"Não há chances de o ter de
volta", entende a consultora britânica EIU (Economist Intelligence Unit)quando
questionada sobre os supostos valores dos subornos. Para outros a pergunta
ainda não se coloca, anular pagamentos das dívidas é a prioridade.Parte dos
dois mil milhões de dólares das dívidas ocultas moçambicanas terá sido usada
para esquemas de suborno e pagamento de comissões envolvendo altos funcionários
do Governo moçambicano, funcionários séniores do Banco Credit Suisse e um
negociador da Privinvest, na ordem de, pelo menos, 200 milhões de dólares.Suspeita-se
que o dinheiro dos alegados subornos tenha sido depositado no Dubai e noutros
lugares ainda não devidamente identificados. Seguir o seu rastro parece estar a
ser tarefa titânica, pelo menos para as autoridades moçambicanas.Embora a
prisão dos supostos prevaricadores possa ser uma forma de fazer justiça, ela
não vai resolver os problemas económicos e financeiros de Moçambique
resultantes das dívidas ilegais. Já o dinheiro em causa poderia ser de grande
utilidade.
É
possível reaver o dinheiro dos subornos?
Diante desse cenário, pergunta-se: é
possível Moçambique reaver esse valor adquirido em nome do Estado? Jorge Matine
é membro do Fórum de Monitoria e Orçamento (FMO) e defende que há outros pontos
nevrálgicos que devem ser ultrapassados antes de se projetar um repatriamento:
"Governo
pode apresentar argumentos consistentes para não pagar"
Três empresas estão associadas às dividas
ocultas: Ematum, MAM e ProIndicus. Embora as dívidas sejam ilegais, por não
terem tido o aval do Parlamento conforme manda a lei, foram legalizadas pelo
Parlamento a posterior, obrigando o Governo a liquidar as dívidas com os
credores, e foi acordada uma reestruturação das dívidas.E mesmo depois de a
justiça norte-americana ter iniciado detenções de figuras envolvidas em crimes
financeiros num caso interligado as dívidas ocultas, em janeiro de 2019, o
ministro das Finanças, Adriano Maleiane, afirmou que o acordo preliminar de
reestruturação dos títulos de dívida soberana mantém-se.Entretanto, segundo
defende o colaborador da Jubilee Debt Campaign, Tim Jones, o Governo
moçambicano pode apresentar argumentos consistentes para não pagar, pois
"neste caso, porque este dinheiro tem origem em bancos de Londres, o povo
moçambicano não teria de pagar o empréstimo", diz. "O Governo moçambicano está a falhar
com os empréstimos, não está a pagar, e poderia declarar que o crédito é
ilegal, e pensamos que esse argumento poderia convencer a justiça do Reino
Unido - que não têm de pagar a dívida", acrescenta.
"Não
há chances de o ter de volta..."
DW – 27.02.2019
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