quinta-feira, abril 06, 2017

1889 / 1970




Moçambique tem as duas coisas

O escritor moçambicano Mia Couto defende um debate mais alargado sobre a paz, não só entre os políticos mas também na sociedade civil. Em entrevista à DW África, fala ainda sobre os escândalos de corrupção no país. Os moçambicanos vivem ainda uma paz com prazo de validade. O Governo moçambicano e o maior partido da oposição, a RENAMO, acordaram em cessar as hostilidades até 4 de Maio. Esta é a terceira trégua consecutiva, algo que alimenta as esperanças dos moçambicanos numa paz definitiva. Durante a Feira do Livro de Leipzig, que terminou a 26 de Março na Alemanha, a DW África falou com o escritor Mia Couto sobre a situação política, o combate à corrupção e a falta de transparência em Moçambique. 
Resultado de imagem para Mia Couto na DWQuestionado se faz sentido que o destino do povo, em discussão apenas entre o Governo da FRELIMO e a RENAMO, não possa também ser decidido pelo povo, em termos de debate alargado? Mia Couto respondeu: Acho que Moçambique tem as duas coisas - tem algum espaço de liberdade democrática. Por exemplo, os jornais que existem no país criticam abertamente a situação; as pessoas falam. Nunca senti propriamente medo de dizer o que pensava dentro de Moçambique, o que não é uma coisa muito comum hoje em dia no mundo. Ao mesmo tempo, acho que há assuntos que deveriam ser mais debatidos. A paz seria um deles. Mas também entendo que há questões que deviam ser debatidas no Parlamento, e isso envolveria um terceiro partido político, o MDM [Movimento Democrático de Moçambique], que se sente excluído da negociação. É uma coisa esquizofrénica: [a RENAMO] é um partido político e, ao mesmo tempo, é um exército, com armas. Quando está feliz discute no Parlamento e quando não está ataca as pessoas e os carros nas estradas. Tudo isso parte de uma base errada. Agora, quando se trata de discutir questões de uma guerra, como fazer terminar um assunto militar, também entendo que tem de haver conversações "fechadas". Sobre os escândalos de corrupção têm abalado o país e membros das elites políticas têm os seus nomes associados a esses escândalos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) têm mostrado um esforço extra, embora tímido, para esclarecer alguns desses casos. Essas iniciativas resultam de uma pressão interna e externa ou trata-se de mera vontade de trabalhar? Mia Couto respondeu: acho que as duas coisas são verdade. Há uma pressão exterior muito forte. Dentro do próprio sistema, da própria FRELIMO, [também] há uma posição que pretende que o assunto seja da responsabilidade de quem o causou, e essa posição foi assumida, por exemplo, pela bancada da FRELIMO na Assembleia da República – não é uma coisa tão minoritária assim. E eu estou muito curioso para saber como se resolve um assunto destes, que realmente envolve compromissos de gente muito poderosa no país.

“Simanguinhos”

Conhecidos na gíria popular por “Simanguinhos”, em tributo ao seu homónimo de Maputo, que no seu primeiro mandato enfrentou os mesmos problemas, os buracos tornaram a cidade da Beira praticamente intransitáveis devido a situação lastimável em que se encontram maior parte das vias da urbe. Naquela cidade é difícil circular, principalmente nos dias chuvosos, devido ao mau estado em que se encontram as estradas em diversos pontos da cidade, o que condiciona a vida dos munícipes que, não raras vezes, vêem- -se obrigados a parquear as suas viaturas para não correrem o risco de danifica-las. O MAGAZINE efectuou uma ronda pelas artérias da cidade da Beira e constatou que os problemas vão desde o pavimento irregular, aos buracos, alguns dos quais enormes no meio da estrada, bem como o desgaste das marcas de sinalização do pavimento em muitas zonas. Os munícipes da Beira reclamam pela demora do Conselho Municipal em resolver o problema que remota desde 2012 e vai se agravando com o andar do tempo. 
Resultado de imagem para Cidade da Beira buracosOs automobilistas dizem que as viaturas estão a ficar danificadas por causa do mau estado das vias e pedem socorro a quem de direito. Na Av. FPLM, por exemplo, apenas o troço que parte da Praça da Independência até ao Estoril, é que está em boas condições de transitabilidade. As restantes vias, incluindo a EN6, a principal via que liga aquela cidade ao resto do país e outros países do interland, encontra-se em avançado estado de degrada- ção, principalmente dentro da cidade. Para quem conhece aquela cidade, sabe que quase todas as ruas transversais que ligam os principais bairros da cidade estão completamente esburacadas, o que obriga os automobilistas a esforçarem- -se para transitarem, sobretudo nos dias de chuva. Ouvidos pelo Magazine, alguns automobilistas estão agastados com a situação por considerarem que os buracos na via pública danificam as suas viaturas e mostraram-se agastados pela falta de acção da edilidade. “Aqui é difícil andar de carro. Quase todas as estradas estão esburacadas e o Município nunca resolve a situação. O meu carro está sempre com problemas de suspensão por causa dos buracos. A situação está péssima”, disse um automobilista gestor de uma instância hoteleira. Bem no coração da zona nobre da considerada segunda maior cidade do país, ruas como João Quero, J de Barro, Mártires da Revolução, Serpa Pinto, Cunha, só para citar alguns escassos exemplos, estão completamente esburacadas. Na Av. Mateus Sansão Muthemba, junto ao complexo Oceânia, restam somente algumas “ilhas” de asfalto. Na via do Aeroporto à Manga, passando por Manga- -Mascarenhas, os automobilistas recorrem a todo o tipo de manobras possíveis para, por ali, passar durante o tempo chuvoso, uma vez que devido as águas das chuvas, os condutores têm de “adivinhar” por onde passar. 
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Em vários outros pontos da cidade da Beira, os automobilistas recorrem a vários truques para fugir das covas, mas porque quase todas as ruas da cidade estão esburacadas, não lhes resta outra saída se não pedir socorro, a quem de direito. Desde 2013 que a situação vem se agravando, perante uma aparente incapacidade das autoridades municipais. Tanto o presidente do município, Daviz Simango assim como o seu vereador para Área de Construção e Urbanização, sempre prometeram resolver a situação em prazos curtos, mas nunca cumpriram, segundo avançaram alguns automobilistas ouvidos pelo Magazine. Segundo eles, o Conselho Municipal da Beira que sempre promete fazer uma reabilitação de raiz de algumas estradas, através da remo- ção e recolocação do asfalto, apenas fez o tapamento de buracos com saibro, o que faz com que sempre que chove voltem a surgir os buracos. A edilidade justifica o facto com problemas no seu orçamento que não possibilitam a resolução da degradação das estradas. Estranhamente, o Município da Beira é um dos que anualmente se beneficiam do Fundo de estradas, canalizado pela Administração Nacional de Estradas para a manuten- ção destas, mas assiste-se, ao invés de trabalhos de manutenção, ao tapamento de buracos em estradas alcatroadas recorrendo a saibro que se transforma em lodo quando chove, deixando os buracos ainda mais salientes e concorrendo para o entupimento dos canais de drenagem recentemente reabilitados. Segundo dados fornecidos pela ANE, no ano passado, aquele município não constava da lista dos municípios que não recebem fundos.

sexta-feira, março 31, 2017

Dívida? É ilegal , daí que.....

O Grupo Moçambicano da Dí­vida (GMD) defendeu, (29 de Março) que o Governo não deve pagar as dívidas, no valor de 1,4 mil milhões de dó­lares, que o anterior executivo avalizou secretamente, entre 2013 e 2014, considerando ile­gais os encargos. “O Governo não deve pagar as chamadas dívidas ocultas, porque são ile­gais, foram contraídas sem o conhecimento da Assembleia da República, como exigem as leis moçambicanas”, disse  Humberto Zaqueu, eco­nomista e oficial de Programas do GMD. Os credores dos refe­ridos empréstimos, prosseguiu Zaqueu, devem ser ressarcidos pelos bancos que intermedia­ram as transacções com as três empresas moçambicanas beneficiárias do dinheiro que receberam avales do Governo moçambicano. 
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“Os investido­res devem reaver o seu dinheiro junto dos bancos que interme­diaram a emissão de títulos a favor das empresas que tiveram a bênção do Governo”, afirmou o oficial de Programas do GMD. Humberto Zaqueu acusou o Governo, na altura chefiado por Armando Guebuza e os bancos russo VTB e suíço Credit Suisse de “terem ludibriado” o povo moçambicano e os investidores internacionais. “Estes emprés­timos foram feitos e avalizados nas costas dos moçambicanos e os bancos angariaram dinhei­ro dos investidores com base em expectativas irrealistas”, afirmou Zaqueu. Os bancos, prosseguiu, estão na mira dos investidores, pois estes já anun­ciaram que poderão levar o caso a tribunal, porque sentem­-se enganados. Na sexta-feira da semana passada, um grupo de organizações não-governa­mentais (ONG), incluindo o GMD, defendeu um conjunto de medidas que devem ser to­madas antes de o FMI retomar os empréstimos a Moçambi­que, argumentando que o país não pode ficar refém de uma dívida insustentável. “A única saída sustentável para a crise económica de Moçambique é aplicar uma muito maior transparência e responsabili­dade nos empréstimos, garan­tir que qualquer ajustamento recai sobre aqueles que têm capacidade para pagar e que Moçambique não fica apanha­do numa dívida insustentável”, lê-se num documento enviado à directora-executiva do Fun­do Monetário Internacional, Christine Lagarde. A missiva, impulsionada pela ONG britâ­nica “Campanha para o Jubi­leu da Dívida”, mas assinado por dezenas de organizações moçambicanas e internacio­nais, defende um “conjunto de medidas que devem ser todas executadas antes de o FMI re­tomar os empréstimos ao Go­verno de Moçambique” e que incluem, entre outras, a rea­lização de uma auditoria e de uma análise de viabilidade eco­nómica das empresas públicas Proindicus, Ematum e MAM. As instituições financeiras in­ternacionais e os principais países doadores do Orçamento do Estado moçambicano sus­penderam a ajuda financeira a Moçambique, após a descober­ta em Abril do ano passado de empréstimos contraídos por empresas públicas e avaliza­dos pelo Governo, entre 2013 e 2014, à revelia da Assembleia da República de Moçambique e da comunidade internacional. As chamadas dívidas ocultas fi­zeram disparar a dívida de Mo­çambique para 11,6 mil milhões de dólares e até Dezembro do ano passado o rácio da dívida pública era de 130% do Produto Interno Bruto.

segunda-feira, março 13, 2017

Eis-me aqui!

Imagem relacionadaQuando o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio assomou à sacada central da Basílica de S. Pedro, minutos depois de eleito Papa, eram elevadas as expectativas sobre o pontificado que Francisco inaugurava nessa noite de 13 de março de 2013 e as transformações e reformas que o líder religioso mais influente do Mundo viria a empreender.
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Encontrado "quase no fim do Mundo", nas palavras do primeiro Papa americano na sua primeira saudação, o novo chefe da Igreja foi saudado pelos progressistas, como o dominicano Frei Betto (Teologia da Libertação e dos movimentos sociais).Com a Igreja mergulhada em escândalos como a pedofilia, com a sucessão de denúncias de abuso de crianças por sacerdotes e o silenciamento dos crimes pela hierarquia, os desmandos do Instituto das Obras da Religião (IOR, vulgo "Banco do Vaticano") com investimentos em múltiplos negócios e até offshore, Francisco assumia tarefa pesada.
Resultado de imagem para PAPA FRANCISCOConcretizando a política de "tolerância zero" para com a pedofilia, o Papa assumiu que, "para a Igreja, neste domínio, não pode haver prescrição" - "temos de punir severamente os abusadores" - e estabeleceu normas para afastar e denunciar os autores.
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Na Cúria Romana, empreendeu a reestruturação dos órgãos de governo e administração e finanças, incluindo o IOR, e afirmou a sua autoridade junto de instituições como a poderosa Ordem de Malta.Reforçou também pontes com outras igrejas (esteve nas comemorações dos 500 anos de Martinho Lutero) e com as outras religiões monoteístas, em particular o mundo muçulmano, rejeitando a ideia de que as guerras - "a terceira guerra em pedaços" - são religiosas.
Resultado de imagem para PAPA FRANCISCOEntre as 29 viagens apostólicas, destacam-se as realizadas a Lampedusa para denunciar o drama dos refugiados, e a Cuba e aos EUA, pelo significado da sua mediação no restabelecimento das relações entre os dois países.Enquanto sobre a ordenação sacerdotal de mulheres mantém a posição da Igreja, apesar de valorizar o seu papel no novo dicastério para os leigos, a família e a vida, Francisco admite a ordenação de homens casados em casos excecionais, "por exemplo nas comunidades isoladas", apontou há dias ao diário alemão "Die Zeit".
Em matéria de moral sexual, mantém posições recuadas sobre contracetivos (na crise do vírus de Zica, recomendou a abstinência), mas os setores progressistas anotam avanços no domínio da moral católica, com o acolhimento dos homossexuais e divorciados recasados, na exortação apostólica "Amoris Laetitia" (Alegria no amor).Trata-se do tema que levou mais longe a oposição dos meios ultraconservadores, com quatro cardeais liderados por Raymond Burke a exigirem publicamente "esclarecimentos" de Francisco e o prelado norte-americano a insinuar que o Papa praticou uma heresia e acusá-lo de dividir a Igreja.
Resultado de imagem para PAPA FRANCISCOA imprensa católica dessa corrente minoritária não poupa o Papa a adjetivações agrestes, como "megalomania Bergogliana" e "pontificado destrutivo". "Só um transtorno delirante pode explicar como um homem que provoca discórdia, desordem e divisão na Igreja como nenhum outro papa na história pode dormir tranquilamente", escreveu no jornal "The Remnant" o presidente da Associação Americana de Advogados, Christopher 
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A. Ferrera.Até 10 de março, Francisco - nome que Jorge Mario Bergoglio adotou, como Papa, em homenagem a Francisco de Assis, "o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e preserva a criação" - proferiu 806 discursos, publicou 42 cartas apostólicas, duas encíclicas ("Laudato si", sobre questões ecológicas, e "Lumen Fidei", sobre questões da fé) e duas exortações apostólicas ("Evangelli Gaudium", sobre o anúncio do Evangelho, e "Amoris Laetitia", sobre o amor e a família).Desde 13 de março de 2013, o papa latino-americano realizou 29 viagens apostólicas (12 dentro de Itália e 17 fora) e tem já quatro previstas para este ano (Portugal, Índia e Bangladesh, Colômbia, Egipto).

quinta-feira, março 09, 2017

Ajudem-me!

Chamo-me  Etelvina Nhati de Tete, de 17 anos de idade .Há 8 anos passo por problemas de saúde como gastroduodenite crônicas (inflamação das paredes do esófago, estômago e duodeno) . Nos últimos 3 anos, os médicos descobriram Litíase, uma outra doença .Peço ajuda para  terminar com as  dores . É muito importante neste momento difícil da minha vida. A minha família precisa de 90,000,00 meticais para todo o processo de tratamento em Maputo.Os médicos dizem , que  preciso fazer tratamento desta última doença o mais rápido possível.Aceitamos  qualquer valor para fazer a  cirurgia. Pode depositar em  numerário na conta BIM 360815557, titular: Esmeralda Américo Lázaro (irmã). Antes pode  ligar para os números 82-9597972 (Adelaide Nhati) ou 84-5435233 (Fernanda Nhati). Muito grata por me compreender .

“lapsus linguae”

No dia em que a Assembleia da República abria-se para mais uma sessão, a bancada da Frelimo reuniu-se com o Presidente do partido e respectivos órgãos para mais um exercício de alinhamento concertação. Foi nesta reunião que se ouviram palavras de encorajamento daqueles deputados à liderança do Partido. 
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De entre as tantas, a que mais captou a atenção foi a “reentronização de Nyusi para mais um mandato; até 2024” feita por Eduardo Mulémbue, antigo Presidente da Assembleia da República. Nos dizeres de Mulémbue, o Presidente Nyusi “é e será o nosso Presidente até 2024” sugerindo que dentro da Frelimo, não haviam dúvidas de que o Presidente Nyusi era até hoje o melhor candidato para o partido e que, devido ao seu desempenho como Presidente da República, não restam dúvidas que vencerá as eleições presidenciais de 2019. Este sentimento não é novo nem foi Mulémbue o único a expressá-lo publicamente. Alberto Chipande, veterano da luta armada de libertação já teria afirmado isso na Beira em 2016; no último dia da última reunião do comité central, eu vi dísticos das províncias de Tete, Inhambane, Gaza e Cabo Delgado, sugerindo Nyusi como presidente da Frelimo e do país por “longos anos” – e por longos anos significam pelo menos dez.
Sucede que um dia depois, o Secretário-geral da Frelimo, Eliseu Machava afirmou perante as câmaras da televisão que “a Frelimo se distanciava das afirmações do Camarada Mulémbue”, inter-alia, que “o que ele disse não passava de opiniões pessoais”. EIS AQUI UM EQUÍVOCO REVELADO!
Filipe Jacinto Nyusi é Presidente do Partido Frelimo;
Eliseu Machava é secretário-geral da Frelimo;
Os deputados da Assembleia da República são membros do Partido Frelimo;
Quando Mulémbue afirmou que Nyusi seria o presidente da Frelimo e do país até 2024 a sala vibrou de alegria em sinal de unanimidade e consenso e apoio as falas de Mulémbue. E o Camarada Machava estava lá na sala. Vimos pela TV deputados aplaudindo e ovacionando as falas de Mulémbue!Não houve ninguém que de seguida tratou de corrigir em sede própria às falas do Eduardo Mulémbue muito menos o Cda Machava.
Vi um abraço efusivo entre o Presidente Nyusi e Mulémbue!
Resultado de imagem para nyusi e mulembweEntendo que, querendo interpretar as palavras do Secretário-geral da melhor forma, ele queria dizer o seguinte:
“Apesar de o país e a Frelimo estarem contentes com o desempenho do Presidente Nyusi; apesar de este ser o sentimento dos membros da Frelimo, não devemos tirar o gostinho de esta confirmação ser carimbada pelos órgãos próprios. Eu também estou convicto que o Presidente Nyusi será o nosso presidente até 2024, porém isso fica entre nós”.Essa seria uma forma menos cáustica de dizer a mesma coisa. Da forma como afirmou, reavivou muitos fantasmas, incertezas e confusão no seio dos membros.
Mas dizer que “o que o Cda Mulémbue afirmou é da sua inteira responsabilidade; que a Frelimo distancia-se dele” revela não só incompetência no domínio da retórica política; o Cda Machava revela também que está “amarrado” à várias agendas e várias correntes de luta pelo poder ao ponto de não conseguir geri-las da melhor forma. Ou seja, não quer se comprometer com ninguém: nem com o actual Presidente, que é seu chefe muito menos com qualquer grupo de interesse que eventualmente esteja a preparar-se para impedir o segundo mandato do PR. E isso é mau, principalmente quando no dia-a-dia está ao serviço de uma visão e orientação de um presidente que é seu chefe: Filipe Jacinto Nyusi. Não existe melhor demonstração da traição como essa.
Resultado de imagem para eliseu machavaA referência ao Partido Frelimo que “se distancia das falas de Eduardo Mulémbué” é também reveladora de um mal-estar assombroso. Revela que ele anda conversar com correntes anti-Nyusi, que ele as considera como “verdadeira Frelimo”. Mas eu ainda preciso de conhecer essa “verdadeira Frelimo”, pois os grupos de pressão mais fortes e dominantes foram os mesmos que garantiram a transição tranquila de poder desde a independência e são os mesmos que endossaram Nyusi desta vez. Ora, com quem o Cda Machava conversou na noite anterior a ontem (01-03-207) para chegar a conclusão de que a FRELIMO não se revela nas falas de Mulémbue? Certamente com ninguém ou com alguns; porém, com nenhum órgão da Frelimo. Qual é a directiva que deliberou a não recandidatura de Nyusi? Nenhuma; até porque isso irá acontecer nos próximos meses. O que impede ao Presidente Nyusi renovar o mandato? Nada, até porque isso será confirmado nos órgãos apropriados. As pessoas são proibidas de apoiar um candidato? Não. 
Ora, o que leva ao Cda Machava afirmar EM NOME DA FRELIMO que “se distancia das falas de Mulémbue”, que se revelou apoiante da ideia e obteve a ovação da sala? A resposta é simples: só pode ter alguém em mente, se não tiver sido mera incompetência linguística.
E a minha conclusão é que o Senhor Eliseu Machava equivocou-se duplamente: primeiro, devido a sua incompetência linguística e segundo, pelos maus cálculos que fez. O certo é que não se trata de um verdadeiro “lapsus linguae” (erro que se comete por distracção, falando). Esta é uma revelação atávica; um exprimir inconsciente do que sempre pensou!

(Dr.Egídio Vaz Raposo in facebook)

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Quando o moçambicano se rever no Estado, a paz será definitiva

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, numa entrevista ao SAVANA, além de avaliar os primeiros 15 dias da trégua dedois meses, iniciada a 3 de Janeiro, Afonso Dhlakama fez um prognóstico após os
60 dias e manifestou esperança de um consenso para um terceiro acordo de paz, que lhe vai permitir regressar a Maputo, e que os seus membros saiam dos esconderijos.


Como avalia a trégua?
Resultado de imagem para moçambiqueEm termos de cumprimento da trégua, posso dizer que a coisa está a andar. Não esperávamos que andasse desta maneira, mas está a andar normalmente, tirando algumas violações, por parte da Polícia, das fademos (Forças Armadas) e da FIR (Intervenção Rápida) em áreas isoladas. Mas em geral, em termos de cumprimento, não provocar a Renamo, posso dizer até que, pela primeira vez, a Frelimo está a tentar cumprir. Se formos a fazer uma comparação com o cessar-fogo de 1992, quando assinei o Acordo Geral de Paz, com o ex-presidente Joaquim Chissano, a Frelimo continuou, por quase um mês, ou 35 dias, a atacar as forças da Renamo. Mesmo quando assinei com o ex-presidente Armando Guebuza, em 5 de Setembro de 2014, os militares governamentais continuaram a violar, provocar, atacar, mas, desta vez, não posso mentir, não houve nenhuma posição da Renamo, depois de termos anunciado a trégua, que tenha sido atacada pelas forças governamentais. Mas há aquelas violações, em que se rapta um membro da Renamo que está a andar por aí. Isso o nosso porta-voz do partido, o António Muchanga, já reportou por várias vezes, embora os comandos provinciais da Polícia, como de Tete e de Manica, andem a desmentir. Mas isso é verdade, porque o que Muchanga tem dito é aquilo que o partido reporta e ele, na qualidade de porta-voz, tem reportado aos órgãos de comunicação social. Posso aqui detalhar. Temos agora, depois que cessamos fogo, na semana passada, quatro desmobilizados nossos, que saíam dos distritos de Ile e Lugela, na província da Zambézia, em direcção à base em Morrotone, portanto, saiam das suas casas desarmados, porque são pessoas civis, e porque desceram perto duma posição das fademos (FADM) e FIR de Morrotone, foram raptados e desapareceram até hoje. 
Resultado de imagem para mapa centro  moçambiqueE há três dias foram pegos elementos da população e desapareceram, sendo que neste momento os seus familiares estão à sua procura, na mesma posição de Morrotone, quase na EN1, perto do cruzamento que liga Ile à estrada nacional. Aqui mesmo na Gorongosa, tem havido problemas sérios, mas nós temos trégua para as pessoas andarem livremente. No entanto, aspessoas, a população em geral e simpatizantes da Renamo, eu não digo até membros da Renamo, quando chegam à vila Paiva (vila da Gorongosa) para comprar um saquito de farinha, com esta fome e tudo, são investigados. Perguntam-lhes onde é que levam esta comida, se esse saquito é para entregar a membros da Renamo, é-lhes arrancado tudo, são espancados, às vezes algumas famílias desaparecem. Isto é constante nestas zonas de Lourenço, de Nhataca e de Mucodza, zonas a leste da vila da Gorongosa e está a aborrecer muito a população. O mesmo acontece na sede do distrito de Tambara, já na província de Manica, em Nhacolo, em que tem sido também raptadas pessoas, nos bairros. É o caso de um professor no posto administrativo de Nhacafula, que foi morto por elementos das fademos (FADM) e da FIR e toda a população viu. Pegaram-no, mataram-no e o corpo desapareceu. Isto foi-nos reportado já na sexta-feira, da semana passada. São estas pequenas coisas, que deixam de ser pequenas, porque preocupam as pessoas e as populações ligam para mim, a dizer “presidente Dhlakama, afinal você deu trégua apenas para dar livre circulação às pessoas de negócios, enquanto polícias da Frelimo continuam a proibir a livre movimentação dos membros da Renamo ou da população, impedem-nos ter contacto com a Renamo”. Portanto, é este o problema e espero abordá-lo com o Presidente Nyusi, porque ele havia prometido que daria ordens para parar com essas coisas todas.
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Eu quero informar os membros do Governo, sobretudo a Polícia de Intervenção Rápida, mesmo as Fademos (FADM) e a Polícia da República de Moçambique (PRM), que esta trégua não foi feita apenas para facilitar os membros da Frelimo a andarem livremente, ou para as fademos (FADM) saírem de Maputo para Gorongosa e Nampula de carro. É para toda a gente andar, nisso os militares da Renamo não podem nem levar armas e ir passar perto da posição das forças da Frelimo. Porque há trégua, os homens da Renamo podem andar a civil também daqui para Beira, daqui para Maputo e, se forem apanhados no machimbombo, não podem ser sequestrados. É que parece que o Dhlakama deu a liberdade para Frelimo fazer e desfazer e as populações, membros, simpatizantes, comandos militares da Renamo já não se estão a sentir bem, estão a criticar-me. Questionam- me: “presidente, afinal o que é isso, nós não podemos andar na estrada, a Frelimo revista-nos e tudo. Nem podemos chegar numa vila e fazer compras livremente, afinal esta trégua foi para dar liberdade à Frelimo, enquanto membros da Renamo são sequestrados”. Portanto, quero apelar para que haja colaboração de facto, assim como já havia falado com o Presidente Nyusi para que colaborasse. Não estão a atacar as bases da Renamo, mas esta coisa de continuar a sequestrar membros da Renamo, lá em Morrotone (Zambézia), em Nhacolo (Tambara), mesmo em Guro e a prender as pessoas que vão comprar coisas na Gorongosa tem de acabar. Apelo aos dirigentes da Frelimo, para que tenhamos sucesso no presente e no futuro e criarmos a confiança. Ninguém quer derrubar a Frelimo, ninguém quer esconder um do outro, queremos é a paz para todos nós. Que os radicais da Frelimo dêem liberdade ao Presidente Nyusi, no esforço que ele está a tentar fazer e esperemos que os mediadores cheguem rapidamente para retomarmos com os pontos que estão na agenda e possamos concluir o acordo. Há coisas que podem ser concluídas até Março, mas outras questões podem se arrastar, e também criarmos um ambiente de harmonia e confiança junto dos parceiros, desde a cooperação internacional, todas essas dívidas e desconfianças de que Moçambique é um país para se matar. Mas nós não somos bichos, que andamos no mato a disparar de qualquer maneira. Quero apelar aos irmãos moçambicanos para que isso termine de uma vez para sempre, para que os moçambicanos andem à vontade e que os membros da Renamo saiam dos esconderijos, onde estão a fugir dos sequestradores e comecem a fazer as actividades políticas.
Resultado de imagem para dhlakama taipoA governadora de Sofala passou a trezentos metros de mim na Gorongosa, quando foi distribuir alimentos e foi até às posições das fademos (FADM) ver. Os membros da Renamo estavam a ver e a perguntar o que é isso, mas eu disse é a paz, deixem. O mesmo aconteceu em Morrumbala, onde o secretário da Frelimo, juntamente com o comandante provincial, saíram de carro de Quelimane, passaram por Nicoadala, Zero e tudo, zonas controladas pela Renamo, com os nossos homens a ver, mas eu ordenei que ninguém disparasse e que quem o fizesse seria preso. O mesmo aconteceu em Manica, onde saiu de carro, passou de Chiuala, Honde até Tambara, e dormiu lá e nem um tiro foi disparado. Mas é lá, em Nhacolo, Tambara, onde a Frelimo continua a sequestrar os membros da Renamo. Portanto, é isto, sei que não é fácil, mas comece a aprender e a corresponder também aquilo que a Renamo e o Dhlakama estão a fazer, porque para mim o mais importante é a paz, com essa paz de 60 dias, até Março, se tudo correr bem, será mais fácil assinarmos o acordo definitivo e motivar as pessoas.

O que vai acontecer finda a trégua?
Ao decretarmos essa trégua, pretendíamos, primeiro, dar paz às populações, homens de negócio para
passarem bem nas vias e também diminuir mortes, não só mortes provocadas nos ataques e emboscadas, da Renamo contra a Frelimo e vice-versa, mas também aquela doença que é nova em Moçambique, o sequestro dos membros da Renamo, outros a viverem no mato com medo de serem sequestrados, portanto, era para que tudo isso parasse de facto, que experimentássemos a paz para o
povo moçambicano e isso caiu bem, as pessoas estão a louvar essa iniciativa e até o povo quer que se prorrogue para além de 4 ou 5 de Março. O que eu posso responder é que essa trégua era para criarmos a paz, criarmos um ambiente de confiança, para que o diálogo entre a Renamo e o Governo fosse feito num ambiente da paz, sem stress nas cabeças das pessoas a negociarem aí em Maputo. Entretanto, não posso já dizer o que vai acontecer depois de Março, o que eu posso deduzir é que a espectativa de todos os moçambicanos é de ver a paz definitiva. 
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Estamos a tentar, de facto, que os mediadores internacionais cheguem mais depressa, para retomarem com os pontos da agenda e o ritmo em que se estava, para ver se até Março temos atingido ou concluído, não tudo, mas algumas coisas, porque as negociações são exactamente para podermos criar a paz eficaz, a paz definitiva e não essa paz de 60 dias, de quarenta dias, até Março. A paz só pode ser encontrada se as soluções forem encontradas na mesa das negociações, para a democratização do país, que a Renamo e o Governo da Frelimo entendam as diferenças. As diferenças podem existir, mas que haja o princípio da democracia, democratizar o país, que as eleições sejam livres, que as Forças Armadas técnicas e profissionais, a polícia técnica e profissional deixem de atacar as populações, de atacar a oposição, em particular a Renamo, e que olhemos para o país como nosso, com o princípio da democracia,  de que o povo é que pode escolher livremente os seus dirigentes. Se isso for encontrado na mesa das negociações, posso prometer-lhe que a paz permanente será encontrada em Moçambique.

Os mediadores anunciaram que só voltariam caso fossem solicitados pelas partes?
Eu acho que estamos a interpretar mal a afirmação dos mediadores. Nós temos contacto com eles, estamos a falar, pode faltar uma formalização, mas já não é preciso que se façam outras cartas para convocá-los, porque são mediadores. É claro que naquela altura saíram do país, houve impasse, um impasse provocado pela parte do Governo e por Jacinto Veloso que foi dizer que já não era necessário que os mediadores entrassem no grupo da descentralização e seria criada uma comissão mista. Criou um mal estar nas pessoas, mas espero eu, e estou a falar com o Presidente Nyusi, embora não abordamos efectivamente esta questão, que o Governo indique de facto aqueles que venham, e se calhar alguns podem começar a chegar no fim desta semana que começou. Portanto, tenho esperança que voltem, o que eu queria dizer é que não é preciso outras cartas, para os mediadores voltarem porque não foram expulsos, é claro que o Governo tem de dizer-lhes que venham, porque não podem entrar ilegalmente, mas continuam a constar nos termos de referência que são mediadores neste conflito entre a Renamo e o Governo e quero acreditar que hão-de voltar. Se voltarem de facto, o formato pode não ser todos na mesma sala a tratar um assunto, vai haver dois grupos, porque isso já não é um segredo. Um grupo irá tratar do assunto da descentralização da administração do Estado, com alguns da Renamo e do Governo e os mediadores, e um especialista nesta área da descentralização, será o subgrupo. O outro subgrupo encarregar-se-á por questões militares, isto é, a questão da defesa e segurança, também com alguns da Renamo, do Governo e da mediação e um especialista na matéria militar. Isso vai acontecer, não é segredo, está sendo falado, é claro que ainda não foram constituídos os grupos, para que de facto as coisas andem mais depressa.

Nas conversas com o Presidente da República, sente que ele está comprometido com este processo?
Bom, é uma tentativa. Ele é Presidente da República e líder da Frelimo. Tem seus planos e tem suas
Resultado de imagem para dhlakama nyusiideias, e eu sou da Renamo, tenho as minhas estratégias, também diferentes, mas nós todos somos moçambicanos. O que estamos a tentar fazer é aproximar as posições e nos conhecermos. Eu não conhecia o Nyusi e ele também não conhecia o Dhlakama. Dos dirigentes da Frelimo, eu conheci mais o ex-presidente Joaquim Chissano. Falávamos na altura, a seguir ao Acordo Geral de Paz. Com o antigo presidente, Armando Guebuza, falamos, mas poucas vezes. Agora, com este, estamos a tentar nos aproximar. Ele também tem dito que quer ser um Presidente diferente dos outros, porque quer também que a paz venha para ficar, mas, para tal, é preciso encontrarmos, nós os líderes, aquilo que divide os moçambicanos, aquilo que tem provocado sempre o conflitob militar e encontrarmos uma solução. Se nós não nos conhecermos e não nos falarmos, por mais que os nossos subordinados estejam na mesa das negociações podem não se entender porque os líderes, cada um tem a sua posição e a marcar passo. 
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Portanto, é um modelo que estamos a tentar, para aproximarmos, nos conhecermos, aliás, eu fiz isso com o ex-presidente Chissano antes do Acordo Geral de Paz em Roma, já falava com ele, em Botswana, Gaberone e mesmo lá em Roma, quando assinamos o acordo, já nos conhecíamos assim, dessa maneira, e é isso que eu estou a tentar fazer, estou a falar com ele. Mas não posso esconder, não sei se de facto irá cumprir, porque ele é membro da Frelimo, foi escolhido pela Frelimo para ser candidato e eu acho que, às vezes, não pode fugir muito da estratégia e a cultura da própria Frelimo. Mas pelo menos estou a tentar fazer, porque a paz é muito importante. E a paz só pode ser permanente, se a Frelimo concordar que as eleições devem ser livres e transparentes, que o povo deve decidir quem deve governar. Enquanto a Frelimo continuar a pensar que só cabe à Frelimo decidir quem pode governar, a paz será difícil de ser alcançada. É preciso democratizar Moçambique. É preciso que as instituições sejam realmente do Estado, democráticas, que não pertençam ao partido no poder. É isso que estamos a tentar, nos aproximar. Não é fácil. É um trabalho muito duro e muito complicado.