segunda-feira, setembro 15, 2014

“Fim-de-semana” ou “Fins-de-semanas”

Terminou  sexta-feira(12), em Maputo, o 9º Festival Internacional de Publicidade, que decorreu de 9 a 11 de Setembro.Ao longo de três dias, realizaram-se palestras e exposições, e, no encerramento, foram expressas algumas preocupações dirigidas aos publicitários e aos órgãos de comunicação social.O jornalista e apresentador de Rádio e Televisão, João de Sousa, que foi o vencedor do “Grande Prémio Carreira 2014”, aproveitou a ocasião para chamar a atenção de que “hoje uma grande fatia da publicidade que se produz em Moçambique não obedece a regras e normas”.João de Sousa considera que “hoje há mais quantidade, mas não há qualidade” na maneira como são apresentados os suportes publicitários.“Há problemas na forma, no conteúdo, na concepção, na linguagem, na leitura. Há erros gramaticais, há erros de sonorização e montagem”, observou João de Sousa, acrescentando: “Neste mundo moçambicano em que vivemos, poucos, muito poucos mesmos, conhecem o significado de valorizar a arte de fazer publicidade”.
Foto: https://www.facebook.com/notes/festival-publicidade-maputo/pr%C3%A9mio-carreira-2014/804106869618074Entende que há erros de palmatória que deviam ser corrigidos, e não são. São erros que, segundo afirma João de Sousa, estão a acontecer por razões culturais. Acrescenta que são atropelos gramaticais provocados por erros de concordância entre masculino e feminino, entre singular e plural, ou erros de conjugação verbal no modo imperativo, principalmente quando se trata do uso de “tu” e “você”, ou ainda quando, para o espanto de muitos, se pretende convencer o público ouvinte de que o plural de “fim-de-semana” é “fins-de-semanas”, como se veiculou, em tempo recente, num anúncio da Rádio Moçambique.Segundo João de Sousa, o erro passa pelo cliente, pela Agência de Publicidade, pelo órgão de informação que veicula o anúncio.“E ninguém actua. Antes pelo contrário. Todos pactuam com este tipo de barbaridade”, declara João de Sousa, e afirma que “os meios de comunicação social têm de ter a coragem de rejeitar esses anúncios”.“Têm que ter coragem de dizer ‘não’. Infelizmente não fazem isso e deixam andar o que está mal, e o que está mal chega aos ouvidos e aos olhos dos nossos filhos, dos nossos netos”, lamentou aquele profissional de comunicação.Ele afirma que as pessoas, inevitavelmente, ao lerem, ao falarem ou escreverem seja o que for, vão fazê-lo tal como o órgão de informação veiculou. “Acho que alguém devia pensar em ‘colocar o guizo ao gato’.”Também disse que não pretende generalizar, porque reconhece o que se faz de bom. E referiu a existência destes festivais que a Associação Moçambicana das Empresas de Publicidade, Marketing e Relações Públicas (AMEP) tem vindo a promover desde há nove anos. “Felizmente, aqui há espaço para fazer desta plataforma a plataforma de qualidade, do empenho, da dedicação, do conhecimento e da vocação”, disse João de Sousa.Concluiu desejando “que os bons exemplos de cada uma destas mostras anuais sirva de guia para rectificar o que de mal se faz, e permita ajudar os que anunciam com menos clarividência, poupando desta forma os que têm de escutar, ver ou ler toda esta avalanche de coisas sem sentido”.
Na edição deste ano, os prémios “Concha Bronze” na categoria de Rádio foram atribuídos a algumas agências de Angola e das Maurícias; na categoria de Internet, às Maurícias; na categoria de TV e Cinema, a Angola, Portugal, Maurícias e México.No grau de “Prata”, à Agência Arcos. No grau de Ouro, na categoria de TV e Cinema, a Portugal.O “Prémio Carreira” coube ao jornalista e apresentador João de Sousa, e o “Grande Prémio TV” foi para Portugal.A próxima edição, o 10o Festival Internacional de Publicidade, vai realizar-se em Maputo de 8 a 11 de Setembro de 2015.O Festival Internacional de Publicidade, segundo a presidente desta 9a edição, Anabela Adrianopoulos, vem decorrendo desde 2006. Segundo disse, contrariamente aos anos anteriores, em que o festival tem decorrido no mês de Maio, este ano, devido a constrangimentos, apenas aconteceu em Setembro.Por outro lado, dois aspectos especiais marcaram o evento, ao ser anunciado a indicação de Anabela Adrianopoulos e de Mário Ferro para presidente e vice-presidente, respectivamente, de dois órgãos latino-americanos ligados à Publicidade.No próximo ano haverá mais, mas, tal como disse Rogério Serrasqueiro, o português que dirigiu o júri internacional, vai ser preciso inscrever o festival nas ruas, promover o interesse de participação activa de todas as agências de publicidade, bem como a sua união em torno do festival. (B. Álvaro)

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