quarta-feira, setembro 01, 2021

Aula de Moral e Ética

Confesso estar acompanhar a audiência de hoje (31/08) com muito prazer e reconhecimento. O Meritíssimo Juiz está neste momento não apenas dando aulas de educação ético- moral ao senhor Ndambi Guebuza  como também a todo povo moçambicano.

Prezados, os recursos (posses), posição societária não podem ser usados como meio para se sobrepor à terceiros, independentemente do nosso nível de poder sócio- econômico, o respeito deve sempre constituir um dos vetores que orienta as relações entre os indivíduos em todas dimensões.

Uma aula de excelência que nos é transmitida por um senhor que vem duma família simples e humilde, tendo acima de tudo se formado em escolas públicas, uma demonstração clara de que a Escola não forma o indivíduo, mas sim a família.

O Meritíssimo é mais novo que o senhor Ndambi, porém o mesmo faz um papel que deveria ser do senhor Ndambi, aqui nota- se claramente que a educação vem do berço, e não propriamente das escolas que frequentamos, na maioria das vezes essas simplesmente servem para formalizar o nosso nível de instrução familiar. Ser da Escola Portuguesa ou Americana não faz de ti um ser de respeito em relação a quem vem da Escola Primária de Namipope ou Manjacaze.

Muito triste acompanhar essa audiência pode muito bem o senhor Ndambi usar da prerrogativa da lei para se defender, porém não pode usar da mesma para destilar sua arrogância, prepotência, ódio, e orgulho desnecessário. Ele não é mais moçambicano que os demais, e os crimes que neste momento pesam sobre ele são do interesse da sociedade, assim sendo creio que deve respeito aos milhares de moçambicanos que neste momento o acompanham.

O tempo nos ensina sobre o benefícios da humildade, não se impõe respeito na base da prepotência, não se impõe superioridade na base da arrogância. O respeito e consideração são frutos de um relacionamento que se impõe na base de humildade e do reconhecimento do outro como seu ser semelhante.

O show de prepotência e de extrema arrogância que nos é brindada nessas audiências deve ser veementemente condenável, pois pode criar grandes males na educação que transmitimos as gerações vindouras. Todos arguidos causaram danos ao Estado e ao povo moçambicano, assim sendo no mínimo que sejam respeitosos.

Não esqueçam que neste momento quase que todas faixas etárias acompanham o curso do julgamento, e muitas expressões vão sendo transformadas em memes, e reencaminhadas em diversas plataformas, e a forma como o senhor Ndambi se comporta diante dos demais intervenientes desse processo pode futuramente se tornar num estilo de vida.

Está de parabéns o Meritíssimo, a aula de moral que com urbanidade e respeito transmite aos arguidos e a nação é de grande utilidade pública. Confesso que muito ensinamento esse processo deixa, não existe humilhação que perdura para sempre, a falta de respeito não legítima sua grandeza, e o boçalismo só desvenda o tipo de educação recebeste dos seus pais ou que estes não lhe concederam.

Podem ter roubado aos milhares de pobres, podem ter frustrado milhares de sonhos, podem ter bloqueado milhares de expetativas e projetos, porém alguma coisa irão aprender, que vossa prepotência, falta de educação, arrogância, malcriadez tem seus limites.

Podem até comer o dinheiro, mas a sociedade vos tem como seres abomináveis e acima de tudo ficam historicamente marcados como seres socialmente nefastos. A situação que hoje vivem ficará marcado para sempre e até aos vossos últimos dias no painel da vossa memória, não haverá champanhe, viagens a Dubai ou New York City, não haverá luxúria que devolverá a vossa dignidade e integridade moral.

Obrigado Meritíssimo, do senhor não cobraremos justiça alguma, nós somos vítimas da fraqueza institucional e do analfabetismo político e propositadamente suplantado na nossa sociedade. Porém tenhamos a certeza que não há sofrimento e subjugação que perdura para sempre, e muito menos paciência que resiste a tamanha humilhação institucional.

 Obrigado Meritíssimo, suas aulas em sede desse processo ficam gravadas para sempre. Continue pautando pela humildade mesmo sabendo que sua posição neste momento se sobrepõe a todos intervenientes desse processo, desde advogados, assistentes e até do Ministério Público.

(Por B. Viage in facebook)


sexta-feira, agosto 27, 2021

Zuma ou "Zupta"

Nenhum sobrenome ressoa tanto nos últimos dias na África do Sul como o dos Gupta, os multimilionários indianos amigos do presidente Jacob Zuma que fazem negócios com todos os setores da administração pública, recebem tratamento de chefes de Estado e se permitem inclusive oferecer postos de ministro.  Após anos de silêncio protetor, os testemunhos incriminadores sobre a relação de Zuma com os Gupta começam a fluir em cascata dentro do próprio partido governante, o Congresso Nacional Africano (CNA).

"Membros da família Gupta me ofereceram o cargo de ministro das Finanças", admitiu recentemente o vice-ministro de Finanças, Mcebisi Jonas, que teria substituído no posto seu então chefe, o ministro Nhlanhla Nene, destituído por opor-se ao projeto de energia nuclear do presidente.

Dias antes desta confissão, o jornal "Sunday Times" tinha informado com todo tipo de detalhes a oferta ministerial dos Gupta, que foi feita na presença do filho de Zuma, Duduzane (de pé na foto), sócio dos três irmãos indianos em várias empresas. Segundo o "Sunday Times", se Jonas aceitasse ser ministro, devia aprovar a construção de novos reatores nucleares e demitir quatro altos cargos da Tesouraria que se opuseram a um plano nuclear que, em sua opinião, deixaria a África do Sul às portas da falência. Os Gupta - que operam na África do Sul uma mina de urânio que poderia abastecer o projeto nuclear de Zuma - negaram estas informações, mas o coro de acusações não deixou de crescer nas últimas semanas.

A deputada do CNA, Vytjie Mentor (direita), denunciou que os Gupta lhe ofereceram o Ministério de Empresas Públicas em sua mansão de Saxonworld (Johanesburgo), onde também se encontrava Zuma - apelidado por alguns como "Zupta" - quando aconteceu a reunião. A condição neste caso era que cancelasse o voo da South African Airways (SAA) à Índia para repassar essa rota à empresa de aviação dos Gupta.

Além disso, Zola Tsotsi, ex-chefe da companhia elétrica nacional Eskom, assegurou recentemente que os Gupta lhe telefonaram dois meses depois de sua nomeação para dizer-lhe que se considerasse despedido por não "seguir o jogo".

"Fui forçado a renunciar pouco tempo depois", acrescentou.

Uma empresa adquirida agora pelos Gupta fornecerá o carvão para uma das centrais elétricas da Eskom, que, segundo veículos de comunicação locais, realizou várias manobras duvidosas para dar o contrato aos irmãos indianos, que também têm nacionalidade sul-africana.

A prova mais gráfica da influência de Ajay, Atul e Rajesh Gupta data de abril de 2013, quando um voo charter fretado pela família para trazer convidados ao casamento de um sobrinho aterrissou na base militar de Waterkloof (Pretória), de uso exclusivo para líderes estrangeiros. Após desembarcar, os passageiros percorreram por terra os 160 quilômetros que separam o aeroporto de Sun City, a "Las Vegas sul-africana", onde o casamento foi realizado. Fizeram isso com escolta policial, em um comboio de 13 automóveis anunciado por sirenes azuis que abria passagem a toda velocidade pela estrada entre o resto do tráfego. O presidente Zuma se esquivou então do escândalo alegando não ter ideia do ocorrido, pelo qual responderam vários funcionários de baixa categoria. Agora as coisas não serão tão fáceis para Zuma, uma vez que as vozes críticas soam cada vez com mais força dentro do partido e, com elas, os apelos ao CNA para que lhe retire o apoio e ponha fim a um mandato marcado pela corrupção e a estagnação econômica, e que poderia custar caro para legenda nas eleições presidenciais de 2019.

 

(Por Marcel Gascón)

26 MAR 2016 - 12H09

 

quinta-feira, agosto 26, 2021

Teo assume

O réu Teófilo Nhangumele confirmou ontem (25), em sede da 6ª Secção-Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, como sendo o estratega do projecto integrado de protecção da costa moçambicana que terá culminado com os empréstimos não declarados (vulgo dívidas ocultas) que lesaram o Estado moçambicano em 2.2 bilhões de dólares norte-americanos.

No seu depoimento, o réu explicou os passos por si dados na companhia do seu “amigo de longa data” e co-réu Cipriano Mutota, bem como toda a engenharia aplicada na concepção do ambicioso projecto de protecção da Zona Económica Exclusiva de Moçambique. No entanto, vinca que o seu projecto custava cerca de 350 milhões de dólares norte-americanos e não tem nada a ver com a empresa Ematum, uma das três empresas usadas para contractar nos bancos europeus Credit Suisse e VTB da Rússia empréstimos na ordem de 2.2 bilhões de usd com garantias do Estado. Disse que ficou surpreso quando ouviu, através da imprensa, falar de outros conceitos integrados na sua proposta inicial do projecto de Sistema de Monitoria e Protecção.

“Por livre iniciativa, eu e o Mutota começamos estudos para perceber como o sistema de protecção e monitoria da costa poderia servir para Moçambique. Participei do estudo e do projecto como consultor independente”, disse Nhangumele que também se orgulha por ter o domínio da língua inglesa e gestão de negócios.

De acordo com o réu, tudo começou quando ele participou de uma reunião no Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2011, a convite do co-réu Mutota, antigo oficial do SISE também delegado pelo seu superior hierárquico no SISE, o também co-réu Gregório Leão, para facilitar na comunicação em língua inglesa. Na aludida reunião, havia uma apresentação do Grupo libanês Abu Dhabi Mars, liderado por Jean Boustani, onde vários participantes não teriam percebido o conceito da proposta da empresa libanesa, tendo o réu mantido uma conversa, em privado, com os proponentes para perceber com exactidão do que se tratava. Depois de perceber a ideia da Abu Dhabi Mars, Nhangumele e Mutota iniciaram uma série de contactos com várias instituições ligadas ao mar, pesca, transportes e comunicações, entre outras, no sentido de reunir elementos para a composição de um projecto consistente.  Depois desse exercício, o trabalho foi entregue ao SISE que por sua vez agendou apresentações na Presidência da República, perante o antigo Chefe do Estado, Armando Guebuza, os ex-ministros da Defesa Nacional, Filipe Nyusi (actual Presidente da República), e das Finanças, Manuel Chang (detido na Africa do Sul), entre outros membros do Governo. Do encontro saíram recomendações para enriquecimento do mesmo projecto através de contribuições de mais sectores.

Segundo o réu, perante o cenário animador do acolhimento do projecto de protecção da Zona Económica Exclusiva, incitou vários contactos com a Privinvest, concretamente com Jean Boustani para apurar os equipamentos necessários para a concretização do mesmo, incluindo visitas aos estaleiros que produzem os materiais necessários. 

“A primeira proposta para a protecção da costa marítima tinha um custo de 302 milhões de USD. Era preciso adquirir satélites, meios aéreos para controlo e monitoria da costa, lanchas rápidas para serem colocadas nas bases navais e fragatas para transporte de militares e equipamento bélico, e um centro de comando e controlo com sistema de radares”, disse Nhangumele, em sede do tribunal. De acordo com o reu, o projecto inicial avaliado em 302 milhões de USD viu os seus custos dispararem com a integração de outros componentes não previstos, nomeadamente mudanças de marcas das aeronaves, e reabilitação de bases aéreas e ancoradores navais destruídas durante a guerra dos 16 anos. A audição do réu Nhangumele, que iniciou ontem (25) contínua quinta-feira na Cadeia de Máxima Segurança, vulgo “BO”, onde está instalada a tenda onde funciona o tribunal.

segunda-feira, agosto 23, 2021

Prazo de 72 horas

O Ministério Público acusou o advogado de António Carlos do Rosário, Alexandre Chivale, de ocupar um apartamento arrestado e gerir uma empresa que o arguido e o seu constituinte usam para lavar dinheiro. O juiz nada disse sobre a empresa, mas ordenou a Chivale para abandonar o apartamento de forma voluntária num prazo de 72 horas. Ainda nas questões prévias, um escândalo. Afinal, Alexandre Chivale não é só advogado de António Carlos do Rosário, no caso das Dívidas Ocultas, como também é gestor da empresa “Txopela”, alegadamente usada pelo seu constituinte para fazer lavagem de dinheiro.

“O ilustre advogado Alexandre Chivale é administrador da Txopela Investment, SA, empresa usada por aquele arguido para branquear capitais nos presentes autos, o mesmo é o mandatário judicial do arguido António Carlos do Rosário.  Na qualidade de administrador da Txopela, Alexandre Chivale ocupa uma das residências apreendidas no âmbito desses autos, quiçá de consciência tranquila, mesmo sabendo que a mesma foi adquirida através de fundos de proveniência criminosa. E, por um lado, na qualidade de administrador da Txopela Investment, SA, entidade confiada para guardar o imóvel em causa, Alexandre Chivale está obrigado a gerir o imóvel no interesse da entidade que lhe confiou. Por outro lado, ele, na qualidade de mandatário do arguido António Carlos do Rosário, tem que defender os interesses deste porquanto também é interessado no imóvel. Esta dupla qualidade gera um conflito de interesses que importa desde já ser resolvido”, disse a magistrada do Ministério Público, Ana Sheila Marrengula.

Por sua vez, Chivale justificou-se dizendo, “se eles escolheram a mim para ser administrador da empresa, eles podem explicar se forem perguntados, até é uma das questões que tínhamos colocado na altura. E, como administrador da Txopela, aproveito dizer que, até ontem, estava a tratar desses assuntos e outros ligados a esta empresa e outras que me foram obviamente confiadas. Um dos benefícios que foi dado a um dos apartamentos. E é preciso dizer aqui que estes apartamentos são pertença da “Txopela”, o Ministério Público acha que são do António Carlos do Rosário. Esta é a opinião do Ministério Público”. Para além do imóvel em que reside Alexandre Chivale, o Ministério Público fala ainda de um apartamento vendido pela empresa gerida por Chivale depois de ter sido arrestado pelo Tribunal.

O Juíz alérgico à corrupção

Herdar erros e gerir expectativas

João Ferreira que foi apelidado pelos munícipes de Chimoio de “Mandevu Manunure”, substantivo em língua Tewe, que em português significa “o barbudo salvador”, confiado como um dirigente que podia mudar a vida dos munícipes no que tange ao provimento de emprego aos jovens, melhoramento de vias acesso em toda urbe, recolha de lixo até as zonas periféricas entre outras promessas feitas durante a campanha eleitoral em 2018. Nota-se um pouco por todos munícipes de Chimoio, um elevado nível de insatisfação pelo actual edil desta urbe, pois este sentimento é notório até aos próprios funcionários do Conselho Municipal desta cidade, uma vez que esta direcção nada faz em benefício dos munícipes, facto que levanta inúmeras questões ao lema deste organismo que é: por uma melhor qualidade de vida para os munícipes de Chimoio. Aos olhos de muitos munícipes, o conselho municipal de Chimoio apenas reabilitou e construiu monumentos históricos, praças e algumas vias de acesso que são obras de oferta de empresariado local.

“Esse Ferreira dele só faz praças e fica por ai a desfilar na internet, nós vamos comer praça? Os nossos filhos vão trabalhar nessas praças? Onde está o verdadeiro trabalho que esse município está a fazer, que nos prometeu na campanha eleitoral? Quando é para ser votado até vem aqui no mercado ajoelhar”, disse Joana Joaquim, munícipe entrevistada pelo Zambeze.

“Nós até estamos com saudades de Conde, estávamos habituados pelo trabalho de nada que ele fazia, mas fazia alguma coisa visível, então nós não estamos a ver trabalho de Ferreira, eu pessoalmente me sinto burlado por esse presidente, nos ludibriou para depositar voto nele só”, afirma Mário João, munícipe de Chimoio. Falando em exclusivo ao semanário Zambeze, o académico e jornalista moçambicano, Nelson Benjamim, afirma que houve má gestão nas expectativas com a entrada da nova liderança na autarquia de Chimoio em 2019, porque os munícipes depositaram uma demasiada confiança na edilidade, mas no caso concreto, pouco trabalho se vê. “Aqui há um misto de sentimentos, é um meio de frustração e meio de satisfação, as pessoas depositaram uma confiança e tiveram uma expectative alta, mas vêem agora suas expectativas serem goradas apesar de que há realizações não podemos negar, mas as expectativas são goradas, o caso concreto é da erosão, parece não haver uma solução concreta por parte da edilidade, estamos a falar do bairro cinco, Nhamaonha entre outros, a edilidade não avança uma solução concreta”, disse Nelson Benjamim.

O académico avança que nota-se um aparente trabalho que vem sendo levado a cabo pela edilidade, mas no caso concreto de melhoria, pouco se faz, ademais, volvidos dois anos e meio de ciclo de governação, Chimoio não está num nível desejado se comparado com as promessas feitas durante a campanha eleitoral. “Pela cidade há muitas obras, há sempre lançamento das primeiras pedras, mas pouco são concluídas essas obras, nesses dois anos e meio, pouco se viu a inauguração de determinadas obras, a única coisa que pode-se ressalvar aqui foi com a celebração do dia 17 de Julho em que se teve a inauguração de uma e outra infra-estrutura, mas eu acredito que ainda há mais por fazer”, acrescenta a fonte.

Recorde-se que a edilidade adquiriu no mês de Dezembro do ano passado, um leque de equipamento composto por máquinas e camiões, components para constituir a empresa municipal, que iria responder as necessidades de outros municípios da província de Manica e zona centro do país, em termos de infra-estruturas, mas até ao momento não se sabe a real função deste equipamento considerado moderno e de ponta. “Não se percebe ate que ponto uma cidade como esta tem este equipamento, mas ate aqui diz-se que se aguarda pelos chineses para montage e entrada em funcionamento, enquanto não entra as pessoas vão vivendo piores cenários em determinados bairros ou seja as pessoas não conseguem chegar em suas residências em dias de chuva, mesmo tendo viatura, as pessoas ate deixam viaturas no centro da urbe por que eles não têm vias apropriadas ara chegar as suas residências”, disse Benjamim. 

Nelson Benjamim finaliza que outros desafios da edilidade é a falta da iluminação pública, pois o município deve firmar uma parceria com a EDM para ajudar a reduzir a criminalidade que ocorre na calada das noites, pois também o conflito de terra é outro problema que tende a se registar cada vez mais, pois na sua opinião, se deve combater este mal que pode se repercutir negativamente doravante.

O semanário Zambeze entrevistou outras figuras de relevo da cidade de Chimoio em Manica, como é o caso do analista social e arquitecto, Kelvin Uaila este que defende que o mandato do João Ferreira esta sendo um sucesso, acreditando que a imagem desta cidade está sendo elevada positivamente em tod aprovíncia, no pais e pelo mundo inteiro. “Temos agora vários serviços melhorados, vários mercados bem organizados, parques renovados, modernizados, o serviço de limpeza acho que melhorou. Vias rodoviárias no centro da cidade a ser melhoradas, contudo no centro da cidade muita coisa mudou para o melhor”, disse Kelvin Uaila.

A época chuvosa já se avizinha e, as vias de acesso ainda continuam esburacadas e lamacentas nos bairros, facto que leva a nossa fonte a desafiar a edilidade tomar em consideração este aspecto, “esse é um desafio forte mesmo do município, pois precisa ser muito flexível em resolver uma vez que só no centro da cidade de Chimoio é que tem ruas asfaltadas e pavimentadas”, finaliza o analista e arquitecto Kelvin Uaila. Outro aspecto que vai em contra mão com o programa de governação de João Ferreira, é a corrupção e extorsão perpetradas pelos agentes da polícia municipal nos mercados e aos moto-taxistas desta urbe, facto que cria revolta por parte desta camada social.

Esta segunda-feira, mais de 100 moto-taxistas amotinaram-se fronte ao edifício do conselho autárquico de Chimoio, em reivindicação da má actuação da polícia municipal, liderada por João Ferreira. “Apolícia municipal está a trabalhar de uma maneira muito ilegal, quando encontra mota parada, eles só chegam e tiram as chaves, e começam a pedir dinheiro que não consigo fazer de receita de um dia, caso contrario parqueiam a mota e passam uma multa de 2 a 4 mil meticais”, disse Zeca Pintos, moto-taxista de Chimoio. Depois de manifestação de transportadores semi-colectivos de passageiros ocorridos há um mês e meio em Chimoio, esta de moto-taxistas é a segunda em reivindicação da má actuação da polícia municipal na via pública deste território municipal.

 

sexta-feira, agosto 20, 2021

Cronologia de um país invadido

🔴1979 A URSS envia tropas para o Afeganistão a pedido do governo laico do Afeganistão. Os Estados Unidos da América financiam e fornecem armas aos guerrilheiros islâmicos (mujahedin), entre eles Osama bin Laden, que combatem o governo de Cabul.

🔴1996 - Março  Osama Bin Laden, na altura líder da organização terrorista Al-Qaeda e financiador dos talibãs, é oferecido de bandeja aos EUA pelo governo do Sudão (onde se encontrava a dirigir a organização terrorista) , como forma de melhorar o mau relacionamento entre os países. Bill Clinton recusa a extradição de Bin Laden.

🔴1996 – Setembro Os talibãs, herdeiros dos movimentos apoiados pelos EUA na luta contra as forças laicas no Afeganistão, conquistam o poder e instauram um Emirado Islâmico no país.

🔴 1998 - 7 de Agosto As embaixadas dos EUA no Quénia e Tanzânia são atacadas pela Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica fundada por vários ex-militares da guerra no Afeganistão.

🔴1998 -  20 de Agosto A marinha americana bombardeia os campos de treino da Al-Qaeda no Afeganistão e destrói uma fábrica farmacêutica no Sudão sob a suspeita do fabrico de armas químicas, que nunca se confirmou. O proprietário da fábrica pediu uma indemnização aos EUA pelo prejuízo causado.

🔴 O ATAQUE DA AL-QAEDA:

11 Setembro 2001 Dois aviões de passageiros embatem nos edifícios do World Trade Center. Um terceiro avião despenha-se sobre o Pentágono e um quarto cai em Somerset Country. A Al-Qaeda reivindicou os ataques e Osama Bin Laden é apontado como o principal responsável pelos atentados.

🔴15 setembro 2001 "Estamos em guerra", declarou George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, afirmando que o conflito "não será curto", nem fácil.

🔴16 setembro 2001 O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, declara "guerra ao terrorismo", entrando numa maratona diplomática para reunir consenso em torno de uma intervenção militar no Afeganistão.

🔴A INVASÃO DOS EUA E DA NATO

19 Setembro 2001 Centenas de aviões de guerra norte-americanos dirigem-se para bases estrangeiras no Médio Oriente e Ásia Central. Na presidência há menos de um ano, a popularidade de Bush sobe para 90%.

🔴 3 Outubro 2001 A NATO ativa, pela primeira vez em 52 anos, a cláusula de defesa mútua prevista no tratado fundador, adoptando oito medidas para ajudar os EUA.

🔴 19 Outubro 2001  No Conselho Europeu, os líderes reafirmam “o mais firme apoio às operações militares” no Afeganistão.

🔴 20 ANOS DE OCUPAÇÃO AMERICANA NO AFEGANISTÃO: 2001-2021

2009 Barack Obama, recém eleito presidente dos EUA, reforça o contigente militar norte-americano no Afeganistão para combater o ressurgimento dos talibãs e da Al-Qaeda.

🔴 2011 Patrocinado pela ONU, o Acordo de Bonn une as facções afegãs num governo interino liderado por Hamid Karzai. Os EUA declaram encerrado o reinado talibã e entra em vigor a ISAF - Força Internacional de Assistência para Segurança (força internacional da Nato).

🔴2020 A administração Trump e os talibãs assinam um acordo para a saída das tropas norte-americanas até 1 de maio de 2021.



🔴 A ACTUALIDADE:

Abril 2021 A 14 de abril, Joe Biden, recém eleito presidente dos EUA, anuncia a retirada total das tropas norte-americanas até 11 de setembro. Na última semana de junho, acelerou o processo. Os outros países da NATO, Portugal incluído, seguiram o exemplo.

🔴 Agosto 2021 Depois de um rápido avanço na conquista de muitas províncias do Afeganistão, os talibãs conquistam Cabul, a capital afegã.

A política imperialista dos EUA enfraqueceu as forças laicas do Afeganistão e permitiu o triunfo dos talibãs Durante os 20 anos de ocupação, o Governo português enviou 4500 soldados para apoiarem o contigente americano.

APRENDER COM OS ERROS

O regresso dos talibãs demonstra a enorme irresponsabilidade que foi a invasão e ocupação do Afeganistão;

A invasão ajudou à exaltação do terrorismo em largas partes do mundo;

Nunca são invasores estrangeiros a impor a democracia num país.

Devemos procurar formas de apoiar o povo afegão sem acrescentar problemas e violência às suas enormes dificuldades: apoiar organizações, acolher pessoas refugiadas.

Palavras para Quê...?

Um bebé é entregue a um militar norte-americano no aeroporto de Cabul para que seja levado para um lugar seguro. O desespero para fugir do regime talibã no Afeganistão é tão grande que crianças são transportadas de mão em mão, pelo meio da multidão que se amontoa no exterior do aeroporto.

quinta-feira, agosto 19, 2021

Irmãs Ursulinas

Teve lugar no passado domingo, 15 de agosto, na Arquidiocese da Beira a profissão perpétua da primeira moçambicana das Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Maria, sinal da encarnação do carisma em África.

A Congregação das Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Maria foi criada na Itália no ano de 1900, e as primeiras Irmãs chegaram a África, concretamente em Moçambique, no ano de 2000. No passado dia 15 de agosto a Congregação ouviu o Sim definitivo da primeira religiosa Africana, por sinal Moçambicana, através da profissão perpétua da Ir. Fátima Amélia Gonzaga cuja vocação nasceu na cidade da Beira, no Centro de Moçambique.

A cerimónia que foi bastante restrita devido à pandemia do coronavírus, foi presidida por Dom Cláudio Dalla Zuanna, Arcebispo da Beira, no Centro de Nazaré, Cidade da Beira, e contou com a presença da Madre Geral das Ursulinas, a Irmã Maria Luísa Bertuzzo, outros membros da Congregação e alguns familiares. No fim da cerimónia a Ir. Maria Bertuzzo, explicou à Emissora Católica da Beira, que o evento constituía a realização do desejo da fundadora da Congregação, a Madre Giovanna Meneghini, representando assim a encarnação do carisma em África:

“Esta festa ou este evento da profissão perpétua da irmã Fátima Gonzaga é particularmente importante porque é a primeira irmã Moçambicana, a nossa Fundadora a Madre Giovana Menegrine desejava ter um coração tão grande capaz de abraçar todo mundo, e com este evento vemos realizado o desejo da Madre Giovana no continente Africano, portanto este sim definitivo da Irmã Fátima é uma encarnação realizada em Moçambique, não somente com religiosas italianas mas o começo com presenças locais”.

Alegria e gratidão caracterizavam aquela que entra na história das Ursulinas do Sagrado Coração de Maria em África, a Ir. Fátima Gonzaga justifica o mesmo recordando o lema da profissão dos seus votos extraído do Evangelho de Lucas “A minha alma glorifica o Senhor”.

Ciente da realidade que se vive em Moçambique, relativamente à situação do terrorismo em Cabo Delgado, no norte do País, e a Covid-19, a Irmã Fátima encorajou os jovens a acreditarem que dias melhores virão. Actualmente estão no País cerca de 7 religiosas Ursulinas do Sagrado Coração de Maria, divididas em duas Comunidades (Dondo e Beira), na sua actividade pastoral estas auxiliam na área da educação através de várias ações que tem em vista a promoção e empoderamento das mulheres. De referir que a Irmã Fátima Amélia Gonzaga iniciou o seu processo formativo em 2011, tendo professado seus primeiros votos em 2014, durante o seu percurso formativo trabalhou como enfermeira no centro de saúde de Mafambisse, na região centro de Moçambique.