quinta-feira, outubro 06, 2016

"Araújo não é fundador do MDM"

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O Presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, disse, em entrevista na cidade da Beira, que para devolver a confiança à sua figura bem como do seu Governo o Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, devia demitir imediatamente o Primeiro-ministro (PM), Carlos Agostinho do Rosário e o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, porque ocultaram dados sobre as dívidas ocultas e mentiram ao país. Diz que o comportamento dos dois governantes levou o Estado moçambicano ao descrédito, facto que o torna o país muito mais frágil. Simango lamenta a forma como Nyusi está a gerir a questão da tensão político- -militar bem como a dívida pública e que a morosidade do PR está a levar o país ao abismo e deixar o grosso da população moçambicana na penúria. Diz ainda que com Filipe Nyusi a intolerância política teve tendências de se agudizar e a justiça age com o som do batuque. Olhando para o seu partido, o nosso entrevistado diz que está num bom caminho e cada vez mais uno e indivisível. Nas linhas abaixo segue a entrevista que resume os sete anos do MDM e a situa- ção política e económica do país.

Resultado de imagem para daviz simangoAs desinteligências no seio da Renamo culminaram com a criação do MDM em 2009. Sete anos depois, como é que avalia a organização? O MDM é um partido novo na esfera política moçambicana. Porém, isso não se nota porque somos uma organização seriamente activa e empenhada. Como resultado desse trabalho, conseguimos, em pouco tempo, ultrapassar as barreiras da bipolarização política em Moçambique. O MDM foi criado com objectivo claro de participar na vida política do país. Por isso, pouco tempo depois da sua constituição, tomou-se a decisão de ir às elei- ções gerais mesmo cientes da magnitude do desafio e da fraca preparação, comparativamente com os nossos adversários. Entrámos no desafio eleitoral de 2009 porque, como políticos, entendemos que era preciso apresentar ao povo aquilo que era o nosso programa de governação, que por sinal foi bem acolhido. Veja que mesmo com os contratempos criados pela coligação Frenamo, visando fragilizar-nos, o MDM conseguiu quebrar a bipolarização política e surgiu a terceira bancada na Assembleia da Repú- blica (AR). Dois anos depois, em 2011, fomos às eleições intercalares e conquistámos o município de Quelimane. Em 2012 concorremos na eleição intercalar de Inhambane e, com muito privilégio, conseguimos aquilo que a oposição no seu todo nunca tinha atingido. Conquistámos 30% dos votos, o que é bastante positivo. Também é importante realçar que em 2012 realizámos, com sucesso, o nosso primeiro Congresso. Em 2013 entrámos na corrida autárquica, concorremos em todos os municípios e ganhámos em quatro, para além de termos conseguido assentos nas assembleias municipais de 51 autarquias de um total de 53. Na senda do nosso comprometimento com a democracia, em 2014, participamos nas eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais. Como todos sabem, as eleições de 2014 foram atípicas. Vimos a Polícia de Intervenção Rápida a assumir todo o protagonismo, a Frelimo e a Renamo a exibirem a sua pujança belicista e a se assumirem como donos do processo, tudo com o objectivo de sufocar o MDM. Contudo, mesmo debaixo dessas adversidades, conseguimos duplicar o número de assentos no parlamento nacional e nas assembleias provinciais. Estas conquistas mostram a maturidade que o partido conseguiu e deixam claro que estamos num bom caminho.

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Na sua óptica, que mais-valia o MDM trouxe para a democracia moçambicana? É bom lembrar que durante muito tempo o debate político se resumia apenas na Frelimo e Renamo. Hoje, as coisas inverteram-se. O debate alastrou-se para três forças. O MDM trouxe uma nova forma de fazer política e não usa armas para fazer vincar suas ideias. Não dispara tiros e não sacrifica vidas humanas para se evidenciar, reivindicar ou perpetuar o poder. Na AR, os seus deputados nunca pautaram pela deselegância e despudor nos debates, tal como acontece com as outras duas bancadas. Ao contrário dos deputados da Frelimo e da Renamo que passam o tempo a discutir questões marginais e inúteis para o país, os eleitos do MDM preocupam-se com o país, procuram trazer propostas que possam conduzir à solução dos problemas e melhorar a vida do povo. Sempre vão à busca da tolerância e reconciliação. A outra mais-valia que o MDM trouxe foi mostrar ao país e ao mundo como é que se governa. São notáveis nos quatro municípios sob gestão do MDM os altos níveis de transparência, boa gestão da coisa pública e uma governação centrada no cidadão.

Resultado de imagem para daviz simangoA história política moçambicana sempre foi associada às armas. É dos tiros que a Frelimo e a Renamo fazem a sua política. Sendo um partido civil, como é que o MDM consegue se impor num meio altamente belicista como o nosso? É preciso acreditar na sabedoria humana e nós temos explorado muito esse potencial. Não é preciso violência para conquistar algo. O MDM vai ao encontro dos eleitores, dialoga, procura perceber suas inquietações, apresenta suas ideias e propostas para a superação das preocupações apresentadas. A lógica moderna mostra que a política deve ser feita na base de ideias e não da força. Enquanto as armas destroem e deixam sequelas, as ideias moldam-nos para o melhor. Em todos os processos eleitorais, o MDM é o partido que mais sente a intolerância política dos adversários, os seus membros são perseguidos, violentados, detidos e até assassinados, mas as conquistas são visíveis. O MDM está a trazer um novo paradigma na política moçambicana de que é possível governar sem armas.(Foto:Presidente da Republica,P.Renamo e P.MDM)

Como é que o MDM define a democracia, e, nos termos dessa definição, acha que está a ser devidamente materializada no país? Para o MDM, a democracia é um direito consagrado na Constituição e que deve ser usufruído por todos os moçambicanos. O MDM aparece para implementar aquilo que a Constituição chama de Estado de Direito Democrático.
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Em outras palavras: Moçambique goza da democracia que o MDM sonha? A nossa democracia não é eficiente. Ela tem de ser construída e nós, como mo- çambicanos, temos de olhar os problemas pela frente e enfrentá-los. Não podemos dar costas aos nossos problemas. …

E qual é que tem sido o contributo do MDM? A democracia que Moçambique vive é de fachada, é preciso inverter esta situação. No passado recente era comum que, nas festividades dos dias nacionais, os membros do partido no poder provocassem a oposição com termos pejorativos. Hasteavam suas bandeiras de forma abusiva. As cerimónias do Estado resvalavam para agenda partidária. Hoje, essa situação continua, mas de forma menos brava porque o MDM está presente. O nosso partido não faz a política de autoexclusão. Entendemos que os conflitos que temos no país resultam da democracia fragilizada, resultam da fragilidade do nosso Estado. Agora, a superação desses problemas requer propostas sensatas e o MDM tenta trazer isso. É no quadro dessa contribuição que produzimos propostas da revisão constitucional onde indicamos o que deve ser alterado ou acrescentado na nossa Constituição de modo a pôr fim aos conflitos e desfrutar duma verdadeira democracia.

Resultado de imagem para daviz simangoSabe-se que o MDM não possui quórum suficiente para forçar o debate da revisão constitucional na AR. Como é que pensam em fazer valer as vossas ideias? É verdade que a nossa Constituição exige um mínimo de 1/3. Porém, temos vários órgãos que têm o poder de iniciativa de leis. É nesses órgãos onde vamos depositar as nossas propostas. Estou a falar da Presidência da República, da AR entre outros. Vamos entregar ao Governo e à Renamo através da Comissão Mista do diálogo político. Também usaremos diferentes plataformas para divulgar as nossas propostas junto ao povo. Entendemos nós que quer os moçambicanos bem como a comunidade internacional sabem que, no actual xadrez político, não se pode falar da descentralização e desconcentração do poder sem se incluir o MDM. O nosso partido é o único de oposição que governa territórios. O MDM tem o domínio daquilo que se vive no processo de descentralização.
  
O que é que, essencialmente, o MDM quer ver alterado na Constituição? Queremos um verdadeiro Estado de Direito Democrático, uma democracia muito mais robusta. Entende o MDM que é preciso adaptar a nossa Constituição às transformações e à dinâmica do país, da região e do mundo de modo a responder às exigências do presente. A nossa proposta resume-se numa descentralização despartidarizada, independência do poder judicial, despartidarização do Estado, tolerância política, respeito às diferenças, aos direitos humanos e a igualdade de oportunidades.
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O MDM ensaiou uma coisa igual num passado recente e foi chumbado. O que nos garante que desta vez essas propostas serão levadas em conta? Uma coisa é o passado e outra é o presente. O MDM está desde 2009 a propor a eleição directa dos governadores provinciais, mas sempre fomos ignorados pelos nossos adversários. Porém, hoje já é agenda nacional. Desde a sua fundação, o MDM teve como bandeira a despartidarização de Estado, tolerância política, independência do poder judicial, redução dos poderes do chefe de Estado e o aumento da participação do cidadão na governação através da descentralização e desconcentração do poder. Infelizmente não fomos compreendidos, mas o tempo tende a mostrar que as nossas propostas são fundamentais para a fortificação da democracia e para acabar com os conflitos. O MDM quer que as assembleias provinciais deixem de ser figuras de decoro e ganhem o verdadeiro poder fiscalizador. Queremos uma democracia em que as cores partidárias não sejam a fonte de benefício para interesses privados. O nosso Estado deve estar livre das amarras partidárias. As instituições não devem funcionar a reboque de cores partidárias. O exército e a polícia nacional devem estar ao serviço de Estado e não de partidos políticos.

A dado momento disse que a nossa democracia era de fachada. Quem é o principal responsável? A bipolarização política criou um certo comodismo na nossa democracia. A aprovação da Constituição de 1990 e as revisões que se seguiram foram sempre para acomodar os interesses dos dois beligerantes e não do país. É isso que o MDM pretende ver alterado. A nossa Constituição deve ser para todos os mo- çambicanos e não para certos grupos de acordo com os seus interesses.

Resultado de imagem para eduardo e uriasResultado de imagem para daviz simangoO MDM sempre se queixou da intolerância política. Há dois anos que temos um novo Governo. Como é que avalia convivência política actualmente? Há dias, o nosso delegado político em Gaza foi raptado e torturado no distrito de Mabalane. Não cometeu nenhum crime, apenas estava no exercício dos seus direitos que é a prática de actividades políticas. Isso mostra que vivemos uma democracia de fachada porque temos partidos que exercem suas actividades sem obstáculos e outros que são impedidos. As instituições estão amarradas às agendas políticas. As pessoas que raptaram o nosso delegado foram identificadas, o mandante também, mas as autoridades nada fizeram para responsabilizar os criminosos. O mesmo aconteceu em Tete onde um nosso membro foi queimado vivo. Percebemos que a justiça não está a actuar porque ainda não recebeu ordens. A nossa justiça não funciona de acordo com a lei. Age mediante o toque do som de batuque. …(Foto:Fundador da FRELIMO,Eduardo Mondlane e o seu Vice,Urias Simango,pai de D.Simango/1963)

Para dizer que mesmo com Filipe Nyusi a intolerância política continua? Continua e com tendências de aumentar. Mesmo com o grito das vítimas, o chefe de Estado continua no silêncio, nunca condenou publicamente a violência contra políticos da oposição. Isso mostra que Nyusi quer evitar conflitos consigo mesmo o que é mau. Como PR deve se despir das cores partidárias e defender direitos de todos os moçambicanos. Infelizmente não é o que acontece.

Resultado de imagem para manuel araujo e daviz simangoO MDM funciona de forma atípica. Tem a sede em Maputo, o presidente na Beira e o Secretário-geral (SG) em Quelimane. Como é que articula isso? Não vejo problema. Aliás, não é só o MDM que passa por isso. Temos partidos que têm seus dirigentes a residir algures na Gorongosa e o SG em Maputo, mas que também estão a funcionar. O importante é que nós como organização tenhamos os instrumentos legais de comunicação funcionais. Daviz Simango é presidente do município da Beira e, por coincidência, é presidente do partido. Tem obrigações legais com a autarquia da Beira. O nosso SG tem residência em Quelimane e não pode estar em Maputo porque o partido ainda não conseguiu recursos para condicionar isso. Contudo, garanto que quer o SG bem como o presidente do partido viajam regularmente para Maputo, tanto que o SG tem um representante legal na sede nacional em Maputo. O partido está a funcionar normalmente.

 Em 2017 teremos o segundo Congresso do MDM onde, dentre vários pontos de agenda, se vai eleger o novo presidente do partido. Será candidato à sua própria sucessão? Apenas sou um servidor do partido e quem serve tem de esperar a decisão dos militantes. No primeiro Congresso não me candidatei. Os militantes é que propuseram a minha candidatura para a presidência. É bom referir que o MDM é um partido aberto, há espaço para que qualquer militante concorra à direcção do partido, desde que reúna requisitos estatutários. A minha contribuição enquanto militante do MDM não é na presidência. O facto de ser presidente do município da Beira eleito pelo MDM estou a contribuir para o partido, o facto de ser membro fundador é uma contribuição.

 Senhor presidente! Vai ou não concorrer... Ainda não pensei nisso.

 Se a vontade dos membros for de vê-lo a concorrer, estará disposto para tal? O que sei é que sou membro do MDM e esse é o meu ponto final. O resto não lhe posso responder porque não estou em condições de vaticinar o futuro.

Resultado de imagem para daviz simangoQue MDM teremos em 2018 e 2019? Temos esperança de que a Constituição será revista, vai-se criar novas autarquias e estaremos prontos para concorrer em todas. Queremos consolidar o que temos e conquistar outros territórios. Em 2019 vamos às gerais para ganhar. Queremos controlar o parlamento e o maior número possível de províncias. Queremos contribuir com o nosso conhecimento na democracia moçambicana e mostrar ao país e ao mundo que não é preciso ter armas para governar.

O MDM é pela redução dos poderes do chefe de Estado. Porém, os seus estatutos atribuem muitos poderes ao presidente do partido. Isso não será incongruência? Nunca foi meu desejo como presidente do partido ter tantos poderes. No Congresso de 2009 apresentei as minhas propostas e foram chumbadas pelo plenário. Não foi Daviz Simango que concentrou poderes na figura do presidente. Foram os congressistas que entendiam que, como o partido estava a nascer, devia estar devidamente protegido para evitar a penetração de vírus desestabilizadores. A criação do MDM não agradou os nossos adversários, pelo que tudo fariam para nos fragilizar. Era preciso controlar isso e, para tal, os congressistas entenderam que, naquele momento, era perigoso dispersar poderes. Acredito que no futuro vai mudar. São processos e sempre chegaremos ao ideal. Contudo, é bom frisar que, apesar desses poderes estatutários, tendo em conta a minha figura como fundador do partido e conhecedor de processos democráticos, todas as decisões por mim tomadas depois são direccionadas ao fórum para serem discutidas. Pelo que, dificilmente ouvirá que esta decisão é do presidente. Todas as decisões saem de fóruns apropriados.
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Algumas correntes de opinião pública moçambicana entendem que, não obstante ser um partido jovem, pouca inovação trouxe o MDM na política. Não foge tanto da ortodoxa da Frelimo e da Renamo. O MDM é um partido fechado, conservador e centralizado. Pode comentar? O MDM é um partido novo, pelo que por vezes tem de seguir certas directrizes para sobreviver, porém, que fique claro que o MDM não é igual nem à Renamo nem à Frelimo. Verifica o comportamento dos dois beligerantes na AR. Fazem a sua agenda na base de insultos. Nós não insultamos a ninguém. Apenas nos concentramos nos pensamentos e ideias e apresentamos propostas concretas. Hoje, todos conhecem a proposta do MDM sobre a revisão constitucional, mas ninguém sabe o que a Frelimo e a Renamo pensam. Todos sabem que a Frelimo e a Renamo resolvem seus diferendos com a força das armas enquanto o MDM é pelo diálogo. Em todos os territórios administrados pelo MDM há espaço para outros partidos realizarem suas actividades políticas. O mesmo já não se verifica nos municí- pios governados pela Frelimo. Aí não há tolerância política. O MDM está aberto para todos porque tem noção de Estado.

Como é que o MDM sobrevive. De onde vêm os fundos que sustentam o partido. Quanto é que recebe do Estado mensalmente e como gasta? O MDM sobrevive na base das quotizações dos membros.

Resultado de imagem para daviz simangoQuantos membros têm o partido? Apenas vou falar dos que pagam quotas. Andam em torno de 100 a 120 mil membros. São quotizações desses 120 mil membros, ajuntado ao contributo dos nossos membros eleitos em diferentes órgãos como AR, assembleias provinciais e municipais que garantem o sustento do partido. Também temos apoio do Estado, através da nossa participação na AR. Mas, como isso não basta, porque os desafios são maiores e exigem uma certa pujança financeira, estamos a desenhar uma veia empresarial que se deverá dedicar à venda dos produtos do MDM.

Como é que será esse braço empresarial. Será igual ao da Frelimo que detém participações em várias empresas dedicadas a diferentes ramos de negócios? Numa primeira fase será dedicada exclusivamente à produção e venda do material de propaganda do MDM.

Tem sido comum no seio de outros partidos que controlam a máquina estadual usá-la para o seu sustento. Será que o MDM é uma excepção nos municípios que controla? Já ouvimos várias vozes a insinuar que o MDM usa o dinheiro dos municípios onde governa para financiar suas actividades. Isso é falácia e temos como provar. Várias auditorias passaram pelas contas dos municípios governados pelo MDM e em nenhum momento foi constatado isso. O MDM vive na base dos seus recursos. São poucos mas, como somos gestores, somos profissionais, conseguimos funcionar e realizar nossas actividades. A nossa atitude enquanto gestores ultrapassa qualquer tipo de organização. O MDM tem uma capacidade profunda de gestão e essa competência de gestão também ajuda na boa governação dos municípios.

Resultado de imagem para daviz simangoQual é o orçamento anual do MDM? Não é possível definir o orçamento ideal anual na medida em que tudo depende do tipo de actividades que o partido pretende realizar nesse ano. Por exemplo, em 2016 não há eleições, em 2017 o partido vai ao Congresso e nos dois anos seguintes há eleições. Assim, em 2017 o partido é obrigado a ter um orçamento adicional do normal devido ao Congresso. Em 2018 teremos eleições autárquicas que também têm seus custos. O mesmo cenário se repete em 2019 com eleições gerais. Isto é, o orçamento de 2016 é menos pesado que de 2017, o mesmo sucede com orçamento de 2017 para com o de 2018 e aí em diante.

Excluindo épocas eleitorais, quanto é que o MDM gasta por ano? Infelizmente, as nossas possibilidades estão muito além do orçamento ideal. Por exemplo, num mês o MDM precisaria de 200 mil meticais por cada província. Porém, dificilmente conseguimos esse dinheiro. Aliás, há vezes em que funcionamos com 10 mil meticais que é o valor que a direcção central manda mensalmente para as delegações provinciais. Mas, em média, cada província trabalha com 20 a 25 mil meticais.

A Frelimo diz ser um partido da Esquerda e a Renamo da Direita. E o MDM? Somos um partido de Centro-Direita.

Resultado de imagem para campanha daviz simangoNas eleições autárquicas de 2013, o MDM obteve resultados extraordinários o que vaticinava altos voos nas gerais de 2014. Contudo, a realidade foi contrária. Dois anos depois, o MDM já fez uma introspecção para saber o que falhou? Já analisamos isso e achamos que são arquivos internos do partido. Contudo, é bom realçar que muitos factores contribuíram para aqueles resultados. Todos assistimos àquele aparato belicista encenado pelos nossos adversários. A Frelimo e a Renamo criaram medo no seio do eleitorado e isso influenciou nas urnas. Também é preciso compreender que um partido que não tem um braço armado, nas condições em que foram as eleições gerais de 2014, era extremamente difícil sobreviver. Contudo, apesar desse colete de forças, o MDM saiu a ganhar, na medida em que compreendeu melhor os processos, fenó- menos, adversidades, as condições do terreno onde está inserido e, naturalmente, que se vai preparar melhor para os próximos pleitos. É importante perceber que nas eleições de 2013, do jeito que o MDM surpreendeu, assustou o regime da Frelimo e era natural que se aliasse à Renamo e formar a coligação Frenamo porque é nesta coabitação que eles conseguem manipular. Portanto, a Frelimo sabe que as manipulações que tem feito à Renamo não faria ao MDM, uma vez que sabe que este é um partido inteligente.

Está apenas a limitar-se às circunstâncias exógenas. Internamente o que aconteceu? Lembro que, pouco depois da divulgação dos resultados, Manuel de Araújo veio a terreiro afirmar: “tínhamos de assumir as nossas culpas porque cometemos muitos erros”. Apontou sinais de arrogância no seio de algumas pessoas ligadas à direcção do partido e frisou que era inconcebível lutar para nos libertar de Maputo para depois sermos colonizados a partir da Beira. Comentários. Não sei se devo comentar ou não, mas em respeito à sua pessoa vou explicar o seguinte: nas eleições de 2011 em Quelimane, o MDM perdeu quatro membros fundadores. Perdemos esses membros quando íamos a Quelimane fazer uma força e apoiar a campanha do nosso candidato. 
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Eu residi em Quelimane durante todo o processo das intercalares. Sou da Beira, mas fiz campanha em Quelimane. Estivemos lá por uma razão muito simples, levar o candidato ao trono. Conseguimos e todos saímos a ganhar. A revolução de 28 de Agosto teve o epicentro na Beira. Enquanto a Frelimo nasceu na Tanzânia, a Renamo na Gorongosa, o MDM foi criado na Beira. Logo, todos os partidos políticos têm sempre uma base de partida. Quando saímos da Beira para Quelimane, não íamos mandar, tínhamos apenas a tarefa de libertar a cidade do regime, de tal forma que depois de confirmarmos a vitória regressamos às nossas origens e ficaram os donos da terra a formar seu governo municipal sem nenhuma interferência. A fiscalização de todo o processo de votação em Quelimane foi suportada por estrategas saídos da Beira porque, caso contrário, teríamos perdido a eleição. O mesmo fizemos em Nampula e Gúruè. A partir da Beira, apoiámos a nova governação de Quelimane quer sob ponto de vista técnico bem como de equipamento de trabalho. Isso tudo é sinal de que o MDM é um partido uno e indivisível e o nosso objectivo é garantir boa governação em todos os municípios sob nossa direcção. …

Resultado de imagem para ismael mussa mdmE sobre a saída prematura do então SG, Ismael Mussa (Na foto), e de um grupo de membros em Nampula que depois formaram outro partido? Fico muito satisfeito quando o partido tem este perfil, em que livremente as pessoas tomam as suas decisões porque isso mostra que há liberdade, não há perseguições. O MDM é um partido que ilumina pessoas, abre mentes para que por si só saibam fazer algo que contribua para o bem-estar da sociedade. Também é bom perceber que a democracia se faz com partidos políticos. E quanto maior for o número de partidos que contribuem na edificação do processo democrático é muito bom para o país. A saída dos nossos membros em Nampula mostra que o MDM também é uma escola.

Há um mês, o Conselho Nacional do MDM reuniu-se em Chimoio, Manica, para escolher novos membros para a Comissão Política Nacional. Todos os edis eleitos pelo MDM foram indicados, excepto Manuel de Araújo. Não será estranho que uma figura da dimensão de Araújo que é membro influente no partido esteja fora dos órgãos executivos? Não estará a ser sacrificado pela sua frontalidade? Não sei o que é isso de figura influente. Não sei se Manuel de Araújo é figura influente. Como insistes no edil de Quelimane, é bom saber que, para este chegar lá, o partido é que o indicou e apoiou nesse desafio. 
Resultado de imagem para manuel araujo e daviz simangoA influência e o exercício político do edil de Quelimane saem do MDM. (Foto:antigo Presidente Republica Guebuza e M.Araújo numa cerimónia em Quelimane)O partido fez um esforço enorme para que Manuel de Araújo fosse eleito presidente do município de Quelimane. Portanto, porque alguém tem uma simpatia com certa pessoa e dizer que é um quadro influente, isso não. O que é um quadro influente no partido? Para mim como presidente do MDM, todos os quadros do partido são influentes. Aliás, até podia abrir uma excep- ção para as pessoas que fundaram o MDM. Sim, esses são quadros influentes porque, sem a ideia e o esforço delas, o MDM não existiria. Manuel de Araújo não é fundador do MDM. Eu acho que é preciso olhar para os quadros fundadores, aqueles que tomaram a decisão de criar o partido e influenciaram no surgimento do MDM, a esses podemos apelidar de quadros influentes. Porém, tal como qualquer organização, surgiram outros quadros com mais visibilidade que os outros. 
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As pessoas que fazem essas questões devem não saber que Araújo ocupa um cargo dentro de secretariado. Ele é chefe adjunto de Departamento Nacional de Formação de Quadros. Penso que há excessos em torno desta questão. Não sei se isso é alimentado por grupo de amigos ou por interesses próprios, mas precisámos de descobrir a génese do barulho. Contudo, o jornalista também não pode dar uma entrevista a um presidente do partido e se cingir apenas a uma pessoa. O MDM tem mais de 100 mil membros com quotas em dia, o MDM não é Manuel de Araújo. Não sei que tipo de amizade o senhor tem com Araújo para me fazer esse tipo de perguntas com o agravante desta não ser a primeira vez. Entendo como erro por parte do jornalista continuar a insistir em torno de uma figura. Que fique claro que o MDM não é constituído apenas por Araújo, o MDM não é o município de Quelimane. Porquê o jornalista não pergunta sobre Nampula ou Gúruè onde também estão a acontecer maravilhas. A tamanha insistência em torno de uma pessoa deixa transparecer que é um tipo de encomenda, mas que o presidente do MDM não responde perguntas encomendadas. O MDM é por um Moçambique para todos, o seu presidente tem uma visão nacionalista.
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Diz-se que o edil de Quelimane (Na foto) é bastante ausente da sua cidade. Isso fez com que a própria bancada do MDM na assembleia municipal local questionasse. Qual é o posicionamento do partido? Acho que as pessoas são livres de falar o que bem entenderem. Mas, a minha questão é: esta ausência prejudica o trabalho? As coisas estão paradas? Também é preciso perguntar se esta ausência vai buscar experiência, conhecimento, coisas boas para o município? Se é isso não há nenhuma razão de preocupação. Não podemos passar a vida a desacreditar um presidente do município que apresenta boas iniciativas. O que temos de fazer é aproveitar essas iniciativas, é encorajá-las e esperar pelos resultados. A avaliação final vai determinar tudo. O que pretendemos é o bem-estar do povo e neste caso dos munícipes de Quelimane.

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