Viva malta!
Hoje vive um pesadelo que julgava
que nunca fosse acontecer.
Estou hospedado em casa de um
amigo na ilha da Inhaca, com um pessoal
nórdico amantes da caça-submarina e do mergulho livre ( apnéia), de alguns dias
para cá as sessões não tem sido muito gloriosas, pois ventos, vagas e ondas
grandes, combinado à uma visibilidade leitosa
(não limpa) e por vezes tubarões, porém nada justifica a estes
"vikings" da Dinamarca cancelar a expedição.

Depois de várias navegadas e
mergulhos aos pontos ou marcas secretas que guardo, terminarmos a nossa
expedição num ponto conhecido por muitos como B24, aliás, foi um grande
parceiro meu quem estabeleceu este nome, na altura estava com ele no barco e
achávamos que a marca tinha como parte mais baixa 24 metros, então assim ficou
nomeado no GPS por B.(baixo) 24, para depois virmos a confirmar que de facto
tinha -22metros, refiro-me a parte mais baixa, pois há tempos era um dos
melhores pontos que a malta tinha, caracterizado por falésias tanto a Norte
como à Sul que descaem rapidamente para
os - 50 metros de profundidade, a Este apresenta um perfil muito extremo com
uma longa quebra aonde geralmente víamos os raríssimos atuns dente de cão, hoje
este ponto/marca está tão " batido" que as primeiras imagens ficaram
somente nas memórias, pois nem um peixe serra, nem um xaréu à vista, parecia
que tinha ali rebentado uma bomba, uns peixinhos amarelinhos ali e acolá nada
da especial para o que procurávamos, (grandes peixes pelágicos). Enfim, fomos
curtindo os mergulhos em apnéia de fuzil em mão, não fosse passar um tubarão
com más intenções para nós, assim o fuzil serviria para blicar, afastar ou
repelir.
Como estamos hospedados na Ilha,
não tínhamos que partir de regresso cedo, como quando temos que regressar à
Maputo e temos que enfrentar mais ou
menos trinta milhas de mar e baía.

Diante disto e porque haviam outros barcos semelhantes ou da
mesma linha/frota no ponto Jeremias, decidimos então abortar o mergulho e
seguir para Ilha, lugar aonde comentei o sucedido ao Sr. "António",
este não ficou surpreso com o que lhe
falará, pois ele vive na zona do Farol e diz que lá vê tudo, e " todas as
noites esses piratas aproximam-se à costa da Ilha do lado oceânico e por volta
das 4 horas da manhã retiram-se, todos os dias e já lá vão meses que é
assim..."
Mal sabe o Sr.
"António" que não são piratas, pois todos eles estão licenciados
pelas autoridades marítimas locais.
Não sei se é coincidência não se
ver nenhum peixe de passagem a está altura do verão, ou se são as mudanças
climáticas, ou estas depressões com ventos e chuvas quem tem ocorrido, sei que
nunca me aconteceu em vinte e cinco anos que prático está modalidade
testemunhar em pleno Fevereiro, com a temperatura de água a 26/27 graus
Celsius, fim da tarde, maré quase cheia em marcas ditas " quentes"
estar tão fraco.
Parece-me que a corrida para o
extermínio oceânico da parte do território moçambicano já foi desenfreada a
passos muito largos.
Fiquei muito triste, e os
nórdicos vikings como os chamo também.

Confesso que temos receios,
sabemos que por de trás existem graúdos os ditos "madotas" da nossa
etnia "moçambicanoide".
Houve quem disse que "os
tempos são outros, forças da mudança" parece-me que mudanças para pior.
Não sou biólogo nem vidente, mas
digo com muita certeza, a catástrofe do mar territorial de Moçambique já
iniciou, vai ficar para história dos
nossos descendentes, estes provavelmente saberão distinguir arroz
plástico do orgânico, eu ainda não sei.
Há uma pequena etnia, mas grande nação que a duzentos
anos no mesmo contexto inventou uma ferramenta muito útil, para os mentores
desses projetos, essa ferramenta denomina-se até aos dias de hoje por
guilhotina. :(V.S in facebook)
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