quinta-feira, dezembro 16, 2021

Captura ,é uma questão de tempo

As Forças de Defesa e Segurança (FDS) abateram, recentemente, um dos líderes dos terroristas em Niassa. Trata-se de Maulana Ali Cassimo, um muçulmano conhecido em Mavago a quem se acredita que para além de liderar grupo terrorista também disseminava a propaganda jihadista e recrutava jovems para se juntarem aos extremistas.

Bernadino Rafael, comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (recentemente reconduzido ao cargo pelo chefe de Estado) confirmou que o terrorismo chegou a província de Niassa e a porta de entrada foi o distrito de Mavago.

“A seguir, a nossa patrulha, que chamamos de ‘Reconhecimento Combativo’, entrou numa emboscada onde os colegas combateram e, neste combate, foi atingido um dos terroristas que era procurado, chamado Cassimo. As pessoas de Niassa conhecem-no, era muçulmana em Mecula e, a partir da morte deste terrorista, tiramos a conclusão de que se trata de terroristas que atravessaram de Cabo Delgado para Mecula”, disse o comandante-geral da PRM.

Um estudo publicado recentemente pelo Observatório do Meio Rural (OMR), intitulado “Do inimigo sem rosto” fez referencia ao Maulana Ali Cassimo como um dos lideres dos terroristas. Trata-se de um indivíduo inteligente, bem articulado na língua portuguesa e com capacidade argumentativa. Maulana é um indivíduo claro, com cerca de 1,70m de altura. É natural de Lichinga, tendo concluído o curso médio de Agropecuária, no Instituto Agrário nesta cidade. É classificado de “ bom aluno ” por ex-professores. Trabalhou para a Mozambique Leaf Tobacco em Tete e em Cuamba. Alegadamente, foi após ter estado preso pela polícia (por não ter licença de condução) que ingressou no aparelho do Estado. Entre 2014 e 2017 foi técnico de Extensão Agrária no SDAE de Mecula. Devido ao seu envolvimento e dedicação na sua área de extensão, Maulana chegou a ganhar um prémio provincial. É descrito como carismático e com muita aceitação junto dos produtores. Ficou conhecido entre os colegas por ser rigoroso nos preceitos islâmicos (rezando cinco vezes ao dia) e por ser profissionalmente “activo” e “agitado”. É recordado por ter demonstrado, várias vezes, a sua revolta em relação à attitude das autoridades para com garimpeiros (em Mariri, na localidade de Mbamba) e caçadores furtivos na reserva do Niassa. Os colegas destacam a veemência com que criticava a extorsão de bens e detenção de 

jovens garimpeiros, justificando que a agricultura não constitui uma actividade rentável e que os jovens não dispunham de outras alternativas. Em defesa dos garimpeiros, com quem tinha relações, insurgia--se abertamente contra as autoridades do distrito, inclusivamente contra o Administrador e Secretário Permanente. A partir de 2016 envolve-se na organização de uma mesquita e perde interesse pela sua actividade profissional. A radicalização do discurso, incluindo a proibição de crianças de frequentarem a escola, levou ao encerramento da mesquita pelo Estado. Neste processo foi impedido de utilizar a motorizada do SDAE (que colocava ao serviço das suas actividades religiosas) gerando-lhe um grande descontentamento e revolta. Em Julho de 2017 abandonou o posto de trabalho e deixou de ser visto em Mecula.

Os colegas foram informados que se tinha dirigido para Cabo Delgado para receber formação religiosa, para posteriormente abrir uma mesquita em Mecula, onde iria receber um subsídio de 60 mil meticais, bem superior ao salário que auferia do Estado.

Com o início do conflito armado,  juntou-se aos insurgenets nas matas de Mocímboa da Praia, tal como muitos outros jovens de Mecula. A esposa ainda tentou juntar-se ao marido em Cabo Delgado, mas foi detida pela polícia nesse processo, residindo actualmente em Lichinga com os seus dois filhos, assim como a família do marido.

 Maulana participou nos ataques a Mocímboa da Praia e a Palma.

Entretanto, sabe-se que com a morte de Ali Cassimo já são três os elementos importantes que comandam o grupo terrorista que há quatro anos actua na província de Cabo Delgado sendo que nesta altura a prioridade das forças no terreno é capturar Bonomado Machude Omar, que várias vezes muda de nome, aquém é atribuída a liderança do grupo que atacou e ocupou por quase um ano a vila de Mocimboa da Praia e dali desencadeou acções que atacaram Palma. Com o aperto de Cabo Delgado acredita-se que Bonomado Machude Omar está Escondido nas montanhas e a sua captura é questão de tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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