sexta-feira, janeiro 29, 2010

África do Sul poderia ser hoje o Afeganistão

Nelson Mandela está praticamente fechado em casa, com a memória mais recente a começar a falhar, e Graça Machel continua a correr o mundo, uma mulher no espírito Mandela. A grande conquista política extraordinária, sem precedentes em política democrática foi de persuadir o seu próprio povo a evitar a vingança e a embarcar no caminho da reconciliação depois de séculos de humilhação as mãos da minoria branca. Mais detalhes aqui.

Quem é Afonso Dhlakama?

Uma das coisas que hoje me preocupa, e que são várias, é saber quem é, neste momento, o sr. Afonso Dhlakama.
É verdade que os órgãos de informação continuam a designá-lo como líder da Renamo. Mas será, de facto? Estará ele a liderar alguma coisa nestes dias que correm? Para além do mais, Afonso Dhlakama deixou, praticamente, de ser visto. Não só não foi visto no almoço oferecido pelo Presidente da República. Não é visto em lado nenhum. E um político que não é visto é como se não existisse. Há imenso tempo que parece estar fechado na sua casa em Nampula. Cercado por uma quantidade enorme de polícias, fardados e à paisana. E digo “parece” porque já houve um jornal que afirmou que ele se teria escapulido de lá sem que os polícias de tal se apercebessem. As notícias que nos vão chegando dizem que ele continua a tomar importantes decisões sobre a vida do seu partido. Por exemplo decidiu, e afirmou-o com vigor, que os deputados da Renamo, eleitos para a Assembleia da República, não iriam tomar posse dos seus lugares, em protesto contra a fraude eleitoral. No entanto vamos assistindo à entrada desses deputados, pela porta traseira do Parlamento, para ocuparem as cobiçadas cadeirinhas. Não sei se já lá estão todos os 51 mas, se não estão, muito poucos devem faltar. Mesmo muito poucos. Outro exemplo das decisões de Afonso Dhlakama é a realização de manifestações de protesto, igualmente contra a fraude eleitoral. E, também, no entanto, as tais manifestações não acontecem. As eleições já foram em Outubro, os resultados oficiais foram proclamados em finais de Dezembro e agora, nos últimos dias de Janeiro, ainda ninguém viu um único manifestante a desfilar por nenhuma rua deste país. Tudo isto me leva a acreditar que, de facto, Afonso Dhlakama continua a tomar decisões sobre a vida da Renamo. Só que ninguém as cumpre. Só que os membros da Renamo, mesmo aqueles que são considerados mais próximos do tal líder, estão-se nas tintas para as decisões que ele toma e fazem o contrário do que o chefe manda. Este tipo de autoridade faz-me lembrar a do soldado que afirma ter feito um prisioneiro na guerra. Mas quando lhe perguntam onde está esse prisioneiro, responde: Ele não quis vir. No Parlamento os deputados da Renamo constituiram bancada e foram eleitos para cargos de chefia nas várias comissões parlamentares. Será que tudo isso pode acontecer não só à margem das decisões do Presidente daquele partido mas até contra essas decisões?
Será que é possível o seleccionador nacional escalar uns tantos jogadores para os Mambas e aparecerem a jogar no campo outros jogadores, não seleccionados, um dos quais como capitão da equipa? Diz-se que quando, em Portugal, Salazar caiu da cadeira e deixou de regular bem da cabeça, os seus antigos ministros continuavam a ir lá a casa pedir orientações, fazendo este teatro como se ele ainda fosse o Primeiro-Ministro do país. Estará a acontecer o mesmo na Renamo? Estarão a fazer o teatro junto de Afonso Dhlakama como se ele ainda fosse o dirigente máximo do partido quando, na verdade, já existe uma nova direcção a tomar decisões que, essas sim, são cumpridas? O próprio desaparecimento físico de Afonso Dhlakama e a especulação, que acima refiro, de que ele possa já não estar no interior da casa de Nampula, não são boas coisas para a cama dentro do país. Se for verdade que já não está nesse local, está onde e a fazer o quê? Tudo isto são especulações que só a própria Renamo e a sua direcção, seja ela quem for, pode esclarecer. E era bom que esclarecesse a curto prazo porque a situação é bastante estranha e confusa e essas não são características que se desejem na segunda maior força política do país.(colunista do semanário SAVANA Machado da Graça)

terça-feira, janeiro 26, 2010

Aló...!

A operadora de telefonia móvel, Moçambique Celular (Mcel) acaba de ser nomeada como finalista para os “Global Mobile Awards de 2010”, na categoria de “Melhor Contribuição da Telefonia Móvel para o Desenvolvimento Sócio-Económico” e prémio de “Melhor Rede Ecológica”. A “Global Mobile Awards de 2010” é uma competição mundial à qual se submeteram mais de 500 propostas de empresas do ramo das comunicações de telefonia móvel com “padrões de qualidade excepcional”.
Segundo um comunicado da Mcel, o anúncio dos vencedores terá lugar em Barcelona, Espanha, entre os dias 15 e 18 de Fevereiro próximo. Os gestores da Mcel consideram que a nomeação desta companhia para a final do “Global Mobile Awards” projecta positivamente a empresa e o País no plano internacional. A Mcel é uma das maiores empresas de Moçambique segundo o Ranking das 100 maiores empresas levada a cabo anualmente pela empresa de consultoria e auditoria KPMG. Neste momento esta operadora conta com cerca de 3.8 milhões de clientes em todo o País, o que representa uma quota de mercado estimada em 66 por cento. Em termos geográficos, a Mcel cobre 62 por cento do território nacional e 83 por cento da população moçambicana.

Persistência

O secretário-geral do Sindicato Nacional da Função Pública (SINAFP), Manuel Momade, considera ser uma realidade incontornável a existência e o funcionamento pleno desta organização sindical, não obstante os constrangimentos de vária ordem. Um dos principais constrangimentos, segundo Momade, tem a ver com a falta de regulamentação da actividade sindical na Função Pública, passados mais de oito anos desde a sua criação. Momade, que falava, durante uma conferência de imprensa, chegou a considerar que “há falta de cultura sindical na Função Pública”. A conferência de imprensa serviu para anunciar a realização, de 27 a 28 de Janeiro corrente, do Segundo Congresso do sindicato, um evento a ter lugar na Cidade da Matola, província de Maputo, Sul de Moçambique. O congresso poderá contar com a participação de pelo menos 120 delegados oriundos das diversas províncias moçambicanas, mas alguns deles ainda não foram dispensados dos seus locais de serviço, alegadamente porque o Sindicato ainda não foi regulamentado. “O SINAFP não pode deixar de repudiar veemente a tentativa de recusa por parte do Ministério da Função Pública em dispensar os funcionários e agentes do Estado que foram eleitos para este congresso”, sublinhou Momade. A tentativa de recusa em dispensar os delegados eleitos, segundo ele, foi anunciada em carta enviada pelo Ministério da Função Pública à OTM-CS. A regulamentação da actividade sindical na Função Pública moçambicana, segundo Momade, será um dos principais temas em discussão no Congresso, pois trata-se de uma condição fundamental para a consolidação do Sindicato e para a estabilização das relações laborais no sector. O congresso se debruçará sobre alteração dos estatutos do SINAFP com vista a conferir maior democraticidade ao funcionamento dos órgãos do sindicato e adaptar o SINAFP às novas realidades, preconizando “um sindicalismo de classe, reivindicativo e solidário”. A realização do Segundo Congresso foi adiada por três vezes por falta de fundos, sendo que a sua efectivação agora foi graças a um projecto que integra a parceria do sindicato português e dos sindicatos sul-africanos, a que se junta também a LO-FTF (Dinamarca), a PSI-África (Internacional de Serviços Públicos que o SINAFP integra) e alguns sindicatos brasileiros. (AIM)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Abelha ou...cágado?

O desenvolvimento de Moçambique para 25 anos começou a ser delineado em Dezembro de 2001, quando as diversas instituições do país se sentaram à mesa e definiram a versão preliminar dos conceitos e da metodologia a utilizar na elaboração da agenda nacional sobre o desenvolvimento do país. Mais recentemente realizou-se em Maputo uma conferência organizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos de Moçambique, IESE, em parceria com a Open Society Initiative for Southern Africa, OSISA, uma organização baseada em Joanesburgo, África do Sul, e que trabalha em dez países da África Austral, incluindo Moçambique.O objectivo foi debater os desafios e possíveis cenários pós-eleitorais,em Moçambique. O IESE anuncia agora no seu portal que prevê lançar este mês o livro "Desafios para Moçambique - 2010" que contém 16 artigos organizados em quatro secções (política, economia, sociedade e Moçambique no mundo) . Mas já em 2007, o IESE na sua Conferência Inaugural apresentou um estudo com Projecções e cenários possíveis do crescimento e desenvolvimento económico em Moçambique para o período 2000-2025, um documento de 33 páginas (leia aqui) colocando quatro possibilidades:
Cenário do cabrito: corrupção, deixa-andar, intolerância, exclusão social;
Cenário do caranguejo: cada actor anda aos zig-zags, ou tão depressa vai para a frente como retrocede;
Cenário da Abelha: da inclusão, da unidade, da tolerância, do máximo uso das capacidades de cada actor;
Cenário do Cágado: alguns dos factores crescem mais que outros, desequilibrando o crescimento.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Concorrência

As Linhas Aéreas de Moçambique e a sua congénere sul-africana vão enfrentar, a partir deste ano ano, uma forte competição na rota Maputo – Joanesburgo, uma das rentáveis, com a entrada de um novo operador, a “1Time”.Com sede em Kempton Park, em Joanesburgo, África do Sul, a “1Time” é uma companhia aérea de baixo custo, oferecendo voos domésticos e internacionais regulares. A sua base principal para os voos é o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo. Glenn Orsmond, director-executivo do grupo “1Time”, disse acreditar que as tarifas da sua companhia serão inferiores a 50% comparativamente a tabela praticada actualmente pela LAM e SAA.A companhia vai operar cinco voos semanais, ligando Maputo a Joanesburgo, e paralelamente irá lançar outros pacotes para férias em Maputo a partir do seu portal na Internet, a semelhança dos pacotes que já oferece para Zanzibar, Tanzânia. Actualmente, a Autoridade Internacional de Transporte Aéreo (IATA) está a encorajar os governos africanos a liberalizarem o seu espaço aéreo como forma de estimular as suas economias através do crescimento do comércio e turismo, e a oferta de mais empregos.

Mundial 2010

A África do Sul costuma receber eventos desportivos internacionais e desde 1994 tem organizado alguns dos maiores – entre eles a Taça Mundial de Rugby em 1995, a Taça Mundial de Críquete em 2003, a Taça Mundial de Golfe de Senhoras (2005-08) e a corrida A1GP™ World Cup of Motorsport (Taça das Nações), 2006.Mas a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, o maior evento futebolístico mundial – em termos de audiência televisiva, maior do que os Jogos Olímpicos – é por si só um marco. Durante quatro semanas, com início a 9 de Junho de 2010, a África do Sul será o centro do mundo. A Copa do Mundo 2006 na Alemanha foi o evento televisivo jamais visto. A Copa da África do Sul 2010 vai ter ainda mais audiência. Os olhares de milhões de espectadores, milhões de visitantes internacionais e a nata dos meios desportivos estarão todos focalizados na África do Sul. Calculou-se que a Copa do Mundo da FIFA 2010 criará por volta de 129.000 empregos, contribuirá com aproximadamente 21 milhões de rands para o produto interno bruto (PIB) e gerará outros 7,2 milhões em impostos, com cerca de 350.000 visitantes que se espera gastem uns 9,8 milhões de rands enquanto estiverem no país assistindo a Copa. Além disso, o país terá a oportunidade de mostrar a sua estrutura e beleza, quebrando muitos pré conceitos a respeito do país. Isso seguramente contribuirá para o aumento do turismo. Veja aqui os dez motivos que fazem com que o continente africano mereça sediar o mundial.

Utopia

O Movimento Democrático de Moçambique, (MDM) submeteu, à Assembleia da Republica uma exposição pedindo a revisão do número dois do artigo 34º do regimento da Assembleia da República no sentido de criar condições legais para acomodar os 8 deputados do partido liderado pelo engenheiro Daviz Simango, em bancada parlamentar. O pedido requer, concretamente, a mudança pontual do regimento (número dois do artigo 34º), que indica que a bancada parlamentar é reconhecida sempre que os deputados eleitos por cada partido ou coligação de partidos tenha feito eleger 11 deputados. Agostinho Macuácua, deputado e delegado do MDM diz que o artgo 34º apresenta lacunas, pois, segundo sustenta aquele político, o referido artigo limita-se a mencionar a necessidade de se ter condições legais para formar bancada parlamentar . Manuel de Sousa, porta-voz do MDM, diz que enquanto o partido aguarda pela resposta da referida carta, vai continuar a trabalhar normalmente. Espera, contudo, que haja bom senso, na discussão para que haja um debate frutífero de assuntos que mais se mostram como prementes no território nacional. Segundo o regimento da Assembleia da República, as bancadas tem o poder de propor candidaturas para membro da comissão permanente, ser ouvida antes da declaração de uma proposta de sanção contra um dos seus deputados, apresentar candidaturas para cargo de presidente de AR (que já foi eleito e o MDM não teve palavra), para membros das Comissões de Trabalho, entre outras atribuições e direitos. Das análises feitas depois da votação de 28 de Outubro último, indicaram como consensual a projecção, segundo o qual, se o MDM tivesse concorrido em 9 dos 13 círculos eleitorais, teria conseguido muito acima de 8 deputados. A projecção, a partir da extrapolação da votação dos votos obtidos pelo candidato presidencial, Daviz Simango, indica que o MDM teria tido cerca de 20 deputados.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Étnicas

A igualdade dos direitos políticos caracteriza as políticas étnicas da China. Sem isso, não há igualdade verdadeira. Cada etnia conta com pelo menos um representante na Assembleia Popular Nacional, o supremo órgão de poder da China, independentemente da população. De acordo com a Lei das Eleições da China, as minorias étnicas desfrutam de um privilégio. Isto é, na distribuição de quota de representantes, os das minorias étnicas podem representar menos. Um artigo para ler aqui, interessante e demonstrativo dos equilíbrios desejados pelo país mais populoso do mundo.

Os "Qs" da educação

O Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) decidiu suspender nas províncias de Maputo e Gaza, sul do país, a realização de exames de admissão àquele estabelecimento de ensino que deviam, em princípio, ter arrancado terça-feira em todo o território moçambicano. A decisão resulta do facto de a direcção da instituição vocacionada a formação de quadros para o sector da saúde ter constatado, através da imprensa, que alguns textos dos exames de admissão para os vários cursos ali ministrados teriam sido extraviados e vendidos. Aurélio Zilhão, director do ISCISA, disse ao matutino 'Noticias' que a direcção daquele estabelecimento de ensino decidiu suspender as provas de admissão nas províncias de Maputo e Gaza, mas a realização mantém-se para as restantes províncias do país. As províncias visadas pela medida só poderão realizar as provas de admissão depois de a direcção esclarecer devidamente a situação. Entretanto, a decisão de realizar as provas nas restantes províncias do país está a provocar uma forte onda de contestações por parte de milhares de candidatos de Maputo e Gaza, que afirmam estarem a ser injustiçados. Os candidatos afirmam que os milhares de exemplares dos exames de admissão foram igualmente distribuídos para estes pontos do país via 'email' e através de envelopes despachados a partir do Aeroporto Internacional de Maputo. Os candidatos disseram, por outro lado, que tudo levava a crer que alguns candidatos dos restantes províncias do país estavam a realizar as provas que tiveram acesso prévio ao conteúdo. A Polícia de Investigação Criminal (PIC) tem sob sua alçada os dois indivíduos até agora suspeitos de serem os promotores desta fraude académica. Trata-se de José Nunes Gilberto, director científico, acusado pelo estudante Ussene António sob custódia policial na 7/a Esquadra, na cidade de Maputo. Ussene António, até aqui o único detido no processo, após ter sido encontrado na posse de exemplares dos exames das disciplinas de Português, Matemática e Biologia, disse a Polícia ser um intermediário no 'negócio do director' científico.(AIM)

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Segundo mandato garante reforma

A Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, promete medidas disciplinares contra os 16 deputados que tomaram posse terça-feira na Assembleia da República, o parlamento moçambicano, em Maputo, contrariando claramente a decisão expressa pelo seu líder, Afonso Dhlakama.Na cerimónia de investidura dos 250 deputados do mais alto órgão legislativo do país, que foi dirigida pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza, a Renamo esteve representada por um total de 16 dos 51 deputados eleitos nas quartas eleições gerais de Outubro de 2009, em desafio as ordens do seu líder.No acto solene, que teve lugar na “Magna Casa”, sede do parlamento moçambicano, estiveram figuras proeminentes do partido da oposição, entre eles os deputados Luís Gouveia, ex-secretário geral da Renamo; Viana Magalhães que foi segundo vice-presidente do parlamento na última legislatura; José Manteigas que foi porta-voz da bancada. Até a data da cerimónia de investidura, Dhlakama vinha insistindo que os deputados da Renamo não tomariam posse em protesto contra os resultados eleitorais que, segundo afirma, foram viciados em detrimento do seu partido. Mas a decisão tomada pelos 16 empossados, um terço da sua bancada parlamentar, constitui uma autêntico “golpe” contra a sua credibilidade.Arnaldo Chalaua, porta-voz da Renamo, na província de Nampula, norte do país, disse que os deputados que tomaram posse contra a decisão do líder se sujeitam a sanções disciplinares.
“Na Renamo reina a verdadeira democracia, manifestada, no caso vertente, pela decisão de alguns deputados eleitos participarem na cerimónia de investidura do parlamento. Contudo, importa recordar que o partido tem a sua disciplina interna que não pode ser secundarizada pelos membros para privilegiar questões meramente pessoais”, disse Chalaua.A fonte confirmou que a Renamo, através dos seus órgãos partidários, vai reunir-se nos próximos dias para analisar o comportamento dos deputados que ignoraram, por completo, as ordens do líder no sentido de boicotarem a cerimónia da sua investidura no parlamento, que teve lugar em Maputo. A atitude dos deputados empossados, segundo Chalaua, passou a figurar na agenda de trabalhos do encontro da Renamo, que teve início na terça-feira, e coincidiu com a cerimónia tomada de posse dos deputados.
Entretanto, os restantes 35 deputados não investidos na data vão, segundo o matutino “Notícias”, tomar os respectivos assentos depois da marcação da primeira sessão extraordinária do mais alto órgão legislativo. Segundo o Notícias, um dos deputados, que juntar-se-á aos já empossados nos próximos dias, disse na condição de anonimato ser completamente absurdo que depois de eleitos por voto do povo hoje defraudem as expectativas dos eleitores, apenas por capricho de um líder que tem empresas e se beneficia de grande parte do dinheiro a que a Renamo tem direito por via do Orçamento do Estado.
“Alguns de nós precisam apenas de cumprir mais um mandato para conseguir uma reforma completa no Estado. Como é que, em consciência, nós iríamos perder esta oportunidade de assegurarmos a nossa reforma? Ele (Dhlakama) não está preocupado com a nossa situação, porque ele tem a sua vida feita à custa do nosso sacrifício de longos anos nas matas”, disse.
A cúpula do maior partido da oposição está reunida em Nampula para, entre várias matérias, deliberar sobre a data do início das manifestações de repúdio aos resultados do escrutínio de 28 de Outubro de 2009.
(AIM)

Haiti

A saturação do espaço aéreo, a falta de infra-estrutura básica, como estradas, e a destruição de centros médicos tem dificultado o trabalho das equipes de ajuda humanitária no Haiti, devastado por um tremor de terra na terça-feira.O total de mortos pode ser de 50.000, e mais 3 milhões de pessoas estão feridas ou sem abrigo, segundo uma autoridade da Cruz Vermelha no país.Centenas de corpos apodreciam sob o sol diante do Hospital Central de Porto Príncipe, quase totalmente destruído, enquanto os feridos imploravam por médicos e rezavam .Sem luvas e com algodões embebidos em álcool para se proteger do odor da putrefação, as pessoas procuravam parentes numa montanha de corpos, mutilados, seminus, cobertos de poeira e infestados de moscas, informou a France-Presse.
As imagens não são suficientes para transmitir a agonia do ser humano...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

52 Anos de memórias


O Cinema Águia, Quelimane, foi inaugurado com pompa e circunstância a 15 de Março de 1958. O primeiro filme exibido com o título “A leste do paraíso” com James Dean. A sua destruição tem uma mistura de falta de manutenção por um lado e um vendaval que a meio desta decada acabou por deitar a baixo a degradada estrutura. Se não estou errado esta Sala de Espectáculos nunca foi negociada pelos familiares do seu proprietário Abdul Carimo Hassan (falecido) por razões que merecem todo o respeito.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Cabinda

O ataque a delegação desportiva da República do Togo na província angolana de Cabinda tem suscitado como era de esperar as mais diferente opiniões.Há por parte das autoridades locais todo um esforço em querer atenuar os reflexos que causam sempre a morte de pessoas, particularmente de estrangeiros. A chamada Frente de Libertação do Enclave de Cabinda ao que parece adormecida desde do fim da guerra não perdeu a oportunidade para chamar a atenção pelos ideias da sua luta. Um ataque terrorista, pois sendo contra pessoas indefesas não tem outro nome. O Governo de Angola na sua reacção foi contundente ao confirmar que o grupo de guerrilha refugiou-se no território da República do Congo numa resposta as relações ultimamente afectadas pelo repatriamento forçado de milhares de angolanos. Ao mesmo tempo acabou por ser ingénuo ao afirmar que o incidente com a selecção nacional de futebol do Togo uma das qualificadas para o CAN 2010 assemelhava-se ao de 1972 em Munique. Morreram na altura 11 atletas da delegação de Israel aos Jogos Olímpicos como resultado da invasão do hotel e sequestro do grupo palestino Setembro Negro. A atitude do mundo em particular o Ocidental em relação a causa palestina começou a partir da carnificina ser diferente nos eventos internacionais e reconhecida na última instancia a Organização de Libertação da Palestina (OLP) dirigida por Yasser Arafat.Na história recente, registo da assinatura de um "Memorando de Entendimento para a Paz e a Reconciliação da Província de cabinda ", entre o Governo de Angola e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD).Em 2007, os efectivos da FLEC foram aquartelados e alguns deles integrados e incorporados nas Forças Armadas Angolanas (FAA) e na Polícia Nacional. Dois dias depois todos aqueles elementos e das demais organizações sob autoridade do Fórum que optaram pela vida activa começaram a sua formação académica conforme previsto nas cláusulas do acordo, no sentido de poderem desempenhar melhor os seus cargos e responsabilidades nacionais.O "Memorando de Entendimento para Paz e Reconciliação em Cabinda" inclui também o "Estatuto Especial para Cabinda". A população de Cabinda que a princípio via o acordo como uma passo no sentido de desenvolver a região, tem sentido que de prático o governo central e os ex-guerrilheiros agora no governo pouco tem contribuído, visto que apesar de responder por 80% da produção de petróleo do país, tais recursos escoam pelos ralos da corrupção e burocracia de Luanda e o desenvolvimento da província ainda é um sonho distante.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

FLUFLU...FLAmorim

Pela primeira vez em 114 anos de história, o Flamengo elegeu uma mulher, a ex-nadadora olímpica Patrícia Amorim, para o cargo de presidente do clube, um dia após ganhar o Campeonato Brasileiro depois de 17 anos de jejum. A dirigente, que recolheu 792 votos, num universo de 2338, foi nadadora do clube.A nova presidente bateu Dumbrosck, que assumiu a presidência interinamente depois de o antigo presidente Márcio Braga deixar o cargo. Mas para que isso acontecesse, Patrícia Amorim diz que teve de ultrapassar várias barreiras: «Ser a primeira mulher presidente do Flamengo, o maior clube do Mundo, é melhor do que qualquer sonho que eu pudesse sonhar. Apostei na coerência e na crença de que ser ¿rubro-negro¿ é respeitar o outro. Passei por vários preconceitos. Por ser mulher e por ter vindo dos desportos olímpicos. Mas aprendi a vencer dentro do Flamengo.» O seu primeiro acto como presidente será renovar o contrato com o treinador, apontou: «O Andrade vai continuar. É só manter a base e trazer alguns reforços.» Vereadora do Rio, Patrícia assume o cargo por três anos a partir de Janeiro e já antecipou que pretende recuperar a sede do clube, praticamente abandonada, e dar força aos "esportes olímpicos" (ou seja, todas as modalidades, com excepção do futebol), adoptando um modelo de gestão moderno. O maior desafio é a dívida de aproximadamente R$ 350 milhões, segundo cálculos recentes do ex-presidente Márcio Braga, que se afastou da direcção há oito meses por problemas de saúde. Como atleta, Patrícia bateu 29 recordes sul-americanos, conquistou 28 títulos de campeã brasileira nos 200, 400, 800 e 1.500 metros livres entre 1983 e 1989 e participou dos Jogos Olímpicos de Seul em 1988.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Aquino de Bragança

Aquino de Bragança, goês, figura proeminente no cenário tri-continental, dedicou toda sua vida à libertação dos povos – primeiro indiano, e após a libertação desse, emprestou toda a sua capacidade para a libertação dos Povos Africanos, nomeadamente as Ex-colónias portuguesas: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, S. Tomé e Príncipe e Timor.Participou na Luta contra o sistema colonial Português, mantendo-se ao lado dos Portugueses de Portugal, homens de boa-fé, alguns exilados na Argélia, que lutavam para se libertarem do fascismo que os subjugava ao longo de 40 anos.Viajou mundo e acompanhou a mente das pessoas onde o seu barco o encaminhou.Conheceu os homens através das suas próprias culturas e os respeitou, sabendo-se integrar nelas quando em vivências prolongadas. Viveu no exílio em Marrocos onde os seus dois filhos nasceram de 1958 a 1962 e de 1962 a 1974 na Argélia onde se empenhou nas lutas da Libertação e onde Marcelino dos Santos, ele, o Mário de Andrade e outras fundaram a CONCP.Embora, sempre virado para a linha da esquerda, estudou e acompanhou a evolução dos dois blocos imperativos, sempre se confrontando nos momentos vitais do percurso da libertação dos Povos oprimidos do mundo.

Aquino de Bragança (6.04.1924 – 19.10.1986)Curriculum vitae. Recolha feita por Sílvia Silveira, com o apoio de amigos do Aquino. 1924 Nasce em Badem, Goa.
1940 Termina o Curso Secundário no Liceu Nacional de Afonso de Albuquerque, em Panjim, Goa.
1945 Curso de Engenharia Química
em Darwar, Índia
1947 Desloca-se a Moçambique, com a intenção de aí arranjar emprego. Aba
ndona a ideia, desiludido com as atitudes racistas da governação fascista. 1948 Parte de Lourenço Marques para Portugal onde se encontra com Orlando da Costa (Escritor).
Em Lisboa conhece, também, o medico Arménio Ferreira, na casa dos Estudantes do Império.
1951 Fixa-se em Grenoble, onde faz estudos superiores. Convive com Roger Garaudy e outros intelectuais da esquerda. Inicia as suas actividades antifascista
s, e começa a colaborar nos movimentos de libertação dos países colonizados, da Africa e da Ásia.Em Grenoble. Encontra-se com Marcelino dos Santos (no dia 15 de Out). Faz amizade com Pierre Burg, Presidente da Associação de Estudantes de Grenoble, e através deste com Franz Fanon. Encontra-se pela primeira vez com Guy Penne, Presidente da Associação Nacional dos Estudantes de França, hoje senador vitalício.Dinamiza as actividades de formação política dos estudantes das colónias. 1954 Fixa-se em Paris. Reside durante algum tempo na Casa do Marrocos, na Cidade Universitária. Conhece Mário de Andrade, e inicia-se uma amizade e uma colaboração mútua na luta dos movimentos nacionalistas africanos, que duraria até ao fim da sua vida. Conhece também o filho do Rei do Marrocos, Hassan, que era estudante em Paris nessa altura.Tem um papel activo nas manifestações anticolonialistas dos estudantes das colónias, e na sua formação doutrinária e política.Insere-se nos meios intelectuais, e relaciona-se com Nicolas Guilhaum (Historiador); Castro Soromenho (escritor e Professor de Sociologia Africana da Universidade de São Paulo); Pierre Jorge (Historiador de Ciências Políticas); Henri Lefebre (Historiador do Instituto de Ciência Políticas), Jean Paul-Sartre, e outros.Conhece Ben Barka em Paris, e torna-se seu grande amigo. Conhece também Ben Bella (?). 1957 Fixa-se em Marrocos, com a permissão do Rei Mahomed V, e desempenha as funções de Secretário de Redacção do jornal sindicalista marroquino “ Al Istiklal”.Exerce, também, as funções de secretário particular de Mhody Ben Barka (dirigente nacionalista marroquino, com quem fizera amizade em Paris). 1958 Casa-se com Mariana Bragança (em Marrocos ), de quem tem dois filhos: Radek e Maya. 1959 Nasce o primeiro filho Radek, em Setat, a 30 de Novembro.Vive em Marrocos de 1957 a 1962. Nasce a sua filha Maya em Rabat a 1 de Março de 1962. 1961 Participa na fundação da CONCP, (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), de 18 a 20 de Abril, em Casablanca, como representante do partido do Povo de Goa juntamente com George Vaz. É eleito secretário da Organização; e Marcelino dos Santos, Secretário-Geral; Mário de Andrade, Presidente do Conselho Consultivo; João Cabral, Secretário Administrativo e Aristides Pereira, Secretário para a Tesouraria.Acompanha Amilcar Cabral em várias missões delicadas. Participa no assim designado “contrabando de armas do PAIGC em Marrocos”.Encontra-se com Nelson Mandela, em Marrocos, em1962 de quem se torna amigo e admirador. 1962 Fixa-se na Argélia, onde é co-fundador do semanário “ Revolution Africaine” e colabora no jornal diário “El-Moudjahid”. Vive na Argélia de 1962 a 1974.É objecto de um mandato de captura emitido pela PIDE, com a data de 14 de Março de 1962. Toda a sua actividade passa a ser objecto de vigilância e relatórios periódicos, da PIDE. 1965 Participa na 2ª Conferência da CONCP, em Dar-es-Salaam, presidida por Agostinho Neto e secretariada por Mário de Andrade, Aquino Bragança e Amália de Fonseca. É autor, e co-autor com Pascoal Mocumbi e Edmundo Rocha, de alguns documentos presentes nessa Conferência ( ”A situação Política em Portugal; Luta da Libertação das Colónias Portuguesas”, etc) 1969 Torna-se comentador habitual do AFRICASIA, mais tarde Africa-Asie, dos assuntos das colónias Portuguesas, a convite de Simon Malley.Escreve, com Immanuel Wallerstein, a obra “Quem é o inimigo?”.
De 1962 a 1974, na Argélia.Torna-se o porta-voz das lutas de libertação das colónias portuguesas, e teori-zador da emancipação das colónias da Africa. Toma iniciativas, e participa activamente em todas as actividades destinadas a colocar o problema das colónias, na ordem do dia dos temas internacionais.
Obtem apoios internacionais para essas lutas.

Desempenha um papel importante no apoio logístico aos movimentos de liber-tação.
Nesta actividade entra, obviamente, em contacto com os líderes dos movi-mentos, de quem se torna amigo, e muitas vezes conselheiro. Assim acontece com Amílcar Cabral, Mário de Andrade, Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Ben Bella. Também conhece alguns anti-fascistas portugueses: Piteira Santos, Manuel Alegre, e outros.É co-fundador da Escola de Jornalismo na Argélia, onde ensinava Sociologia do Jornalismo.
1974 Na sequência da Revolução de 25 de Abril, opta por colaborar na construção do país independente, Moçambique.Em Maio (1974) é enviado a Lisboa, em missão especial, por Samora Machel, para identificar as individualidades com quem se devia negociar a Indepen-dência.Contacta com o jornalista do Expresso, Augusto Carvalho, que o põe em contacto com Melo Antunes. (Cria laços de grande amizade com os d
ois). Através de Melo Antunes conhece os principais elementos do MFA, e estabelece contacto com outros políticos relevantes, entre os quais Mário Soares, com quem já havia estabelecido relações estreitas em Paris.Ainda em Maio (1974) é recebido em audiência pelo Ministro da Comuni-cação Interterritorial, Dr. Almeida Santos. Foi o primeiro encontro de um membro do governo democrático português com um porta-voz dos movimentos de libertação.
Nesse mesmo ano, ele e Joaquim Chissano, começam a trabalhar activamente com Vítor Crespo, em Moçambique, na preparação do Governo de Transição.
Participa nos acordos de Lusaka, (Setembro de 1974), onde desempenha um papel preponderante na negociação com os políticos de Lisboa.Com a intermediação de Augusto Carva
lho, contribui para o desanuviamento das relações entre o presidente Samora Machel e o General Ramalho Eanes, o que facilitou as negociações.Estabelece relações de amizade com o General António Ramalho Eanes durante o primeiro Governo, e participa nas negociações entre Portugal e Moçambique, fazendo várias deslocações a Lisboa para preparar a primeira visita do Presi-dente Ramalho Eanes a Moçambique e posteriormente do Presidente Samora Machel a Portugal em 1983.Passa a ser Conselheiro de Samora Machel, na sequência da sua decisão de não ocupar qualquer pasta ministerial, no Governo de Moçambique . Relaciona-se com Dr. Sá Machado, então Ministro de Negócios Estrangeiros. 1975 Cria o Centro de Estudos Africanos em Moçambique onde desenvolve trabalho de pesquisa sobre a questão Rodesiana, e sobre o nacionalismo no Zimbabwe.
1976 É nomeado Director dos C.E.A.
1978 Participa na reunião de Bissau, em Junho, com Ramalho Eanes, Agostinho Neto e Luís Cabral. 1979 Morre a 23 de Maio a sua primeira esposa, Mariana. 1982 É gravemente ferido num atentado, por encomenda armadilhada, quando trabalhava no CEA, com a Dra Ruth First, que foi vítima mortal. 1983 Encontra-se com Silvia do Rosário da Silveira em Lisboa, a 8 de Outubro. 1984 Casam-se, pelo Registo Cívil, em 22 de Setembro de 1984. Em 23 de Dezembro desse mesmo ano, realiza-se o seu casamento religioso.

Morre em 19 de Outubro de 1986, no acidente de aviação, ocorrido em Mbuzini, Montes Libombos, na África do Sul., que vitimou quase toda a comitiva do Presidente Samora Machel, quando regressava de um encontro com o Presidente da Zâmbia.Nessa altura Aquino preparava uma reunião com o Presidente da Africa do Sul, Peter Botha, para retomar as negociações da Paz entre Moçambique e África do Sul.O ano 2006 foi o marco histórico dos 20 anos do desastre de Mbuzini onde perderam a vida o Presidente Samora Machel e mais 34 companheiros. Aquino encontrava-se nessa fatídica viagem. E, infelizmente nada se sabe de concreto como morreram essas 35 pessoas nesse fatal dia.(fonte:
aquinobraganca.wordpress.com/)

Curioso...

“O irregular e promíscuo funcionamento dos poderes públicos é a causa primeira de todas as outras desordens que assolam o país. Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos, as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia. Exercendo de facto a soberania nacional, simultaneamente conspiram e criam entre si estranhas alianças de que apenas os beneficiários são os seus militantes mais activos. A Presidência da Republica não tem força nem estabilidade.O Parlamento oferece constantemente o espectáculo do desacordo, do tumulto, da incapacidade legislativa ou do obstrucionismo, escandalizando o país com o seu rocedimento e, a inferior qualidade do seu trabalho.Aos Ministérios falta coesão, autoridade e uma linha de rumo, não podendo assim governar, mesmo que alguns mais bem intencionados o pretendam fazer.A Administração pública, incluindo as autarquias, em vez de representar a unidade, a acção progressiva do estado e a vontade popular é um símbolo vivo da falta de colaboração geral, da irregularidade, da desorganização e do despesismo que gera, até nos melhores espíritos o cepticismo, a indiferença e o pessimismo.Directamente ligada a esta desordem instalada, a desordem financeira e económica agrava a desordem Política, num ciclo vicioso de males nacionais. Ambas as situações somadas conduziram fatalmente à corrupção generalizada que se instalou…”

O que acabaram de ler não é cópia de nenhum artigo de jornal ou de qualquer revista.
Trat
a-se de parte do primeiro capítulo de um livro agora posto à venda em Portugal e, que data de 1936 de autoria de OLIVEIRA SALAZAR – “ Como se levanta um Estado”. Naquele ano , uma editora francesa negociou com António de Oliveira Salazar a publicação de um livro que, resumindo as opções políticas e a acção governativa do Estado Novo, constituísse o “cartão de visita” do pavilhão de Portugal na exposição internacional de Paris, a realizar em 1937. Este livro praticamente desconhecido durante décadas está já a venda em Lisboa, na sua primeira grande edição em língua Portuguesa.
António de Oliveira Salazar, nasceu em 1889 em Santa Com
ba Dão, uma aldeia de Vimieiro. Era filho de um feitor humilde.Em 1900, depois de completar os seus estudos na escola primária, António Salazar entrou no seminário de Viseu. Em 1908, o seu último ano lectivo no Seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu. Licenciado em Direito, foi nesta mesma faculdade que lhe e concebido o grau de Doutor, na qual viria a ser professor catedrático. Era conhecido por um homem sério, introspectivo, austero, católico e conservador. Foi também António de Oliveira Salazar, que fundou o centro católico português, em 1917. Iniciou o seu cargo como ministro das Finanças em 1928, depois de uma revolução, permanecendo neste até 1932. Foi o político que entre 1932 e 1968 dirigiu os destinos de Portugal, com o cargo de primeiro-ministro. Foi fundador e chefe da União Nacional a partir de 1931. Ele também foi o fundador e principal mentor do Estado Novo, substituindo a Ditadura MIlitar. Também exerceu o cargo de Presidente interino da República, mas somente no ano de 1951.Em 1968, depois de uma vida dedicada a Portugal, Salazar começou a doenças do foro neurológico, e um dia acabou por cair de uma cadeira causando-lhe hematomas cerebrais que se foram agravando ao longo do tempo, acabando por falecer em 27 de Julho de 1970 em Lisboa.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

São Todos Obrigados a Parar (STOP)

Os acidentes de viação decorrem do nosso dia-a-dia, mas parte da responsabilidade desta tragédia que se verifica nos últimos meses nas estradas do país, tem que ser repartida pelos diferentes actores.Porque é que toda a gente tem obrigatoriamente de ter carta de condução? É um direito ou deverá ser um privilégio para os mais capazes?O licenciamento de um negócio è mais complexo do que obter uma carta de condução.Porque é que um indivíduo que comete uma falta grave ou muito grave, há-de continuar a ter carta de condução?Dependendo da gravidade porque não deixá-lo um tempo sem conduzir e depois obrigar a novo exame ,mas a sério. Acredito que o panorama mudava logo.Aliás, quando conduzimos no estrangeiro , a postura ao volante muda logo.São muitos os automobilistas que já fizeram mais de 500 mil kilometros nas estradas moçambicanas e nunca tiveram um acidente. condutores que não não têm a mais pequena noção do que é um carro, acham que ligar o pisca e virar para outra faixa é o correcto. São os mesmos que vem nos espelhos retrovisores como enfeites do carro, a caixa de velocidade só para aumenta-la, e depois pé no travão até bater e nem percebem porque.Se para pilotar aviões é necessário uma serie de testes psico técnicos e motores porque é que para guiar carros não sucede o mesmo?
Seja como for, há a necessidade de pôr um ponto final a este drama.Ora quanto às medidas aplicar, elas existem se bem que só farão efeito se forem tomadas a sério .A educação cívica que todo o condutor deveria ter, só numa escola séria de condução.Analisadas as causas da sinistralidade rodoviária das ultimas semanas apontam para factores que estão dependentes do comportamento dos condutores.É verdade que, se temos um almoço, uma festa em família ou de amigos, a coisa mais natural seja acompanhar a refeição com vinho e que depois venham digestivos ou licores para acompanhar o café, por aí.Não haverá ninguém suficientemente sóbrio para chamar a atenção para as consequências mais trágicas?
Uma coisa é certa; se conduzíssemos dentro das regras e limites exigidos pelo código das estradas, os acidentes seriam isso mesmo, acidentes, situações que acontecem, apesar de termos ou não consciência deles e de tudo termos feito para evitar o pior.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Esteve lá

Os New Jersey Nets voltaram a perder na última madrugada, desta feita diante dos Los Angeles Lakers. Foi a 17.ª derrota em outros tantos jogos na Liga norte-americana de basquetebol profissional (NBA), igualando os registos protagonizados por Los Angeles Clippers em 1999 e pelos Miami Heat em 1988.Mesmo com a mudança de técnico - Lawrence Frank foi demitido na manhã de domingo e já não orientou a equipa diante dos Lakers -, os Nets prosseguiram a série de derrotas. O adversário também não era o ideal para operar qualquer reacção e os Lakers venceram por 106-87.Kobe Bryant (30 pontos, oito ressaltos e sete assistências) e Paul Gasol (20 pontos e nove ressaltos) foram novamente os artífices da equipa de Los Angeles, que, por sua vez, somaram a sexta vitória consecutiva.

terça-feira, novembro 24, 2009

Aprender a fazer

Quando um país tem um novo governante, de imediato passa a viver uma outra era . Moçambique durante a sua história de nação nunca abertamente foi questionado o que seria a governação de um Presidente com a estatura do Dr. Eduardo Mondlane . Na estrutura dos libertadores da pátria o lugar de um liberal erudito entraram auto didactas moldados pelas dificuldades da vida e conhecimento do mundo. O posto ocupado pelo professor universitário passou para as mãos do funcionário público sem muito estudo, legitimado pela decisão da população. Se Moçambique fosse uma empresa, e a contratação do Presidente estivesse nas suas mãos, contrataria?Não é uma questão polémica e nem de actualidade a qualificação das figuras que têm vindo a assumir a presidência do país. Por ser carismático, bom orador, coerente, ter uma vida ilibada, dedicada à causa do povo , e ser grande conhecedor de Moçambique e dos seus problemas, Samora, Chissano parece terem sido homens certos, no momento certo. Mas e a questão da formação académica? Como foi a sua educação? Ostentam diplomas de vários cursos , aliás, alguns até muito bons, mas que não habilita ninguém a dirigir nada. Quanto a formação, ou falta dela, não só destas ilustres figuras , vale a pena que se diga que se aprende a conhecer nos livros, a fazer explorando as habilidades , aprender a conviver comunicando e aprender a ser respeitado com moral e ética. Isto ajuda-nos a compreender o fracasso pessoal e profissional de algumas pessoas estudadas, e o sucesso, às vezes espectacular, de pessoas que não estudaram, como é o caso do saudoso Presidente Samora Machel. Uma pessoa à qual não escapava nada ou quase nada do que acontecia no seu tempo. O homem é um animal político, e ser político é desenvolver a capacidade de viver em sociedade e também de colaborar para o bem estar e para o desenvolvimento dessa sociedade. Aqueles que possuem ou que desenvolvem essa qualidade de forma mais intensa estão autorizados a ocupar cargos de decisão ou de liderança dentro da comunidade a que pertencem. É o caso de um Presidente da República. E aí está a principal diferença entre contratar e eleger. Contratamos objectivamente e elegemos subjectivamente. Joaquim Chissano talvez não fosse contratado, mas foi eleito.Moçambique elegeu Armando Guebuza porque percebeu nele um conjunto de vontades, que são a vontade de liderar, a vontade de beneficiar os outros e a vontade de se superar, e tudo isso acompanhado por um carisma pessoal que é dele por natureza. Esse conjunto de factores foi mais forte que o currículo académico que também era desejável, mas que não foi considerado o mais importante. O engenheiro Daviz Simango demarca-se pela sua formação universitária , mas Guebuza é “anos-luz” mais convincente.É justo que consideremos importante uma formação global para o cargo presidencial, incluindo aí a formação académica. É justo também que depositemos no nosso presidente todas as esperanças, pois ele fez por merecê-las. Não estaríamos a ser justos se diminuíssemos o valor de Armado Guebuza que chegou lá, afinal de contas, e talvez o seu valor seja ainda maior por ter chegado aonde chegou apesar de tudo, incluindo nesse tudo o facto de não ter passado por uma faculdade. Mas também não seria justo sem reconhecer que ele poderia ter construído uma vida académica, sim, durante os últimos vinte anos em que se preparou para ser líder e chegar a Presidente da República. Guebuza pode ser brilhante, e esse brilho é justificado pela sua biografia ao mesmo tempo que justifica essa mesma biografia. Aprendeu a conviver, a fazer e a ser. Ele é um exemplo para a juventude, mas seria ainda maior, se tivesse estudado.