quinta-feira, setembro 17, 2009

O QUE PODE E O QUE NÃO PODE

As campanhas eleitorais prosseguem numa autentica correria. É imprescendível que o candidato, antes de tudo, fortifique as suas bases eleitorais fidelizando os seus possíveis eleitores. Não basta dar volume e super- visibilidade ao seu slogan. É bastante comum verificarmos que existem candidatos que participam em pleitos eleitorais financiando e divulgando o seu nome em eventos de todas as espécies. Isso é um erro fatal. O volume exacerbado causa o terrível “Já Ganhou”. Muito cuidado!

Outra questão é a política do “assistente”. Nas campanhas volumosas, verifica-se um aumento considerável do número de curiosos. Importa lembrar que estes não são eleitores confiáveis. Por isso, é necessário que a equipe de coordenação da campanha construa um visão segura para “deitar fora” o excesso e aproveitar o que realmente interessa. O correcto é que o candidato deixe que sua equipa avalie, junto com ele, todos os indicadores seleccionados. Outra questão é que a equipa compartilhe com o seu candidato toda a administração da campanha, caso contrário, o planeamento sistemático transforma-se numa máquina de “caça votos” , sem alma e selenciosa dissidência dos verdadeiros eleitores fidedignos. Uma questão melindrosa e que precisa de atenção redobrada da equipa é a vaidade. O candidato que aposta numa campanha volumosa acha-se poderoso e acaba por cometer erros irreparáveis. São comuns tais candidatos, principalmente os que acumulam muito poder acharem que tudo podem e que já estão eleitos. Esse é um erro grave. O maior indicador disso é que com maior frequência se assistem a eleições pelo mundo fora, com resultados tangenciais entre os considerados antecipados vencedores e os “outros”. O que importa mesmo é que o Planeamento Estratégico esteja voltado para que os eleitores embarquem nas ideias do candidato. É importante frisar que existem três grupos de eleitores distintos e que vale destacar:

O primeiro grupo e o menos explorado é o que mais cresce, faz parte dele os eleitores que valorizam as ideias e os ideais do candidato, a sua personalidade, o seu comportamento, o seu partido político,o seu carácter e posicionamentos políticos. O segundo grupo mantem-se estagnado, é formado por votantes parentes e amigos do candidato, são eleitores gratos pelos favores recebidos, fazem parte de algum circulo ou aguardam por emprego. Neste grupo concentram-se os médicos, advogados, empresários. O candidato presidencial que embarcare nesta aposta têm que estar próximo, pois, luta contra o factor “esquecimento”; O terceiro grupo está em declínio, trata-se dos eleitores comprados, nesse caso o candidato não fideliza ninguém e não tem nenhuma garantia de voto.Estão os votantes de ocasião, isto é, aqueles que votam conforme a satisfação de momento. Estes eleitores mudam de opinião rapidamente, pois, não têm interesse nenhum pelo candidato e sim por resultados que agradem o seu grupo. A equipe da campanha tem que avaliar criteriosamente o cenário eleitoral. É bom verificar os amigos do candidato aos diferentes níveis de decisão, nomeadamente os que fazem parte da lista para o parlamento. Caso a campanha não siga a mesma linha de ideias do candidato e não consiga chegar ao eleitor que, votando em fulano consequentemente estão a votar em sicrano, o efeito torna-se contrário.

A estratégia inteligente é ter a linguagem do publico alvo que o candidato deseja convencer. Importa destacar que as pessoas estão ansiosas em terem um líder diferente, que entenda suas ideias e seja um divulgador criativo e inovador das suas propostas.Outro erro grave e delegar aos amigos os destinos da sua campanha. A equipa não pode ser formada só por quem possui laços de amizade e de parentesco com o candidato. Isso é um erro primário.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Ovo: de pata ou galinha?

Há quem prefira o ovo de pata porque é melhor.Mesmo assim , todos preferem o de galinha. Qual o motivo desta, digamos, contradição alimentar? Vamos fazer uma viagem e buscar a "explicação" no marketing político. A pata “liberta” o seu ovo e mantém-se em silêncio , ninguém fica a saber o que ela fêz. Já a galinha, mal termina a sua “postura” imediatamente entoa um forte cacarejar, a anunciar que acabou de dar ao mundo mais um fruto da sua produção. Com esta comparação, tento aqui ilustrar a maneira como a Comissão Nacional de Eleições se comportou no momento de dar a conhecer os motivos que levou a exclusão de alguns partidos politicos . No episódio da galinha e da pata, a CNE agiu como a pata: realizou um produto de alguma qualidade, mas não se preocupou no devido momento em divulgá-lo. Está certo que o mais importante para este Orgão Eleitoral sempre foi cuidar da qualidade da seu trabalho o que é fundamental. Mas, diante das dúvidas que agora os diplomatas europeus e dos Estados Unidos acreditados em Moçambique apresentam, e que deverão ser maiores nos dias que se avizinham, não seria o caso de a Comissão Nacional de Eleições partir para a divulgação do trabalho executado ? Cacarejar um pouco, como faz a galinha. Evidentemente, a situação actual não é de completa mudez. O que se ouve lá fora, vindo da CNE, ainda é um leve sussurro (ou um "piu", para mantermos as comparações zoológicas), o que reflecte um contínuo equívoco com as suas sentidas consequências.

O grande equívoco é o de não se ter cuidado as acções de comunicação, via “mídia”, como estratégicas para a CNE no seu relacionamento com a sociedade. E a questão não se resume a uma prestação de contas.A exigência é mais ampla. A CNE precisa de têr a sociedade como sua aliada nos embates, que agora se tornaram incontornáveis. A divulgação das coisas que se fazem na CNE por meio dos veículos de comunicação constitui um indispensável instrumento para atingir e sensibilizar a opinião pública. Se antes os Partidos politicos manifestavam aqui e ali, isoladamente, e limitavam-se apenas ao discurso de uns poucos e maus oradores, hoje ganharam unidade, representatividade e até práticas articuladas. O que fazer, como fazer para que as causas da CNE, tenham a força política e a legitimidade social como têm as causas da saúde, da habitação, da segurança etc? Não há outra forma que não o de mostrar para a sociedade a importância da CNE. Sem a ajuda de um coro popular,os nossos pleitos, mesmo que justos, dificilmente sensibilizarão os ouvidos do dos eleitores. Como não há na opinião pública uma idéia formada sobre o que se faz na CNE , abriram-se flancos para as correntes políticas que se opõem à sua estrutura e quem tecnicamente a representa. O exemplo mais sentido é a maneira, arrogante, como os diplomatas acreditados na República de Moçambique colocaram as suas dúvidas ao trabalho do Orgão Eleitoral.

Em resumo: por deficiência de comunicação, a CNE não só deixa de construir uma aliança utilíssima com a sociedade, como passa a ter a oposição da opinião pública.Um erro estratégico e um suicídio político. Não se pode dizer que as pessoas, os leigos na sua maioria, não têm interesse pelas coisas feitas na CNE.Existe na sociedade moçambicana um crescente interesse por notícias ,mas, ao mesmo tempo, ela revela pouco saber sobre quem produz, como produz e porque razão o seu produto revela-se como tal. A postura de "torre de marfim" perdura em parte por causa da ausência na CNE de uma cultura sobre a importância da comunicação como recurso estratégico de aproximação com a sociedade. Aliás, foi um êrro crasso o Presidente da CNE admitir no encontro com os embaixadores a presenças dos “mídia”. Pode até ser fatal.

Exige-se a Comissão Nacional de Eleições, acções coerentes com a sua natureza e com o seu papel social. Por isso, é imprescindível que a importância da comunicação esteja presente na consciência do seu Presidente e os pares que o acompanham e passe a fazer parte do espírito do Orgão. Assim, dotada de uma cultura de comunicação, a CNE poderá concluir que, aos olhos e ouvidos da sociedade que a mantém, fazer coisas boas não basta. É preciso, também, anunciá-las antes que as meias verdades e mentiras triturem todo um trabalho meticuloso de horas, dias, semanas e meses.

quinta-feira, setembro 10, 2009

As razões da inclusão

O jornal on-line do CANAL DE MOÇAMBIQUE procura explicar as razões do desentendimento entre a Comissão Nacional de Eleições de Moçambique e os Partidos politicos que viram as suas listas de candidatos para o parlamento excluídas. O essencial do didáctico artigo:

"A Lei 7/2007, de 26 de Fevereiro, diz, claramente, quando trata da “Rejeição de Candidaturas”, mais propriamente no seu artigo 175.1, que “são rejeitados os candidatos inelegíveis”. Os candidatos inelegíveis, não são todos os que constam da mesma lista. E a lei só fala em rejeição de “candidatos inelegíveis”. Não está em lei alguma que se rejeitam listas inteiras sem antes se cumprir uma série de preceitos que a CNE ignora ou finge ignorar remetendo-se para a condição ou de incompetente ou de hipócrita. Já no nr.2 do mesmo art. 175, a Lei 7/2007 estabelece que “o mandatário da lista é imediatamente notificado para que se proceda à substituição do candidato ou candidatos inelegíveis, no prazo de dez dias, sob pena da sua rejeição”. Irregularidades são, portanto, uma coisa. Inelegibilidade, é outra. Conjugada a Lei 7/2009 com a Lei 15/2009, a CNE obriga-se a notificar o mandatário da candidatura nula “para que proceda, querendo, à substituição da mesma no prazo de cinco dias”. E só então a lei prevê que a CNE faça subir o nome do candidato imediatamente a seguir, se nada for feito pelo mandatário da lista. Só depois do mandatário nada fazer, a CNE pode fazer subir candidatos de certas listas sem cumprir com o que devia ter feito antes. E deu azo a que certas listas ficassem eventualmente vazias de nomes suficientes para continuarem válidas, porque agiu sem ter em conta a legislação. Com o seu próprio atrevimento, fazendo o que não lhe competia no momento em que o fez e sem cumprir passos a que se obrigava antes disso, a CNE embrulhou-se no role de disparates em que incorreu. Lê-se, entretanto, no artigo 176 – o que respeita à “Publicação das decisões” – que “findo o prazo referido nos artigos 174 e 175 da presente lei (7/2007), se não houver alterações das listas, o presidente da CNE manda afixar, à porta da CNE, as listas admitidas ou rejeitadas”. Foram apenas publicadas as admitidas. Faltam as rejeitadas. Ninguém sabe porque foi rejeitada a sua lista deste ou daquele círculo eleitoral. Tudo porque a CNE está a viciar as eleições. O artigo 7 da Lei 15/2009, conjugado com o art. 176 da 7/2007, na parte final não dá espaço de manobra à CNE. Obriga a que sejam tornadas públicas, tanto as listas admitidas como as listas rejeitadas. Mas o presidente da CNE dá apenas uns palpites gerais e esquece-se que cada candidatura é um caso, cada candidatura é um processo independente dos outros. Prevê também a Lei que estamos a citar (7/2007), agora no seu artigo 177.1, que “das decisões relativas à apresentação de candidaturas podem reclamar para o Conselho Constitucional, no prazo de cinco dias, após as publicações referidas no número anterior, os candidatos, os seus mandatários, os partidos políticos ou coligações de partidos políticos concorrentes”. E no número 2 do mesmo artigo 177 lê-se que “as reclamações são apreciadas ou remetidas à CNE, em cinco dias a contar do termo do prazo referido no número anterior”. Quer tudo isso dizer que depois da publicação das listas era preciso que a CNE esperasse os cinco dias após a publicação das listas, para que quem tem alguma coisa a contestar possa dirigir-se ao Conselho Constitucional (CC). E também para que o próprio CC tenha também o seu prazo, de cinco dias, como prevê a lei, para responder. As disposições referidas na Lei 7/2007, de 26 de Fevereiro, não foram anuladas pela Lei 15/2009, de 09 de Abril, particularmente para as disposições referentes à lista de rejeitados. Por isso, o sorteio realizado para ordenamento das candidaturas nos boletins de voto das legislativas pode ainda ser rejeitado. Entendemos que existindo um precedente jurídico, esse deve ser obedecido. E existe um Acórdão do Conselho Constitucional (11/CC/2008) em que este órgão alerta a CNE para evitar ferir o artigo 5 da Lei 7/2007 que fala da liberdade e igualdade e determina que o processo eleitoral pressupõe igualdade de tratamento dos diversos candidatos e candidaturas. Por esta razão também, taxativamente, dizemos que o sorteio é nulo porque contraria o Acórdão 11/CC /08. Se o próprio Conselho Constitucional não estiver também manietado pelas mesmas forças obscuras que parecem ter medo do Povo e de quem os eleitores possam eleger, algumas candidaturas rejeitadas podem ainda ser readmitidas a jogo. Estas são as primeiras eleições legislativas a realizarem-se desde que deixou de existir a barreira dos 5% para que uma candidatura possa ver eleito o primeiro deputado. Os argumentos legais ainda existem e são fortíssimos. O grau de responsabilidade, das instituições que ainda podem salvar o processo, está à prova. Há ainda toda a conveniência de se apelar para que a Polícia e as Forças Armadas também se recusem a maltratar o Povo. Lute-se pela razão, mas que ninguém perca a cabeça. Calma, precisa-se. A legalidade ainda vai a tempo de ser reposta."

quarta-feira, setembro 09, 2009

Pela unidade nacional (CNE)

Soou o tiro da largada? De facto, alguns partidos há muito que ultrapassaram a fase de aquecimento e estão numa corrida infernal. Contudo, o dia 28 de Agosto é o marco que define as eleições para o dia 28 de Outubro. Mas é um marco meramente oficial para limitar os actos dos agentes eleitorais ( partidos, eleitores) e para demarcar todo o seu calendário. Uma data naturalmente estudada pela CNE que “controla” a agenda política e que julga ter todos os elementos para satisfazerem os anseios de toda uma população. Próximo do pleito e quando já está em curso o processo ao invés de se esclarecer as razões das decisões emanadas, parte-se para uma atitude musculada com intervenções de última hora para ajustar melhor os interesses aos resultados eleitorais pretendidos. Sem cumprir as regras tal como estão definidas e com mudanças na sua interpretação a escassos metros da meta, o processo está obviamente ferido de transparência. Falta de transparência essa que se agrava quando o CNE foi incapaz de dizer no momento da divulgação das listas dos candidatos, por direito, aos partidos políticos as razões da exclusão destes.O Presidente da Comissão Nacional de Eleições é o Prof. Doutor João Leopoldo da Costa, Reitor do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia (ISCTEM) . Um intelectual de respeito pelas suas decisões em prol da modernização da sociedade. Ao dizer que alguns partidos políticos justificaram o não cumprimento do estipulado por esquecimento involuntário de algumas pastas na viatura que os transportava, por favor, mesmo sendo verdade é de tamanha pequenez e excessivamente generalista perante um assunto tão sério.Moçambique é um país assente num estado de direito em construção,portanto compreensivelmente frágil .Alinda hoje as instituições devidas têm uma imensa dificuldade em habilitar o cidadão com o documento mais elementar que o identifica. Somos aos milhares os que continuamente renovam o talão de espera do B.I.Não é correcto exigir-se dos actores propulsores de uma democracia ainda frágil mais do que os gestores do Estado Moçambicano deveriam cumprir e dar exemplo.Os nacionalistas moçambicanos sabem que a pobreza ,contra a qual todos nos abraçamos para erradica-la é uma consequência da desigualdade de oportunidades. A exclusão dos partidos políticos é a exclusão de grandes massas de cidadãos, de grandes vontades que se revêm nesses partidos para contribuírem para o desenvolvimento do país. A tristeza que tal fenómeno provoca abre o campo para que o grupo minoritário prossiga o seu caminho de se apropriar do país, deixando de fora da riqueza e do bem estar os milhões de moçambicanos. Os apoiantes dos partidos que se sentem envolvidos nesta grande “facada” a democracia não podem deixar de reagir energicamente e impedir que tal estratégia alcance os objectivos dos seus mentores. Perante estes factos a resposta não pode ser o medo, mas a defesa do direito de cidadania. É preciso pois estarmos juntos, desde já, para impedir que o 28 de Outubro se transforme numa desgraça a médio prazo. A defesa da democracia passa hoje, igualmente, pela subscrição de todos os partidos para as próximas eleições. O país não deve ser adiado. Deixem as pessoas “fazer politica” e no fim os melhores , colherão os frutos que plantarem. A Comissão Nacional de Eleições tem que perceber isso !

terça-feira, agosto 25, 2009

O "puto" insiste em fazer inimigos

(Diário de Noticias 25/8/09) O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), convocou a imprensa para denunciar a alegada tentativa de inviabilizar a visita do seu líder e candidato às presidenciais, Daviz Simango, à província de Gaza.A conferencia de imprensa foi orientada pelo Porta-voz deste partido,José Manuel de Sousa, que, na ocasião,disse que quando o seu Presidente chegou à ponte de Xai-Xai deparou com um grupo de jovens aparentemente embriagados que tentaram impedi-lo de prosseguir a sua viagem.Segundo Sousa, tais indivíduos são membros e simpatizantes da Frelimo, partido no poder, que goza de uma simpatia e popularidade absolutas na província de Gaza.Tais indivíduos faziam-se transportar em viaturas “da marca KIA com a chapa de matrícula MLI 76-39 pertencente ao Município de Xai-Xai, Mitsubishi MMF 21-00 e um Tata MLZ 93-25, ambas pertencentes ao partidoFrelimo”.“Membros e simpatizantes da Frelimo têm estado a usar meios do Estado para inviabilizar o trabalho de Daviz Simango, nosso candidato às Presidenciais de 28 de Outubro próximo. Estes jovens, alcoolizados, financiados por alguém, concentraram-se em Xai-Xai para inviabilizarem o projecto da visita de Daviz Simango”, revelou.Face a esta situação, Sousa pede a intervenção das autoridades policiais que têm a missão de velar pela segurança dos cidadãos. “Nós pedimos e apelamos a intervenção de quem de direito. Nós não queremos sangue. Que as autoridades tomem a peito esta situação e assumam a defesa do cidadão para que possa fazer o seu trabalho sob protecção”, sublinhou. Sousa salientou que Daviz Simango esteve a visitar a cidade e província de Maputo, entre a Sexta-feira e Domingo, últimos, tendo contado com um forte aparato policial, tal como ocorre com outros cidadãos.

O Líder da Renamo, Afonso Dhlakama, considera que a cidade da Beira está, neste momento, completamente abandonada pelas respectivas autoridades camarárias, chegando a exalar cheiro nauseabundo em consequência de acumulação de lixo. Falando Sábado último num comício que orientou no bairro da Munhava, na capital da província de Sofala, Beira, Dhlakama indicou que, as estradas estão cada vez mais esburacadas e o sistema de esgotos mais deteriorado. De acordo com este líder, do considerado maior partido da oposição em Moçambique, Beira tem ainda falta de iluminação pública, para além de estar a registar recrudescimento da criminalidade. No entender de Dhlakama, tudo isto se deve à frequentes ausências do edil da Beira, Daviz Simango, agora preocupado com a sua candidatura à Presidência da República. Dhlakama considerou que a gestão do município da Beira foi exemplar no último mandato pelo facto de, nessa altura, Simango ter governado na base do programa da Renamo. Dhlakama avança ainda a dizer que, “hoje continua a ser o mesmo Daviz Simango, com a sua própria cabeça, barriga, braços e pés, mas a cidade da Beira voltou a ser uma lixeira com os munícipes a reclamarem falta de recolha de lixo e manutenção dos edifícios”. Dhlakama acrescentou que a realidade deve ser dita e “não podemos apanhar boleia. Agora Beira já tem falta de respeito, com a Polícia Camarária a pontapear vendedores nas ruas e esquinas porque não é governo da Renamo”. “Dhlakama já chegou e o problema acabou. A vossa presença neste comício renova a nossa confiança com a cidade da Beira e a província de Sofala em geral. Não se atrapalhem e não devem perder tempo a perseguir um aventureiro que infelizmente ainda é menor de idade para as lides políticas”, apelou Dhlakama.

segunda-feira, agosto 24, 2009

ÚLTIMA HORA

A corrupção é o exercício do cargo público em benefício próprio, não em prol da comunidade. Existem, portanto, várias formas de corrupção.A corrupção pode ser praticada pelos servidores públicos, transforma-se como regra em alguns órgãos estatais ou até mesmo contamina todo o Estado. Há quem defenda que contaminação generalizada do Estado é rara, porque nenhuma população sobreviveria sob pressão de tantos corruptos ao mesmo tempo. A população de Moçambique é a imagem factual de que já não sofre deste “bicho sanguessuga” e , como prova é o facto do país ser o único exemplo no mundo onde “a corrupção desapareceu” das instituições do Estado , como resultado da campanha que o Governo dirigiu nos últimos anos contra este mal que graça todos os Estados do planeta. O porta-voz do partido no poder, o Dr. Edson Macuácua, deu a conhecer recentemente a jornalistas em Maputo a experiência do seu governo e o sucesso atingido, considerando haver “ transparência” no sector público. “A corrupção desapareceu do sector público em Moçambique. Os cidadãos já não se sentem pressionados a tirar dinheiro para verem os seus problemas resolvidos na saúde e na educação” sublinhou aquele jovem-promessa na politica moçambicana.A corrupção no Estado Moçambicano não se transformou numa cultura e ameaça porque a Frelimo compreendeu o perigo de uma outra revolução, geralmente o caminho para resolver o problema.A corrupção é um fenómeno que surge em qualquer regime político. Mas numa tirania é maior do que numa democracia por causa da inexistência de liberdade de imprensa.Numa democracia a sensibilidade sobre a corrupção é maior porque os desvios acabam por ser públicos e podem assim ser motivo de discussão e punição.A receita de sucesso do Governo de Moçambique para combater a corrupção é simples: vontade política, educação da população e um sistema Judiciário com provas demonstradas punindo os culpados.

terça-feira, agosto 18, 2009

Gripe A: ir ou não aos "showmicios"?

As idas à praia, ou à piscina, e os festivais de fim de semana são actividades nas quais costuma haver grande concentração de pessoas, e bastante comuns nas cidades.Deve evitá-las? Bom, os festivais , por um lado, preocupam no que concerne à transmissão da gripe A, precisamente por causa da «grande concentração de pessoas», mas, «por outro lado, são ao ar livre, e sabemos que isso reduz um pouco as possibilidades de contágio». Os ambientes fechados e pouco arejados são os mais facilitadores de transmissão do vírus.Resumindo: cuidados de prevenção sim, mas sem exageros nem pânico. No entanto, os grupos de risco – ou seja, indivíduos com idades extremas (crianças com menos de cinco anos, em particular com menos de dois, e adultos com mais de 65), indivíduos com doenças crónicas e grávidas devem ter especiais cautelas.E a mascara?O objectivo de utilizar uma máscara, fora de casa, é reduzir a transmissão do vírus nos locais públicos. Existem discussões consideráveis acerca da eficácia da sua utilização e sobre o tipo de máscaras a recomendar (simples, cirúrgicas, mais complexas, com filtro).Independentemente de estar definido ou não pelo Ministério de Saúde o tipo de máscara mais eficaz, se calhar recomendar e disponibilizar máscaras não é suficiente. São fundamentais alguns conselhos práticos sobre a sua correcta utilização e eliminação. A questão cultural? É fundamental ter em consideração que utilizar uma máscara tem diferentes significados, de acordo com o contexto e cultura onde nos inserimos. Na nossa sociedade estamos habituados a ver com máscara pessoas doentes. Noutros países, como alguns asiáticos, a máscara é utilizada por pessoas saudáveis, para se protegerem de possíveis contaminações. Ao utilizar máscara, devemos saber em que contexto estamos e explicar o objectivo da utilização, de forma a evitar reacções excessivas por parte dos outros.Como será a campanha eleitoral? Os partidos de momento não admitem mudar os formatos de campanha eleitoral caso recebam indicações nesse sentido por parte do Ministério da Saúde. Acontece que a disseminação da infecção é facilitada pela existência de grandes aglomerados populacionais. Uma descrição que se ajusta na perfeição às características de um comício político.


segunda-feira, agosto 17, 2009

Homem faísca

........século XXI

Um cidadão alemão natural de Angola que é candidato pela União Democrata-Cristã (CDU) às próximas eleições regionais na Alemanha está sob protecção policial devido a ameaças da extrema-direita, avança a agência Lusa. O candidato foi intimado pelo Partido Nacional Democrático, da extrema-direita, a abandonar o país. No site do partido, pode ler-se que o candidato foi «convidado» a regressar a Angola.
«Não tenho medo, por natureza não sou uma pessoa medrosa», afirma Zeca Schall, o candidato intimado, ao jornal «Sddeutsche Zeitung», que garantiu continuar a participar na campanha da CDU, partido da chanceler Angela Merkel, para as próximas eleições. Schall diz que, após as ameaças, recebeu numerosas demonstrações de solidariedade dos seus amigos, vizinhos e colegas. O candidato pela CDU tem 45 anos e vive há 20 na Alemanha. Nascido em Angola, conseguiu há quatro anos a nacionalidade alemã. O CDU levou «muito a sério» as ameaças do PND ao candidato e pediu protecção por parte da polícia de Suhl, no Estado de Turíngia (Leste), onde, no próximo dia 30, se disputam eleições regionais. «A Turíngia deve continuar a ser alemã. Agradecemos a Zeca Schall o trabalho que veio fazer como imigrante, mas já não é necessário. Por isso, queremos encorajá-lo directamente a regressar ao seu país, Angola», lê-se no comunicado do Partido Nacional Democrático. Os representantes da extrema-direita afirmam também que o Estado tem 100 mil desempregados que poderiam ocupar o posto de trabalho do candidato da CDU. Em cartazes mandados colocar junto aos da CDU, o partido tem a mensagem «Bom regresso a casa».

O Trio de Ataque

O Conselho Constitucional (CC) reprovou seis das nove propostas de candidatura às eleições Presidenciais de 28 de Outubro próximo.Trata-se das candidaturas de Raul Domingos, Presidente do Partido para a Paz, Desenvolvimento e Democracia (PDD), Jacob Neves Sibindy, do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Khalid Sidat, do Aliança Independente de Moçambique (ALIMO), Leonardo Cumbe, do Partido Unido de Moçambique da Liberdade Democrática (PUMILD), José Ricardo Viana, da União dos Democratas de Moçambique (UDM) e Artur Ricardo Jaquene, da Coligação União Eleitoral, organização composta pelos Partidos Ecológico de Moçambique (PEMO) e da Unidade Nacional (PUN).O CC validou apenas as propostas de candidatura de Armando Guebuza, actual Presidente da República e candidato pelo partido governamental, a Frelimo, Afonso Dlhakama, líder da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, e Davis Simango, actual edil do município da Beira, província central de Sofala, e presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).De acordo com o acórdão do CC publicado hoje, em Maputo, as seis propostas de candidaturas foram reprovadas por inelegibilidade decorrente de insuficiência de proponentes (assinaturas).O CC diz, no seu acórdão, que no acto da submissão das propostas, os candidatos ou seus mandatários declararam determinado número de assinaturas de proponentes, que não condizia com a realidade documental.
“... na conferência física posterior das fichas verificou-se divergência numérica entre os proponentes declarados e os efectivamente contabilizados, facto que em nenhum caso foi relevante no apuramento do número mínimo de proponentes exigidos”.
Por outro lado, o CC considera que a apreciação da validade das propostas de candidaturas recebidas revelou uma série de vícios que, de modo geral, afectaram as candidaturas.O acórdão avança que os vícios constatados levaram a invalidação de alguns proponentes, facto que implicou a redução do número de proponentes exigidos por lei (mínimo 10 mil e máximo 20 mil).
Os vícios constatados são: repetição de nomes de proponentes na mesma ficha de candidatura ou em fichas diferentes, fichas com diferentes nomes de proponentes mas com o mesmo número de inscrições no recenseamento eleitoral, fichas com número de inscrição no recenseamento sem os respectivos nomes de proponentes, elegibilidade dos números de inscrição, o mau preenchimento ou números de inscrição incompletos e números de inscrição inválidos.Por outro lado, registaram-se fichas preenchidas e depois reproduzidas por fotocópias, mas com reconhecimento de assinaturas do notário, fichas com manchas de tintas no lugar de impressão digital, impressões digitais apostas com o mesmo dedo em várias ou na mesma ficha, fichas com nome de proponente diferente do nome que aparece no espaço da assinatura e mesmo nome em inúmeras fichas ora com assinatura, ora com impressão digital ou ainda com a indicação de que não sabe assinar, constam dos vícios.Entretanto, o acórdão do CC sublinha que não há irregularidades processuais relevantes que justificassem notificações para o seu suprimento.De um modo geral, as candidaturas preenchem os requisitos formais de apresentação estabelecidos no artigo 134 da Lei Eleitoral, assim como os procedimentos fixados pela Deliberação 01/CC/09, de 23 de Abril.
O CC garante que os documentos contidos em todos os processos observam os requisitos legais de autenticidade ou de reconhecimento notarial, e do exame do respectivo conteúdo, concluindo-se que os mesmos provam as condições de elegibilidade dos candidatos.De sublinhar que os candidatos aprovados tiveram o numero de proponentes reduzido devido a sua invalidação por alguns vícios. O acórdão do CC foi aprovado com a anuência de quatro membros, contra um voto vencido de Manuel Franque por nao concordar com a medida deste órgão de nao notificar os candidatos ou seus mandatários para suprir as irregularidades registadas.
"Entendo que o CC devia considerar supríveis as irregularidades que levaram `a rejeição das candidaturas em análise, independentemente da qualificação dos vícios que foram detectados nas fichas dos eleitores proponentes" defendeu Manuel Franque (AIM).
Realizou-se no Conselho Constitucional, o sorteio do posicionamento dos três candidatos às eleições presidenciais de Outubro. Eis os resultados:


segunda-feira, agosto 10, 2009

Nem só de betão vive o homem

Numa das recentes postagens fez-se referência ao discurso político na perspectiva “poder decisório & cidadão exigente”.Reconhece-se haver interesse na solução dos mais diversos problemas que mexem com a qualidade de vida das pessoas.Quem mais comunga destes ideais cujo frutos dependem de mais ,mais e mais seguidores?

Os problemas levantados no decorrer da última Presidência aberta, na sua generalidade são os mesmos em todos os distritos e alguns se arrastam desde das anteriores legislatura (a comercialização é um bico de obra).
O cidadão de hoje como consequência do pluralismo de ideias, já não admite determinados actos de injustiça como resultado não apenas de falta de capacidade do gestor do bem público mas principalmente quando este infringe a LEI para satisfazer necessidades pessoais.Volta-se a pegar no exemplo do administrador de Manica, que usando do seu poder demitiu funcionários, aproprio
u-se de bens do ESTADO, serviu-se dos salários dos funcionários para obter juros bancários, abusou da sua relação íntima com um membro do governo local para sustentar os desejos do “casal”.Disse o Presidente no local, e bem, que este assunto terá o devido tratamento, daí que os seus ministros e conselheiros acompanhantes terão a tarefa de clarificar e normalizar o funcionamento da autoridade.A pessoa indicada para se dedicar a tempo inteiro ao assunto ficou em Manica ou pensa planificar a partir da sua sede uma outra deslocação com esse propósito?

Se ficou, e inviável a não ser que tome o tempo que seja necessário para clarificar as verdades das meias verdades e distingui-las da difamação. Durante a sua ausência que outras “agendas” ficarão pendentes? Quanto se vai gastar em ajudas de custo e outras regalias para manter um funcionário para averiguar o que e visível a vários meses?

Curioso que o administrador em questão é membro do Comité distrital do PARTIDO, um órgão que se reúne regularmente e que serve entre outros , para a crítica e auto-crítica dos seus membros ( pelos menos era assim nos primordios da independência) ou mesmo sanciona-los com base nos estatutos internos.O Comité Provincial , onde fazem parte directores de sectores e o próprio Governador não se aperceberam das incongruências do senhor administrador de modo em tempo útil decidir via ESTADO o que fazer para evitar o mau estar no seio ( alguns) dos residentes de Manica e por tabela denegrir a imagem do PARTIDO.

Na verdade os tempos são outros, mas comportamentos desta natureza vindos de um membro do PARTIDO eram catalogados (eram) como praticados por “infiltrados” e as consequências eram extremas e imediatas.Algumas das acusações imputadas ao administrador de Manica só podem ser praticadas por quem não está no seu perfeito juízo . Porventura é incapaz tecnicamente de gerir e está confiante que o seu padrinho pode livra-lo na dificuldade ou então esta a fazer o papel da oposição (ser da oposição ou estar na oposição).Demitiu o funcionário responsável pelas finanças na Sede distrital porque este recusou abastecer em combustível uma viatura pertença a uma outra Direcção .Pelo estatuto do funcionário do ESTADO nenhum funcionário é obrigado nas suas funções a aceitar cometer um acto ilegal mesmo que este tenha origem no superior hierárquico.Uma inspecção regular aos diferentes níveis, verticalidade na aplicação das normas e regulamentos instituídos para a funcionamento dos órgãos do aparelho do ESTADO resultaria numa melhor e maior engrenagem desta máquina que viabiliza qualquer governo do dia. Na ausência desta conduta ou vontade politica, seja o que for, vai-se continuar a assistir por mais anos situações embaraçosas para a figura do Chefe de ESTADO, cujo papel não é resolver questões particulares mesmo sendo legitimas.O discurso do Presidente República tem sido pela unidade nacional, pelo acreditar de um futuro melhor, que hoje é melhor que ontem, e amanha será diferente.Um discurso que acaba por ser fragilizado devido a actos que a LEI penaliza, mas que são encobertos, com cumplicidade sabe-se lá de quem e porquê.Como pode a semente da auto-estima germinar, quando o violador da criança é apanhado em flagrante e libertado de imediato sem qualquer satisfação ao proprietario do ESTADO, o dono do ESTADO , que e o cidadão lesado?

Os seres humanos têm sentimentos e exteriorizam na alegria e na tristeza, ao contrário da matéria bruta e fria de que é feito o alcatrão,madeira e betão.O funcionário do ESTADO no seu exercício tem que ter a certeza de que só será acarinhado se cumprir com a nobre tarefa de servir bem o público.A construção de uma carreira profissional exemplar é a única riqueza que o funcionário do ESTADO pode acumular, devendo usufruir por direito próprio a promoção na carreira, formação técnica – profissional e mesmo o assumir de cargos de chefia.

Em suma, a engrenagem ESTADO só funciona com a certeza de ser apetrechada de peças apropriadas e uma exigente manutenção.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Na praça do discurso

Todos os chefes de Estado , seja qual for a situação, dirigem-se ao povo em busca de apoio ao seu projecto político e, para tal têm que recorrer a pronunciamentos. Os discursos são sempre marcados por processos de sedução, de persuasão, de manipulação e de contra manipulação. Poderá o amigo internauta interrogar como esses processos manifestam-se no acto dos pronunciamentos. Que características discursivas estes têm em comum?

Por exemplo o discurso governamental, é repetido (bem ou mal) pelos diferentes actores, na esteira da continuidade aparecem em pequenos momentos dentro de um processo em curso iniciado no passado (2004), percorrendo o presente(2009) e procurando projecta-lo para o futuro (mais cinco anos de poder).
Os pronunciamentos que chegam aos ouvintes de rádio e telespectadores de televisão vindos do mais alto magistrado da nação, podem não ser fieis para uma análise detalhada na sua (ou não) empatia co
m o cidadão. São pequenos os extractos que pode induzir a uma análise subjectiva e injusta. Por essa razão uma opinião diferente é sempre bem vinda.
Em dois momentos diferentes e na mesma região visitada no decorrer da presidência aberta ( demasiado longa e humanamente desaconselhável para a sua idade) respondendo as preocupações do dia a dia do cidadão, e passo a citar:

- temos que resolver, por isso tenho junto de mim os Ministros, os meus conselheiros para ouvirem melhor e perceberem.

Num outro distrito de Manica, de bloco de apontamentos na mão afirmou:

- facto de alguns não trabalharem bem, não quer dizer que todos nós não trabalhamos.

Acontece que a situação de momento é multifacetada e a necessidade de soluções deve ser utilizada como argumentos para sustentar o líder como tal perante os que desejam uma saída para as adversidades do quotidiano.
O cenário eleitoral deste ano apresenta-se distinto do cenário de há cinco anos atrás. Um elemento de mudança fundamental é o inicio do fim do que podemos chamar “geração dos libertadores ”. Nos últimos 34 anos, o principal modelo de organização política no país foi a Frelimo. Há quem conteste, mas na pratica outros actores não se assumiram e não tem sido por falta de espaço.

Foi do seu interior que veio uma certa interpretação da sociedade surgido da derrota do fascismo e da ascensão do movimento de massas, aglutinador de grande parte dos jovens.
A ascensão eleitoral do partido nas ultimas eleições foram directamente proporcionais ao mutismo crescente da sociedade civil .
Toda a militância do partido unificou-se em torno de um projecto comum que simplificava-se numa forma propagandística chave: luta contra a pobreza absoluta.
Toda esta crença de uma geração inteira na transformação do país através da eleição do “presidente de punho de ferro” parece estar a esfumar-se.
A ofuscar as expectativas do partido enquanto ferramenta política de transformação estão os interesses da burguesia aplicando à risca uma política neoliberal impulsionada pelo organismos multilaterais externos de juros altos, provocando o aumento do desemprego, dando mais lucro a banca e concentrando o dinheiro num pequeno grupo.
Num dos encontros populares,
o Administrador do Distrito de Manica foi acusado e estar a “usar combustível, viaturas, e tractores da Administração, alguns deles avariados, na sua quinta.A fonte revelou que o actual administrativo da Saúde, empossado pelo mais alta figura do Governo naquele ponto de Moçambique, tem usado fundos públicos, depósitos de salários dos colegas em bancos privados, de modo a receber juros.

O(s) cidadão(s) são hoje mais exigentes, interpretam , debatem e opinam com mais propriedade tudo por “culpa” de um maior número de escolas implantadas e o fluxo de informação que chega a casa de cada um pela rádio e televisão.

O Chefe de Estado prometeu em caso de verdade acabar com os desmandos e que todos os todos os injustiçados poderão voltar aos seus postos de trabalho.Uma medida não totalmente populista mas também não deixa ninguém descansado, pois é quase certo que este mau exemplo pode não ser o único e até haver coragem para denunciar levará meses e anos tanto como as raras ocasiões (compreensiveis) que o Presidente da Republica disponibiliza.

É preciso entender que a burguesia está preocupada com os jogos eleitorais, enquanto aqui e ali vão surgindo ainda de pequena expressão algumas reclamações, ocupações de património privado e pequenas manifestações de teor violento, porque as necessidades dos seus autores não são ouvidas. Em suma: o discurso politico de hoje tem que ser mais organizado para responder a um cliente mais “próximo do mundo” para a felicidade e alegria de uma nação que cresce (só os apóstolos da desgraça dizem que não,) tal como o seu povo.

sexta-feira, julho 31, 2009

Um milhão de indecisos?


Aproxima-se a mais um ciclo eleitoral.Vinte e nove cidadãos entregaram ao Conselho Constitucional (CC), as suas candidaturas para concorrer para as presidenciais de 28 de Outubro próximo em Moçambique.Desde as primeiras eleições realizadas em 1994, com 12 candidatos, as deste ano serão as mais concorridas. Na corrida para a Ponta Vermelha, continuam a ser dois os mais sérios candidatos, de partidos mais representativos desde que o país enveredou pelo pluralismo politico.Um ensaio preliminar e sem muito rigor desenham-se vários cenários quanto aos resultados das próximas eleições que que se alarga as primeiras de carácter provincial.Não é para concordar, mas para despertar.Em 2004, votaram quatro mil eleitores , metade dos recenseados.A distribuição de votos foram para os únicos dois candidatos:
  1. Armando Guebuza- 2.400.000 eleitores,correspondendo a 60%;
  2. Afonso Dhlakama- 1.600.000, correspondendo a 40%.

A diferença foi de 800.000 eleitores, correspondendo a 20%.

O que poderá acontecer em 2009? Com base nos 4 mil eleitores que votaram nas últimas eleições, pode-se prever que a distribuição de votos será pelos dois candidatos “permanentes” e mais sete candidatos “novos”.O exercício passa pela subtracção aos 20% de eleitores (800.000) com seguinte formula:

  • AG – 40% de 800.000 é igual a 320.000 eleitores;
  • AD - 60% de 800.000 é igual a 480.000 eleitores.

Obs. a inversão da percentagem constantes em 1 e 2, deve-se a percepção do candidato AG e o seu partido apresentar historicamente melhores resultados.Como resultado desate raciocínio, pode-se estabelecer ao seguinte quadro:

  • AG – 2.400.000 em 2004, menos 320.000, resulta em 2009 o número de 2.080.000 eleitores;
  • AD – 1.600.000 em 2004, menos 480.000, resulta em 2009 o número de 1.120.000 eleitores.

Para eleger o Presidente da República na primeira volta é necessária a cifra de 51% da totalidade dos votos, significando 2.040.000 votos. Este número é superado em 40.000 eleitores pelo candidato AG.Em relação aos 960.000 eleitores e a sua distribuição pelos restantes sete candidatos, juntam-se 800.000 novos eleitores recenseados (dados do STAE) dos quais se desconhece a sua tendência de voto. Há um total de 1.766.000 eleitores que podem decidir a eleição presidencial apenas á primeira ou segunda volta. Dado quase consumado é de que segunda figura que pode acompanhar o candidato A.Guebuza, vai sair entre o candidato A. Dhlakama e o candidato D.Simango: Há aspectos a não menosprezar e constituí a margem de erro como: os novos 800 mil eleitores, a redução ou não do índice de abstenção, a lei eleitoral que permite a contagem e validação dos votos a mais por urna, mesmo que o número de eleitores seja inferior ao limite máximo de mil. Proximamente o cenário legislativo.

terça-feira, julho 28, 2009

Congresso da OJM na Beira

A Organização da Juventude Moçambicana (OJM), um braço do Partido Frelimo, vai realizar o seu quinto Congresso na capital provincial de Sofala. Sabe-se que o V Congresso terá como pano de fundo a preparação da campanha eleitoral da Frelimo, como forma de garantir a vitória do partido nas eleições legislativas e das Assembleias Provinciais, bem como de Armando Guebuza nas presidenciais, agendadas para 28 de Outubro próximo.O Congresso da OJM contará com cerca de 183 participantes, desde membros do Conselho Central, membros ao nível provincial e distrital, entre outros convidados.Espera-se ainda a participação de representantes da OJM na diáspora, concretamente dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).A OJM vai reconhecer 550 membros honorários da agremiação, numa média de 50 por cada província.O encontro, que inicia a 29 de Julho e termina no sábado, será marcado por algumas actividades voluntárias, como limpeza de algumas artérias da Cidade da Beira e uma marcha em memória de Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frelimo, quando movimento de libertação.

segunda-feira, julho 27, 2009

Fazer ?Sim , mas bem

Samora Machel, (saudades da sua integridade) sonhou e mandou desenhar nos primeiros anos da independência nacional uma política de desenvolvimento de dez anos para Moçambique.Os resultados não foram os esperados devido a factores até mesmo externos.Daí para cá foram traçados outras estratégias mas pouco se viu e como consequência , o ciclo vicioso da pobreza.Um dos maiores desafios foi o persistente afunilamento das discussões, não permetindo alargar a outras sensibilidades a identificação das causas do fracasso, para de seguida vislumbrar soluções.É verdade que a mudança constante de estratégia demonstra que há preocupação em enterrar os males que teimam adiar a melhoria de qualidade de vida dos moçambicanos.A dificuldade está na maneira de como fazer as coisas.O Fundo de Investimento Local (FIL) é o exemplo de uma estratégia de grande alcance mas que peca por não requerer muito esforço e sacrificio dos cidadãos abrangidos e particularmente do Governo, que deve monitorar o processo.Aparentemente não há obrigatoriedade no reembolso dos empréstimos. Os Conselhos Consultivos distritais que dão o aval para a execução dos projectos admitem timidamente não terem indicações especificas de como reaver os fundos emprestados.Uma operação como esta sem a devida assessoria tecnica e financeira pode ruir e não atingir o desejado impacto social e economico.Nota-se com algum calor e até compreensivel o entusiasmo dos administradores distritais.Foram verdadeiros heróis no período da guerra,tudo fazendo para proteger milhares de pessoas dos ataques animalescos da RENAMO.Fazem parte da equipa eleita para a gestão do Estado Moçambicano no último quinquénio e que não se livrou de hábitos e costumes que dificultam o desenvolvimento social e humano. Optaram por mobilar residencias oficiais, comprar viaturas e outros bens que nada tem a haver com o desenvolvimento das zonas rurais(70% da população vive no campo).O cidadão torce o nariz, denuncia estas incongruencias , o ambiente torna-se tenso, total descrebilidade. Todos os dias são milhões os dolares que os bancos financiam mas na condição dos seus clientes terem requisitos e cumprirem com as regras de jogo. Que futuro tem esta estrategia de transformar o distrito em polo de desenvolvimento? De onde virá o dinheiro para financiar os proximos projectos, se os actuais não garantem o retorno, reflexo das duvidas quanto a sua sustentabilidade económica e financeira? Sim, porque os sete milhões/ano por distrito não sao eternos.Nos anos 70, o governo da Coreia do Sul, sem grandes recursos identificou algumas comunidades para uma experiencia piloto que ao receberem sacos de cimento comprometiam-se em realizar obras de uso comum. Todos os projectos eram decididos por um conselho tecnico e comunitário (Saemaul Undong) e executados com mão de obra local. As comunidades-piloto que no ano seguinte apresentassem resultados positivos recebiam mais 500 sacos de cimento e 1 tonelada de aço para continuarem as obras. Aos poucos as zonas do interior transformaram o cenário atrasado e antiquado num visual urbanizado,desenvolvido com destaque para a industrializacao.Moçambique com a idade que tem tal como o seu governo (34 anos) não suporta mais uma vaga de experiências. Neste clima de boas intenções a procura do melhor o tempo vai passando, e o povo é a principal vítima disso. O país tem cerebros capazes de operar mudanças e não milagres.

sexta-feira, julho 24, 2009

Morreu a velha raposa

Rui Cartaxana, jornalista moçambicano, 79 anos , fundador da Tempográfica, também defensor de causas sociais como no bairro da Munhava, na cidade da Beira, morreu esta sexta-feira em Portugal.Em 2006 esteve em Maputo para rever familiares, amigos e a terra que o viu nascer. Antes do regresso , falou para o SAVANA desfiando a memória sobre a sua vida, a sua carreira profissional, o jornalismo moçambicano, o papel da Imprensa independente no desenvolvimento do país.Numa entrevista conduzida por Robben Jossai, começou pela parte que mais me marcou nas suas reportagens, sobre a usurpação de terra da população vulnerável por latifundiários na Munhava.Rui Cartaxana: Nessa altura não era fácil aquele tipo de reportagens…O que estava a passar é que na zona que liga a cidade da Beira, numa extensão de oito, nove quilómetros, a terra ali é boa e começou a ser ocupada por populações rurais daquela zona. Só que o proprietário registado daqueles terrenos (embora julgo não ser em título definitivo) eram o Dr. Joaquim Palhinha e um outro senhor chamado Dias da Cunha, que eram homens ricos da cidade da Beira. Eles tinham lá dois ou três cobradores brancos, europeus, que regularmente percorriam aqueles quilómetros cobrando dois tipos de receitas: uma era pela implantação de uma palhota e a outra era pela machamba. Só a palhota custava “x”, a palhota com a machamba custava mais. Não sei muito bem se foi o contínuo da redacção ou o (Ricardo) Rangel que me disse: isto é uma vergonha. Estes desgraçados, que eram milhares de pessoas, que estão para fazer a sua machamba ou palhota pagam uma renda mensal que era cobrada por esses empregados dos latifundiários. Um dia falei com Soares Martins sobre esse trabalho e disse-me que avançasse…
Rui Cartaxana esteve durante largos anos à frente do jornal desportivo Record, do qual foi director no período entre 1986 e 1998. Ao serviço do jornalismo, Rui Cartaxana mereceu algumas distinções, entre as quais o Prémio "Gazeta" Reportagem de Imprensa em 1984, ex-aequo com o jornalista Carlos Cáceres Monteiro, também já falecido. O velório de Rui Cartaxana realiza-se sábado, na Igreja dos Olivais. As cerimónias fúnebres são domingo, no cemitério dos Olivais, onde o corpo de Rui Cartaxana será cremado.

quarta-feira, julho 22, 2009

Atentos....

Sou completamente contrário a tudo que esteja relacionado com "imprescindiveis". Embora não seja o único contra este sistema, pouco ou nada significa no meio de um grande grupo de pessoas que o defendem .Desde há alguns anos atrás as pessoas teimam em votar em personalidades. Os partidos fomentam-no o que não admira, é uma das funções. Mas há quem vota em estratégias e programas. Se vota num partido, tem que acreditar minimamente que a pessoa que o lidera é idónea. Nada de votar apenas porque gosta da cara do fulano ou o ache honesto. Se assim fosse, não teria dúvidas em votar em Raul Domingos ou no Daviz Simango, como exemplos de honestidade e credibilidade. No entanto, não valerá a pena votar no primeiro porque o seu partido porque é cavalo perdedor e quanto ao segundo tem muita parra e pouca uva. Quanto aos restantes, estão sempre fora do âmbito porque não cumprem a primeira condição – HONESTIDADE. Vaidosos, embora em extremos opostos do pensamento político, muito parecidos nos seus afins , em torno de cada um, ou seja "culto à personalidade". O culto da personalidade ou culto à personalidade é uma estratégia de propagandapolítica baseada na exaltação das virtudes que são reais ou supostas , bem como da divulgação positivista da sua figura. Cultos de personalidade são frequentemente encontrados também em democracias. O termo culto à personalidade foi utilizado pela primeira vez por Nikita Kruschov para denunciar Josef Stalin.O culto incluí cartazes gigantescos com a imagem do líder, o seu nome de baptismo a cada esquina que se ergue, constante bajulação do mesmo por parte de meios de comunicacao e, irrita-os aqueles que não se levantam a sua passagem.A afirmação da personalidade individual constituí uma regressão a solidariedade e o respeito pelo o outro. Em suma: perde-se a sensibilidade do amor dada a busca insaciável e infértil da auto-promoção.

As mulheres unem!

Passou despercebido para muitos, mas deixou alguns sinais de mudança o facto do edil da Beira ter marcado presença nas celebrações do dia da Mulher Moçambicana.De facto mais não fez se não tomar uma atitude de Estado, na pessoa de representante de uma instituição onde todos os citadinos com maior ou menor frequência necessitam dela.Estabelecido o contraste com aquela oposição que não faz para influenciar e deixa-se ficar em casa protestando os fundamentos das datas históricas nacionais.Ao tratar-se de uma figura independente no xadrez politico nacional, o Presidente do Município da segunda maior cidade moçambicana, mostrou que uma outra atitude, pode mudar a visão afunilada e politizada de momentos incontornaveis para a nação moçambicana.O seu apelo para que o 7 de Abril seja uma forma de agregar todos os nacionais, abre entre linhas a possibilidade a curto prazo de esta data e outras passarem a ser uma referencia para todos e de adesão o espontânea. Na forja um politico de visão aglutinadora, aparentemente de dificel aceitação pelos moçambicanos com outra visão para o país.Ao querer notabilizar e render homenagem as heroínas moçambicanas, o jovem engenheiro deixou passar entre linhas que a Organização da Mulher Moçambicana deve estar aberta a todos, seja quais forem as suas inclinações politicas.Ficou-se com a ideia que está interessado em inscrever na OMM as mulheres que comungam dos ideais do seu recém criado partido. Embaraçoso ou não, certo é que a acontecer os actuais lideres da Organização vão ter que fazer jus aos estatutos que a norteiam, ou seja, integração de todas a mulheres independentemente a sua filiação politica.Provavelmente se estendera a outras organizações próximas a “nossa” histórica FRELIMO, como por exemplo a dos jovens.É cedo para chegar a esta conclusão, mas é um exercício pouco comum no jovem espaço democrático nacional.Se for esta a pretensão, o edil da Beira e o seu Movimento podem estar a passar a mensagem de que há espaço para todos, e que ele só não foi ocupado devido a complexos, intriguismo e uma visão obtusa da mais valia do pluralismo de ideias.A mensagem de harmonia e respeito pelas sensibilidades do eleitor, caiu bem fundo no coração dos munícipes da capital de Sofala.A dado momento a relação reticente e medroso entre moçambicanos de cores politicas diferentes, esfumou-se sem muitos darem por ela.Exemplo recente temos da terra do “tio Sam”, durante os últimos anos odiada quase pelo mundo inteiro, e num ápice recuperou a admiração dos povos.Na senda dos homens de boa vontade, os actos valem mais que os discursos.Vamos esperar e aguardar na esperança do sol ao brilhar para todos seja de igual maneira.Na última instância caberá a cada um saber com sua inteligência tirar proveito do raio que o ilumina.