sexta-feira, novembro 03, 2017

Roubadores do Estado

A Autoridade Tributaria de Moçambique acaba de descobrir um esquema de corrupção na instituição, que permitiu o desvio de mais de cento e oitenta milhões de meticais, até a última terça-feira.
Falando em conferência de imprensa, em Maputo, o director-geral-adjunto de Impostos, Domingos Muconto, explicou que tal prática, que envolve contabilistas, funcionários de empresas e de algumas instituições bancárias, consiste no desvio de cheques destinados ao pagamento de impostos nas diferentes unidades de cobrança da Autoridade Tributária de Moçambique.
Resultado de imagem para cheques maputo“São situações que vêm sendo realizadas desde 2013. Este grupo criminoso procede à abertura de contas bancárias com nomes ou designações similares às das unidades de cobrança da AT. Por exemplo, descobrimos contas abertas em nome de Unidades de Grandes Consumidores, ao invés de Unidades de Grandes Contribuintes e outras tituladas pela Repartição de Finanças 1.º Bairro, que apesar de serem semelhantes às nossas, na realidade não são”, disse.
Muconto acrescentou que os mesmos cheques são posteriormente descontados nessas mesmas contas domiciliadas em alguns bancos locais, lesando as empresas e o Estado.
“Trata-se de um dinheiro que nunca chega aos cofres do Estado, mas uma vez detectada a fraude a AT tem a prerrogativa de notificar o real contribuinte que, lamentavelmente, está em dívida e que terá que pagá-la com penalizações por incumprimento de prazos”, explicou Domingos Muconto.
A fonte anunciou ainda que a última tentativa foi detectada na terça-feira, tendo sido abortadas tentativas de desvio que ascendiam a 181.8 milhões de meticais.
“Este fenómeno abrange, frequentemente, alguns agentes económicos inscritos na Unidade de Grandes Contribuintes (UCG) de Maputo e são valores bastante significativos”, frisou.

Na ocasião, Muconto alertou aos contribuintes a certificarem se as suas contribuições estão, efectivamente, a ser feitas ao Estado.

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