segunda-feira, outubro 10, 2011

Angola sem José Eduardo dos Santos?

Nos países democráticos não há seguros de vida para os políticos. Todos eles, por mais brilhantes, vivem um ciclo: depois do apogeu vem a queda. No regime de Angola, José Eduardo dos Santos tenta escapar a essa inevitabilidade, depois de 32 anos no poder. No quadro das eleições legislativas naquele país que vão ter lugar em 2012, e das manifestações recentes em Luanda tem-se discutido a saída de um dos ditadores mais longevos de África. Que hipóteses existem de isso vir a acontecer?

A evolução política do país tem sido de tal forma "um sucesso" para este ditador, que na Angola de hoje, José Eduardo dos Santos pode dizer: "L'Etat c'est moi". Ele é o MPLA e o MPLA é o Estado.

Há dias percebi como se fazem debates políticos em Angola. Perante uma minha crítica da falta de evolução pluralista de Angola, um funcionário da Nações Unidas angolano explicou-me: houve uma guerra civil em Angola onde morreram muitos angolanos, logo e acima de tudo, é importante preservar a paz.

É verdade que o país viveu uma guerra civil dilacerante que só terminou em 2002 e onde terão perdido a vida cerca de um milhão de pessoas. Desde então o MPLA tem conseguido assegurar a paz e a estabilidade política. Mas colocar a questão da liberalização política nestes termos é falacioso: para o meu interlocutor defender o fim da era Eduardo dos Santos equivale a ser a favor do retomar da guerra civil.
A partir daqui, todo o autoritarismo e monopolização do poder em Angola se justifica, bem como a inevitabilidade da manutenção do Presidente no poder.

Do ponto de vista constitucional, as coisas também sorriem para o Presidente angolano: uma revisão constitucional em 2010 acabou com a eleição directa do chefe de Estado, passando o Presidente a ser o chefe do partido mais votado nas legislativas. Tendo em conta que nas últimas eleições o MPLA venceu mais de 80% dos assentos parlamentares, o predomínio do partido é total e assegura a quem quer que seja o seu líder a Presidência do país.

Finalmente, a internacionalização da economia de Angola desde o fim da guerra não tem servido para pressionar o poder político no sentido da liberalização. Os rendimentos do petróleo angolano têm ditado um relacionamento de petro-arrogância por parte do poder político. Depois, a estratégia de internacionalização da economia Angolana tem sido centralizada, fazendo com que todos, ou quase todos os agentes económicos estrangeiros em Angola precisem de parceiros angolanos com ligações estreitas ao Presidente, o que o torna ainda mais resiliente no poder.

Além disso, a entrada em cena de países não-membros da OCDE como fortíssimos parceiros económicos que não têm qualquer agenda política liberal, desvaloriza a importância dessa agenda para o "status quo" angolano. O caso da China é o mais falado, mas o Brasil também tem sido adepto de não tentar avançar com uma agenda liberalizadora nas suas relações externas.

Já vemos que todos os factores políticos, constitucionais e económicos favorecem a manutenção de José Eduardo dos Santos no poder. Se decidir sair antes das eleições de 2012, será menos por pressão interna do que por decisão própria. Mas, talvez mais importante do que isso é perguntar - fará alguma diferença para a vida em Angola? Alguns activistas, como por exemplo Rafael Marques, consideram que "José Eduardo dos Santos é hoje o problema principal de Angola" (Público 25 Setembro 2011).

Concordo que a substituição pacífica de José Eduardo dos Santos seria certamente um bom começo para a vida política daquele país. Mas a experiência da democratização africana, nomeadamente a da África do Sul ou de Moçambique mostra que os sistemas partidários únicos tendem naturalmente a preservar-se, para lá deste ou daquele líder. A centralização do poder em Angola é personalizada e arbitrária, sim. Mas também está institucionalizada de um ponto de vista económico, constitucional e partidário criando legados institucionais difíceis de ultrapassar.

Por Marina Costa Lobo / Politóloga
Jornal de Negócios

domingo, outubro 09, 2011

“Suiça da África”

O clima de descontentamento contra líderes políticos está a tornar-se cada vez mais preocupante no Botswana, país considerado como sendo o modelo de governação democrática em África.O Presidente Ian Khama tem vindo a ser alvo de uma onda de críticas por vários quadrantes da vida por causa do seu estilo autocrático.Citando fontes de organizações sindicais e oposição naquele país, jornais na vizinha África do Sul descrevem o Presidente Khama, 52 anos, de autoritário e de não escutar a ninguém. Como resultado disso, o Secretário-Geral do Partido Democrático do Botswana (BDP), no poder, Kentse Rammidi, abandonou o cargo, sob pretexto de falta de democracia no seio da organização e próprio estilo autocrático do Presidente.A decisão de Rammidi foi momentos seguida por Peter Siele, Ministro do Trabalho e Assuntos Internos, após o governo de Khama barrar trabalhadores daquele sector de realizarem greves.Alguns sectores da vida no Botswana clamam que a impopularidade de Khama deve-se ao facto da sua mãe ter sido uma britânica e por ele ser solteiro, o que não é normal para um político da sua craveira.
Conhecido por “Suiça da África”, Botswana depende do apoio dos países ocidentais, cujos diplomatas fazem uma avaliação positiva da democracia, do sistema legal e economia daquele país da região.O posicionamento pro-Ocidente do governo de Khama tem criado alguma impressão na região. Julius Malema, presidente da Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANCYL), na África do Sul, criticou o BDP, acusando-o de um instrumento de imperialismo e uma ameaça à segurança da África.Apesar do ponto de vista de Malema não ter os seus efeitos, diplomatas ocidentais em Gaberone, a capital do Botswna, estão preocupados pela crescente tensão política e social no país.O Executivo de Khama deverá assim lidar-se com tensão social, a avaliar pela onda de manifestações e greves, por incremento salarial de 16 por cento, além de outras questões que preocupam o público.Khama ordenou, há dias, a polícia para reprimir manifestantes. A situação só viria a calmar quando o Presidente autorizou o aumento salarial de três por cento, mas jornais na África do Sul dizem que a situação continua preocupante.Com potencialidades minerais, o desemprego no Botswna situa-se em 25 por cento, numa população de cerca de dois milhões de pessoas.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Estamos em Paz?

No momento em que celebramos mais um 4 de Outubro, não posso deixar de me perguntar a mim próprio se estamos em paz.
Ao longo das celebrações foram muitas as definições de paz que foram feitas, pelos variados participantes, começando normalmente pela declaração de que a paz não é apenas a ausência da guerra. Depois vinham a necessidade de uma melhor partilha da riqueza nacional, de um desenvolvimento equilibrado, de iguais direitos para todos os cidadãos, independentemente de variadas diferenças, de igual acesso aos benefícios que o país pode proporcionar, etc, etc…
Ora o simples facto de os dirigentes dos dois principais partidos nacionais não se conseguirem juntar num mesmo local para celebrar o aniversário de um acordo que eles os dois assinaram parece-me, à partida, prova de que não estamos em paz. De maneira nenhuma.
Por um lado temos a Renamo a queixar-se de que o Governo da Frelimo não está a honrar os compromissos que assumiu em Roma. E a ameaçar que vai aquartelar os seus combatentes que foram sendo retirados das Forças Armadas de Defesa de Moçambique ao longo destes 19 anos.
Por outro lado temos o Governo, através de todas as instituições que lhe estão sujeitas, nomeadamente os órgãos de informação do dito sector público, a diabolizar Dlakama e a Renamo, atribuindo-lhe intenções que eu não sei se ele tem ou não. Quem sabe se a tal ideia de aquartelar os seus antigos combatentes não tem apenas um objectivo de carácter social e aquilo a que ele chama quartel não será antes uma espécie de lar para a terceira idade, na medida em que a maioria dos tais combatentes já deve ter mais necessidade de uma bengala ou umas muletas do que propriamente de uma arma.
Mas onde a paz é, permanentemente, posta em causa, não é na relação Governo-Renamo. É naquilo a que antes chamávamos luta de classes e hoje não chamamos por já não estar na moda.
Porque as coisas são o que são e não aquilo que alguns gostam de dizer que são. E a verdade é que, no nosso país, há cada vez maior distância entre a forma como vivem os ricos e muito ricos e a forma como sobrevive a maioria da população. E esta população, que é pobre mas não é estúpida, vê que muitos desses ricos e muito ricos obtiveram as suas fortunas através da corrupção e do desvio de fundos públicos. E que isso é feito, na esmagadora maioria dos casos, devido à impunidade que lhes garante o facto de terem um determinado cartão partidário nos bolsos.
E esse tal cartão é a chave indispensável para abrir as portas do poder, seja a que nível for da administração pública, seja a que nível for das forças de defesa e segurança, seja a que nível for dos órgãos de informação do sector dito público, seja a que nível for do aparelho judicial.
É nestes aspectos que eu vejo a paz em perigo no nosso país.Já por mais de uma vez tivemos gente em fúria a protestar nas ruas por causa deste tipo de coisas. E a resposta das forças policiais, a tiro com bala real, pode ter conseguido reprimir aqueles momentos, mas, de certeza, não resolveu o problema que está por trás daquelas manifestações.
Diziam os antigos romanos que o povo fica calmo desde que lhe dêem “pão e jogos”. E, ao que parece, o Governo da Frelimo começou a seguir por esse caminho, ao organizar os recentes Jogos Africanos, gastando a fortuna que gastou. Só que falhou estrondosamente na questão do “pão”. E esse falhanço foi manifesto no fiasco do projecto da cesta básica. E, tenho receio, a fórmula dos romanos não funciona se for aplicada só pela metade.(Jornalista Machado da Graça)

Fique a saber que...

O Ministro malawiano do Interior e da Defesa, Aaron Sangala, afirmou que a revitalização dos marcos na fronteira comum com Moçambique visa assegurar que todas as ameaças à integridade territorial dos dois países estejam completamente fora de hipótese.'Como países vizinhos, temos que considerar questões fronteiriças. Sabemos que tais preocupações acontecem até mesmo entre familiares, amigos e irmãos', disse o Ministro malawiano, que é igualmente o vice-presidente da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança

Sete mortos e 15 feridos é o balanço provisório de um acidente de viação ocorrido Sexta-feira última no distrito de Manica, Centro de Moçambique, o que elevou para nove o número de óbitos em apenas três acidentes ocorridos durante a semana finda em toda a província do mesmo nome (Manica).O acidente da Sexta-feira, ocorrido na ponte sobre o rio Vandúzi, ao longo da Estrada Nacional n.º 6 (EN6), se salienta pelo facto de ter acontecido no penúltimo dia da Semana de Jornada Nacional de Trânsito. Entre os feridos, três dos quais inspirando cuidados médicos intensivos, constam dois bebés, todos internados na maior unidade sanitária da província de Manica, em resultado do seu estado crítico de saúde.

Pelo menos 60 mil turístas visitaram a província de Manica, no Centro de Moçambique, durante os primeiros oito meses do ano em curso, tornando-se, deste modo, num importante destino turístico.Cerca de 100 milhões de meticais estão a ser investidos na construção de novas infra-estruturas turísticas na província, num esforço destinado a aumentar a capacidade de alojamento. Em Manica localizam-se alguns dos mais importantes centros de atracção turística, entre os quais a reserva transfronteiriça de Chimanimani, os montes Binga, Zembe e Cabeça do Velho, a fortaleza de Massangano, o planalto da Serra-Choa, as coutadas de Macossa, a Albufeira de Chicamba, as pinturas rupestres.

O governo da Zambézia detectou cerca de sete mil docentes que recebiam horas - extras de forma ilegal naquela província do Centro de Moçambique.A operação contra esta rede foi iniciada ano passado, depois de pagas horas extraordinárias a pouco mais de 14 mil professores.Paralelamente foram constatados indícios de falsificação de documentos, numa acção que envolvia directores de escolas, directores pedagógicos, chefes de secretárias, entre outros elementos.A província da Zambézia possui aproximadamente 25 mil docentes. Destes apenas cerca de oito mil é que estão inscritos no quadro do aparelho do Estado, contra mais de 16 mil contratados.

O governo moçambicano aprovou um regulamento específico para o sector de petróleos e de minas referente a contratação de mão-de-obra estrangeira.O porta-voz do governo, Alberto Nkutumula, explicou que “por exemplo, para as grandes empresas, com mais de 100 trabalhadores, a quota da mão-de-obra estrangeira é de cinco por cento. Para as médias empresas, que tem entre 10 e 100 trabalhadores, permite-se a contratação da mão-de-obra estrangeira em oito por cento, e para as pequenas empresas ate 10 trabalhadores permite-se a contratação de 10 por cento de estrangeiros.

Os exploradores da areia grossa, no distrito da Moamba, província de Maputo, Sul de Moçambique, estão a desviar o curso normal do rio Incomati, dificultando a prática da actividade agrícola nos regadios que se encontram ao redor, entre outros males. Esta situação, segundo a Administradora distrital, Maria Manjate, está a provocar uma baixa dos níveis do rio e a criar problemas na irrigação dos campos agrícolas.Citada pelo Diário de Moçambique, Manjate explicou que os areeiros fazem escavações enormes no meio do rio para retirar a areia grossa, bastante procurada para a construção civil na cidade e província de Maputo, o que faz com que as águas se concentrem nesses buracos.Dos mais de 485 hectares de terra irrigável existentes no 'Bloco 1', a associação dos camponeses daquele ponto do país teve que trabalhar em apenas cem hectares.Neste momento, o distrito produz culturas tais como batata, hortícolas, milho, feijões, entre outros produtos agrícolas, e tem potencial na produção de gado bovino e ovino.

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, nomeiou Jacob Nyambir para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Moçambique em Portugal.Naquele país lusófono, Nyambir vai substituir Miguel Nkaima, ora exonerado em despacho presidencial divulgado, segundo um Comunicado do Gabinete de Imprensa da Presidência da República, hoje divulgado.Nyambir exerceu a função de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Moçambique junto da República Democrática e Popular da Argélia, até Setembro passado.Recentemente, Guebuza movimentou vários outros diplomatas.

Pelo menos 10 mil jovens moçambicanos poderão beneficiar de cursos de formação de Tecnologias e Informação, no âmbito de uma campanha do Governo destinada a reduzir os actuais índices de iliteracia digital no país.O plano foi anunciado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, falando hoje a jornalistas momentos após o início do quarto Congresso de Tecnologias de Informação e Comunicação de Moçambique,.“O que nós queremos é termos mais jovens que saibam manipular as tecnologias de informação e comunicação ao nível de utilizador”, disse o governante.
O censo populacional de 2007 indica que apenas 3,9 por cento dos cerca de 20,2 milhões de habitantes em Moçambique tinham acesso ao computador.

Triliões de gás no Norte

O governo e a multinacional petrolífera Anadarko Moçambique confirmaram a existência de reservas na ordem de 10 triliões de pés cúbicos de gás natural no furo de avaliação designado Camarão, aberto no âmbito das actividades de pesquisa em curso na Bacia do Rovuma. O matutino “Noticias” cita o Instituto Nacional de Petróleos (INP) a dar conta de que com a nova descoberta está aberta a possibilidade de se projectarem dois módulos independentes de 5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, contra apenas um que fora idealizado no âmbito da exploração das reservas de gás natural no alto-mar, constituindo um marco importante em termos de economia de escala e custos.Segundo a fonte, o furo “Camarão” foi projectado até a uma profundidade total de 3850 metros, tendo sido confirmados 73 metros de areias saturadas de gás natural do Oligoceno, e descobertos 43 metros de gás em areias do Mioceno.Com vista a acelerar as actividades de pesquisa em curso na Bacia do Rovuma, os concessionários daquela área de pesquisa anunciaram a mobilização de um segundo navio-sonda que deverá participar, nos próximos dezoito meses, em operações de perfuração e testagem.Os concessionários da referida área são a Anadarko Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a Mitsui, do Japão, a Videocon e Barat Petroleum, ambas da Índia, e a Cove Energy, da Grã-Bretanha.Nos últimos anos, Moçambique tem sido destino privilegiado de grandes companhias que investem em actividades de pesquisa de petróleo e gás em várias regiões, com destaque para a Bacia do Rovuma.A título de exemplo, estima-se em 370 milhões de dólares o valor investido, entre 2009 e 2010, em actividades do género naquela área que cobre o Norte da província de Nampula e praticamente toda a costa da província de Cabo Delgado.Em todas as áreas de pesquisa os investimentos são realizados em regime de “carried interest”, ou seja, que o Estado moçambicano só pagará os custos incorridos pelas companhias parceiras na proporção da sua participação, em caso de descoberta de petróleo ou de gás natural. Entretanto, para efeitos de pesquisa a Bacia do Rovuma foi dividida em seis blocos, sendo o bloco 1 aquele onde as actividades se encontram em fase bastante adiantada, embora as atenções estejam concentradas para o gás natural, já que as reservas de petróleo descobertas até esta parte não inspiram, segundo os concessionários, investimentos de dimensão comercial.Desde a assinatura do contrato de concessão do bloco 1, em 2007, a concessionária investiu cerca de 750 milhões de dólares norte-americanos em actividades de prospecção e pesquisa, tendo sido abertos seis furos no mar e um sétimo no continente, do que resultou a descoberta de gás natural em pelo menos cinco deles no alto-mar, nomeadamente “Windjammer”, “Barquentine”, “Lagosta”, “Tubarão” e agora o “Camarão”.

Reflorestamento

O governo moçambicano acaba de autorizar, provisoriamente, a implementação de um projecto florestal na província central da Zambézia avaliado em mais de 101.4 milhões de dólares norte-americanos.Trata-se do “Projecto Tectona Forest of Zambézia”, que vai ocupar uma área de 19.540 hectares, abrangendo os distritos de Gurué, Namarroi, Milange e Morrumbala.Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula, o projecto tem como objectivo o reflorestamento das zonas abrangidas, a gestão e exploração florestal, processamento e comercialização de madeira da espécie “tectona” e seus derivados.“Haverá também uma actividade complementar que é a exploração de uma madeira nativa, uma espécie chamada messassa”, explicou Nkutumula durante o habitual briefing no término da sessão do Conselho de Ministros.O projecto envolve interesses estrangeiros, nomeadamente suecos, noruegueses e norte-americanos, que no conjunto detêm 90 por cento das acções. A Diocese do Niassa e’ o único investidores nacional, com os restantes 10 por cento das acções.Dos 101,4 milhões de dólares do investimento previsto, cerca de 71 milhões destina-se à componente de plantações florestais, 20,3 milhões para a indústria de processamento da madeira e 10,1 para as infra-estruturas. Relativamente as fontes de financiamento, segundo Nkutumula, que é também vice-Ministro da Justiça, pouco mais de 15,9 milhões de dólares fazem parte do capital próprio dos empresários estrangeiros, enquanto a contraparte nacional possui um capital de cerca de 1,8 milhões. Contudo, prevê-se que um suprimento de mais de 83,2 milhões de dólares americanos.O prazo para realização deste investimento é de 12 anos. Os primeiros 10 anos, correspondente a primeira fase, serão dedicados apenas ao investimento no plantio de árvores, a segunda fase será a de estabelecimento da indústria de processamento e corte e, a partir do 13/o ano, iniciar-se-á a comercialização.Prevê-se que 70 por cento do produto processado venha a ser exportado, enquanto os restantes 30 por cento serão comercializados ao nível interno. “Se o mercado nacional não consumir os 30 por cento da madeira, então deverá ser exportada”, explicou Nkutumula.As previsões indicam que as receitas anuais a partir do 20/o ano poderão atingir os 50 milhões de dólares, mas, a partir do 35/o ano, podem ascender a fasquia de 112 milhões de dólares.O projecto, de acordo com o porta-voz, vai criar 1.105 empregos directos, dos quais cinco para estrangeiros. Para além destes, espera-se ainda a criação de cerca de três mil postos de trabalho sazonais.Outros benefícios do projecto incluem a construção de infra-estruturas sociais, tais como furos de água, postos de saúde, escolas, bem como o melhoramento das vias de acesso, apoio ao sector agrícola nos distritos abrangidos, para além de um complexo residencial para os trabalhadores.


A Frelimo, o partido no poder em Moçambique, realiza esta semana a X Conferência Nacional de Quadros, um encontro tido como importante para a preparação do Congresso dessa formação politica, previsto para próximo ano em Pembra, província nortenha de Cabo Delgado.Trata-se de um evento que, segundo o secretário do Comité Central da Frelimo para a Mobilização e Propaganda, Edson Macuácuá, visa auscultar, sistematizar e sintetizar as contribuições dos quadros para a articulação das teses ao X Congresso daquele partido.“A Conferência Nacional de Quadros é uma reunião de carácter consultivo que é convocado para discutir sobre grandes questões de interesse nacional. Neste caso concreto, o que está em causa é a discussão das teses ao congresso”, disse Macuácuá, falando hoje em conferência de imprensa destinada a anunciar a realização do evento que decorre de Sexta-feira até ao próximo Domingo.“As teses são muito importantes na vida do partido e do país, pois é nelas onde encontramos vertidas as ideias, os princípios fundamentais da linha política da Frelimo. É nas teses onde encontramos o espelho da visão e da missão que a Frelimo pretende materializar nos próximos cinco anos a seguir ao congresso”, acrescentou.Macuácuá disse que as teses são uma base importante para a elaboração das propostas de alteração, ajustamento e adequação dos estatutos e do programa do partido.Os delegados a Conferência Nacional de Quadros já se encontram em Maputo e na Matola, cidade onde vai acolher este evento. No total, a conferência irá contar com a participação de cerca de três mil delegados provenientes de todo o país.Ainda no seu contacto com a imprensa, Macuácuá explicou que este evento é o culminar de um longo processo de discussão das propostas das teses ao X congresso, a reunião magna da Frelimo que, dentre várias responsabilidades, escolhe o candidato do partido às eleições.Iniciado ao nível das células do partido, o debate das teses concentrou-se em diversos temas, incluindo sobre a unidade nacional, organização do Estado e da Sociedade, promoção de boa governação, transparência e combate a corrupção, sobre segurança e ordem pública.Outros temas discutidos são o combate contra a pobreza e promoção do desenvolvimento económico e social, democracia e a paz, bem como as relações Moçambique com a região e com o mundo.

A cobardia de Obama

E mais uma vez Israel vai conseguir impor a sua vontade. Obama, que defendia o simples reconhecimento do Estado da Palestina, recuou. Os palestinianos continuarão não apenas com grande parte do seu território ocupado, não apenas a viver cercados por muros, não apenas humilhados no seu quotidiano, no simples gesto de ir ao hospital, à escola ou ao trabalho, não apenas tratados como bichos. Continuarão a ser inomináveis. Não existem. Porque um pequeno Estado, que há décadas viola de forma descarada todas as leis internacionais, assim o quer. A Palestina existirá para o Mundo quando Israel disser que existe. E Israel nunca o dirá. Cada processo de negociações começa para evitar quallquer avanço na criação de um estado palestiniano e acaba com mais colonatos, muros e ocupação.É de mãos atadas que o Ocidente vai expiando os seus crimes passados contra os judeus. Aceitando os crimes presentes contra os palestinianos. Com o veto americano ao reconhecimento pela ONU do Estado da Palestina, que se viesse vinha já demasiado tarde, tudo o que Obama disse no Cairo, quando acabara de ser eleito, não passaram de balelas. Conversa muito comovente, muito boa dicção, melhor coreografia. Zero de coragem para enfrentar o lóbi pró-israelita. Que nem tem o apoio de toda a comunidade judaica nem é exclusivamente composto por judeus. Lá estão cristão fanáticos que veem Israel como a linha da frente contra o Islão. Lá está a nova extrema-direita que vê Israel como um enclave dos "valores ocidentais" no Oriente.E os palestinianos, tratados com cinismo e hipocrisia pelos seus supostos aliados árabes - que nunca fizeram nada por eles -, com desleixo pela Europa e com incúria por toda a comunidade internacional continuarão a ser um saco de pancada. Mas sempre vigiados em cada gesto aceitável ou inaceitável de resistência. Como se devessem ao Mundo um pedido de desculpas por existirem. Até que já não haja Estado nenhum para reconhecer. Até que o sonho da extrema-direita israelita, que tomou há muito conta do ideal sionista, se cumpra: toda a Palestina será definitivamente israelita. Com alguns escravos baratos enfiados em guetos. E os restantes bem longe da sua terra.


Eu não poderia vir descalça

Uma cidadã identificada por Shameela Mahomed Markda Gani, denunciou aos orgãos de comunicação locais maus tratos e a acusação de roubo de que foi vítima no princípio da noite de de quarat-feira no supermercado Shoprite, na Beira, acto que envolveu um dos agentes de segurança, de nome António Fernando. Ela, para além de ter sido maltratada, foi acusada de ter roubado um par de sandálias naquele estabelecimento comercial. A cena teve lugar quando a referida cidadã se preparava para deixar o supermercado, depois de esta ter feito o pagamento dos produtos.No lugar de fazer a conferência dos produtos na porta da saída, o segurança “arrastou” a cidadã Shameela Gani para o seu departamento, onde viria a revistá-la juntamente com outros três colegas seus.Conforme ela mesmo contou, o segurança em alusão não teve tempo nem paciência de confrontar a factura do pagamento com os produtos que trazia na carrinha, senão acusá-la de ladra perante outros clientes, enquanto era conduzida ao departamento do pessoal de segurança. “Mesmo havendo alguma suspeita de roubo, o segurança devia, em primeiro lugar, fazer o confronto entre a factura que eu trazia e os produtos que estavam na carrinha e não acusar-me de ter roubado um par de sandálias e levar-me para o seu gabinete” – disse a vítima, afirmando que o cenário aconteceu publicamente, facto que denegriu a sua imagem. Adiante, Shameela Mahomed Markda Gani, que minutos depois mandou chamar o seu esposo, deu a conhecer que, na verdade, não havia na referida carrinha nenhum produto roubado, pois o par de sandálias no qual se centrava a suspeita tinha sido pago e constava da factura apresentada. Afirmou ainda que o referido segurança questionou o aparecimento de um outro par de sandálias, que a Shameela Mahomed Markda Gani calçava. “Eu não poderia vir a Shoprite descalça e não vejo nenhuma relação entre a grave acusação de roubo e os maus tratos com as sandálias que eu trazia. Portanto, foi uma difamação e alguém terá que reparar os danos causados, pois as pessoas que assistiram a cena têm na mente que eu teria extraviado algo naquela loja e é a minha imagem que ficou suja” – anotou a interlocutora, para quem medidas sérias devem ser tomadas para que situações idênticas não voltem a acontecer com outros clientes da Shoprite.Entretanto, o chefe dos seguranças, um cidadão de nacionalidade zimbabweana, cujo nome não foi possível apurar, inteirou-se da situação, tendo imediatamente pedido desculpas a Shameela Mahomed Markda Gani, acto que foi corroborado pelo gerente do supermercado, Tiago Sitói. No entanto, redondou sem sucesso ouvir a versão do gerente da Shoprite sobre o assunto, pois este não se encontrava no seu local de trabalho e o seu telefone celular dava indicações de estar fora de rede.

Sata nomeia seu Vice

Guy Scott, filho de imigrantes britânicos no que era chamado de Rodésia do Norte (Zâmbia) acredita que a sua nomeação, semana passada, para o cargo de vice-presidente do país, poderá abrir caminho a que outros países africanos sigam o exemplo e que se reconciliem com a sua história colonial e ultrapassem o preconceito racial.Acredita-se que Scott seja o primeiro homem de raça branca a ocupar tão alto cargo num governo africano desde o fim do apartheid na África do Sul, em 1994.Scott ganhou por esmagadora maioria no seu círculo eleitoral, mês passado, e daí ser nomeado vice-presidente pelo Presidente Michael Sata.Na sua primeira entrevista internacional, Scott disse que “sempre suspeitei que a Zâmbia está a passar de uma condição pós-colonial para de cosmopolita. A mentalidade das pessoas estão a mudar. Já não cruzam os braços a pensar o que é que estava mal no colonialismo”.A uma pergunta sobre se ele consegue imaginar um vice-presidente branco no Zimbabwe, Scott disse que “nós estamos independentes desde 1964 e talvez estejamos bem mais adiantados no jogo de ‘perdoar e esquecer’. Não penso que o racismo tenha mais tempo de duração no Zimbabwe. Talvez esta seja uma lição que vai ser imitada por outros países em África.”

quinta-feira, outubro 06, 2011

...uma ferramenta de elevada importância

Apenas dez por cento da população sabe usar as tecnologias de informação e comunicação em Moçambique, o que limita o desenvolvimento desta área, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue. Neste momento, conforme o governante, há mais moçambicanos a usarem o telefone celular, mas há menos que usam o computador e as outras tecnologias de comunicação e informação.“O nível de literacia e a capacidade de trabalhar com computadores é ainda muito baixo, ao contrário do que acontece com o celular”, disse Massingue.O responsável, que falava no Centro Internacional de Conferências “Joaquim Chissano”, na cidade de Maputo, onde está a decorrer o 4º Congresso sobre as TIC em Moçambique, salientou que para inverter este cenário, há um plano com vista a promover o uso das tecnologias de informação e comunicação e maximizar os seus benefícios, expandindo o acesso aos mesmos. Referiu que há um plano de formação de cerca de 10 mil novos técnicos na gestão de base de dados, administração de sistemas e de redes, programação, entre outras áreas ligadas às TIC. “Moçambique tem vindo a promover a formação de recursos humanos cada vez mais qualificados na área das TIC, uma acção de valor estratégico para o desenvolvimento da área”, disse acrescentando, por outro lado, que está a trabalhar no estabelecimento de infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento desta área no país.“O governo olha para as tecnologias de informação e comunicação como uma ferramenta de elevada importância na promoção do desenvolvimento do país”, disse.A realizar-se sob o lema “Valorização de Competências Locais e Capacidades para Desenvolver Soluções Eficazes de TIC que respondem às necessidades locais”, o congresso tem como objectivo mostrar empresas e projectos nacionais, do sucesso na área das TIC.A iniciativa envolve participantes nacionais e internacionais do ramo, entre empresários, docentes, estudantes, estabelecimentos de ensino, entre outros.Massingue salientou que até ao final deste ano cada distrito deve ter um portal electrónico onde estão apresentadas as diversas potencialidades. Para o efeito, estão a decorrer formações e capacitações, ao nível destes pontos, de técnicos para manterem os portais.

Os da Renamo são tratados como diabos

A Renamo diz que passados cerca de 20 anos depois da assinatura do Acordo Geral de Paz cumpriu o seu dever de manter a paz. Justifica o facto referindo que nunca houve qualquer indiciação à Renamo de qualquer acto criminal. Mas adverte que daqui para a frente os cenários podem mudar, dependendo da Frelimo. “Porque de facto o país não está bem, está numa situação cada vez mais complicada devido à má governação, não há democracia porque as quatro eleições que já foram realizadas até hoje nunca foram justas nem transparentes”, disse Manuel Lole, delegado político provincial do maior partido da oposição.Manuel Lole, que falava a jornalistas por ocasião do 4 de Outubro, na localidade de Casa Banana, antiga base da Renamo no interior do distrito da Gorongosa, prosseguiu explicando que a população pressionou a Renamo para que de facto encontre outras formas de tomar o poder o mais urgente possível. “É isso que temos estado a ponderar, mas sempre procurando a todo o custo preservar a paz”, sublinhou.
“Então daqui para a frente os cenários podem mudar e isso vai depender da própria Frelimo, nós avançamos com a iniciativa
do diálogo, que abortou porque a Frelimo não quis, portanto daqui para a frente, a situação do país vai depender da própria Frelimo. Se ela reflectir e decidir voltar ao diálogo, nós continuamos abertos. Se achar que não então vai ter (a Frelimo) que enfrentar as manifestações populares”, afirmou o representante do partido de Afonso Dhlakama em Sofala.
Lole avançou também que o processo de criação de quartéis já anunciado pela liderança da Renamo já estava em curso em todo o país. Evitou entrar em pormenores, uma vez que, segundo disse, ainda é um processo interno, mas prometeu que brevemente os órgãos de comunicação social vão saber com todos os pormenores os lugares e as condições de aquartelamento.Perguntado se com a formação de quartéis a Renamo não estaria a dar o primeiro passo para o retorno à guerra, Manuel Lole respondeu que “nós já explicamos várias vezes, o próprio presidente do partido também já deu uma explicação sobre este assunto, o que se passa é que há uma fúria muito grande da parte dos nossos ex-guerrilheiros e não temos formas de como controlá-los. O nosso receio é que possa haver uma desobediência civil sem o controle da liderança da Renamo”.Reiterou que o aquartelamento visa controlar as forças que neste momento estão completamente furiosas contra o regime. Fez questão de esclarecer, quando questionado que não se trata de construir infra-estruturas convencionais (quartéis) com o propósito de fazer a guerra. “Estamos a falar de agrupar os nossos homens, não construir quartéis. Vamos criar agrupamentos em locais com um mínimo de condições como seja existência de latrinas, lugar para dormir e com condições para o abastecimento de água”, explicou a fonte.
Lole realçou que o mais importante é conseguir garantir o controle dos homens furiosos contra o regime “mas tudo isso na perspectiva de manter a paz.” “Devem estar recordados que depois da assinatura do Acordo Geral de Paz, quando o presidente da Renamo deu ordem para parar com a guerra, a guerra acabou, mas o que as pessoas, incluindo os nossos g
uerrilheiros esperavam é que a situação, até hoje, passados 19 anos fosse melhorar, no sentido de não haver desemprego no sentido de não haver injustiças e não haver humilhação e separação entre a Renamo e a Frelimo”, sublinhou.Acrescentou que também se esperava que a situação fosse melhor no sentido de uma verdadeira unidade nacional, “e não acontecendo isso, é lógico que as pessoas achem que não podem continuar a viver como se estivessem no tempo da guerra. Os nossos guerrilheiros hoje vivem pior do que estavam no tempo da guerra”, disse em jeito de lamentação.Os jornalistas quiseram saber do delegado político da Renamo as razões da escolha de Casa Banana para comemorar o Dia da Paz. Manuel Lole disse em resposta que uma das razões foi para responder a uma solicitação dos ex-guerrilheiros ali residentes. “A outra é porque esta zona é uma das zonas antigas zonas libertadas da Renamo, como sabem, Gorongosa é um ponto de referência da Renamo porque quase toda a sua história está ligada a este distrito onde tombou em combate André Matade Matsangaiça, primeiro comandante das forças da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO)”. “E é neste distrito onde Afonso Macacho Marceta Dhlakama se tornou presidente supremo da REANAMO depois da morte de André Matsangaiça. Também depois da morte deste último aconteceu uma crise muito grande no seio da Renamo, que se caracterizou pela fuga de muitos combatentes devido à morte do primeiro líder do movimento. Quando ele morrreu muitos combatentes foram levados pelo desespero e foi aqui em Gorongosa onde muitos jovens voluntariamente reforçaram as forças da Renamo para continuar com a revolução”, explicou o entrevistado.Sobre as zonas libertadas, Lole disse que “nós considerávamos zonas libertadas aqueles lugares livres do jugo comunista”. Justificou que “quando nós fizemos a guerra em 1977, foi porque o povo de Moçambique sofria a repressão do jugo comunista (leia-se governo da Frelimo). Chamávamos zonas libertadas porque essas regiões não sofriam influência do jugo comunista”, explicou.
Os antigos guerrilheiros e desmobilizados da Renamo do Rovuma ao Maputo estão prontos para cumprir a orientação do partido de avançar para as já anunciadas manifestações, só estão à espera da ordem de avançar. Esta foi a tónica da mensagem apresentada pelos combatentes pela democracia por ocasião das comemorações do 4 de Outubro, Dia da Paz, na localidade de Casa Banana, distrito de Gorongosa.A posição foi reiterada por Bartolomeu Fombe, desmobilizado e ex-combatente da Renamo, quando respondia a perguntas dos jornalistas presentes naquela cerimónia. Ele rejeitou o retorno à guerra, referindo que “nós não queremos guerra, só queremos que a nossa situação melhore. Para isso é preciso que acabemos com o regime marxista-leninista da Frelimo. Pedimos também ao
nosso líder e presidente Afonso Dhlakama, na nossa qualidade de desmobilizados de guerra para não tolerar mais a Frelimo, não permitir mais fraudes eleitorais”, disse Fombe.Ele falou da existência de muitos deficientes de guerra da Renamo que não usufruem de nenhum direito, “enquanto no Acordo Geral de Paz assinado em Roma eles (direitos) estão previstos. Nós lutamos pela democracia e todo o mundo sabe que a Renamo é que lutou pela democracia e nós como guerrilheiros da Renamo é que obrigámos a Frelimo a aceitar a democracia em Moçambique, mas hoje dizem que nós não temos direito a pensões porque lutávamos para desestabilizar o país. Mas isso é uma mentira da Frelimo porque assim como os antigos combatentes nós também participámos na guerra para expulsar o colonialismo”, explicou Fombe. A fonte acusa a Frelimo de discriminação e explica. “Quando se é membro da Renamo é como não pertencer ao povo moçambicano. As doações da comunidade internacional quando chegam ao país só beneficiam quem exibir o cartão de membro da Frelimo, por isso queremos tirar o partido Frelimo através de manifestações para que a Renamo assuma o poder e mostre como se faz uma boa governação”, sublinhou.Perguntado se isso não é pretexto para voltar a mergulhar o país noutra guerra, Fombe reiterou que “nós não queremos voltar à guerra. Temos também nossas famílas e nossos filhos aqui, mas não podemos ficar indiferentes porque nós como desmobilizados se o fizermos significa que estamos a pactuar com o plano que a Frelimo tem de acabar com a Renamo”.De referir que as comemorações do 4 de Outubro organizadas pela Renamo na Casa Banana, caracterizaram-se por um ambiente de festa com manifestações culturais ao longo da noite de 3 para 4 de Outubro, que contaram com a presença de muitas centenas de participantes entre residentes locais e convidados provenientes da Beira e outros distritos da província de Sofala.

Dentro de 10 anos Moçambique pode ser outro

A embaixadora do Reino dos Países Baixos em Maputo, a senhora Frédérique de Man, afirmou em Maputo que “Moçambique tem muitas potencialidades e consequente possibilidade de não continuar dependente de ajuda externa dentro de 5 a 10 anos”.“O país tem condições para depender de menos doadores externos dentro de 5 a 10 anos e tornar-se num país mais forte e sem precisar de dinheiro de fora”, afirmou. Frédérique de Man proferiu essas declarações à margem da visita do ministro da Agricultura e Comércio Externo da Holanda, que fez ao Pequeno Sistema de Abastecimento de Água no bairro do Albazine, distrito Municipal Ka Mavota .Segundo a embaixadora, a Zâmbia, Camarões e Burkina Faso, fazem parte de 17 países africanos que deixaram de receber apoios holandeses por várias razões, dentre as quais a auto-suficiência e as escolhas dos parceiros pela parte da Holanda.Questionado se a retirada do apoio do governo holandês a esses países tinha a ver com o facto dos mesmos terem cumprido com as metas definidas, a embaixadora da Holanda em Maputo respondeu que “tem a ver com onde termina o nível de colaboração possível”.“A escolha de um país é baseada com o nível de colaboração. Com quem devemos colaborar”, esclareceu Frédérique de Man.“Moçambique é um país de água, um país de delta. A Holanda tem um delta, enquanto Moçambique tem mais ou menos 13 deltas”, acrescentou. Entretanto, a Holanda está a ponderar a possibilidade de nos próximos tempos direccionar os seus investimentos em Moçambique para os sectores de agricultura e agro-indústria, depois de mais de 10 anos a apoiar os habituais sectores, nomeadamente água, saúde e educação.“Sempre trabalhamos no sector da água, saúde e educação, mas neste momento estamos a pensar mudar para agricultura”, disse um porta-voz da Embaixada dos Países Baixos em Maputo.“Neste momento penso que podemos dizer que o governo holandês ainda não tomou nenhuma decisão se podemos manter, aumentar ou mesmo reduzir o nosso apoio financeiro a Moçambique”, disse Felix Hoogveld, da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Maputo.Felix Hoogveld referiu, no entanto, que existe a possibilidade de “podermos manter os actuais níveis de apoio financeiro, podendo, caso seja aprovado pelo nosso governo, haver aumento dentro das possibilidades”.“Estamos a trabalhar aqui em Moçambique desde os anos 90. Nos últimos cinco anos, o investimento holandês no sector de Água em Moçambique totalizou 13 milhões de euros (moeda da União Europeia). No global, incluindo investimentos noutros sectores como por exemplo a saúde, educação, o montante ascendeu ao 55 milhões de euros nos últimos cinco anos”, acrescentou.Segundo a embaixadora, Moçambique é o quinto país no mundo com quem a Holanda tem cooperação para o desenvolvimento em diferentes domínios.
(Bernardo Álvaro)

segunda-feira, outubro 03, 2011

Adeus " Velho Gruva"

Bonifácio Gruveta Massamba, ultimamente general na reserva, deputado com assento na Comissão Permanente do parlamento moçambicano, alto quadro dos históricos da Frelimo, membro do Conselho de Estado por efeito do Despacho Presidencial Nº133/2005, de 14 de Dezembro desse ano, e “empresário de sucesso”, terá sido um dos originais, verdadeiros Libertadores moçambicanos.

Tinha 68 anos de idade.

Ele estava lá desde o início, ou seja de 1964, e nos meandros da guerrilha, ao ponto de parodiar, numa entrevista que concedeu ao Diário da Zambézia de 8 de Setembro de 2010 se de facto teria sido ele e não Alberto Chipande a dar o tal famoso primeiro salvo nas guerra para expelir o vírus lusitano das terras de Moçambique. Ele sugere que não foi Chipande. Não que interesse muito, mas enfim, a versão Chipandiana já fazia parte do folclore nacional e da aura daqueles tempos.Mas Bonifácio na ocasião da sua investitura com o Honoris Causa foi mais incisivo noutros temas. Referindo-se a recentes livros de “memórias” dos seus colegas da Libertação Sérgio Vieira e o legível “Voo Rasante” de Jacinto Veloso, disse – e cito: ““Tudo aquilo que os meus companheiros escreveram não é verdade, por isso, tenham calma”.

Como? o quê? é tudo mentira?

No que li na internet – essencialmente testemunhos avulsos – parece haver alguma percepção de ter havido “falhas” na chamada Frente da Zambézia na altura do arranque das hostilidades, e cujo responsável seria Bonifácio, então um miúdo com 22 anos de idade.Na tese de doutoramento de José Luis Cabaço (475 páginas cuja leitura recomendo e em que Bonifácio é citado cinco vezes no texto em si), lê-se que Gruveta não precisou de grande incentivo para se juntar à guerra contra os portugueses. Nascido perto de Quelimane, em miúdo vira o seu pai ser obrigado a fazer trabalhos forçados na zona do Gurué: “ Numa noite, os sipaios vieram à procura do meu pai. Tiraram-lhe o casaco, amarraram-no e foram. Dois dias depois apercebemo-nos que já estavam preparados e iam partir para o Gurué. Então eu fui-me despedir do meu pai. Entre duas estações havia um pequeno apeadeiro. Eu vi o meu pai a ser levado para o trabalho forçado. Acenei-o e ele também levantou a mão acenando para mim. Todos nós chorámos. Lá no Gurué, aonde ia meu pai, vivia um primo meu. Filho da irmã do meu pai. Então ele tomou conhecimento, tratou lá com os amigos e ele ficou a trabalhar numa carpintaria da empresa, portanto, do Manuel Freitas Junqueiro.”

Citando ainda da tese do José Luis Cabaço, com 19 anos Bonifácio sentia na pele o que era ser “preto do mato” na nomenclatura colonial moçambicana. Nas suas palavras, “Nós sentíamos a dominação colonial porque sem você ser assimilado você não tinha direito a bom emprego, porque mesmo para ser motorista você tinha que ser assimilado. Fui a Gurué para trabalhar na fábrica de chá da Companhia da Zambézia, e lá eu ganhava um escudo por dia, isto em 1958. Tinha ração, farinha e carne seca,, que vinha do mato, dos caçadores.”Exceptuando nos tempos mais recentes, em que já era afectuosamente apelidado de “velho Gruva”, ele é distinta mas discretamente, quase mudamente caracterizado como uma figura sinistra nos anos logo após 1975. Ele foi Governador da Zambézia entre 1975 e 1977 e depois perdi-lhe o rasto. Tirando a mensagem que recebi, não encontro quase nenhuns registos específicos de em que consistiu a sua actuação para que merecesse o rótulo, para além duma segunda mensagem, em resposta à minha expressão de desconhecimento, que vai mais abaixo, e uma referência numa reportagem de 1994.

Tendo passado os anos da guerra no esquema de protecção pessoal dos líderes da Frente, havendo ainda uma referência a ter coadjuvado Francisco Manyanga, comandante do Campo de Tunduru, na Tanzânia, Bonifácio foi o primeiro governador da Zambézia em 1975. Aliás, Bonifácio entrou na cidade de Quelimane (parando brevemente na sua terra natal, Namacata, para abraçar a mãe, que não o via há dez anos) seguido das suas forças da Frelimo em apoteose popular no dia 17 de Setembro de 1974, uns dias após fechada a rendição portuguesa e a transferência formal de poderes para a Frente, tendo, depois de um comício “de ordem”, ficado instalados na casa dos Padres Capuchinhos de Puglia em Quelimane, para total espanto dos mesmos, incluindo os padres Prosperino Gallipoli e Francesco Monticchio, e que não sonhavam ser essa considerada por estes a moradia mais segura da cidade. Isto durante um mês, até a tropa portuguesa vagar o quartel militar da cidade.Antes disso, Bonifácio fez parte da delegação da Frente que se sentou na State House em Lusaka com os novos líderes portugueses em 1974 para negociar e assinar os termos da rendição. A partir do dia 20 de Setembro de 1974 – uma semana e meia após os acordos assinados em Lusaka, Moçambique efectivamente estava sob o controlo da Frente de Libertação de Moçambique . A cerimónia em 25 de Junho de 1975, nove meses mais tarde, foi apenas uma formalidade administrativa.

Talvez um ténue indício de como terá sido esse período da inaugurada soberania popular na Zambézia nas mãos de Bonifácio, então um líder guerrilheiro batido e muito bem relacionado dentro do novo paradigma do poder e com apenas 32 anos de idade, é dado quase inocente, se inadvertidamente, numa entrevista que Manuel Araújo, um político da Zambézia que agora vai concorrer pelo partido MDM para a liderança da municipalidade de Quelimane na eleição intercalar naquela cidade em 7 de Dezembro próximo. Numa entrevista ao País que foi publicada há pouco mais que uma semana, a certo passo Manuel Araújo, que pertence a uma geração que já nada tem que ver com a anterior, disse o seguinte:“Na história de Moçambique, a Frelimo tinha criado quatro frentes. Eu tive o privilégio de ter tido uma cadeira sobre a história da Frelimo, no Instituto Superior de Relações Internacionais, que nos explicava os contornos da luta armada de libertação nacional. Essas frentes eram: Cabo Delgado, Niassa, Tete e Quelimane. (nota minha: não houve a 5ª frente no Sul?) Duas dessas frentes fracassaram e acabaram por serem encerradas por dificuldades: a de Tete e a de Quelimane. Por isso, houve sempre um mal-estar por parte da Frelimo com a Zambézia. Houve um erro estratégico por parte da Frelimo. Daí que apareceu o ódio visceral em que a parte dura da Frelimo tem e isso nunca conseguimos ultrapassar nestes 35 anos. Quando a Renamo chegou, encontrou um terreno fértil, pois quando a Frelimo chegou em 1975 disse: “vocês não alinharam connosco e agora vamos ver quem é que tem poder”. Se se recorda, a maior parte dos combates durante a guerra civil deu-se no Vale do Rio Zambeze. Nesse processo, houve generais, como Lagos Lidimo, que comandaram essas operações e que cometeram atrocidades gravíssimas: mataram milhares de pessoas utilizando bombas, aviões“mig” e helicópteros, sendo, por isso, que a população de todos os distritos da Zambézia se ressente desse processo.”Foi nesta altura que pelos vistos ocorreu aquilo a que o meu amigo moçambicano se referiu ao fim do dia de hoje num segundo “sms”. Cito-o: “Bonifácio Gruveta Massamba foi um dos matadores da Frelimo, o Khmer Rouge de Moçambique. Foi (ele) que em tempos mandou encerrar as escolas de Quelimane e obrigou a crianças a irem para o estádio, a fim de assistirem aos fuzilamentos.”A única outra referência aos “fuzilamentos”, que não sei de quem, ou porquê, foi feita em Outubro de 1994 por Afonso Dlakhama, o líder da Renamo, então a concorrer para a eleição desse ano e que se encontrava na Zambézia, vista como um bastião de apoio da Renamo. Um artigo do jornal português Público de dia 5 de Outubro de 1994 refere o que então disse à multidão num comício. «Vocês lembram-se dos fuzilamentos no estádio de Quelimane, dirigidos por este governador da Frelimo, o Bonifácio Gruveta?» A multidão, primeiro tímida, respondeu em coro: «Sim!»

Mas na mesma entrevista a que acima se aludiu, o Prof. Araújo lamenta o esquecimento a que supostamente estaria sujeito o seu conterrâneo Bonifácio Gruveta.O que se torna algo desconcertante, se se tiver em conta ser do conhecimento público e sugerir-se que o edil cessante de Quelimane, Pio Matos, eleito pelas listas da Frelimo, viu o seu partido literalmente puxar-lhe o tapete por debaixo dos pés precisamente porque Pio de Matos, entre outras razões – e cito um recente trabalho do magnífico jornal Savana sobre o assunto – “se recusava a prestar vassalagem a algumas figuras históricas da Frelimo que tomam a Zambézia como sua propriedade privada e interferiam em demasia na gestão diária daquela autarquia. Citam o nome de Bonifácio Gruveta, intitulado como o “Dono da Zambézia”.A peça do Savana vai um bocado mais longe: “Gruveta, apoiante de um outro candidato da Frelimo Lourenço Abubacar (empresário e proprietário do Hotel Milénio), ganhou apoios na cúpula formal da Frelimo nomeadamente da parte do Secretário-Geral, Filipe Paúnde, do controverso secretário Edson Macuácua e da própria ministra Carmelita Namashilua”.Certamente que se espera que o desaparecimento deste grande “barão” da política zambeziana (como se diz de alguns políticos do norte português) influirá no decorrer dos eventos nos próximos meses pelo menos em Quelimane.

Recentemente, e cito a mensagem da Agência Lusa de hoje, “a imprensa moçambicana associou (o General Gruveta) nos últimos tempos a empresas responsáveis pela pilhagem de madeira exportada de Moçambique para a China, uma imputação que o general rejeitou veementemente.” O algo panfletário mas sempre legível Canal de Moçambique, publicado em Maputo, foi bem mais longe nas acusações. Na sua edição de 2 de Fevereiro de 2007 referiu-se assim ao General: “nas investigações que levou a cabo durante a sua estadia na Zambézia (o jornal) soube que o coro de queixas dos fiscais da área florestal, nessa conferência, foi muito forte. Houve quem di s s e s s e c l a r a e abertamente que mandar travar o saque e fazer cumprir a lei era, o mesmo que assinar a certidão de desemprego. “Quem faz isto são os chefes. Temos medo de ficar desempregados”. Para quem já teve a oportunidade de estar na Zambézia e frequentar os v á r i o s c í r c u l o s s o c i a i s m u i t o rapidamente se terá apercebido que existe um nome temível: Bonifácio Gruveta Massamba. Este general é uma espécie da “lei suprema”. “Até os governadores sabem que ele é quem d e f a c t o m a n d a n a p r o v í n c i a ” . “Parecem bonecos nas mãos dele”. Também lhe chamam o “campeão do saque” e o “protector dos predadores”.Bonifácio Gruveta era um accionista de referência de uma das principais empresas madeireiras locais.Há ainda o caso um pouco mirabulante da sua parceria num projecto turístico multi-milionário na pequena Ilha do Fogo em Pebane, que, caracteristicamente, originalmente estava perfeitamente bloqueado e inviabilizado até que, logo após Bonifácio se ter associado a ele, como que por magia, tudo foi viabilizado. Os sócios referidos neste que é o maior investimento turístico da história da Zambézia são os Srs. Torrie Potgieter, Johannes van Heerden, Marius Boer, Bonifácio Gruveta e Belmiro Lampião. Nada mau, para uma ilhota deserta com menos que 44 hectares, a vinte quilómetros da costa zambeziana. Nada mau, para um ex-guerrilheiro sem dinheiro e sem experiência de gestão.Mas entenda-se que só se não fosse assim é que surpreenderia.

A popularidade do “Velho Gruva” entre as gerações mais jovens e intocadas (e ignorantes na quase totalidade) pelo passado recente do após-Independência, subiu consideravelmente quando, em total contra-corrente com a Frelimo e o governo durante as graves perturbações da ordem pública em 2010, Bonifácio basicamente foi à televisão e disse que as pessoas que se haviam revoltado tinham razão.

Apropriadamente, o Diário da Zambézia já fez as honras ao velho General na sua edição de hoje na internet. “Outra vez luto para Zambézia. Mas porquê tem que ser assim? Morreu mesmo o General Bonifácio Massamba Gruveta? Inacreditável. Mas não há como foi se embora aquele que defendia os interesses do seu povo. O primeiro Governador da província após a independência nacional. Gruveta foi-se e deixa muita coisa numa altura em que a província e a cidade o precisava. O que terá acontecido com o velho pahh? Não havia como salva-lo? Lágrimas não param de chover no seio dos zambezianos porque mais uma vez foi-se mais um. Porquê tem que ser assim? O velho “Gruva” como o tratávamos, era amigo, embora alguns o temiam, mas era simples pessoa. Varios “sms” via celular circulam pela morte do general na reserva. Questiona-se se é verdade ou não. Porque estaria-se a mentir? Nada, será que o velho foi-se mesmo numa altura destas? Não há palavras neste momento e apenas dizer “adeus embondeiro”. Paz a sua alma.”Uma nota final. Se algo se pode aperceber desta pequena crónica biográfica, é que muito pouco está escrito sobre capítulos inteiros da história de Moçambique. Em que, quer se queira quer não, personalidades como o General Bonifácio Gruveta Massamba nela estão inescapavelmente inscritos. Entendê-las, e o seu percurso, é entender o que foi, quando foi, onde foi e porque foi.Num discurso proferido no feriado de 7 de Setembro de 2006, o Presidente Armando Guebuza referiu-se a, entre outros, Bonifácio Gruveta, como uma “figura lendária” do firmamento moçambicano.Gerações futuras – certamente não esta – o decidirão.Para já, ainda não percebi o que foi aquilo dos fuzilamentos em frente às crianças de escola. Pois nada encontro escrito sobre o assunto (há quem afirme serem os mortos culpados pelo assassinato de padres residentes em Milange e de uma família algures na Zambézia*)

Mas pelos vistos, na Zambézia, em Quelimane, todos se lembram desses dias.(The Delagoa Bay Blog) (*Obs de Muliquela)

Obrigamos a Espanha a prolongamento !

Não subimos ao pódio, mas estivemos muito bem perto de o fazer. Mas os hoquistas moçambicanos saem de cabeça erguida de San Juan, na Argentina, após terem deixado boquiaberto o mundo, com exibições entusiasmantes de 24 de Setembro até sábado.

Albert Sachs, um senhor

A Universidade Politécnica conferiu, em Maputo, o título honorífico de Doutor Honoris Causa, em Humanidades na Especialidade de Gestão e Resolução de Conflitos, ao juiz sul-africano Albert Louis Sachs, carinhosamente tratado por Albie Sachs. A cerimónia teve lugar neste estabelecimento de ensino superior e contou com a presença do Chefe de Estado mocambicano, Armando Emílio Guebuza, membros do corpo diplomático, entre outras figuras do Governo e do Estado.Albie Sachs é um reconhecido activista pelos direitos humanos desde os seus 17 anos de idade, quando ainda como estudante do segundo ano de Direito, na Universidade de Cape Town, em plena era do 'apartheid', participou na campanha contra Leis Injustas, e que viria a resultar na adopção da Carta da Liberdade, tida como a declaração de princípios fundamentais do Congresso da Aliança. Intervindo na ocasião, o Presidente da República disse que “aceitar receber tão alta distinção e concedê-la a quem merece, por mérito próprio, são duas atitudes que se transformam numa construção única e que, de forma simbiótica, se apoiam naturalmente para elevar o nome do graduado para novos patamares, e o da instituição para novos horizontes, no firmamento académico”.“Assim umbilicados, a Universidade Politécnica fica, indelevelmente, ligada ao outorgado e o Albie Sachs, para todo e sempre, ligado à Universidade Politécnica”, referiu.Por seu turno, o padrinho do Doutor Honoris Causa, o antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano, disse na ocasião que “estamos aqui perante um homem que, pela sua maneira de ser e de estar, e pela sua acção ao longo de toda a sua vida, nos demonstra que houve pessoas de raça branca, descendentes de europeus, que não aceitaram desfrutar das regalias que lhes eram oferecidas, porque eram contrárias às mais básicas normas da moral e do direito que é de cada ser humano”.“Refiro-me ao homem pelo qual solicito o grau de Doutor Honoris Causa das Ciências Humanas na especialidade de Gestão e Resolução de Conflitos. Trata-se do senhor Albert Louis Sachs, que, desde a sua infância, é conhecido como Albie Sachs, um homem de raça branca que nasceu na África do Sul, em 30 de Janeiro de 1935”.Por seua vez, Albie Sachs, na sua primeira oração de sapiência, lembrou o atentado à bomba que sofreu em Maputo, perpetrado pelo regime de 'apartheid'.