quarta-feira, julho 31, 2013

Deixou de ser um transtorno

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) passa a exigir o número de cartão de eleitor e a assinatura dos apoiantes das candidaturas, sem o seu reconhecimento pelo notário, para as eleições autárquicas de 20 de Novembro próximo. A decisão, que facilita o processo das inscrições dos partidos políticos, uma vez que antes era necessário o reconhecimento das assinaturas pelo notário, surge na sequência das reclamações feitas pelos partidos políticos ao CNE. A exigência da assinatura dos apoiantes constituía um entrave para as inscrições dos partidos políticos, visto que o número de fichas era elevado, segundo alguns partidos.
A informação foi tornada pública pelo presidente da CNE, Abdul Carimo, durante a cerimónia de abertura da sessão da plataforma de diálogo do CNE e os partidos políticos, onde explicou que a decisão foi tomada, com vista facilitar a vida dos partidos.
“Nós prometemos que traríamos, em momento oportuno, uma solução para esta questão. Discutimo-la internamente e decidimos ir pelo caminho dos partidos políticos", disse Carimo.
O representante do partido Frelimo, partido no poder, Morais Mabyeka, disse que a Frelimo louva esta iniciativa que, segundo ele, vem acautelar todas as dificuldades existentes e permite que todos os participantes as autárquicas tenham a possibilidade de participar. “Nós aprovamos isso, porque desde que o candidato tenha o Bilhete de Identidade (BI), com os seus dados, já não há nenhuma justificação”, disse a fonte.  José Manuel de Sousa, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), o segundo maior partido da oposição no país, disse também que o acto constitui um ganho para os partidos políticos.
“Foi uma petição feita por todos partidos políticos na reunião anterior. Aliás, o grande argumento que tivemos quando fizemos a petição é que nas eleições intercalares este pressuposto não foi tido em conta. Os proponentes não tinham que reconhecer as assinaturas”, afirmou Jose de Sousa.  “A questão de reconhecimento de assinatura criava grandes transtornos e levava os partidos políticos a movimentarem grande número de cartões de eleitores para os cartórios e isso, de facto, não era saudável”, sublinhou a fonte. O representante do MDM disse esperar que nas próximas eleições (legislativas e presidências) nao seja necessario o reconhecimento da assinatura dos proponentes. Quem não deixou de louvar a iniciativa foi o presidente do PIMO (Partido Independente de Mocambique), Yaqub Sinby. Na sua optica, esta é uma decisão que desburocratiza o processo eleitoral. “E é neste aspecto que gostaríamos de saudar a CNE. Compreende-se que ela é composta por pessoas experientes que estão cientes das inconveniências que o nosso país tem tido em relação a documentação das pessoas que estão a propor as suas assinaturas para o efeito eleitoral”, disse Sinby. 

quarta-feira, julho 10, 2013

O estrangeiro não é inimigo!

A Ministra moçambicana do Trabalho, Helena Taipo, disse  que os migrantes não devem ser vistos como pessoas que tiram emprego aos nacionais, mas sim como factor adicional para o crescimento das economias. Falando na abertura do Diálogo sobre Migração para a África Austral (MIDSA), que arrancou hoje em Maputo, Taipo disse que a migração laboral é um fenómeno real que veio para ficar, particularmente num mundo que se caracteriza por uma economia globalizada. “Na nossa região, a preocupação deve ser como enquadrá-los positivamente nas nossas agendas, porque um migrante 'e factor adicional para o crescimento das nossas economias”, afirmou a Ministra. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, no mundo, cerca de 214 milhões de pessoas vivem fora dos seus países de origem, o que representa mais do que o dobro das estimativas de há 25 anos.Na África Austral não existem estatísticas específicas sobre o fenómeno, mas sabe-se que a região tem sido um dos maiores focos de movimentos migratórios mistos, quer internacionais, quer inter-regionais, de migrantes oriundos, principalmente, do Corno de África e da Região dos Grandes Lagos.  “Em alguns casos, estes grandes fluxos migratórios representam, para os Governos da Região, uma ameaça à própria segurança, pois, alguns promovem o crime organizado e outros males associados”, disse a Ministra.A governante defendeu a necessidade dos estados membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) negociarem acordos de trabalho bilaterais e que façam uma revisão e avaliação das políticas, legislação e acordos existentes, como são os exemplos de Protoloco da SADC sobre a Facilitação de Pessoas e a Carta Social sobre os Direitos Fundamentais dos Trabalhadores.“Igualmente, mostra-se importante que os Estados membros investiguem a viabilidade da portabilidade das pensões e dos benefícios da segurança social e incorporar as suas cláusulas em todos os instrumentos e protocolos da SADC”, disse a Ministra.Ela destacou ainda a importância de se desenvolver um modelo para a transferência de remessas dos migrantes mais rentável e menos burocrático para os estados membros da SADC.Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), na SADC, os migrantes laborais, particularmente os migrantes irregulares, raramente usufruem dos mesmos serviços básicos que os trabalhadores locais. Eles trabalham frequentemente em condições exploratórias, pois aos governos nacionais lhes falta capacidade de aplicar leis contra a exploração.“Os fluxos de migração laboral bem geridos, a protecção dos direitos dos trabalhadores migrantes e respostas eficazes a uma migração irregular, podem resultar em benefícios mútuos para os migrantes e os Estados”, disse o director regional da OIM para África Austral, Bernardo Mariano.Mariano disse que a sua organização continua empenhada em promover a coordenação regional e o diálogo sobre a gestão da migração na região e, nesse sentido, o evento de dois dias que decorre em Maputo é parte desses esforços.Realizado sob o lema “Melhorar a Migração Laboral Intra-Regional para o Desenvolvimento Social e Economico da Região da SADC”, o encontro visa discutir deliberações que possam resultar numa melhor capacidade dos estados da SADC em abordar a migração de forma abrangente.

23% de pessoas acreditam na democracia

Os cidadãos moçambicanos têm um nível baixo de apoio à democracia no país, apesar desta realidade ter melhorado ligeiramente nos últimos anos.Esta é uma das constatações do inquérito de opinião pública sobre Qualidade da Democracia e Governação em Moçambique realizado pela organização Afrobarómetro, uma rede Pan-africana de pesquisadores e analistas de inquéritos de opinião pública que no pais é coordenado pelo Centro de Pesquisas sobre Governação e Desenvolvimento (CPGD).A pesquisa lançada hoje em Maputo mostra que, apesar da democracia ser o regime mais preferido pelos cidadãos em relação a qualquer outra forma de governo, o seu apoio ainda é fraco. “O baixo nível de comprometimento democrático dos cidadãos em Moçambique deve-se, em parte, provavelmente ao baixo nível do comprometimento das elites políticas pela democratização do país”, disse Carlos Shenga, pesquisador do Afrobarómetro Moçambique.Segundo Shenga, devido a essa falta de comprometimento, continua, por exemplo, a não ser o Chefe do Governo – que é igualmente o Chefe do Estado – a prestar contas ao parlamento, conforme manda a Constituição, mas sim o Primeiro-Ministro, que é assistente do Chefe do Governo.Por outro lado, Shenga disse que a composição da Comissão Nacional de Eleições e do Conselho Constitucional integra membros apontados pelos partidos políticos com base na sua representação parlamentar, o que reduz a imparcialidade desses
órgãos.Moçambique é abrangido pelas pesquisas da Afrobarómetro desde 2002 e os resultados em apreço são parte da quinta ronda do inquérito, realizado em 2012, e que envolveu um total de 2400 participantes de todo o país, entrevistados em cinco línguas, incluindo o Português (lingua oficial no pais).Falando a jornalistas sobre o inquérito, Shenga disse que apenas 35 por cento dos entrevistados dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a democracia no país e o nível daqueles que estão satisfeitos baixou significativamente de 2002 a 2012.Por outro lado, o nível de satisfação com a democracia daqueles que estão muito satisfeitos aumentou em 2005 e 2008, mas baixou em 2012.Os resultados mostram ainda que de 2005 a 2012 reduziu de 35 por cento para 23 por cento a percentagem de pessoas que acreditam que Moçambique vive uma democracia completa, enquanto aumentou de 13 para 23 por cento a percentagem referente àqueles que pensam que o país vive uma democracia com maiores problemas. A pesquisa mostra ainda que as liberdades de expressão e de filiar-se a uma organização política estão abaixo da metade e baixaram de 2008 a 2012. Enquanto isso, a liberdade de votar sem sentir-se pressionado está acima da metade.Apesar destas questões, os inquiridos entendem que o país já esteve numa situação pior, particularmente na altura do monopartidarismo, e prevêem uma melhoria do estágio da democracia no futuro.

Quem culpar?!

A recente interrupção da circulação de comboios da companhia australiana Rio Tinto no transporte de carvão mineral de Moatize ao Porto da Beira, no centro de Mocambique, resultou em avultados prejuízos financeiros aos cofres da Empresa Pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique- Centro CFM), segundo escreve hoje o jornal “Notícias” de Maputo, que, no entanto, não adianta cifras.A paralisação, levantada semana passada, aconteceu logo após que a Renamo, maior partido da oposição do país, anunciou a sua intenção de bloquear a linha férrea de Sena e o perímetro Muxúnguè-Save, na Estrada Nacional Número Um, alegando que as vias estavam a ser usadas para o transporte de homens e material bélico das forcas de defesa e seguranca para cercar a base daquele movimento armado em Gorongosa.Por isso, a Rio Tinto decidiu unilateralmente paralisar todo o seu tráfego semanal de uma média de oito locomotivas, enquanto a companhia brasileira Vale manteve a circulação entre 28 e 30 comboios. Os próprios CFM - Centro operavam de forma condicionada.“Como autoridade do Sistema Ferroviário da Beira (formado pelas linhas de Sena e Machipanda), sempre mantemos as vias abertas, sendo que os comboios dos CFM e Vale nunca pararam”, disse o director executivo dos CFM-Centro, Cândido Jone, revelando em seguida que a redução do fluxo dos comboios foi de uma média de 12 para oito unidades na linha de Sena.Este facto obrigou igualmente ao abrandamento da velocidade das composições o que no final do dia teve repercussões no número de viagens efectuadas.“Por isso mesmo, os prejuízos financeiros são enormes, porque a Rio Tinto parou de andar no dia 20 de Junho e retomou a 4 de Julho. Foram 14 dias em que apenas circulavam locomotivas de CFM e da Vale"- sublinhou Jone.Sobre as reais causas que ditaram a inactividade de Rio Tinto no escoamento deste recurso durante duas semanas completas, contactos encetados pelo Jornal junto àquela companhia foram infrutíferos.O transporte de carvão mineral de Moatize até ao Porto da Beira é feito diariamente na linha de Sena nos sentidos ascendentes e descendente por uma média de seis "comboios-tipo" formados cada por duas locomotivas através de uma composição de 42 vagões.As metas da exportação deste mineral para este ano estão fixadas em seis milhões de toneladas.

"Querem sabotar o país" - palavras do Presidente da Republica

Um novo esquema sobre a forma como o Ministério moçambicano de Educação (MINED) terá sido delapidado, pelo menos no ano passado, acaba de chegar ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), o que atrasou o envio do processo ao tribunal. Um relatório de sindicância da Inspecção das Finanças entregue ao Gabinete aponta que parte dos montantes ilicitamente sacados do ministério em 2012 saiu alegadamente para o pagamento de professores estrangeiros.O porta-voz do MINED, Eurico Banze, segundo a Radio Moçambique, escusou-se, esta segunda-feira, a indicar as áreas de ensino nas quais estão afectos os docentes estrangeiros usados para a delapidação da instituição.Bernardo Duce, porta-voz do GCCC, revelou que o documento remetido aponta que os valores retirados para aquele fim, pelo menos no ano passado, estão muito acima das reais necessidades.A ideia daquela repartição da Procuradoria-Geral da República, segundo Duce, era ter enviado o processo ao tribunal durante o mês de Junho, mas que o relatório das Finanças, uma autoridade na matéria, possui informações que não devem, de forma alguma, ser ignoradas.Nesse sentido, o Gabinete está a cruzar os dados que produziu com os do relatório da Inspecção das Finanças, na perspectiva de que, uma vez o processo enviado ao tribunal, não haja necessidade de se solicitar uma nova investigação para esclarecer eventuais dúvidas. A fonte, que segunda-feira falava em Maputo no “briefing” mensal da instituição com a Imprensa, não revelou os montantes ilicitamente desviados por um grupo de indivíduos sob a capa de estar-se a pagar salários de professores estrangeiros ao serviço de Educação no país. O desfalque registado no MINED foi descoberto em Novembro do ano passado e até ao momento não se sabe efectivamente quando é que começou, muito menos os valores fraudulentamente retirados.Informações já avançadas pelo GCCC indicam que o grupo de envolvidos inclui, para além de funcionários públicos, pessoas que nada têm a ver com o Aparelho do Estado.

terça-feira, julho 02, 2013

Malawy bate na cruise energética

O governo malawiano anunciou que está numa fase avançada de negociação de financiamentos para a implementação do projecto de interconexão eléctrica com Moçambique.Em Abril último, os dois países assinaram um acordo sobre o projecto que ficou muitos anos em ‘banho-maria’, que irá permitir o acesso do Malawi a rede eléctrica regional ao qual está interligada a maioria dos países da região.Citado pela agência de notícias Nyasa Times, o Ministro da Energia, Ibrahim Matola, disse que o governo do seu país está actualmente em negociações avançadas com financiadores do projecto e logo após a sua conclusão, a matéria será submetida para a apreciação do parlamento.“Deve-se assegurar ao público que o acordo de interconexão eléctrica com Moçambique será materializado porque agora estamos a finalizar os acordos com os financiadores “, disse o governante.“A energia é o elemento mais crucial de desenvolvimento e de atracção de investidores para o Malawi. Se resolvermos 70 por cento dos nossos desafios energéticos iremos facilitar as transacções comerciais e aumentar a produção industrial e assegurarmos, deste modo, que também sirvamos o mercado de exportações e reduzirmos os actuais altos custos de energia”, acrescentou ele.Inicialmente, este projecto contava com o financiamento do pelo Banco Mundial num total de 58 milhões de dólares americanos, dos quais 31,75 milhões para o Malawi e o remanescente para Moçambique.Contudo, o avanço do projecto foi preterido pelo falecido Presidente Bingu wa Mutharika, alegando que o mesmo só beneficiaria Moçambique. Mas a iniciativa foi resgatada pela Presidente Joyce Banda, considerando-o fundamental para ultrapassar a actual crise energética que se vive naquele país.

A todo o vapor por um Acordo Político!!!

A Comissão Permanente da Assembleia da  República aprovou esta segunda-feira a primeira quinzena de Agosto como período da sessão extraordinária que irá debater vários assuntos candentes do quadro sócio-político moçambicano. O Pacote Eleitoral, agora debatido entre o Governo e a Renamo não consta do rol das matérias aprova das para a sessão, mas sabe-se que é um dos temas principais a serem debatidos e que forçou o agendamento da sessão extraordinária. Esta sessão, a decorrer de 01 a 15 de Agosto, foi agendada para se debater e aprovar “em definitivo” o rol de matérias que estão a ser tratadas em sede das negociações entre o Governo e a Renamo, que precisam passar pelo crivo parlamen tar. Tal é o caso do Pacote Eleitoral que havia sido aprovado na ausência da Renamo na sala de sessões.A sessão extraordinária terá, segundo o rol de matérias a que tivemos acesso, oito pontos, nomeadamente: (1) Orçamento Rectificativo, (2) o Estatuto do Médico, (3) o Código Penal, (4) Estatuto de Prestador  de Serviços Cívicos, (5) a Lei do Conselho Superior da Magistratura Judicial Administrativa, (6) a Lei da Jurisdição Administrativa, (7) Projecto de Lei de Acesso à Informação e um último ponto que continua em aberto e que depende, segundo Katupha, das propostas da Renamo que ainda estão por serem apresentadas em sede da Comissão permanente. Katupha deu a entender que a Lei Eleitoral é uma das matérias a serem submetidas. “É muito provável que a Lei Eleitoral seja debatida”, disse. Segundo o porta-voz da Comissão Permanente, o deputado da Frelimo, Mateus Katupha, foi a  chefe da bancada da Frelimo, Margarida Talapa, quem propôs que  as matérias que estão a ser debatidas nas negociações fossem debatidas nesta sessão extraordinária Mateus Katupha disse a jornalistas que a Comissão Permanente  deu tempo à Assembleia da República para organizar os pontos e apresentá-los ao Parlamento, de modo a que as mesmas matérias sejam debatidas. “Não posso precisar o tempo que a Renamo terá mas deve apresentá-los a tempo de serem debatidas”.
Contrariamente ao que foi avançado em conferência de Imprensa pelo porta-voz da Comissão Permanente da Assembleia da República, Mateus Katupha, a chefe da bancada da Renamo, Maria Angelina Enoque, diz que a inscrição de nova matéria no ponto deixado em aberto não depende da Renamo, mas, sim, do acordo político que virá (ou não) das negociações entre a Renamo e o Governo.O facto é que a Renamo sempre disse que não aceitava depositar de forma singular as propostas no Parlamento porque a bancada parlamentar da Frelimo nunca aprovou submetidas. “É muito provável que a Lei Eleitoral seja debatida”, disse. Segundo o porta-voz da Comissão Permanente, o deputado da Frelimo, Mateus Katupha, foi a chefe da bancada da Frelimo, Margarida Talapa, quem propôs que as matérias que estão a ser debatidas nas negociações fossem debatidas nesta sessão extraordinária. qualquer proposta vinda da oposição, por mais mérito que a proposta  tivesse. Mas o porta-voz da Comissão Permanente veio dizer que foi  concedido um tempo para a Renamo organizar a matéria relativa ao ponto 08. A chefe da bancada da  Renamo disse que  não pediu tempo nenhum e também não foi concedido tempo nenhum, porque quem vai depositar as propostas que irão corporizar o ponto número oito não é a Renamo, tal como disse Mateus Katupha, mas, sim, as duas delegações negociais.  A líder parlamentar da Renamo explicou, em exclusivo, que neste momento a divergência tem que ver com o acordo  político, porque, segundo explicou, o chefe da delegação do Governo disse pela primeira vez que os pontos que a Renamo colocou eram pertinentes e actuais. “É preciso que se rubrique a nível do grupo que está a negociar o acordo político. Uma vez rubricado, a bancada remete matéria a debate com base no acordo”, disse. Angelina Enoque negou categoricamente que o assunto seja da inteira responsabilidade da Renamo. “Se o ministro já disse que a nossa preocupação em relação à legislação eleitoral é justa, então vamos assinar um acordo onde concordam com a nossa proposta e levamos o acordo ao Parlamento para que a proposta seja aprovada”, disse. Para a Renamo, sem acordo político nada vai avançar porque cairá na tradicional rotina da Frelimo de reprovar tudo que vem da oposição. “Pensamos que as negociações terminam com um acordo em que as partes assinam”. No dizer da chefe da bancada da Renamo, “a bola não está do lado da Renamo. O porta-voz da comissão fala de tempo dado à Renamo, mas isso é uma mentira porque a Renamo nem sequer falou de tempo. Não foi dado tempo nenhum à Renamo, porque não precisa de tempo para solicitar. O tempo está na mesa das negociações ”. A posição da Renamo visa evitar aquilo a que a chefe da bancada apelidou de “debate de humilhação”, daí estar tudo dependente das negociações e não do alegado tem po. “As negociações é que devem produzir um acordo político. Se as negociações não derem em nada o ponto 08 cai e não é discutido. O ponto está ali à espera do acordo político. A única coisa que disse foi para se inscrever o ponto 08 e ficarmos à espera do acordo político. Assim que for rubricado submeteremos ao Parlamento. Este ponto não pode entrar na Assembleia sem acordo político porque não nos interessa um debate para sermos humilhados”, esclareceu Enoque. (M.Guente)

quarta-feira, junho 26, 2013

"A tendência do ofendido é de atacar"

O antigo presidente da República, Joaquim Chissano, disse nesta terça-feira em Maputo que a actual situação de tensão político-militar que se vive no País está a colocar em causa a paz conquistada e mantida por 21 anos.Chissano, que falava momento após as cerimónias oficiais das comemorações do 38.º aniversário da independência nacional, disse que se fecharmos os olhos à actual situação a paz será definitivamente colocada em causa.Num outro desenvolvimento, o ex-presidente da República disse que a solução de qualquer erro, dificuldade ou diferenças políticas não pode ser por via de destruição daquilo que já foi construído tal como está a acontecer neste momento.“Devemos reforçar as nossas relações de cidadãos irmanados do Rovuma ao Maputo. E para que isso aconteça, é importante que cada um se prepare internamente para poder levar este combate que na minha opinião considero difícil porque uma pessoa que se sente ofendida a sua tendência é de atacar as outras pessoas quer por vias de palavras ou por outras acções agressivas. Mas, quem souber conter sua ira, raiva ou insatisfação pode encontrar formas de melhor resolver os problemas que o aflige", sublinhou o ex-chefe de Estado moçambicano. (R. Moiane)

"Não é por cair um pingo de chuva que há cheias"

O Presidente da República, Armando Guebuza, apelou hoje aos moçambicanos para não se sentirem desesperados com o actual clima de tensão que se vive no país, onde homens armados atacam e matam civis e agentes das forças de defesa e segurança.Falando a jornalistas, em Maputo, por ocasião da passagem hoje de 38 anos após a proclamação da independência nacional, Guebuza considerou essa situação como um teste à determinação dos moçambicanos de continuarem unidos na construção do país e na luta contra a pobreza.“Algumas pessoas não somente são impacientes, o que é óbvio, mas ficam desesperadas e pensam que tudo acabou. Mas mesmo na vida de cada indivíduo há períodos em que as pessoas são testadas na sua determinação de fazer as coisas. E ao serem testadas devem provar que, efectivamente, acreditam nos princípios e na sua determinação de vencer o sofrimento e a pobreza e fazendo isso sobretudo garantindo que haja paz”, disse Guebuza.Nas últimas semanas, mais de uma dezena de cidadãos e agentes das Forças de Defesa e Segurança foram mortos em ataques perpetrados na província de Sofala, centro do país, por homens armados que se acredita serem da Renamo, que é também a maior força da oposição no país.O último ataque ocorreu na semana passada, tendo como alvo um paiol das Forças Armadas de Moçambique no distrito de Dondo, na província central de Sofala, cujo saldo foram sete militares foram mortos e equipamento militar roubado. Dias depois, começaram outros ataques a civis ao longo da Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço Rio Save/Muxúnguè, onde até agora a circulação é feita com a protecção de uma escolta das Forças Armadas.Para Guebuza, o registo de incidentes isolados no país não pode ser interpretado como o fim da paz em Moçambique. “O governo permanece firme na sua determinação de, por via de diálogo, encontrar resposta a estas questões”, sublinhou o estadista moçambicano.A acção armada da Renamo, que mantém homens armados nas suas bases desde a assinatura do acordo geral de paz em 1992, é interpretada como uma forma de pressão ao governo para responder positivamente as suas exigências nas negociações em curso no país já há alguns meses.A principal exigência da Renamo nessas negociações é a alteração da lei eleitoral – já em vigor – de modo a assegurar uma representação por igual dos partidos políticos na Comissão Nacional de Eleições (CNE). A lei passou em Dezembro último sem o voto a favor na Renamo no parlamento.Contudo, ainda persiste um impasse no diálogo entre a Renamo e o governo, o que para muitos significa a continuidade ou alastramento do clima de violência no país. Guebuza apela à paciência da sociedade, dada a complexidade do diálogo entre as partes.Sobre a necessidade de um encontro urgente com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, para discutir e resolver a actual situação política do país, Guebuza esclareceu que sempre esteve aberto para o diálogo.
O estadista moçambicano afirma que o mesmo não sucede com Dhlakama que “escapa sempre”.
Questionado se a actual situação do país não fragiliza o seu papel na mediação de conflitos na Comunidade de Desenvolvimento a África Austral (SADC), que Moçambique detém a presidência rotativa, Guebuza respondeu “penso que não”.“Não devíamos ver em cada incidente ou cada acidente no percurso como pondo em causa tudo aquilo que é fundamental. Caso contrário, bastava cair um pingo de chuva para pensarmos que teremos cheias. Não é isso. Nós não estamos desanimados. Nós acreditamos que vamos resolver o problema e que o papel de Moçambique na SADC e no mundo permanece o mesmo”, explicou. 

Nenhum operador sobrevive face a intraquilidade

O presidente da Autoridade Tributária de Moçambique (ATM), Rosário Fernandes, adverte que as ameaças e os ataques da Renamo, o maior partido da oposição no país, poderão afectar o processo de arrecadação de receitas para os cofres do Estado. Segundo o dirigente, no ano passado foram alcançados 98,6 mil milhões de meticais (cerca de 3,3 biliões de dólares ao câmbio corrente) de receitas prevendo-se que, este ano, esta cifra se mantenha ou seja superada.O jornal “Noticias”reporta que Fernandes fez esta advertência sexta-feira última quando se dirigia aos tradicionais operadores do Porto da Beira que garantem o trânsito de mercadorias de e para o Zimbabwe, Zâmbia, Malawi e RDCongo com os quais se reuniu para juntos
abordarem matérias relativas à implementação da Janela Única Electrónica (JUE).Aquele responsável reagia assim aos últimos desenvolvimentos políticos no país caracterizados por alguma instabilidade na sequência de ameaças e ataques da Renamo numa altura em que decorre um diálogo entre as partes para a aproximação das diferenças.Aliás, o impacto na economia moçambicana já é visível na região centro, onde centenas de pessoas interessadas em seguir as suas viagens, quer para o sul quer para o norte de Moçambique, são forçadas a permanecer na sede do posto administrativo de Muxúnguè, província central de Sofala, a espera da oportunidade de prosseguir. A par disso, um elevado número de camiões carregados de mercadoria diversa, viaturas particulares, autocarros e “mini-buses” de transporte de passageiros formam enormes filas que chegam a atingir entre um e dois quilómetros, à espera da oportunidade de passar uma vez que a circulação só é feita no período diurno, ou seja, o trânsito cessa depois das 17.00 horas. O clima de instabilidade que se instalou na região centro de Moçambique também está a afectar escoamento do carvão na Linha de Sena, que liga a região carbonífera de Moatize, na província de Tete, ao porto da Beira, em Sofala, particularmente no período nocturno. Como consequência, reduziu de seis para três a circulação diária dos comboios transportando carvão mineral ao longo da Linha de Sena. “Temos que ter as nossas vias de comunicação livres de instabilidade com infra-estruturas sólidas. Queremos que haja uma comunicação plena do sul, norte e no “hinterland”. Quando o comércio, a agricultura, indústria estão parados isso provoca um colapso económico e Moçambique é exemplo no mundo na estabilidade económica. Os cidadãos devem circular livremente e os agentes económicos praticarem negócios como direitos inalienáveis consagrados na constituição da República que não podem ser postos em causa por ninguém”, recordou o presidente da ATM. E mais do que isso, no seu dizer, o factor humano é essencial para o trabalho em condições de estabilidade na livre circulação de pessoas e bens no nosso país e em toda a região da África Austral e não só. Reafirmou que nenhum operador económico, seja ele qual for, fica tranquilo quando as vias de comunicação estão fechadas. “Mesmo dentro da própria cidade, quando há covas, não há energia e água é motivo de preocupação. Quando o comércio, agricultura e indústria estão parados as famílias também estão paradas”- concluiu o presidente da ATM.Sustentou que Moçambique é um dos exemplos no mundo de estabilidade política cuja experiencia é replicada internacionalmente.

O constitucionalista de que Moçambique precisa

Numa altura em que é unânime a ideia de que o diálogo entre o Governo e a Renamo está feito uma espécie de “conversa entre surdos e mudos” sem resultados palpáveis, Joaquim Mulémbwè, antigo presidente da Assembleia da República, apela à honestidade de ambas as partes para que as conversações produzam resultados palpáveis.Falando, na Praça dos Heróis, o antigo número um do parlamento moçambicano disse que a actual situação política do País não é boa. “Todo o moçambicano de bom senso vê para aquilo que acontece como sinal de algo que não está bem no nosso País”. Para Mulémbwè, é importante usar as celebrações da independência nacional para reflectir sobre o que não está bem no nosso País. “Devemos fazer das celebrações do dia da independência um momento de reflexão que traga caminhos para resolução do problema que temos hoje”.Sobre as convulsões político-militares que se registam no centro do País, aquele membro sénior do partido Frelimo disse que é preciso procurar caminhos que garantam uma paz efectiva, “uma paz verdadeira e duradoira”. Para se atingir esse desiderato, segundo disse o antigo procurador da república, é preciso que ambas as partes cedam e sejam honestas nas negociações. “Tudo passa necessariamente, na minha opinião, por um processo que se parece com a mortificação. Cada uma das partes deve saber perder para que dessa morte possamos ressuscitar todos. É preciso um diálogo franco e honesto, para que o povo volte a sentir a paz”, disse Mulémbwè. (M. Guente)

quinta-feira, junho 20, 2013

É de se tirar o chapéu!!!

O Conselho Municipal de Inhambane, sul de Moçambique, está a investir perto de três milhões de meticais, cerca 100 mil dólares, na construção de um parque infantil nos arredores da cidade, um tipo de infraestruturas que tendem a escassear nas cidades do país.O referido centro está em construção no bairro Malembuane, arredores da cidade, e a sua primeira fase foi inaugurada , como parte das celebrações do Dia da Criança Africana, que este ano decorre sob o lema “Eliminar práticas sociais prejudicais à criança é responsabilidade de todos nós”.Até ao fim das obras, que se prevê seja em 2014, o Centro Infantil Maria da Luz Guebuza deverá ter, além do campo polivalente, palco e local de jogos - hoje inaugurados -, um aquário, escorregadio, baloiços giratórios, entre outras facilidades.Falando na ocasião, o edil de Inhambane, Benedito Guimino, disse que esta infra-estrutura deve-se ao comprometimento da sua instituição para com a causa da criança.“Ainda este ano, vamos construir um outro parque maior que este no bairro Muelé Expansão”, disse Guimino, eleito Presidente do Município de Inhambane nas eleições intercalares de Abril do ano passado, realizadas para fechar a vaga deixada pelo falecido edil Lourenço Macul.

quarta-feira, junho 19, 2013

Alas sabotam fornecimento de água

Um grupo de residentes da cidade de Chibuto manifestou hoje a sua insatisfação com o Município local por, alegadamente, não estar a resolver os vários problemas, particularmente a falta de água, que enfermam aquela urbe da província de Gaza, sul de Moçambique.  O problema foi levantado durante uma reunião popular no bairro 25 de Junho, arredores de Chibuto, dirigida pela Primeira-Dama moçambicana, Maria da Luz Guebuza, que iniciou uma visita de trabalho a província de Gaza na segunda-feira. 
“É bom não enganarmos as pessoas, porque não há nenhuma bomba de água aqui”, disse Adriano Hermenegildo, residente local que pediu a palavra para desmentir o discurso apresentado minutos antes pelo edil local, Francisco Manjate, referindo que o seu manifesto eleitoral foi realizado em 95 por cento.
“É doloroso mentirem para nós, quando até chegam a fechar os vidros dos carros e não querem saudar aqueles que votaram em vós”, acrescentou Hermenegildo, fortemente ovacionado pela multidão presente no evento. Entretanto, na mesma reunião, outras pessoas pediram a palavra para refutar as declarações de Adriano Hermenegildo, afirmando serem visíveis os esforços da edilidade em resolver os problemas da cidade, incluindo o abastecimento de água.Américo Machava e Gilda Wate, residentes de Chibuto, disseram estarem em curso obras que visam o abastecimento de água aos vários bairros da cidade. Machava disse ainda que existem poços em muitos bairros do Município que garantem o fornecimento de água à população local.
Um jornalista da AIM no local disse que, normalmente, a cidade de Chibuto debate-se com problemas de abastecimento de água, mas sublinhou haver um aproveitamento político desta crise.Explicou que existem facções no seio do partido no poder que não querem a continuidade do actual edil como candidato para as eleições autárquicas de 20 de Novembro próximo, razão pela qual decidiram enveredar por uma campanha para manchar a sua imagem.“O que acontece é que já há obras em curso, mas as mesmas chegam a ser alvo de sabotagem por parte dessas pessoas. Neste momento, há pessoas que se encontram detidas por terem sabotado as obras de abastecimento de água”, disse a fonte.

Presidente tomou uma posição de estadista

O governo moçambicano tranquiliza e assevera que o assalto perpetrado na madrugada de Segunda-feira a um paiol das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) no posto administrativo de Savane, distrito de Dondo, na província central de Sofala, não vai i
nviabilizar o diálogo em curso com a Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique.O governo e a Renamo encontram-se envolvidos num diálogo, a pedido desta formação política, para discussão de uma agenda que inclui quatro pontos, nomeadamente um novo pacote eleitoral, despartidarização da administração do Estado, matérias relativas a defesa e segurança e questões económicas.O ataque resultou na morte de pelo menos cinco membros das forças de defesa e segurança de Moçambique. 
Esta posição foi manifestada pelo porta-voz da 19ª sessão do Conselho de Ministros ocorrida (18) em Maputo.
“A vontade do diálogo do governo e a vontade de manter a situação de estabilidade política que prevalece no nosso país não vai ficar afectada por essa acção irresponsável, por essa acção injustificada levada a cabo pela Renamo”, disse Gabriel Muthisse, porta-voz do encontro.“Nós vamos nos encontrar com a Renamo na Segunda-feira para as sessões de diálogo”, acrescentou. Questionado sobre as razões que levaram o governo a atribuir o referido ataque a Renamo, Muthisse arrolou uma série de eventos ocorridos em Moçambique nos últimos anos.
“O percurso deste partido, as ameaças que vem proferindo ao longo dos últimos meses, até diria ao longo dos últimos anos, os antecedentes de Muxúnguè e de outros locais e tentativas, que se assistiram nos últimos meses, de concentração de homens armados em vários locais do nosso país o ‘modus faciendi’ tudo isso nos mostra que esta é uma acção da Renamo. Não existe uma outra entidade que possa ter levado esta acção”, disse Muthisse, que também desempenha as funções de vice-ministro das pescas.Segundo o governante, acresce o facto de aquele antigo movimento rebelde manter homens armados nas suas bases ou nas suas sedes. O governo afirma ainda que nos últimos anos a Renamo tem estado a incitar de maneira muito activa a situações de violência e de ódio no seio da sociedade moçambicana. Para o governo, este ataque completamente injustificado a uma posição das forças de defesa e segurança em Savane é o corolário de todo este processo de ameaças e de incitação a violência que a Renamo tem estado a fazer.


O comandante da PRM em Sofala, Joaquim Nido, disse ontem que não há dados que evidenciem que foram os homens armados da Renamo que assaltaram o paiol de Savane e preferiu falar de perturbação à ordem pública.“Em nenhum momento conseguimos identificar se são indivíduos que pertencem a uma formação política como a Renamo. É mais um caso de perturbação à ordem pública, daí que apelamos à calma da população de Sofala”, disse Joaquim Nido. Mais cauteloso, o presidente da República reagiu a partir de Niassa, onde se encontra em presidência aberta. Armando Guebuza não acusou a Renamo nem mesmo chegou a falar desta formação política.

segunda-feira, junho 17, 2013

Depois de 20 anos de paz,militares irritam-se

O jornal Canalmoz acaba de confirmar que cerca das 03 horas da madrugada de hoje, homens armados atacaram um Paiol das FADM na estrada de Inhaminga, na província de Sofala para se apoderarem de armamento ligeiro e pesado ali armazenado. Fonte do Hospital Central da Beira confirmou ao repórter da Delegação do Canalmoz naquela cidade que deram entrada no banco de socorros, cinco mortos das forças militares do Governo e dois feridos graves. O porta-voz do Hospital de Central da Beira que se identificou apenas como Jamal acrescentou que os mortos e feridos eram provenientes de Muanza, uma vila ferroviária na Linha de Sena que serve de escoamento ao carvão de Moatize, em Tete. Em Muanza, a cerca de 80 quilómetros da Beira existe uma importante pedreira de calcário que é vital para o funcionamento da fábrica de cimentos do Dondo, mais conhecida por Nova Maceira.
Os comboios da Vale Moçambique e da Rio Tinto estão paralisados a noroeste de Muanza, os descendentes, e entre Muanza-Dondo e Beira, os ascendentes, segundo fontes na Beira que não querem ser identificadas.
Mateus Mazibe, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, disse ao nosso repórter na Beira que não confirma nem desmente que tenha havido qualquer incidente na zona entre Savane, localidade que se situa a cerca de 30 quilómetros do Dondo, e Muanza. Muanza, o local citado pelo porta-voz do Hospital Central da Beira como sendo a proveniência dos cinco mortos e dois feridos que deram entrada naquela unidade de saúde, situa-se a 80 kms do Dondo. Na Beira, na delegação provincial da Renamo em Sofala, o chefe do Gabinete do Delegado, Jorge Mussa Mutita disse  que não dispõe de qualquer informação sobre o incidente já confirmado há momentos pelo porta-voz do Hospital Central da Beira ao nosso correspondente na Beira, Adelino Timóteo. Fontes informais devidamente identificadas reportaram  que houve dois ataques a depósitos de armamento militar, o primeiro às 03 horas e o último às 11 horas desta manhã, mas fontes oficiais apenas admitem ter havido um ataque ao Paiol das FADM, entre Derunde e Muanza, para onde foram transferidos os artefactos do ex-Paiol de Inhamizua, na Beira, que há uns anos explodiu e ardeu. No Dondo e na Beira – cidades que distam entre si cerca de 30 quilómetros – fontes civis com familiares na zona de conflito, disseram que os seus parentes abandonaram a zona em debandada, tendo o mesmo acontecido com os efectivos policiais e militares ali estacionados. A zona afectada abrange Savane, a 20 de Milhas do Dondo, Galinha, Derunde e Muanza (80 kms do Dondo).Na Beira reina agora uma grande instabilidade militar e policial, segundo o nosso repórter.  Confirmar que no Quartel de Matacuane, das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) há “grande agitação” e o mesmo acontece no centro da cidade, no Quartel da FIR, ao lado do Conselho Municipal da Beira onde foram vistos blindados a circular.Ainda nenhuma fonte da Renamo assumiu a responsabilidade do ataque, mas tudo indica que foram homens armados desta organização que empreenderam o assalto ao Paiol, às 03 horas da manhã de hoje. Quanto ao ataque ao segundo paiol, que se diz ter ocorrido cerca das 11 horas desta manhã, não há fontes fidedignas que o confirmem. Na delegação provincial de Sofala o chefe do Gabinete do Delegado da Renamo disse que o delegado e o porta-voz estão junto com o presidente da Renamo no distrito da Gorongosa. (A. Timóteo na Beira)

quinta-feira, junho 13, 2013

Mas por que razão há greve e só agora?

Junto-me às diversas vozes que concordam que os médicos deviam voltar aos hospitais públicos. Ninguém nega que os grevistas (médicos, enfermeiros, serventes, maqueiros, técnicos de laboratórios) tenham razão em relação aos pontos que constam do(s) seu(s) caderno(s) reivindicativo(s). Também ninguém não sabe que o Governo não tem capacidade para responder cabalmente às exigências feitas. O ponto essencial do caderno parece que tem a ver com o salário que se aufere.      Por aquilo que nos deixam transparecer através das vozes que aparecem nas câmaras de televisão, umas identificadas outras não, os médicos recebem há 20 anos 2500 meticais mensalmente! Ou seja, qualquer pessoal da Saúde é médico! Parece estranho, mas a percepção lógico-cultural do que é médico nesta pérola dos recursos minerais é essa. Está enraizada nas nossas línguas. Por isso quando nos dirigimos ao hospital temos esperança de “kuvoniwa hi dokodela=dotori”, ou seja, ser visto pelo médico. Afinal o nosso “dokodela” (médico) recebe só 2500? A outra lógica, que convém dizer que é da minoria, advoga que existem diferentes áreas, escalões e carreiras dentro da Saúde que se manifestam claramente pelas diferenças salariais visíveis na tabela. Um dos grandes factores penso que deve ser curricular. Quantos anos a pessoa fez greve individual, ou seja, ficou positivamente nos bancos escolares? Outro deve ser o de chefia. Como nem todas as pessoas têm as mesmas habilitações literárias, ou propensões naturais para a chefia, então o salário é diferente...
Há quem diga que esta greve é consequência da falta do diálogo entre o Governo e os demais sectores, outros ainda vêem a dificuldade do Governo em pôr ponto final a este “vukuvuku” por ter descoberto que afinal se trata de greve de todo o sector público, se calhar excluindo o sector da Autoridade Tributária. Mas por que razão há greve e só agora?
As respostas não são simples e é provável que sejam históricas: as expectativas que as pessoas tinham quando se alcançou a independência não se sabe se foram satisfeitas. Houve grande euforia como em qualquer parte do mundo quando se alcançou a liberdade e os discursos de então alimentaram mais esperanças. Houve guerra. Os discursos de esperança foram alimentados para o período pós-guerra. Terminou a guerra. Os discursos de esperança foram renovados para o período pós-reconstrução. O povo trabalhador definiu prazos do período pós-reconstrução. Resultados: Mais discursos que apontam para um bem-estar depois do funcionamento pleno dos mega-projectos. Partiu-se o copo. Tudo coincide com os efeitos da crise financeira. Acho que o Governo está a defender mãos vazias quando não informa o seu digníssimo POVO maravilhoso que está a ser sacudido pela CRISE.
No fundo, o Governo do Presidente Guebuza dialoga com o seu povo. Se fizermos comparações injustas, uma vez que os tempos são diferentes, pode-se concluir que este Chefe do Estado dialogou mais com o povo que os seus antecessores. Isso é simples, basta analisar quantas presidê
ncias abertas foram feitas, quantas sessões alargadas ele orientou, quantos Conselhos de Ministros, reuniões alargadas aos governadores, administradores, chefes de postos, chefes de autoridade local, religiosos, líderes políticos, corpo diplomático, jornalistas, desportistas, professores, engenheiros, polícias, soldados, pescadores, camponeses... para dissipar-se a ideia de que não há diálogo. Mesmo os que são chamados mabandido têm o privilégio de dialogar com o Chefe do Estado nos comícios populares e até dão sugestões. Quando o Presidente pergunta à população que procedimentos devem ter quando encontram um “criminoso”, eles respondem que deve ser levado à Polícia e não deve sofrer qualquer agressão e que depois deve ser liberto. Que o diga o comandante Khalau! Esse lado dos bandidos é interessante que a greve!
Como propostas para se pôr fim ao problema devem ser estudadas formas de uniformizar o salário na função pública e remunerações pagas em função não só do nível académico, mas também da componente saber fazer com competência. Deve-se reforçar a ideia de abertura de machambas para a produção de comida a nível das famílias. Reforçar-se a ideia de matricular os filhos nas escolas públicas. Reforçar-se e concertar-se o “barulho” ao Governo em definir uma política clara sobre transporte, produção de comida, trabalhos voluntários. Reforçar-se a capacidade governamental de interpretar, compreender e divulgar os resultados dos inquéritos/censos realizados pelo Instituto Nacional de Estatística. Reforçar a capacidade governamental na compreensão dos resultados dos modelos económico-sociais sugeridos por estudiosos moçambicanos. Responsabilizar todos os funcionários públicos, definindo parâmetros das suas actividades. Orientar o povo. Há que se repensar na dimensão do recrutamento de candidatos aos cursos de saúde ou revisão de alguns paradigmas curriculares. É provável que as raízes desta greve estejam subjacentes nos “curricula” da Saúde. Há uma notícia interessante que circula indicando que algumas unidades hospitalares fora de Maputo GRANDE estão a funcionar em pleno. Pergunto, será que não aderiram à greve ou porque não há médicos. Afinal em que hospitais estão os médicos?
Unidade, trabalho e vigilância!

(Balate Júnior)

terça-feira, junho 11, 2013

Egoísmo,injustiça e monopolismo estão a renascer


[p1-2-d3edu11.jpg]A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACCLIN) repudiou publicamente as recentes afirmações de um dos seus membros sobre a 'saúde política' do partido Frelimo, classificando-as hostis e contrárias aos princípios que regem a agremiação. O repúdio foi feito hoje pelo Secretário-Geral da ACCLIN, Fernando Faustino, numa conferência de imprensa havida em Maputo, visando responder aos recentes pronunciamentos veiculados nos órgãos de informação, por um dos membros da associação que congrega, a escala nacional, um universo de 80 mil militantes. As afirmações de Faustino surgem em resposta as declarações feitas por Henrique Madebe, major na reserva, que criticou  o partido no poder, de que é igualmente membro, mas insatisfeito com o actual estado das coisas.  Madebe disse, na entrevista ao programa da STV “50 ANOS DA FRELIMO) , que a governação está mal. Na óptica do Major, males como o capitalismo, egoísmo, injustiça e o monopolismo estão a renascer fortemente, não obstante ter-se lutado contra as mais várias formas de opressão movidas pelo regime colonial.  Madebe disse igualmente haver planos de expropriação das casas dos antigos combatentes na zona militar, em prol dum interessado que pretende edificar um condomínio, mas que quaisquer tentativas de tirar serão respondidas com revolta. Fernando Faustino, que está igualmente a par do conteúdo da entrevista, disse porém que tanto na ACCLIN quanto no partido Frelimo existem fóruns apropriados para tratar de questões da saúde política da agremiação.
“Nós, os combatentes, repudiamos veementemente a todos os pronunciamentos hostis a este partido e ao governo em particular, porque partimos do princípio que é o partido onde estão integrados os combatentes. Foi o partido que lutou pela independência do país, e é por isso que o povo moçambicano confia nele”, disse Faustino.
O secretário-geral disse que a ACCLIN está representada em todos os distritos e anualmente tem realizado reuniões do Comité Nacional, órgão constituído por 180 membros, onde são discutidas e planificadas as actividades, isto é, todo o tipo de questões relativas aos membros são resolvidas a nível do órgão e nunca na rua.A fonte acrescentou igualmente que as questões apresentadas pelos membros da ACCLIN têm e sempre tiveram resposta, e a associação nunca ficou indiferente aos assuntos de sua total e plena jurisdição. Mais ainda, os combatentes têm, segundo Faustino, acesso a pensão de acordo com as suas categorias militares, a educação e assistência médica e medicamentosa, habitação condigna, acesso a um fundo de inserção social atribuídos pelo governo em reconhecimento do esforço que eles fizeram em tempos. 
Respondendo a questão da construção de um condomínio no bairro militar ocupado pelos combatentes após a independência do país, em 1975, o secretário-geral disse que a zona é património do Ministério da Defesa Nacional. Em caso de necessidade de retirada dos residentes, o ministério vai, primeiro, criar condições para os acomodar e as informações em poder da ACCLIN indicam a existência de um projecto de reassentamento de todos os moradores da zona e se calhar com melhores condições que as actuais. 
“A Frelimo já mudou... mudou entre os homens de sangue novo e velho... mudou bastante, há problemas de pensamento que não estão a ser observados. O que posso dizer é que a Frelimo está moribunda”, disse Madebe, acrescentando que “esta não é Frelimo de Mondlane, de Marcelino dos Santos, Sérgio Vieira, Óscar Monteiro e nós outros. Frelimo está desviada. Os nossos objectivos estão totalmente desviados e até a população só diz chega!”. Madebe diz ainda que actualmente a Frelimo é fonte de injustiças e todos os males contra os quais fora criada para combater. “O que está mal é a governação. Nós lutamos contra o capitalismo, egoísmo, injustiça, monopolismo, mas agora são as mesmas coisas que estão a nascer fortemente. Quando ando nos bairros tenho medo de dizer que sou combatente, porque as pessoas falam muito mal do Governo, até dizem que o mesmo é selvagem”, disse.

sábado, junho 08, 2013

"cultura inadequada se fizermos dela um ídolo"



No mês de Junho de 1953, umas dias depois da graduação do meu pai, Eduardo Mondlane, do Oberlin College, ele escreveu essas palavras numa carta para futuro esposa e mãe das seus filhos, Janet Johnson. Na altura em EUA ainda havia estados aonde casamento entre a “raça” branca e negro era ilegal. Ele estava a contemplar o futuro que eles ião confrontar. Ele escreve,

“… O mundo está á espera da altura em que o homem se encontra com outros em termos do seu valor humano e não em termos da cor (do seu pele) ou do idioma. As culturas estão a misturar-se lenta mas implacavelmente. Há uma comunicação cada vez mais rápida tanto física como espiritual.
… Tudo isto significa (é) que tu e eu podemos ser cidadãos do mundo se assim o desejarmos...O mundo está esfomeado (está necessitando) de pessoas que possam sair e encontrarem-se com outros seres humanos. Não me interpretes mal, eu não quero dizer que qualquer cultura seja má ou inadequada. O que eu quero dizer é que qualquer simples cultura pode ser inadequada se fizermos dela um ídolo. Ao mesmo tempo que amamos a nossa própria cultura, não nos podemos esquecer que é uma parte e apenas uma parte de um mundo maior – a humanidade. Esta ideia é hoje aceite por milhões de pessoas, mas é difícil encontrar alguém que se aventure mais além (que pouse ir mais além), excepto muito poucos (vamos ser) esses poucos. As gerações futuras vão estar agradecidas por termos iniciado, mesmo que os nossos nomes desapareçam na confusão do progresso.” (Chude Mondlane)