quinta-feira, agosto 06, 2020

15.000

Na Beira estão armazenadas, em deficientes condições de segurança, 15 mil toneladas de um produto químico que quando misturado com gasóleo e aliado a uma ignição que funcione como detonador pode produzir uma explosão que destrói tudo num raio de 200 quilómetros quadrados. Apenas um quilo de massa desse composto, segundo um especialista ouvido pela Reportagem dos jornais Canalmoz e Canal de Moçambique, é suficiente para fazer explodir o Prédio 33 andares, em Maputo. Trata-se de Nitrato de Amónio, de densidade 5.1, que terá sido importado como fertilizante e não como explosivo o que a confirmar-se indicia tratar-se de importação ilegal.

Um simples telemóvel pode ser ignição. O sol pode também também produzir uma explosão se o produto lhe for exposto. Suspeita-se que a carga é proveniente da Suécia e terá sido declarada como estando em trânsito para a Zâmbia. Mas, efectivamente, suspeita-se que se destina à mineradora Vale, em Tete, o que a confirmar-se poderá vir a ser encarado como uma fraude aduaneira pois não se destina a fertilização solos mas, sim, a abrir minas.A importação foi feita por uma empresa com sede em Maputo, mais propriamente a ORICA MOÇAMBIQUE, Lda., apurou o Canalmoz / Canal de Moçambique.A carga está armazenada em dois espaços distintos, dentro do perímetro da cidade Beira, mais concretamente na Munhava-Vaz e na Manga-Mascarenhas, neste caso à vertical da pista principal, do aeroporto. O Nitrato de Amónia está armazenado em espaços que pertencem à BLT, Limitada (Beira Logistic Terminais) e à ST,Lda, respectivamente. Na Munhava-Vaz a carga está num armazém que não reúne as condicções de segurança exigíveis a produtos explosivos assim classificados.Na Manga-Mascarenhas o Nitrato de Amónia está no Estaleiro-ST, ao relento, apenas coberto por lonas, exposto ao sol. A simples exposição deste produto ao sol poderá suscitar uma explosão de enormes proporções.

Nos Estaleiros-ST estão 750 embalagens de 1075 Kg/cada de Nitrato de Amónia. Na Munhava-Vaz, no armazém da BLT há 480 sacos. Todos os sacos são de 1075 Kg/cada. Há ainda 103 contentores no Porto da Beira, ainda a cargo da Cornelder, empresa que tem a seu cargo a área comercial deste ancoradouro. Estão ainda 34 contentores a caminho da Beira, em navio a cargo da transitária Maersk. Na Beira já estão ao todo 15 mil toneladas, que equivale a quinhentos (500) camiões.O que já está em terra, se misturado com gasóleo e associado a uma ignição ou detonador pode produzir uma explosão que destrói tudo num raio de 200 Kms.

Desconhece-se se o transportador marítimo (MAERSK), a Cornelder (Porto da Beira), e as Alfândegas estavam informadas de que a carga da Orica se tratava de explosivos. No certificado de qualidade do produto consta que o produto tem 99% de Nitrato de Amónia. A dona do referido produto é a ORICA Moçambique, uma empresa que não tem licença de importação de explosivos mas está a comercializar Nitrato de Amónia (NH4NO3) que não é nem mais nem menos, grosso modo, do que bolinhas de gás na proporção de 99%. As 15 mil toneladas encontram-se na Beira armazenadas em dois espaços distintos: um na Munhava-Vaz, na estrada nacional N6, e outro na Manga Mascarenhas.

A Policia já tem a situação sob controlo. O Comando Geral da PRM até ontem ainda não ordenara a tomada de medidas que assegurem todas as condicções de segurança recomendáveis para este tipo de produto.A população da cidade da Beira continua sujeita a alto risco.

(Fernando Veloso, na Beira)


Cogumelo sobre Beirute

 Beirute busca sobreviventes em área devastada pela explosão que já ...

O assunto do dia nesta terça-feira, 4 de agosto, é a massiva explosão que atingiu o porto de Beirute, no Líbano, e a consequente onda de choque que abalou a cidade e chegou no aeroporto internacional Rafik Hariri, mesmo este estando a mais de 8 km do ground zero da explosão. Até agora, não está certo o que causou a explosão, que já conta 80 mortes e 3 mil vítimas graves, segundo dados do governo libanês. A principal suspeita é de incêndio em um armazém que armazenava produtos químicos como Nitrato de Amônia.

Segundo dados do Google, o aeroporto dista 8,6 quilómetros do local da explosão, que aconteceu no porto da cidade. Mesmo assim, foi atingido, principalmente no andar de acesso e no estacionamento. A onda de choque é causada pelo deslocamento de ar em decorrente da expansão do material explosivo. Apesar de não ser tão letal quanto os próprios fragmentos de um explosivo normal, ela pode matar ou causar sérios danos, como se pode observar nessas fotos feitas de dentro do aeroporto. Não há informações sobre danos em aviões até o presente momento.Cruz Vermelha libanesa faz apelo urgente por doação de sangue. Número contabilizado de feridos em explosão em Beirute já passou de 1.000. Nas fotos, que circulam na internet, notam-se diversos vidros quebrados, estruturas e divisórias no chão, além de painéis do tecto quebrados. Apesar do estrago, nenhuma pessoa foi reportada ferida no aeroporto.Um detalhe é que as operações das aeronaves continuaram normalmente após a explosão, segundo o aplicativo FlightRadar24.

Não se sabe se havia alguma aeronave voando próxima do local da tragédia no momento exacto da explosão, mas sabe-se que aviões também são afectados pela onda de choque e podem inclusive cair por causa do deslocamento massivo de ar, a depender da proximidade com a explosão e do porte do equipamento – aviões de menor porte são mais susceptíveis às mudanças de condições de voo. Até o momento também não foram reportados danos em aviões que estavam em solo no aeroporto e possivelmente expostos à onda de choque. Mas sabe-se que boa parte da frota da companhia aérea local, a Middle East Airlines (MEA), está parada no aeroporto internacional de Beirute.

Encosta-los à parede

Enquanto o grupo que aterroriza Moçambique voltou a atacar Mocimboa, continuam as operações de eliminação de esconderijos do Daesh EIPAC em Cabo Delgado, sobretudo a sul e sudoeste de Mocimboa da Praia .

Quarta-feira, acções das FDS contra bases reconstituídas por pequenos núcleos de “jihadistas”, alegadamente reforçados com instrutores que atravessaram o Rovuma. A denúncia da população local foi determinante. Descobriram-se assim outros acampamentos: Cagembe I e II, Chamba I, Rússia I e II (assim designados em documentos encontrados e comunicações interceptadas). Houve também heliassalto e operações especiais contra grupos de combate do Daesh em Nantadola, Chitunda, diversas partes das margens do rio Muera, Manilha, Ntotwe, Mumu, margens do rio Nangu, no seguimento das acções aqui descritas em Nanquidunga, e.a. Foram destruídos dois postos avançados de controlo, que davam acesso às antigas bases Síria I e II (onde o Daesh planeava reinstalar-se), e eliminados 17 “jihadistas” (12 quarta, 5 na terça), incluindo uma mulher que dava vozes de comando e fogo em swaíle, e que se supõe ser congolesa de origem ugandesa, há muito procurada no leste da RDC.Esta comandante ou instrutora controlava um posto de observação e alerta numa picada de dificil acesso, que liga Limala, Marere e Naquitengue.

As forças de segurança moçambicanas continuaram ontem e anteontem uma operação em Nandiqunda, Naquitengue, Limala, Marere e Mau, para desmantelar alegados acampamentos do Daesh EIPAC.

Descobriram num deles vários telemóveis com cartões de memória intactos, depois de terem surpreendido um grupo de comando de 5 homens. Informações importantes sobre a estrutura do bando foram assim obtidas, depois de um bom trabalho de reconhecimento de combate. O EIPAC não morreu, continua a preparar ataques, mas parece estar a ter uma resposta organizada e à altura. (Nuno Rogeiro)