sexta-feira, novembro 27, 2020

Espernear com a boca e a falar com os pés

Somos arrogantes, pretensiosos, temos a mania das grandezas e a cada passo dado em falso envergonhamo-nos e somos reduzidos à nossa insignificância.Orgulhamo-nos de desdenhar a história de Eusébio, Coluna, Matateu e Hilário porque “esses não são moçambicanos, são portugueses”, mas nada fazemos para que os “nossos” Chiquinhos, Caltons, Ali Hassanes, Tico-Ticos, Dários e Zainadines sejam respeitados como referências de um país que, desportivamente, se respeita e faz-se respeitar pela humildade, organização, união, foco e trabalho.

Era uma vez um campeonato nacional de futebol de Moçambique, o MOÇAMBOLA, que decorre sempre aos sobressaltos e sobrevive dos “murros na mesa” de um chefe de estado apaixonado pelo futebol e cultuador da unidade nacional. Quando o campeonato arranca existem duas certezas: a de que em algum momento a continuidade estará ameaçada por falta de fundos; e a de que a prova chegará ao fim porque o presidente da república agita os mundos, os fundos aparecem como que por artes mágicas e o sobressaltado campeonato lá soluça até à meta.Anda-se numa espécie de rodízio de justificações e conjuga-se o verbo MENTIR até à exaustão. Quando se garantiu estar reunida a verba para se custearem as despesas dos clubes era falso e quando disseram haver condições para se competir em plena pandemia, afinal, na verdade, era mentira! A economia do país já de si debilitada não tem como sustentar os rigorosos protocolos sanitários que permitem que o regresso do futebol seja viável como acontece, por exemplo, noutros países que, sem a nossa mania das grandezas, são mais organizados do que nós. Este ano NÃO conseguimos ter o MOÇAMBOLA em andamento… suspeitamos que começa em Janeiro, não sabemos se o mesmo será disputado por 11 ou por 14 equipas, não levamos o licenciamento dos clubes a sério e, mesmo assim, queremos os “mambas” a golearem os Camarões, a disputarem a final da CAN e já agora, exigimos que o Costa do Sol ganhe a liga dos campeões africanos.

Precisamos de UNIR os amantes do futebol porque a família está desfeita. Para crescermos, de facto e não precisarmos de fingir que somos grandes temos que aceitar a nossa “pequenez” sem complexos de inferioridade mas como um ponto de partida, uma referência para planearmos e estruturarmos as coisas à nossa medida, para podermos desenhar projetos realistas que caibam dentro dos recursos disponíveis e de outros que possam ser gerados pela qualidade dos mesmos. Bastar-nos-á sermos capazes, eficientes e competentes.Temos que saber copiar os modelos de outros países que já foram pequenos como nós, mas hoje agigantam-se pela visão, pelo trabalho, pelas realizações e acima de tudo pelo caminho que pavimentaram para continuarem a sustentar o seu crescimento . Poderemos ser grandes, um dia, mas precisamos de começar colocando os pés no chão. (LANCEMZ)


segunda-feira, novembro 23, 2020

Mãe e filha no espaço

O momento já tem mais de um ano, mas ganhou novo fulgor nas redes sociais, nos últimos dias. A história de Suzy e Donna, mãe e filha a partilhar os comandos do mesmo avião, está a fazer muitos internautas sonhar com o regresso aos tempos em que se podia viajar sem restrições.

Filha de pilotos, Donna Garrett cresceu a ver o pai sair para o trabalho de piloto de aviões comerciais. Cresceu a ver a mãe sair para fazer o mesmo. Voar estava-lhe no sangue desde a nascença e foi sem surpresa que escolheu uma carreira na aviação civil. Em setembro de 2019, a paixão familiar pela aviação sentou mãe e filha ao "cockpit" do mesmo avião, num voo doméstico da companhia norte-americana SkyWest. Foi há mais de um ano, um momento único para a família Garrett, raro em todo o Mundo: mãe e filha, como piloto e copiloto do mesmo voo comercial. Um momento que voltou a sulcar o etéreo da Internet, nas asas das redes sociais, mais de 12 meses depois de ter descolado.

"Sabíamos que tinha sido realmente especial", disse Suzy Garret, que estava a completar 30 anos ao serviço da SkyWest quando partilhou o "cockpit" com a filha, Donna, para surpresa de muita gente. "Passageiros, assistentes de voo, pessoal do aeroporto, muitos quiseram tirar fotografias connosco. Isso ajudou a tornar o dia ainda mais especial", recordou Suzy Garrett."Fiquei realmente surpreendida com as reações - tal como estou agora por se ter tornado viral. Nunca tinha tirado tantas fotografias, desde o dia do meu casamento", recordou, em declarações à CNN.O momento, especial para as duas mulheres, é também um marco na história da aviação civil. Um ramo de homens, principalmente brancos, onde as mulheres são raras.

Segundo o Gabinete de Estatísticas do Trabalho dos EUA, 92,5% dos pilotos norte-americanas são homens, destes, 93,7% são caucasianos. Suzy garante que nunca sentiu qualquer tipo de discriminação dos outros pilotos. A desconfiança vem de fora do cockpit. "Tive de conquistar as pessoas, para lá da profissão", comentou, recordando que não são incomuns os "comentários de passageiros e de pessoas no terminal" de aviação quando sabem que o piloto é uma mulher. E muitas vezes, diz, isso nota-se na cara de surpresa que fazem. Nada que incomode Suzy, uma mulher pequena, com 1,58 metros, que começou a dar azo ao sonho de voar nos anos 80 do século passado, quando a aviação era não só um clube de homens como tinha entrada quase exclusiva a pilotos com formação militar. "Não era alta os suficiente para entrar na força aérea", contou Suzy. Determinada, inscreveu-se numa escola de aviação para fazer o curso de piloto, em 1984. Trabalhou ainda como instrutora de voo antes de entrar para a SkyWest, em 1989.

Donna encontrou seu pai Doug no aeroporto O'Hare de Chicago

Após 30 anos ao serviço da mesma companhia, fez história ao partilhar o cockpit com a filha, Donna, que se juntou à empresa em abril de 2019. "Tenho de ser honesta. Só recentemente percebi quão pioneira tinha sido a minha mãe nesta área", disse Donna Garrett, também em declarações à CNN. "Cresci a vê-la neste papel e só quando era mais velha, e estava a tentar fazer a minha carreira nesta área, é que percebi como era rara a posição da minha mãe nesta profissão e entendi que o que estava a fazer naquele tempo era verdadeiramente impressionante", sublinhou Donna. Mãe e filha gostavam de viajar juntas mais vezes, mas a pandemia cortou-lhes as asas. Na memória de ambas ficaram vários voos na costa Oeste dos EUA, em que partilharam o cockpit. "Nunca tinha tido a oportunidade de voar com um comandante tão experiente", argumenta Donna. "E, sendo minha mãe, temos uma grande base comum, que facilita a comunicação", acrescentou.