segunda-feira, dezembro 02, 2019

4X1000= dívida saldada


Resultado de imagem para agostinho vumaO Governo já comunicou à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) sobre a sua disponibilidade para saldar as dívidas com quatro mil empresas moçambicanas que forneceram bens e serviços ao Estado no período de 2007 a 2017, mas que tinham os pagamentos condicionados devido à falta de visto do Tribunal Administrativo. O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, que partilhou esta informação com jornalistas em Maputo admite que a decisão do executivo vai contribuir para a recuperação das empresas visadas.
A disposição para saldar estas dívidas fora já manifestada pelo Ministro da Economia e Finanças, num recente encontro com jornalistas em Maputo, durante o qual explicou que, em 2017, o Governo tinha tomado a decisão de “reforçar a relação com os agentes económicos, pagando o que lhes era devido para animar as empresas de modo a produzirem mais e gerarem emprego...”.
Segundo Maleiane, citado pelo “Notícias online”, da triagem feita na altura apurou-se que estavam em dívida cerca de 19 biliões de meticais (296.875.000 dólares nore-americanos ) referentes ao período 2007/2017, dos quais cerca de 16 biliões (o dólar vale 64 meticais) eram devidos por órgãos de nível central e cerca de três de nível provincial. 
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Do exercício de validação feito a partir dessa decisão pela Inspecção Geral de Finanças, segundo Maleiane, resultou a estratificação da dívida em três grandes grupos, sendo o primeiro constituído por credores que tinham contratos visados pelo Tribunal Administrativo, num total de 1.196 empresas.
O outro grupo é constituído por 1933 empresas que a inspecção constatou que, de facto, forneceram bens e serviços, mas ou não tinham os contratos, ou, se os tinham, não estavam visados pelo TA. No terceiro grupo, segundo explicação do Ministro da Economia e Finanças, estavam agrupadas 1.158 empresas que, segundo constatação da inspecção, não tinham nem contrato, nem evidências de terem fornecido algum bem ou serviço ao Estado. Da avaliação então feita resultou que dos 19 biliões de meticais em dívida, 5.7 biliões não foram reconhecidos e 2.6 biliões foram validados mas não chegaram a ser pagos devido à falta de contratos ou de vistos.

Imagem relacionadaSegundo Agostinho Vuma, umas das razões que concorreu para a desorganização do processo foi o facto de que, no período em referência, grande parte das empresas do sector privado tinha muitas lacunas do ponto de vista de digitalização, o que fez com que muitas empresas executassem trabalhos ou fornecessem bens ao Estado sem o necessário visto do Tribunal Administrativo. “Do diálogo que fomos tendo com o Governo, resultou que, esta semana, aceitou que vai pagar e os valores envolvidos não são poucos”, referiu Vuma, sem entanto avançar quantias. Vuma partilhou esta informação há dias em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Terceiro Mercado de Bolsas e Premiações, uma iniciativa da Bolsa de Valores de Moçambique que se enquadra no âmbito do cumprimento das acções previstas no Plano Estratégico da instituição para o período 2017-2021. O Terceiro Mercado (mercado de preparação) é um novo segmento da BVM, que constitui uma alternativa ao Mercado de Cotações Oficiais e ao Segundo Mercado, com o objectivo de preparar as empresas para ingressarem nos dois primeiros, já em vigor.

Reservas nunca atingidas


O Gabinete de Estudos Económicos do Standard Bank considera que as reservas de Moçambique em moeda estrangeira subiram para 3,9 mil milhões de dólares, o valor mais alto de sempre, devido a impostos do gás.
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“O recente fluxo financeiro de 880 milhões de dólares em impostos de ganhos de capital, representando o custo da Occidental-Total pela compra dos activos da Anadarko na bacia do Rovuma, ajudou a aumentar as reservas em moeda estrangeira, para o valor mais alto de sempre, 3,9 mil milhões de dólares, o que representa mais de seis meses de importações”, escrevem os analistas. No relatório mensal sobre os mercados financeiros africanos, enviado aos clients, os analistas económicos do Standard Bank escrevem, na parte dedicada a Moçambique, que “o actual nível de reservas em moeda estrangeira deve apoiar o metical apesar de a actividade económica continuar abaixo do potencial”.
Imagem relacionadaO Standard Bank prevê uma “recuperação económica lenta”, com o Produto Interno Bruto a crescer 3,7 por cento em 2020 e 2,5 por cento este ano, “não muito acima do que a taxa de crescimento da população, estimada em 3 por cento, mas mais baixo que a previsão do Fundo Monetário Internacional, que aponta para uma expansão de 5,5 por cento em 2020”.
As actividades do sector primário “continuam abaixo do potencial, e os investimentos no sector do gás natural liquefeito só se vão intensificar na segunda metade do próximo ano”, argumentam os analistas, para explicar a diferença sobre as estimativas do Fundo.
Em 2020 é “possível um programa de apoio financeiro do FMI”, agora que o acordo com os credores da dívida soberana foi concluído e que as agências de ‘rating’ tiraram o país do Incumprimento Financeiro, dizem os analistas, concluindo que isso “apoiaria um avanço nas reformas estruturais e um fortalecimento em matéria de governação, em vésperas de uma previsível ‘explosão’ do sector do gás”.

Poder popular e servir às massas


Imagem relacionadaDesde que o português Diogo Cão (nome sugestivo) chegou à África em 1482, o Continente vem sendo saqueado pelos países imperialistas. A África foi retalhada pelos europeus: França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Bélgica, Itália e Espanha. A Moçambique, Vasco da Gama chegou em 1498. Em 1505, os portugueses já haviam dominado toda a região costeira. Em Moçambique, um passo fundamental se deu em 1962, no dia 25 de junho, com a criação da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), união de vários grupos nacionalistas articulados pelo doutor em Literatura, Eduardo Mondlaine, que foi o seu primeiro dirigente. Mondlane foi assassinado em 1969, num atentado preparado pela repressão portuguesa com o apoio de traidores, que lhe enviaram um livro dentro do qual se encontrava um artefato com alto teor explosivo.
Imagem relacionadaEm que cenário se desenvolvia essa luta?
Sob o domínio português, o povo moçambicano vivia sob a mais extrema opressão. O colonialismo provocava e incentivava os conflitos entre etnias e grupos. Na capital, Lourenço Marques (Maputo, depois da libertação), havia o bairro dos índios, o dos pretos, o dos portugueses pobres, o dos portugueses médios, o dos portugueses ricos. Essa divisão se espalhava por todo o país, entre camponeses e indígenas, entre nortistas e sulistas.
“Conduziam jovens do interior, como gado, nos camiões e colocavam-nos para servir os colonizadores em regime de trabalho escravo. Lourenço Marques virou cidade da marginalidade, da mendicidade, da prostituição oficializada. De um lado, o cimento, a opulência, o brilho. Do outro lado, a insegurança, a injustiça social, a discriminação, a pobreza, a escuridão da miséria”.
“Toda a indústria concentrada nas mãos dos colonos. O moçambicano era empregado subalterno, simples executor, produtor desprezado, servente servil e sem dignidade, motorista sem categoria, operário anônimo, construtor da riqueza”.

Imagem relacionadaEm 1964, teve início a luta armada e no ano seguinte a Frelimo já controlava o Norte do país. Além das próprias forças, contava com o apoio da União Soviética e de outros países do bloco socialista. Nas regiões liberadas, os revolucionários procuravam pôr em prática o seu lema “Estabelecer o poder popular e servir às massas”. No campo econômico, o poder popular criou a produção coletciva a serviço do povo e da revolução; transformou os produtores individualistas em produtores integrados na coletividade.
As dificuldades para aplicação da linha são imensas porque há tradições arcaicas características do sistema de castas e falsos valores do colonialismo, do capitalismo; mulheres com sua iniciativa tolhida por milênios de opressão; bancários, comerciários, advogados, economistas e outros profissionais de nível médio, bem como funcionários públicos eivados de mentalidade pequeno-burguesa; operários com fraca consciência de classe e ainda incapazes em assumir seu papel dirigente no processo de transformação da sociedade.
Mas todos procuram a Frelimo porque não suportam mais a opressão e acreditam que a organização é capaz de transformar a sociedade moçambicana e proporcionar-lhes uma vida nova. A Frelimo decide aceitar todos que a procuram, “transformar a massa enorme, diversa e rica, a todos integrar e transformar em servidores do povo”.
 “Longe de ser um passo definitivo, a tomada do poder é apenas o início do processo de transformação da sociedade.” (Lênin)
Samora Machel tinha plena consciência dessa realidade afirmada por Lênin. Em 1974, o colonialismo desmorona. O seu exército já estava praticamente derrotado, quando a Revolução dos Cravos, em Portugal, dá-lhe o golpe final.
Joana Semião , a líder do GUMO, falando dias depois do derrube do regime colonizador (clik em 
Em 25 de junho de 1975, é reconhecida oficialmente a independência de Moçambique. Agora, a Frelimo está com o poder nas mãos.  O que fazer?  Pouco antes da vitória final sobre o império, uma conferência tinha revelado a existência de duas linhas. Uma, que defendia uma primeira etapa de consolidação da independência e desenvolvimento econômico capitalista, para que o povo pudesse viver a luta de classes da burguesia contra o proletariado e, assim, se consciencializar da necessidade de construir o socialismo, vez que até agora, por mais que se debatesse o assunto, o móvel da luta tinha sido a libertação nacional.
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 A outra linha, na qual se inseria Samora Machel, entendia que era preciso se lançar desde já na construção do socialismo, realizando as transformações democráticas de forma revolucionária.
Esta foi a linha vitoriosa. A primeira Constituição da República não deixa dúvidas: “Na República Popular de Moçambique, o poder pertence aos operários e camponeses unidos e dirigidos pela Frelimo” (art. 2º). E no artigo 4º, entre os objetivos da República, define: “Edificação da democracia popular e a construção das bases materiais e ideológicas da sociedade socialista”
Na comemoração dos cinco anos da Revolução, Samora Machel faz um balanço do que fora construído até então, dos obstáculos a transpor e das tarefas que se colocam na edificação da nova sociedade. Realizações: “Libertamos a terra; nacionalizamos a educação – a escola deixou de ser privilégio; nacionalizamos a dos; extinguimos a justiça privada – a Justiça deixou de ser uma mercadoria; nacionalizamos os prédios – as cidades passaram a pertencer àqueles que as construíram”.
Dificuldades e obstáculos: “A mentalidade do colonizador instalou-se em nosso seio – indisciplina, roubo, anarquia, preguiça, inércia, imobilismo, desleixo, sabotagem, nepotismo”. E mais: “O que foi herança colonial agora é nosso produto. É ao inimigo interno que declaramos guerra”.
Resultado de imagem para samoraA luta continua para: “Devolver-nos a dignidade, a personalidade e a cultura moçambicana.
Construirmos uma nova sociedade, uma nova mentalidade, um homem novo”.
A burguesia não se contentou com a força de sua herança. Armou uma guerrilha de direita, chamada Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), financiada especialmente pelo regime racista da África do Sul.
Samora Machel morreu em 1986, prematuramente. Num desastre aéreo, que nunca foi devidamente apurado. Sob o comando do seu sucessor, Joaquim Chissano, a Frelimo foi se deixando dominar pela mentalidade do colonizador. Primeiro, reintroduziu a agricultura privada, de mercado, e foi cedendo em outros aspectos até abandonar completamente o socialismo em 1990. Em 1992, firmou acordo de paz com a Renamo.