sábado, janeiro 08, 2011

"Se o Governo não age, actuamos nós"

Os líderes comunitários das zonas fronteiriças do distrito de Milange (no mapa A), província central da Zambézia, são acusados de vender terras férteis aos agricultores malawianos, privando da posse centenas de concidadãos das suas machambas.A situação está na eminência de gerar uma forte tensão social com consequências imprevisíveis para os grupos envolvidos. Trata-se das regiões de Corromana, Molumbo, Majaua e Tengua que praticam com frequência o negócio ilícito de terras, privando centenas de concidadãos de espaço para produzir comida para combater a pobreza.Os cidadãos, que denunciaram essa acção lesiva ao Estado por parte das autoridades comunitárias, afirmaram que o problema não é novo, mas desde 2010 a esta parte ganhou contornos preocupantes, uma vez que há pessoas que estão a perder as suas machambas no seu próprio país.Pedro Berson, um dos cidadãos que denunciou a venda de terras aos agricultores malawianos, disse que depois de produzir, toda comida é transportada para aquele país, sendo contabilizada na balança de pagamento do Malawi quando, de facto, os cereais saem de Milange. Os populares pediram ao governador da Zambézia para intervir de imediato no sentido de travar possíveis conflitos entre os dois povos que têm laços históricos e culturais seculares. Os cidadãos, citados pelo matutino 'Notícias' afirmaram estarem cansados de assistir o cenário serena e impavidamente assim como ameaçam tomar medidas, entretanto, não reveladas visando cortar o mal pela raiz.'Não estamos contra o facto de os malawianos virem produzir comida no nosso país, mas é preciso ver que os nacionais são uma prioridade. Eu no meu país não tenho acesso às melhores terras que o direito me assiste como moçambicano?', questionou Alberto Mário.Entretanto, o governador da Zambézia, Francisco Itae Meque, disse que medidas serão tomadas para corrigir o problema.Todavia, alertou contra o facto de se ter muito cuidado porque os dois povos têm relações históricas culturas. 'Talvez esse agricultor de Malawi tem mulher aqui em Milange, ou os seus pais são naturais de Milange, precisamos de um pouco mais de tempo para estudaremos o problema para depois tomar medidas', disse Itae Meque, para quem por lei nenhum cidadão está autorizado a vender terra pois ela pertence ao Estado.

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