segunda-feira, janeiro 11, 2021

1,2...3 estirpe

As autoridades sanitárias do Japão anunciaram esta segunda-feira que identificaram uma nova estirpe do vírus que causa a covid-19 em quatro passageiros provenientes do Brasil. As quatro pessoas infetadas foram testadas à chegada ao aeroporto de Tóquio no dia 2 de janeiro. Para já, sabe-se que esta nova variante possui 12 mutações, sendo que uma delas é a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e na África do Sul, o que implica um “maior potencial de transmissão do vírus", explicaram as autoridades sanitárias brasileiras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já foi informada.

Assim, esta é a terceira estirpe do SARS-COV-2 que é comunicada à OMS. A 14 de dezembro de 2020, as autoridades sanitárias do Reino Unido informaram a OMS que tinham identificado, através da sequenciação do genoma do vírus, uma variante que teria sido detetada pela primeira vez em setembro e que, até ao dia 13 de dezembro, tinha já infetado 1108 pessoas. A variante foi denominada B.1.1.7. As análises iniciais permitiram concluir que esta variante transmite-se de forma mais rápida, e a OMS assegura que estão neste momento a decorrer investigações para determinar se também causa sintomas mais severos da doença (o que parece não acontecer), e se as vacinas já existentes são eficazes para a combater. Uma estimativa feita em dezembro pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) indicou que a variante britânica é cerca de 70% mais transmissível - entretanto, novas pesquisas sugerem um risco 56% superior

Poucos dias depois, a 18 de dezembro, as autoridades de saúde da África do Sul comunicaram o aparecimento da variante 501.V2, primeiramente detetada no município de Nelson Mandela Bay. Esta variante possui a mutação E484K, que “diminui o reconhecimento de anticorpos” e não está presente na britânica, explicou à revista “The Scientist" Francois Balloux, diretor do Instituto de Genética de Londres, o que pode ajudar o vírus a evitar a imunidade adquirida após uma infeção anterior. 

Até à semana passada, a variante britânica tinha já sido detetada em 45 países, enquanto que a variante sul-africana estava presente em pelo menos seis. Todos os vírus sofrem mutações: durante esta pandemia, mais de quatro mil já foram identificadas. “Todos os vírus que estudamos tornaram-se mais contagiosos com o tempo devido à seleção natural”, resumiu Andrew Read, um microbiologista da Penn State University, ao "New York Times". No entanto, estas duas em específico estão a preocupar mais os cientistas pois têm um grande número de mudanças na proteína spike do SARS-COV-2, a parte que encaixa nas células humanas recetoras, permitindo a infeção.

O "New York Times" aponta que a variante britânica “deixou alguns países vulneráveis numa altura em que pareciam estar próximos da salvação científica" através das vacinas. Um desses exemplos é o de Israel: o país já iniciou a vacinação mas teve de voltar a apertar as medidas de confinamento na última sexta-feira depois de detetar casos da nova variante, que foi responsável por pelo menos oito mil casos nos últimos dias.

Ainda não há muita informação sobre a variante japonesa detetada esta segunda-feira, e cientistas de todo o mundo estão neste momento a estudar as variantes britânica e sul-africana para perceber se têm o potencial de ameaçar a eficácia das atuais vacinas. Os dados recolhidos até agora parecem indicar que a vacina da Pfizer funciona face à B.1.1.7, mas o ministro dos Transportes do Reino Unido já veio dizer que esse pode não ser o caso em relação à 501.V.2, da África do Sul. De qualquer das formas será necessário esperar por mais informação, e os países não devem desvalorizar estas e outras novas mutações do SARS-COV-2, alertam os especialistas. “Estamos a perder a corrida para o coronavírus. Está a infetar pessoas a um ritmo muito mais rápido do que aquele a que estão a chegar as vacinas, e está a ultrapassar o nosso distanciamento social”, garante Derek Cummings, biologista da Universidade da Flórida, ao jornal “Los Angeles Times.”

 

quinta-feira, janeiro 07, 2021

Capital do norte com sede

O fornecimento de água a cidade de Nampula, a terceira mais populosa no norte de Moçambique, poderá registar melhorias até o próximo domingo com o incremento de entre 18 mil a 20 mil metros cúbicos/dia, contra os actuais oito mil, segundo projecção do Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG). A revelação é do director dos Serviços Centrais de Operações do FIPAG, Ilídio Khossa, em declarações a imprensa, no campo de furos de Namiteca, no bairro de Muhaivire, arredores da cidade de Nampula, onde foram abertos furos que deverão injectar pelo menos 20 mil metros cúbicos de água/dia. A falta de chuva provocou uma diminuição drástica do nível na barragem da cidade de Nampula, sobre o rio Monapo, abrindo uma crise no fornecimento de agua sem precedentes nos últimos dez anos.

“Para aumentar o nível de produção, temos furos neste campo de Namiteca, para abastecer os camiões cisternas, numa primeira fase, oito tomas a ser instalados a nível da cidade de Nampula, mesmo aqui, na Muhala-Expansão e Namicopo. Em paralelo, estamos a construir 31 fontenárias adicionais, portanto são acções que, pelo menos, até o próximo domingo, poderão incrementar o nível de produção para entre 18 a 20 mil metros cúbicos/dia e assim, certamente, não resolver o problema, mas minimiza-lo”, disse. Contudo, Ilídio Khossa anota que o problema de abastecimento de água à cidade de Nampula, requer uma acção mais segura e duradoura, uma vez que a actual barragem, sem uma gestão adequada, após a época chuvosa, só tem água para três meses.

“Nampula já tem estado a ressentir-se deste problema de fonte já fez tempo. A solução definitiva passa por uma fonte segura, ou seja uma barragem. O campo de furos, de Namiteca, é uma solução transitória e intermédia, por isso, o FIPAG, tem estado a estudar uma fonte que dista 110 quilómetros de Nampula, na zona de Namialo, em Mujica É a fonte que esperamos enquanto se constroem outras fontes alternativas e procura-se mobilizar financiamento”, afirmou. A fonte apelou a população para fazer uso racional da pouca água existente. “Informar que identificamos algumas zonas dos bairros de Namicopo, Carrupeia, Marrere e Muhaivire, onde a nossa rede de distribuição está a ser vandalizada, isso reduz ainda mais os nossos esforços de levar água para o consumo geral”.

 Khossa disse ainda que as tomas de água para abastecimento dos camiões cisternas abrirão mais cedo, cerca das seis horas da manha, encerrando as 20 horas locais para melhorar a oferta e operatividade deste serviço. Em situação normal, a barragem de Nampula, já com pouco mais de 60 anos idade, produz, em média, 40 mil metros cúbicos de água para uma população de aproximadamente 800 mil habitantes.

 

Vacinas piratas na internet

Enquanto milhões de pessoas esperam sua vez de obter uma vacina contra a pandemia da Covid-19 que pode estar a meses de distância, golpistas online, em e-mails e em aplicativos de mensagens, estão atraindo vítimas com alegações de que podem entregar vacinas em dias por apenas 150 dólares. Os golpes relacionados às vacinas estão em ascensão, de acordo com autoridades dos governos da Europa e dos Estados Unidos, que estão alertando o público sobre golpistas buscando dinheiro e dados pessoais.

Uma pesquisa online da Reuters, em fóruns da dark web e no aplicativo de mensagens Telegram, encontrou sete ofertas diferentes para supostas vacinas contra Covid-19. As fraudes incluem e-mails prometendo a entrada em listas supostamente secretas para o acesso antecipado às vacinas e ligações feitas por robôs que se fazem passar por agências governamentais. Fóruns na chamada dark web incluíram as vacinas entre produtos ilícitos mais tradicionais para venda. O FBI e a Interpol, entre outros órgãos, alertaram sobre esquemas de fraude emergentes relacionados à pandemia, dizendo que curas e vacinas falsas anunciadas em sites falsos podem representar ameaças cibernéticas e um risco significativo para a saúde das pessoas, ou mesmo para suas vidas. Os domínios de websites contendo a palavra vacina combinada com Covid-19 ou coronavírus mais que dobraram desde Outubro para cerca de 2.500 em Novembro, quando as primeiras vacinas legítimas estavam perto da aprovação regulatória, de acordo com a empresa de ciber-segurança Recorded Future, que está monitorando fraudes online relacionadas à pandemia.

“Até agora, muitos destes domínios parecem ser apenas registos oportunistas, mas alguns serão usados para tentativas de phishing para que as pessoas cliquem em links (maliciosos) ”, disse Lindsay Kaye, directora de resultados operacionais da Recorded Future. Kaye disse que sua equipe, que também monitora a dark web, até agora não se deparou com nenhuma vacina legítima desviada das instalações de saúde ou dos stocks nacionais. As fraudes estão se aproveitando da vacinação muito mais lenta que o prometido para proteger as pessoas contra o vírus que já tirou mais de 1,8 milhão de vidas em todo o mundo até agora. A maioria das pessoas provavelmente terá que esperar até o segundo ou terceiro trimestre do ano para receber sua vacina.

No fórum da dark web Agartha, vacinas falsas contra Covid-19 foram oferecidas ao lado de cocaína, opióides, “dinheiro falso de alta qualidade”, armas e cartões de presente. As publicações mostravam fotos de stocks de vacinas e ofereceram frascos por entre 500 e 1.000 dólares, ou o equivalente em Bitcoin. Em outro site da dark web, um vendedor alegando ser do “Instituto de Ciências de Wuhan” oferecia vacinas em troca de uma doação, e pediu aos compradores que fornecessem seu histórico médico. No Telegram, vários canais afirmaram vender vacinas contra Covid-19, acompanhadas de imagens de stocks. Um usuário ofereceu supostas vacinas da Moderna por 180 dólares, e afirmou que a vacina da Pfizer e da BioNTech poderia ser obtida por 150 dólares e a da AstraZeneca por 110 dólares por frasco. 

Questionado sobre como as vacinas seriam enviadas, o criador da conta disse que elas seriam enviadas em “pacotes de temperatura controlada” e sacos de gelo dentro de poucos dias, ou durante a noite, por um custo adicional.As vacinas reais contra Covid-19, particularmente a da Pfizer/BioNTech, devem ter temperatura controlada para permanecerem eficazes, com as farmacêuticas equipando as remessas com termómetros para monitorar a temperatura. Os embarques e distribuição de vacinas também são rigorosamente controlados por autoridades e serão administradas sem custo. “Os pacientes nunca devem tentar comprar uma vacina online - nenhuma vacina legítima é vendida online - e só devem ser vacinados em centros de vacinação certificados ou por provedores de saúde certificados”, disse um porta-voz da Pfizer em declaração.