segunda-feira, julho 06, 2015

Nuvem tenebrosa

Desde meados do ano passado, a moeda moçambicana perde valor e as importações estão mais caras, factor que já preocupa a sociedade moçambicana, cujo consumo é assegurado, em grande medida, pelas importações. Esta semana, “o País económico” procurou pessoas entendidas na matéria de câmbios, entre economistas e empresários, para melhor interpretar o fenómeno do ponto de vista de causas, impacto e soluções  . A depreciação do metical já está a níveis preocupantes. De Julho do ano passado a Junho deste ano, um dólar passou de 30.66 meticais para cerca de 40 meticais. Num espaço de 11 meses, as compras dos moçambicanos no exterior, através do dólar, ficaram mais caras na mesma proporção.O facto é que a economia moçambicana, sendo potencialmente importadora, é sufocada não apenas do ponto vista de grandes importações, mas também de produtos básicos, incluindo alimentares. Olhando para as grandes importações, cálculos simples relativos à factura de importações de combustível, por exemplo, mostra que os custos de importação anual de cerca de 350 milhões de dólares, ao câmbio de 30 meticais, correspondiam a 10.5 biliões de meticais. Hoje, com o dólar na casa dos 40 meticais, os mesmos 350 milhões de dólares equivalem a 14 biliões de meticais.

O economista Nuno Castel-Branco diz que a exploração de recursos naturais não vai melhorar a qualidade de vida da população, enquanto não houver investimentos na diversificação da base produtiva. Defensor da revisão dos contratos com os mega-projectos, Castel-Branco é a favor de mudanças na abordagem actual da política de desenvolvimento para que haja participação de toda a sociedade.O economista, investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), considera que a riqueza em recursos naturais não deve, em si, orgulhar os moçambicanos. Disse, inclusive, que é melhor que os moçambicanos comecem a orgulhar-se de desenvolver boas estratégias de desenvolvimento, e não da riqueza em recursos que ainda não foram explorados e impõem grandes desafios.

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