segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Onde há cólera, é perigoso identificar-se como jornalista!


HÁ dois anos havíamos apresentado um trabalho de reportagem sobre a desinformação que domina a sociedade de algumas regiões de Cabo Delgado, em tempos de epidemia, sobretudo de cólera. Era por causa da morte de um régulo, na aldeia Namarrecua, cerca de 30 quilómetros da cidade de Montepuez, sede do distrito do mesmo nome. Trazíamos as razões, que as achávamos próximas, do que teriam levado o líder tradicional a ser morto pelos seus próprios súbditos.
Encontramos o facto de ter sido legitimado (processo que o Governo usou para o reconhecimento de lideranças tradicionais). Sim, legitimado! E só se legitima o que não é legítimo, ou não? E há muita guerra silenciosa nas comunidades, entre os régulos legitimados e os legítimos, trazendo atrás de si, muitos seguidores.
Por causa da conveniência política que esteve por detrás da legitimação dos régulos, nasceu uma divisão com marcas profundas de índole político-partidária. É o mesmo que dizer, que é o facto de o Governo ter interferido no sistema de sucessões nas lideranças tradicionais. O denominador comum, em todas as regiões onde há recorrentemente a desinformação à volta da cólera e outras epidemias, é ser lá onde o poder tradicional foi durante muito tempo exercido com todos os adereços que tal implica, incluindo a feitiçaria.
Nos distritos do centro-sul da província, a administração tradicional foi muito forte e quando o Governo quis valorizá-la fá-lo procurando pessoas que, muitas vezes, não se identificam com os autóctones, tendo como bitola o facto de serem mais próximos do partido no poder. Desse jeito dividiu as pessoas, uma divisão que ficou mais nítida e profunda quando se decidiu distribuir fardamento aos líderes, mais tarde subsídios. Já ouvi que em algum lugar já começaram a receber, via banco…
Os não legítimos (legitimados) viraram mais importantes que os verdadeiros líderes, porque aborígenes. A guerra instalou-se, cuja arma principal usada tem sido a cólera ou as queimadas descontroladas, cujo efeito é tentar demonstrar que aqueles não têm nenhum poder sobre as comunidades que dizem dirigir. 
Tudo o que é dito pelo Governo, principalmente quando a sua disseminação é confiada aos líderes tradicionais, surge quem deve contradizer, ainda que tenha o conhecimento pleno de que se trata de medida razoável. Simplesmente para contrariar e demonstrar, desse modo, a fraqueza de quem sendo, não é líder nenhum.
A coisa vai crescendo, mas dando mostras que nos podem conduzir ao que acima tentamos dizer. Não é por acaso que as vítimas são sobretudo líderes fora do foro governamental: secretários, régulos ou outros responsáveis tradicionais. No dia em que alguém quiser saber como cada um deles chegou a ser o que é, vai colidir com a realidade crua de que foram impostos.
É na contradição e na razão que os levou ao poder, que deveria ser de facto tradicional, mas não é, porque usa uma roupagem político-partidária, que aparecem, por sua vez, os políticos. Não para dizer que a cólera é trazida pelo Governo, mas tomando uma posição dúbia, quase cúmplice, sem se pronunciarem, tendo em conta que na divisão conseguem reinar.
O outro problema é o próprio Ministério da Saúde. A cólera é uma doença que todos conhecem. Não é verdade que as pessoas confundem cloro com cólera, segundo as nossas investigações, porque mesmo sem cloro, sempre houve cólera. Portanto, o povo conhece a doença, de tal maneira que, quase sempre, é o primeiro, antes das autoridades sanitárias, a declarar a sua existência.
Durante estes anos (acima de 20) em trabalho para a comunicação social, as autoridades de saúde sempre foram as últimas a confirmar a existência da cólera, quando o povo já a identificou. Às vezes passam meses a chamar-se diarreias e vómitos, diarreias sanguinolentas, disenterias, diarreias agudas, etc., um secretismo dificilmente entendível.
O tempo que leva a saúde a falar de cólera, veste-se muitas vezes de qualquer coisa que soa a sonegação. Pessoas morrem, a saúde persiste em dizer que não morrem de cólera ou que se trata de mortes extra-hospitalares, por isso não entram nas contas. Mas as casas mortuárias, apesar de serem de outra gestão, quase todas localizam-se no mesmo recinto dos grandes hospitais.
Por causa disso, a informação passa de pessoa em pessoa sobre entes, vizinhos e outros que morrem, mas na comunicação social, aparecerá quem dirá que não há cólera, mas sim diarreias agudas, sanguinolentas, enfim, e que as pessoas que morrem de diarreias agudas, ou sei lá, fora do hospital, fazemos de contas que não morrem, mesmo sendo vizinhas de funcionários de saúde.
A inflexibilidade da saúde traz muitas leituras. E daí aparecerá, como quase sempre acontece, alguém do ministério para numa semana dizer, sim, é cólera! Este pequeno teatro presta-se a muitas interpretações. Ainda fica por perceber se com tanta evolução que estamos a experimentar, na medicina, estaremos de facto atrasados na detecção da cólera…
A seguir entra a imprensa, que é vista como a mais mentirosa, por estar todos os dias a reproduzir as palavras dos responsáveis da saúde que dizem que não há cólera, não há cólera, não há cólera, mesmo sabendo que no fim virá alguém a confirmar que é cólera, sim senhor. Essa posição patética da imprensa, em matéria de epidemias de cólera, leva-a a também ser mal vista pelas comunidades, vista como conivente na propalação de mentiras. Em zonas onde há cólera, já é perigoso identificar-se como jornalista.
É dentro deste quadro que todos devemos lutar, se bem que tudo é facilmente localizável: são os mesmos lugares onde a cólera é politizada, o comportamento da doença é do domínio de todos, a inflexibilidade da saúde é igual em todos os anos, para além das causas que são largamente conhecidas. Falta estudar o fenómeno com estes ou outros pressupostos e outra coisa, igualmente, importante: não falar dela só quando a epidemia eclode.(P.Nacuo)


História de sucesso!


O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse hoje que a universidade deve combater o espírito de mão-estendida e incutir nos estudantes a crença nas suas capacidades de transformar as suas vidas e as das suas comunidades.Falando durante a inauguração da última fase do campus da Universidade A Politécnica, a primeira instituição privada de ensino superior no país, criada em 1995, Guebuza desafiou as universidades moçambicanas a implementarem uma série de reformas com vista a adaptarem-se às necessidades do momento.Segundo o estadista moçambicano, o momento actual do país impõe uma maior articulação da formação com o reconhecimento e exploração das múltiplas oportunidades na sociedade e na economia nacional. “A educação em Moçambique deve forjar valores nobres, entre os quais a auto-estima, o sentido patriótico e de Unidade Nacional e estimular uma concepção mais activa da vida, aliando a formação do cidadão e com a formação para o exercício da cidadania, como testemunhámos na visita às instalações desta instituição de ensino superior”, disse ele. “Ela (a universidade) deve combater o espírito de mão-estendida e incutir nos estudantes a crença nas suas capacidades de transformar, para o melhor, as suas vidas e as vidas das suas comunidades, usando o conhecimento adquirido no campus”, acrescentou Guebuza. Igualmente, Guebuza disse que a educação do país deve ser capaz de continuar a alargar os horizontes do graduado, que veio para o campus já integrado num sector de actividade, para não se dar por satisfeito apenas com o novo salário, em razão do novo título que ostenta, mas em razão da sua produtividade ou com as melhorias que introduz no seu sector de actividade.No seu discurso, Armando Guebuza disse que Moçambique está a mudar para o melhor e isso impõe novos desafios também ao ensino superior. “Um destes (desafios), que é fundamental, prende-se com a necessidade de efectuar a transição nas nossas mentes, expectativas e currículos da formação virada exclusivamente para a função pública para uma formação virada para a sociedade e para a vida”, disse Guebuza.“Reconheçamos, ao mesmo tempo, que a formação para a vida e para a sociedade, ao dinamizar a nossa economia, robustece o próprio Estado que ganha maior pujança para aumentar a sua capacidade de absorver mais graduados para fortalecer as suas instituições”, acrescentou.
Para o Chefe de Estado, este é o ensino que vai melhor e adequadamente preparar os jovens de modo a vencerem a pobreza. “A nossa atenção sobre a expansão e a qualidade do ensino ganha maior consistência, relevância e coerência neste desafio”, disse ele.Criada em 1995 e com as aulas iniciadas no ano seguinte – sob a designação Instituto Superior Politécnico Universitário, A Politécnica é uma das várias instituições privadas do ensino superior em Moçambique e já com créditos firmados.Volvidos quase 18 anos após a criação desta instituição, A Politécnica conta agora com um espaçoso campus no centro da capital moçambicana e delegações em Quelimane, Tete, Nampula e Nacala, contando com mais de cinco mil estudantes.A fase final das instalações do campus - agora inaugurada  – inclui uma biblioteca central, a Escola Superior de Altos Estudos e Negócios e um pavilhão gimnodesportivo.Segundo o reitor da Universidade, Lourenço do Rosário, o investimento global aplicado em todo o campus (desde o início do projecto) foi de 12 milhões de dólares em créditos bancários, com excepção de financiamentos próprios aplicados pela instituição. Do Rosário disse que a meta da instituição para os próximos tempos é consolidar as suas conquistas e abranger o resto das províncias do país através do ensino a distância.

Solidariedade


A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, entregou um cheque no valor de 150 mil meticais ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) para apoiar as vítimas das cheias na província da Zambézia. A ajuda surge depois de a dirigente ter visitado e testemunhado o sofrimento das mais de 55 mil famílias desalojadas em consequência das inundações.O referido valor é proveniente dos fundos da Assembleia da República e deverá ser aplicado para a compra de bens alimentares, vestuário, produtos de limpeza, entre outros. Nos centros de acomodação, o cenário é dramático, as famílias clamam por mais alimentos, bem como redes mosquiteiras, para fazer face ao “exército de mosquitos” que já causou números assustadores de casos de malária. As famílias disseram a Verónica Macamo ter perdido tudo o que tinham, desde casas, bens e até familiares seus. Por outro lado, as crianças ainda não começaram a frequentar a escola, pois a chuva destruiu as salas de aulas, levando consigo instrumentos de ensino e aprendizagem.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Rússia "atacada" por meteorito


Mais de 100 pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira depois que um meteorito caiu na região de Tcheliabinsk, nos Montes Urais, informou o Ministério do Interior da Rússia. "Segundo dados preliminares, mais de 100 pessoas solicitaram assistência médica, na sua grande maioria por cortes com vidros. Não há pessoas gravemente feridas", disse um porta-voz dessa pasta à agência Interfax. O meteorito caiu a 80 km da cidade de Satki, no distrito de mesmo nome, por volta das 9h20 locais (6h20 de Maputo). As autoridades de Tcheliabinsk, capital da região homônima, reforçaram as medidas de segurança nas estruturas e instalações vitais da cidade. Alguns veículos da imprensa chegaram a informar que uma chuva de meteoritos teria caído sobre os Urais. "Não foi uma chuva de meteoritos, mas um meteorito que se desintegrou nas camadas baixas da atmosfera", disse à agência "Interfax" a porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, Elena Smirnij. Elena acrescentou que a onda expansiva provocada pela queda do corpo celeste quebrou as vidraças de "algumas casas na região". A porta-voz ministerial também informou que a queda do meteorito não alterou os níveis de radiação, que se mantêm dentro dos parâmetros frequentes para a região.

"Ferro e carvão" fervilham


O caminho para levar o carvão de Tete aos mercados internacionais está fechado desde terça-feira finda, depois de, semana passada, ter sido condicionado devido ao descarrilamento de um comboio. A queda da locomotiva forçou a Vale e a Rio Tinto a interromperem a circulação.Não era para menos, tratava-se da terceira vez que um comboio saía da linha-férrea. Os primeiros descarrilamentos ocorreram nos dias 20 e 29 de Janeiro passado, e o mais recente foi na semana finda.Os prejuízos com acidentes e calamidades naturais já afectam a contabilidade e os compromissos das empresas, com contratos de compra e venda nos mercados indiano e chinês, apenas para citar alguns.A Vale e a Rio Tinto movimentam importantes volumes de mercadoria. Até Dezembro do ano passado, a mineradora brasileira fez passar pela linha de Sena mil comboios com mais de dois milhões de toneladas, enquanto a Rio Tinto escoou na sua primeira operação 35 mil toneladas.Só para se ter uma ideia, no terceiro trimestre de 2010, o preço médio de venda do carvão metalúrgico rondou os 200 dólares norte-americanos a tonelada métrica, sendo que o carvão térmico foi mais barato, com um custo de cerca de 100 dólares americanos.A Vale e a Rio Tinto, gigantes mundiais na exploração do carvão, estão com a calculadora na mão, a somar prejuízos. Neste momento, os maquinistas da Vale estão estacionados nas estações ferroviárias de Kambulatsitse, Necungas, Chazia, Doa, Caia e Savane, sem nada para fazer.Uma fonte da empresa adiantou que o défice de infra-estruturas e a ineficiência da linha de Sena são  que “serão tratadas ao mais alto nível em breve”. Disse ainda que funcionários de peso da sede da mineradora no Brasil estão em Moçambique há uma semana e deverão confrontar o Presidente da República durante a sua visita à província de Tete. Eles também foram enviados para monitorar o processo, no sentido de encontrar uma fórmula para abrir um caminho ao carvão.  ”Estão cá quadros brasileiros que vão manter encontros com o Chefe do Estado, para manifestarem o seu desagrado sobre como as coisas estão a ser conduzidas. Se se recordam, no ano passado, tivemos que rever em baixa as nossas previsões de escoamento do carvão de Moatize, e isto cria-nos grandes prejuízos financeiros”, disse a fonte.O descarrilamento da semana passada destruiu cerca de 10Km da linha-férrea.  Técnicos dos CFM foram despachados ao campo para repor a via. O administrador Operacional, Adelino Mesquita, também seguiu viagem a Tete, para serenar os ânimos das mineradoras e acompanhar os trabalhos de reabilitação de perto.

"Cwabos" iguais a sí mesmos

O município de Quelimane,  gerido pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), vai erguer um monumento ao “soldado desconhecido”, em homenagem aos “combatentes anónimos”.

Manuel de Araújo, presidente do município de Quelimane, disse haver no país muitos “soldados que amaram a pátria, no anonimato”, sem esperarem alguma recompensa, que deram a sua vida pela independência nacional e democracia e que a sua honra e bravura “não são reconhecidas” até agora.
“Normalmente, temos uma praça dos heróis e nós podemos os nomear em Moçambique, até porque há uma comissão de heróis. Mas há milhares de moçambicanos que perderam a vida para que tivéssemos a independência nacional e a democracia, que morreram em combate e ninguém se lembra deles”, disse Manuel de Araújo.
Para o autarca, a historiografia política de Moçambique ainda não reconhece nem exalta os jovens que deram as suas vidas pela causa nacional, particularmente da guerra de libertação de Moçambique do jugo colonial, e depois pela democracia.
“Acho que eles (soldados desconhecidos) merecem”, enfatizou Manuel de Araújo, assegurando que a praça será erguida nos próximos nove meses, ou seja, antes do fim do seu mandato de dois anos, que termina em outubro próximo.
Para os moçambicanos não inclusos no monumento, disse, foi criado um movimento que deverá rever a toponímia da cidade de Quelimane para reconhecer políticos, músicos, poetas ou futebolistas. “Criámos uma comissão que está fazer a revisão da toponímia da cidade, que inclui líderes religiosos, régulos, académicos e sociedade civil, para reconhecermos alguns nomes que merecem ter uma rua em sua homenagem”, explicou De Araújo.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Mas 1 de Abril,no mundo, é o Dia da Mentira!


Maputo: tiros da polícia fazem vários feridosNÃO passa um mês que a classe médica decidiu paralisar as actividades nas unidades sanitárias públicas, entrando em greve contra grande oposição do Governo. Policias acabam de começar a agir e os professores estão a movimentar-se no mesmo sentido apontando para uma greve geral. A greve dos médicos, que durou cerca de dez dias e abalou seriamente o Sistema nacional de Saúde, parece que quebrou o medo que reina(va) na administração pública e despertou outros sectores a lutarem pelos seus direitos face ao cepticismo na autorização de greves aos funcionários do Estado. Agora, concrectamente, sabe-se ao certo que a Policia está a agir. Acaba de anunciar um greve para o dia 01 de Abril, caso as suas reivindicações apresentadas por escrito ao governo, PR, Assembleia da República e outros organismos, não venham a ser atendidas. Os agentes da Polícia da República de Moçambique ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado, a partir do dia 1 de Abril, como forma de pressionar o Governo a fazer um reajuste salarial significativo. Querem um salário mínimo na Polícia de oito mil meticais/mês. Os Policias dizem que depois de 01 de Abril só voltarão ao trabalho caso sejam satisfeitas as suas reivindicações. Através de uma carta endereçada ao Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, datada de 24 de Janeiro de 2013, que se  transcreve na íntegra, os agentes da PRM referem que desde o mandato do Presidente Guebuza a Polícia tem sido assolada por problemas de vária ordem, desde a falta de promoções, progressões e sem nunca terem conhecido um aumento salarial igual ou superior a 20%.“Esta situação tem criado amplo descontentamento no seio dos membros da corporação, tomando em conta o custo de vida que vem registando um agravamento ininterrupto, daí que tem sido frequente o envolvimento de alguns  agentes da corporação em actos criminais, desde o aluguer das armas aos bandidos, liderança de quadrilhas, subornos, extorsão e outros na tentativa de superar os míseros salários que o Estado lhes paga ainda com vários riscos sujeitos”. “Se não vejamos: o último elemento desta instituição (Guarda da Polícia) tem como vencimento base 3.366,49 meticais (1 dólar = 30.00 meticais), e líquido recebe: 4.102,86 meticais e, por sua vez, o rancho da família com três membros é de aproximadamente 2.000,00 meticais, mais 4.200,00 meticais das despesas diárias na compra de mata-bicho e verduras ou carapau para jantar já que está interdito de ter almoço (em casa),totalizando 6.200,00 meticais”, lê-se no documento. “Neste valor, de acordo com a carta, ainda não contabilizou o que deve pagar para as matrículas das crianças; não comprou material e uniforme escolar; não incluiu valor da renda de casa, de transporte do funcionário e dos filhos acrescidos das ligações sujeitas; não comprou sapatilhas e roupa ao menos para crianças e ainda ninguém da família ficou doente”. “Assim sendo, qual é a possibilidade deste membro sobreviver? Construir? Comprar electrodomésticos?”, questiona-se na carta dirigida ao Gabinete do Primeiro - Ministro. Os membros da corporação usam a carta para pedirem que “se faça um reajuste da tabela salarial na ordem de oito mil meticais como vencimento base para Guarda da Polícia e sucessivamente, que se resolva a questão das progressões estagnadas desde 2005, bem como o assunto das promoções que andam a passo de camaleão e destinados aos da família Tivane (conhecidos), passarem a ser abrangentes, que se atribua a subsídios de alimentação e de transporte bem como o pagamento das horas-extras para os que trabalham para além da hora normal estabelecida pela lei”. O comandante-geral da PRM, Jorge Khalau, diz que ainda não recebera nenhuma carta com o conteúdo desta natureza e nem sequer informação de ameaça da greve por parte dos membros da PRM. (R.Moiane)

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Gorongosa Lodge & Safari


O Parque Nacional de Gorongosa (PNG), localizado na província de Sofala, centro  Moçambique, terá”, a partir de 01 de Julho próximo, um novo acampamento, denominado Kubatana Camp pertencente ao grupo Asila Africa. A abertura do acampamento ocorre no âmbito de uma parceria firmada recentemente entre o Projecto de Restauração da Gorongosa, representada por Greg Carr, e a Asilia Africa, através de Bas Hochstenbach, para a promoção do eco-turismo. Asilia Africa é uma companhia internacional de ecoturismo fundada em 2004 com a missão de conservar e expandir os habitats naturais e a vida selvagem que essas áreas suportam. Actualmente, opera nove acampamentos e lodges luxuosos em lugares bem localizados na Tanzânia e no Quénia. O acampamento vai oferecer seis barracas luxuosas com casa de banho privativa e terá uma “confortável” área de lazer para os hóspedes se descontraírem. Os gestores do parque garantem que o acampamento vai respeitar as credenciais ecológicas e de sustentabilidade, evitando danos ao meio ambiente. O acampamento vai proporcionar actividades diversas aos visitantes, entre as quais safaris de jipe e safaris a pé, bem como passeios de barco no lago Urema, visitas à floresta tropical húmida da Serra da Gorongosa para caminhadas e observação de pássaros e, ainda, acampamentos volantes. Este projecto será mais uma novidade que o PNG vai apresentar este ano, já que em Abril próximo, o parque vai reabrir as suas actividades com um novo hotel, o Girassol Gorongosa Lodge & Safari com capacidade para receber 100 hóspedes. Recentemente, esta unidade hoteleira beneficiou de obras de remodelação avaliadas em 1,8 milhões de dólares norte-americanos, um investimento do grupo português Visabeira Turismo, que detêm a gestão do mesmo por um período de 12 anos. Estes empreendimentos se enquadram no âmbito da restruturação do PNG, que desde 2008 está sob gestão conjunta do Governo de Moçambique e a Fundação Carr, dos Estados Unidos, por um período de 20 anos. A gestão conjunta do PNG tem em vista transformar esta área de conservação numa referência a nível da região da Africa Austral, tornando-se num forte concorrente dos grandes parques desta zona nos próximos anos.

Africano lidera na casa das apostas

O fotógrafo italiano Filippo Monteforte registou na noite desta segunda-feira (11), o momento em que um raio atingiu o tecto da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O flagrante foi feito justamente no dia em que o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia para o próximo dia 28 de fevereiro.  Em um discurso pronunciado em latim no Vaticano, Bento XVI afirmou que deixará o cargo devido à “falta de forças”. O Papa destacou que "no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito". O Papa Bento 16 não sofre de nenhuma doença específica e sua decisão de renunciar foi tomada sem pressão externa, disse o porta-voz do Vaticano após o supreendente anúncio do pontífice de que deixaria o cargo no final deste mês. O Padre Federico Lombardi disse que a decisão do Papa, de 85 anos de idade, não foi devido a uma doença, mas a um declínio progressivo da sua força, o que é normal num homem com sua idade."Nos últimos meses ele tem observado um declínio no seu vigor tanto de corpo quanto de espírito", disse Lombardi aos repórteres. "Foi uma decisão pessoal dele, tomada com total liberdade, que merece total respeito", acrescentou.O único
precedente da renúncia de um Papa remonta ao ano de 1294, quando Celestino V abdicou antes de ser consagrado. Antes de ser designado Papa ele havia vivido como um ermitão e não se sentia preparado para assumir o comando da Igreja. O cardeal Peter Turkson, natural do Gana, é um dos nomes apontados como mais prováveis para suceder a Bento XVI no pontificado.Turkson lidera nas casas de apostas com uma margem de 9-4. Recorde-se que a nomeação de um novo Papa é responsabilidade de 118 cardeais, que vão eleger o sumo pontífice em conclave na Capela Sistina, no Vaticano.Uma eventual escolha de Turkson marcaria um momento histórico na Igreja Católica, uma vez que nunca um cidadão fora da Europa foi Papa. Estima-se que mais de metade (70%) da população católica no mundo seja oriunda da América Latina e de África. 

domingo, fevereiro 10, 2013

Quando se faz por respeitar!

O Presidente da República nas cerimónias oficiais por ocasião do Dia dos Heroís Moçambicanos.Os cidadãos que saudam  Armando Guebuza  são militantes da segunda força política da oposição.

Renuncia!


David Sibambo, um dos nove membros da Comissão Central de Ética Pública, acaba de renunciar ao cargo, por razões ainda não tornadas públicas.Sibambo, juiz-conselheiro do Tribunal Administrativo, fora designado pelo Conselho Superior de Magistratura Judicial Administrativa para aquela Comissão, empossada no mês passado pela Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, no âmbito da Lei de Probidade Pública.A renúncia foi confirmada pelo Presidente da Comissão, Sinai Nhatitima.Sem avançar as razoes da renúncia, Nhatitima assegurou que “já foi designado novo membro que oportunamente vai tomar posse”.A Comissão Central de Ética Pública é composta por nove membros, dos quais três indicados pelo Governo, outro tantos pelo Parlamento e ainda igual número pelas magistraturas judiciais, do ministério público e administrativa.Este órgão tem como atribuições, administrar o sistema de conflitos estabelecido na lei, estabelecer regras, procedimentos e mecanismos que tenham em vista prevenir ou impedir eventuais conflitos de interesses, avaliar e fiscalizar a ocorrência de situações que configurem conflito de interesses e determinar medidas apropriadas para a sua prevenção e eliminação, incluindo a apresentação de queixas ou participação junto ao Ministério Público.Por outro lado, tem como missão orientar e dirimir dúvidas e controvérsias acerca da interpretação das normas que regulam os conflitos de interesse, sem prejuízo das competências próprias dos tribunais sobre a matéria, garantir a protecção dos denunciantes de conflitos de interesses, de acordo com o regime geral de protecção das testemunhas, vitimas, denunciantes e outros operadores necessários.A Comissão tem ainda a responsabilidade de elaborar um modelo de declaração de património prevista na lei de Probidade e que se aplica aos titulares de cargos políticos providos por eleições ou nomeação, juízes e magistrados do Ministério Público, gestores responsáveis da administração central e local do Estado, membros do Conselho de Administração do Banco de Moçambique.Quadros de direcção da Autoridade Tributária de Moçambique, gestores do património público afecto às Forças Armadas e à polícia, independentemente da sua qualidade, os gestores e responsáveis dos institutos públicos, fundos ou fundações públicas, das empresas públicas e os gestores das empresas participadas pelo Estado, bem como membro da Assembleia da Provinciais, deverão fazer igualmente a sua declaração.A lei de probidade pública (Lei número 15/2012 de 14 de Agosto), que entrou em vigor em Novembro do ano passado, se aplica a servidores públicos com vista a assegurar moralidade, transparência, imparcialidade e respeito na gestão do património do Estado.A lei abrange, igualmente, autoridades de entidade s não públicas, singulares ou colectivas, circunstancialmente investidas de poder público. A mesma entrou hoje em vigor, carecendo ainda de condições para a sua aplicação efectiva.

Esteira e cama, tudo está na água...


Daniel Macamo dorme hoje no interior do camião  da empresa para a qual trabalha à beira da estrada de Chehaquelane, principal  centro de refugiados no sul de Moçambique, depois de perder a casa com as  cheias que assolam o país. Enquanto não regressa ao trabalho, o camionista de profissão espera, num pequeno arbusto, pelo abrandamento da água de chuva que invadiu a sua propriedade na região de Chókwé, para retomar a sua vida normal. A situação "vai levar, pelo menos, dois meses", diz convicto, quando questionado sobre o tempo necessário para que o nível da água  baixe na sua zona de origem. Ao lado de uma tenda, onde uma mulher arruma bacias e roupas que sobraram das enxurradas, Daniel Macamo contempla o movimento de carros, mas parece estar mais atento aos seus dois veículos parados no meio da mata, um dos quais já avariado, na sequência da chuva de 15 de janeiro."Tinha duas carrinhas, mas todas entraram na água. Uma está a andar, mas outra não", conta Daniel Macamo, sentando numa cadeira plástica, um dos poucos bens que as cheias não arrastaram. A eventual queda de chuva também é que mais o preocupa, porque esta  pode estragar tudo resto. "Nem dá para dormir. Só se dorme no chão. Esteira e cama, tudo está na água. Todas as coisas que ficaram em casa estão estragadas", diz sobre a situação de milhares de pessoas que se encontram ao longo da estrada que  liga Chókwé a Lionde. Na região de Chihaquelane está montado o maior centro de refugiado das cheias, com 140 mil famílias, que diariamente têm de lutar por um novo tipo de vida que parece não ter fim à vista. E alguns já admitem voltar às suas antigas residências. "Para apanhar água é difícil. Há tanque de camião que passa com água para distribuir a população. Quando acaba fica-se dois ou três dias à espera do novo abastecimento. A água só dá para tomar banho uma vez por dia", refere Daniel Macamo. De resto, conseguir tendas, água e comida constitui agora principal luta de milhares de pessoas que estão lá albergadas, tal como Lázaro Filimão que se queixa de "dormir de qualquer maneira" e nem sabe quando terá uma tenda. Enquanto isso, vai dependendo da boa vontade das outras vítimas das cheias para partilhar tenda. "Porque a relação daqui é feita de conhecidos. Muitas pessoas nesta rua estão à rasca. Quando chove molham, principalmente as crianças, que também dormem fora, com mosquito. Dizem que vão dar tenda, mas são muitas pessoas. Durmo de qualquer maneira", refere Lázaro. O administrador do Chókwé, Alberto Libombo, afirma à Lusa que as autoridades reconhecem essa situação, mas, garante, "os responsáveis dos bairros ainda estão a fazer o levantamento do número de famílias sem tendas". "Hoje vamos iniciar a distribuição de cinco mil talhões", assegura Alberto Libombo. O governo de Chókwé iniciou um processo de parcelamento de novos lotes de terrenos numa zona alta. "Neste momento, o Conselho Municipal foi orientado no sentido de evitar mais parcelamento de talhões na zona da cidade baixa, porque não queremos  que se repita uma situação destas, para não se criarem mais centros de acomodação. Não é fácil gerir mais de 70 mil pessoas, que vivem em condições não muito boas", afirma o dirigente distrital. 




















quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O tal Carnaval com paços de samba,daí que...


É, necessário lembrar, historicamente que o Carnaval com estilo brasileiro confunde-se com o comércio de escravos. Pois, foi aqui onde atracaram navios e desembarcaram tripulantes vindos do Brasil com o propósito de transporte de escravos. E, como se não bastasse, alguns se enraizaram criando um ambiente de festas e farras misturadas com as culturas lusitanas e indianas. “Quelimane é um dos lugares de Moçambique que forneceu escravos para Brasil. No entanto, assume em Quelimane, o tal Carnaval com paços de samba, enfrentou o desafio do pluralismo cultural e processo de empréstimo e de transculturação.”A manifestação proveniente de hábitos e costumes deste povo do Sul da actual Zambézia, particularmente de Quelimane, ligados ao canto e dança bem como instrumentos e indumentária transformou-se em Carnaval pelo que se sabe nos princípios do ano 60 do século passado (séc. XX), concretamente.

7 mil afectados e + 10 pessoas mortas! É pouco “mano Mané” ?

Como um político da nova geração, com o alto nível de instrução, exige-se que Manuel de Araújo seja portador de sinais de esperança. Que seja uma fonte de inspiração para que os mais jovens se interessem pela política e devolvam à política a nobreza que ela merece. Para que isso aconteça, o país precisa de políticos diferentes dos que temos hoje.  Causou indignação geral o facto da Presidência da República, o Governo e a família Guebuza terem tomado a triste decisão de oferecer o mega-almoço de celebração dos 70 anos de vida de Armando Guebuza, numa altura em que compatriotas nossos se afogavam em consequência das cheias que fustigam o país. Este acto condenável teve até direito a honras televisivas para que os moçambicanos, incluindo as vítimas da cheias, pudessem acompanhar este momento de celebração do Presidente Guebuza juntamente com os seus 1 000 convivas.A oposição, aproveitando-se deste facto, desdobrou-se em moralismos até certo ponto excessivos para condenar a atitude do Presidente Guebuza. Chamaram nomes ao Presidente da República e sua família. 
Não é que para o meu espanto, tomei conhecimento, através da STV, que Manuel de Araújo,(carinhosamente chamado Mano Mané) edil de Quelimane,
militante do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) está a gastar um milhão de meticais para realizar uma festa popular denominada “Carnaval Chuabo”.Não tenho nada contra as festas populares e acho de bom tom que os governantes apoiem as manifestações populares e o carnaval de Quelimane é uma marca indelével na cultura do povo de Quelimane. Entretanto, é do conhecimento de todos nós que o município de Quelimane e seus munícipes foram afectados pelas cheias e há, neste momento, pessoas que estão a atravessar momentos dramáticos, e não me parece razoável que Manuel de Araújo, na sua qualidade de edil, tire dos cofres municipais um milhão de meticais para promover festas.O mais sensato na minha opinião seria adiar o carnaval, em consequência das cheias na província da Zambézia, incluindo o município de Quelimane. Manuel de Araújo, na sua qualidade de governante, deve ser solidário com outros compatriotas seus em Gaza, Maputo e Sofala que perderam tudo. Mas não é o que está a acontecer. Só na Zambézia, há mais de sete mil pessoas afectadas e mais de 10 pessoas morreram em consequência das cheias! É pouco senhor presidente Manuel de Araújo?
Da mesma forma que a oposição e outros sectores de opinião habituados a criticar Armando Guebuza, a Frelimo e o Governo, espero que tenham a mesma coerência e denunciem este acto simplesmente escandaloso e vergonhoso. De uma figura como Manuel de Araújo, com reconhecido percurso académico e intelectual, era de esperar uma outra forma de estar na política. O recurso a camisetas, música, danças e bebedeiras não pode continuar a ser o expediente político mais apetecível para captar votos por parte de políticos moçambicanos. A política precisa de ser um espaço de trabalho e de debate de ideias e não um espaço para a promoção da bebedeira, do ócio e da estupidificação da sociedade e dos mais jovens em particular.   Como um político da nova geração, com o alto nível de instrução, exige-se que Manuel de Araújo seja portador de sinais de esperança. Que seja uma fonte de inspiração para que os mais jovens se interessem pela política e devolvam à política a nobreza que ela merece. Para que isso aconteça, o país precisa de políticos diferentes dos que temos hoje. Precisa de verdadeiros servidores públicos e não estes que hoje abundam no espaço público que usam o Estado e o povo para dele se servirem. Precisa de gente qualificada que faça uma gestão correcta dos bens públicos e faça a devida prestação de contas.
O país não suporta mais políticos que são avessos à prestação de contas e têm na desorganização organizada o seu modus operandi para pilhar cada vez mais ao povo moçambicano.  O país precisa de mais trabalho e menos festas e, já agora, menos feriados e pontes. Precisamos de políticos trabalhadores e não aqueles que ficam um dia inteiro a desfilar pelas ruas da cidade em nome de carnaval.   Precisa de políticos trabalhadores, mais sensíveis, e não estes que sobrevoam zonas inundadas de helicópteros e montam palanques para fazer comícios dizendo ao povo que há cheias no país porque somos pobres. Precisamos de sinais de esperança já!   Aos autarcas dos partidos da oposição, exige-se seriedade e mais rigor na gestão da coisa pública. Precisam de mostrar que são diferentes da actual governação da Frelimo, em que, em muitas ocasiões, escasseiam exemplos de moralidade e ética pública ao mais alto nível da Governação! (J.B.soico)

Puchaaaa...até são da mesma família política!


O Ministério da Defesa diz que os talhões em volta da base aérea pertencem-lhe e recuperou-os à força. O Gabinete de Zonas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA), em representação do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, não concorda e afirma que o governo aprovou um dispositivo legal que estabelece a desactivação da base aérea de Nacala. O director-geral do GAZEDA, Danilo Nalá, explicou ontem que o governo, em sede de Conselho de Ministros, decidiu transferir as forças especiais e transformar a base militar em aeroporto civil. Esta resolução abre caminho para construção do futuro Aeroporto Internacional de Nacala. O responsável defendeu ainda a necessidade de reavaliação do conceito de servidão militar para o aproveitamento económico e social de zonas com forte potencial de crescimento. Entende o director do GAZEDA que é este o princípio que permitiu que várias infra-estruturas fossem construídas próximas do quartel-general, na cidade de Maputo, do Aeroporto Internacional da Beira e do de Nampula.    “Não somos os únicos a fazer isso. Em quase todo o mundo, incluindo Joanesburgo, há infra-estruturas em redor do aeroporto. Não podemos deixar zonas como Nacala sem aproveitamento. Aliás, o próprio Aeroporto Internacional de Nacala só é viável com os negócios em redor”.   A Zona Económica Especial de Nacala foi criada por resolução em Julho de 2007 pelo Conselho de Ministros, integrando os distritos de Nacala-Porto e Nacala-a-Velha. A reivindicação do Ministério da Defesa é levantada seis anos depois da decisão do governo, como se este Ministério não fizesse parte do Conselho de Ministros. Ou melhor, onde estava o Ministério da Defesa e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique quando a implantação da Zona Económica Especial de Nacala se iniciou? 
Trata-se de uma posição que já afecta os proprietários dos projectos, que foram interditos de qualquer movimento no local.  Agentes económicos afectados dizem que as FADM travaram as obras e os projectos nos talhões próximos da base aérea de Nacala, colocando guardas armados em vários pontos para impedir qualquer movimento de pessoas e bens.
A situação chocou os proprietários dos projectos, na medida em que estes têm documentos de autorização para exploração, concedidos pelo Conselho Municipal de Nacala-Porto e pelo Gabinete das Zonas de Desenvolvimento Acelerado - GAZEDA.  Há  documentos chancelados pelas hierarquias das duas instituições, nomeadamente, Issufo Chale, edil de Nacala-Porto, e Danilo Nalá, director-geral do GAZEDA. O proprietário de um projecto de construção de um hotel diz que a decisão da paralisação prejudicou a calendarização do pagamento das dívidas e entrada em funcionamento da estância. O hotel deveria ser inaugurado este mês, mas a mão das Forças Armadas impediu. A paralisação levou à destruição e vandalização das obras. As chuvas destruíram um tanque de armazenamento de água, drenos e houve roubo de bens. O proprietário fala já em prejuízos e afirma que o projecto é financiado pela banca no valor de oito milhões de dólares. Mas há muitos outros projectos travados. Danilo Nalá apela ao diálogo e diz que em breve as partes encontrarão uma saída para desbloquear o desentendimento.(OPaís) (Na foto: Ministro do P.Desenvolvimento(de pé),Director do GAZEDA e Presidente C.Municipal de Nacala)

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Os seus detractores internos foram incompetentes!


“Primeiro temos que ter clareza sobre o que é a comunidade científica ou academia.O que é hoje a academia? Eu acho que há um grande equívoco em relação àquilo que consideramos como academia. Um indivíduo pode ter um grau de Doutor, PhD, e não ser académico. E muitas das vezes confundimos o grau de escolaridade com a essência académica. São coisas diferentes. Ser académico implica uma certa postura, uma certa prática profissional: a esta ideia de que nós temos que fazer um esforço colectivo e temos um projecto nacional e a ética dos dirigentes públicos estava em linha com isto. O presidente Chissano quando assumiu o poder, ele encontra uma esfera pública sem cultura reivindicativa, mas a isso junta-se também a sua forma de ser. O seu histórico de diplomata: mais pelo diálogo e negociação. As pessoas também amadureceram politicamente. Vemos hoje que há redução de estar envolvido em investigação, em ensino, produção científica e também ter uma postura profissional deontológica. O que acontece no nosso contexto é que temos muitas pessoas com curso superior e outras até a dar aulas na universidade, mas dar aulas na universidade não faz de ninguém um académico. E são essas pessoas que estão a ser confundidas como parte de uma certa comunidade académica. Enquanto são pessoas que chegam nas faculdades dão aulas e vão-se embora. E são essas pessoas que depois aparecem na esfera pública a defenderem posições de pouca cientificidade com o rótulo de académico. Uma pessoa não pode aparecer a defender coisas sem fundamentos e ainda querer ser chamado de académico. É isso que faz com que haja ideia de que a academia está ao serviço do regime.” Leia aqui, a entrevista concedida por Jaime Macuane, Prof. e ex-Director do curso de Mestrado em Governação e Administração Pública da Universidade Eduardo Mondlane.

Sofrimento Matequenha renova ameaça!


Durante uma reunião com os seus membros provenientes de todos os distritos da província de Manica, o delegado político provincial da Renamo em Manica, Sofrimento Matequenha, que chegou recentemente a chimoio vindo do quartel general do seu partido em Gorongosa, disse que o seu partido vai boicotar as eleições autárquicas, alegando falta de consenso entre o seu partido junto ao Governo moçambicano, depois da mesa redonda fracassada entre estas duas partes.Pelo facto de ter visto as suas intenções frustradas, a Renamo decidiu não participar nas eleições autárquicas deste ano e nem deixará outros partidos participarem.Sofrimento Matequenha disse  ser esta a orientação do seu presidente, Afonso Marceta Macacho Dhlakama, aquartelado em Gorongosa desde Outubro do ano passado.Matequenha afirmou que o seu partido pretende protagonizar uma manifestação pacífica em todo o país, chamando atenção para que, “em caso de o Governo da Frelimo pretender impedir as nossas manifestações com uso da Força de Intervenção Rápida, nós vamos responder à mesma medida e, nessa altura, o nosso fogo não parará antes de derrubarmos a Frelimo do poder”.As manifestações propaladas pela Renamo na reunião do nível provincial em Manica ainda não têm data marcada, mas Matequenha assegura que as eleições autárquicas marcadas para este ano não terão lugar porque o seu partido não vai deixar isso acontecer.

Livros escolares não diabolizam o inimigo!


Raramente os manuais escolares israelitas e palestinianos diabolizam o adversário, mas dão frequentemente uma visão do conflito destinada a promover um ponto de vista único, revela um estudo divulgado esta segunda-feira. "A desumanização e a diabolização do outro são raras", diz o o estudo financiado pelo Departamento de Estado americano e dirigido por um professor da Universidade de Yale (EUA), numa parceria com uma universidade israelita e outra palestiniana. Porém, "os livros israelitas, assim como os palestinianos, apresentam os factos com uma visão unilateral. Os acontecimentos históricos são apresentados de forma selectiva para reforçar as visões nacionais", dizem os autores do estudo, que analisaram mais de três mil textos escolares de 2011 aprovados pelos Ministérios de Educação dos dois lados e ainda manuais do ensino ultra-ortodoxo judaico. Sobre a sensível questão dos mapas e fronteiras, apenas 4% dos manuais palestinianos e 13% dos israelitas se referem a uma fronteira e têm uma frase mencionando Israel e os Territórios Palestinianos. E em Israel, a Cisjordânia é designada pelo nome bíblico de Judeia-Samaria. “A falta ou total ausência de informação sobre o outro serve para deslegitimar a sua pertença", sublinha o estudo, revelando que a representação negativa do adversário é "mais pronunciada nos livros dos ultra-ortodoxos israelitas do que nos livros palestinianos ou israelitas, que têm algum conteúdo de autocrítica". "Há muito a fazer no sistema educativo em geral e nos manuais escolares em particular, sobretudo se as partes em conflito se comprometerem no caminho da paz", conclui o estudo. A Autoridade Palestiniana e Israel acusam-se  de ensinar a violência nas escolas e de propagar o ódio e a diabolização do outro através dos programas de ensino. O Ministério da Educação de Israel considerou este relatório "parcial, não-profissional e profundamente subjectivo", mas razoável no ponto em que "não coopera com o desejo de difamar o sistema educativo do Estado de Israel". Porém, sublinhou um comunicado do ministério, "a tentativa de comparar os sistemas de ensino israelita e palestiniano não tem qualquer fundamento". Já o ministro palestiniano da Educação, Salam Fayyad, disse estar "satisfeito" por o estudo confirmar que "os livros palestinianos não contêm qualquer forma de incitamento ao ódio". Fayyad disse que o seu ministério vai estudar "atentamente" o relatório e "tirar dele conclusões (...) que ajudem a harmonizar os programas escolares com os princípios (...) de coexistência, de tolerância, de justiça e de dignidade humana".

domingo, fevereiro 03, 2013

A propósito da guerra no Mali...


O esplendor dos Estados do Mali, do Songhai, do Kanem-Bornu, e dos  reinos mossi e dagomba, na curva do Níger, são temas dos capítulos de 6 a 10,  de autoria de especialistas negro -africanos. O estudo das instituições no Mali e  nos reinos Mossi, por exemplo, revela a influência tradicional africana comum.  O Islã, religião oficial do Mali e de Gao, favorecerá a emergência de uma classe  de letrados; já desde os tempos de Gana, os Wangara (Soninke e Maninke –  “Malinke”), especializados no comércio, animam a vida econômica: organizam  caravanas, que partem para as florestas do Sul, onde trocam peixe defumado,  tecidos de algodão e objetos de cobre por nozes -de -cola, ouro, azeite de dendê  (óleo -de -palma), marfim e madeiras preciosas.8 África do século xii ao século xvi Os imperadores muçulmanos do Mali intensificarão suas relações com o Egito em detrimento do Magreb. No século XIV o império atinge o apogeu.  O século XII, entretanto, é pouco conhecido; felizmente, al -IdrĪsĪ nos informa  da existência dos reinos do Takrūr, do Do, ou Dodugu, do Mali e de Gao, retomando, em parte, os dados fornecidos por al -BakrĪ. As tradições do Manden,  do Wagadu e do Takrūr permitem -nos hoje entrever a luta obstinada que opôs  as províncias nascidas da desagregação do Império de Gana.Sabe -se hoje, pelo estudo das tradições orais, que entre a queda de Gana  e a emergência do Mali houve o intermédio da dominação dos Sosoe (fração soninke -manden rebelde ao Islã), os quais, por algum tempo, unificaram  as províncias que os  kaya maghan  controlavam; com o século XIII começa a  ascensão do reino de Melli, ou Mali. O grande conquistador Sundiata Keita  derrota Sumaoro Kante (rei dos Sosoe) na famosa batalha de Kirina, em 1235,  e funda o novo Império Manden. Fiel à tradição de seus ancestrais, islamizados  desde 1050, Sundiata reata relações com os comerciantes e os letrados negros  e árabes ao restabelecer o império. De 1230 a 1255, coloca em funcionamento  instituições que marcarão por séculos os sucessivos reinos do Sudão ocidental.  A peregrinação e o grande tráfico transaariano reanimam as rotas do Saara. Comerciantes e peregrinos negros encontram-se pelas encruzilhadas do  Cairo; estabelecem -se embaixadas negras nas cidades do Magreb; intensificam -se as relações culturais e econômicas com o mundo muçulmano, sobretudo no  século XIV, sob o reinado do faustuoso mansa Mūsā I e sob o do mansa Solimão; no Sudão central, Kanem e Bornu têm relações ainda mais frequentes com o  Egito e a Líbia. As fontes árabes, os escritos locais e a tradição oral mais uma  vez nos trazem importantes esclarecimentos sobre o século XIV no Sudão. LEIA AQUI.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Esposa "rouba" ao marido Coronel


Um oficial superior das Forças Armadas de Moçambique (FADM) suicidou-se na última segunda-feira depois de alvejar mortalmente a sua esposa e enteado, alegadamente por estes terem vendido bens patrimoniais sem o seu consentimento.Trata-se de Ruben Comé, 55 anos, comandante da Base Área de Mavalane, na Cidade de Maputo. O crime, segundo escreve hoje o jornal “Noticias” ocorreu um dia depois de o coronel regressar da China, onde esteve a frequentar um curso desde Agosto do ano findo. O oficial havia deixado a esposa, Olívia Muchanga, de 45 anos, para prosseguir com os seus estudos na China. O seu regresso estava previsto para Julho próximo, mas acabou chegando de surpresa no domingo à tarde.Citada pelo diário, a sobrinha do oficial, Nareia Paulo Comé, explicou que o coronel Comé ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Maputo terá pedido ao seu primo que o esperava naquele local para o acompanhar até à casa do irmão, algures no bairro de Boquiço, no município da Matola. Não tendo encontrado o irmão, o finado pediu à cunhada que fizesse uma oração, após o que se despediu.     “Já na segunda-feira, ele foi à casa da minha tia (irmã dele) a quem disse que tudo havia acabado, fazendo crer que estivesse a se referir ao fim do curso que frequentava na China. Depois soubemos que levou a esposa e o enteado, Dormen Matimbe, com quem vivia até à Base Aérea”, revelou a sobrinha do coronel.Chegado à base aérea, manteve a mulher e o filho na viatura que ele próprio conduzia e dirigiu-se ao seu gabinete, alegadamente para se apresentar aos colegas. Ao sair do gabinete, o coronel arrancou uma arma, cujo calibre não foi especificado, a um dos três sargentos que ali se encontravam, tendo disparado dois tiros para o ar, depois contra a esposa, o enteado e no fim suicidou-se com a mesma arma. Todos morreram no local.   Ruben Come deixa seis filhos, fruto do anterior casamento e o jovem baleado deixa esposa de 20 anos de idade.  Entretanto, a polícia suspeita que a venda de uma vivenda localizada em Nampula, Norte de Moçambique, e outros bens pela esposa do Comandante, com recurso à Procuração concedida pelo marido, terá estado por detrás do crime de segunda-feira.“O finado deixou uma Procuração concedendo plenos poderes à sua esposa, Olívia Muchanga, para gerir o seu património, antes de partir para a China, num processo que não foi bem encaminhado pela senhora em cumplicidade com o filho”, disse o porta-voz da Polícia no Comando Geral, Pedro Cossa, também citado pelo jornal.O coronel, segundo Cossa, terá mais tarde recebido denúncias de familiares de que a esposa vendera todo o seu património, o que o levou a regressar de surpresa, para esclarecer o caso e recuperar os bens, caso fosse possível.O porta-voz afastou a possibilidade de o crime ter sido motivado por questões passionais, mas sim o desentendimento do casal sobre o destino dado aos bens do comandante.