No
caso do moçambicano Rafael Custódio Marques, muito provavelmente, jamais se
saberá, porque, segundo a imprensa internacional, nunca chegou a ser
investigado pelo seu alegado envolvimento na morte de Evo Fernandes, antigo
secretário geral da Renamo assassinado em 1988 nos arredores de Lisboa,
porque o Estado moçambicano se recusou a retirar-lhe imunidade diplomática. O
mesmo Estado que agora o nomeou cônsul de Moçambique em Macau.Citando notícias da
altura, a imprensa internacional recorda que as autoridades portuguesas pediram
ao Estado moçambicano que retirasse imunidade ao diplomata Rafael Custódio
Marques (um agente da tenebrosa SNASP a trabalhar na embaixada de Lisboa), para
o ouvir em conexão com o assassinato de Evo Fernandes. Maputo recusou “despir”
Marques e Lisboa viu-se forçado a expulsá-lo, declarando-o “persona non grata”,
o mesmo que “cidadão indesejável”, numa tradução livre do jargão da
diplomacia.Alexandre Chagas,
assassino confesso de Fernandes, condenado a 18 anos de prisão, disse em
tribunal que a “execução” do antigo secretário- -geral da Renamo fora
“encomendada" pela SNASP (hoje SISE). O governo de Moçambique acreditava
na altura que se eliminasse o que denominava de “facção portuguesa” da Renamo
conseguia decapitar o movimento, assim como anteriormente acreditou que o mesmo
sucederia com o Acordo de Nkomati assinado em Março de 1984 com o regime do
"apartheid" sul-africano. Na mesma logica foram eliminados os
opositores da Frelimo num campo de reeducação no Niassa - entre os os quais
Uria Simango e Joana Simeão - por se temer que pudessem encabeçar uma nova
liderança política da Renamo. Evo Fernandes, era um advogado da Beira e de
origem goesa.
terça-feira, agosto 12, 2014
O crime compensa?
segunda-feira, agosto 11, 2014
"Camisinha" está a arruinar industria pornográfica
Idealizada pelo deputado estadual
democrata Isadore Hall, com apoio da organização Aids Healthcare Foundation
(AHF), a intenção é fazer com que o uso de preservativos nas filmagens seja
obrigatório para proteger os actores de doenças sexualmente transmissíveis (DTs).
Além disso, querem que os profissionais informem às autoridades quando
realizaram testes de HIV e se fizeram exames para detectar DSTs, pelo menos, 14
dias antes de começarem as filmagens."É de bom senso", declarou a
directora de Saúde Pública da AHF, Whitney Engeran-Cordova.Em meio à discussão
sobre a tramitação da lei, as atrizes Sofia Delgado e Cameron Bay e o actor Rod
Daily, portadores do vírus HIV desde 2013, defenderam a AB-1576. A indústria, por
sua vez, garante que a autoregulação actual e seus protocolos de saúde
mostraram ser efectivos, e argumenta que as transmissões não acontecem durante
as filmagens.
Moçambique tem tudo para dar certo
“De discursos está o inferno cheio”. Agora
queremos ver a concretização daquilo que mais interessa aos moçambicanos.
Queremos ver Armando Guebuza e Afonso Dlhakama comportarem-se como verdadeiros
líderes e darem com dignidade e responsabilidade o ponto final as hostilidades.
Assumirem que são ambos moçambicanos com direitos iguais. Mostrarem que,
enquanto moçambicanos, podemos e devemos conviver e desfrutar deste nosso
Moçambique. Mostrarem aos extremistas que tal via não leva a lugar algum.
Sossegarem a família moçambicana e incentivarem que se caminhe para aquela
concórdia essencial que nos levará a desenvolver o país, eliminarmos a
indigência e alguma da informalidade e improvisos que minam a agenda nacional.Este país tem tudo para dar certo, só que isso se
faz com a participação de todos e não a partir de falsos pressupostos como a
apregoada confiança política.Os obstáculos à paz efectiva foram removidos do
caminho, mas há que ter a consciência e sensatez de se assumir que isso, por si
só, não vai alterar um quadro disforme de coisas no país.Se há que saudar a paridade orgânica, há que ver
esse passo como parte de um processo que se aprofunda com abertura e trabalho.
Uma vez alcançada a paridade, o próximo passo deverá ser ter o país caminhando
para o reconhecimento da cidadania, da competência e da verticalidade.Foi a “maldita” confiança política que encheu o
aparelho de Estado de “camaradas” nos cargos de chefia e desestruturou o
Estado, abrindo caminho para o clientelismo e outras práticas nocivas. As
reclamações não atendidas dos cidadãos, a descriminação efectiva, a redução dos
processos vitais do país a um sistema monocromático causaram danos no tecido
social do país.
Moçambique aplaude os consensos alcançados e
espera ansiosamente pela assinatura solene do acordo político que põe termo às
hostilidades.Não há como não rejeitar proclamações como a de
Robert Mugabe, dizendo que Moçambique pertence à Frelimo. Isso é a mais abjecta
ingerência nos assuntos internos de Moçambique, que deveria merecer repúdio
diplomático do Governo de Moçambique. Moçambique pertence aos moçambicanos e
não à Associação dos Antigos Combatentes da Luta de Libertação Nacional.A evolução política do país, comportando
vicissitudes próprias, não precisa de conselheiros daquele tipo e estirpe.Os moçambicanos não têm medo de compartilhar o seu
país e no dia-a-dia convivem sem recalques nem atitudes xenófobas ou
discriminatórias. Têm sido políticos com agendas sinistras que empurram os
cidadãos para posições extremistas a seu favor. Os que se apoderaram do poder e
o exerciam como se fosse sua propriedade privada esqueceram-se de que tal poder
reside e emana do povo. São os cidadãos no seu conjunto que constituem a nação
tão desejada.Todas as mordomias, regalias e considerações que
recebem os titulares dos cargos públicos devem ser vistos como uma distinção
pelos sacrifícios que consentem ao cuidar da coisa pública.A transformação pragmática de mentalidades e
posturas deve acompanhar o crescimento dos entendimentos políticos de base no
país.O momento é de tamanha importância e seriedade que
a ninguém é permitido descansar enquanto a obra da paz não estiver construída.Há aspectos simples mas basilares quando se fala
de paz. Sem justiça não há paz. Sem tolerância não há paz. Sem democracia
política e económica não há paz.
Então, de tudo isto decorre que temos que cimentar
a paz com trabalho e responsabilidade.Chegou a altura de se mudar a cultura de
funcionamento dos órgãos do Estado e do aparelho de Estado.Engana-se que quem pensa que a simples paridade
vai trazer competência, rigor e responsabilidade.
Há que entender o acordo alcançado como um passo
na direcção certa, e essa é a da emulação da qualidade e do desempenho dos
moçambicanos, antes de se olhar para a sua filiação partidária.Os partidos devem ser vistos e entendidos como
plataformas de cidadãos conjugando dinamicamente ideias para servir os
cidadãos.Partido não é clube organizado para servir os seus
membros ou para distribuir favores e cargos, quando se vencem eleições.
Aprender com democracias mais avançadas, em que
cargos ministeriais são entregues a pessoas de partidos diferentes do vencedor
das eleições seria um primeiro passo. Olhar para um moçambicano com competência
singular numa determinada área e assumir que é o melhor para dirigir um
determinado ministério vai, de modo prático, educar os moçambicanos sobre o
valor da competência.Não vamos escangalhar o aparelho de Estado nem
procurar destruir a memória institucional, como uma vez se tentou, com os
desastrosos resultados que se conhecem. O que de bom existe é para manter.
Temos um Governo formal, com a sua orgânica e departamentos, desenhados para
atender os mais variados aspectos da vida social e governativa.Teremos os próximos dias e meses muito agitados e
com os partidos políticos engajados nas suas campanhas eleitorais.A maneira como o processo vai decorrer, o modo
como as forças políticas se comportarão são de suma importância para a
normalização e moralização da vida política no país.Sem batota e jogo traiçoeiro, sem embustes, mas
com responsabilidade visionária, é desejo e anseio que os deixem votar em quem
acreditam que possui o melhor projecto para governar o país nos próximos anos.Queremos uma “Quarta República” plena de
desenvolvimentos, com inclusão, tolerância e reconciliação da família
moçambicana.A mediocridade governativa e o clientelismo jamais
trarão desenvolvimento.Enterremos a “confiança política”, e seja semeado,
em seu lugar, o altruísmo e o patriotismo.Educar as gerações de hoje nos mais altos valores
democráticos e de cidadania é a fórmula mais adequada para desenvolver o país e
mantê-lo em PAZ. (N.Nhantumbo)
Estes dois compatriotas estão interessados em assinar um acordo de paz nas próximas 24 horas.
O Presidente da RENAMO provavelmente terá de deixar a sua base militar na Serra da Gorongosa e deslocar-se a Maputo para se encontrar com o Presidente da República de Moçambique , Armando Emílio Guebuza.O que mais interessa aos moçambicanos depois de um ano de mortes e destruição ,consequência dos combates entre as Forças Armadas e a guerrilha.
terça-feira, agosto 05, 2014
Fumo branco
As
delegações do governo e da Renamo, maior partido da oposição, em Moçambique,
alcançaram hoje (5) consensos sobre o segundo ponto da agenda do diálogo
político relacionado com as Forças de Defesa e Segurança (FDS), faltando assim
a assinatura do documento final sobre esta matéria.As decisões alcançadas hoje,
durante a 69/a ronda do diálogo, deverão ser encaminhadas, para conhecimento, a
liderança das partes, sendo, do lado do Governo, o Presidente moçambicano,
Armando Guebuza, e da Renamo, o seu líder, Afonso Dhlakama.Embora as partes não
tenham revelado quem são as figuras que irão assinar tal documento, espera-se
que o mesmo seja rubricado a este nível.
As
delegações não especificaram quais as decisões concretas que foram tomadas,
prometendo faze - lo ‘em tempo oportuno’.
Falando
a imprensa no final do encontro, o chefe adjunto da delegação do governo e
ministro dos transportes e comunicações, Gabriel Muthisse, disse que as partes
visualizaram passos subsequentes que não condicionarão o processo de
pacificação total ou cessação das hostilidades.“O
primeiro passo relaciona-se com a assinatura dos documentos consensualizados de
modo a que tenham o seu efeito no terreno”, disse Muthisse.
Muthisse
acrescentou que vai se preparar o projecto de lei de amnistia para acções
criminosas que tenham ocorrido durantes os meses de instabilidade no país. O
respectivo projecto de lei, segundo a fonte, deverá ser submetido urgentemente
a Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.“Se
queremos que este assunto seja discutido urgentemente, devemos também
submete-lo a AR com urgência, pelo facto de a magna casa ter o seu programa de
trabalho.”Outro
passo avançado por Muthisse está relacionado com o encontro entre o Presidente
Guebuza e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. “Isso implica trabalhar na
logística e todos passos necessários para que o líder possa sair das matas”,
disse Muthisse, acrescentando que a calendarização das acções dos observadores
internacionais deverá ser feita no período das eleições e pós-eleições.Muthisse
acredita que com este consenso o país voltará a ter uma estabilidade, criando
assim a possibilidade de todos os actores políticos participarem nas eleições
de 15 de Outubro próximo, com destaque para o líder da Renamo.Por
seu turno, o chefe da delegação da Renamo e deputado pelo mesmo partido na AR,
Saimone Macuiana, disse que a sua delegação está comprometida e interessada em
garantir a cessação urgente das hostilidadesSegundo
Macuaiana, o acordo de cessação das hostilidades deve ser cumprido na íntegra
para garantir que os moçambicanos se sintam mais seguros do que nunca.
Confusão no galinheiro
Porque é que não assistimos a mesma
"confusão" de listas na Renamo?
Na verdade, a pergunta mais importante
antes de fervilhar é: porquê as pessoas se aliam a partidos políticos? E porquê
abandonam?
As injustiças em todos partidos
políticos acontecem. A responsabilidade, esta sim, é que é individual. Se você
se alia ao MDM por exemplo, deve estar claro das injustiças que vai lá
encontrar, talvez, maiores que as que pensa estar a fugir. Se decidir
"voltar a casa" como soi dizer-se quando alguém alia-se a Frelimo,
também deve esperar pela sua vez. A fila é longa, muito longa, e pode falecer
por doença sem antes chegar a sua vez.
Antes de aliar-se a qualquer movimento
político é importante perguntar-se do porquê. O partido político pode ser fonte
de frustração irremediável se pensar que é dele de onde deve vir o seu
sustento; a sua sobrevivência económica. É verdade que todos lutamos pela
equitativa distribuição da renda, mas atenção: há uma longa travessia do
deserto antes de chegarmos lá. Deverá estar preparado.
Para tal é preciso disciplina.
Fernando Mazanga, tantas vezes foi desmentido pelo o seu próprio chefe. Algumas
das situações até poderiam levá-lo a demitir-se. Quem nunca ouviu Dhlakama a
chamar Mazanga de miúdo, apelando para que considerassem a sua palavra final?
Mas porque Mazanga é disciplinado, ei-lo alí onde está. Eneas Comiche foi quase
que empurrado para fora do Município de Maputo apesar do bom trabalho que
fez...há bem pouco tempo até aventavam a sua candidatura independente. Mas
porque é disciplinado, ei-lo onde está.
Também existem exemplos de
indisciplinados, em todos os partidos políticos. Pessoas que até agora já
rodaram tudo o que é partido, estiveram na elaboração de estatutos da Frelimo,
MDM e Renamo. É deste tipo de pessoas que os partidos devem expurgar.
Ou viva independente, exerce a
cidadania de forma independente e vote consciente. Ou filie-se a partidos sem
dele esperar um mar de rosas. À jusante disto, temos também um problema dos
recrutadores. Muitas vezes as práticas de recrutamento de elementos de oposição
têm por base a instrumentalização do "el-dorado"; do "quando nós
estivermos lá", que de uma ou de outra forma é uma tentativa de resposta à
um discurso político dos seus fundadores, mais influenciado pela sua
trajectória e suas experiências de vida, na sua relação com o poder do dia.
Resulta daí todo um discurso de "união dos excluídos", que facilmente
se "traiem" quando a liderança não consegue honrar com a mensagem.
Bayano Valy tem ultimamente
reflectindo (em privado) muito em torno da qualidade dos membros e nos
mecanismos de recrutamento. Julgo ser uma reflexão oportuna, e faço votos que
ele venha com os resultados da sua pesquisa o mais brevemente possível.
sexta-feira, agosto 01, 2014
Ucranianos também operam baterias antiaéreas Buk
O
voo 17 da Malaysia Airlines também caiu durante a tarde, e não à noite, o que
significa que a bateria de mísseis não estava escondida pela escuridão.
Então
por que essa pergunta sobre as fotos do espião norte-americano dos céus – e o
que elas revelam – não está sendo feita insistentemente pela mídia
norte-americana? Como
o Washington Post pode publicar uma matéria de primeira página, como a que foi
publicada no domingo com o título definitivo: “Oficial americano: russos deram
o sistema”, sem exigir das autoridades detalhes a respeito do que revelam as
imagens de satélite?
Ao
contrário, Micchael Birnbaum e Karen DeYoung do Post escreveram de Kiev:
Mas
veja como são vagas as afirmações: “Nós acreditamos”, “começando a ter
indícios”. E nós devemos acreditar – e, ainda mais relevante, os jornalistas do
Washington Post de fato acreditam – que o governo norte-americano com seus
serviços de espionagem de primeira não conseguem encontrar três caminhões
lentos, cada um carregando enormes mísseis de longo alcance?
A
fonte disse que os analistas da CIA ainda não eliminaram a possibilidade de que
as tropas fossem na verdade rebeldes do leste da Ucrânia vestindo uniformes
semelhantes, mas a avaliação inicial era de que as tropas eram compostas por soldados
ucranianos.Também foi sugerido que os soldados envolvidos eram possivelmente
bêbados indisciplinados, já que as imagens mostram o que pareciam ser garrafas
de cerveja espalhados no local, disse a fonte.Mas, ao invés de pressionar para
ter mais detalhes, a grande mídia norte-americana simplesmente passou adiante a
propaganda vinda do governo ucraniano e do Departamento de Estado, inclusive
ecoando o fato de que o Sistema Buk é “feito na Rússia”, um fato insignificante
que é muito repetido.
178 em 21 dias
Dirão uns que fomos enganados…
Pragmaticamente
a Rio Tinto chutou a bola para destinos desconhecidos, colocando o guarda-redes
moçambicano a “ver navios”. Numa operação
rocambolesca, pouco vista mesmo nos meandros da alta finança, duas empresas em
dois momentos diferentes protagonizaram actos que devem ser minuciosamente
estudados, porque a sua repetição acarretará muitos prejuízos. Ou digamos ainda
muitas desilusões. A Riversdale adquire uma concessão, declara o seu valor em
reservas de carvão, e depois a grande Rio Tinto apressa-se e compra tal
concessão. As mais-valias da operação, realizadas fora do escrutínio do Governo
moçambicano, ficam depositadas bem longe de Maputo. Foram efectivamente biliões
de dólares que fugiram de Moçambique. Quando se pensava que a Rio Tinto tinha
intenção de radicar-se em Moçambique, eis que vende ao desbarato as suas
concessões em solo moçambicano. Quem comprou por 4 biliões de dólares e vende a
50 milhões de dólares deve ter as suas razões.
Seria que o carvão de Tete era,
ou é, assim tão tóxico que se deve descartar rapidamente?
será que estamos
perante factos de engenharia financeira que desconhecemos?
Declarar uma cifra
baixa para pagar pouco de impostos ao Governo moçambicano?
Isso já foi feito em
outros negócios, e quando se mexe com milhões de dólares é óbvio que os
accionistas estejam dispostos a tudo para reduzir desembolsos.Se tomarmos
em conta que a febre de facilitar investimentos no sector mineiro trouxe
consideráveis prejuízos ao país, não se deveria chorar muito. O jogo da
alta finança internacional tem a ver com objectivos concretos, muitas vezes
ignorados e desconhecidos para Governos como o de Moçambique. O tipo e nível de
concertação que se faz em Londres e em outras capitais diferem da concertação
que fazem os Governos de países receptores de investimentos das multinacionais.
Brilho e avidez nos olhos esfumam-se face a uma realidade surpreendente, ou
tudo já estava acautelado?
Será que o Governo e o Ministério dos Recursos
Minerais de Moçambique estavam acompanhando as movimentações da Rio Tinto?
Será
que a aparente engenharia financeira lhes passou de lado, ou mais uma vez
alguém encaixou uma mais-valia a coberto duma operação de todo escandalosa do
ponto de vista financeiro?
Dirão uns que
fomos enganados… É mais verdade que entrámos num negócio às escuras e, se nos
enganaram, foi porque aceitámos de mão beijada lamber rebuçados que não
conhecíamos. O dinheiro fluindo para algumas contas bancárias, as viagens e o
luxo de ocasião, acções ou outro tipo de contrapartidas privadas terão cegado
os governantes moçambicanos?
Os consultores externos do PR onde estão neste
momento?
Como é verão na Europa, devem ter-se recolhido para a Riviera francesa
ou italiana em gozo de “merecidas férias”.
É o fim dum
sonho?
Não necessariamente. A valorização de reservas minerais é algo dinâmico
e responde a questões de mercado muito concretas. Lição para aprender que nem
tudo o que brilha é ouro.
Importa
trazer muita mais transparência para negócios desta envergadura, e o Governo
não pode actuar sem buscar consensos e autorização ao nível do Parlamento, para
adjudicar e concessionar. Os centros de pensamento nacionais, os especialistas
e peritos locais devem ter as suas opiniões escutadas e respeitadas aquando da
tomada de decisões vinculativas.Investir em
tecnologias, no ensino de tecnologias, trazer professores e equipamento para o
país, adquirir perícia na fiscalização e avaliação de reservas é vital para que
não sejamos embrulhados, enganados, em próximos negócios.O país deve
explorar e beneficiar dos seus recursos, mas isso deve ser feito numa
perspectiva que traga benefícios concretos para a maioria dos moçambicanos.Enganou-se
efectivamente quem pensava que poderia tirar benefícios em exclusivo do carvão
de Tete.
Os “amigos”
de Londres bateram com a porta e nem disseram adeus…
Alguma vez se
terá que aprender é fundamental para desenvolver um país. Agora esfumam-se as
projecções, e as estatísticas MF serão reformuladas. (N.Nhantumbo)
sexta-feira, julho 25, 2014
Avião da TAP com problemas
O
voo da TAP que devia ter partido na quinta-feira à noite de Maputo(24) em
direção a Lisboa foi adiado para domingo de manhã(27) devido a um problema
informático."Foi
detetado um problema técnico que obriga à deslocação de um mecânico de Lisboa,
que reparará o problema e está já garantido que os passageiros embarcarão num
novo voo no domingo às 7 da manhã", disse uma fonte oficial da
transportadora citada pela agência Lusa, quanto confrontada com o facto de que
o avião que devia ter partido de Maputo na quinta-feira à noite ter ficado em
terra."Os
passageiros estão já instalados em hotéis, o problema é leve, mas não há em
Maputo meios locais para resolver o problema, daí ter de ser enviado um técnico
em sistemas informáticos para solucionar o problema", acrescentou o
porta-voz da TAP, em declarações à Lusa.
quinta-feira, julho 24, 2014
Raptado desiste de acusar
José Moreira Alves, uma das vítimas dos quatro
sequestradores em julgamento na cidade de Maputo desde terça-feira, comunicou
ontem(23/07) ao tribunal a sua intenção de desistir do processo em fase de
produção de provas por estar a receber chamadas telefónicas anónimas com teor
ameaçador.Proprietário da Jomofi Construções, Alves foi raptado
minutos após entrar na sua residência, no bairro da Costa do Sol, numa noite de
Abril de 2012. Os bandidos haviam se introduzido instantes antes. Amarraram os
guardas e substituíram-nos dos seus afazeres, o que concorreu para que a vítima
caísse na armadilha.O requerimento apresentado ao tribunal não detalha o teor
dos telefonemas mas deixa clara a existência de chamadas anónimas feitas para o
celular do empresário, o que lhe moveu a desistir do processo.Entretanto, o
juiz e a magistrada do Ministério Público explicaram que se tratando de crime
público não há como recuar, devendo-se avançar com o julgamento até ao fim.
Acordou-se que José Moreira Alves será ouvido através do seu advogado e
representante legal junto da 7.ª Sessão do Tribunal Judicial da Cidade de
Maputo. A esta audição seguir-se-ão as alegações finais.Segundo consta no despacho de acusação, após o sequestro
o construtor civil foi levado para um cativeiro algures no bairro de Magoanine,
uma zona não muito distante da sua casa.Fora dos 28 mil dólares norte-americanos que levava na
sua viatura Alves tinha consigo telefones celulares e outros bens de elevado
valor. Os sequestradores exigiram à família como valor de resgate dois milhões
de dólares norte-americanos.Tendo os familiares comunicado que dispunham de 300 mil
dólares, o filho da vítima foi orientado a deixar o valor no Campus da
Universidade Eduardo Mondlane e abandonar o local sem olhar para trás. O
empresário foi solto três dias após o rapto.
Foi também ouvido Jainudin Norudini Dali, proprietário da
Padaria Lafões, raptado pelo bando a 18 de Dezembro à entrada de sua casa, na
Avenida Kim Il-Sung, numa das zonas nobres da capital.Ao que relatou, após
tomarem a sua viatura, os bandidos vendaram-lhe os olhos com um goro e
conduziram por cerca de meia hora. Ao tomarem conhecimento de que o carro tinha
dispositivo de localização por satélite abandonaram-na para uma outra que lhes
levou até ao cativeiro.Jainudin Norudini Dali passou oito dias nas mãos dos
sequestradores sob ameaças de morte caso a família não pagasse um milhão de
dólares norte-americanos que exigiam. Foi libertado nas imediações das bombas
de combustível de Xinkanhanine, no Hulene, perto da Praça da Juventude e
orientado a ficar à espera do seu filho no local. Ao que posteriormente soube,
a família pagou 600 mil meticais e 200 mil dólares norte-americanos.quarta-feira, julho 23, 2014
Renamo "parece"abandonar paridade aritimética
“Entendo que o Governo de Moçambique, pelas políticas já iniciadas, é
capaz de encontrar uma solução duradoura, que já encontraram há muitos anos,
para o que se está a passar em Moçambique”, disse em conferência de imprensa
José Luís Guterres. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste falava
esta terça-feira em Díli no final da XIX reunião ordinária do Conselho de
Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “É uma questão
apenas de tempo. Há uma vontade política já expressa pelo candidato da oposição
de participar nas eleições presidenciais, o que significa que o processo
democrático está no bom caminho”, sublinhou.
a) A Renamo moderou as suas exigências no que toca ao estabelecimento de
uma
paridade aritmética na direcção das Forças de Defesa e Segurança (FDS),
contentando- se com a aplicação do princípio de “despartidarização” das mesmas
– há quem entenda isto como uma repetição quase exacta de um alegado “erro” que
Dhlakama cometeu durante as conversações de Roma que conduziram ao fim dos 16
anos de guerra civil em Moçambique (1976/1992).
b) O Governo estará, ainda, disposto a proclamar, oficial e publicamente,
e aplicar uma amnistia ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e seus seguidores,
incluindo a retirada das acusações imputadas ao brigadeiro Jerónimo Malagueta
(ora em liberdade condicional depois de nove meses de detenção) e ao porta-voz
dolíder da “perdiz”, António Muchanga, detido na Cadeia de Máxima Segurança
(vulgo BO) em Maputo, há sensivelmente três semanas, sob acusação de incitação
à violência.
c) A fé dos mesmos observadores, o Executivo de Maputo estaria, ainda,
disposto a reforçar a segurança de Afonso Dhlakama quando este descer das
montanhas e retornar à actividade política plena, tendo como enfoque imediato a
campanha eleitoral com vista às eleições presidenciais de 15 de Outubro próximo.
Consta estar a ser redigido um pacto formal a ser celebrado pelas duas partes,
apesar de tanto os representantes do Governo como os da Renamo, na mesa
negocial no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, declinarem
confimar ou desmentir tal esforço.
Os mesmas analistas entendem que os sinais de aproximação dos pontos de
vista das duas delegações são ainda consubstanciados pela interrupção efectiva
dos confrontos entre as forças beligerantes do Governo e da Renamo nas últimas três
semanas, a “reacção contida” de Dhlakama face à detenção de Muchanga, a
resolução do dossier Certidão de Registo Criminal do líder da “perdiz”, bem
como a moderação da linguagem das duas partes, salvo raríssimas excepções, de
intervenientes tidos como “descontrolados”.
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