sábado, setembro 10, 2011

Arranha-céus de Maputo encravado

O projecto de construção do prédio mais alto de Moçambique, na zona baixa da cidade de Maputo, está encravado. Em causa está o cepticismo das instituições financeiras em libertar fundos para um projecto de viabilidade duvidosa. No entanto, Archer da Cunha, director do projecto, recusa em falar em fracasso. Diz que são constrangimentos próprios para um empreendimento daquela envergadura. Garante que num futuro próximo as obras vão arrancar. O edifício foi concebido para 47 andares, numa área de cerca 90.000 m2. O prazo inicialmente programado para a construção do edifício era de 36 meses.No meio de muita pompa e perante altas individualidades da nação e do município de Maputo, a direcção executiva da Green Point Group, firma de capitais israelitas e moçambicanos, anunciou em Agosto de 2010, a construção de um arranha céus na zona baixa da capital moçambicana.O ponto mais alto da popularização deste projecto foi o lançamento da primeira. A cerimónia foi encabeçada por Paulo Zucula, ministro dos Transportes e Comunicações e contou também com a presença do presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simango. Denominado “Maputo Business Tower”, os mentores da iniciativa disseram no acto do lançamento que o edifício constituiria mais um símbolo de desenvolvimento nacional e que seria um ponto de convergência para os homens de negócio, turistas e cidadão comum. Por seu turno, Paulo Zucula afirmou que o prédio mostrava que o país está no caminho certo e simbolizava o desenvolvimento de infra-estruturas que está a ter lugar em Moçambique enquanto que David Simango disse que o “ Maputo Business Tower” seria mais uma oportunidade para que os visitantes da cidade possam beneficiar de diversificados serviços que aqui serão disponibilizados. Porém, um ano depois do lançamento da primeira pedra nada de concreto é visível. O capim tomou conta do local onde devia nascer o prédio mais alto do país.O que se vê dia após dia é a desmontagem do pouco equipamento que o empreiteiro já tinha começado a mobilizar. A própria vedação do local onde seria erguido o empreendimento também está a desaparecer. O edifício é fruto de uma parceria firmada em Abril de 2009 entre Green Point Group e a empresa pública Correios de Moçambique. Os dois detêm 50% do “Maputo Business Tower”. O edifício será construído num local vago entre o edifício central dos Correios de Moçambique e a Biblioteca Nacional, na Avenida 25 de Setembro. Terá cinco andares para parque de estacionamento, 32 para escritórios e os restantes serão preenchidos por shoppings. No topo do prédio haverá um heliporto. Na altura do lançamento a Green Point disse que contava com fundos próprios e outra parte viria de empréstimos bancários já acordados.
Sabe-se que a maior parte do bolo viria do financiamento bancário visto que, o sector imobiliário tem sido uma das áreas onde a banca deposita o seu capital devido aos altos níveis de rentabilidade. Contudo, quando tudo indicava que o projecto tinha “pés para andar” eis que as instituições financeiras recuaram. Acontece quealguns bancos e outros investidores recuaram quando se aperceberam que nenhuma figura relevante da nomenklatura estava ligado ao projecto.Archer da Cunha, director executivo da Green Point Group, negou que o seu projecto esteja a fracassar. Porém, reconheceu que o mesmo está bastante atrasado devido à dificuldade de financiamento.Aponta a crise económica que abalou o mundo e que indirectamente terá afectado o sistema financeiro moçambicano.“Quando idealizámos o projecto contávamos com o financiamento bancário. Aliás, um empreendimento deste nível dificilmente pode avançar sem parcerias bancárias, são mais de 100 milhões de dólares norte-americanos em jogo”, disse Archer da Cunha para depois referir que contra todas as expectativas os bancos tiveram dificuldades de libertar os fundos.Sublinhou que quando lançou a primeira pedra a intenção era de mostrar aos principais parceiros que a iniciativa era sólida. Entende Archer que ainda reina o domínio de espírito de pessimismo no seio de muitas correntes do meio financeiro moçambicano.“Veja que quando lançámos a primeira pedra fomos interpelados por pessoas provenientes das esferas políticas, económica incluindo algumas instituições financeiras a quererem saber quem eram os verdadeiros mentores do projecto. Respondémos que é um grupo de pessoas com uma visão futurista sem suporte de nenhuma influência política partidária”, disse acrescentando: “sempre que nos referíssemos sobre quem eram aos sócios do projecto, o cepticismo predominou, até das instituições financeiras”.Mesmo com estas objecções, Archer da Costa promete que o projecto vai arrancar num futuro muito breve.Nesta primeira fase as obras serão totalmente financiadas pelos mentores do projecto. O predio mais alto data da decada de setenta e tem 33 andares.

No bastidor dos nossos hospitais

As pessoas que normalmente recorrem aos centros hospitalares para atendimento médico, divergem quanto à qualidade dos serviços prestados nas áreas administrativas de Maputo e Matola. A diferença reside, fundamente, no que toca ao relacionamento com o pessoal auxiliar, por não serem “simpáticos” na forma como abordam os doentes e/ou seus acompanhantes. No bairro da Matola, falámos com três utentes, que foram unânimes nas acusações contra o pessoal auxiliar que, dizem, acabam assumindo todo o protagonismo num estabelecimento hospitalar. A razão é simples. São eles que fazem a ponte entre o doente e o médico. Daí que lhe cabe o direito (?) de escolher quem avança ou deixa de avançar para o gabinete de atendimento. No hospital situado na Matola, as pessoas com quem falámos acrescentam que outros funcionários de apoio têm, igualmente, “peso” na entidade. Eles garantem que tudo esteja em ordem e, mais do que isso, tratam de deixar tudo em ordem. Por isso, diz-nos um dos interlocutores, “eles se acham no direito de proferirem insultos às pessoas”. Esta situação acontece, em muitos casos, porque os utentes não conhecem as normas que regem um centro hospitalar. “Muitos consideram que, o facto de alguém estar a trabalhar num hospital lhe assiste o direito de andar a insultar ou a não ter de prestar contas aos doentes e seus acompanhantes”, desabafa Auxílio Zandamela.Este cenário é contrariado no gabinete médico. Regra geral, de acordo com as várias pessoas com quem conversámos, os médicos são mais simpáticos “e parecem dominar a área em que estão metidos”, procurando dominar ao pormenor eventuais sintomas num paciente. Para Álvaro João, os médicos não têm, sequer, tempo suficiente para estar com um doente, muitas vezes porque pressionados “pela presença, lá fora, de muita gente à espera de ser atendida”. Álvaro João afirma que a qualidade no atendimento é boa do ponto de vista médico, mas deixando muito a desejar quando a questão envolve o pessoal auxiliar. “São pessoas de quem duvido da sua formação profissional ou complementar, a avaliar pelo comportamento que têm demonstrado” tanto no hospital da Matola, como noutros onde Álvaro João tem frequentado. Já no Hospital José Macamo, quatro utentes dão nota negativa ao pessoal de apoio, mas também aos médicos e enfermeiros estagiários. Mário de Deus: “tanto faz. Às vezes são os funcionários de apoio que se comportam mal com os doentes e seus acompanhantes, enquanto noutras situações estes são mais simpáticos e os médicos cínicos”, sobretudo para os estagiários. Para ser preciso, Cacilda Banze acrescenta: “os médicos e enfermeiros estagiários costumam se enervar quando se fazem perguntas cujas respostas não conhecem. Eles se irritam quanto estão diante de um paciente que, por ter passado de vários médicos, começa a fazer observações pontuais”. Seja como fôr, de acordo com Cacilda João, há um enorme esforço no sentido de todo o pessoal que se encontra num determinado hospital, mudar de postura para melhor. No Hospital Central de Maputo a situação é mais delicada, uma vez que C. J. Fonseca, acompanhante, denuncia certos comportamentos que têm acontecido durante a noite nas salas de enternamento. “Já assistí uma enfermeira que se apresentou em estado de embriaguez” e os utentes mais antigos a confirmar tratar-se de um acto normal. C. J. Fonseca denuncia ainda a má prestação de serviço à noite, nas enfermarias. “Fazem-se negociatas, porque a funcionária trouxe de casa roupinhas para criançase as apresenta às mães ou acompanhantes destas”, anota C. J. Fonseca, a mesma que afirma nunca ter comprador tais roupinhas, apesar de já ter desconfiado represáliapor causa dessa atitude. Para finalizar: “dependendo do estado de espírito que nesse momento estiver o funcionário, tanto podemos gozar de um excelente atendimento, como do pior”. Margarida Tembe acha, por seu turno, que numa sociedade repleta de problemas derivados do elevado custo de vida, “é compreensível que os funcionários hospitalares também estejam afectados por isso”, uma vez que não estão isentos de dificuldades do dia-a-dia. Mas, acrescenta, porque “são pessoas que elegeram uma profissão delicada como a da medicina, precisam ser indivíduos especiais quando atendem os doentes e seus acompanhantes”, sublinha Margarida Tembe. Num outro desenvolvimento, Margarida Tembe afirma, todavia, existirem funcionários dotados de muita paciência no trato dos utentes, e reconhece que “também existem utentes que têm o hábito das provocações,acabando por complicar toda a prestação dos funcionários”. Na Clínica Especial do Hospital Central de Maputo, as duas pessoas com quem falámos dizem-se contentes pela prestação que têm estado a receber, e justificam isso com o facto de estarem a “pagar muito caro”. Não “Pagámos muito dinheiro para depois sermos mal atendidos…”, destaca um deles.( A.Cuna)

Da Pérola do Índico

O governo moçambicano demonstrou interesse na aquisição dos autocarros eléctricos produzidos pela CaetanoBus e poderá visitar Portugal até ao final do ano, disse o ministro da Economia luso, Álvaro Santos Pereira. Numa declaração feita quinta-feira numa cerimónia de início dos testes do autocarro eléctrico desenvolvido pela empresa, Álvaro Santos Pereira salientou que em Moçambique, a primeira linha regular de autocarros eléctricos vai ser composta por autocarros portugueses, o que 'deve ser um orgulho'.

Piratas somalis libertaram na terça-feira o navio “MV PANAMÁ” depois de receber um resgate de 7 milhões de dólares norte-americanos, segundo noticia a “Voz da Rússia, citando um dos piratas, que se identificou como Dadi. Dadi declarou que a tripulação está livre e que o navio já deixou as águas da Somália. Não há nenhumas informações sobre o estado de saúde dos marinheiros libertados. O “MV PANAMÁ”, que tinha como destino o porto moçambicano da Beira, foi capturada no passado dia 10 de Dezembro por um grupo de cinco piratas somalis, que se fazia transportar em duas lanchas rápidas, ao largo da costa tanzaniana junto à fronteira com Moçambique. Quando ocorreu o ataque, o navio, havia zarpado do porto de Dar-es-Salaam.

O actual secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique, MDM, poderá ser candidato a presidente do município de Quelimane, nas eleições intercalares agendadas para 7 de Dezembro próximo.Segundo escreve o semanário Savana, outro nome que se apresenta como “candidato de consenso das bases do MDM”, é o antigo presidente municipal de Quelimane pelo partido Frelimo, Pio Matos, que renunciou recentemente ao cargo, juntamente com seus homólogos de Pemba e Cuamba, no norte do pais.O “Savana” escreve que quadros do partido dirigido pelo edil da cidade central da Beira, Daviz Simango, desconhecendo o impedimento legal que impede Pio Matos de se candidatar a presidente de município nos próximos cinco anos devido à sua renúncia, estariam a tentar persuadi-lo a assim o fazer pela legenda do MDM.

O Grupo Sanlam, Ltd., uma das maiores companhias de seguros da África do Sul, está a analisar a entrada no mercado de Moçambique até ao final do ano, informou a companhia em comunicado esta semana divulgado na cidade do Cabo. A agência Macauhub cita o grupo como tendo também investido 1900 milhões de randes (266 milhões de dólares) na aquisição de uma participação de 26 por cento na empresa indiana Shriram Capital.

Onze mortos, quatro feridos, um dos quais em estado grave, é o balanço de um grave acidente de viação registado na manhã de sexta-feira na Estrada Nacional Número 1, no percurso em que se estende a localidade de Chongoene, provincia meridional mocambicana de Gaza.As autoridades policias presumem que os mortos, que viajavam numa carrinha Isuzu KB, sejam membros de uma mesma família.Dados disponíveis referem que dada a brutalidade com que se deu a colisão entre os veículos nove das vítimas tiveram morte no local do sinistro e as outras duas viriam a perder a vida a caminho do Hospital Provincial de Xai-Xai, unidade sanitária para onde foram encaminhados os feridos.

A União Europeia (EU) vai disponibilizar cerca de cinco milhões de Euros (188.4 milhões de meticais) para apoiar o sector privado moçambicano a melhorar a sua competitividade no mercado internacional nos próximos três anos.De acordo com Sylvie Tabesse, Primeira Conselheira da delegação da União Europeia em Moçambique, os valores ainda carecem de aprovação dos Estados membros daquela comunidade.Tabesse disse que o financiamento ao sector privado constitui a continuação do projecto de apoio ao ambiente de negócios e facilitação do comércio em curso no país.

As autoridades sanitárias da cidade de Maputo vão levar a cabo uma campanha de tratamento massivo de bilharziose, uma doença ainda comum em Moçambique, contando agora com uma taxa de prevalência de 43 por cento.Com efeito, a campanha a ser realizada pela Direcção de Saúde da Cidade de Maputo na próxima semana, prevê alcançar cerca de 264 mil crianças de 5 a 15 anos de idade, grupo que corre maior risco de contaminação por esta doença.

Quando o "lucro" supera o desporto

De alguns anos a esta parte, sobretudo agora que estamos a acolher os X Jogos Africanos cuja boa organização está catapultar o país a fama ainda que no meio de tanta má fama que, infelizmente afecta o grosso dos outros países africanos, tenho estado a meditar profundamente para entender porque é que agora já não temos jovens desportistas tão bons como foram os astros do passado, como foi o Matateu, Eusébio, Coluna e muitos outros de ambos os sexos que nos alegraram nos estádios e outros recintos desportivos e que colocavam ou projectavam o nome do País além fronteiras. Como jornalista, mas não perito em futebol como em todo o tipo de desportos, optei mais por perguntar aos que são mais dados à actividade desportiva, principalmente o chamado desporto-rei que, para mim, é o que mais galvaniza as massas e projecta um país do anonimato ao estrelato. Confesso que todas as respostas que obtive quase nenhuma delas me satisfazia, não tanto por não entender de futebol ou desporto, mas porque há respostas que mesmo que sejamos leigos em algo, nos caem logo ao ouvido como manteiga em pedra. Simplesmente não cola. Entre os entendidos, uns disseram-me, por exemplo, que o nosso futebol é mau porque não temos bons treinadores ou porque os que contratamos não dariam sequer para ser apanha-bolas, outros disseram que os nossos atletas comem muito mal e que por isso são frágeis. Os outros afirmaram que tudo se devia ao facto de não haver boas bolas e muito menos suficientes.... em fim, apontaram várias razões, mas não davam para eu fazer uma notícia que fosse de facto notícia. Não colavam porque Eusébio quando foi descoberto a jogar não estava a jogar uma bola de ouro mas sim de trapos, e comia tão mal quanto come a maioria dos jovens da presente geração. Moçambique continua a produzir, ou melhor, a ter potenciais talentos tanto para brilhar nos campos de futebol caso tivessem oportunidade de lá jogarem e serem descobertos e trabalhados, como aconteceria com nas outras modalidades desportivas, como é o basquetebol feminino, onde tivemos no passado grandes estrelas e que ainda hoje nos soam ao ouvido os seus nomes, entre elas Esperança Sambo, Aurélia Manave, Marta Manjate e Telma Manjate. No meu entender, o maior e quase único problema nosso reside no facto de não criamos condições e, acima de tudo, oportunidades para que esses potenciais talentos se revelem ainda pequenos à luz do Sol e da Noite, e sejam identificados pelos peritos, como aconteceu com Eusébio que foi visto a brilhar no campo pelado do seu bairro, na Mafala, na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo. Foi daqui que viria a ser integrado em grandes equipas e mais tarde levado ao Benfica de Portugal, onde além de se tornar no “Pantera Negra” e legendário está a ser imortalizado agora em todo o mundo, como se fez há uma semana com a inauguração de mais uma estátua sua homenagem no México. Na verdade, há por este país tantas crianças e jovens que nascem predestinadas a serem craques de eleição no futebol, mas que não têm tido oportunidade de se revelarem nos campos, porque não têm o campo em que pessoas como Eusébio tiveram no seu tempo. Aquele campo foi assaltado pelos praticantes do comércio informal o que faz com que os jovens de hoje fiquem mais tempo empoleirados em murros em conversas sem valor construtivo e nalguns casos degenerando para o mundo da droga. Enquanto esta realidade não mudar, eles nunca terão a oportunidade de mostrar que os seus pés nasceram para marcar muitos e grandes golos. De facto, sempre acreditei que esta é e continuará a ser a principal causa da situação em se encontra o nosso viveiro de produção de bons desportistas, como se tivesse secado em definitivo e, por consequência, já não está a produzir mais estrelas de futebol. Enquanto cogitava para escrever este artigo, dei conta um dia desses que a grande e credível rádio britânica, BBC, estava a fazer uma reportagem sobre a cultura de futebol no Brasil, na tentativa de desvendar a razão que faz com que aquele país esteja a produzir sempre grandes futebolistas, cuja lista é encabeçada pelo Rei Pelé.A mesma lista de astros aumenta, a cada ano que passa, mais um ou alguns para serem incluídos como se fosse mais um elemento na Tabela Periódica de Mendelev. De tudo que se disse ou foi dito à BBC como razão de fundo para que aquele país irmão tenha sempre grandes talentos nas suas equipas e, por inerência, na sua selecção nacional, é que a prática de futebol é feita em todo o sítio onde há gente a viver – isto é, cada bairro tem a sua equipa de futebol para defrontar a de outro(s) bairro(s), incluindo de crianças e de sub 20´s dos seniores. Tais equipas fazem os respectivos campeonatos locais, em paralelo com as das outras divisões administrativas do país, até chegar ao nível do país que é campeonato nacional que é disputado pelas equipas regionais que comprazem o tipo do nosso Moçambola. Quando a BBC fazia esta explicação, fui me recordando do que vi lá das vezes que estive de visita ao Brasil. De facto, o futebol no Brasil há um verdadeiro movimento futebolístico, porque é praticado em todo o sítio onde vivem ou há pessoas, como na praia, onde geralmente fica prenhe de gente de todas as idades quase peladas. Para além deste movimento, digamos assim, desusado de futebolismo, o que ajuda o Brasil a moldar, ainda pequenos, os seus talentos de palmo e meio que vão sendo descobertos nos campos dos bairros e outras zonas habitacionais são as incontáveis escolas de futebol, que criam quase na mesma proporção numérica que as formais, onde também a prática de desporto é uma outra religião.A realidade brasileira levou-me de volta recordativa, por assim dizer, ao que costumava ver também na Grã-Bretanha, onde vivi por um bom par de anos. Aqui também há campeonatos de todas as dimensões, desde os de bairro até ao nacional que envolve as grandes equipas de que aqui em Moçambique muitos de nós somos muitos fãs. Na verdade, o maior viveiro das grandes equipas britânicas como o Machester e o Arsenal são os jogadores descobertos a jogar nas equipas pequenas dos numerosos bairros do país. Na Grã-Bretanha cada bairro tem uma equipa sua com o nome desse bairro como o de Leyton onde eu vivia, para jogar em todos os fins-de-semana com a de um outro bairro, tal como acontece com as grandes equipas. Isto quer dizer que os fãs de futebol britânico têm quase sempre, pelo menos duas equipas pelas quais torcer em cada fim-de-semana – sendo uma do seu bairro, e outra a de nível nacional e finalmente a equipa de todos eles, que é a selecção nacional. Regra geral, a segunda equipa dos britânicos é normalmente aquela que tem um ou mais jogadores que saíram da sua equipa local ou da zona em que vive.Uma vez chegado aqui, creio que no dia em que tivermos equipas de futebol e de outras modalidades em todos os nossos bairros, então estaremos em condições de descobrirmos vários outros Matateus, Colunas e Eusebios que agora não se podem revelar porque a maioria das nossas crianças e jovens não tem uma oportunidade de mostrarem que nasceram para serem grandes desportitas. Para mim o BEBEC foi uma boa experiência que devia ser reactiva e replicada pelo país todo. Quem negar a minha acepção em relação a abundância de talentos que não os podemos ver porque só podemos vê-los se jogarem, estará a negar o inegável, porque está provado que quando não se tem uma oportunidade de se fazer algo, não há como provar que alguém em bom nisto ou naquilo. Aliás, se a Lurdes Mutola não tivesse estado a jogar à bola e fosse vista pelo nosso poeta-mor, José Craveirinha, o seu talento não teria sido visto e nunca teria sido várias vezes campeã mundial. Se Samora Machel não tivesse tido a oportunidade de ir se integrar na Frelimo, e lutar pela independência moçambicana, nunca se teria revelado um grande líder que foi e ainda hoje nos lidera com os seus sábios ideiais. Se quisermos ter mais Eusebios, temos de criar condições e oportunidades para que todos os nossas crianças e jovens que têm vocação para chutar a bola o façam num local apropriado, e não na rua como acontece agora, porque todos os espaços que servira para se jogar, foram transformados em mercados informais, bombas de combustível ou na pior das hipóteses foram construídas barracas.(Gustavo Mavie)

Acarinhemos a paz!

A Presidente a Assembleia da República (AR), Verónica Macamo, defendeu que o povo moçambicano tem de saber viver em democracia, acarinhando a paz condição suficiente para que o país possa marchar para frente rumo ao desenvolvimento e criação do bem-estar de todos.A Presidente do parlamento moçambicano respondia, deste modo, às denúncias da população de Eleve, posto Administrativo de Nauela, no distrito de Alto Molocue, a norte da província central da Zambézia, segundo as quais alguns partidos da oposição têm estado a obrigar as pessoas para se alistarem nestas forcas politicas alegando que vão ganhar as próximas eleições.“Ninguém é obrigado a filiar-se a um partido político sem sua vontade. A filiação partidária é livre e voluntária. Ademais, não há nenhuma força política que vai aceder ao poder sem passar pelas eleições”, explicou a Presidente, apelando a população a denunciar toda e qualquer pessoa que usa da força ou ameaça para obrigar a quem quer que seja a aderir a um recenseamento ou a filiação ao um certo partido. A visita da Presidente do parlamento, segundo informações de uma fonte da AR , tem em vista conhecer mais profundamente a vida das populações locais, inteirar-se dos principais avanços e descontinuidades no combate à pobreza no país e perceber os problemas ou dificuldades que enfrentam no seu dia-a-dia.No comício, a população do povoado de Eleve pediu a intervenção da Presidente da AR para fazer advocacia junto do Governo moçambicano com vista a abertura de mais furos de água para a população, afectação de um enfermeiro, bem como a extensão da rede sanitária naquele ponto do país e a alocação de uma motobomba para a irrigação dos campos de cultivo.“Aqui em Eleve temos problemas sérios de falta de água. Os rios correm em todas as estações do ano, mas, com a erosão, os rios estão a alta profundidade, o que nos torna difícil criar diques para a irrigação das nossas machambas, bem como para abertura de furos de água para o consumo”, afirmou Tomas Manguana que apresentou a mensagem em representação da população de Eleve.
Ainda segundo este cidadão, a localidade conta, neste momento, com uma escola primária do primeiro grau, contudo “quando os nossos filhos concluem este nível tem poucas possibilidades de continuar porque, para se ter acesso a escola primaria do segundo grau ou secundária é preciso andar longas distâncias”. Na ocasião, a população pediu a reabilitação do posto de saúde local que se encontra em condições precárias, bem como chapas de zinco para a cobertura das salas de aulas da escola primária ali existente e a instalação de uma maternidade.Devido a falta de maternidade, segundo Manguana, há algumas mulheres do povoado de Eleve que acabam dando parto a caminho do posto médico, outras em casa, ou morrem pelo caminho por falta de uma ambulância-bicicleta para facilitar a evacuação dos doentes ou mulheres em estado de gravidez.Dos problemas e pedidos feitos à Presidente da Assembleia da República constam ainda a necessidade de instalação de sinal de Televisão, de linha de enérgica eléctrica e a construção de 'pontecas” de betão para facilitar o acesso de viaturas ao povoado.“Por isso saudamos a visita da Presidente da Assembleia da República a Eleve. Primeiro porque é uma oportunidade para conhece-la, segundo, como presidente do mais alto órgão legislativo nacional achamos que é a pessoa certa para levar os nossos problemas junto ao Governo para que se encontre uma solução que contribua para o desenvolvimento de Eleve”, disse. “Com efeito, temos que ver quais são os problemas que podem ser sanados a nível do Distrito ou de Província e os que necessitam de uma intervenção do Governo central. Mesmo assim, ouvimos tudo e tudo faremos para que estes problemas sejam, de alguma forma, minimizados”, disse a Presidente da AR, salientando que a sua visita visava fundamentalmente fazer este diagnóstico para não só conhecer melhor os distritos mas, sobretudo, para compreender as suas principiais dificuldades.“Achamos que é importante que este povoado tenha transporte, o que vai contribuir para o desenvolvimento da zona, uma ambulância-bicicleta para minorar o sofrimento dos doentes bem como motobomba para a irrigação das suas machambas, o que contribuirá para o aumento da produção e da produtividade e reduzir a pobreza das populações”, afirmou.A presidente sensibilizou ainda a população a gostar, cada vez mais, do meio ambiente, incentivando para a necessidade de preservação das riquezas florestais. Para simbolizar esse desejo, Macamo plantou uma árvore no Posto Administrativo de Nauela e em Alto Ligonha. Eleve é uma localidade com cerca de seis mil habitantes e dista a cerca de 80 quilómetros da vila-sede do distrito de Alto-Molócuè, e a cerca de 300 quilómetros da Cidade de Quelimane, capital da província.

Virgem encanta italianos

O cônsul da Itália em Moçambique para região do Milão, Simone Santi, prometeu investimentos do empresariado daquela região mais industrializada da Itália na província do Niassa, em projectos turísticos e de agricultura que podem totalizar 11 milhões de euros. O diplomata italiano, que falava ao Canalmoz durante a 47ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), terminada em Marracuene, disse que deste valor 9 milhões de euros serão empregues no sector da Agricultura, mais concretamente na produção agrícola e de transformação. Os restantes 2 milhões de euros serão empregues na construção de estâncias turísticas ao redor do lago Niassa.“O lago Niassa é um dos mais lindos do mundo e é imperioso que haja investidores. No Niassa existem potencialidades agrícolas, recursos energéticos renováveis. Niassa possui uma potencialidade enorme de recursos adormecidos”, disse.Santi, que nos últimos tempos tem vindo a trabalhar naquele ponto do país, explicou que o lago Niassa, pelo ecossistema do declive do lado moçambicano, apresenta uma espécie de peixe de ornamentação, facto que não acontece do lado do Malawi onde o lago é navegável.O director provincial do Turismo do Niassa, Eusébio Dimitique, disse, por sua vez, que com aprovação pelo Conselho de Ministros da Reserva Parcial do Niassa, foi criada uma frente para parar com pesca artesanal ilegal no local.“Com a criação da reserva por lei, temos uma entidade legal. Estamos a trabalhar com a Tanzania e Malawi que também são banhados pelo lago. Temos 42 fiscais para a reserva do lago, vamos aumentar com fiscais comunitários para combater a pesca ilegal”, disse, acrescentando que existem 18 comités de pesca que trabalham com o Governo. O Governo estabeleceu uma zona tampão. A área de Reserva será de 47.840.384 hectares e a da zona tampão será de 89.324.982 hectares.Ainda no decurso da FACIM, a província do Niassa teve um momento para apresentar as suas potencialidades. Foi nesta óptica que Alfredo Chambal, da empresa Mozambique Leaf Tabacco, e com interesses agrícolas neste ponto do país, disse que tudo que existe no Niassa está por explorar.“Tudo o que existe é virgem, florestas, recursos fantásticos, terra. Niassa é a maior província do país e é a menos habitada. O seu desenvolvimento é mínimo”, disse.

Contexto social em Angola favorece

O escritor angolano José Eduardo Agualusa disse à Lusa, que a reacção excessiva do governo angolano contra a manifestação pacífica realizada em Luanda, pode indicar que “o regime está a começar a perder o controle”.“Estou a acompanhar as notícias de longe e um amigo, ligado ao regime, dizia-me que se está formando em Luanda uma ideia do início do declínio. É também a percepção que tenho. O regime vem reagindo como se acreditasse na capacidade de ser derrubado pelos mesmos. Isso parece-me significativo”, acrescentou Agualusa.O escritor, segundo a agência Lusa, chamou a atenção ainda para o facto de que a repressão policial em Angola aconteceu perante um protesto muito menos organizado - tanto em termos de estrutura quanto de ideais políticos - do que os que estão a ocorrer no norte de África e países árabes“O movimento [em Luanda] é ainda muito imaturo. Começou com pouca gente e com muita má organização – ao contrário do que aconteceu no Egipto, onde tinham mais consciência do que é o combate não violento”, comenta Agualusa.O escritor considera ainda, no entanto, que apesar da fragilidade política dos organizadores da manifestação na capital angolana, existe a possibilidade de que o episódio de das manifestações contra José Eduardo dos Santos dê início a uma nova onda de revoltas.Na sua opinião – e continuamos a citar a agência Lusa – o regime de José Eduardo dos Santos é mais fraco do que os de outros governos que já caíram na sequência de revoltas populares este ano e o contexto social em Angola é mais propício a revoltas.“Luanda é uma cidade muito complexa, com uma enorme desigualdade social. Existe um potencial de revolta maior. E há sempre o risco desse tipo de manifestação degenerar em algo violento, caótico, mais difícil de controlar”, acrescentou o escritor angolano falando à Lusa, no Brasil.“O ideal seria que isso não acontecesse. Mas o regime partir para a violência não me parece uma boa ideia. [...] O ideal seria o regime perceber que o inteligente seria convocar eleições e iniciar um processo democrático”, concluiu. Centenas de jovens reuniram-se no Largo da Independência, em Luanda, para uma manifestação pacífica com o objectivo de exigir a destituição do presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 32 anos.Após a alegada prisão de um dos manifestantes, os jovens decidiram iniciar uma marcha até ao Palácio Presidencial, altura em que a polícia terá decidido intervir. A manifestação terminou com a detenção de 24 pessoas, segundo a polícia, enquanto fontes próximas dos manifestantes falam em 50 detidos, e alguns feridos, entre os quais jornalistas.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Estão "lixados " com a Ministra

O BCI ganhou concurso lançado pelo Ministério do Trabalho para a gestão das transferências de dinheiro dos mineiros moçambicanos na vizinha África do Sul, e com o acordo ontem rubricado em Maputo este banco vai passar a prestar-lhes serviços dirigidos.
O BCI refere que ao abrigo do acordo vai passar a abrir contas individuais, onde serão creditadas/depositadas as remunerações dos mineiros, o Crédito Pessoal BCI, o Leasing Auto BCI e o Crédito Habitação BCI, para aquisição, construção e obras, assim como os cartões BCI Visa Electron e Tako, também com condições preferenciais.
Para a selecção deste banco, pesou, segundo foi referido, o facto de esta instituição bancária “apresentar as melhores propostas do mercado para o efeito, bem como responder atempadamente a uma das principais exigências do Governo, que era a da sua expansão até às zonas de entrada e de origem dos mineiros”.O acordo do início da prestação de serviços foi rubricado na manhã de ontem entre o Banco e o Ministério do Trabalho, representados pelo Dr. Ibraimo Ibraimo, presidente da Comissão Executiva do BCI, e pela Dra. Helena Taipo, ministra do Trabalho, na sede do MITRAB, e testemunhada por diversos quadros superiores de ambas as instituições, pelo embaixador de Moçambique na África do Sul, Fernando Fazenda, bem como por líderes de diversas associações de mineiros moçambicanos residentes naquele país.Na ocasião, o presidente da Comissão Executiva do BCI, Ibraimo Ibraimo, referiu que é com enorme satisfação que rubrica este acordo, pela responsabilidade de um compromisso não só com o MITRAB, como também com os trabalhadores mineiros moçambicanos. “O BCI não pretende ser apenas o banco dos mineiros, mas também das suas famílias em Moçambique”, disse. Por fim, agradeceu a confiança depositada e reafirmou o empenho no sentido de honrar o compromisso na prestação de serviços de qualidade aos mineiros moçambicanos.Por seu lado, a Dra. Helena Taipo, na sua intervenção, mostrou-se satisfeita pela assinatura do acordo entre o MITRAB e o BCI, de Prestação de Serviços para os trabalhadores moçambicanos nas minas da República da África do Sul (RAS). “Marca um momento muito especial na história laboral entre os dois países”.“Os mineiros moçambicanos são parte dessa transformação, sobretudo face àquilo que o mercado está a operar em diversos quadrantes, salientando a modernização tecnológica do sector bancário, em que o cidadão estando presente ou não, fisicamente, hoje é possível aceder aos seus serviços e satisfazer as necessidades humanas”, referiu.A decisão liberta o MITRAB do processo de recepcção e pagamento de valores pertencentes aos mineiros, uma situação que facilitou a criação de esquemas paralelos, levando as familias dos imigrantes a longas filas e meses de espera para receberem ao que têm direito. Tudo derivou quando ocasionalmente a titular da pasta a saída das instalações do Ministério deparou-se com um pedido desesperante da mulher de um mineiro para resolver o seu problema porque os filhos estavam com fome.O anterior procedimento possibilitava que funcionários intermediários abrissem contas a prazo e outros sistemas fraudulentos.Sabe-se que com a entrada de um Banco veio criar alguma resistência dos envolvidos na relação com a Ministra.

segunda-feira, setembro 05, 2011

A nossa moçambicanidade


Os Jogos Africanos de Maputo-2011 já estão em movimento. No sábado aconteceu a cerimónia de abertura, dirigida pelo Presidente da República, Armando Guebuza, na presença de várias outras figuras do país e do mundo. Moçambique vai assim fazer mais uma página da sua história e, nesta página que se espera de ouro, o país fez a festa de abertura revivendo a sua história, num espectáculo teatral, com música e dança à mistura, mesmo ao nível da dimensão destas consideradas Olimpíadas Africanas. “Elevem as vossas marcas e fixem recordes. Divirtam-se e que o fair-play seja uma constante em todos os jogos que realizam”, foi o apelo de Guebuza, lançado no majestoso Estádio Nacional do Zimpeto para cerca de 45 mil pessoas. Vinte modalidades já estão em acção, em Maputo, Matola e Chidenguele, representando 42 países.Perante altos dignitários do Estado e do Governo de Moçambique, bem como de instituições desportivas mundiais, como são os casos do presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogger, e do presidente do Conselho Superior do Desporto de África (SCSA), Jacques Yvon Ndolou, a cerimónia de abertura dos Jogos Africanos Maputo-2011 aconteceu sábado no nosso majestoso Estádio Nacional do Zimpeto, na capital do país, e foi testemunhada ao vivo por mais de 45 mil pessoas.Coube ao Presidente da República, Armando Guebuza, declarar abertos os Jogos, com a multidão a vibrar, animando sobremaneira a festa que, diga-se, foi algo ímpar da nossa história, mais uma página, para acrescentar a tantas outras, que foram contadas na ocasião pelos actores deste referido espectáculo que marcou a abertura do evento.Durante algumas horas, o país parou para acompanhar a festa. Foram mil e uma histórias que fizeram do Estádio Nacional do Zimpeto o centro das atenções do povo moçambicano. O “Diário de Moçambique” vai contar algumas destas histórias, que marcaram a abertura desta 10ª edição dos Jogos Africanos, a prolongar-se até ao dia 18 de Setembro.


ACORDAR EM FESTA

A Vila Olím
pica acordou para o dia de abertura em festa, com a delegação moçambicana a reunir-se, ainda pela manhã, para içar a sua bandeira na vila, com o hino nacional a acompanhar o hastear até ao topo.Na ocasião, ficaram promessas de se lutar pelas medalhas, que é um dos objectivos de Moçambique neste evento que organiza.Jamais o país investiu tanto por uma causa desportiva, sendo mostras disso a vila olímpica construída em menos de um ano, com 848 apartamentos, número este aproximado ao dos bailarinos, essencialmente jovens e estudantes, que fizeram o espectáculo de abertura dos Jogos, denominado “África Mítica”, uma espécie de um seriado de peças teatrais corrido, ao longo do qual foram vividas os diferentes momentos da História de Moçambique, parte dela idêntica à de muitos outros povos africanos.A festa de abertura foi abrilhantada não só pelos mais de 800 bailarinos, como também mais de cem músicos e oito intérpretes, entre eles Moreira Chonguiça e Casimiro Nhussi. A História de Moçambique foi contada com um espectáculo corrido, denominado “África Mítica”, sobre a penetração do colonialismo no continente, a resistência dos povos, os processos de libertação, e mais.Os artistas abordaram a vitalidade das culturas e tradições moçambicanas, incluindo os jogos como factores de socialização e de desenvolvimento. “África Mítica” expressa igualmente as emoções e conquistas.A harmonia de luz e cor tornaram o espectáculo um momento único, marcante e inolvidável, reavivando a memória das elites africanas e mostrou às novas gerações, as fases da nossa vida.O destaque vai para o Massacre da Moeda, a dominação portuguesa, a formação dos três movimentos de libertação, Manu, Unami e Udenamo, a formação da frente de libertação, que culmina com a conquista da independência nacional, numa interpretação fantástica.A história contempla a fase em que mulheres vão à busca de água, em cântaros ou bilhas, os homens empunhavam arcos e flechas, portanto, uma vida normal das famílias moçambicanas (africanas no geral).À volta da lareira artificial, simbolizada por uma estatueta no centro do relvado, com velas acesas no seu interior e lenhas também artificiais, desceu Moreira Chonguiça, cantou com os alunos da Escola Nacional de Canto e Dança, instituição onde se iniciou como músico, interpretando a canção “Vozes do Silêncio”, da sua autoria.Na canção, Chonguiça e os jovens chamam à nossa consciência sobre o perigo que o HIV/Sida representa para a humanidade.Casimiro Nhussi, um dos mais renomados bailarinos moçambicanos, interpretou Moçambique, da sua autoria, cantada em maconde, exaltando a unidade nacional e a moçambicanidade.A parte cultural começou bem mais cedo, tendo descido para o relvado vários músicos, entretendo na altura o pouco público presente no ENZ, enquanto se aguardava o esperado momento.A ponta final da cerimónia foi colorida pelo fogo-de-artifício, trazido da França. O céu de Maputo ficou bastante colorido, prendendo muitos espectadores no interior e fora do ENZ.O fogo de artifício teve dois momentos. No final do desfile, após o hino, numa espécie de “cheirinho”, e no final, já com maior intensidade.
A anteceder a parte oficial da abertura dos Jogos, desfilaram delegações de 36 nações presentes nesta festa desportiva africana (outras não estiveram no desfile). No entanto, o que ma
is ressaltou na vista de todos foi o facto de a delegação da Líbia ter deixado a fase que lhe cabia de desfilar, entrando num momento menos esperado. Ademais, partiu de trás a correr, empunhando a nova bandeira líbia, dirigindo-se à imprensa dizendo “we are free” (estamos livres). Parte do público aplaudiu o gesto. A aparição líbia coincidiu com a entrada da delegação de Moçambique ao ENZ, o que levou os líbios a pensarem que a longa ovação era a si dirigida. Até pode ter sido.A primeira delegação a desfilar foi a da Argélia, país que passou o testemunho a Moçambique, por ter sido o anterior organizador do evento. Moçambique fechou a marcha ao som da banda militar.Foram mais de cinco mil atletas, levando as bandeiras de 36 países que desfilaram no ENZ. Porém, não foi dada explicação sobre a ausência das seis nações que já estão nos Jogos. O número inicial de países que se tinham inscrito no evento era de 47, mas apenas 42 estão nos Jogos.Eis a lista dos países que desfilaram: Argélia, África do Sul, Angola, Botswana, Etiópia, Camarões, Cabo Verde, Congo-Brazaville, Costa do Marfim, Djibuti, Egipto, Eritreia, Benin, Nigéria, Gabão, Namíbia, Mauritânia, Ruanda, Lesoto, República Democrática do Congo (RDC), Libéria, Maurícias, Senegal, Tanzania, São Tomé e Príncipe, Seychelles, Suazilândia, Quénia, Togo, Tunísia, Gana, Líbia, Uganda, Zâmbia, Zimbabwe e Moçambique.
Flávia Azinheira, porta-voz dos atletas, disse à África inteira, num juramento de todos os grupos,
que todos estão determinados a participar da melhor maneira desta festa africana, respeitando o adversário.“Todos os participantes de África estão determinados a fazer dos Jogos momentos de confraternização, de troca de experiências, fazendo o nosso melhor. Prometemos respeitar o fair-play”, disse.