segunda-feira, maio 02, 2011

Americanos irritados

Autoridades dos Estados Unidos disseram que o fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi morto com um tiro na cabeça após resistir à prisão, em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 quilômetros de Islamabad, no Paquistão.Segundo relatos do governo americano, Bin Laden foi morto numa mansão cercada por muros de até seis metros de altura, que era oito vezes maior que outras casas na região e foi avaliada em 'vários milhões de dólares', apesar de não ter telefone ou conexão de internet. A operação teria durado cerca de 40 minutos.A mídia nos Estados Unidos noticiou que o corpo foi 'enterrado no mar' para evitar que o túmulo de Osama Bin Laden fosse tratado como um local sagrado. Isso teria sido feito em menos de 24 horas depois da morte em respeito à prática islâmica.Segundo o Presidente americano Obama, a operação que matou Bin Laden não deixou nenhum americano ferido.Autoridades americanas dizem que três outros homens teriam sido mortos no ataque - um dos filhos de Bin Laden e dois de seus mensageiros. Uma mulher também teria sido morta após ser usada como 'escudo' e outras duas mulheres teriam ficado feridas.Um helicóptero usado na operação sofreu 'problemas técnicos' e foi, depois, destruído e abandonado. A equipe deixou o local em um segundo helicóptero.Um morador da região, Nasir Khan, disse à agência Reuters que os helicópteros foram alvo de 'fogo pesado' vindo de atiradores que estavam em terra.O tamanho e a sofisticação do complexo residencial 'chocou' as autoridades americanas.A mansão fica a menos de 1 km da Academia Militar do Paquistão, a principal base militar do país.

Continuar a lutar pacificamente

O Presidente da Organização dos Trabalhadores de Moçambique - Central Sindical (OTM-CS), Carlos Mucareia, disse que não basta criar estruturas de dialogo social e laboral sem pô-las a funcionar.Ele reiterou que a questão da cesta básica adoptada pelo Governo, por exemplo, devia ter sido antes submetida a Comissão Consultiva de Trabalho (CCT) para receber os subsídios necessários.“Não basta criar estruturas é preciso pô-las a funcionar. A questão da cesta básica adoptada pelo Governo, por exemplo, devia ter sido antes submetida a CCT para receber os subsídios necessários”, reiterou Mucareia, no final do desfile que juntou, em Maputo, entre 20 mil e 35 mil trabalhadores. Na baixa da capital, os trabalhadores maioritariamente uniformizados com t-shirts com inscrições alusivas à data e capulanas, empunhavam dísticos, cartazes e tarjas com denúncias sobre as más condições de trabalho, acusações de corrupção ao partido no poder e queixas directas ao chefe de Estado, Armando Guebuza, e à ministra do Trabalho, Helena Taipo, ausentes da cerimónia."FRELIMO devolva o dinheiro que roubou dos ´madjermanes`", lia-se numa enorme faixa que os ex-trabalhadores moçambicanos na antiga RDA empunhavam.A frase é uma forma de manifestar descontentamento pelo fato de o Governo moçambicano não ter alegadamente pago a totalidade das indemnizações canalizadas pela Alemanha resultantes da rescisão de contratos de trabalho. Numa manifestação bastante concorrida, que decorreu sob o lema “Sindicatos por um diálogo social efectivo”, os trabalhadores exigiram, entre outros direitos, uma justa distribuição da riqueza, investimento na formação profissional, combate cerrado contra a criminalidade, corrupção e emprego precário. Os trabalhadores dos serviços de limpeza do município de Maputo optaram por uma exigência direta ao chefe de Estado, lembrando-lhe: "Guebuza, o povo está com fome".A alegada indiferença das autoridades moçambicanas em relação às más condições de trabalho também foi denunciada durante o desfile, em que os trabalhadores do Banco Comercial de Investimentos (BCI) do grupo português Caixa Geral de Depósitos acusam o Governo de "conhecer os problemas dos trabalhadores, mas preferir sentar por cima".Por outro lado, Carlos Mucareia, exortou, no final do desfile, as entidades empregadoras a continuarem a dialogar com os trabalhadores nos locais de trabalho por forma a se alcançar melhores salários, de acordo com as condições de cada empresa.
“Estamos certos de que a nossa mensagem enriquecida com as diferentes mensagens dos trabalhadores tenha alcançado o objectivo e que os empregadores tenham tomado nota de todas as questões levantadas porque o trabalhador moçambicano esta a crescer e a consolidar-se em cada espaço”, afirmou Mucareia.Ele acrescentou que, hoje em dia, “o trabalhador sabe o que quer e como quer”.A mesma fonte indicou que os trabalhadores moçambicanos, ano após ano, tem demonstrado claramente a sua disponibilidade em continuar a lutar, pacificamente, pelos seus direitos, sublinhando que qualquer gesto de violência só gera violência e que esta só destrói e nunca constrói. Contrariamente aos seus antecessores, o actual chefe de Estado moçambicano nunca, em 7 anos de presidência, participou nas cerimónias do Dia Internacional dos Trabalhadores, uma atitude vista como forma de evitar a exposição do Presidente a manifestações que a cada ano que passam tem sido marcadas por mensagens mais hostis ao executivo.Num dos desfiles de 1º de Maio, o ex-chefe de Estado moçambicano Joaquim Chissano foi insultado em plena tribuna da Praça dos Trabalhadores pelos ex-trabalhadores na antiga Alemanha do Leste, tendo o Presidente respondido na altura de forma diplomatica e realismo ajustado as carências do país.

Bin Laden na posse dos americanos

Centenas de pessoas concentram-se em festa junto à Casa Branca, a residência oficial do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que hoje anunciou a morte de Osama Bin Laden numa ação das tropas especiais norte-americanas.Num discurso ao país anunciado com cerca de uma hora de antecedência, Barack Obama revelou alguns pormenores da operação militar desencadeada nas últimas semanas para "deter e levar à Justiça" o líder da Al-Qaida, mas Osama Bin Laden acabaria morto durante uma troca de tiros entre as tropas americanas e os seus seguidores. “Há quase 10 anos, sofremos o pior ataque de nossa história. Um dia que nunca sairá de nossa memória. Hoje, para as famílias que perderam alguém na guerra ao terror, podemos dizer que a justiça foi feita”, afirmou Obama.Considerado desde os atentados do 11 de Setembro de 2001, incluindo o ataque às Torres Gémeas do World Trade Center, como o principal alvo dos Estados Unidos, Osama Bin Laden era procurado pelas autoridades norte-americanas nas regiões montanhosas do Paquistão, local onde acabaria por morrer.

domingo, maio 01, 2011

Rapto de gêmeas

A Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Namaacha, a norte da província de Maputo, diz ter detido recentemente três indivíduos, identificados por Mónica, Artur e Carlos, acusados de envolvimento no rapto de duas crianças gêmeas de três anos. As duas crianças desapareceram da casa da patroa do pai delas, em circunstâncias estranhas, no passado dia 11 de Março e até hoje se desconhece o seu paradeiro, apesar de dois dos indiciados assumirem que levaram-nas para a vizinha África do Sul.A polícia naquele ponto do país explicou ao “DM” que os dois primeiros presos são vizinhos e admitem ter levado as crianças para a vizinha África do Sul, onde vivia Carlos, detido naquele país e extraditado para Moçambique em conexão com o mesmo caso.De acordo com a comandante distrital da PRM, Suzana Chiulele, as buscas efectuadas, tanto em Moçambique, como na República da África do Sul, não resultaram em nada e o acusado, que se diz que ter recebido as crianças naquele país, não admite a culpa, mas a polícia local o deteve e o extraditou para cá.“Mas como tudo indica que eles é que raptaram as crianças, estamos a tratar de legalizar a sua prisão”, salientou a fonte, acrescentando que os trabalhos de busca para a localização dos menores e deter mais envolvidos, caso existam, continuam.Segundo as nossases ocorreu quando se encontravam a brincar num quintal pertencente à patroa do pai, numa altura em que este estava a fazer trabalhos num ponto distante da residência.O pai das menores, Mateus Magagule, explicou que no dia em que a situação ocorreu, chegou à casa da patroa para fazer certos trabalhos de campo e, como de costume, deixou os filhos de três anos com ela porque se tratava de um local distante da residência.“Só que, mais tarde, ela me procurou perguntando se não tinha visto as crianças”, referiu, acrescentando que, depois disso, ela recomendou-lhe para informar sobre o sumiço das crianças à direcção de uma rádio comunitária local, para difundir, na tentativa de ajudar na sua localização. Mais tarde foram à polícia.“Já passam muitos dias e eu só quero meus filhos. Não quero lançar culpas para ninguém, mas há informação de que a minha patroa está ligada a duas senhoras daqui, conhecidas como estando envolvidas no tráfico de pessoas e de órgãos humanas”, disse.Disse que, no princípio, a patroa encontrava-se detida, mas, posteriormente, foi solta pela polícia por alegadamente não houver indícios do seu envolvimento no rapto das menores. Sabino Machava, presidente de uma organização não governamental que opera naquela região do país, salientou que estas agremiações estão a acompanhar o assunto e prestar apoio aos pais. Acrescentou que este caso ainda precisa de ser bem estudado pela polícia. Na sua opinião, tudo indica que se trata de indivíduos que vivem daquele tipo de trabalho.

"Winnie a Ópera"

A presença de uma Winnie Madikizela-Mandela sorridente e descontraída na estreia de "Winnie a Ópera" no State Theatre, em Pretória, teve todos os sintomas de aprovação da versão dramatizada da sua vida, mas o público sul-africano não parece convencido.Personagem de extremos, Winnie é o tipo de pessoa que apenas suscita ou ódio ou amor na opinião pública. Nunca indiferença. Ao esterilizar a personagem, numa tentativa de contar com a sua participação e empatia, os produtores Bongani Ndodana-Breen e Warren Willensky correram o risco de afastar o público típico da ópera na África do Sul e terão agora de viver com isso durante os curtíssimos seis dias em que a peça estará em cena na capital."Winnie a Ópera" narra os momentos dramáticos de uma vida dedicada em grande parte à luta contra a opressão do "apartheid". Como tal, retrata momentos pungentes, como aqueles em que Winnie é chicoteada, insultada e humilhada numa cela, às mãos da polícia do regime minoritário branco. Esse era um tempo em que os seus gritos de socorro se perdiam na imensidão do território antes de chegarem à pequena ilha-prisão onde o seu então companheiro, Nelson Mandela, viveu 18 dos 27 anos de cárcere.Mas a vida de Winnie contém muito mais do que esses momentos. Tem uma condenação por sequestro de um ativista adolescente suspeito de colaboração com o anterior regime, e que viria a ser morto pelos guarda-costas de Winnie; condenações por fraude e burla; múltiplos incidentes de desrespeito às autoridades já depois de instituída a ordem democrática; uma colagem constante às franjas políticas mais radicais; e, acima de tudo, um divórcio litigioso do maior ícone da luta política durante o qual foi desvendado que ela foi infiel a Mandela durante e depois da luta.Todos esses episódios fizeram de Winnie Madikizela-Mandela uma espécie de "bête noire" da política pós-1994. Ao ignorá-los, os autores da primeira ópera escrita, dirigida, produzida e cantada por sul-africanos sabiam bem os riscos que corriam, mas é cedo para apurar se valeu a pena por de pé uma tão louvável produção, sob pena de os seus custos serem integralmente cobertos pelo Estado, que a subsidiou na totalidade.A ópera abre com uma audiência da Comissão da Verdade e Reconciliação, em 1997, durante a qual Winnie é acusada de cumplicidade direta no sequestro e assassínio do adolescente Stompie Seipei. A cena de abertura constituiu também uma forma, mais ou menos habilidosa, de lidar com a controvérsia. Uma espécie de varrer para baixo do tapete a sujidade, dando depois à peça todo o lastro possível na construção da heroína que ainda hoje, apesar de rejeitada pelo ex-marido por traição, gosta de ser vista e descrita como "a mãe da nação".A cantora Maswangani, que dá corpo e voz a Winnie Madikizela-Mandela, revela solidez e confirma um talento que já lhe havia granjeado sucessos anteriores (como Museta em "La Bohème" de Puccini e Vallencienne na opereta "A Viúva Alegre" de Lehár) num estilo ainda pouco popular entre a maioria negra da África do Sul."Se alguma pressão senti foi pelo facto de trabalhar numa ópera em grande escala, não pela personagem que encarno. Para mim é apenas mais um trabalho, e contar uma história", desdramatizou Maswangani em entrevista recente.

Há menos capacidade para suportar a pobreza!

É dos mais activos académicos moçambicanos, em termos de produção científica. Economista de grande gabarito nacional, docente universitário, Professor Doutor em Ciências Agrárias, João Mosca. Foi com este reputado académico moçambicano que o Canal de Moçambique dialogou sobre diversos assuntos da vida do país, mas com principal enfoque na economia. Mosca responde a todas as questões que lhes são colocadas. Transcrevemos aqui a terceira e ultima parte da entrevista.

CM: Uma situação que parece paradoxal é que o país é “pobre”. As diversas avaliações internacionais, como o IDH das Nações Unidas, mostram que Moçambique está entre os dez países mais subdesenvolvidos do mundo, mas estando em Maputo é possível ver carros de elevados custos a circular: limusinas, Hummers, e temos palácios de luxo aqui… a que se deve essa disparidade? Que pressupostos da Economia Política podem explicar esta realidade?

JM: Isso deve-se ao facto de termos um padrão de acumulação e de distribuição super concentrado. Isto é, quem se beneficia dos recursos externos, quem se beneficia do pouco crescimento económico que existe, quem se beneficia das poucas iniciativas empresariais, é cada vez mais um grupo restrito de pessoas. Não existe um processo de crescimento económico inclusivo. Isto porquê? Porque os sectores que estão a promover o tal crescimento económico são poucos. E sob estes sectores, o grupo das pessoas que se beneficia é pouco, não só do lado do capitalista, do investidor, mas também da geração do emprego. Vai ver a Mozal, vai ver a Sasol, vai ver os projectos de exploração de carvão, são sectores pouco geradores de emprego comparativamente com o volume de investimento realizado. Isto indica que este modelo de crescimento económico produz uma grande acumulação de recursos, seja na sua produção, assim como na distribuição, logo uma grande parte da população não é abrangida por este processo de crescimento económico. O quê isso significa? Que há cada vez mais uma grande desigualdade de rendimento entre a população: os mais ricos são cada vez mais ricos e os mais pobres são cada vez mais pobres. Devo adiantar que já existem evidências claras e documentos mais sérios e conhecidos, em como a pobreza em Moçambique nos últimos anos não diminuiu e até tende a aumentar. Principalmente nas zonas rurais e não só, assim como nas zonas urbanas. Já existem estudos que confirmam absolutamente isso. Isso significa que a política de combate à pobreza ao fim de 4 a 5 anos não resultou! Mas porquê? Crescimento e riqueza concentrados, não existe distribuição de recursos, não existe processo de crescimento económico de recursos, logo as desigualdades sociais estão a aumentar, está a aumentar a pobreza.

JM: O economista David Lands escreve na sua obra “A Riqueza e a Pobreza das Nações” que, para garantir a segurança dos ricos, é preciso garantir o mínimo de bem-estar aos pobres”. Com esta situação que Dr. descreve aqui, aonde iremos chegar no tocante à estabilidade social do país?

Mosca: Há pessoas que já foram do Governo e que trabalham actualmente muito perto do poder que dizem que se entre o 5 de Fevereiro (de 2008) e 1 de Setembro (de 2010) foram dois anos e alguns meses, agora se calhar a previsibilidade de convulsões pode ir reduzindo. O que quer dizer com isso? Quer dizer que enquanto as desigualdades sociais, a situação da pobreza vão aumentando, as pessoas vão tendo cada vez mais conhecimento, vão tendo cada vez mais acesso à informação, vão tendo a certeza de que a riqueza está concentrada nas mãos de algumas pessoas. Então, juntando todos estes factores as pessoas ficam indignadas e quando há indignidade a revolta é normal. Portanto, não há nada que nos possa garantir que não haverá mais “1 de Setembro” e se calhar, como alguém já disse, num curto período de tempo do que aquilo que nos separou de 5 de Fevereiro. Mas há uma coisa importante. As pessoas têm cada vez menos capacidade de aguentar a pobreza. As pessoas sabem que são pobres e resignam-se por isso, mas cada vez menos aceitam essa resignação. E muito menos nas cidades, porque as pessoas vêem a riqueza, vêem os recursos, vêem as pessoas a exibir o luxo. Vêem a possibilidade de melhorarem as suas condições de vida, mas não lhes é dada essas oportunidades. Pelo contrário, são reprimidas, não há uma comunicação para lhes informar da situação, não existe uma relação Estado, governantes e governados.Portanto, as pessoas sentem-se indignadas. Têm a noção de que podem não ser pobres, querem não ser pobres, mas não podem. Então, as pessoas aderem (às revoltas). É diferente do homem aqui de Polana-Caniço que está em contacto permanente com a riqueza, tem uma capacidade de sustentar a sua pobreza muito diferente da pessoa que está em Gorongosa, que não sabe o que se passa em Maputo, não tem a noção do que se passa em Maputo. A sua capacidade de sustentar a riqueza é muito maior, para ele a pobreza é como se fosse uma “maldição de Deus”.

CM: As instituições internacionais continuam a drenar recursos em nome do povo, mas estes parece que só beneficiam a alguns… será importante manter a ajuda externa nos moldes em que vem?

JM: Primeiro, é importante dizer que nós não podemos, num espaço médio de tempo, e se calhar de bastantes anos, prescindirmos da ajuda externa. Seria uma catástrofe. Portanto, nós devemos aceitar que a ajuda externa é absolutamente necessária ao país.O que nós criticamos é como são canalizados os recursos externos. É correcto que os recursos externos sejam canalizados via Estado ou é correcto que a comunidade internacional financie directamente os projectos sem passar pelo Estado? Porque, mesmo que exista corrupção nesses projectos será uma corrupção mais distribuída. E a corrupção é mais concentrada se for realizada pelo Estado.

Portanto, o financiamento directo aos beneficiários, comunidades e aos empresários, é uma das melhores formas. Outra forma é haver pressões no sentido de se assegurar que a governação deve ser transparente e tem que haver medidas violentíssimas para acções de corrupção. E deve ser aprofundada a lei sobre o conflito de interesses. Existe esta lei, a que obriga os titulares dos altos órgãos do Estado a declarar o seu património, mas estas leis não são cumpridas, e quem cumpre individualmente, num caso foi criticado.Portanto, estas são partes muito importantes para que os recursos externos, que são importantes, sejam utilizados para o desenvolvimento da nação.

Por outro lado, é importante que os recursos externos sejam canalizados para sectores que gerem emprego e que produzam riqueza de uma forma socialmente mais ampliada possível.Eu estou de acordo com que se deve fazer uma diplomacia inteligente, no sentido de assegurar a continuação dos recursos, mas também estaria de acordo que os recursos fossem destinados cada vez mais aos beneficiários, mas também estaria de acordo que houvesse uma lei de conflitos de interesse, lei de obrigação de declaração do património.De qualquer maneira é muito importante ter uma estratégia de saída da ajuda externa. E esta estratégia permitiria que daqui a 15 anos a nossa dependência seja reduzida ao mínimo sustentável, e não ter um mecanismo, uma forma de governação assente na ajuda externa, que é aquilo que acontece neste momento.Estamos numa lógica de crescimento com base em recursos que são doados, aumento da dependência externa, porque há pessoas que ganham com isso.A elite africana, e também moçambicana, não está interessada com a endogeneização da economia interna, não está interessada em sair da dependência, precisamente porque há uma elite política que se beneficia com isso.

CM: Temos recursos naturais: carvão, gás. Agora foi anunciada a descoberta de petróleo, ouro, prata. Com este modelo de governação que temos, será que o Povo pode comemorar a descoberta destes recursos? Estes recursos são mais-valia para o desenvolvimento do país?

JM: As experiências que nós temos são de que em África, também nos países árabes, embora nestes cada vez menos, países com grandes quantidades de recursos naturais, são países com sérios problemas políticos, sociais e de instabilidade.Isso porque os recursos são retirados à nação, beneficiam grupos minoritários no país, as populações não se beneficiam disso, e portanto os países têm cada vez menos esses recursos porque são recursos não renováveis e gera-se problemas. Temos problema de Cabinda, temos problema de Biafra, temos problema de Sudão, assim temos situações em muitos outros países. Os recursos não são maus, mau é a forma como nós vamos utilizá-los. Por exemplo, a nossa energia é mais cara do que a energia da África do Sul, mas a energia é feita em Cahora Bassa. O que isso significa? Significa que as nossas próprias empresas que produzem esses recursos, também são pouco eficientes. A água não vem de fora, é local. Então há problema de eficiência em toda a cadeia de produção de energia para poder fazer a energia chegar barata para todos os consumidores. Então, é tudo uma questão de gestão macroeconómica. Por exemplo, porquê é que as grandes empresas não pagam imposto em nosso país? E se pagassem imposto? Existem estudos que indicam que se estas grandes empresas pagassem imposto, não precisaríamos da ajuda externa para o Orçamento do Estado. Precisaríamos de ajuda para outros objectivos, mas não para o Orçamento do Estado. Mas elas não pagam imposto.

CM: A tese do Governo é que “se fosse para pagar impostos, estas empresas não estariam cá”. Estão cá precisamente devido a esse incentivo de isenções fiscais, neste momento, mas depois de algum tempo terão que pagar impostos...

Mosca: Não. A Mozal pode ser uma caso particular porque importa a matéria-prima. Mas o caso de carvão, eles vêm buscar o carvão cá; o caso de gás, eles vêm buscar o gás cá, o caso das areias pesadas, idem, algodão, idem. Portanto, eles vem buscar recursos, porque é necessidade deles. Se eles não vêm cá buscar os recursos, podem ir buscar noutros sítios, mas nalgum momento eles terão que vir buscar porque Moçambique tem algumas reservas interessantes de gás, de carvão e tem um potencial produtivo de energia para a África do Sul que tem um défice violento de energia que nós devemos aproveitar.Portanto, nós temos recursos. Se eles querem recursos estão cá. O caso da Mozal é um pouco diferente, porque a Mozal importa a matéria-prima, não aproveita recursos locais, portanto o caso da isenção dos impostos pode fazer algum sentido para a empresa permanecer cá. Mas também há estudos que provam o contrário.Por exemplo, Castel-Branco diz que isso não é verdade. Portanto, é preciso ver até que ponto a taxação provocaria a saída das empresas do país.Os recursos naturais de um país devem beneficiar a sua população. Por exemplo, a Sasol exporta gás, mas ao longo do viaduto, de Inhambane até a fronteira, quantas comunidades se beneficiam com o gás? Com bocas de saída de gás para iluminar as comunidades de uma forma sustentável, de uma forma não poluente, e se calhar mais barata, quantas populações se beneficiam? Zero!

CM: Ainda sobre a forma como são explorados os nossos recursos naturais, nós importamos a matéria-prima. Exportamos o gás em viadutos, exportamos a madeira em troncos, não seria mais viável importar produtos acabados? Será que temos uma engenharia qualificada para controlar quanto gás sai do país por pipelines?

JM: Tudo isso são coisas que é preciso equacionar. Primeiro, é preciso ter pessoal formado e qualificado que trabalhe no sector. E não sei se nós estamos a formar pessoal com alta qualificação para isso. Os angolanos têm alta qualificação nos petróleos, eles não estão a brincar com o petróleo.Nós não temos domínio tecnológico de petróleo, do gás, do carvão, nós não temos pessoal moçambicano qualificado para isso.Também estou de acordo que poderíamos aproveitar os nossos recursos de uma forma sustentável, que poderíamos ter níveis de extracção dos nossos recursos a longo prazo para que as futuras gerações também se possam beneficiar.É o caso das florestas. Têm o seu ciclo de reprodução, mas tiramos lá os produtos indiscriminadamente. As pescas idem.O que se está a passar com os garimpeiros das pedras preciosas e de ouro em Manica são coisas absolutamente violentas para a natureza, para as pessoas e não sustentáveis. Mas as licenças das minas estão localizadas em certo grupo de pessoas.O que acontece nas pescas, nas florestas, é que você tem a licença, mas você não é pescador. Então vem um empresário, deve comprar licença a si. Você vende a licença e fica em casa a ver televisão porque você conhece alguém no aparelho do Estado que lhe deu a licença de pesca e portanto, assim vivemos! Desta forma não é possível desenvolver o país! Nós estamos a exportar agora depois de uma lei que saiu há dois, três anos, madeira com pequena transformação, mas nossas fábricas de serração estão fechadas. Nós tínhamos indústrias de contraplacados que exportavam em Moçambique, a partir da Beira, que hoje estão completamente em ruínas. Se viaja na estrada que sai da Beira para Manica, vê do lado esquerdo a fábrica em perfeita ruína! Nós estamos a exportar a matéria-prima!Portanto, nós não estamos a beneficiar o país, mas com certeza que há quem está a beneficiar.O chinês não vem cá e entra na floresta, sozinho! Ele começa na pessoa que vai lhe passar a licença, passa pela empresa que vai fazer corte e até nas pessoas que vão na floresta buscar a madeira, portanto isso é uma cadeia de interesses que beneficia um grupo muito restrito de pessoas.

CM: As manifestações de Setembro de 2010 obrigaram o Governo a adoptar uma séria de medidas de austeridade, dentre a redução de viagens aéreas de dirigentes em classe executiva. Pensa que era preciso que a população queimasse pneus para o Governo tomar este tipo de medidas?

JM: Era absolutamente desnecessário! É aquela coisa de que “dinheiro dado não custa gastar”. Dinheiro que você não produziu, consome e gasta rapidamente. Nos temos o sentido de consumo. As pessoas que têm dinheiro, o que fazem? Compram carro, casa, quinta na Matola. Quando vão de férias na quinta na Matola passam de supermercado e compram tomate. Mas tem lá a quinta com capim e não produzem tomate. Compram tomate para fazer festa na quinta. Galinha, ovo, cebola e etc. Portanto, nós temos espírito de consumo.A viagem na classe executiva é um espectáculo de poder, é um espectáculo de influência, é um espectáculo de pessoa importante. Nós gostamos muito de demonstrar aquilo que nós não somos, ou o que nós não temos. Acontece muitas vezes que o homem da organização internacional ou da embaixada vai no mesmo avião na classe económica e o nosso director vai na classe executiva, quando é o homem da classe económica que está a dar dinheiro ao director para ir na classe executiva! Portanto, significa que há um sentido de consumo muito forte, não o sentido da vida austera, da vida discreta. Há um consumismo, e muito mais quando é financiado por recursos não gerados pelas mesmas pessoas, quando é financiado por um dinheiro falso. Portanto, tudo isso deslegitima completamente a política e os políticos. Os políticos estão deslegitimados, não há credibilidade. Ninguém confia neles, por este tipo de atitudes.O problema é que o povo também, de certa maneira, é muito permissivo com isso. O povo vive naquela coisa de que o chefe é chefe, o patrão é patrão, ele está lá porque conseguiu, deixa o homem “desenrascar”, a vida é dele. Então, fica numa situação passiva e não existe a consciência e a capacidade reivindicativa e de exercício da cidadania de uma forma consciente, informada e correcta.Portanto, enquanto nós não conseguirmos que os nossos cidadãos tenham esta consciência de cidadania, reivindicativa, de manifestação, de uma forma correcta, é mais fácil que tudo isto aconteça.

NATO reduz agregado familiar de Kadafi

O filho mais novo do lider líbio, Muamar Kadafi, Saif al Arab GKddafi, 29, foi morto neste sábado durante um ataque aéreo da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), anunciou o porta-voz do regime, Moussa Ibrahim, em Trípoli. De acordo com o porta-voz, Muamar Kadafi, estava junto com o filho mas saiu ileso do bombardeio, que também matou três netos e feriu outros parentes e amigos. A Otan (NATO) actua na Líbia assumiu o comando das operações internacionais na Líbia no dia 31 de março e passou a liderar as forças na operação Protector Unificado. Inicialmente, as acções militares do país eram lideradas pelos EUA. Governo da Líbia levou jornalistas até a casa onde informaram ter morrido familiares do lider líbio, Gaddafi. Gaddafi e sua mulher estavam na casa do filho em Trípoli quando ao menos um míssil da Otan atingiu o local. "A casa de Saif al Arab Muamar Kadafi (...) foi atacada com meios potentes. O líder [Muamar Kadafi] está bem", disse Ibrahim. "Ele não foi ferido. Sua mulher também passa bem". Não ficou claro qual foi o alvo do ataque, embora as autoridades líbias afirmem que era o próprio Muammar Kaddafi, que fazia um pronunciamento ao vivo à TV no momento. Em 1986, a filha adotiva de Muamar Kadafi, Hanna, de apenas 15 meses de idade, foi morta num bombardeio americano contra Trípoli. O ataque foi ordenado depois de um atentado a bomba cometido dentro de uma boate em Berlim que matou dois americanos. O governo dos Estados Unidos ligou a Líbia ao ocorrido. Em Benghazi, a principal cidade da Líbia tomada pelos rebeldes, a notícia da morte dos familiares de Kadafi foi recebido com buzinaços e tiros para o alto. Entretanto, na oposição líbia, há desconfiança em relação ao ataque: - Não acreditamos que seja verdade. São eventos fabricados pelo regime em uma tentativa desesperada de atrair simpatia. Esse regime mente de forma constante e continua mentindo - afirmou à "CNN" Abdul Hafiz Ghoga, do Conselho Nacional de Transição, principal entidade de representação política dos rebeldes líbios. "Eles talvez quisessem atingir a televisão. Este prédio não é militar, não governamental", disse Mohammed al Mahdi, chefe do conselho sociedades civis, que licencia e fiscaliza os grupos civis na Líbia. O ataque da Nato atingiu uma escola para deficientes. O prédio estava vazio no momento do bombardeio. O míssil destruiu completamente um escritório adjacente no complexo que abriga a comissão do governo para crianças. A força da explosão arrancou as janelas e portas da escola financiada por pais para crianças com síndrome de Down, e os funcionários disseram que ela danificou um orfanato no andar de cima. "Eu me senti realmente triste. Fiquei pensando, o que vamos fazer com essas crianças?", disse Ismail Seddigh, que montou a escola há 17 anos depois que sua filha nasceu com síndrome de Down. "Este não é o lugar que deixamos na tarde de quinta-feira."

« Tácticas inúteis!»

O conceituado generalista espanhol El País conta que anteontem, depois da folga concedida por Mourinho a seguir à derrota na Champions com o Barcelona, vários jogadores contestaram em voz alta o estilo de jogo determinado pelo treinador português para o encontro com os catalães, que terminou com um frustrante 0-2, no Santiago Bernabéu. E a situação foi agravada pela polémica relacionada com a arbitragem e pelas duras críticas de Mourinho, em conferência, na direcção da UEFA, do árbitro e do Barcelona.A contestação, sublinhada por frases como «Isto é uma vergonha!», «Somos o Real!», «Não podemos voltar a jogar assim», ou «Estas tácticas fazem-nos parecer inúteis!», terá acontecido sem a presença de Mourinho, mas testemunhada pelos seus mais directos colaboradores, como Aitor Karanka ou o português Rui Faria, preparador físico e braço-direito de Mourinho.O mesmo jornal descreve, também, que o ambiente no treino esteva pesado, sem a habitual cumplicidade. Até jogadores menos problemáticos, como Benzema ou Ozil, se «teriam atrevido a lançar olhares» menos amistosos na direcção de Mourinho.

sábado, abril 30, 2011

Cerca de 20 passageiros, incluindo crianças, ficaram retidos ontem (sexta-feira), horas a fio, no Aeroporto Internacional da Beira, em virtude de as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) terem alterado sucessivas vezes os horários de partida de voo para Joanesburgo, na África do Sul.Inicialmente, o voo estava marcado para as 10.10 horas, mas o mesmo viria a sofrer alteração para 16 horas e mais tarde para 21.40 horas, uma situação que obrigou os passageiros a andar de um lado para outro, numa incerteza. Está instalado o “braço de ferro” entre Mussá Osman e a direcção do Ferroviário de Nampula, colectividade com a qual tinha um vínculo contratual de uma temporada e que se viu rompido no passado dia 19 de Abril corrente, por razões ainda pouco claras. Ontem (sexta-feira), o técnico convocou uma conferência de imprensa para, segundo ele, explicar ao país, sobretudo aos amantes do futebol, que ainda continua na cidade de Nampula porque se julga técnico principal dos “locomotivas” da chamada capital do Norte. Ele disse que apenas lhe foi prestada uma informação verbal da rescisão do contrato, no dia 19 de Abril, e na mesma ocasião o presidente do clube exigiu que ele devolvesse 50 porcento das luvas acordadas para a época 2011, o que redondamente recusou.Na mesma ocasião, acrescentou o técnico, exigiu que a direcção apresentasse os argumentos em carta oficial da sua decisão porque considera ser o melhor caminho para além de oficial quando se trata de rescisão de um vínculo.O técnico vai mais longe ao afirmar que a situação ficou cada vez mais azeda porque até o salário do mês de Abril não lhe foi pago e continua à espera, porque ele em nenhum momento optou pela rescisão do contrato, e tal foi decidido por gente próxima do presidente, a qual considera de maus conselheiros. Só que e para agudizar ainda mais o problema, por volta das 14:00 horas de sexta-feira, o mister recebe uma carta da direcção do Ferroviário de Nampula, na qual a colectividade o obriga a abandonar a casa até domingo. Para esta mesma data, e segundo soubemos, a direcção do clube fez já uma reserva num dos voos, e promete enviar seu ordenado, referente a Abril, enquanto ele estiver em Maputo, na sua residência. Uma decisão que Mussá poderá não acatar, enquanto não resolver os seus pendentes com a direcção do clube.Dados em nosso poder indicam que mais motivos estão por detrás deste problema e que nos próximos dias muita tinta poderá correr, sobretudo porque há que esclarecer quem é quem no assunto.Refira-se que Aleixo Fumo, até data do afastamento de Mussá Osman adjunto deste, é actualmente o técnico principal da colectividade e no exercício das suas funções conta com Sataca, antigo jogador do Maxaquene, como adjunto.Sataca, que é natural de Nampula e apareceu no mundo futebolístico por via do ex-Namutequeliua, esteve no ano passado a treinar o Ferroviário de Nacala.

Não é o custo de vida que entornará o caldo

Está cada vez mais claro que vivemos um momento extremamente difícil sem perspectivas de solução por mais voltas que se dê aos discursos. A FRELIMO hoje está a revelar-se uma clara barreira a que Moçambique se desenvolva e a que os moçambicanos de uma forma geral possam beneficiar das riquezas do seu País. Um punhado apoderou-se do Estado, converteu a ideia de Estado servidor em Estado todo poderoso, dos privilégios, e julgando que nasceu iluminado pelos espíritos, anda por ai cantando e rindo sem se aperceber do risco que começa a correr. Não sendo a culpa de todos os seus membros é sem dúvida culpa de um punhado bem significativo de que faz parte quem para além de estar estéril de ideias, acumulou o que não produziu, retirou da economia o que não consegue mostrar porque lhe chegou por vias ínvias e o resultado é que não há dinheiro a circular, está tudo escondido, onde não se sabe, só se presume nos “bolsos” de alguém ou nas contas em offshore. Moçambique não pode continuar muito mais tempo a adiar a solução. Falar não basta. Começa-se a perceber que já não resolve. Protestar também nem basta nem resolve.

A pobreza não diminuiu apesar da paciência dos moçambicanos.

Quanto mais paciência, mais pobreza. É o que se está a ver.

Quanto mais paciência, mais ignorância.

Quanto mais paciência mais pilhagem das riquezas acontece. Estamos entregues a um grupo de gente que entre o que são e o que são os gangsters já não há praticamente diferença.

O sofrimento durante o colonialismo em África não foi resultado de acções de povos opressores. Foi, sim, fruto de intenções de um punhado de pessoas de ditas elites que agarradas ao poder e montadas na ignorância das maiorias pilharam não só as riquezas dos seus próprios territórios e dos povos a que pertenciam, como também dos territórios que ocupavam e dos povos respectivos. O que se acusava o colonialismo de fazer, hoje vemos muito pior feito pela “elite” que se guindou ao poder.

Eduardo Mondlane tentou, antes da revolta ser proclamada, resolver o problema por via do diálogo. Não deu. As elites coloniais metropolitanas estavam de tal maneira obcecadas que não foram capazes de entender que o problema estava na sua própria teimosia, arrogância e atitude avarenta. Chegou um dia que a paciência foi-se.

Só quem nunca foi da Frente de Libertação de Moçambique ou quem nunca esteve próximo deste problema poderá ignorar isso. Mesmo depois da Frente de Libertação de Moçambique ter sido reconhecida como a herdeira do poder colonial e do País se ter tornado politicamente independente, houve quem tivesse a dada altura perdido a paciência ao ponto de chegar mesmo a apelar para o “escangalhamento do aparelho de Estado”. Não foi a Renamo que indignada veio e apelou para o escangalhamento do aparelho de Estado. Foi a própria Frelimo que a determinada altura viu que algo perturbava o seu programa e escangalhou mesmo o aparelho de Estado. Uma onda radical semelhante, a existir, apelaria hoje para o escangalhamento do Partido Frelimo, como os egípcios acabaram por fazer ao partido do ditador Mubarak. Seria um completo absurdo hoje repetir-se um apelo ao escangalhamento do Aparelho de Estado, tão irresponsável isso foi no tempo em que os senhores que hoje pedem paciência só eram capazes de propor o escangalhamento de quem já tinha construído o seu futuro. Viu-se o que deu o extremismo. Viu-se quanta gente de qualidade abandonou o País por causa da necessidade de um punhado em nome de todo um povo satisfazer os seus apetites predadores. Apetites esses que como vemos agora eram estritamente pessoais não fossem hoje as diferenças sociais mais chocantes do que eram na época da administração colonial.

Na altura terá sido a imaturidade que levou ao extremo de se pedir o escangalhamento do Aparelho de Estado e levar esse objectivo até às últimas consequências. Hoje pedir o escangalhamento do Aparelho de Estado viria a propósito porque as instituições do Estado só servem para servir grupos de canibais do erário público. Mas o Estado é muito mais do que um punhado de canibais e temos de o proteger. Livrarmo-nos de quem abusa dele é no entanto urgente.

Nos países do norte de África e Médio Oriente, hoje, por razões semelhantes ao que está a levar ao extremo do sofrimento milhões de moçambicanos, talvez até por muito menos, os povos perderam a paciência e não estão propriamente a escangalhar o aparelho de Estado. Estão, sim, sem apelo a afastar desse mesmo aparelho os predadores.

No caso concreto de Moçambique acreditou-se até agora que era necessário criar-se a tal elite para cuidar do País, mas o que sucede é que estamos perante uma “elite” sem princípios, avarenta, predadora, autoritária, e convencida que é a jóia da Pérola do Indico.

Em vez de nos podermos orgulhar da elite que se dizia que depois de formada iria tomar conta do país e cuidar dos destinos da Nação, cresce nas ruas o sentimento perigoso de que não há outra saída se não escangalhá-la.

Apelamos para o bom senso que não tem existido da parte da chamada “elite” por ora existente. Sabemos que no verdadeiro sentido do termo pouco ou nada sabe o que isso é, mas é conveniente que depressa se convença de que toda a paciência tem limites e as pessoas não são de pedra. Pedimos a essa “elite” que não insista em abusar da paciência dos pobres. Da mesma forma apelamos para que os que têm tido o bom senso de não escangalhar a elite no poder continuem a dar os mesmos sinais de civismo. Apelamos para que quem está no Poder se deixe de julgar intocável porque de um dia para o outro o empurrão pode levar a um enorme trambolhão. Vermos um predador de bens públicos abusar de poderes a que ele próprio renegara dias antes, ser indiciado, pelas que fez antes e pelas que fez depois, por ilustres juízes-conselheiros seus pares e depois ser ilibado por um simples despacho do Procurador-Geral da República, como aconteceu com o Dr. Luís Mondlane o mal afamado ex-juiz presidente do Conselho Constitucional, é sinal de que já não se pode pensar em justiça através dos órgãos da justiça. Isso é muito perigoso!

Vermos o PGR mandar arquivar queixa de juízes-conselheiros encarregues da constitucionalidade do País sem mais delongas, sabendo nós que quem nomeou Luís Mondlane foi o mesmo que nomeou Augusto Paulino, mostra bem a que nível já chegaram os compromissos que estão a levar Moçambique a ser o paraíso para uns e a latrina para outros. Com estas atitudes de magistrados que não se dão ao respeito a crença de quem ainda vê nas instituições do Estado o trampolim para que a violência não seja necessária é seriamente ferida. Quando já nem nos órgãos competentes se faz justiça, estamos perante gente irresponsável a tal ponto que lhes caberá exclusivamente arcar com as responsabilidades quando a tampa da panela saltar.

Não será certamente o custo de vida demasiado elevado que irá entornar o caldo. Já vivemos com muito menos e riamo-nos do repolho e do carapau. Será a gente que tem vindo a subverter o Estado, claramente gente sem escrúpulos, perversa e arrogante, que irá levar um dia destes este povo, já incapaz de continuar a controlar a falta de paciência, a fazer aqui o que está a ser feito em muitos países africanos e no Médio Oriente. A nós resta-nos pedir para que se reflicta e se corrijam os comportamentos antes que seja tarde demais. ( C M)

O Governo de Moçambique exorta ao movimento sindical nacional a promover o diálogo social e a focalizar as suas acções na defesa dos interesses dos trabalhadores.Por outro lado, o executivo insta as lideranças sindicais a estarem presentes em todos os momentos da vida profissional e laboral dos seus associados/trabalhadores, e não apenas quando alguma situação estiver fora do controlo.Este apelo foi lançado pela Ministra do Trabalho, Helena Taipo, na sua mensagem de exortação aos trabalhadores, por ocasião do dia do trabalhador que se assinala este Domingo, em todo o mundo.Em Moçambique, o 1de Maio será celebrado sob o lema “Sindicatos por um Diálogo Social Efectivo”.Para Taipo, diálogo social significa: Paz, Estabilidade, Protecção Social, Emprego e Trabalho Digno, mais Produção e Produtividade, “em suma Justiça Social”.Na sua exortação, Taipo reconhece que o trabalhador é o principal catalisador do desenvolvimento sócio - económico nacional, como força geradora da riqueza e do bem estar do povo moçambicano, “apresentando-se como a face mais visível da luta contra a pobreza absoluta”.“Saudamos com jubilo e satisfação a todos os trabalhadores moçambicanos, não apenas devido ao carácter histórico das massas laborais, como também pela sua árdua tarefa de cultivo patriótico durante este tempo de existência, conciliando o sacrifício com o desenvolvimento integral do nosso país, através de intervenções inequívocas e incondicionais no terreno das acções produtivas”, disse a Ministra.Na sua mensagem, Taipo frisou que os sindicatos estão privilegiados por “terem um relacionamento impecável com os seus parceiros sociais: o Governo e empregadores” e reconhece a maturidade dos representantes dos trabalhadores nos fóruns de concertação social, sobretudo na Comissão Consultiva do Trabalho.Moçambique optou por um diálogo social tripartido como formula para encontrar solução para os problemas sócio – económicos que o país enfrenta.“A minha exortação é no sentido de que esta forma de trabalhar se mantenha e que o diálogo continue a ser o instrumento de promoção da paz social nas empresas e noutras unidades de produção. Os sindicatos devem trabalhar na promoção desse diálogo social e na defesa dos interesses dos trabalhadores evitando infiltrações nas suas fileiras de gente alheia ao sector e que se apresentem contrarias aos interesses da massa laboral”, afirmou Helena Taipo.Ela acrescentou “que os trabalhadores aproveitem da melhor forma o espaço criado pelo Governo para a discussão dos assuntos que têm a ver com a massa que lhes representa e, nunca, aceitem ser usados para fins obscuros e intenções estranhas, promovendo instabilidade, pois estariam a contrariar-se na histórica obra que abraçam, de garantes do desenvolvimento sócio - económico deste país”. O dia do trabalhador celebra-se numa altura em que o Governo acaba de aprovar os novos salários mínimos sectoriais que continuam a ser insignificantes para que o trabalhador e sua família vivam condignamente.Na maior parte dos sectores de actividade, sobretudo aqueles que são produtivos, o salário mínimo continua inferior a 2.500 meticais.