segunda-feira, outubro 28, 2013

Tres anos sem cólera

 A Governadora de Manica, Ana Comoane, afirma que a sua província já está livre da cólera, uma doença endémica que constituía um dos principais problemas de saúde naquela província do centro de Moçambique.Falando na apresentação do informe do Governo Provincial por ocasião do início, domingo, da visita do Presidente da República, Armando Guebuza, a Manica, Comoane disse que a sua província não registou nenhum caso de cólera nos últimos três anos.“As chamadas doenças endémicas estão a reduzir e há mais de três anos que não temos cólera na província”, disse Comoane, falando em sessão extraordinária do governo realizada em Chitobe, vila sede do distrito de Machaze, onde Guebuza iniciou a sua Presidência Aberta e Inclusiva a província de Manica.Cólera é uma das doenças que fustigou Moçambique nos últimos anos, matando centenas de pessoas, mas dados indicam que a sua prevalência tende a reduzir. Recentemente, a província central de Sofala, em tempos umas das maiores vitimas, também declarou-se livre da doença.Reagindo a esta notícia, o Presidente da República enalteceu os esforços do Governo Provincial, justificando que “como sabem, cólera é uma doença que nos persegue há muito tempo”.“Cólera é uma doença que depois de entrar leva muito tempo a desaparecer. Esperamos que depois destes três anos não volte mais”, disse ele, dirigindo-se aos participantes desta sessão extraordinária do Governo Provincial. Contrariamente a cólera, outras doenças como a malária, HIV/SIDA, diarreias e meningite continuam a ceifar vidas em Manica.Por exemplo, em 2011, a província registou um total de 325.206 casos de malária, que foram responsáveis pela morte de 83 pessoas. Em 2012, o número de obtidos baixou para 52, mas voltou a aumentar este ano para 64 casos até ao terceiro trimestre.

Chico fininho , uuuuuuh uuuuuuh.

O Coconuts, em Maputo, tornou-se pequeno para o público que se fez presente em massa para assisitir aos dois shows do considerado pai do rock português, Rui Veloso, que actuou em grande no último fim-de-semana. Acompanhado pela sua banda, o cantor luso levou ao rubro as emoções com uma soberba actuação, tendo interpretado vários temas, novos e antigos, incluindo os de maior êxito da sua carreira com total de 14 álbuns editados, encantando o público com um show caracterizado pela fusão de diversos ritmos europeus e africanos, arrancando vezes sem conta fortes aplausos da plateia. Um dos momentos mais altos do concerto, cujas honras da casa ficaram a cargo do jovem músico moçambicano Sérgio Muiambo, foi a actuação da música “O prometido é devido”, que os espectadores fizeram questão de cantar em coro afinado.  A propósito, Zófimo Muiuane, representante da mcel, referiu que os espectáculos de Rui Veloso, “constituem mais uma realização da mcel, no que concerne ao diversificado programa do Verão Amarelo, que já é considerado uma marca constante desta grande empresa de telefonia móvel”.  “Temos estado a apostar anualmente em eventos ímpares, trazendo glamour e alegria aos nossos clientes e ao povo moçambicano em geral, para além de inovar com produtos, serviços, tarifas baixas e outras promoções que a operadora proporciona”, indicou Zófimo Muiuane.  Os espectadores, que acorreram ao Coconuts, aplaudiram o regresso da estrela portuguesa a Moçambique pela quinta vez e mostraram-se satisfeitos com os shows. Pedro Barreto louvou a iniciativa da mcel e da organização por ter escolhido um grande compositor português, Rui Veloso, para abrilhantar o público moçambicano. “Temos que relevar a importância deste espectáculo pela adesão do público”. Enquanto isso, Danilo Pascoal, também espectador, indicou ser a primeira vez que assiste a um espectáculo do género, em Maputo, de um cantor português de renome como Rui Veloso. “Foi um espectáculo muito interessante, pois ele é considerado o monstro da música portuguesa”. (FDS)

Imigração pode derrubar governos

Miguel Domingos Bembe ,investigador científico e especialista em segurança e informação, disse durante uma conferência realizada na União dos Escritores Angolanos(UEA), que o crónico problema migratório com que o país se vem confrontando há vários anos, é um dos
fenómenos que pode propiciar a invasão silenciosa de redes criminosas, contrabandistas e traficantes, por intermédio ou não de pessoas em busca de melhores oportunidades de vida, provocando a mudança de comportamento das populações, o que implica o reforço da troca de informações entre os órgãos que superintendem a política de gestão de Segurança Nacional do país. Durante a sua abordagem, o conferencista que esteve ladeado pelo secretário da UEA, esclareceu que o terrorismo resulta de vários fenómenos, entre os quais: desigualdades sociais, interesses económicos, culturais e constitui uma ameaça global nos dias de hoje. Na sua opinião, os países com fragilidade de segurança dificilmente são atacados, porque podem constituir-se como ponto de partida para atacar os seus alvos predilectos. Bembe disse ainda que o terrorismo criou um novo contra-poder na medida em que desenvolve poderes independentes no seio do próprio Estado, capazes de dialogar com o Estado e de lhe impôr determinadas decisões. E esta ameaça, segundo a fonte, funciona com base em critérios políticos, culturais, ideológicos, étnicos e religiosos, actua sempre na clandestinidade, e “subiu na hierarquia das preocupações dos estados”. Prosseguindo, o terrorismo procura atingir os pontos mais críticos de convergência entre a sociedade e o aparelho do Estado, estando mais vocacionado para desgastar o poder que desafiou e promover a sua rejeição do que o derrubar. Miguel Bembe acrescentou que a concretização da ameaça, para além de projectar uma significativa destruição material, visa abalar a confiança entre a sociedade civil, e os seus governos, bem como os próprios cidadãos. Este abalo, gera um estado psicológico de terror (medo, susto e sentimento de profunda insegurança) na capacidade das Forças de Defesa e Segurança e nos valores matriciais da sua cultura, dificultando assim o desenvolvimento político, económico e social. Ademais, o confronto entre civilizações é uma das oportunidades que o terrorismo encontra para se enraizar, de acordo ainda com o especialista.

sexta-feira, outubro 25, 2013

Sintamo-nos orgulhosos de sermos moçambicanos!!!

A Primeira-Dama de Moçambique, Maria da Luz Guebuza, garantiu hoje aos populares residentes no distrito da Manhiça, província sulista de Maputo, que o pais esta em paz e vai continuar em paz.Discursando num encontro popular que orientou nesta parcela do pais, onde se encontra desde hoje em visita de trabalho de dois dias a província de Maputo, Maria da Luz disse que os moçambicanos querem a paz para continuarem a produzir para desenvolver o pais sem receio.A Esposa do Presidente da Republica apelou ao povo para se manter vigilante e denunciar qualquer acto que atenta contra o ambiente de paz que se vive no pais, vincando que a manutenção da paz depende de todos os moçambicanos e não apenas das forcas de defesa e seguranca.“Durante a guerra de desestabilização, Manhica ficou sem a sua população. Não queremos perturbacoes, queremos trabalhar normalmente e lutar contra a pobreza. A paz deve reinar na mente de cada mocambicano”, disse Maria da Luz Guebuza.A Primeira Dama alertou aos presentes a estarem atentos aqueles que aparecem a procurar casas para alugar porque alguns deles aparecerão com o propósito de encontrarem um albergue a partir do qual vão praticar atrocidades.
“Não basta ganharmos dinheiro, temos que procurar saber de onde vem essas pessoas e o que querem ou pretendem fazer e denunciar a policia qualquer acto estranho”, vincou.
Na ocasião, Maria da Luz Guebuza insistiu na necessidade de os moçambicanos orgulharem-se de o serem, destacando que quando se pronuncia o nome Moçambique temos que nos preocupar em saber o que se passa com o nosso pais porque Moçambique e' o nosso orgulho..“Somos moçambicanos por causa da nossa cultura,
ela e' que nos identifica e nos diferencia dos cidadãos de outros países. Sintamo-nos orgulhosos de sermos moçambicanos. Esta e' a nossa Patria”, explicou a Primeira Dama.
Na Manhiça, Maria da Luz Guebuza insistiu na necessidade de as famílias aderirem em massa as campanhas de vacinação, fazendo lembrar que há uma semana este distrito acolheu a cerimonia preparatoria para a introdução no próximo ano da vacina contra o cancro do colo do útero.'Vamos garantir a vacinação das nossas meninas contra o cancro do colo do utero', apelou a esposa do Presidente Guebuza, alertando que vão aparecer pessoas de ma-fé a quererem desinformar.Dirigindo-se especificamente aos jovens, Maria da Luz Guebuza referiu que a descoberta de recursos e' uma oportunidade para esta camada social se formar para trabalhar em prol do desenvolvimento na qualidade de mão de obra, como na produção para alimentar os mega-projectos.'Manhica,tem terra fértil pelo que não faz sentido que esta parcela do pais continue a importar produtos como batata e cebola da África do Sul', disse a Primeira Dama, apelando a todos a empenharem-se cada vez mais na producao alimentar.No encontro os populares do distrito da Manhica enalteceram os feitos do Governo em prol do bem estar da população residente e pediram que o fundo dos sete milhões fosse aumentado para poder ajudar muito mais pessoas, em particular a mulher a libertar-se da pobreza.Na Manhica, Maria da Luz Guebuza, depois de ter orientado um encontro popular, visitou o Centro de Acolhimento Menino Jesus – Orfanato da Manhica, que alberga actualmente 35 crianças (meninas) orfas e vulneráveis com idades entre os cinco e 16 anos, para depois deslocar-se a Associacao de Produtores de Banana de Munguiguine.Esta associação, com apoio do Gabinete da Primeira Dama , em 2012 recebeu apoio para a construção de duas comportas nas três valas principais de irrigação, a partir das quais as águas das chuvas provocavam inundacoes e destruíam as culturas alagando as machambas.

HIV indetectável....

A quantidade de VIH “adormecidos” — mas em perfeito estado de funcionamento se forem “acordados” — que se esconde no organismo de uma pessoa infectada pelo vírus do Sida é muitíssimo maior do que os peritos imaginavam até aqui, revela um estudo experimental que durou três anos e cujos resultados são publicados esta quinta-feira, na revista Cell, por uma equipa de cientistas norte-americanos. As actuais terapias antirretrovirais conseguem travar a replicação do VIH, reduzindo a chamada quantidade de vírus em circulação para níveis quase indetectáveis. Mas sabe-se que subsistem sempre redutos de vírus latentes, inactivos, dentro das células imunitárias humanas, inacessíveis ao tratamento e que é por isso que a infecção pode reacender-se se o tratamento for interrompido. Esses vírus latentes são essencialmente genomas do VIH inseridos dentro do ADN dos linfócitos T, as células imunitárias que constituem o alvo preferencial do vírus do sida, diz o estudo citado pelo diário 'Público'.
Até aqui, os especialistas pensavam, por um lado, que a maioria desses vírus inactivos tinha mutações genéticas que os tornavam incapazes de formar vírus infectantes; e, por outro, que seria possível obrigar esses vírus inactivos, através de uma espécie de “tratamento de choque”, a sair dos seus “esconderijos” para serem por sua vez eliminados até ao último.Porém, resultados recentes já sugeriam que, quando este tipo de tratamento de choque experimental é aplicado a células imunitárias humanas in vitro, menos de 1% dos vírus inactivos são de facto induzidos a abandonar o seu esconderijo.Foram estas dúvidas quanto à eficácia desta potencial abordagem terapêutica, considerada promissora para extirpar definitivamente o VIH do organismo humano, que levou a equipa de Robert Siliciano, da Universidade Johns Hopkins, a analisar mais finamente as características dessa esmagadora maioria de vírus dormentes. Diga-se de passagem que Siliciano foi o primeiro a demonstrar, em 1995, a existência de reservatórios virais latentes nas células do sistema imunitário humano.Para realizar o estudo, os cientistas sequenciaram na íntegra os genomas de 213 vírus inactivos provenientes de oito pessoas infectadas pelo VIH. E descobriram que 25 desses genomas (ou seja, 12% do total) ainda eram perfeitamente funcionais — ou seja, capazes de replicar o seu material genético e de formar novas partículas virais susceptíveis de atacar outras células imunitárias, perpetuando a infecção.
“Os nossos resultados sugerem que há uma quantidade muito maior de vírus inactivos que merecem a nossa preocupação do que pensávamos”, diz Siliciano em comunicado. “E é claro que mostram que encontrar uma cura do VIH vai ser muito mais difícil do que pensávamos e esperávamos. Mas isso não significa que não exista uma solução; significa que precisamos de ter uma ideia ainda mais precisa da dimensão do problema.” E a dimensão do problema é grande: os autores pensam que o reservatório viral “escondido” poderá ser até 60 vezes maior do que anteriormente estimado. Ainda não sabem o que poderá levar à reactivacção dos vírus dormentes, mas essa será, afirmam, uma das próximas etapas do seu trabalho.Embora esta notícia seja desalentadora, pode ter um lado positivo, dizem os autores, porque vai obrigar os especialistas a melhorar os seus métodos de detecção dos vírus inactivos — um dos aspectos mais problemáticos de qualquer ensaio clínico destinado a testar a eficácia de uma estratégia de erradicação do VIH.
“Gostaríamos de utilizar estes resultados para desenvolver maneiras mais precisas de medir o reservatório de vírus latentes nos participantes em futuros ensaios clínicos de potenciais estratégias curativas”, frisa Siliciano. “Pensamos que a nossa análise pode contribuir para os esforços de erradicação do VIH.”E não apenas para estimular o desenvolvimento de uma nova geração de medicamentos anti-HIV realmente capazes de erradicar o vírus, mas também para relançar a procura de abordagens de erradicação alternativas, tais como vacinas terapêuticas, capazes de fazer com que o próprio sistema imunitário das pessoas infectadas consiga atacar e eliminar definitivamente o vírus.

Há problema aceitar a paridade na CNE?

Sem qualquer tipo de exagero, o País está à beira de entrar numa nova Guerra Civil cuja responsabilidade só se poderá vir a imputar ao ainda chefe de Estado, Armando Guebuza, que já nem os seus próprios camaradas consegue ouvir e respeitar.Por mais discursos que se possam elaborar, estamos claramente a entrar para um estado de guerra e se nada for feito para parar o actual cenário de irresponsabilidade política que se resume a um indivíduo, Moçambique voltará a fazer manchetes internacionais como um País falhado, sendo por isso urgente que ninguém se deixe intimidar e ao mesmo tempo não se deixe levar por excessos de quem já não é capaz de evidenciar a mínima sensatez.
O ataque e consequente assalto à residência do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e à base das suas forças de segurança em Sadjundjira, por Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) que se deveriam abster de se envolverem em conflitos internos mas estão a ser empurradas para fora dos seus limites constitucionais, são a prova inequívoca de que em nenhum momento o Governo do senhor Guebuza esteve interessado em dialogar com a Renamo provando, mais uma vez, ser useiro e vezeiro em deturpações da Constituição da República e com tendência compulsiva para a partidarização do Estado, chegando, agora, ao cúmulo de envolver, também, nas suas obsessões bélicas, instituições que nunca deveriam ter saído dos quartéis para missões contra um partido com representação parlamentar e que por sinal ainda é o maior partido da oposição.
As sucessivas rondas negociais que teimaram em produzir mais desentendimentos do que concórdia são outra prova que atesta uma tremenda inaptidão para dirigir um Estado com tantas oportunidades que não podem ser desperdiçadas, mas têm sido frustradas por um homem com “h” pequeno, com tão pouco sentido patriótico que já não consegue viver sem se tornar exaustivo em slogans maníaco-depressivos. É totalmente inadmissível que no País possa haver quem o queira colocar à beira de sacrificar vidas inocentes, pôr em risco infra-estruturas e adiar o futuro, por causa, por exemplo, de uma tal paridade a nível dos órgãos eleitorais, que afinal nos parece matéria tão simples que só quem queira viciar a vontade popular ou impedir os cidadãos de votar, pode ter algo em contrário a isso.  Se a Renamo tem nessa matéria o seu principal ponto de negociação, é difícil perceber a razão da intransigência do Governo.
Se de facto as eleições não têm vindo a ser decididas a nível dos órgãos eleitorais, qual é o problema do senhor PR aceitar a paridade na CNE?
Até hoje, o senhor Guebuza e a bancada da Frelimo na AR ainda não apresentaram nenhum argumento capaz de sustentar a intenção de ter mais membros do que outros, na Comissão Nacional de Eleições (CNE) e no Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE). E qualquer pessoa minimamente avisada não tem outra hipótese senão suspeitar que com tal intransigência, de facto, só se pode pretender alicerçar quem teme a paridade por saber que nessas condições não ficam salvaguardados resultados eleitorais de gabinete, diferentes dos das urnas fruto da vontade popular, em caso de necessidade como em 1999, com Chissano. Já vimos o Governo do partido Frelimo em várias eleições usar forças paramilitares fortemente armadas para assustar o eleitorado. Vimos a CNE cúmplice. Já se viu isso suceder na Beira, em Quelimane e em Inhambane e em muitas outras partes do País. Está visto que um partido que se diz popular, como a Frelimo, ao ter medo da paridade só pode estar com medo do Povo.
A insistência da Renamo poderá vir a não ser satisfeita, mas os cidadãos sabem

agora perfeitamente que Guebuza está com medo que o seu partido se afunde nas mãos dele.
Que medo terá Guebuza de eleições que sejam de facto decididas por via do voto popular?
Tem medo que o Povo moçambicano passe um certificado de inutilidade e de incompetência à obra que ele deixou na Frelimo e no País?
Simular negociações em que claramente a intenção deste Governo é alcançar a falta de consenso, quando movimentações militares paralelas provam que Guebuza não está comprometido com a estabilidade do País e com a Paz, não será comportamento cínico típico da mais refinada espécie de charlatães? Quer o PR que o Povo o julgue um charlatão?
Já tínhamos alertado que a movimentação de tanques de guerra para a província de Sofala não tinha outra finalidade que não fosse a de bombardear Sadjundjira/Gorongosa. Hoje a máscara do senhor Guebuza caiu.  Ficou provado com o assalto à casa do presidente da Renamo que é Guebuza a permanente fonte de instabilidade em Moçambique.  Num país mergulhado na pobreza, onde há famílias que pernoitam sem ter tido uma única refeição, onde mulheres grávidas morrem à procura de um posto de saúde para darem à luz, onde pessoas consomem água imprópria, em que nas cidades os cidadãos são transportados como se de gado se trate, o Governo deste mesmo País importar material bélico de pesado calibre para pôr compatriotas a matarem-se uns aos outros, é sensato? Não há dinheiro para pagar salários dignos aos Polícias, Professores, aos Médicos; não há dinheiro para se construir habitação condigna para os mais necessitados, mas há dinheiro para armas que se pretendem usar a matar moçambicanos?
Isso só pode realmente acontecer num Estado gerido pelo crime organizado e delinquentes de provas dadas. Não com um Governo sério. Armando Guebuza, comandante em chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, foi quem ordenou o ataque a Sadjundjira e até prova em contrário visava assassinar Afonso Dhlakama.
Anunciar que quer dialogar com alguém e pelas costas organizar o assassinato da pessoa com quem diz querer resolver os problemas não é próprio de gente séria. Esse comportamento é típico de alguém sem escrúpulos. É típico de quem se está nas tintas para as consequências dos seus actos.
A postura bélica de Armando Guebuza não é nova.
Quando o senhor Dhlakama foi viver para a rua das Flores em Nampula, este mesmo senhor Guebuza mobilizou tanques de guerra e contingente policial para atacar a sua sede. Dhlakama agora foi viver para Sadjundjira e o mesmo Guebuza ordenou que a sua casa fosse atacada. De novo o mandou cercar.
Efectivamente, o senhor Armando Guebuza quer a Paz ou quer lançar os moçambicanos numa guerra fratricida?
Será que o senhor Guebuza terá noção que a sua infantilidade pode abrir um ciclo de violência sem precedentes?
Em nenhum momento Dhlakama e suas forças de segurança constituíram perigo para a população, quer em Nampula, quer em Gorongosa.  O desespero toma conta da população só quando o senhor Guebuza manda tanques de guerra para esses locais.
Quem é afinal o desestabilizador?
Quem afinal tem saudades dos horrores da guerra?
O senhor Armando Guebuza ao guindar-se ao segundo mandato prometia acabar com a Renamo e com o senhor Dhlakama. Não resultou a sua campanha de ridicularização e antes porém tem sido o próprio senhor Guebuza a sair ridicularizado disto tudo. Agora tem como estratégia assassinar um cidadão que é tão moçambicano como ele. Num país normal, na Alemanha da senhora Merkel ou nos EUA do presidente Obama se um chefe de governo insinuasse que desejava matar um cidadão era logo preso. Aqui ainda se pretende arranjar paliativos para um psicopata?
Moçambique não pode continuar a ser um País onde as Forças Armadas e as outras forças de defesa e segurança permitam que as usem para satisfazer caprichos infantis de uma pessoa.
Assumamos que o senhor Armando Guebuza consiga assassinar o líder da Renamo. O que fará com outros membros da Renamo? Vai incinerá-los? E com os restantes partidos da oposição? Vai prendê-los? E com os jornais? Vai mandá-los fechar? E acha que se fica a rir?
Quem pensa o cidadão Armando Guebuza que é mais do que os outros moçambicanos?
Não sabe que estamos a viver num País democrático?
Não sabe que a Democracia tem regras que não dependem do mau humor de um cidadão?
Se o senhor Guebuza não se contenta com a democracia, é livre de abandonar o País e nos deixar em paz. Sobre o “exército” da Renamo insiste-se que um Estado não pode ter dois exércitos. Mas a questão é que o senhor Guebuza transformou as Forças Armadas num exército da Frelimo e o problema é que o Estado acabou sem exército nenhum.
Um exército único livre de tribalismo, partidarismo, e maquinações não é do tipo que o senhor Guebuza pensa. Precisamos de facto de um exército único, de cultura de Estado, mas seguramente os apetites singulares pelo poder eterno do senhor Guebuza dizem-nos que ele não serve para garantir isso aos moçambicanos.Moçambique tem todas as condições para ser um grande País, mas seguramente o senhor Guebuza e as suas escolhas não são os mais apropriados para que este nosso País atinja um patamar elevado.Lutemos todos pela Paz. Unamo-nos contra esta autêntica má sorte que nos saiu na rifa!!!! (CANALMOZ)

EUA,Portugal e outros, não são sérios!!!

É tema incontornável, nos tempos que correm, a reposição da ordem, segurança e tranquilidade públicas, na região de Santunjira (ou Sandjujira...) pelas forças de defesa e segurança, num exercício normal de controlo da soberania do Estado. Porém, o que soa a anormal é o coro de críticas vindas dos habituais séquitos da desgraça, para quem o certo se confunde com o que vai egoisticamente nas suas mentes. Não me parece defensável este titânico, mas inglório exercício de apelo à amnésia colectiva, como se de uma cooperativa de raciocíniose tratasse, à imagem dos seus defensores.
É imperioso, portanto, fazer uma resenha cronológica dos acontecimentos vividos na região centro do país, para perceber que as críticas de hoje são a prova inequívoca de se usar um peso, duas medidas. Após a humilhante derrota que Afonso Dhlakama teve em 2009, reconhecendo a sua insignificância no cenário político nacional, o homem preferiu refugiar-se em Nampula, sem nunca deixar de proferir impropérios contra as instituições legitimamente constituídas, de premeio, com ameaças de destabilizar o país, supostamente por não reconhecer o Governo. Assistimos, a seguir, a concentrações militares dos soldados da Renamo, num claro desafio à autoridade do Estado e, não tendo logrado os seus intentos, Dhlakama preferiu (?) ser sequestrado em Santunjira, donde foi aumentando o tom das suas ameaças.  Pensou Afonso Dhlakama que este exercício condicionaria o funcionamento normal do Estado, olvidando que o povo moçambicano tem uma agenda claríssima. Eis que o nosso homem passou para a materialização de ataques contra alvos civis e militares, perante tamanha paciência demonstrada pelo Comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança.  Lembro que o primeiro acto concreto de banditismo foi anunciado por Manuel Bissopo, seguindo-se a ajuntamentos e demonstrações militares e, para finalizar, Gerónimo Malagueta, através de um comunicado anunciava o bloqueio da N1, entre Muxúngue e Rio Save, “apelando” aos moçambicanos a evitarem aquele troço.
Efectivamente:
  • No dia 4 de Abril de 2013 a Renamo atacou o Posto policial de Muxúngue, tendo morto 5 polícias.
  • No dia 7 de Abril a Renamo voltou a incendiar viaturas de civis, na Estrada Nacional nº 1.
  • Para não variar, a Renamo atacou o paiol de Savane, em 19 de Julho, matando 7 militares.
  • Não satisfeita com o desenvolvimento do país, o partido de Afonso Dhlakama assaltou posições das FADM em Samacuze, ferindo militares destas, em 27 de Setembro.
  • Em 4 de Outubro – talvez não satisfeita com a paz – a Renamo atacou as FADM em Muxúngue
  • Em 21 de Outubro, respondendo a mais um ataque da Renamo, as FADM tomam o controlo da Base/Academia/Residência Oficial do líder da Renamo, da qual Afonso Dhlakama saiu em debandada.
Para a surpresa colectiva, veio a Embaixada dos Estados Unidos, de Portugal e algumas organizações que sempre se arrogaram de exclusivamente personificar a sociedade civil, vieram condenar a suposta violência protagonizada pelas Forças de Defesa e Segurança, como se estivessem a agir fora do que se deve esperar da parte delas. É estranho que para as entidades acima citadas a crítica à violência só faça sentido quando forças com poder legitimado repõem a ordem, segurança e tranquilidade públicas. Será que o sangue derramado por forças estranhas ao nosso processo de desenvolvimento é menos valioso que a antiga base de Dhlakama? Espanta-me que este choro colectivo venha em defesa de quem não quer conformar-se com o quadro legalmente instituído e use a força e a selva como meios de sobrevivência política. Mesmo quando actos de banditismo puro da Renamo recomendavam tratamento mais incisivo, o Presidente Armando Guebuza soube manter a calma e se mostrou disponível para ouvir as preocupações de Afonso Dhlakama e remeter aos órgãos competentes. Mas numa atitude de pura arrogância e prepotência, o líder da Renamo sempre pensou que era mais forte que o Estado, preferindo lançar impropérios contra a nossa paciência. Entretanto, hoje muitos saem a condenar e a pressionar o Chefe de Estado para que haja diálogo.
Onde é que estavam essas entidades quando civis e inocentes morreram ao longo da Estrada Nacional nº 1? Onde è que estavam quando bens privados e públicos foram pilhados? Estas entidades perderam tempo e acobertando o discurso e actos sanguinários da Renamo e Afonso Dhlakama e hoje aparecem a dizer há guerra porque a base da RENAMO foi tomada?
Até podem ter razão, mas estão largamente atrasados. A RENAMO violou os direitos humanos, pilhou bens, hoje o que está a acontecer é exactamente aquilo que nãoquiseram evitar. Todos os que hoje choram o assalto a Santunjira ignoraram, num passado recente, a morte de civis inocentes. Se estão comprometidos com a paz que sejam coerentes e não usem um peso, duas medidas.
Quosque tandem Renamo abutere patientia nostra? (Até quando a Renamo continuará a abusar a nossa paciência?)
Até breve.
Alexandre Chivale (advogado)

quinta-feira, outubro 24, 2013

Máquina americana substituída por uma russa (soviética)

A viagem do Presidente Samora Machel à Zâmbia em 19 de Outubro de 1986 era para ser efectuada num Boeing-737 das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), o C9-BAA. Mas dois dias antes da viagem, o Comandante Sá Marques, que era quem iria pilotar o avião, foi notificado de que entretanto havia sido escalado para o voo de carreira, Maputo-Beira-Maputo. A viagem presidencial passaria a ser feita no Tupolev 134-A. Não obstante o cancelamento do voo das LAM, o Comandante Sá Marques, que pilotava o Boeing juntamente com Baptista Honwana, ficaria para sempre ligado ao acidente que envolveu o Tupolev presidencial (C9-CAA) no voo de regresso da Zâmbia para Maputo. Cerca de um quarto de hora depois do Tupolev ter-se despenhado em Mbuzini, o Comandante Sá Marques entrou em comunicação com a Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo a informar que se encontrava sobre o Limpopo, prevendo aterrar na capital moçambicana dentro de aproximadamente 30 minutos. Sá Marques pediu à Torre de Controlo que lhe fornecesse o boletim meteorológico actualizado no âmbito dos preparativos para uma aproximação final à pista de Maputo. Em vez disso, a
Torre de Controlo pediu a Sá Marques que tentasse comunicar com o Tupolev presidencial dado que havia "perdido contacto com ele". Várias foram as tentativas do comandante das LAM para entrar em contacto com o Tupolev presidencial, mas sem sucesso. Posteriormente, recebeu instruções para regressar à Beira. Nas investigações que se seguiram para determinar a causa do acidente de Mbuzini, a parte soviética orientou-as no sentido de demonstrar a existência de um radiofarol (VOR) falso. O voo das LAM, Beira-Maputo, seria a prova crucial. O facto do Boeing- 737 ter estabelecido contacto com a Torre de Controlo quando se encontrava a cerca de 190 milhas náuticas de Maputo era, na opinião dos investigadores soviéticos, a indicação da presença de um VOR falso pois, segundo alegavam, o raio de acção da estação VOR de Maputo não tinha esse alcance. Em declarações aos investigadores soviéticos, o Comandante Sá Marques disse ter a certeza de que estava em sintonia com a estação VOR de Maputo, facto confirmado ainda pelo emissor de onda média (737 MHz) da Rádio Moçambique instalado na Matola, ao qual também havia recorrido para tornar a verificar se a rota que seguia era a correcta. E acrescentou que quando recebeu instruções para regressar à Beira, continuou a ter indicações nos instrumentos de bordo de que o avião estava em sintonia com a estação VOR do Aeródromo de Maputo. Perante a incredulidade dos investigadores soviéticos, o Comandante Sá Marques sugeriu que se retirassem as caixas negras do Boeing-737 para uma reconstituição da trajectória seguida pelo avião e assim se determinar se tinha havido, ou não, um desvio de rota. Numa subsequente entrevista com o comandante das LAM, os investigadores soviéticos apresentaram a Sá Marques "um mapa exibindo o seguimento da minha rota por um radar militar situado no Limpopo. Inclusive, perguntaram-me se tínhamos comunicação com essa base militar e qual a possibilidade desta dar informações sobre a rota. O esquema mostrava um seguimento de rota correcto, com espaçamentos de 5 minutos até ao Limpopo, onde reduzi a velocidade do avião. E no troço seguinte, nos mesmos 5 minutos, a distância correspondia a uma velocidade superior a 1500 km/hora, com a particularidade de o trajecto passar a ser ligeiramente curvilíneo". Sá Marques fez ver aos investigadores soviéticos que "era de todo impossível um Boeing -737 voar a mais de 1 500 km/hora", sensivelmente o dobro da velocidade cruzeiro de um avião desse tipo. "A não ser", ironizou, que "o meu avião estivesse equipado com um afterburner". O «afterburner» é um dispositivo normalmente utilizado em aviões militares, que lhes confere um maior impulso, permitindo descolagens de pistas curtas, como a de um porta-aviões. Não é usado em aviões comerciais pelo facto de aumentar acentuadamente o consumo de combustível . "A reacção do investigador soviético", disse Sá Marques, foi "amachucar o mapa, atirando-o para o cesto dos papéis". Bernard Craiger, um dos três peritos designados pela ICAO para ajudar a parte moçambicana nas investigações do acidente de Mbuzini, foi o responsável pela reconstituição da trajectória seguida pelo Boeing-737 das LAM no voo Beira-Maputo-Beira. No relatório que elaborou, e que foi apresentado à Comissão de Inquérito nomeada pelo Estado de Ocorrência do acidente - a África do Sul - , Craiger referiu que a trajectória do Boeing-737 havia sido rectilínea. Não obstante os factos, no parecer enviado à Comissão de
Inquérito sul-africana, a parte soviética insistiu que o Boeing-737 pilotado por Sá Marques e Baptista Honwana havia entrado em sintonia com a estação VOR de Maputo"mais cedo do que o habitual, a uma distância de 190 milhas náuticas (320 km) de Maputo", acrescentando que: "Para o equipamento de bordo poder funcionar em sintonia com o equipamento de terra àquela distância seria necessário um transmissor VOR com uma potência que excedesse os 200 W. No entanto, a potência do transmissor VOR de Maputo não vai além dos 50 W. Por conseguinte, o equipamento de bordo do Boeing 737-200 das LAM, com a matrícula C9-BAA, estava em sintonia com o radiofarol falso, a transmitir na frequência dos 112.7 MHz, mas de potência superior à do VOR de Maputo." Um outro comandante das LAM, Franklin Bastos, em entrevista a Álvaro Belo Marques, autor do livro “Quem Matou Samora Machel?”, declarou que o radiofarol VOR de Maputo podia ser captado a 200 milhas náuticas. A posição do Comandante Franklin Bastos é corroborada por Armando Cró Braz, um antigo piloto-comandante e instrutor que efectuou diversos voos com o Presidente Samora Machel. De acordo com o Comandante Cró Braz, “era comum apanhar o VOR de Maputo a mais de 200 milhas náuticas. Aliás, ao VOR está ligado um equipamento que indica a distância certa em milhas náuticas e era normal apanhar o VOR a 230 milhas náuticas do Maputo. Uma milha náutica são 1,852 metros ou seja 1,8 Km, pelo que em quilómetros era normal apanhar o VOR naquele sentido a mais de 400 Km de distância”. 

Americano canta bairro de Eusébio

O bairro de Mafalala, arredores da cidade de Maputo, inspirou o saxofonista norte-americano, Najee, que no seu mais recente trabalho discográfico intitulou uma das faixas musicais com o nome daquele bairro emblemático de Moçambique.Trata-se do álbum “The Morning After - A Musical Love Journey”, produzido por Demonte Posey e que conta com as participações especiais da cantora Meli'sa Morgan e do baixista de jazz, Brian Bromberg.Dá conta que para além de ser um disco no qual Najee compartilha suas experiências com seus fãs, “The Morning After, A Musical Love Journey”, é um tributo e reconhecimento ao bairro da Mafalala.A música “Mafalala” é resultado da inspiração que o músico teve em Maputo, durante a sua vinda em 2012 para a primeira edição do More Jazz Series.“O Bairro da Mafalala é muito pobre, e algumas casas não têm água corrente nem electricidade. As condições de vida são difíceis se considerarmos os padrões ocidentais. Entretanto, os rostos das pessoas reflectem um espírito de brilho e orgulho de não desanimarem da vida. E isso deixou uma grande impressão em mim e, por isso, decidi compor e nomear esta canção Mafalala. É um tributo às pessoas corajosas e fortes que vivem na Mafalala”, afirma Najee.No bairro de Mafalala nasceram, entre outras personalidades, José Craveirinha, expoente máximo da poesia moçambicana, Eusébio da Silva Ferreira, que actuou no Benfica de Portugal bem como na selecção de Portuguesa.

Dhlakama sabia do ataque?

O Ministro moçambicano da Defesa, Filipe Nyussi, assegurou  em Satunjira, que a ocupação Segunda-feira última da base da Renamo que funcionava neste ponto do Posto Administrativo de Vunduzi, em Sofala, foi da única e exclusiva responsabilidade das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).Falando a jornalistas na base de Satunjira, onde o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, viveu por pouco mais de um ano, até a passada Segunda-feira, Nyussi disse não ser verdade o que alguma imprensa tem noticiado, associando o sucesso da operação com a presença de tropas especiais internacionais.
Alguns cépticos não acreditam, por exemplo, que a ocupação da base sem ‘banho de sangue’ tenha sido obra do exército moçambicano. “Não houve banho de sangue porque não era esse o nosso propósito”, disse Nyussi, reiterando que é missão das FADM desactivar toda e qualquer tentativa de colocar em risco a soberania moçambicana.“Passamos por aqui para os jornalistas verem quem são os que lideraram esta operação. Não vimos nenhum militar estrangeiro aqui. Todos eles são moçambicanos”, afirmou Nyussi.Um alto oficial das FADM disse que o único local onde houve duas mortes e sete detidos, por parte dos homens armados da Renamo, foi duranteos confrontos que culminaram com a queda da posição estratégica de Mucoza, a 17 de Outubro (Quinta-feira passada). Os jornalistas também visitaram este local, onde permanecem intactas as casernas usadas pelos homens da Renamo.Segundo a fonte militar, a bandeira da Renamo que se encontrava içada naquela posição foi entregue a Saimone Macuiane, deputado e líder do grupo da Renamo que tem vindo a dialogar com o governo a volta da tensão politica engendrada pela própria Renamo.
Ao longo do percurso para Satunjira foi notório que a presença das FADM está a

devolver paz e tranquilidade às populações locais.Parte da população que tinha abandonado as suas casas está, paulatinamente, a regressar as suas residências e a retomar suas actividades.Nesta mesma curta visita a antiga base da Renamo e residência de Dhlakama foi possível ver, nas proximidades, camponeses nas machambas e outros cidadãos transportando os seus haveres, de regresso as suas casas. O próprio Ministro disse, no contacto com os jornalistas, que “como puderam ver, a vida está a recomeçar e algumas populações já estão a abandonar os esconderijos de regresso as suas casas”. Nyussi, que deixou evidente que desconhece o paradeiro do líder da Renamo, disse que apesar disso o governo vai continuar a enviar a sua delegação para o diálogo com esta formação, que normalmente decorre, a cada segunda-feira, no Centro de Conferências Joaquim
Chissano. “Não sei se haverá algum desinteresse por parte da Renamo, mas o governo sempre estará la”, assegurou.Na ex-base de Dhlakama, em Satunjira, continuam intactas as palhotas em que ele vivia e outras que estrategicamente foram construídas por baixo de árvores. Esta estratégia, segundo os militares, visa dificultar visualização mesmo em operações aéreas. Outras cabanas, incluindo a que acolheu, recentemente, a conferência nacional de quadros da Renamo, foram destruídas.Naquele mesmo sítio, os jornalistas reconheceram algumas peças de vestuário de Afonso Dhlakama, abandonadas durante a fuga. Ainda se acredita que ele refugiou-se na serra de Gorongosa. Centenas de bandeiras, incluindo a que se supõe ser um protótipo do que será a futura bandeira deste movimento militarizado, foram abandonadas na base. A retirada da perdiz e de setas, que corporizam a actual bandeira, é a principal novidade do novo símbolo também encontrado no local.

Arqueologia subaquática

A Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique vai disponibilizar 63 milhões de dólares americanos à Associação Moçambicana “Bitonga Divers”, e a “Ocean Revolution” destinados a financiar a formação em matéria de documentação da biodiversidade ma
rítima no país. O projecto a ser executado pelas duas Organizações Não-Governamentais (ONGs) tem por objectivo descobrir locais subaquáticos e documentar o seu papel histórico no comércio de escravos, focalizando-se na formação de moçambicanos para serem mergulhadores técnicos qualificados e descobrir importantes locais arqueológicos, a fim de preservar a rica história do país. Um comunicado de imprensa da embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) refere que o acordo para o efeito foi recentemente assinado em Maputo entre o embaixador norte-americano, Douglas Griffiths, e os representantes da Bitonga Divers e da Ocean Revolution, Kudzi e Timothy Dykman, respectivamente.A Ocean Revolution é uma ONG que trabalha na área do activismo marítimo e estabeleceu-se no país em 2006, altura em que ajudou os moçambicanos a criarem a Bitonga Divers, uma associação profissional de mergulhadores e instrutores de mergulho.“No quadro do projecto, irão formar moçambicanos para protegerem a rara diversidade marítima local e a herança cultural e histórica de Moçambique”, disse o embaixador.Neste contexto, o Fundo do Embaixador para Projectos Culturais fará parte de um maior projecto chamado “The African Slave Wrecks Project (ASWP)”, uma colaboração internacional envolvendo vários parceiros, dentre eles o ASWP que irá trabalhar com a Ocean Revolution e a comunidade académica moçambicana na investigação e protecção da herança cultural e histórica do comércio global de escravos.

terça-feira, outubro 22, 2013

O racismo "subtil" dos tugas

Cláudia Semedo é atriz há uma década que lamenta que a sua cor negra a impeça de ter oportunidade de poder entrar em mais projetos de ficção. A atriz lamenta que nem a considerem para um 'casting'. 'Por ter ascendê
ncia africana tenho de trabalhar mais', sublinha Cláudia Semedo, citada pelo 'Diário de Notícias'.'Sinto que por ser mulher e ter ascendência africana tenho de trabalhar muito mais', diz Cláudia Semedo que admite que já se sentiu discriminada e de uma forma muito clara.     'Obviamente que sinto muito claramente que na ficção portuguesa não se contemplam as diferenças que o país tem. E o nosso país é um caldeirão, temos africanos, chineses, brasileiros... há muitos papéis sem cor que são escritos naturalmente para pessoas caucasianas e eu não estou com palas nos olhos, vejo isso', desabafa. A também apresentadora do programa Nós, RTP2, sabe que não pode fazer todos os papéis por causa do tom da sua pele, mas assegura que não há igualdade de oportunidades para todos. 'Eu sei que não posso ser filha de um Nicolau Breyner e de uma Lia Gama, mas há uma série de papéis que posso fazer e sinto que nem me consideram para casting porque não encaixo no estereotipo de Portugal. Sinto que nem sequer se pensa nisso', acusa. Cláudia Semedo regressa aos palcos dia 25 de Outubro com a peça Paredes Meias, no teatro Amélia ReY Colaço, Lisboa. 'É muito bom voltar', diz.

Em 2011, a cantora Rihanna, que actuou no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, escreveu na rede social Twitter que foi alvo de comentários racistas no hotel onde esteve hospedada.A estrela da Ilha de Barbados escreveu no Twitter que encontrou 'o cabrão mais racista de sempre'.Segundo a cantora, o homem disse as 'coisas mais loucas sobre as mulheres negras'. 'Chamou-nos cadelas, prostitutas e afirmou que nós não deveríamos estar hospedadas nos mesmos hotéis que os brancos', acrescentou.Perante estes insultos, Rihanna revelou que não se conteve e reagiu. 'Como é óbvio, a negra que há em mim saltou cá para fora, falei com sotaque dos Barbados e tudo', escreveu, com um toque de humor, revelador do modo como lidou com o caso. No fim, a cantora acrescentou que veio a descobrir que o gerente do hotel português também era negro.Apesar do incidente, Rihanna diz não ter guardado qualquer tipo de rancor a Portugal.Em Setembro passado, 17 Estados membros, incluindo Portugal, propuseram a criação de um pacto pela diversidade e contra o racismo a assinar por todos os países da União Europeia e pela Comissão Europeia e a vigorar entre 2014 e 2020. A proposta de elaboração do pacto consta da Declaração contra o Racismo assinada por Portugal, Grã-Bretanha, Bélgica, França, Suécia, Itália, Grécia, Irlanda, Bulgária, Croácia, Lituânia, Polónia, Roménia, Malta, Letónia, Chipre e Áustria, em Roma, a capital italiana, segundo a imprensa lusa. A iniciativa partiu da ministra do Interior belga, Jolle Milquet, como forma de repudiar todas as formas de racismo e discriminação, mas em particular de mostrar uma posição firme contra as agressões de que tem sido alvo a ministra da Integração italiana, Cécile Kyenge, de origem congolesa (RDCongo). A Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) de Portugal, Rosário Farmhouse, declarou à Lusa que depois de ter conhecimento do que se estava a passar com a ministra italiana, a ministra belga convidou todos os Estados membros da União Europeia para se juntarem numa ação conjunta. A Declaração de Roma surge 'não só para mostrar solidariedade para com a ministra italiana, mas também para mostrar indignação em relação ao que se tem estado a passar' e, ao mesmo tempo, assumir um 'compromisso de luta no combate ao racismo e à xenofobia', disse A Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural de Portugal. 
A Declaração contra o racismo não só lembra momentos históricos europeus e mundiais, como o Holocausto, a Convenção Europeia dos Direitos Humanos ou o discurso de Martin Luther King, como aproveita para defender que agora, mais do que nunca, é necessário desafiar a intolerância e o extremismo onde quer que eles ocorram. Nesse sentido, adiantou Farmhouse, ficou o compromisso de se construir um pacto para os anos 2014-2020 com medidas concretas de combate ao racismo e à xenofobia. 

Feira do caju

Os actores da cadeia de valores no processo de produção da castanha de caju, estratégica para Moçambique, vão trocar em Novembro próximo as suas experiências e conhecimentos relativos as melhores formas de maneio daquela cultura de elevado valor comercial.Para o efeito, o Instituto de Fomento do Caju vai realizar a primeira feira de produtos do caju, cujo objectivo fundamental é criar uma plataforma de intercâmbio de experiência entre os actores da cadeia. Citada hoje pelo Jornal “Notícias”, a directora da instituição, Filomena Maiópue, disse que a feira será transformada em um ambiente à transmissão de conhecimentos aos produtores sobre práticas saudáveis relativamente ao maneio da cultura.A i
deia, segundo Maiópue, é focalizar a produção de castanha de qualidade, capaz de se afirmar no mercado nacional e internacional em termos de preço.“Cada produtor tem a experiência que traz da zona de origem relativamente aos mecanismos adoptados para lidar com as pragas e doenças que afectam a cultura do caju, com reflexos nefastos na qualidade da castanha e, consequentemente, o registo de perdas financeiras no momento da comercialização”, disse a fonte.   No evento, os produtores vão trocar também ideias não só sobre esta matéria, como também sobre outras que sejam de interesse colectivo.Na feira, que terá o suporte técnico da Universidade Lúrio, haverá espaço para a realização de uma exposição de equipamentos de processamento dos produtos do caju, bem como de produção de embalagens para amêndoa da castanha, que é um elemento fundamental para se acrescentar valor ao produto.Geralmente, os produtores usam apenas o saco para armazenar a sua castanha de caju sem observar outros pormenores, sobretudo os relacionados com o material usado para o fabrico.   Por isso, Maiópue disse ser necessário explicar aos produtores sobre a importância de usarem sacos produzidos com recurso a materiais que garantam frescura da castanha, até chegar à fábrica para o processamento.No entanto, é ainda desconhecido o distrito que vai acolher a feira, mas a expectativa é tenha lugar próximo da capital provincial, para poupar os participantes, incluindo a organização, dos custos de deslocação e alojamento.