terça-feira, abril 12, 2016

Diferenças políticas dá fim a tratamento

O acirramento dos ânimos por conta do confronto político-partidário chegou a tal ponto no Brasil que uma pediatra de Porto Alegre se recusou a continuar o tratamento de um menino de um ano e meio pelo fato de os pais da criança pertencerem ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), ambos da base governista.
O caso, que ganhou repercussão no Brasil e no exterior, está sendo investigado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CRM-RS), depois que a mãe do menino, a suplente de vereadora Ariane Leitão (PT), denunciou a pediatra Maria Dolores Bressan, que lhe comunicou, via Whatsapp, que declinava, de maneira irrevogável, de continuar o tratamento da criança, por a vereadora e o pai serem petistas – na verdade, o marido é filiado ao Psol.
Médica abandona tratamento de menino porque os pais da criança são do PTA repercussão do caso foi ainda maior depois que o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo Mendes, disse que a médica tinha a admiração do Sindicato. “Ela foi extremamente ética e honesta”, afirmou.
Procurado pela Sputnik, o CRM-RS enviou a seguinte nota oficial: “O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) comunica que foi aberta sindicância para apurar a denúncia formalizada pela Sra. Ariane Leitão contra uma pediatra que teria se recusado a dar continuidade ao atendimento de seu filho. Se a Comissão de Sindicância considerar que houve indício de infração ética, será aberto um Processo Ético-Profissional, que pode resultar em absolvição da acusada ou, caso contrário, em aplicação de uma das penas previstas na Lei 3.268/57.”
Segundo o Artigo 22 da referida lei, as penas disciplinares aplicáveis pelos Conselhos Regionais a seus membros preveem as seguintes sanções: advertência confidencial em aviso reservado; censura pública em publicação oficial; suspensão do exercício profissional até 30 dias: ou cassação do exercício profissional “ad referendum” do Conselho Federal.
Também procurado pela Sputnik, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que, como instância recursal, só se pronunciaria após parecer do CRM-RS.

A seguir, o texto da mensagem que a pediatra Maria Dolores Bressan enviou a Ariane Leitão via Whatsapp:

“Bom dia Ariane. Estou neste instante declinando em caráter irrevogável da condição de pediatra de Francisco. Tu e teu esposo fazem parte do Partido dos Trabalhadores e depois de todos os acontecimentos da semana e culminando com o de ontem, onde houve escárnio e deboche do Lula ao vivo e a cores, para todos verem (representante maior do partido). Eu estou sem a mínima condição de ser pediatra do teu filho. Poderia inventar desculpas, te atender de mau humor, mas prefiro a honestidade que sempre pautou minha vida particular e pessoal.
Se quiser posso fazer um breve relatório do prontuário dele para tu levar a outro pediatra.
Gostaria que não insistisse em marcar consultas mais.

Estou profundamente abalada, decepcionada e não posso de forma nenhuma passar por cima dos meus princípios. Porto Alegre tem muitos pediatras bons. Estarás bem acompanhada. Espero que compreendas.”        (SPUTNIK Brasil)

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