao Parque da
Gorongosa), participar em actividades recreativas, aprender sobre segurança
pessoal, saúde, nutrição e planeamento familiar. As raparigas vão ouvir falar
sobre mulheres bem sucedidas através de livros, filmes e histórias e irão
conhecer pessoalmente algumas delas. O objectivo dos Clubes de Raparigas é o de
ajudar as meninas a terminar o ensino secundário, dar-lhes formação
profissional, e diminuir a alta prevalência de casamento infantil e gravidez
precoce nestas áreas rurais.

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