quinta-feira, junho 12, 2014

Verguemo-nos perante o humano

O médico e padre Aldo Marchesini, que trabalha na cidade de Quelimane, província da Zambézia, e a JHPIEGO, organização sem fins lucrativos especializada em saúde materna, conquistaram o Prémio de População das Nações Unidas de 2014. AAssembléia Geral das Nações Unidas estabeleceu o prémio em 1981 para reconhecer acções proeminentes nas áreas de população e saúde.Dr. Marchesini, nascido na Itália, trabalha em Moçambique desde 1974. A sua nomeação para o prestigiado prémio das Nações Unidas foi feita pelo Fórum Mulher, ONG moçambicana que se destaca na defesa da igualdade de género. A nomeação foi com o intuito de reconhecer os feitos do Dr. Marchesini no tratamento da fístula obstétrica em Moçambique, trabalho que ajuda a restaurar a dignidade da mulher. Envolvido em questões de população há 43 anos, o Dr. Marchesini veio a Moçambique para servir nas áreas mais pobres, muitas vezes, como o único médico e a trabalhar com recursos limitados. Ele começou o tratamento de fístula obstétrica logo após a sua chegada. Foi durante muitos anos o único médico a tratar esta condição no país. Treinou todos os médicos que trabalham nesta área em Moçambique. Ele também angariou fundos, não só para financiar o tratamento das pacientes, mas também para pagar o seu transporte, alimentação e roupas.
Foto: O médico Aldo Marchesini recebe hoje, na sede da ONU, em Nova Iorque o Prémio de População das das Nações Unidas – 2014. O Dr. Marchesini trabalha em Quelimane, na província da Zambézia, onde se destaca no tratamento de fistulas obstétricas. Enquanto não chega hora de receber o prémio, o Dr. Marchesini concede entrevistas e visita a sede da ONU. Siga o facebook para detalhes.

http://mozambique.unfpa.org/2014/03/23/9321/padre_catolico_aldo_marchesini_residente_em_mocambique_e_ong_americana_jhpiego_ganham_premio_de_populacao_das_nacoes_unidas_2014/Durante a guerra civil, o Dr. Marchesini foi muitas vezes raptado. A sua dedicação e serviço valeram-lhe prémios, entre os quais o de “Cavaleiro da Ordem da Estrela da Solidariedade da República da Itália, Certificado de Honra do Ministério da Saúde de Moçambique e da Campanha pelo Fim da Fístula, e o Certificado de Honra da Direcção Provincial da Zambézia. JHPIEGO, o Programa de John Hopkins para a Educação Internacional em Ginecologia e Obstetrícia, é este ano o outro vencedor. A organização foi fundada em 1973 para prevenir a morte materna. Nos últimos 40 anos, o JHPIEGO prestou assistência a cerca de 160 países e actualmente trabalha em mais de 30 países, incluindo Moçambique. O programa já treinou mais de meio milhão de profissionais de saúde em planeamento familiar e saúde reprodutiva. Esta organização norte-americana concentra-se em várias áreas, incluindo a saúde materna, neonatal e infantil; planeamento familiar e saúde reprodutiva; prevenção, cuidados e tratamento de HIV; e prevenção e tratamento do cancro do colo do útero.A atribuição do Prémio de População das Nações Unida foi decidida por um comité presidido pela Embaixadora da República Checa nas Nações Unidas, Edita HRDA, e composto por representantes do Bangladesh, Costa do Marfim, Dinamarca, Granada, Jamaica, Qatar, República Unida da Tanzânia, Nigéria e Paquistão. O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o Director Executivo do UNFPA, Dr. Babatunde Osotimehin, são membros ex-officio do comité. Os prémios serão entregues na sede das Nações Unidas a 12 de Junho deste ano.

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