sexta-feira, outubro 09, 2015

24 horas de Dhlakama

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz Simango acaba de sair da residência de Afonso Dhlakama, onde estava a se inteirar da situação. À sua saída disse que esta situação é inadmissível. “os munícipes da Beira estão preocupados assustados e de mau humor, por aquilo que está a acontecer. Tive oportunidade de conversar com o arcebispo da Beira e com um dos mediadores. Dizem que estão a tentar negociar. Não me falaram dos pormenores. A minha posição era de compreender o que está a passar, e como podemos ajudar a evitar o pior. Nós entendemos que os nossos concidadãos devem ter a livre circulação. É estranha esta situação de hoje num Estado de Direito Democrático, sobretudo quando ontem o líder da Renamo saiu das matas e acompanhado até à sua residência. E hoje está cercado. A ideia de desarmar a Renamo em plena cidade é muito perigosa. Fica o trauma nas crianças, nos vizinhos do líder da Renamo e isso não é bom para a nossa democracia. Esperamos que haja bom senso e que a polícia se retire. Esta e a nossa intenção. Ninguém deve ficar aqui a guarnecer a ninguém. O que está a acontecer agora não é protecção. É prisão domiciliária. E isso não pode acontecer. Quis cá vir para depois me comunicar com o Chefe de Estado. Podia ter vindo as primeiras horas mas a situação era perigosa. E nós como políticos ninguém iria nos garantir segurança necessária quando havia tiroteio. Isto não se deve admitir. É uma prisão domiciliária. Não há nenhum mandato do Tribunal. Ou da Procuradoria, lá dentro não encontrei nada disso. A Polícia não pode agir do seu bel-prazer porque recebeu um comando. A questão é: comando de quem e para quê? Desarmar os homens da Renamo à força não é solução. Insistimos que esta situação não pode ser tratada à força. Esta é uma situação de compreensão mútua e nós temos de reduzir os níveis de arrogância. É a arrogância que traz situações como esta que estamos a ver. A confiança já foi quebrada. Continuamos a dizer que o diálogo a dois não é salutar. Não produz testemunhas”.

Comunicado da União Europeia:
Enquanto parceiro de longa data do povo moçambicano, a União Europeia segue com apreensão os desenvolvimentos na Beira. Os esforços empreendidos nos últimos dias com vista a inverter a escalada das tensões militares e a criar um clima de confiança entre as partes arriscam-se a ser postos em causa. Uma solução pacífica e negociada requer um compromisso permanente com a via do diálogo e da não-violência.

Em declarações à imprensa Dhlakama diz que não quer ser protegido por agentes da FIR nem da polícia porque já tentou no passado e só houve problemas. "Quero que saiam da minha casa porque já levaram as três armas com que me atacaram e mais 16 dos nossos guardas". Dentro de instantes um mediador e um agente da FIR irão revistar a casa de Afonso Dhlakama para verificar se ainda há mais armas. Brevemente iremos publicar na íntegra a declaração de Afonso Dhlakama.

Acaba de chegar à residência de Afonso Dhlakama, Maria Helena Taipo, governadora da província de Sofala. Mas está no portão com os mediadores.

Dhlakama acaba de dizer a imprensa que foi cercado porque a FIR queria recuperar três armas que perdeu quando o tentou assassinar no dia 25 de Setembro em Zimpinga. Dhlakama entregou as referidas três armas. Confirma-se assim publicamente que foi mesmo o Governo que tentou assassinar Dhlakama no dia 25 de Setembro. Dhlakama entregou também as 16 armas que estavam na posse da sua guarda pessoal. Dhlakama exige que os seus homens que foram detidos de manhã seja soltos. Neste momento os mediadores incluindo o arcebispo da Beira e Manuel de Araújo assinam o termo de entrega das 16 armas da Renamo ao Governo, na presença da governadora de Sofala. Dentro de instantes iremos publicar a declaração completa do líder da Renamo.

A população voltou a se concentrar ao fundo da rua Vasco da Gama, onde se localiza a residência de Afonso Dhlakama, para assistir ao "evento". A indignação é generalizada. Há homens, mulheres e crianças. Na Escola Primária Palmeiras I aqui mesmo muito próximo, as aulas foram canceladas.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, pediu a protecção das Forças de Defesa e Segurança, depois dos últimos dois ataques às caravanas do Lider da Renamo que resultaram em mortes e feridos, não se sabendo ao certo quem terá originado tais emboscadas.

Vila da Gorongosa pára para receber Dhlakama. Há corte no fornecimento de energia exactamente quando Dhlakama chegou. Mas a população continua eufórica a cantar: "viemos receber o nosso pai"

Dhalakama já está na sua residência na cidade da Beira no bairro dos Palmeiras II. Da famosa "parte incerta" à cidade da Beira, foram necessárias aproximadamente sete horas. Amanhã haverá uma conferência de imprensa, num dos hotéis da cidade da Beira.

O líder foi pescado pelos religiosos, e com cânticos e orações, na convicção de que os religiosos estavam a agir de boa fé, tiraram - lhe da parte incerta. Chegado à parte certa, eis que se apercebeu que caiu numa verdadeira ratoeira, cuja isca foram os Sengulanes e companhia. Um verdadeiro líder deve conhecer os caracteres do seu adversário. Segundo informações no local, os efectivos da polícia triplicaram, as armas também. As 4 ruas que dão acesso à sua casa estão bloqueadas.O "rider" está dentro da casa. Nem a imprensa foi permitida para aproximar - se do local. Enfim, é Moçambique real buscando a inspiração de Angola.Motivos para dizer que a Paz está cada vez mais distante, e a Religião é verdadeiramente o ópio do Povo.

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