Encontrado
"quase no fim do Mundo", nas palavras do primeiro Papa americano na
sua primeira saudação, o novo chefe da Igreja foi saudado pelos progressistas,
como o dominicano Frei Betto (Teologia da Libertação e dos movimentos sociais).Com
a Igreja mergulhada em escândalos como a pedofilia, com a sucessão de denúncias
de abuso de crianças por sacerdotes e o silenciamento dos crimes pela
hierarquia, os desmandos do Instituto das Obras da Religião (IOR, vulgo
"Banco do Vaticano") com investimentos em múltiplos negócios e até
offshore, Francisco assumia tarefa pesada.
Na
Cúria Romana, empreendeu a reestruturação dos órgãos de governo e administração
e finanças, incluindo o IOR, e afirmou a sua autoridade junto de instituições
como a poderosa Ordem de Malta.Reforçou também pontes com outras igrejas
(esteve nas comemorações dos 500 anos de Martinho Lutero) e com as outras
religiões monoteístas, em particular o mundo muçulmano, rejeitando a ideia de
que as guerras - "a terceira guerra em pedaços" - são religiosas.
Em matéria de moral sexual, mantém posições recuadas
sobre contracetivos (na crise do vírus de Zica, recomendou a abstinência), mas
os setores progressistas anotam avanços no domínio da moral católica, com o
acolhimento dos homossexuais e divorciados recasados, na exortação apostólica
"Amoris Laetitia" (Alegria no amor).Trata-se do tema que levou mais
longe a oposição dos meios ultraconservadores, com quatro cardeais liderados
por Raymond Burke a exigirem publicamente "esclarecimentos" de
Francisco e o prelado norte-americano a insinuar que o Papa praticou uma
heresia e acusá-lo de dividir a Igreja.
A. Ferrera.Até 10 de março, Francisco - nome que
Jorge Mario Bergoglio adotou, como Papa, em homenagem a Francisco de Assis,
"o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e preserva a
criação" - proferiu 806 discursos, publicou 42 cartas apostólicas, duas
encíclicas ("Laudato si", sobre questões ecológicas, e "Lumen
Fidei", sobre questões da fé) e duas exortações apostólicas
("Evangelli Gaudium", sobre o anúncio do Evangelho, e "Amoris
Laetitia", sobre o amor e a família).Desde 13 de março de 2013, o papa
latino-americano realizou 29 viagens apostólicas (12 dentro de Itália e 17
fora) e tem já quatro previstas para este ano (Portugal, Índia e Bangladesh,
Colômbia, Egipto).
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