
O presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade contradisse-se, esta quarta-feira, pois, no seu discurso, defendeu a declaração de conflito de interesse como prioritária em relação às incompatibilidades, mas ele mesmo quebrou essa regra. “A Comissão julga que o que deve ter primazia não são as incompatibilidades, mas sim os conflitos de interesse, ou seja, em vez de se dizer, por exemplo, que um deputado não pode ser gestor de uma empresa pública, deve dizer-se que o deputado que tiver um interesse particular sobre matéria em discussão deve dizer essa qualidade, antes do debate em plenário, comissão ou outro órgão da Assembleia da República.”A comissão de Teodoro Waty foi ainda mais longe ao advogar a necessidade de salários adicionais para os deputados abandonarem os seus cargos nas instituições do Aparelho do Estado. Waty referiu ainda que o texto final desta proposta estará ao sabor de pressões de “algures que trespassaram os edifícios do Governo”.
Já Alfredo Gamito defendeu que o conjunto dos 11 artigos da proposta de Lei do Servidor Público que falam sobre incompatibilidades das funções de deputado e de magistrado fossem transferidos para o Estatuto de Deputado e os estatutos dos magistrados nos seus vários ramos. “No artigo 27, e seguintes, a presente proposta apresenta questões específicas só para os parlamentares e magistrados, sendo omisso em relação aos demais sujeitos da proposta. Nestes termos, as comissões propõem a eliminação dos capítulos IV e V, os quais devem ser remetidos para os estatutos específicos”.Dito desta forma, Gamito tentou influenciar os deputados a fazerem passar a lei sem os capítulos que combatem as incompatibilidades e remeter a matéria para estatutos cuja revisão, no futuro, terá de esperar e de depender da vontade dos próprios deputados.
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