sexta-feira, outubro 23, 2015

Encerramento dos aeroportos internacionais

O recente anúncio do PCA dos Aeroportos de Moçambique de que a empresa pretende cortar o número de aeroportos internacionais no país para três é outra tentativa flagrante de proteger a deficiente transportadora nacional LAM. A redução do número de aeroportos que podem receber voos internacionais significa que qualquer turista ou homem de negócios seria obrigada a entrar no país através de Maputo, Beira ou Nacala e depois usar a LAM para a sua viagem.
Mesmo o Ministério dos Transportes e Comunicações reconhece que os preços dos bilhetes da LAM são elevados e o serviço pouco fiável. Na verdade, o Primeiro-ministro já interveio aconselhando a LAM a realizar uma auditoria completa. Durante uma visita do Primeiro-ministro a LAM, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita afirmou que todos devem fazer sacrifícios para garantir que a LAM continue a operar.
Reconheço que é importante para o orgulho nacional de Moçambique ter uma companhia aérea de bandeira. No entanto, as companhias aéreas nacionais em todo o mundo, muitas vezes lutam para serem competitivas. Alguns defenderiam que, na verdade, o seu objectivo não é a competitividade – deve-se carregar a bandeira nacional e, como tal, deve ser subsidiada. Se essa for a escolha de um país, que assim seja. Mas não é bom senso económico obrigar que todos façam um sacrifício. Deve haver escolha.
Se o governo optar por gastar o dinheiro dos contribuintes para subsidiar a LAM como uma questão de orgulho, essa é uma questão para o eleitorado. No entanto, as pessoas devem ter a possibilidade de optar em gastar o seu próprio dinheiro em bilhetes mais baratos, num provedor de serviços mais fiável ​​e uma maior escolha de destinos de voos. Deve estar ao critério das pessoas decidirem se querem sacrificar tempo e dinheiro, a fim de voar na LAM.
Os viajantes de negócios continuarão a viajar para Moçambique, mesmo que tenham que usar a LAM para voos dos três aeroportos internacionais para outros destinos. No entanto, os turistas não irão. A LAM é tão pouco fiável que os voos podem alterar em um ou dois dias – falo por experiência própria. Os turistas com tempo limitado não irão arriscar a ter as suas férias interrompidas ou o seu regresso ao trabalho atrasado. Irão simplesmente escolher um outro destino. A indústria do turismo em Moçambique já está em crise segundo mostrado por estudos recentes pelo SPEED. O governo deve considerar a importância do turismo para a economia nacional antes de tomar decisões que afectam o sector.
No geral, os consumidores devem ter escolhas. Se uma pessoa decide que prefere pagar mais, voar numa companhia aérea não fiável para uma série limitada de destinos, a fim de apoiar a transportadora nacional de bandeira, essa é a sua escolha. No entanto, os muitos milhares de passageiros que gostariam de pagar um preço razoável e chegar a tempo, tendo uma escolha de destinos para negócios ou lazer também devem ter essa opção.
De todas as formas subsidiem a LAM e usem-na como uma marca de orgulho nacional. Mas reconheçam que é improvável que a companhia alguma vez seja rentável ou eficiente – esse não é seu objectivo. Ao mesmo tempo, permitam que os contribuintes, que já contribuem para a LAM através dos subsídios, e os visitantes, tenham a opção de voar em outras companhias aéreas. Permitam que os turistas voem directamente para os principais destinos turísticos, como Inhambane, Vilanculos e Pemba, em vez de encerrar esses aeroportos para voos internacionais. Permitam que os homens de negócios voem directamente para os principais centros de negócios, como Tete e Pemba. Ao tornarem mais fácil e mais barato para os empresários e turistas visitarem o país, iremos fazer crescer a economia. Ao tornarem mais fácil, mais barato e mais fiável voar domesticamente, iremos desenvolver o turismo doméstico. Uma economia em crescimento significa mais impostos, e, portanto, mais dinheiro disponível para subsidiar a LAM se essa for a escolha que o governo fizer. A limitação de escolhas e a obrigação das pessoas a usarem a LAM irá apenas reduzir o número de viajantes, tanto nacionais como internacionais e, em última instância prejudicar a economia.
O trabalho do SPEED sobre a liberalização do transporte aéreo conclui que há fortes evidências em todo o mundo de que a liberalização do transporte aéreo tem importantes benefícios para o sector do turismo e toda a economia de um país. A liberalização dos serviços aéreos entre países gera significativas oportunidades adicionais para o crescimento económico e criação de emprego. Vários estudos têm sugerido que haveria uma expansão de tráfego e crescimento como resultado de uma redução das barreiras para entrada no mercado de transporte aéreo de Moçambique. Moçambique inicialmente tomou alguns passos importantes no sentido de uma política de espaço aéreo liberalizado, mas agora parece estar recuar novamente para uma maior protecção da LAM. Esta é uma política arriscada num momento em que a economia está em contracção. A abertura do sector dos transportes aéreos iria enviar sinais importantes para o mundo de que Moçambique está empenhado em atrair investimentos e receber turistas. Este por sua vez, impulsionaria a deficiente economia.
Resultado de imagem para 737 -800linhas aereas de mocambiqueComo nota de rodapé – se quisermos que os nossos aeroportos internacionais atraiam mais negócios, é importante que operam de forma fiável e eficiente. O encerramento de todo o aeroporto porque o avião presidencial está preste a aterrar ou descolar causa danos significativos. Recentemente, um avião completamente cheio foi desviado de volta para a África do Sul 20 minutos fora de Maputo porque o voo Presidencial estava a embarcar e o aeroporto estava fechado. Pode imaginar os transtornos daí resultantes para os passageiros, a companhia aérea e o aeroporto de Joanesburgo? Em outros países ou o Presidente voa a partir de um aeroporto separado, ou o voo presidencial é tratado como um voo normal, sem a necessidade de interromper todos os outros tráfegos. Com todo o devido respeito ao Presidente, será que a equipe no aeroporto de Maputo não tinha conhecimento de que o seu voo ia sair antes do outro voo se descolou em Joanesburgo? Tenho certeza de que, se o próprio Presidente soubesse que inconveniência foi regularmente causada em seu nome no Aeroporto de Maputo, ficaria assustado.


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