sexta-feira, maio 06, 2011

Estrangeiros ao serviço do Estado

O Parlamento aprovou através do voto maioritário da bancada parlamentar da Frelimo, a proposta de lei que autoriza o Governo a elaborar o regime jurídico relativo à contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira na Função Pública. A Renamo e o MDM votaram contra.O Governo, através da ministra da Função Pública, Vitória Diogo, entende que a contratação de cidadãos estrangeiros qualificados representa uma alternativa de reforço ao perfil técnico profissional dos recursos humanos do Estado, através da transferência de conhecimentos aos técnicos nacionais.Segundo a governante, pelo Diploma número 17/75, de 9 de Outubro, foram estabelecidas condições jurídicas sobre as quais os cidadãos estrangeiros podiam ser contratados para prestarem serviço ao Estado, contudo as exigências impostas pelo actual quadro de desenvolvimento jurídico, económico e social do país deve constituir matéria de profunda análise e ponderação no âmbito da implementação das políticas e estratégias de desenvolvimento dos recursos humanos do Estado que privilegiam a profissionalização dos funcionários e agentes do Estado.“Decorridos mais de 35 anos após a Independência Nacional, as condições de contratação da mão-de-obra estrangeira, estabelecidas pelo Diploma 17/75 mostram-se inadequadas e desajustadas da conjuntura actual, subsistindo, no entanto, a necessidade de contratação de técnicos estrangeiros, qualificados e experientes, para fazerem face às necessidades de desenvolvimento socioeconómico e cultural do país, nomeadamente nas áreas de investigação científica, saúde, ensino superior, entre outras”, salientou.

Outrossim entende o Executivo que se deve dar sempre o direito à preferência dos quadros nacionais, sendo que a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira na Função Pública só terá lugar quando se comprovar, por concurso público, a inexistência de moçambicanos com qualificações e experiência profissional requeridas ou quando o número desses quadros for insuficiente.“Hoje, a nossa administração pública encontra-se num profundo processo de reformas que visam torná-la mais actuante, moderna e voltada para o cidadão, sendo por isso premente a aprovação de um instrumento jurídico que redefine o quadro legal para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira como alternativa de reforço ao perfil técnico profissional dos recursos do Estado, através de conhecimento aos técnicos nacionais”, sustentou.A Renamo votou contra a proposta de lei por achar, de entre vários factores, que, no mínimo, devia ser a Assembleia da República a legislar a questão de funcionamento do Estado, tal como preconiza a Constituição da República na sua alínea 2 do artigo 179, onde está plasmada a exclusividade da AR na legislação de funcionamento da Função Pública, tal como aconteceu com o Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes de Estado (EGFAE) .“Votamos contra porque o emprego de estrangeiros na Função Pública constitui matéria de soberania”, enfatizou Anselmo Victor.Para Eduardo Elias, do MDM, ao invés de se aprovar uma nova lei, devia-se avançar para uma emenda do EGFAE no sentido desta abranger também os trabalhadores estrangeiros.Para Ana Rita Sithole, da bancada da Frelimo, a presente lei não infere de ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que a mesma é submissa no número três do artigo 179, aliado ao facto de o EGFAE ter sido feito somente para moçambicanos, não sendo, por isso, viável fazer-se revisão do EGFAE com vista a absorver a contratação da mão-de-obra estrangeira, mais sim a criação de um diploma específico para o assunto.

Deputados alérgicos as "TIC’s"

A Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, aprovou por voto maioritário da bancada do partido governamental, a Frelimo, o projecto de resolução atinente a conta gerência da AR do passado ano de 2010.O artigo dois do projecto de resolução em questão diz que “para garantir o acompanhamento da gestão administrativa e financeira da AR, o Secretariado-geral deve: Adoptar políticas de gestão eficientes para a redução de gastos em particular com a manutenção de viaturas da AR; reduzir gastos com o uso de papel e reprografia nos vários serviços da AR, com a introdução de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s); e reduzir gastos com a assistência médica e medicamentosa ao deputado e seus dependentes com a utilização de capacidade instalada no posto médico da AR e na rede sanitária do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.As bancadas da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), todas da oposição parlamentar, abstiveram-se por entenderem que não está claro como é que tais cortes de gastos serão feitos.Para o caso das TIC’s, a oposição diz ser inoportuno já que maior parte dos deputados carecem ainda de formação.Geraldo Caetano, do MDM, acrescentou, a título de exemplo, que os deputados nem se quer estão habilitados para usar o sistema de votação electrónica instalado na sala de sessoes plenárias.A Presidente da AR, Verónica Macamo, tranquilizou os deputados, afirmando que “reduzir gastos não é impedir que se recorra a um determinado serviço”.Macamo adiantou que para os deputados que vivem fora da cidade de Maputo será criado, em colaboração com o Ministério da Saúde, um mecanismo de tratamento personalizado dos deputados que procurem cuidados médicos, a nível distrital, por exemplo.Ela salvaguardou que em caso de complexidade do estado de saúde não se exclui que o deputado e seus dependentes sejam tratados em unidades sanitárias especializadas, quer dentro, quer fora de Moçambique.Quanto a questão das TIC’s, Macamo disse que o único problema persistente tem a ver com a organização interna da AR.“O problema prende-se apenas com o quando é que se vai começar com o treinamento de deputados em TIC’s”, disse a Presidente da AR.Ela sublinhou que as TIC’s são uma grande vantagem na redução dos gastos com o papel, porque, via TIC’s, se pode consultar a Constituição da República, entre outro tipo de documentos volumosos, sem precisar de movimentar e gastar muito papel.

terça-feira, maio 03, 2011

Padre Couto deixa reitoria

O novo reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Orlando Quilambo, aponta a expansão do acesso ao ensino superior como a grande meta do momento e que a mesma continuará na lista das prioridades para reduzir ainda mais o número de moçambicanos sem acesso àquele nível de ensino. Quilambo assim se expressou no final da cerimónia havida na Presidência da República em que ele e Ana Maria da Graça Monjane foram empossados pelo Presidente da República, Armando Guebuza, para os cargos de reitor e vice-reitora, respectivamente."Teremos de olhar para aquilo que são os desafios do ensino superior no momento e um deles é a questão do acesso, dado que há ainda muitos moçambicanos sem acesso ao ensino superior. Teremos de fazer todo o esforço para que, com as condições que temos, possamos atrair mais moçambicanos para este nível de ensino', disse o novo reitor. O outro desafio apontado pelo novo timoneiro da maior e mais antiga instituição de ensino superior tem a ver com o paralelismo entre o acesso e a qualidade e esta última, segundo Quilambo, consegue-se de várias formas sendo uma delas a formação qualitativa do corpo docente para que esteja devidamente qualificado para leccionar.'Teremos de trabalhar no sentido de criar condições para que o trabalho realizado na universidade seja feito em óptimas condições e queremos, através destes esforços, que os nossos graduados sejam competitivos no mercado', ressaltou o recém-empossado reitor.A UEM, com um universo calculado em 26 mil estudantes dos vários cursos que ministra, é uma instituição que já realiza alguma investigação e outro desafio apontado pelo reitor é assegurar mais parcerias para que essa mesma investigação seja cada vez maior e de grande uso para os beneficiários.Orlando Quilambo assume a reitoria da universidade numa altura em que o governo reduziu o pacote orçamental destinado ao ensino superior, situação que compromete a plena realização das metas preconizadas no quadro da actividade de formação, salvaguardando a componente qualitativa.O novo reitor disse, porém, que a situação orçamental é resultado da crise financeira mundial, daí a necessidade de redobrar-se os esforços internos para minimizar os efeitos.'Acreditamos que por ser uma conjuntura internacional a medida que ela for melhorando a universidade também irá encontrar as soluções para os seus problemas', disse Quilambo. O padre Filipe Couto, reitor cessante, disse, por seu turno, que apesar de deixar o cargo continuará a dar o seu contributo para o crescimento da universidade, leccionando matemática na Faculdade de Ciências da UEM e agora com mais tempo para o efeito.'Continuarei a cumprir a missão como professor do departamento de Matemática, na Faculdade de Ciências', disse Couto, acrescentando que como reitor tinha apenas quatro horas por semana, agora terá mais tempo e aumentará o número de horas de contacto com os estudantes e colegas da faculdade.Sobre a redução orçamental iniciada na altura em que ele estava em frente dos destinos da UEM, Couto disse não querer ser polémico, mas no seu entender a redução de financiamentos às universidades não é coisa má.Pelo contrário, quando se reduz o dinheiro recebido sem saber donde vem, as pessoas começam a apreciar o que é o dinheiro e começam a encontrar caminhos para elas próprias encontrem dinheiro e não viver de esmolas.

Problema a falta de bancos nas zonas rurais

A falta de documentos como o Bilhete de Identidade (BI) e de bancos, sobretudo nas zonas rurais, condicionam o acesso a taxa de 20 por cento atribuída as comunidades pela exploração dos recursos naturais em Moçambique.Esta informação foi avançada pelo Director Nacional de Terras e Florestas, Dinis Lissave, durante a IV Conferencia Nacional sobre Maneio Comunitário de Recursos Naturais, realizada na cidade de Maputo.De acordo com o regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia, 20 por cento de qualquer taxa de exploração florestal ou faunística destina-se as comunidades locais da área onde os recursos foram extraídos.Neste contexto, foi estabelecido que as comunidades deveriam abrir uma conta bancária para a canalização dos recursos. Entretanto, este mecanismo de canalização de “20 por cento” às comunidades tem se mostrado, até certo ponto, ineficaz e atrasa o usufruto dos recursos resultantes da exploração dos recursos naturais.Tal deriva, por um lado, do facto de a rede bancária não cobrir grande parte do país e, por outro, devido a falta do BI por parte da maioria dos membros das comunidades para a abertura das contas bancárias.“Temos estado a registar vários constrangimentos na canalização dos recursos que se traduzem na falta do BI pelas comunidades para a abertura de contas. Assistimos em várias comunidades que não tem a documentação que se exige para tal. Mas já há um trabalho para contrariar este problema”, explicou a fonte.“Outro problema é a falta de bancos nas zonas rurais. O acesso aos bancos é um constrangimento porque temos muitas comunidades que vivem em zonas distantes de onde devem abrir as contas”, acrescentou, sublinhando que “ estes aspectos fazem com que as comunidades fiquem muito tempo a espera para beneficiarem dos recursos a que eles tem direito.Lissave fez saber que de 2005 a esta parte foram alocados 94 milhões de meticais relativos a 20 por cento das taxas arrecadas pelo Estado no licenciamento da exploração florestal e faunística.Estes recursos beneficiaram 717 comunidades residentes nas zonas de exploração.“Este valor podia ser mais se não houvesse constrangimentos de varia ordem para alocar estes recursos às comunidades”, frisou a fonte.Desde 2005 foram arroladas 1.089 comunidades, tendo sido estabelecidos 814 comités de gestão.A visão filosófica da atribuição de 20 por cento é que todos os membros da comunidade possam ter benefícios derivados da exploração florestal, independentemente de estarem envolvidos ou não no abate, transporte ou transformação.Por outro lado, pretende-se que a floresta seja considerada um bem colectivo.

"Quando é o último filho todos gostarão ti"

O Ministro da Informação do Governo do Sul do Sudão, Barnaba Benjamin, afirma que as recentes declarações do Presidente al-Bashir nas quais ameaça não reconhecer a independência do Sul caso a tribo 'misseriya' seja proibida de participar no referendo não periga o saldo do Acordo Compreensivo de Paz (ACP).O histórico Acordo Compreensivo de Paz foi rubricado em 2005 na instância turística de Naivasha, Quénia, entre o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), do Sul, e o Governo de Cartum, do Norte, pondo termo a uma das mais prolongadas guerras civis no continente e estabeleceu os alicerces sobre o referendo de Janeiro último.

Benjamin, que é também porta-voz do governo, deu a informação no fim da audiência concedida pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza, em Maputo no qual além de passar em revista a situação política naquele pais entregou um convite do líder Salva Kiir a Guebuza para participar nas celebrações da independência do Sul a ter lugar em Julho próximo.


'A região de Abye era parte do Sul com nove chefaturas da etnia dinca, mas que o regime colonial decidiu pela sua transferência, em 1905, para o Norte, por razões administrativas', explicou Benjamin, apontando que o Protocolo de Abyei consagra que as nove chefaturas da etnia ‘ngok dinca’ terão direito a um referendo, onde deverão escolher entre a reintegração no Sul ou permanecer no Norte.O governo de Cartum, segundo Benjamin, pretende incluir os homens da tribo misseriya , que são seus vizinhos no Norte, mas o Protocolo de Abyei consagra que apenas as nove chefaturas ‘ngok dinca’ é que vão decidir o futuro da região. O assunto, segundo a fonte, foi igualmente abordado na audiência com o Presidente Guebuza. O ex-Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, lidera uma delegação de alto nível da União Africana (UA) de implementação, que deverá garantir a concretização do Protocolo de Abyei. 'Falamos sobre o assunto com o presidente e queremos o seu apoio na sua qualidade de membro proeminente da União Africana (UA). O conflito armado de Moçambique serviu de lição para a conquista da independência do povo do Sudão', disse a fonte.O reconhecimento do Sul do Sudão é fruto do ACP que o próprio Al-Bashir é signatário e além disso ele disse, bastas vezes, nas visitas que efectuou ao Sul que reconheceria a República do Sul do Sudão, afirmação que reiterou na UA perante outros líderes e em outros fóruns.'Acreditamos que a ameaça ao Sul do Sudão por causa da questão de Abyei está fora de hipótese', reiterou Benjamin.Na audiência, passou –se em revista as eleições que o SPLM venceu com uma maioria esmagadora, os resultados do referendo em que 99 por cento dos sudaneses votaram a favor do nascimento do seu próprio estado. No dia nove de Julho o mundo vai testemunhar o nascimento do 54 estado membro da União Africana. Barnaba Benjamin disse, por outro lado, que é vontade do Sul do Sudão estabelecer relações bilaterais com o povo e o governo de Moçambique, porquanto o novo estado africano quer aprender das experiências do país em relação aos enormes desafios que vai enfrentar na edificação da nova nação que é a República do Sul do Sudão.'Na tradição africana, quando é o último filho todos gostarão de ti incluindo os teus inimigos, por isso esperamos que todos gostem de nós', disse Benjamin.A delegação liderada pelo ministro da informação já escalou outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), nomeadamente África do Sul, Angola, Lesotho, Namíbia, Swazilândia e Zimbabwe. Em resumo: o sul do Sudão (dono de 75% das reservas petrolíferas do país) votou, em um referendo realizado em janeiro de 2011, pela sua independência, que deverá ocorrer oficialmente em julho desde mesmo ano. Nascerá oficialmente a nação numero 193 e uma das mais pobres do mundo, porém banhada pelo petróleo que puxou o grande crescimento econômico sudanês e o boom imobiliário de Khartoum, a futura ex-capital. O Sudão do Sul já apresentou o plano urbanístico para sua nova capital, que será construída a 15 km da actual, a favelizada Juba.Não só a nova capital, mas pelo 3 novas cidades serão construídas no novo país, ao custo estimado de 10 bilhões de dólares. Os planos iniciais seguiam ridículos planos urbanísticos zoomórficos: a nova capital teria forma de um rinoceronte e a cidade de Wau, forma de girafa. De onde tiraram essas idéias ninguém sabe, mas parece que a idéia foi descartada, já que o plano apresentado para a nova capital segue o datado modelo de cidade-jardim, com ruas curvas, setorização e amplas áreas verdes.A localização da nova capital ainda não foi determinada, mas o governo do novo país já sonda possíveis investidores e empresas para construir a nova cidade. Oficialmente, o governo do Sudão do Sul afirma discutir a localização e o plano urbanístico da nova capital de forma democrática, já que seria uma conquista coletiva de um povo que lutou coletivamente pela independência do novo país. Mas, observando as grandes reformas urbanas em curso na Ásia e mesmo no Sudão, a tendência é que decisões geográficas, urbanas e macro-econômicas sejam decididas por grandes empresas privadas, de forma não-democrática.

O Presidente da República, Armando Guebuza, saúda a forma como a imprensa moçambicana, nas suas várias áreas de especialização e intervenção, tem assumido um papel de destaque no reforço da auto-estima e consolidação da unidade nacional.Numa mensagem dirigida aos profissionais de comunicação social por ocasião do 3 de Maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que hoje se assinala, Guebuza destaca que a comunicação social moçambicana tem se empenhado na promoção da cultura de paz e do espírito de inclusão.Por ocasião da data, Guebuza junta-se aos profissionais deste ramo no país e em todo o mundo, ao Sindicato Nacional dos Jornalistas (SJN), ao MISA-Moçambique bem como as empresas jornalísticas e aos trabalhadores e colaboradores da comunicação social para com eles celebrar a efeméride.'Apraz-nos também sublinhar que no quotidiano a nossa imprensa cultiva o sentido de cidadania e contribui para o aprofundamento da cultura democrática e de diálogo na Nação Moçambicana', destaca o Presidente Guebuza.A Imprensa moçambicana, segundo Chefe do Estado, veicula igualmente exemplos da cultura de trabalho, do aumento da produção e da produtividade e de outras boas práticas com o condão de mitigar o impacto da crise mundial sobre 'o nosso maravilhoso Povo e de nos levar a vencer a pobreza'.Guebuza termina endereçando aos profissionais da comunicação social do país de todo o mundo, ao SNJ de Moçambique, ao MISA-Moçambique bem como às empresas jornalísticas e a todos os trabalhadores e colaboradores da comunicação social votos de uma feliz celebração do 3 de Maio.

segunda-feira, maio 02, 2011

Americanos irritados

Autoridades dos Estados Unidos disseram que o fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi morto com um tiro na cabeça após resistir à prisão, em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 quilômetros de Islamabad, no Paquistão.Segundo relatos do governo americano, Bin Laden foi morto numa mansão cercada por muros de até seis metros de altura, que era oito vezes maior que outras casas na região e foi avaliada em 'vários milhões de dólares', apesar de não ter telefone ou conexão de internet. A operação teria durado cerca de 40 minutos.A mídia nos Estados Unidos noticiou que o corpo foi 'enterrado no mar' para evitar que o túmulo de Osama Bin Laden fosse tratado como um local sagrado. Isso teria sido feito em menos de 24 horas depois da morte em respeito à prática islâmica.Segundo o Presidente americano Obama, a operação que matou Bin Laden não deixou nenhum americano ferido.Autoridades americanas dizem que três outros homens teriam sido mortos no ataque - um dos filhos de Bin Laden e dois de seus mensageiros. Uma mulher também teria sido morta após ser usada como 'escudo' e outras duas mulheres teriam ficado feridas.Um helicóptero usado na operação sofreu 'problemas técnicos' e foi, depois, destruído e abandonado. A equipe deixou o local em um segundo helicóptero.Um morador da região, Nasir Khan, disse à agência Reuters que os helicópteros foram alvo de 'fogo pesado' vindo de atiradores que estavam em terra.O tamanho e a sofisticação do complexo residencial 'chocou' as autoridades americanas.A mansão fica a menos de 1 km da Academia Militar do Paquistão, a principal base militar do país.

Continuar a lutar pacificamente

O Presidente da Organização dos Trabalhadores de Moçambique - Central Sindical (OTM-CS), Carlos Mucareia, disse que não basta criar estruturas de dialogo social e laboral sem pô-las a funcionar.Ele reiterou que a questão da cesta básica adoptada pelo Governo, por exemplo, devia ter sido antes submetida a Comissão Consultiva de Trabalho (CCT) para receber os subsídios necessários.“Não basta criar estruturas é preciso pô-las a funcionar. A questão da cesta básica adoptada pelo Governo, por exemplo, devia ter sido antes submetida a CCT para receber os subsídios necessários”, reiterou Mucareia, no final do desfile que juntou, em Maputo, entre 20 mil e 35 mil trabalhadores. Na baixa da capital, os trabalhadores maioritariamente uniformizados com t-shirts com inscrições alusivas à data e capulanas, empunhavam dísticos, cartazes e tarjas com denúncias sobre as más condições de trabalho, acusações de corrupção ao partido no poder e queixas directas ao chefe de Estado, Armando Guebuza, e à ministra do Trabalho, Helena Taipo, ausentes da cerimónia."FRELIMO devolva o dinheiro que roubou dos ´madjermanes`", lia-se numa enorme faixa que os ex-trabalhadores moçambicanos na antiga RDA empunhavam.A frase é uma forma de manifestar descontentamento pelo fato de o Governo moçambicano não ter alegadamente pago a totalidade das indemnizações canalizadas pela Alemanha resultantes da rescisão de contratos de trabalho. Numa manifestação bastante concorrida, que decorreu sob o lema “Sindicatos por um diálogo social efectivo”, os trabalhadores exigiram, entre outros direitos, uma justa distribuição da riqueza, investimento na formação profissional, combate cerrado contra a criminalidade, corrupção e emprego precário. Os trabalhadores dos serviços de limpeza do município de Maputo optaram por uma exigência direta ao chefe de Estado, lembrando-lhe: "Guebuza, o povo está com fome".A alegada indiferença das autoridades moçambicanas em relação às más condições de trabalho também foi denunciada durante o desfile, em que os trabalhadores do Banco Comercial de Investimentos (BCI) do grupo português Caixa Geral de Depósitos acusam o Governo de "conhecer os problemas dos trabalhadores, mas preferir sentar por cima".Por outro lado, Carlos Mucareia, exortou, no final do desfile, as entidades empregadoras a continuarem a dialogar com os trabalhadores nos locais de trabalho por forma a se alcançar melhores salários, de acordo com as condições de cada empresa.
“Estamos certos de que a nossa mensagem enriquecida com as diferentes mensagens dos trabalhadores tenha alcançado o objectivo e que os empregadores tenham tomado nota de todas as questões levantadas porque o trabalhador moçambicano esta a crescer e a consolidar-se em cada espaço”, afirmou Mucareia.Ele acrescentou que, hoje em dia, “o trabalhador sabe o que quer e como quer”.A mesma fonte indicou que os trabalhadores moçambicanos, ano após ano, tem demonstrado claramente a sua disponibilidade em continuar a lutar, pacificamente, pelos seus direitos, sublinhando que qualquer gesto de violência só gera violência e que esta só destrói e nunca constrói. Contrariamente aos seus antecessores, o actual chefe de Estado moçambicano nunca, em 7 anos de presidência, participou nas cerimónias do Dia Internacional dos Trabalhadores, uma atitude vista como forma de evitar a exposição do Presidente a manifestações que a cada ano que passam tem sido marcadas por mensagens mais hostis ao executivo.Num dos desfiles de 1º de Maio, o ex-chefe de Estado moçambicano Joaquim Chissano foi insultado em plena tribuna da Praça dos Trabalhadores pelos ex-trabalhadores na antiga Alemanha do Leste, tendo o Presidente respondido na altura de forma diplomatica e realismo ajustado as carências do país.

Bin Laden na posse dos americanos

Centenas de pessoas concentram-se em festa junto à Casa Branca, a residência oficial do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que hoje anunciou a morte de Osama Bin Laden numa ação das tropas especiais norte-americanas.Num discurso ao país anunciado com cerca de uma hora de antecedência, Barack Obama revelou alguns pormenores da operação militar desencadeada nas últimas semanas para "deter e levar à Justiça" o líder da Al-Qaida, mas Osama Bin Laden acabaria morto durante uma troca de tiros entre as tropas americanas e os seus seguidores. “Há quase 10 anos, sofremos o pior ataque de nossa história. Um dia que nunca sairá de nossa memória. Hoje, para as famílias que perderam alguém na guerra ao terror, podemos dizer que a justiça foi feita”, afirmou Obama.Considerado desde os atentados do 11 de Setembro de 2001, incluindo o ataque às Torres Gémeas do World Trade Center, como o principal alvo dos Estados Unidos, Osama Bin Laden era procurado pelas autoridades norte-americanas nas regiões montanhosas do Paquistão, local onde acabaria por morrer.

domingo, maio 01, 2011

Rapto de gêmeas

A Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Namaacha, a norte da província de Maputo, diz ter detido recentemente três indivíduos, identificados por Mónica, Artur e Carlos, acusados de envolvimento no rapto de duas crianças gêmeas de três anos. As duas crianças desapareceram da casa da patroa do pai delas, em circunstâncias estranhas, no passado dia 11 de Março e até hoje se desconhece o seu paradeiro, apesar de dois dos indiciados assumirem que levaram-nas para a vizinha África do Sul.A polícia naquele ponto do país explicou ao “DM” que os dois primeiros presos são vizinhos e admitem ter levado as crianças para a vizinha África do Sul, onde vivia Carlos, detido naquele país e extraditado para Moçambique em conexão com o mesmo caso.De acordo com a comandante distrital da PRM, Suzana Chiulele, as buscas efectuadas, tanto em Moçambique, como na República da África do Sul, não resultaram em nada e o acusado, que se diz que ter recebido as crianças naquele país, não admite a culpa, mas a polícia local o deteve e o extraditou para cá.“Mas como tudo indica que eles é que raptaram as crianças, estamos a tratar de legalizar a sua prisão”, salientou a fonte, acrescentando que os trabalhos de busca para a localização dos menores e deter mais envolvidos, caso existam, continuam.Segundo as nossases ocorreu quando se encontravam a brincar num quintal pertencente à patroa do pai, numa altura em que este estava a fazer trabalhos num ponto distante da residência.O pai das menores, Mateus Magagule, explicou que no dia em que a situação ocorreu, chegou à casa da patroa para fazer certos trabalhos de campo e, como de costume, deixou os filhos de três anos com ela porque se tratava de um local distante da residência.“Só que, mais tarde, ela me procurou perguntando se não tinha visto as crianças”, referiu, acrescentando que, depois disso, ela recomendou-lhe para informar sobre o sumiço das crianças à direcção de uma rádio comunitária local, para difundir, na tentativa de ajudar na sua localização. Mais tarde foram à polícia.“Já passam muitos dias e eu só quero meus filhos. Não quero lançar culpas para ninguém, mas há informação de que a minha patroa está ligada a duas senhoras daqui, conhecidas como estando envolvidas no tráfico de pessoas e de órgãos humanas”, disse.Disse que, no princípio, a patroa encontrava-se detida, mas, posteriormente, foi solta pela polícia por alegadamente não houver indícios do seu envolvimento no rapto das menores. Sabino Machava, presidente de uma organização não governamental que opera naquela região do país, salientou que estas agremiações estão a acompanhar o assunto e prestar apoio aos pais. Acrescentou que este caso ainda precisa de ser bem estudado pela polícia. Na sua opinião, tudo indica que se trata de indivíduos que vivem daquele tipo de trabalho.

"Winnie a Ópera"

A presença de uma Winnie Madikizela-Mandela sorridente e descontraída na estreia de "Winnie a Ópera" no State Theatre, em Pretória, teve todos os sintomas de aprovação da versão dramatizada da sua vida, mas o público sul-africano não parece convencido.Personagem de extremos, Winnie é o tipo de pessoa que apenas suscita ou ódio ou amor na opinião pública. Nunca indiferença. Ao esterilizar a personagem, numa tentativa de contar com a sua participação e empatia, os produtores Bongani Ndodana-Breen e Warren Willensky correram o risco de afastar o público típico da ópera na África do Sul e terão agora de viver com isso durante os curtíssimos seis dias em que a peça estará em cena na capital."Winnie a Ópera" narra os momentos dramáticos de uma vida dedicada em grande parte à luta contra a opressão do "apartheid". Como tal, retrata momentos pungentes, como aqueles em que Winnie é chicoteada, insultada e humilhada numa cela, às mãos da polícia do regime minoritário branco. Esse era um tempo em que os seus gritos de socorro se perdiam na imensidão do território antes de chegarem à pequena ilha-prisão onde o seu então companheiro, Nelson Mandela, viveu 18 dos 27 anos de cárcere.Mas a vida de Winnie contém muito mais do que esses momentos. Tem uma condenação por sequestro de um ativista adolescente suspeito de colaboração com o anterior regime, e que viria a ser morto pelos guarda-costas de Winnie; condenações por fraude e burla; múltiplos incidentes de desrespeito às autoridades já depois de instituída a ordem democrática; uma colagem constante às franjas políticas mais radicais; e, acima de tudo, um divórcio litigioso do maior ícone da luta política durante o qual foi desvendado que ela foi infiel a Mandela durante e depois da luta.Todos esses episódios fizeram de Winnie Madikizela-Mandela uma espécie de "bête noire" da política pós-1994. Ao ignorá-los, os autores da primeira ópera escrita, dirigida, produzida e cantada por sul-africanos sabiam bem os riscos que corriam, mas é cedo para apurar se valeu a pena por de pé uma tão louvável produção, sob pena de os seus custos serem integralmente cobertos pelo Estado, que a subsidiou na totalidade.A ópera abre com uma audiência da Comissão da Verdade e Reconciliação, em 1997, durante a qual Winnie é acusada de cumplicidade direta no sequestro e assassínio do adolescente Stompie Seipei. A cena de abertura constituiu também uma forma, mais ou menos habilidosa, de lidar com a controvérsia. Uma espécie de varrer para baixo do tapete a sujidade, dando depois à peça todo o lastro possível na construção da heroína que ainda hoje, apesar de rejeitada pelo ex-marido por traição, gosta de ser vista e descrita como "a mãe da nação".A cantora Maswangani, que dá corpo e voz a Winnie Madikizela-Mandela, revela solidez e confirma um talento que já lhe havia granjeado sucessos anteriores (como Museta em "La Bohème" de Puccini e Vallencienne na opereta "A Viúva Alegre" de Lehár) num estilo ainda pouco popular entre a maioria negra da África do Sul."Se alguma pressão senti foi pelo facto de trabalhar numa ópera em grande escala, não pela personagem que encarno. Para mim é apenas mais um trabalho, e contar uma história", desdramatizou Maswangani em entrevista recente.

Há menos capacidade para suportar a pobreza!

É dos mais activos académicos moçambicanos, em termos de produção científica. Economista de grande gabarito nacional, docente universitário, Professor Doutor em Ciências Agrárias, João Mosca. Foi com este reputado académico moçambicano que o Canal de Moçambique dialogou sobre diversos assuntos da vida do país, mas com principal enfoque na economia. Mosca responde a todas as questões que lhes são colocadas. Transcrevemos aqui a terceira e ultima parte da entrevista.

CM: Uma situação que parece paradoxal é que o país é “pobre”. As diversas avaliações internacionais, como o IDH das Nações Unidas, mostram que Moçambique está entre os dez países mais subdesenvolvidos do mundo, mas estando em Maputo é possível ver carros de elevados custos a circular: limusinas, Hummers, e temos palácios de luxo aqui… a que se deve essa disparidade? Que pressupostos da Economia Política podem explicar esta realidade?

JM: Isso deve-se ao facto de termos um padrão de acumulação e de distribuição super concentrado. Isto é, quem se beneficia dos recursos externos, quem se beneficia do pouco crescimento económico que existe, quem se beneficia das poucas iniciativas empresariais, é cada vez mais um grupo restrito de pessoas. Não existe um processo de crescimento económico inclusivo. Isto porquê? Porque os sectores que estão a promover o tal crescimento económico são poucos. E sob estes sectores, o grupo das pessoas que se beneficia é pouco, não só do lado do capitalista, do investidor, mas também da geração do emprego. Vai ver a Mozal, vai ver a Sasol, vai ver os projectos de exploração de carvão, são sectores pouco geradores de emprego comparativamente com o volume de investimento realizado. Isto indica que este modelo de crescimento económico produz uma grande acumulação de recursos, seja na sua produção, assim como na distribuição, logo uma grande parte da população não é abrangida por este processo de crescimento económico. O quê isso significa? Que há cada vez mais uma grande desigualdade de rendimento entre a população: os mais ricos são cada vez mais ricos e os mais pobres são cada vez mais pobres. Devo adiantar que já existem evidências claras e documentos mais sérios e conhecidos, em como a pobreza em Moçambique nos últimos anos não diminuiu e até tende a aumentar. Principalmente nas zonas rurais e não só, assim como nas zonas urbanas. Já existem estudos que confirmam absolutamente isso. Isso significa que a política de combate à pobreza ao fim de 4 a 5 anos não resultou! Mas porquê? Crescimento e riqueza concentrados, não existe distribuição de recursos, não existe processo de crescimento económico de recursos, logo as desigualdades sociais estão a aumentar, está a aumentar a pobreza.

JM: O economista David Lands escreve na sua obra “A Riqueza e a Pobreza das Nações” que, para garantir a segurança dos ricos, é preciso garantir o mínimo de bem-estar aos pobres”. Com esta situação que Dr. descreve aqui, aonde iremos chegar no tocante à estabilidade social do país?

Mosca: Há pessoas que já foram do Governo e que trabalham actualmente muito perto do poder que dizem que se entre o 5 de Fevereiro (de 2008) e 1 de Setembro (de 2010) foram dois anos e alguns meses, agora se calhar a previsibilidade de convulsões pode ir reduzindo. O que quer dizer com isso? Quer dizer que enquanto as desigualdades sociais, a situação da pobreza vão aumentando, as pessoas vão tendo cada vez mais conhecimento, vão tendo cada vez mais acesso à informação, vão tendo a certeza de que a riqueza está concentrada nas mãos de algumas pessoas. Então, juntando todos estes factores as pessoas ficam indignadas e quando há indignidade a revolta é normal. Portanto, não há nada que nos possa garantir que não haverá mais “1 de Setembro” e se calhar, como alguém já disse, num curto período de tempo do que aquilo que nos separou de 5 de Fevereiro. Mas há uma coisa importante. As pessoas têm cada vez menos capacidade de aguentar a pobreza. As pessoas sabem que são pobres e resignam-se por isso, mas cada vez menos aceitam essa resignação. E muito menos nas cidades, porque as pessoas vêem a riqueza, vêem os recursos, vêem as pessoas a exibir o luxo. Vêem a possibilidade de melhorarem as suas condições de vida, mas não lhes é dada essas oportunidades. Pelo contrário, são reprimidas, não há uma comunicação para lhes informar da situação, não existe uma relação Estado, governantes e governados.Portanto, as pessoas sentem-se indignadas. Têm a noção de que podem não ser pobres, querem não ser pobres, mas não podem. Então, as pessoas aderem (às revoltas). É diferente do homem aqui de Polana-Caniço que está em contacto permanente com a riqueza, tem uma capacidade de sustentar a sua pobreza muito diferente da pessoa que está em Gorongosa, que não sabe o que se passa em Maputo, não tem a noção do que se passa em Maputo. A sua capacidade de sustentar a riqueza é muito maior, para ele a pobreza é como se fosse uma “maldição de Deus”.

CM: As instituições internacionais continuam a drenar recursos em nome do povo, mas estes parece que só beneficiam a alguns… será importante manter a ajuda externa nos moldes em que vem?

JM: Primeiro, é importante dizer que nós não podemos, num espaço médio de tempo, e se calhar de bastantes anos, prescindirmos da ajuda externa. Seria uma catástrofe. Portanto, nós devemos aceitar que a ajuda externa é absolutamente necessária ao país.O que nós criticamos é como são canalizados os recursos externos. É correcto que os recursos externos sejam canalizados via Estado ou é correcto que a comunidade internacional financie directamente os projectos sem passar pelo Estado? Porque, mesmo que exista corrupção nesses projectos será uma corrupção mais distribuída. E a corrupção é mais concentrada se for realizada pelo Estado.

Portanto, o financiamento directo aos beneficiários, comunidades e aos empresários, é uma das melhores formas. Outra forma é haver pressões no sentido de se assegurar que a governação deve ser transparente e tem que haver medidas violentíssimas para acções de corrupção. E deve ser aprofundada a lei sobre o conflito de interesses. Existe esta lei, a que obriga os titulares dos altos órgãos do Estado a declarar o seu património, mas estas leis não são cumpridas, e quem cumpre individualmente, num caso foi criticado.Portanto, estas são partes muito importantes para que os recursos externos, que são importantes, sejam utilizados para o desenvolvimento da nação.

Por outro lado, é importante que os recursos externos sejam canalizados para sectores que gerem emprego e que produzam riqueza de uma forma socialmente mais ampliada possível.Eu estou de acordo com que se deve fazer uma diplomacia inteligente, no sentido de assegurar a continuação dos recursos, mas também estaria de acordo que os recursos fossem destinados cada vez mais aos beneficiários, mas também estaria de acordo que houvesse uma lei de conflitos de interesse, lei de obrigação de declaração do património.De qualquer maneira é muito importante ter uma estratégia de saída da ajuda externa. E esta estratégia permitiria que daqui a 15 anos a nossa dependência seja reduzida ao mínimo sustentável, e não ter um mecanismo, uma forma de governação assente na ajuda externa, que é aquilo que acontece neste momento.Estamos numa lógica de crescimento com base em recursos que são doados, aumento da dependência externa, porque há pessoas que ganham com isso.A elite africana, e também moçambicana, não está interessada com a endogeneização da economia interna, não está interessada em sair da dependência, precisamente porque há uma elite política que se beneficia com isso.

CM: Temos recursos naturais: carvão, gás. Agora foi anunciada a descoberta de petróleo, ouro, prata. Com este modelo de governação que temos, será que o Povo pode comemorar a descoberta destes recursos? Estes recursos são mais-valia para o desenvolvimento do país?

JM: As experiências que nós temos são de que em África, também nos países árabes, embora nestes cada vez menos, países com grandes quantidades de recursos naturais, são países com sérios problemas políticos, sociais e de instabilidade.Isso porque os recursos são retirados à nação, beneficiam grupos minoritários no país, as populações não se beneficiam disso, e portanto os países têm cada vez menos esses recursos porque são recursos não renováveis e gera-se problemas. Temos problema de Cabinda, temos problema de Biafra, temos problema de Sudão, assim temos situações em muitos outros países. Os recursos não são maus, mau é a forma como nós vamos utilizá-los. Por exemplo, a nossa energia é mais cara do que a energia da África do Sul, mas a energia é feita em Cahora Bassa. O que isso significa? Significa que as nossas próprias empresas que produzem esses recursos, também são pouco eficientes. A água não vem de fora, é local. Então há problema de eficiência em toda a cadeia de produção de energia para poder fazer a energia chegar barata para todos os consumidores. Então, é tudo uma questão de gestão macroeconómica. Por exemplo, porquê é que as grandes empresas não pagam imposto em nosso país? E se pagassem imposto? Existem estudos que indicam que se estas grandes empresas pagassem imposto, não precisaríamos da ajuda externa para o Orçamento do Estado. Precisaríamos de ajuda para outros objectivos, mas não para o Orçamento do Estado. Mas elas não pagam imposto.

CM: A tese do Governo é que “se fosse para pagar impostos, estas empresas não estariam cá”. Estão cá precisamente devido a esse incentivo de isenções fiscais, neste momento, mas depois de algum tempo terão que pagar impostos...

Mosca: Não. A Mozal pode ser uma caso particular porque importa a matéria-prima. Mas o caso de carvão, eles vêm buscar o carvão cá; o caso de gás, eles vêm buscar o gás cá, o caso das areias pesadas, idem, algodão, idem. Portanto, eles vem buscar recursos, porque é necessidade deles. Se eles não vêm cá buscar os recursos, podem ir buscar noutros sítios, mas nalgum momento eles terão que vir buscar porque Moçambique tem algumas reservas interessantes de gás, de carvão e tem um potencial produtivo de energia para a África do Sul que tem um défice violento de energia que nós devemos aproveitar.Portanto, nós temos recursos. Se eles querem recursos estão cá. O caso da Mozal é um pouco diferente, porque a Mozal importa a matéria-prima, não aproveita recursos locais, portanto o caso da isenção dos impostos pode fazer algum sentido para a empresa permanecer cá. Mas também há estudos que provam o contrário.Por exemplo, Castel-Branco diz que isso não é verdade. Portanto, é preciso ver até que ponto a taxação provocaria a saída das empresas do país.Os recursos naturais de um país devem beneficiar a sua população. Por exemplo, a Sasol exporta gás, mas ao longo do viaduto, de Inhambane até a fronteira, quantas comunidades se beneficiam com o gás? Com bocas de saída de gás para iluminar as comunidades de uma forma sustentável, de uma forma não poluente, e se calhar mais barata, quantas populações se beneficiam? Zero!

CM: Ainda sobre a forma como são explorados os nossos recursos naturais, nós importamos a matéria-prima. Exportamos o gás em viadutos, exportamos a madeira em troncos, não seria mais viável importar produtos acabados? Será que temos uma engenharia qualificada para controlar quanto gás sai do país por pipelines?

JM: Tudo isso são coisas que é preciso equacionar. Primeiro, é preciso ter pessoal formado e qualificado que trabalhe no sector. E não sei se nós estamos a formar pessoal com alta qualificação para isso. Os angolanos têm alta qualificação nos petróleos, eles não estão a brincar com o petróleo.Nós não temos domínio tecnológico de petróleo, do gás, do carvão, nós não temos pessoal moçambicano qualificado para isso.Também estou de acordo que poderíamos aproveitar os nossos recursos de uma forma sustentável, que poderíamos ter níveis de extracção dos nossos recursos a longo prazo para que as futuras gerações também se possam beneficiar.É o caso das florestas. Têm o seu ciclo de reprodução, mas tiramos lá os produtos indiscriminadamente. As pescas idem.O que se está a passar com os garimpeiros das pedras preciosas e de ouro em Manica são coisas absolutamente violentas para a natureza, para as pessoas e não sustentáveis. Mas as licenças das minas estão localizadas em certo grupo de pessoas.O que acontece nas pescas, nas florestas, é que você tem a licença, mas você não é pescador. Então vem um empresário, deve comprar licença a si. Você vende a licença e fica em casa a ver televisão porque você conhece alguém no aparelho do Estado que lhe deu a licença de pesca e portanto, assim vivemos! Desta forma não é possível desenvolver o país! Nós estamos a exportar agora depois de uma lei que saiu há dois, três anos, madeira com pequena transformação, mas nossas fábricas de serração estão fechadas. Nós tínhamos indústrias de contraplacados que exportavam em Moçambique, a partir da Beira, que hoje estão completamente em ruínas. Se viaja na estrada que sai da Beira para Manica, vê do lado esquerdo a fábrica em perfeita ruína! Nós estamos a exportar a matéria-prima!Portanto, nós não estamos a beneficiar o país, mas com certeza que há quem está a beneficiar.O chinês não vem cá e entra na floresta, sozinho! Ele começa na pessoa que vai lhe passar a licença, passa pela empresa que vai fazer corte e até nas pessoas que vão na floresta buscar a madeira, portanto isso é uma cadeia de interesses que beneficia um grupo muito restrito de pessoas.

CM: As manifestações de Setembro de 2010 obrigaram o Governo a adoptar uma séria de medidas de austeridade, dentre a redução de viagens aéreas de dirigentes em classe executiva. Pensa que era preciso que a população queimasse pneus para o Governo tomar este tipo de medidas?

JM: Era absolutamente desnecessário! É aquela coisa de que “dinheiro dado não custa gastar”. Dinheiro que você não produziu, consome e gasta rapidamente. Nos temos o sentido de consumo. As pessoas que têm dinheiro, o que fazem? Compram carro, casa, quinta na Matola. Quando vão de férias na quinta na Matola passam de supermercado e compram tomate. Mas tem lá a quinta com capim e não produzem tomate. Compram tomate para fazer festa na quinta. Galinha, ovo, cebola e etc. Portanto, nós temos espírito de consumo.A viagem na classe executiva é um espectáculo de poder, é um espectáculo de influência, é um espectáculo de pessoa importante. Nós gostamos muito de demonstrar aquilo que nós não somos, ou o que nós não temos. Acontece muitas vezes que o homem da organização internacional ou da embaixada vai no mesmo avião na classe económica e o nosso director vai na classe executiva, quando é o homem da classe económica que está a dar dinheiro ao director para ir na classe executiva! Portanto, significa que há um sentido de consumo muito forte, não o sentido da vida austera, da vida discreta. Há um consumismo, e muito mais quando é financiado por recursos não gerados pelas mesmas pessoas, quando é financiado por um dinheiro falso. Portanto, tudo isso deslegitima completamente a política e os políticos. Os políticos estão deslegitimados, não há credibilidade. Ninguém confia neles, por este tipo de atitudes.O problema é que o povo também, de certa maneira, é muito permissivo com isso. O povo vive naquela coisa de que o chefe é chefe, o patrão é patrão, ele está lá porque conseguiu, deixa o homem “desenrascar”, a vida é dele. Então, fica numa situação passiva e não existe a consciência e a capacidade reivindicativa e de exercício da cidadania de uma forma consciente, informada e correcta.Portanto, enquanto nós não conseguirmos que os nossos cidadãos tenham esta consciência de cidadania, reivindicativa, de manifestação, de uma forma correcta, é mais fácil que tudo isto aconteça.

NATO reduz agregado familiar de Kadafi

O filho mais novo do lider líbio, Muamar Kadafi, Saif al Arab GKddafi, 29, foi morto neste sábado durante um ataque aéreo da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), anunciou o porta-voz do regime, Moussa Ibrahim, em Trípoli. De acordo com o porta-voz, Muamar Kadafi, estava junto com o filho mas saiu ileso do bombardeio, que também matou três netos e feriu outros parentes e amigos. A Otan (NATO) actua na Líbia assumiu o comando das operações internacionais na Líbia no dia 31 de março e passou a liderar as forças na operação Protector Unificado. Inicialmente, as acções militares do país eram lideradas pelos EUA. Governo da Líbia levou jornalistas até a casa onde informaram ter morrido familiares do lider líbio, Gaddafi. Gaddafi e sua mulher estavam na casa do filho em Trípoli quando ao menos um míssil da Otan atingiu o local. "A casa de Saif al Arab Muamar Kadafi (...) foi atacada com meios potentes. O líder [Muamar Kadafi] está bem", disse Ibrahim. "Ele não foi ferido. Sua mulher também passa bem". Não ficou claro qual foi o alvo do ataque, embora as autoridades líbias afirmem que era o próprio Muammar Kaddafi, que fazia um pronunciamento ao vivo à TV no momento. Em 1986, a filha adotiva de Muamar Kadafi, Hanna, de apenas 15 meses de idade, foi morta num bombardeio americano contra Trípoli. O ataque foi ordenado depois de um atentado a bomba cometido dentro de uma boate em Berlim que matou dois americanos. O governo dos Estados Unidos ligou a Líbia ao ocorrido. Em Benghazi, a principal cidade da Líbia tomada pelos rebeldes, a notícia da morte dos familiares de Kadafi foi recebido com buzinaços e tiros para o alto. Entretanto, na oposição líbia, há desconfiança em relação ao ataque: - Não acreditamos que seja verdade. São eventos fabricados pelo regime em uma tentativa desesperada de atrair simpatia. Esse regime mente de forma constante e continua mentindo - afirmou à "CNN" Abdul Hafiz Ghoga, do Conselho Nacional de Transição, principal entidade de representação política dos rebeldes líbios. "Eles talvez quisessem atingir a televisão. Este prédio não é militar, não governamental", disse Mohammed al Mahdi, chefe do conselho sociedades civis, que licencia e fiscaliza os grupos civis na Líbia. O ataque da Nato atingiu uma escola para deficientes. O prédio estava vazio no momento do bombardeio. O míssil destruiu completamente um escritório adjacente no complexo que abriga a comissão do governo para crianças. A força da explosão arrancou as janelas e portas da escola financiada por pais para crianças com síndrome de Down, e os funcionários disseram que ela danificou um orfanato no andar de cima. "Eu me senti realmente triste. Fiquei pensando, o que vamos fazer com essas crianças?", disse Ismail Seddigh, que montou a escola há 17 anos depois que sua filha nasceu com síndrome de Down. "Este não é o lugar que deixamos na tarde de quinta-feira."

« Tácticas inúteis!»

O conceituado generalista espanhol El País conta que anteontem, depois da folga concedida por Mourinho a seguir à derrota na Champions com o Barcelona, vários jogadores contestaram em voz alta o estilo de jogo determinado pelo treinador português para o encontro com os catalães, que terminou com um frustrante 0-2, no Santiago Bernabéu. E a situação foi agravada pela polémica relacionada com a arbitragem e pelas duras críticas de Mourinho, em conferência, na direcção da UEFA, do árbitro e do Barcelona.A contestação, sublinhada por frases como «Isto é uma vergonha!», «Somos o Real!», «Não podemos voltar a jogar assim», ou «Estas tácticas fazem-nos parecer inúteis!», terá acontecido sem a presença de Mourinho, mas testemunhada pelos seus mais directos colaboradores, como Aitor Karanka ou o português Rui Faria, preparador físico e braço-direito de Mourinho.O mesmo jornal descreve, também, que o ambiente no treino esteva pesado, sem a habitual cumplicidade. Até jogadores menos problemáticos, como Benzema ou Ozil, se «teriam atrevido a lançar olhares» menos amistosos na direcção de Mourinho.