sexta-feira, março 15, 2013

A vizinha do Papa


A cerca de 10 quilômetros da conhecida avenida Nove de Julho, no coração de Buenos Aires, na Argentina, fica localizada a estreita rua Membrillar, no bairro das Flores. Há 76 anos, Nelly Chiappe segurou nos seus braços um novo morador daquela rua, um menino de uma família vizinha que acabara de nascer e que se tornaria, décadas depois, o primeiro Papa do continente americano: Jorge Mario Bergoglio.  No seu velho sobrado bem na esquina com a rua Espartaco, Nelly, 86 anos, recebeu a reportagem do “Terra”  para falar sobre o papa Francisco, com quem ela passou muitos anos de sua juventude. Bergoglio, que hoje é activo na defesa contra a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em outros tempos não era diferente: “ele dizia que era uma aberração”, relembrou a velha amiga. Após descrever-se como uma católica não praticante, Nelly mostrou um retrato do seu casamento, que aconteceu há 58 anos, para ressaltar os valores da família tradicional. “É um disparate (o casamento gay). A imagem de pai e mãe é sagrada”, criticou ela, ao atacar também a instabilidade das uniões de hoje. “As pessoas casam e se separam logo depois”, completou. Durante toda a conversa, Nelly não deixou de destacar a simplicidade do ex-vizinho, que nasceu “magrinho e feio”, detalhou ela, aos risos. Quando os dois eram crianças, as ruas do bairro das Flores ainda eram de terra e eles gostavam de brincar nas redondezas. “Ele era uma criança normal”, relembrou ela, ao contar que Bergoglio também passava bastante tempo no armazém do avô, que ficava na rua ao lado. Segundo Nelly, o pai de Bergoglio era contador de uma fábrica localizada no bairro, enquanto a sua mãe era dona de casa e cuidava dele e dos quatro irmãos. O sobrado de arquitetura colonial em que moravam, por sua vez, era bem diferente na década de 1930. “Foi totalmente reformado”, explicou ela, contando ainda que ele estudou no colégio Nuestra Señora de la Misericordia e que frequentou a paróquia Santa Francisca Javier Cabrini, antes de receber sua primeira comunhão. Surpresa com a indicação do amigo para o posto máximo da Igreja Católica, Nelly relembrou ainda que os dois se encontraram por acaso há alguns anos, na praça Misericórdia, próximo a sua casa, quando Bergoglio já havia sido nomeado cardeal pelo papa João Paulo II, em 2001. “Ele estava com uma malinha e pediu para que eu não o chamasse de cardeal”, contou. A notícia de sua nomeação como Papa, segundo ela, foi recebida com muitas lágrimas e comoção. “Não imaginava, pois ele é de uma família muito simples e honesta”, elogiou a senhora, ao ressaltar a sua crença de que Bergoglio manterá seus hábitos simples durante seu papado. Nascido em 1936, Bergoglio se tornou padre em 1958 e cardeal em 2001. Ele se tornou, na última quarta-feira, o primeiro Papa jesuíta e não nascido na Europa.

quinta-feira, março 14, 2013

E depois, confuso sou eu!


mocconcertoAconteceu-me, no domingo antepassado, estar em casa diante da televisão e, como quem procurava alguma coisa que ajudasse a matar o tempo, de quando em vez, revelado grande aliado do tédio, fui dar a TVM com uma tecla do remote control, concretamente no programa Moçambique em Concerto, do assaz esforçado pelas causas nacionalista, Gabriel Júnior.  No seu esfalfado ânimo, Júnior tentava convencer a quem estivesse, naquele preci(o)so momento a assistir ao seu programa, a “gostar do que é nosso”. Conversava ele em estúdio com uma cantora que a memória não deixa agora lembrar o nome, nem música por ela cantada. Falavam no instante da necessidade de afirmação da nossa auto-estima, porque a aludida cantora havia estado em Angola e tinha visto que os angolanos valorizavam de forma espantosa tudo ao que a eles dizia respeito, em termos artístico-cultural. A intenção até que foi boa. Mau grado é mesmo a configuração do tabuleiro do nosso xadrez sócio-político.  Escassos minutos depois da ventilação da ladainha da necessidade da elevação da auto-estima entre os moçambicanos, ainda na mesma edição do programa, imagens de uma gravação ao vivo do Moçambique em Concerto em Guruè seriam transmitidas, revelando factos completamente contrários, desfasados do tão almejado desejo de “valorização do que é nosso”, mui propalado entre os moçambicanos; Gabriel Júnior animou o auditório de Guruè com Waka Waka, de Shakira, música oficial do Mundial de futebol realizado na África do Sul em 2010. A melodia de Shakira incendiou completamente as emoções do público ali presente, animado também pelo inquestionável talento de Gabriel como apresentador. E, como que para se contradizer ainda mais, depois da música de Shakira, o público de Guruè dançou ao ritmo de um kwasa-kwasa, também, não made in Mozambique. Duas perguntas agora refulgem; por que é que Gabriel Júnior, depois de encher a tela apelando para o “gostar do que é nosso”, concretamente da música feita pelos moçambicanos e das artes em geral, foi agindo, quase que de imediato, de forma contrária aos seus ditos? Será que devemos gostar do que é nosso somente por ser nosso? Para esta última, claro que não! Pois, dizer simplesmente que as pessoas devem ter auto-estima só em si não basta, ninguém vai gostar de uma música, de uma tela, de um livro, de uma peça teatral, ou uma coreografia sob vertente única de se configurarem produtos da nossa lavra. Ou então de uma aberração cinematográfica feita aquele xikwembo, que todos andamos a bater palmas e alguns cascos, buscando uma falsa zona de conforto, do tipo fizemos um filme que nos identifica! Identificar? Só se for pela estupidez de alguns que dão cara todos os dias nos jornais, televisão e voz nas rádios, valendo-se de apadrinhamentos e sim-senhorices ávidos de uma imerecida glória.
Obras de arte são obras de arte, não precisam de advogado. Politiquices podem surgir a tentar legitimar abortos artísticos, mas estes não cairão fundo no coração dos apreciadores! Quem se lembra hoje da canção oficial dos X Jogos Africanos, imposta ao público por decreto, não pela criatividade de quem a compôs ou a cantou? Hoje, a verdade manda dizer que quase ninguém já se recorda, nem do título, nem da sua melodia, senão apenas de quem a lavrou.
Desculpa a colocação directa, caro Gabriel, mas como gostar, por exemplo, da canção dos nossos jogos africanos, em vez do Waka Waka, se mesmo o senhor que minutos antes defendeu em viva e sonora voz tal facto não resistiu ao encanto desta última música? (Apenas encanto?) Não se pense com isto que acredite eu que não temos músicos e música bem executada em Moçambique. Grandes músicas temos no nosso país, SIM! Mas, o esquema montado no circuito musical as amordaça, promovendo-se a mediocridade, em resposta a oclusivos interesses, infelizmente também acolhidos, não se sabe a que propósito, por uma espécie de mafia-académica que, julgando-se alguns desta casta pequenos deuses, uns novíssimos Frankestein capazes de legitimar assombrosas criações artísticas, se outorgam o direito de apontar quem é quem no mundo da música, artes plásticas, literatura, etc...
Assim, em Moçambique é mais fácil a promoção de coisas do tipo djinkli ki djis (será assim, como se escreve?), ao invés da magia melódica dos Massukos, Djaka, K10, entre outras bandas e músicos no verdadeiro encanto do termo, independentemente do estilo musical, ou origem do mesmo, porque nesta aldeia global, influências existirão sempre! Outrossim, o molequismo artístico, no qual se lança o artista, hipotecando a sua criatividade e qualidade, a favor de interesses ocultos de doadores (?) ansiosos em mostrar serviço na luta contra o HIV, contra a violência doméstica, contra a malária e contra outras fontes de receita. Estes inculcam nos demais a ideia de uma necessidade de se fazer uma espécie de “arte utilitária”, do género cadeira para sentar e mesa para comer, em detrimento da livre criação, da estética, beleza que constituem a essência e o fim último das artes. O resto, apenas efeitos colaterais…E não será por nenhuma propaganda vazia que se valorizará as artes em Moçambique, mas sim a devida promoção do que realmente temos de melhor na nossa montra cultural. O mesmo serve para o desporto: que auto-estima se pode esperar entre nós, se até quando os nossos atletas se tornam campeões a nível internacional, em vez de serem recebidos em glória em Mavalane, as medalhas por eles conquistadas são presas no aeroporto? E depois, confuso sou eu!...
(Aurélio Furdela)

Alunos despromovidos


Sempre clamamos pela qualidade do ensino, todavia, eu defendo, como académico, que a qualidade não se encomenda. Até se criou, lá no Ministério da Educação, uma direcção que se ocupa da qualidade do ensino. Sim, para dar emprego aos nossos concidadãos, tudo bem, porém, que algo se está fazendo para se melhorar a qualidade, acredito nem tão pouco. Eu defendo que a qualidade do ensino passa por ter um professor de qualidade desejada, um docente que esteja na sala de aula porque é a sua vocação, um docente que se sinta motivado e estimulado na sua profissão. E como pressuposto, que os melhores graduados nas classes de conclusão de um nível académico sejam devidamente encaminhados. O que se verifica aqui na praça é que, por exemplo, um petiz com inclinação de mecânica é encaminhado à enfermagem, já que, relativamente, é mais fácil, depois de concluído o curso, obter afectação/colocação. O que se pretende é ganhar-se qualquer coisa que se diz ser remuneração. Mesmo assim, nesta profissão que se tem como alternativa, não existe motivação, ninguém é estimulado, dado que os salários são de fome. Há poucas semanas, a comunidade estudantil da capital moçambicana foi sacudida com o “regresso” de alguns graduados da 10ª classe para 11ª, para que retornem à classe anterior. Isto só é possível em Moçambique. Como foi possível que cerca de 119 alunos tenham entrado no esquema de corrupção, assim, de forma deliberada?
Curiosamente, o aluno e o seu encarregado de educação é que foram penalizados. Não ouvi de detenções, nem que a procuradoria tenha feito alguma investigação. Para quê tanta maçada, se isso é o nosso “modus vivendi”? Para nós, a corrupção apenas é condenada quando se está perante um financiador externo, quando estamos com um forasteiro que não pactua com estas práticas. Os alunos foram “despromovidos”, entretanto, os mentores, aqueles que forjaram todo o esquema para que isso pudesse ser possível, estão são e salvos da silva. Nada que se faça. Nem mesmo a direcção da escola tugiu. Afinal de contas, quem mandou aos encarregados de educação para darem dinheiro aos seus educandos para alimentarem a corrupção? Bem feito para vocês! A sorte não sorriu para vocês, pois, sabemos que há tantos outros que não caíram na malha. Uma anarquia total, em que cada professor que se julga capaz de vender as notas, fá-lo num relaxe, que o seu chefe pedagógico só fica à espera da “massa” ou “tcheda” para forjar a aprovação. Ninguém fica responsabilizado por estes actos que mancham, sobremaneira, a educação pública no país. Como é que a sociedade poderá confiar nas nossas instituições de ensino público? Uma autêntica inércia, uma anarquia total, completa e íntegra. Que os alunos envolvidos se arranjem. Um ano perdido, assim como o seu dinheiro, seguiu o mesmo rumo. De punição, nada se diz. Só um peixe miúdo é que visitará qualquer esquadra policial, para se simular alguma investigação. Como o tempo passa, a PIC vai meter-se em copas e pronto. Tudo termina como começou. Ninguém responde a ninguém, ninguém é culpado. Apenas pessoas honestas é que lamentam o facto, que para outros é normal. (Arlindo Oliveira)

A moda do chapéu pegou!


O Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza recebendo em audiência no seu gabinete de trabalho o Ministro do Estado no Gabinete do Primeiro-Ministro do Zimbabwe, Sr Jameson Timba.
O Presidente da República da Nigéria , Goodluck Jonathan, cumprimentando na capital do seu país a Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff.

Voar mais alto


A transportadora aérea nacional, Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), perspectiva aumentar a oferta em 20 por cento, este no presente, transportando mais de 700 mil passageiros.Este crescimento, segundo anunciou a Administradora Delegada, Marlene Mendes Manave, espera-se que seja reforçado posicionando em Tete e Nampula, centro e norte do país, aeronaves do tipo ‘Embraer 145’ recentemente adquiridas e operadas pela subsidiária MEX.Falando, semana passada, no encerramento do seminário balanco de 2012 e de lançamento das projecções e acções para 2013, Manave disse que perante as evidências do desempenho do ano transacto as expectativas do público para o presente ano ficaram mais desafiadoras.“Como terão notado, colocamos no mercado 33000 lugares disponíveis com descontos até 65%, como forma de estimular o desenvolvimento do tráfego doméstico”, apontou Manave.A fonte explicou que a LAM registou, em 2012, um crescimento dos proveitos operacionais na ordem de 10 por cento, resultante de mais de vinte mil horas de voo.O relatório de desempenho revela que o crescimento do volume de tráfego em nove por cento e da taxa média de ocupação que atingiu 75 por cento, é uma clara melhoria comparativamente a 2011.Contribuíram para este bom desempenho, a melhoria da produtividade e a criação de sinergias para que a notoriedade da marca LAM ficasse cada vez mais consolidada no mercado, facto que em 2012 ficou reforçado com a aquisição de duas aeronaves novas sendo uma do tipo Boeing 737-500 e outra do tipo Embraer E190, e com a reintrodução de voos para Harare (Zimbabwe).“Expandimos a rede de vendas estabelecendo acordos de code-share com a Air Zimbabwe e Qatar Airways, e firmamos acordos (SPA’s) com uma vasta rede de agências dos Estados Unidos da América”, disse Manave.Paralelamente a esta forte presença no mercado, a LAM prosseguiu com o plano de formação do capital humano para responder aos desafios do crescimento, sendo de destacar, de entre outras acções, a formação de sete comandantes, sete co-pilotos para o Embraer 190 mais um Comandante e dois co-pilotos do Boeing 737-500.No sistema de gestão de qualidade, Manave disse que a empresa renovou o seu certificado ISO 9001:2008 e melhorou o nível de satisfação dos clientes segundo a pesquisa de satisfação produzida por uma firma independente.

terça-feira, março 12, 2013

Idosos na lama!


Idosos da cidade de Chimoio estão  há cinco meses sem receber a sua  pensão de velhice que varia de 5 a  10 dólares pelo descabido facto de  serem membros da Renamo e do  Movimento Democrático de Moçambique, partidos da oposição. Os idosos são residentes respectivamente dos bairros 7 de Abril, Francisco Manyanga,  Soalpo e 1º de Maio, na cidade de  Chimoio. Segundo contam, a Direcção da Acção Social informou-os que é uma decisão da província. Clara Ussene, uma das idosas discriminadas, membro do MDM, 82  anos de idade, viúva e avó de 7 netos  medidas no âmbito da assistência  jurídica e judiciária dos cidadãos  financeiramente desfavorecidos.  órfãos dos seus progenitores, contounos que ficou a saber da decisão, no dia em que pretendia se cadastrar ao sistema de actualizações das listas de pessoas beneficiárias dos valores atribuídos como pensões. Disse que na companhia dela ficaram também de fora as suas vizinhas porque o secretário do bairro assim o determinou.Calista Jó, outra idosa, diz estar  a viver momentos complicados, pois sobrevive graças à boa vontade da vizinhança, porque ficou sem a pensão por ser da Renamo. “Por eu ter recusado inscrever-me como membro da Frelimo, nunca mais tive a minha pensão”, disse. O Secretário do Bairro 7 de Abril em  Chimoio, Alberto Pacate, confirmou que 10 idosos ficaram banidos da lista de pensões de velhices, por estes pertencerem aos  partidos da oposição da Frelimo. Segundo disse, a medida vem da última reunião havida com o chefe da  localidade urbana número 3, em que  se determinou o não pagamento de  pensões a idosos pertencentes a partidos políticos opositores da Frelimo. “A medida entrou em vigor desde  Outubro último quando começamos  a verificar este ambiente, uma vez  que estamos a entrar no ano eleitoral eles como são teimosos com  esta medida vão nos ajudar”, disse  acrescentando que “no dia em que  deixarem de pertencer a esses partidos terão o direito de receber os seus  ordenados”, concluiu. (J. Jeco)

quarta-feira, março 06, 2013

Deus,complicado nas escolhas terrenas!


O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que está no poder desde 1980, completou este mês 89 anos e considera que sua permanência à frente do país africano é um 'dever divino'. Em declarações publicadas pelo jornal estatal 'The Herald', Mugabe disse: "Esta é a tarefa que o Senhor encomendou-me entre a minha gente, e a aceito. É um dever divino". Com um aspecto cada vez mais deteriorado, o líder zimbabweano também lamentou que muitos de seus contemporâneos mais próximos tenham morrido.  "O Senhor quis que eu continuasse. Por que todos os meus amigos e familiares se foram e eu persisto? Não é minha escolha. É Sua escolha. Uma dolorosa escolha", afirmou Mugabe.  "O Senhor quis que sejamos zimbabweanos em nosso próprio país com direitos de propriedade sobre os nossos próprios recursos, com capacidade de defender esses direitos dos quais alguns querem-nos privar", disse Mugabe,
Por outro lado, o papa Bento 16 anunciava  a 11 de Fevereiro  que  renunciaria ao seu cargo no último dia do mês. O papa informou sobre sua a  decisão em latim durante um encontro de cardeais do Vaticano e enfatizou que o cumprimento dos deveres de um papa requer "vigor tanto da mente quanto do corpo. Depois de fazer um repetido exame da minha consciência diante de Deus, eu tive a certeza que minhas forças, devido à minha idade avançada, não são mais adequadas para exercer o ministério petrino", disse Bento 16 aos cardeais. "Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Entretanto, no mundo de hoje, sujeito a tantas mudanças rápidas e e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário o vigor tanto da mente quanto do corpo - vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado." disse o Papa na altura na renuncia.

Desencravar o carvão de Tete!


Rosário Mualeia diz que os CFM tiveram que adaptar a linha de Sena porque não foi feita para o transporte de carvão. Em entrevista ao “O País Económico”, o PCA da companhia ferroviária explica como desencravar o carvão em Tete.
Onde é que o governo irá buscar 25 biliões USD necessários para realizar os projectos ferro-portuários?
É verdade que todos os projectos que temos não serão feitos num só ano, nem em cinco. A nossa esperança é que não sejam feitos por um único operador, portanto, são vários os operadores que se apresentam e uma parte já está a entrar e acreditamos que, pelo interesse que o negócio mostra, pelos desenvolvimentos em descobertas, quer em gás natural, quer em carvão mineral, quer em outros minerais, como o ferro, por exemplo, vamos poder ter esses investimentos.
Para que empresa foi concessionado o projecto do complexo ferro-portuário de Techobanine?
Já existe uma concessão à Bela Vista Holding, que está a fazer uma parceria para desenvolver o negócio. Sabemos que existem disponibilidades, mas, como sabe que o segredo é a alma do negócio, os operadores ainda não se apresentaram. Mas em breve eles vão apresentar-se.
Mas em termos de financiamento, já está garantido, tendo em conta que são necessários sete biliões de dólares?
Uma parte desse financiamento. Aqueles que se apresentaram nesta altura e que connosco já negociaram andam à volta de 375 milhões de dólares, acredito que eles vão conseguir muito rapidamente. Os restantes, os processos são lentos, incluindo os de concessão, os de prova de que, de facto, são capazes, mas nós acreditamos que são projectos viáveis e que envolvem os três países. O que sabemos de alguns  operadores é que estão a trabalhar, porque têm interesse de levar as suas mercadorias para o mar, daí que os projectos são exequíveis.
Em que pé está o projecto ferro-portuário de Macuse, recentemente anunciado?
Este projecto está em processo de avaliação e o Ministério dos Transportes e Comunicações lançou o concurso de manifestação de interesse para o estudo de pré-viabilidade. Já foram apurados alguns e já vamos avançar para a segunda fase. Acreditamos que também este vai ter financiamento. E, para este tipo de projectos e pelas dificuldades que nós temos de transportar o carvão, assim como pela qualidade do carvão coque, temos fé que os investidores vão vir de braços abertos, vão de facto financiar. Aqui devo referir que nalguns casos a participação dos Caminhos de Ferro de Moçambique é mínima, neste caso, por exemplo, não vai participar porque os valores são avultados e já participámos no projecto com a Vale, no Corredor de Nacala, no projecto Techobanine fazemos parte da Bela Vista Holding. São grandes investimentos, através dos quais vamos ter de envolver o sector privado nacional e este vai ter que interagir com o sector privado internacional. A mesma coisa vai acontecer no porto de Pemba. Nós temos uma sociedade com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e a partir daí vamos fazer uma SPV para fazer outros terminais. Fizemos um terminal provisório e vamos inaugurar próximo mês. Há já actividades no terreno e projectos em curso, portanto, nada nos diz que os projectos são apenas ditos de boca para fora, há uma convicção de que os mesmos andem.
Nestes projectos de linha-férrea será mantido o actual padrão?
Este aspecto depende mais dos financiadores. O que nós queremos é manter as linhas existentes com a bitola actual, mas as outras, por exemplo, essa de Macuse, os que nos haviam aproximado falavam em Bitola Standard, com 1,4 metros. E todas as outras a sua tendência é de usar a Bitola Standard e não voltar para a métrica, porque quase todo o mundo hoje já não a usa, por essas vantagens económicas. pelo volume de mercadorias que passa, vê-se que vale a pena, afinal de contas, adoptar essa Bitola, traz muitas vantagens.
A linha de Sena já está a funcionar segundo o prometido semana passada?

Já está a funcionar, mas é claro, a época chuvosa pode comprometer. Depende da intensidade das chuvas, porque a sua estabilização nunca é sólida. Mesmo em mecânica de solos, há um teor óptimo em que o solo deve ser compactado para ter uma certa resistência. quando se tenta compactar enquanto é lamacento, ai não se está a fazer um trabalho consistente. Enquanto as chuvas não pararem, o problema continua aí, agora, posso dizer que a linha está restabelecida, mas se chover voltamos para atrás. Isto advém de um problema de base de preparação da própria plataforma. Ela foi preparada numa altura em que não se previa o carvão, a carga máxima por ano era de três milhões de toneladas por ano, hoje estamos a lutar para fazer cinco milhões de toneladas por ano e um pouco mais. Isso exigirá um esforço de revisão dos trabalhos de reparação da plataforma. Ou seja, teremos que compactar em tempo seco a plataforma para aceitar igualmente o carril superior ao que existe, para respondermos à demanda. Esse é um trabalho que custa dinheiro a mais, mas é um trabalho necessário.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

"Ex-PIDES" em Maputo?


A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve ontem três jovens suspeitos de terem hasteado uma bandeira portuguesa na antiga sede da ex-PIDE/DGS em Maputo. A bandeira terá sido hasteada durante a manhã nas instalações devolutas e arruinadas da antiga polícia política portuguesa na zona alta da capital moçambicana, conhecidas como “Vila Algarve”. Ao início da tarde, a bandeira já tinha sido retirada, e testemunhas oculares disseram que os jovens poderão ter sido induzidos por terceiros a colocarem o que a polícia descreveu como “um plástico com as cores portuguesas”. Recentemente, o Ministério dos Combatentes de Moçambique anunciou que a “Vila Algarve” vai ser transformada em Museu da Resistência ao Colonialismo Português. Por aquela cadeia passaram inúmeros nacionalistas moçambicanos, na maioria membros da Frelimo que, entre 1962 e 1974, desencadeou uma guerra de libertação contra o colonialismo português. Entre os detidos mais famosos, contam-se o pintor Malangantana e o poeta José Craveirinha, ambos já falecidos.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Quando mal resolvido,vira "problemão"

 As Comunidades Islâmica e maometana de Moçambique encontram-se a juntar elementos para processar o Estado moçambicano em  tribunais internacionais, na sequência dos constantes raptos dos  empresários membros daquelas comunidades, segundo fontes internas dessas comunidades. O último sequestro ocorreu ao  princípio da noite da passada semana na baixa da cidade de Maputo, concretamente na Rua da Mesquita, em frente da porta da mesquita da baixa, em que a vítima foi o empresário moçambicano de origem asiática, Rachid Takdir, mais conhecido na sua comunidade pelo nome de “Galinheiro”.Fontes daquelas comunidades garantiram “à nossa Reportagem” que    preparação para processar o Estado moçambicano, devido à onda de sequestros de que têm vindo a ser vítimas, desde há cerca de dois anos, alegadamente pela ineficácia do Estado moçambicano em travar a onda dos raptos mas sobretudo pela incapacidade de esclarecer os casos.De acordo com as fontes, os membros daquelas comunidades estão agastados e indignados com o silêncio do presidente da República, Armando Guebuza, que em Agosto do ano passado, depois do encontro com os dirigentes do “Movimento Islâmico”, garantira que iria pessoalmente envolver-se para que se resolvesse a questão dos raptos.“Ele (Guebuza) continua no silêncio como se nada estivesse a acontecer. Acreditamos que alguém ao mais alto nível deve estar a beneficiar-se desses  raptos”, disseram as nossas fontes.“Há uma grande movimentação  para processar o Estado moçambicano nas instâncias judiciais internacionais. A nossa comunidade já  contratou advogados que estão a  reunir os documentos para accionar um processo contra o Estado.  Os muçulmanos pretendem também denunciar a cumplicidade do  Governo moçambicano nas Nações  Unidas”, disseram as nossas fontes. Na verdade, as Comunidades muçulmana, hindu e ismaelita de Moçambique ameaçaram em Agosto do  ano passado lançar uma campanha  de desobediência civil à escala nacional, por causa dos sequestros.  Foi dito na ocasião, que as comunidades iriam levar a cabo manifestações, uma greve geral do comércio  e indústrias e serviços sob controlo  de membros dessas comunidades,  uma marcha em direcção ao Ministério do Interior e uma campanha  de desobediência fiscal. Nada disso aconteceu na esperança do Governo agir. Mas até agora os raptos  continuam e o Governo não conseguiu esclarecer um único caso. Em apenas dois anos, mais de 30 membros da comunida de muçulmana foram sequestrados em Maputo e milhões de  dólares foram pagos de resgate. Quando as comunidades admitiam paralisar as suas actividades  económicas, para impedir que as  ameaças daquelas comunidades se  concretizasse, o presidente Armando  Guebuza, que na altura se encontrava na cidade municipal da Matola  a dirigir a reunião do Comité Central da Frelimo em preparação do X Congresso, na qualidade de presidente daquela formação politica,  abandonou o evento para se reunir  com os elementos das organizações muçulmanas de Moçambique. O encontro de alto nível surgira depois do anúncio de uma  onda de protesto da comunidade  que iria começar no dia seguinte. O presidente Armando Guebuza  recebeu a delegação da comunidade  muçulmana do país, cujos pontos da  agenda eram os protestos anunciados  por esta comunidade, tais como uma  greve do sector empresarial e manifestações nas 11 capitais provinciais  de Moçambique a 1 de Setembro. Na circunstância, Armando Guebuza oferecera garantias aos elementos presentes na reunião do seu  “comprometimento pessoal” para  resolver a problemática dos sequestros que têm vindo a assolar a comunidade muçulmana moçambicana. Depois do encontro com o chefe de Estado e presidente do partido Frelimo, as organizações muçulmanas decidiram suspender a greve do sector empresarial que estava prevista para o dia seguinte. Agora dizem estar indignados com “o silêncio cúmplice do presidente Armando Guebuza”, ameaçando processar o Estado moçambicano “por causa da incapacidade das instituições estatais”. Uma fonte do Ministério da Justiça disse que nos últimos dias os  sequestros não têm afectado as comunidades ismaelitas e hindus. Mas membros das comunidades muçulmanas continuam a ser raptados. Os muçulmanos ameaçam retirar do país todos os investimentos  aplicados por falta de segurança.  Segundo a mesma fonte, em Cabo Delgado, uma dessas comunidades  ordenou o encerramento de um banco seu em concretizando as ameaças. “Eles, inclusive, já foram marcar  audiência com o Presidente da República para lhe dizerem que vão  retirar os seus investimentos, caso  a situação dos raptos prevaleça.  Disseram que não estavam para  brincadeiras, por isso os raptos contra ismaelitas e hindus  reduziram”, concluiu a fonte. De recordar que em Moçambique  não existe uma lei contra raptos. Apenas existe uma lei que penaliza  o cárcere privado. (B.Álvaro)

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Achada na lixeira


Não é fácil de acreditar que uma anti-aérea tenha ido parar numa lixeira que se encontra a escassos quilómetros do centro da capital moçambicana. Como tal, a presença da anti-aérea na lixeira de Hulene não pode ser considerar obra do acaso, mas sim, consequência de um plano muito bem delineado por quem pretende, eventualmente, criar terrorismo em Moçambique, ou por quem pretende desviar as atenções gerais determinadas matérias que não devem, no seu entender, ser tratados como deviam. Estámos certos de que o assunto está a ser gerido da melhor maneira, por peritos nacionais. Ainda está presente na mente dos moçambicanos, o rebentamento do paiol de Malhazine e as consequências daí resultantes. Na altura, pensou-se que os russos tivessem tido uma mãozinha no assunto, por os mesmos terem estado à frente de um projecto da transferência daquele paiol para Moamba, a troco de muito dinheiro que o Executivo da altura indicou não possuir. A destruição e transferência do paiol acabaria por ser encarregue aos peritos militares nacionais que haviam trabalhado com os russos na antiga União Soviética. Os russos nao gostaram…
No caso da anti-aérea de Hulene, é preciso que as autoridades não menosprezem o acontecimento...

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

60.000 USD X 72 meses= R O U B O


O Gabinete Central de Combate a Corrupção (GCCC) está a investigar um rombo financeiro no Ministério moçambicano da Educação (MINED).O desfalque, cujo valor ainda não foi oficialmente anunciado, envolve funcionários desta instituição afectos ao departamento financeiro (DAF).  Uma carta denúncia fornecida aos Orgãos Públicos de Comunicação pelo porta-voz do MINED, Eurico Banze, indica que o caso envolve quatro funcionários da instituição, incluindo o chefe do DAF, Abílio Mate, ora suspenso das suas funções, e um financeiro-pagador, que se encontra em parte incerta desde Dezembro último.O esquema principal usado para roubar o dinheiro do Estado naquela instituição era o pagamento de salários a funcionários fictícios através duma folha paralela num valor total de dois milhões de meticais, o correspondente a cerca de 60 mil dólares americanos.
“Ainda não se conhece o valor total desviado, mas sabe-se que esta prática vinha decorrendo a vários anos”, indica a carta denúncia, anotando que o montante desviado só deverá ser determinado após as investigações em curso na instituição. Contudo, esse não era o único esquema usado para ´sacar´ o dinheiro do erário público naquela instituição. Os infractores também são acusados de pagamento de valores indevidos acima de salários de funcionários no activo e reformados para depois se beneficiarem dos valores roubados. Esse esquema envolvia até uma secretária do director nacional do Ensino Técnico Profissional, identificada apenas por Ilda, que, de acordo com a fonte, recebia 30 mil meticais, apesar do seu salário normal ser de seis mil.Segundo a carta denúncia, estes esquemas só foram descobertos depois da Secretária Permanente (SP) do MINED, Maria de Fátima Zacarias, ter procurado saber, em Novembro último, das razões dos sistemáticos atrasos no pagamento dos salários aos funcionários da instituição.O problema prendia-se com o facto de os funcionários receberem os seus salários até o dia 25 de cada mês, mas que ultimamente chegavam a ser pagos no dia 30 ou no início do mês seguinte.
“Estranhando os sistemáticos atrasos no pagamento de salários, a SP procurou saber do chefe Abílio Mate (ora suspenso) as razões dos salários serem pagos até o dia 30 ou início do outro mês, no lugar de o mesmo ocorrer ate o dia 25 de cada mês”, indica a fonte.Em resposta a pergunta da SP, Mate disse que não sabia das razões por detrás desse problema e atirou culpas ao banco responsável pelo pagamento dos salários, instituição que negou as acusações. Na sequência disso, a SP mandatou um inspector do MINED para colher esclarecimentos junto do banco.“Este (inspector) recebeu detalhes sobre o pagamento da folha salarial paralela, incremento de somas avultadas em contas de outros funcionários no activo e reformados e outras pessoas alheias ao MINED”, indica a carta.Quando a SP recebeu esta informação tratou de denunciar o caso ao GCCC e a Inspecção Geral das Finanças. Fonte do GCCC citada pelo jornal “Notícias” de hoje indica que as investigações já se encontram numa fase adiantada, o que resulta da boa colaboração que tem sido prestada pela Direcção do MINED.

Interdição do 25 de Junho

PORQUE NÃO JOGOS À PORTA FECHADA ?
Na penúltima jornada do Moçambola – 2012, o jogo que opôs o Ferroviário de Nampula ao Chibuto FC, disputado na capital do norte, no Estádio 25 de Junho, não chegou ao fim devido ao mau comportamento dos espectadores afectos à equipa da casa. Os simpatizantes dos locomotivas pediam a cabeça do árbitro do encontro, Arão Junior, pois consideraram que este estava a levar o Chibuto às “costas”.  Como é sabido, e os nampulenses estão mais do que avisados sobre as consequências deste comportamento, independentemente da má actuação do juiz da partida ou algo similar, este comportamento não leva a resolução de nenhuma situação, pois os regulamentos são claros sobre este tipo de acção.

NAMPULENSE JÁ ESTEVE SUSPENSO
Éverdade que o castigo aplicado foi justíssimo e, como afirmei anteriormente, os nampulenses já sabiam o que vinha a caminho pois a província já teve o se campeonato provincial da 1ª divisão, vulgo “Nampulense”, suspenso e o futebol da província corria o risco de ser paralisado por tempo indeterminado pelas estruturas desportivas governamentais, tantos foram os casos de maus comportamentos dos espectadores nos campos de futebol. Lembro que o vice-ministro da Juventude e Desportos, Dr. Cazé, esteve na cidade capital da província, com o seu staff, para perceber os porquês destas reacções das massas que afluem aos campos de futebol e duas conclusões saltaram a vista:
·         VENCER A QUALQUER CUSTO
·         DESCONHECIMENTO DAS REGRAS DE JOGO
Se o primeiro ponto pode ser considerado normal mesmo não justificando invasões aos campos e agressões aos árbitros, já o ponto seguinte deixa claro que temos muita gente metida no mesmo saco, leia-se futebol, e poucos conhecem as regras desse jogo, o que prova que há situações caricatas que deixam os experts em matéria de arbitragem de boca aberta.
Vou só deixar aqui um exemplo que prova este o desconhecimento das regras e já volto ao prato forte deste trabalho.   Para a grande maioria dos amantes do futebol de Nampula, sempre que o árbitro marca uma falta no interior da área de grande penalidade, a favorecer a equipa que ataca, só há uma saída para o juiz – MARCAR UMA GRANDE PENALIDADE. Se o juiz entende que há um pontapé livre indirecto e como tal não pode haver lugar a “penalty”, segue-se uma invasão se a equipa atacante é a que joga em casa. Podemos considerar que temos muitos amantes do futebol e mesmo praticantes que desconhecem as regras do jogo que dizem amar.

PUNIR OS PREVARICADORES
Voltando ao que me trás a este espaço, dai a razão desta pequena volta pelo comportamento quase “NORMAL” dos espectadores de futebol em Nampula, tenho para mim que a decisão do Conselho de Disciplina da LMF (CD) foi justíssima mas poderia ter usado outro peso no castigo para que fosse bem entendida a mensagem a transmitir e penso que esse estudo não foi devidamente feito. Mesmo a direcção do Clube Ferroviário de Nampula, não reagiu a tempo de minimizar os “estragos” desse mau comportamento dos seus sócios e simpatizantes, pois se tivesse recorrido, dentro dos prazos, hoje estariam certamente com um castigo menos pesado (para o clbe) pois estamos perante um acto que sucedeu pela uma primeira vez num jogo do “Moçambola” em Nampula.  Mas continuo a achar que o CD da LMF esteve bem ao aplicar os 4 jogos de interdição do 25 de Junho, mas como disse poderia ir por outro caminho e esse seria castiga os principais culpados deste acto vergonhoso pois estamos a falar de alta competição, o seja, castigar os sócios e simpatizantes presentes nas bancadas que tiveram um comportamento reprovável. Esta seria a primeira medida e depois viriam as multas para o clube por não ter tido o cuidado necessário no qe diz respeito à segurança vai dai ter solicitado o número insuficiente de agentes da PRM, embora a dita reunião técnica não tenha ajudado em nada neste particular, mas este pode ser um assunto para um outro comentário (REUNIÃO TÉCNICA ÀS 13 HORAS DO DIA DO JOGO E A SUA IMPORTÂNCIA).Assim sendo, como se poderia castigar os principais visados?
- Jogando o clube no seu estádio mas a porta fechada. Que castigo mais pesado pode ser aplicado aos que sendo culpados não poderão ver o clube que amam estando o mesmo a jogar do outro lado do muro? Penso que se ainda há espaço para a revisão deste castigo e tendo em consideração os aspectos aqui expostos, para além do facto de haver poucas alternativas em termos de campos, podemos penalizar os reais culpados desta situação.

PENA DE REALIZAÇÃO DE JOGOS À PORTA FECHADA
Esta pena prevê que o Clube sancionado tem a obrigatoriedade de realização os seus jogos à porta fechada que dispute na qualidade de visitado ou considerado como tal (um ou mais jogos).  Para efeito de cumprimento desta penalização não devem contar os jogos a realizar em campo neutro.  Nos  jogos a realizar à porta fechada apenas podem aceder ao estádio:
a)As pessoas autorizadas nos termos regulamentares a aceder e permanecer no recinto do jogo;
b)Dirigentes dos Clubes intervenientes;
c)Delegado da Liga, observador do árbitro e membros da Comissão de Assessoria e Apoio Técnico da Comissão de Arbitragem;
d)As entidades que nos termos do Regulamento de Competições têm direito a reserva de camarote;
e) Os representantes dos órgãos da comunicação social.
Deve ser  proibida a transmissão radiofónica e televisiva em directo ou em diferido dos jogos disputados à porta fechada.Portanto, fica este alerta a CD da LMF para que não aplique castigos sem antes estudar devidamente os casos pois neste, se ainda for possível, poder-se-á dar uma lambada de luva branca a quem merece e não a quem poucas culpas tem no cartório pois o clube perde o jogo, paga as multas e ainda tem de ir jogar num campo neutro, sendo esta a primeira vez que em Nampula um jogo não chega ao fim. Têm a palavra a LMF e os seus órgãos disciplinares.

ASSELAM KHAN
INSTRUTOR FIFA PARA ARBITRAGEM - FUTSAL

Sr.editor, desculpe, mas assim não!

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Onde há cólera, é perigoso identificar-se como jornalista!


HÁ dois anos havíamos apresentado um trabalho de reportagem sobre a desinformação que domina a sociedade de algumas regiões de Cabo Delgado, em tempos de epidemia, sobretudo de cólera. Era por causa da morte de um régulo, na aldeia Namarrecua, cerca de 30 quilómetros da cidade de Montepuez, sede do distrito do mesmo nome. Trazíamos as razões, que as achávamos próximas, do que teriam levado o líder tradicional a ser morto pelos seus próprios súbditos.
Encontramos o facto de ter sido legitimado (processo que o Governo usou para o reconhecimento de lideranças tradicionais). Sim, legitimado! E só se legitima o que não é legítimo, ou não? E há muita guerra silenciosa nas comunidades, entre os régulos legitimados e os legítimos, trazendo atrás de si, muitos seguidores.
Por causa da conveniência política que esteve por detrás da legitimação dos régulos, nasceu uma divisão com marcas profundas de índole político-partidária. É o mesmo que dizer, que é o facto de o Governo ter interferido no sistema de sucessões nas lideranças tradicionais. O denominador comum, em todas as regiões onde há recorrentemente a desinformação à volta da cólera e outras epidemias, é ser lá onde o poder tradicional foi durante muito tempo exercido com todos os adereços que tal implica, incluindo a feitiçaria.
Nos distritos do centro-sul da província, a administração tradicional foi muito forte e quando o Governo quis valorizá-la fá-lo procurando pessoas que, muitas vezes, não se identificam com os autóctones, tendo como bitola o facto de serem mais próximos do partido no poder. Desse jeito dividiu as pessoas, uma divisão que ficou mais nítida e profunda quando se decidiu distribuir fardamento aos líderes, mais tarde subsídios. Já ouvi que em algum lugar já começaram a receber, via banco…
Os não legítimos (legitimados) viraram mais importantes que os verdadeiros líderes, porque aborígenes. A guerra instalou-se, cuja arma principal usada tem sido a cólera ou as queimadas descontroladas, cujo efeito é tentar demonstrar que aqueles não têm nenhum poder sobre as comunidades que dizem dirigir. 
Tudo o que é dito pelo Governo, principalmente quando a sua disseminação é confiada aos líderes tradicionais, surge quem deve contradizer, ainda que tenha o conhecimento pleno de que se trata de medida razoável. Simplesmente para contrariar e demonstrar, desse modo, a fraqueza de quem sendo, não é líder nenhum.
A coisa vai crescendo, mas dando mostras que nos podem conduzir ao que acima tentamos dizer. Não é por acaso que as vítimas são sobretudo líderes fora do foro governamental: secretários, régulos ou outros responsáveis tradicionais. No dia em que alguém quiser saber como cada um deles chegou a ser o que é, vai colidir com a realidade crua de que foram impostos.
É na contradição e na razão que os levou ao poder, que deveria ser de facto tradicional, mas não é, porque usa uma roupagem político-partidária, que aparecem, por sua vez, os políticos. Não para dizer que a cólera é trazida pelo Governo, mas tomando uma posição dúbia, quase cúmplice, sem se pronunciarem, tendo em conta que na divisão conseguem reinar.
O outro problema é o próprio Ministério da Saúde. A cólera é uma doença que todos conhecem. Não é verdade que as pessoas confundem cloro com cólera, segundo as nossas investigações, porque mesmo sem cloro, sempre houve cólera. Portanto, o povo conhece a doença, de tal maneira que, quase sempre, é o primeiro, antes das autoridades sanitárias, a declarar a sua existência.
Durante estes anos (acima de 20) em trabalho para a comunicação social, as autoridades de saúde sempre foram as últimas a confirmar a existência da cólera, quando o povo já a identificou. Às vezes passam meses a chamar-se diarreias e vómitos, diarreias sanguinolentas, disenterias, diarreias agudas, etc., um secretismo dificilmente entendível.
O tempo que leva a saúde a falar de cólera, veste-se muitas vezes de qualquer coisa que soa a sonegação. Pessoas morrem, a saúde persiste em dizer que não morrem de cólera ou que se trata de mortes extra-hospitalares, por isso não entram nas contas. Mas as casas mortuárias, apesar de serem de outra gestão, quase todas localizam-se no mesmo recinto dos grandes hospitais.
Por causa disso, a informação passa de pessoa em pessoa sobre entes, vizinhos e outros que morrem, mas na comunicação social, aparecerá quem dirá que não há cólera, mas sim diarreias agudas, sanguinolentas, enfim, e que as pessoas que morrem de diarreias agudas, ou sei lá, fora do hospital, fazemos de contas que não morrem, mesmo sendo vizinhas de funcionários de saúde.
A inflexibilidade da saúde traz muitas leituras. E daí aparecerá, como quase sempre acontece, alguém do ministério para numa semana dizer, sim, é cólera! Este pequeno teatro presta-se a muitas interpretações. Ainda fica por perceber se com tanta evolução que estamos a experimentar, na medicina, estaremos de facto atrasados na detecção da cólera…
A seguir entra a imprensa, que é vista como a mais mentirosa, por estar todos os dias a reproduzir as palavras dos responsáveis da saúde que dizem que não há cólera, não há cólera, não há cólera, mesmo sabendo que no fim virá alguém a confirmar que é cólera, sim senhor. Essa posição patética da imprensa, em matéria de epidemias de cólera, leva-a a também ser mal vista pelas comunidades, vista como conivente na propalação de mentiras. Em zonas onde há cólera, já é perigoso identificar-se como jornalista.
É dentro deste quadro que todos devemos lutar, se bem que tudo é facilmente localizável: são os mesmos lugares onde a cólera é politizada, o comportamento da doença é do domínio de todos, a inflexibilidade da saúde é igual em todos os anos, para além das causas que são largamente conhecidas. Falta estudar o fenómeno com estes ou outros pressupostos e outra coisa, igualmente, importante: não falar dela só quando a epidemia eclode.(P.Nacuo)


História de sucesso!


O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse hoje que a universidade deve combater o espírito de mão-estendida e incutir nos estudantes a crença nas suas capacidades de transformar as suas vidas e as das suas comunidades.Falando durante a inauguração da última fase do campus da Universidade A Politécnica, a primeira instituição privada de ensino superior no país, criada em 1995, Guebuza desafiou as universidades moçambicanas a implementarem uma série de reformas com vista a adaptarem-se às necessidades do momento.Segundo o estadista moçambicano, o momento actual do país impõe uma maior articulação da formação com o reconhecimento e exploração das múltiplas oportunidades na sociedade e na economia nacional. “A educação em Moçambique deve forjar valores nobres, entre os quais a auto-estima, o sentido patriótico e de Unidade Nacional e estimular uma concepção mais activa da vida, aliando a formação do cidadão e com a formação para o exercício da cidadania, como testemunhámos na visita às instalações desta instituição de ensino superior”, disse ele. “Ela (a universidade) deve combater o espírito de mão-estendida e incutir nos estudantes a crença nas suas capacidades de transformar, para o melhor, as suas vidas e as vidas das suas comunidades, usando o conhecimento adquirido no campus”, acrescentou Guebuza. Igualmente, Guebuza disse que a educação do país deve ser capaz de continuar a alargar os horizontes do graduado, que veio para o campus já integrado num sector de actividade, para não se dar por satisfeito apenas com o novo salário, em razão do novo título que ostenta, mas em razão da sua produtividade ou com as melhorias que introduz no seu sector de actividade.No seu discurso, Armando Guebuza disse que Moçambique está a mudar para o melhor e isso impõe novos desafios também ao ensino superior. “Um destes (desafios), que é fundamental, prende-se com a necessidade de efectuar a transição nas nossas mentes, expectativas e currículos da formação virada exclusivamente para a função pública para uma formação virada para a sociedade e para a vida”, disse Guebuza.“Reconheçamos, ao mesmo tempo, que a formação para a vida e para a sociedade, ao dinamizar a nossa economia, robustece o próprio Estado que ganha maior pujança para aumentar a sua capacidade de absorver mais graduados para fortalecer as suas instituições”, acrescentou.
Para o Chefe de Estado, este é o ensino que vai melhor e adequadamente preparar os jovens de modo a vencerem a pobreza. “A nossa atenção sobre a expansão e a qualidade do ensino ganha maior consistência, relevância e coerência neste desafio”, disse ele.Criada em 1995 e com as aulas iniciadas no ano seguinte – sob a designação Instituto Superior Politécnico Universitário, A Politécnica é uma das várias instituições privadas do ensino superior em Moçambique e já com créditos firmados.Volvidos quase 18 anos após a criação desta instituição, A Politécnica conta agora com um espaçoso campus no centro da capital moçambicana e delegações em Quelimane, Tete, Nampula e Nacala, contando com mais de cinco mil estudantes.A fase final das instalações do campus - agora inaugurada  – inclui uma biblioteca central, a Escola Superior de Altos Estudos e Negócios e um pavilhão gimnodesportivo.Segundo o reitor da Universidade, Lourenço do Rosário, o investimento global aplicado em todo o campus (desde o início do projecto) foi de 12 milhões de dólares em créditos bancários, com excepção de financiamentos próprios aplicados pela instituição. Do Rosário disse que a meta da instituição para os próximos tempos é consolidar as suas conquistas e abranger o resto das províncias do país através do ensino a distância.

Solidariedade


A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, entregou um cheque no valor de 150 mil meticais ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) para apoiar as vítimas das cheias na província da Zambézia. A ajuda surge depois de a dirigente ter visitado e testemunhado o sofrimento das mais de 55 mil famílias desalojadas em consequência das inundações.O referido valor é proveniente dos fundos da Assembleia da República e deverá ser aplicado para a compra de bens alimentares, vestuário, produtos de limpeza, entre outros. Nos centros de acomodação, o cenário é dramático, as famílias clamam por mais alimentos, bem como redes mosquiteiras, para fazer face ao “exército de mosquitos” que já causou números assustadores de casos de malária. As famílias disseram a Verónica Macamo ter perdido tudo o que tinham, desde casas, bens e até familiares seus. Por outro lado, as crianças ainda não começaram a frequentar a escola, pois a chuva destruiu as salas de aulas, levando consigo instrumentos de ensino e aprendizagem.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Rússia "atacada" por meteorito


Mais de 100 pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira depois que um meteorito caiu na região de Tcheliabinsk, nos Montes Urais, informou o Ministério do Interior da Rússia. "Segundo dados preliminares, mais de 100 pessoas solicitaram assistência médica, na sua grande maioria por cortes com vidros. Não há pessoas gravemente feridas", disse um porta-voz dessa pasta à agência Interfax. O meteorito caiu a 80 km da cidade de Satki, no distrito de mesmo nome, por volta das 9h20 locais (6h20 de Maputo). As autoridades de Tcheliabinsk, capital da região homônima, reforçaram as medidas de segurança nas estruturas e instalações vitais da cidade. Alguns veículos da imprensa chegaram a informar que uma chuva de meteoritos teria caído sobre os Urais. "Não foi uma chuva de meteoritos, mas um meteorito que se desintegrou nas camadas baixas da atmosfera", disse à agência "Interfax" a porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, Elena Smirnij. Elena acrescentou que a onda expansiva provocada pela queda do corpo celeste quebrou as vidraças de "algumas casas na região". A porta-voz ministerial também informou que a queda do meteorito não alterou os níveis de radiação, que se mantêm dentro dos parâmetros frequentes para a região.

"Ferro e carvão" fervilham


O caminho para levar o carvão de Tete aos mercados internacionais está fechado desde terça-feira finda, depois de, semana passada, ter sido condicionado devido ao descarrilamento de um comboio. A queda da locomotiva forçou a Vale e a Rio Tinto a interromperem a circulação.Não era para menos, tratava-se da terceira vez que um comboio saía da linha-férrea. Os primeiros descarrilamentos ocorreram nos dias 20 e 29 de Janeiro passado, e o mais recente foi na semana finda.Os prejuízos com acidentes e calamidades naturais já afectam a contabilidade e os compromissos das empresas, com contratos de compra e venda nos mercados indiano e chinês, apenas para citar alguns.A Vale e a Rio Tinto movimentam importantes volumes de mercadoria. Até Dezembro do ano passado, a mineradora brasileira fez passar pela linha de Sena mil comboios com mais de dois milhões de toneladas, enquanto a Rio Tinto escoou na sua primeira operação 35 mil toneladas.Só para se ter uma ideia, no terceiro trimestre de 2010, o preço médio de venda do carvão metalúrgico rondou os 200 dólares norte-americanos a tonelada métrica, sendo que o carvão térmico foi mais barato, com um custo de cerca de 100 dólares americanos.A Vale e a Rio Tinto, gigantes mundiais na exploração do carvão, estão com a calculadora na mão, a somar prejuízos. Neste momento, os maquinistas da Vale estão estacionados nas estações ferroviárias de Kambulatsitse, Necungas, Chazia, Doa, Caia e Savane, sem nada para fazer.Uma fonte da empresa adiantou que o défice de infra-estruturas e a ineficiência da linha de Sena são  que “serão tratadas ao mais alto nível em breve”. Disse ainda que funcionários de peso da sede da mineradora no Brasil estão em Moçambique há uma semana e deverão confrontar o Presidente da República durante a sua visita à província de Tete. Eles também foram enviados para monitorar o processo, no sentido de encontrar uma fórmula para abrir um caminho ao carvão.  ”Estão cá quadros brasileiros que vão manter encontros com o Chefe do Estado, para manifestarem o seu desagrado sobre como as coisas estão a ser conduzidas. Se se recordam, no ano passado, tivemos que rever em baixa as nossas previsões de escoamento do carvão de Moatize, e isto cria-nos grandes prejuízos financeiros”, disse a fonte.O descarrilamento da semana passada destruiu cerca de 10Km da linha-férrea.  Técnicos dos CFM foram despachados ao campo para repor a via. O administrador Operacional, Adelino Mesquita, também seguiu viagem a Tete, para serenar os ânimos das mineradoras e acompanhar os trabalhos de reabilitação de perto.

"Cwabos" iguais a sí mesmos

O município de Quelimane,  gerido pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), vai erguer um monumento ao “soldado desconhecido”, em homenagem aos “combatentes anónimos”.

Manuel de Araújo, presidente do município de Quelimane, disse haver no país muitos “soldados que amaram a pátria, no anonimato”, sem esperarem alguma recompensa, que deram a sua vida pela independência nacional e democracia e que a sua honra e bravura “não são reconhecidas” até agora.
“Normalmente, temos uma praça dos heróis e nós podemos os nomear em Moçambique, até porque há uma comissão de heróis. Mas há milhares de moçambicanos que perderam a vida para que tivéssemos a independência nacional e a democracia, que morreram em combate e ninguém se lembra deles”, disse Manuel de Araújo.
Para o autarca, a historiografia política de Moçambique ainda não reconhece nem exalta os jovens que deram as suas vidas pela causa nacional, particularmente da guerra de libertação de Moçambique do jugo colonial, e depois pela democracia.
“Acho que eles (soldados desconhecidos) merecem”, enfatizou Manuel de Araújo, assegurando que a praça será erguida nos próximos nove meses, ou seja, antes do fim do seu mandato de dois anos, que termina em outubro próximo.
Para os moçambicanos não inclusos no monumento, disse, foi criado um movimento que deverá rever a toponímia da cidade de Quelimane para reconhecer políticos, músicos, poetas ou futebolistas. “Criámos uma comissão que está fazer a revisão da toponímia da cidade, que inclui líderes religiosos, régulos, académicos e sociedade civil, para reconhecermos alguns nomes que merecem ter uma rua em sua homenagem”, explicou De Araújo.