quinta-feira, abril 16, 2015

"Não é xenofobia,É africano contra africano"




A cidade de Durban, capital económica do KwaZulu-Natal, foi, terça-feira,(14), palco de confrontos, com multidões de sul-africanos a vandalizarem e pilharem lojas e bens pertencentes a estrangeiros, inlcuindo moçambicanos, que se viram forçados a retaliarem os ataques, que se alastram ha três semanas, não obstante promessas das autoridades de porem cobro a violência.A violencia xenofoba, caracterizada por assaltos e saques a lojas de estrangeiros, forçou a polícia a encerrar o centro da cidade.Os confrontos ocorreram pouco depois do Ministro sul-africano do Interior, Malusi Gigaba, garantir a diplomatas de Moçambique, Nigéria, Somália, Malawi e Etiópia que os cidadãos estrangeiros seriam protegidos.Nao obstante o recrudescimento da violencia, as autoridades ligadas a seguranca e justica consideram que “tudo esta sob controlo” e que 'não ha xenofobia' e que a onda de tensao que se verifica ' e' ideologica'.A onda de violência xenofoba na cidade de Durban ja causou a morte de pelo menos cinco imigrantes, incluindo dois moçambicanos.Os ataques afectaram outras áreas de KwaZulu-Natal e polícia está desde a noite de terça-feira em estado de alerta máximo no centro da cidade de Durban.Milhares de imigrantes foram explusos dos seus locais de residência em áreas de Isipingo, Chatsworth, Umlazi, KwaMashu e Sydenham, e actualmente encontram-se acomodados em campos de trânsito.Armados com machados, enxadas e paus, cerca de 1 000 imigrantes queimaram pneus, preparando-se para se defenderem dos atacantes.Gigaba, que está a dirigir uma equipa multisectorial para pôr cobro a situacao, garantiu que a polícia fará tudo ao seu dispor, com vista a acabar com a violência. “Vamos detê-los e julgá-los”, prometeu.“Posso dizer-vos agora que não é xenofobia, mas sim 'afrofobia' e estamos a controlar a situação”, disse o Ministro da Polícia da Africa do Sul, Nkosinathi Nhleko.Instado a esclarecer a razão do governo negar usar o termo xenofobia, Nhleko referiu que a violência não estava a envolver todos os estrangeiros.
“É africano contra africano. Nao é contra outras nacionalidades”.Sobre ataques contra paquistaneses e bengales em Soshanguve, a norte de Pretória, o governante afirmou que a violência tinha motivacoes ideologicas.Ingrid Palmary, professor no Centro Africano para Migração e Sociedade da Universidade da Wits, descreveu os comentários feitos pelos governantes de “frustrantes”.“O facto de atacarem estrangeiros, apesar de não serem todos eles, não significa que não e' xenofobia”, disse, sublinhando que a violência continua por causa do sentimento anti-estrangeiro.Trish Erasmus, chefe do programa de Advogados para os Direitos Humanos e dos Imigrantes, criticou o pronunciamento de Nhleko de que a situação estava sob o controlo e a que a violência era ideológica.“Lembro que o antigo Prersidente sul-africano, Thabo Mbeki, prometeu, em 2008, que o país iria fazer tudo ao seu dispor, com vista a prevenir futuros ataques xenófobos”, disse.“Mas desde então”, de acordo com Erasmus, “ataques contra estrangeiros, na sua maioria dos Estados vizinhos, incluindo Moçambique, ocorreram por várias vezes no país”.À semelhança do governo do Presidente Jacob Zuma, o Executivo de Mbeki também negou usar o termo xenofobia. 
O rei Zulu, Goodwill Zwelithini, acusa o Ministro do Interior da África do Sul, Malusi Gigaba, de usar “exageradamente” o seu poder politico, descrevendo-o de um semi-deus, e a comunicação social local de estarem alegadamente a distorcer os seus comentários sobre a alegada expulsao de estrangeiros, incluindo moçambicanos, que têm exarcebado a tensão xenófoba na província do KwaZulu-Natal.Gigaba, membro do governo indicado pelo Presidente Jacob Zuma para pôr fim aos ataques xenófobos na região do KwaZulu-Natal, apelou as autoridades no país para se distanciarem de comentários inflamatórios.Dirigindo-se este fim-de-semana a imigrantes destituidos dos seus locais de residência, Gigaba sublinhou que “os nossos dirigentes têm a responsabilidade de usar palavras construtivas e não destrutivas”.Gigaba estava implicitamente a referir-se a um discurso feito por Zwelithini, o mês passado, quando alegadamente apelou para a deportação de estrangeiros, incluindo mocambicanos, cuja emigracao a Africa do Sul e' secular.O rei zulu negou categoricamente que tenha apelado para a expulsão dos imigrantes. Zwelithin afirmou que “estes dirigentes não deviam agir como se estivessem a juntar gado”.“Peço a líderes políticos que nos devíamos respeitar. A democracia não deve fazer-nos sentir como semi-deuses. Embora todo o sul-africano tenha o direito a comentar sobre 'ubukhosi' (que significa realeza), não vou permitir que seja insultado por pessoas que pensam que, por causa dos cinco anos dados pela misericórdia de eleitores, agora são semi-deuses e que devem ser adorados”, reagiu o rei Zwelithini. “Peco que os políticos que comentaram sobre o que eu disse sobre estrangeiros devem fazê-lo com conhecimento de causa. Devem perguntar ao Ministro da Polícia, Nathi Nhleko, para saberem exactamente o que eu disse, uma vez que fi-lo a seu convite. As pessoas não devem comentar só porque estão diante de microfones e câmaras”, sublinhou.A comunicação social sul-africana não foi poupada pelo soberano. Ele acusou empresas jornalísticas de distorcerem o seu discurso com claro intuito, segundo Zwelithini, de aumentarem as suas vendas.“Advirto aos media para não queimarem o país, porque quando a Africa do Sul estiver a arder irão esconder-se em baixo das saias das vossas mães”, atacou.Afirmou que em vez de apelarem aos imigrantes para deixarem o país, os sul-africanos deviam tomar os seus instrumentos de trabalho, de modo a produzir comida. Reiteradamente, disse que a comunicação social reportou mentiras acerca do seu pronunciamento. “Para incrementarem as vendas e receitas, os jornais devem mentir. São eles que estão a causar mortes. Eles não nos amam. São piores que o regime do Apartheid”, vincou.Zwelithini acrescentou que “para melhorarem as vendas, os media criam controvérsias. Eles não escrevem notícias construtivas”.Fez menção da violência dos anos de 1990 que, segundo o rei Zwelithini, foi exacerbada pela comunicação. social.
Apesar de ter havido evidência de que a tensão era entre o “Inkatha”, do príncipe zulu Mangosuthu Buthelezi, e apoiantes do “Congresso Nacional Africano” (ANC), no poder, causada por uma terceira força, os media disseram que as escaramuças eram entre os zulus e khosas.Referiu que “a distorção teve êxito porque o 'pai' do meu povo foi morto”. Aqueles dias, de acordo com Zwelithini, “as vendas de todos os jornais aumentaram. Enquanto descreverem acerca deste monstro chamado zulus ou ngunis, que estão a se matar, tornamo-nos monstros de todo o mundo”.O rei negou que tenha declarado guerra contra estrangeiros e apelou aos zulus para obedecerem a lei e absterem-se da violência.A dado momento, aconselhou aos zulus para que não permitam provocação. “O meu conselho é que devem obedecer a lei”, frisou, acrescentando que “se tivesse declarado guerra, a África do Sul estaria em cinzas”.Apesar de Zwelithini se distanciar da violência, o jornal Mercury, editado em Durban, confirmou ter gravado o discurso do rei, no qual falou da expulsão de estrangeiros.Pelo menos sete estrangeiros, incluindo dois moçambicanos, foram mortos, e milhares de outros viram-se obrigados a abandonar os seus locais de residência, devido a violência, que se espalhou para vários pontos do KwaZulu-Natal.

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