terça-feira, junho 10, 2014

Aflito?

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, acusou os dirigentes religiosos baseados em Maputo de serem “traidores, cobardes e coniventes” por, segundo ele, nas suas tomadas de posição, estarem a favorecer o Governo da Frelimo liderado pelo presidente Armando Guebuza. Durante uma teleconferência com os religiosos da União das Religiões, que eram encabeçados por José Guerra, que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente do Conselho de Administração da Televisão Miramar, duas instituições que estão profundamente aliadas ao partido Frelimo, Dhlakama disse:
 “Vós sois traidores, porque, quando a Frelimo nos ataca aqui na Gorongosa, não condenam, e quando nós tentamos travar as incursões das tropas governamentais em Muxúnguè, aparecem a condenarem-nos”.“Avisámos que ele [Guebuza] está a mandar contingentes, mas ninguém ligava, nem vocês, os religiosos, e agora é que estão a chorar! Vocês também não são sérios”, declarou Afonso Dhlakama.A Renamo ameaça dividir o país ao meio, caso o Governo não colabore com as propostas postas em cima da mesa das negociações.O presidente da Renamo voltou a colocar a questão da paridade nas Forças de Defesa e Segurança como assunto que pode evitar que o país seja dividido.
“Nós estamos cansados e a Frelimo não nos quer ouvir, perguntem ao Guebuza onde é que ele quer colocar os homens da Renamo, ou então vamos dividir isto. O Sudão dividiu-se, a Alemanha Federal com a Alemanha Democrática estavam divididas, Coreia do Norte e Coreia do Sul, por causa dessas brincadeiras de regimes que maltratavam os outros”, afirmou Dhlakama.Embora a ameaça de dividir o país não seja nova, desta vez a mensagem foi dirigida aos chefes religiosos baseados em Maputo, alguns dos quais fazem parte do grupo de propaganda ideológica conhecido por “G40” e têm-se empenhado publicamente em acções de culto da personalidade dirigidas à figura de Armando Guebuza e da sua esposa Maria da Luz.

O presidente da Renamo explicou que alargou e intensificou os ataques na zona centro do país nos últimos dias para se defender das incursões das Forças de Defesa e Segurança.
Apesar da tentativa dos chefes das igrejas – a Igreja Católica e o Conselho Cristão estiveram ausentes por razões que não foram divulgadas – para persuadirem o presidente da Renamo a parar com os ataques e a prosseguir com o diálogo, Dhlakama foi severo ao responsabilizá-los pela actual situação de tensão político-militar.No entanto, o presidente da Renamo declarou que está comprometido com a paz, pediu aos dirigentes religiosos para sensibilizarem igualmente o Governo, tal como fazem com a Renamo, de modo a que o Governo pare com “acções visando acabar com a Renamo” e deixou um último apelo para que sensibilizem igualmente o Governo para terminar com acções que prejudiquem o desenvolvimento no país.


Entretanto, de visita à Irlanda, o chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, acusou o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de inventar problemas para satisfazer os seus interesses pessoais à custa dos moçambicanos.Guebuza disse que os homens armados da oposição “acordam todos os dias para matar os seus irmãos”.A Renamo anunciou, na semana passada, a suspensão do cessar-fogo que tinha decretado unilateralmente com a intenção de parar os confrontos com o Governo moçambicano num conflito que já dura há vários meses. (B. Álvaro)

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