quinta-feira, junho 30, 2016

17 anos presa!

Resultado de imagem para criança presa em casa africaUma adolescente foi restituída a liberdade esta quarta-feira, depois de ter sido mantida amarrada na cozinha durante sete anos na cidade de Tete, capital da província homónima, no centro de Moçambique.A vítima, identificada pelo nome de Regina, 17 anos de idade, foi restituída a liberdade graças à denúncia feita aos órgãos de comunicação social e às estruturas do bairro Mateus Sansão Mutemba, onde morava com seus pais.Apesar da sua idade, Regina aparenta ser muito mais nova, devido a sua estatura reduzida ou seja menos de um metro de altura.Regina sofre de perturbações mentais desde os dez anos de idade, altura em que a mãe decidiu aprisioná-la e nenhum vizinho foi capaz de se aperceber do caso. Assim, durante sete anos, a partir das 07h00 até 16h00 Regina era amarrada junto a um ferro, numa casinha que a mãe, Narcisa Verniz, disse a jornalistas tratar-se de uma “cozinha”.
Os vizinhos, chocados pela situação, disseram que a menor estava aprisionada num “curral de cabritos”.Narcisa Verniz tentou justificar a decisão de amarrar a sua filha alegando que era para a sua própria protecção, porque sofre de perturbações mentais. Assim, não havia o risco de sua filha sair a rua e morrer atropelada.
“Não tinha alguém para ficar controlar a ela porque eu trabalho”, disse a mãe.
Resultado de imagem para cidade de teteOs pais são funcionários públicos e, apesar de conhecerem as leis em vigor no país, violaram sistematicamente os direitos da criança.Chocada com a situação, a esposa do governador de Tete, Joana Auade, decidiu deslocar-se à casa de Regina.“Os pais não deveriam agir desta forma. Por mais que a criança sofra de perturbações mentais ela é igual a outras. Por isso, não deveria merecer este tratamento. É muito triste aquilo que ouvimos. Foi um enorme choque. Por isso, estamos aqui para vermos como podemos ajudar a criança que ficou durante muito tempo em cativeiro”, afirmou.

O secretário do bairro Mateus Sansão Mutemba, Francisco Gerente Saguate, disse que “agradecemos os que denunciaram o caso, mas atrasaram, porque o tempo em que ela ficou a ser amarrada todos os dias é muito. Mesmo assim, louvamos e apelamos para que continuem assim”.Saguate, que considerou o caso de muito preocupante afirmou que “gostaríamos que este caso não fosse repetido, porque choca a sociedade. As pessoas devem estar livres, sobretudo as crianças”.O chefe do Departamento da Acção Social, na Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social, em Tete, Domingos Razão, disse ter sido colhido de surpresa neste caso, o primeiro do género reportado na cidade de Tete.Domingos Razão garantiu que a sua instituição vai acompanhar atentamente o caso, começando por garantir as condições necessárias para melhorar o estado de saúde da menor.

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