Aos poucos, sem nenhum respeito
ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como
amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas
viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação
de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.Como a versão das conversas grampeadas
entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco
provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou
essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.Já que a torcida pelo
câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está,
por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito
foi apelar para a vida privada. Lula
pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de
grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar
possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana.
Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos,
atingi-lo na vida pessoal. Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu
uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da
República. Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede
Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma
repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o
filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de
prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha. Não há um
único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no
coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil
aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa
mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do
famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez
18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso.
Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto. O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros
Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel
sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que
isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal.
Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de
tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para
fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem
lhes confere o soldo. Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma,
era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e
ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por
jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam
ao emporcalhamento do jornalismo. (Carta Capital) segunda-feira, dezembro 10, 2012
"Emporcalhamento do jornalismo"
Aos poucos, sem nenhum respeito
ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como
amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas
viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação
de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.Como a versão das conversas grampeadas
entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco
provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou
essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.Já que a torcida pelo
câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está,
por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito
foi apelar para a vida privada. Lula
pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de
grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar
possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana.
Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos,
atingi-lo na vida pessoal. Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu
uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da
República. Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede
Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma
repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o
filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de
prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha. Não há um
único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no
coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil
aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa
mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do
famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez
18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso.
Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto. O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros
Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel
sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que
isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal.
Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de
tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para
fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem
lhes confere o soldo. Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma,
era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e
ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por
jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam
ao emporcalhamento do jornalismo. (Carta Capital) Asas de Moçambique
As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), maior transportadora aérea nacional, está a realizar um plano de negócios com vista a posicionar-se melhor no mercado para responder à crescente demanda dos serviços de transporte aéreo no país.Segundo a administradora delgada da LAM, Marlene Manave, o plano vai indicar a frota que a companhia deverá possuir nos próximos cinco anos e o volume de investimentos necessário para a concretização desse.A companhia pretende, por outro lado, equilibrar o número de aeronaves alugadas com as que são, efectivamente, sua propriedade.Para já, está prevista a aquisição de mais uma aeronave a jacto do tipo Embraer 190 (E190), que deverá chegar ao país em Outubro do próximo ano.Segundo Manave, a LAM está, neste momento, a procura de financiamento para a aquisição dessa aeronave.“Estamos a elaborar um plano de negócios para os próximos cinco anos, em parceria com uma empresa privada, para ver qual será a nossa frota nos próximos cinco anos. Queremos comprar uma nova aeronave e esperamos que em Outubro já esteja no país”, frisou.Manaveacrescentou que “estamos a busca de financiamento para tal, porque achamos que é importante equilibrar as aeronaves alugadas e da nossa propriedade, de modo a
garantir sustentabilidade da empresa e do negócio”.Manave, falando recentemente em Maputo, a jornalistas, explicou que neste processo de reforço da fota, a LAM pretende colocar os boeing nas rotas de maior procura e os Embraer nas de menor demanda.A LAM conta com uma frota de sete aviões, dos quais, três Embraer 190, um Boeing e outros três Bombardier Q400 turbo-hélice. A este número acrescem outras duas aeronaves da sua subsidiária, a Mex.De salientar que a LAM acaba de receber dois aviões, nomeadamente um boeing 737-500 com capacidade para transportar 111 passageiros, dos quais 12 na classe executiva e 99 na económica, bem como 14 toneladas de carga. O segundo avião é um Embraer 190 de fabrico brasileiro aeronave com capacidade para levar 103 pessoas, 84 na classe económica os restantes 9 na executiva, ao mesmo tempo que pode carregar 12,7 toneladas de carga.A LAM foi criada em 1936 com a designação de DETA (Direcção de Exploração de Transportes Aéreos) como uma divisão de exploração dos serviços dos Portos e Caminhos-de-Ferro.Após a Independência, por decreto 8/80 de 19 de Novembro de 1980, é extinta a DETA e criada a LAM, uma empresa estatal sob tutela do Ministério dos Transportes e Comunicações.
Piscicultura, no currículo de especialização
Um grupo de cinco estudantes finalistas do
curso de Aquacultura na Escola Superior de Ciências Marinhas, na cidade de
Quelimane, a capital da província central da Zambézia, decidiram juntar os seus
esforços e criar uma empresa Aquacultura de Quelimane (Aquacquel).Trata-se de
jovens empreendedores que depois de terminar o curso em 2010, decidiram abraçar
o empreendedorismo, desenhando no mesmo ano um projecto para criação de camarão
em tanques piscícolas, iniciativa positivamente apreciada pelo Instituto
Nacional de Desenvolvimento da Aquacultura (INAQUA).Para financiar o projecto,
o INAQUA disponibilizou 10 milhões de meticais (pouco mais de três de três
milhões de dólares americanos) desembolsados em tranches, tendo até ao momento
sido gastos cerca de três milhões na construção de quatro tanques dos quais
dois já foram povoados e estão a produzir peixe da espécie tilápia.Miguel
Chele, falando em nome do grupo, disse que no primeiro dos tanques povoados
foram lançados 11 mil alevinos e esperam colher, em princípios de Fevereiro,
uma tonelada e meia de peixe. No segundo tanque foram lançados 25 mil alevinos
e a expectativa é colher cerca de 10 mil toneladas de tilápia para abastecer o
mercado interno. “Já temos clientes identificados nos mercados de
Quelimane e Nampula, e estamos em negociações com a AQUAPESCA e a EFRIPEL para
entrarem no processamento do peixe logo que atingirmos uma produção de larga
escala”, disse Chele.“Agora estamos a construir um barco para escoar a nossa
produção através do Rio dos Bons Sinais, pois o local onde está instalado o
nosso projecto dista a cerca de três quilómetros da cidade de Quelimane e o
acesso e feito a pé, de bicicleta ou de motorizada apenas e em caso de chuva o
terreno e lamacento é escorregadio”, disse Chele.Neste momento, a Aquacquel,
que segundo Chele emprega 11 pessoas, vê as suas metas comprometidas uma vez
que o projecto era, em princípio, para produzir camarão mas devido a
dificuldades de aquisição de larvas deste marisco no mercado interno acabaram
optando pela tilápia que esta a ser alimentada com ração de camarão que e muito
cara.“Estamos agora em contacto com uma empresa das Maurícias que produz ração
para tilápia e a proposta avançada por essa empresa e bastante animadora, uma
vez que o quilograma vai nos sair a um preço de 30 meticais e o produto será
importado directamente para o porto de Quelimane”, explicou Chele.O outro
problema que esta a desgastar os jovens é o facto de ainda não lhes ter sido
concedido o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT. O pedido foi
submetido ao Município de Quelimane, no mandato do edil cessante Pio Matos e já
foi indeferido duas vezes devido a um erro de localização cometido pelos
técnicos da edilidade.O distrito de Quelimane conta actualmente com 14 tanques
piscícolas que ocupam uma área de 8.091 metros quadrados que foram povoados com
8.600 alevinos.
O Instituto Agrário de Mocuba, na província
central da Zambézia, aguarda o aval do Programa Integrado de Reforma do Ensino
Técnico Profissional (PIREP) para introduzir a disciplina de piscicultura, como
cadeira de formação no currículo de especialização dos seus estudantes.Hilário
Canga, director do estabelecimento de ensino, disse que a documentação já foi
submetida ao PIREP, há quase dois anos mas não tem até hoje a devida resposta e
sem esse aval todo o esforço feito no sentido de se implementar a iniciativa é
nulo.A iniciativa surgiu no âmbito de uma parceria, entre o Instituto Nacional
de Desenvolvimento da Aquacultura (INAQUA) e a Agência de Cooperação do Canada
que desembolsaram cerca de 700 mil meticais (pouco mais de 24 mil dólares
americanos) que estão a ser aplicados nas actividades preparatórias para a implementação
deste programa.No âmbito da parceria, segundo Canga, a Agência Canadiana
tinha-se prontificado a buscar junto de seus parceiros um financiamento à
instalação de um laboratório de investigação pesqueira, projecto que não
avançou por falta de um aval para o instituto implementar o projecto.Jose
Halafo, director adjunto do INAQUA, explicou que a introdução da disciplina no
instituto está integrada no conjunto de acções que a instituição está a
desenvolver em parceria com o Ministério da Educação (MINED) com o objectivo de formar jovens empreendedores.“Estamos a começar por Mocuba mas já existem outras iniciativas similares em outras instituições como é o caso dos institutos agrários de Boane (Maputo), Chimoio e Artes Ofícios também de Chimoio”, explicou Halafo.Halafo adiantou que os módulos que constituem o currículo para formação nesta área já foram desenhados e integram as componentes de abertura de tanques, fertilização, povoamento, maneio, colheita e tratamento dos tanques no período pós-colheita.Segundo Telma Mateus, professora encarregue de implementar a iniciativa no Instituto Agrário de Mocuba, disse que através da parceria entre o Instituto/INAQUA e a Cooperação Canadiana foram formados cinco professores em matérias de Aquacultura estando agora em curso o processo de abertura de tanques.“Já estaríamos a criar peixe mas tivemos problemas de infiltração de água, que até agora ainda não foram resolvidos por isso apelamos a todos os parceiros para darem o apoio necessário de modo a que a iniciava vá avante”, disse Telma Mateus.Porém, a infiltração de água nos tanques poderá, segundo o director adjunto do INAQUA, ser resolvida com a introdução de lonas, pois o melhor seria a introdução de betão, tendo em conta a importância que esta iniciativa vai jogar na formação prática dos estudantes e das comunidades.A iniciativa, segundo Telma Mateus, vai abarcar também a formação de pessoas vindas das comunidades, tendo em conta que os recursos pesqueiros no rio Licungo tendem a reduzir devido a enorme pressão que sofre e já não se consegue tirar peixe em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades de consumo da população.“Devido ao problema, existe agora um grande interesse dos membros das comunidades em criar o seu peixe. Para satisfazer esta procura vamos funcionamento.O que se pretende no instituto, segundo Mateus, é criar um espaço de interesse social e intercâmbio entre os estudantes dos cursos de agro-pecuária e os agricultores de diferentes distritos da província da Zambézia que querem saber como fazer para abraçarem aquacultura.introduzir cursos de curta duração especialmente para a população”, destacou Telma Mateus.Para a abertura dos dois tanques o instituto contou, segundo a fonte, com mão-de-obra proveniente das comunidades, num total de 20 pessoas que serão os primeiros beneficiários do curso de formação logo que o programa tiver o aval para entrar em funcionamento.O que se pretende no instituto, segundo Mateus, é criar um espaço de interesse social e intercâmbio entre os estudantes dos cursos de agro-pecuária e os agricultores de diferentes distritos da província da Zambézia que querem saber como fazer para abraçarem aquacultura.
desenvolver em parceria com o Ministério da Educação (MINED) com o objectivo de formar jovens empreendedores.“Estamos a começar por Mocuba mas já existem outras iniciativas similares em outras instituições como é o caso dos institutos agrários de Boane (Maputo), Chimoio e Artes Ofícios também de Chimoio”, explicou Halafo.Halafo adiantou que os módulos que constituem o currículo para formação nesta área já foram desenhados e integram as componentes de abertura de tanques, fertilização, povoamento, maneio, colheita e tratamento dos tanques no período pós-colheita.Segundo Telma Mateus, professora encarregue de implementar a iniciativa no Instituto Agrário de Mocuba, disse que através da parceria entre o Instituto/INAQUA e a Cooperação Canadiana foram formados cinco professores em matérias de Aquacultura estando agora em curso o processo de abertura de tanques.“Já estaríamos a criar peixe mas tivemos problemas de infiltração de água, que até agora ainda não foram resolvidos por isso apelamos a todos os parceiros para darem o apoio necessário de modo a que a iniciava vá avante”, disse Telma Mateus.Porém, a infiltração de água nos tanques poderá, segundo o director adjunto do INAQUA, ser resolvida com a introdução de lonas, pois o melhor seria a introdução de betão, tendo em conta a importância que esta iniciativa vai jogar na formação prática dos estudantes e das comunidades.A iniciativa, segundo Telma Mateus, vai abarcar também a formação de pessoas vindas das comunidades, tendo em conta que os recursos pesqueiros no rio Licungo tendem a reduzir devido a enorme pressão que sofre e já não se consegue tirar peixe em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades de consumo da população.“Devido ao problema, existe agora um grande interesse dos membros das comunidades em criar o seu peixe. Para satisfazer esta procura vamos funcionamento.O que se pretende no instituto, segundo Mateus, é criar um espaço de interesse social e intercâmbio entre os estudantes dos cursos de agro-pecuária e os agricultores de diferentes distritos da província da Zambézia que querem saber como fazer para abraçarem aquacultura.introduzir cursos de curta duração especialmente para a população”, destacou Telma Mateus.Para a abertura dos dois tanques o instituto contou, segundo a fonte, com mão-de-obra proveniente das comunidades, num total de 20 pessoas que serão os primeiros beneficiários do curso de formação logo que o programa tiver o aval para entrar em funcionamento.O que se pretende no instituto, segundo Mateus, é criar um espaço de interesse social e intercâmbio entre os estudantes dos cursos de agro-pecuária e os agricultores de diferentes distritos da província da Zambézia que querem saber como fazer para abraçarem aquacultura.
Se não fizerem o que eu quero...divido o país!!!
A proposta conjunta
da Frelimo e MDM para uma CNE consiste em oito membros indicados pelos partidos
políticos baseada na proporção do número de assentos que detém na AR, isto é,
cinco da Frelimo, dois da Renamo e um do MDM, três membros escolhidos por
organizações da sociedade civil um juiz e um procurador. A ideia de lidar com
um conjunto de leis em negociação no esconderijo de Dhlakama não só é
inconstitucional assim como pode descarrilar o calendário eleitoral. O fracasso
na aprovação da lei ainda este mês impossibilitará a nomeação atempada da nova
CNE para o escrutínio autárquico marcado para finais de 2013. Nas suas ameaças,
o líder da Renamo disse que se o governo não aceitar as suas ameaças “a
alternativa que sobra a sua força política é a divisão do país”. Dhlakama
disse igualmente que a Renamo prendeu cinco “espiões” que os acusa de serem dos
Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) e da Força de Intervenção
Rápida (FIR). Nas suas alegações, afirma ter recebido, há duas semanas,
informações segundo as quais cinco pessoas chegariam ao seu esconderijo a fim
de espionar a área, entre eles três mulheres e dois homens. Os cinco são três mulheres idosas, uma rapariga e um velho veterano da luta de
libertação nacional do país. “Ele disse que vinha ter com um médico tradicional, que conheceu antes da
independência”, disse Dhlakama, acrescentando que só uma pessoa com problemas
mentais é capaz de acreditar nisso.Na óptica do líder da Renamo, eles são
membros da FIR que “pretendem corromper os médicos tradicionais para espionarem
os nossos homens espalhados pelas matas. É lamentável que, 20 após o acordo de
paz, a Frelimo envie homens para aqui”.Embora esteja em Gorongosa, Dhlakama
disse não estar a preparar nenhuma guerra, uma vez que ela pode ser preparada a
partir de qualquer ponto do país e a sua presença na serra visa única e
exclusivamente continuar a exigir paz e democracia, mas eles (Frelimo), pensam
“em matar-me”. O líder da Renamo acrescentou que “vir a serra de Gorongosa para atacar
Dhlakama sera o fim do mundo”. As crenças e o uso da medicina tradicional no meio rural do país constituem uma
realidade e não parece haver algo errado com a estranha história do velho
indiciado, independentemente de ser ou não um veterano da guerra de libertação.Mais
ainda, se Dhlakama tem o direito de movimentar-se em Gorongosa (como tem estado
a fazer), o mesmo direito não pode ser negado aos outros cidadãos moçambicanos,
mesmo se a Renamo os considerar “espiões”. A detenção dos cinco é simplesmente
um rapto.Esta não é a única ilegalidade cometida pelas forças de Dhlakama em
Gorongosa. Para chegar a sua base na localidade de Sanjundjira, a reportagem do
“O País” teve de passar por vários controlos da Renamo.Em diversas ocasiões, o
seu veículo foi parado pelos membros da “Guarda Presidencial” de Dhlakama que
os submeteu a um interrogatório hostil, numa flagrante violação do direito à
liberdade de circulação consagrado na Constituição da República.
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Simango ataca " concorrente" !
O presidente do Movimento Democrático de
Moçambique (MDM), Daviz Simango, desafiou os membros desta força política na
oposição em Moçambique a fazerem tudo o que estiver ao seu alcance no sentido
de capacitar o partido em termos de infra-estruturas. Segundo Simango, a
situação do partido é deveras difícil na medida em que não possui instalações
próprias na maioria das províncias, havendo poucos os casos em que o MDM conta
com infra-estruturas para o seu pleno funcionamento.O presidente do MDM falava
quarta-feira, na cidade portuária da Beira, Centro de Moçambique, ao apresentar
o relatório das actividades do seu partido ao primeiro Congresso desta força
política que conta com oito assentos no parlamento moçambicano, a Assembleia da
República. Neste contexto, Simango disse ser necessário que o partido encontre
meios para, paulatinamente, construir suas próprias instalações, tal como
acontece com as várias congregações religiosas que, nos últimos tempos, têm
vindo a construir os seus templos. Para além da problemática das infra-estruturas, Simango passou em revista odesempenho do MDM nas eleições gerais de 2009, onde participou quando apenas tinha cerca de cinco meses da sua existência e as eleições municipais intercalares em Cuamba, Pemba e Quelimane, bem como em Inhambane.Na sequência das intercalares, o MDM conquistou o Município de Quelimane, que se junta a cidade da Beira onde o presidente deste partido é edil.O relatório enaltece ainda o desempenho dos militantes do partido, que com imensas dificuldades de vária natureza têm trabalhado para que as aspirações do MDM continuem bem vivas. Antes da apresentação do relatório, os congressistas aprovaram a agenda e programa dos trabalhos, numa sessão dirigida pela antiga deputada, Maria Moreno, que foi eleita para presidir as sessões.
De referir que na sessão de abertura, que decorreu ao meio da manha de quarta-feira, foi presenciada por cerca de 900 pessoas entre delegados, convidados nacionais e estrangeiros e jornalistas. A Frelimo, partido no poder, assistiu os trabalhos na qualidade de um dos partidos convidados, mas a Renamo, o segundo maior partido no pais, não se fez presente no evento, não obstante a maioria dos membros do MDM terem tido, outrora, fortes laços com o partido de Afonso Dhlakama. Aliás, poucas são as vezes em que a Renamo se junta a outros partidos em eventos desta natureza, e mesmo aqueles que são de natureza estatal, apesar dos convites que lhe são endereçados.
quarta-feira, dezembro 05, 2012
Moçambique 123 !
A corrupção continua fazendo estragos no
mundo e prejudica, em particular, os países mais atingidos pela crise na
Eurozona, como Grécia e Itália, cuja classificação na lista se deteriora,
indica a Transparência Internacional em seu relatório anual publicado nesta
quarta-feira.Na América Latina, os países mais virtuosos são
Chile e Uruguai, que compartilham a 20ª posição com uma nota de 70 pontos em
100, e o mais corrupto é a Venezuela, situado na 165ª posição com 19 pontos, na
frente apenas de Iraque, Uzbequistão, Somália e Afeganistão.A Transparência Internacional constata que
"a corrupção continua fazendo estragos nas sociedades em todo o
mundo" e aponta expressamente para os países mais afetados da Eurozona
pela crise econômica e financeira, pelo nível "decepcionante" de
corrupcção, segundo o comunicado.A Transparência Internacional analisa a
corrupção em 174 países e lhes concede uma nota que vai de 0 a 100, dependendo
da percepção de corrupção.Para realizar esta lista, que reflete apenas a
percepção da corrupção, a ONG se baseia em dados recolhidos por 13 instituições
internacionais, entre elas o Banco Mundial, os bancos asiático e africano de
desenvolvimento ou o Fórum Económico Mundial.Veja a situação do seu país aqui.China "levanta" pena de morte!
“Neste momento a pena dela foi comutada para prisão perpétua e, muito recentemente, tivemos boas notícias de que a pena desta nossa cidadã poderá passar para prisão maior”, anunciou hoje, em Beijing, capital chinesa, António Inácio Júnior, embaixador moçambicano acreditado neste país asiático. António Júnior, que falava a uma equipe de jornalistas moçambicanos que se encontra a fazer uma visita de trabalho a China, explicou que o facto de a sentença ter sido comutada para prisão maior significa que Mila Mendes poderá cumprir entre 17 e 18 anos de prisão antes de ser libertada, invés de passar o resto da sua vida encarcerada. Para o embaixador, esta decisão representa um grande gesto do governo chinês na sua relação com Moçambique, cujos laços de amizade comecaram a ser forjados desde o início da luta de libertação nacional do jugo colonial português. António Júnior também considera que a comutação da pena é fruto das excelentes relações pessoais que os dirigentes moçambicanos vão mantendo com os seus homólogos chineses, “que permite esta confiança e levou ao perdão dessa cidadã que tinha sido condenada a pena de morte”. Estes últimos desenvolvimentos também servem para desmentir notícias postas a circular alegando que Mila Mendes já havia sido executada.
“Isso não corresponde a verdade, pois ela (Mila Mendes) continua viva. No mês passado o sector consular teve a oportunidade de ir a cadeia para se avistar com ela. Além disso, ela pode manter contacto com a sua família, pois a cadeia permite que isso aconteça como resultado do seu bom comportamento que também contribuiu para a comutação da pena de morte”.
O diplomata aproveitou a oportunidade para apelar a todos os cidadãos moçambicanos para não se deixarem seduzir pelo crime organizado, e evitarem actividades ilícitas em alguns países asiáticos, onde as penas são muito pesadas.
“Eu queria aproveitar esta oportunidade para apelar a nossa sociedade, especialmente aqueles que têm viajado para a zona da Ásia, para dizer que países como a República Popular da China, Tailândia, Singapura, Malásia e Vietname são destinos onde as pessoas são presas, julgadas e condenadas a pena capital nos casos de tráfico de droga”.
O embaixador explica que o crescimento e desenvolvimento económico que se regista em muitos países asiáticos tornam-se num forte atractivo para as redes do crime organizado que querem estabelecer e expandir as suas actividades nesta região. António Júnior aproveitou a oportunidade para enaltecer o esforço desenvolvido pelos Ministérios da Justiça, Interior, e particularmente dos Negócios Estrangeiros para assistir a cidadã moçambicana Mila Mendes. Na ocasião, embaixador informou que existem outras duas moçambicanas que foram detidas em Março do corrente ano. Ambas foram julgadas e condenadas entre 10 a 11 anos de cadeia por roubo.
“É uma pena muito severa para o roubo”, lamentou. O embaixador acredita que em ambos os casos cidadãs poderão cumprir apenas cinco ou seis anos de prisão, para depois serem repatriadas para Moçambique.
terça-feira, dezembro 04, 2012
É fantástico como Moçambique olha o futuro!
Os recursos minerais de que Moçambique dispõe constituem um
veículo para o país alcançar o objectivo de erradicação pobreza que afecta mais
de metade da população moçambicana e garantir prosperidade compartilhada entre
todos os cidadãos hoje e no futuro.Esta afirmação foi feita hoje em Maputo,
pelo vice-presidente do Banco Mundial para o Sector Económico, Otaviano Canuto,
num breve encontro com jornalistas, depois de ter sido recebido em audiência
pelo Primeiro-Ministro moçambicano, Alberto Vaquina. Na ocasião, Canuto
garantiu que o Banco Mundial está disponível a apoiar o executivo moçambicano a
garantir que a abundância de recursos possa ser uma bênção e sublinhou que tal
só será possível se Moçambique criar capacidade interna de gestão dos investimentos
públicos.“Moçambique dispõe de uma boa gestão macroeconómica, uma condição essencial.
Claramente, este país está se preparando para enfrentar desafios e as
oportunidades tipicamente de países com riquezas e recursos naturais. Nós
estamos disponíveis para ajudar, aprofundar as nossas parcerias, porque
Moçambique é parceiro importante para o Banco mundial”, defendeu.Aquele
dirigente explicou que tal apoio consiste em “colaborar na formação de
capacidade de análise dos projectos, gestão de investimento público, porque em
última instância a abundância de recursos será uma bênção na medida em que o
país cria capacidade interna. Nisso, Moçambique está no bom caminho e nós nos
beneficiaremos desta parceria”.Para Canuto, a melhoria da capacidade de análise
do que fazer com os rendimentos dos recursos naturais constitui o maior desafio
para Moçambique.“Moçambique enfrenta desafios como todos os países em desenvolvimento que se
depara com descoberta de recursos naturais. A melhoria da capacidade de
projectos para o investimento público e a melhoria da análise das formas de
ajudar o sector privado constitui um dos grandes desafios do país para ter
melhor desempenho económico, sobretudo com a participação dos recursos
naturais”, frisou.Sobre o encontro com o Primeiro-Ministro, Canuto disse estar satisfeito com o
que ouviu.Segundo aquele gestor, o Primeiro-Ministro mostrou uma visão
estratégica promissora do país.“É fantástico ver as pessoas que têm a posição de tomar decisões básicas com uma clareza tão promissora”, afirmou Canuto.“O Primeiro-Ministro falou dos desafios e o que há por fazer para que Moçambique tenha um futuro brilhante que se vislumbra, em que a riqueza dos recursos minerais sejam o veículo para, definitivamente, se terminar a pobreza e garantir uma prosperidade compartilhada”, detalhou.Canuto que chegou a Moçambique no último domingo, na prossecução da sua visita de trabalho, vai manter encontros com outros membros do Governo, sociedade civil e doadores.
O vice-presidente do Banco Mundial vai proferir uma palestra sobre “Os Desafios na Gestão dos Recursos Naturais”, destinada a Académicos, Sociedade Civil e demais interessados.O objectivo da visita é avaliar o andamento dos projectos financiados pelo Banco Mundial.Actualmente, Moçambique está a implementar 18 projectos em diversos sectores avaliados em cerca de 800 milhões de dólares norte-americanos (USD). Para 2013, estão em carteira três projectos orçados em 290 milhões USD. Trata-se dos projectos de expansão do fornecimento de água ao Grande Maputo, avaliado em 110 milhões USD, de subsistência costeira, 30 milhões, e de gestão e manutenção de estradas e pontes na sua fase três, na ordem de 150 milhões.Moçambique mantém relações de cooperação com o Banco Mundial desde 1984, no âmbito das quais, o país beneficiou de cerca de 3,6 biliões USD, traduzidos em mais 67 créditos e donativos, para Programas de Ajustamento Estrutural, financiamento a projectos de desenvolvimento e Apoio Directo ao Orçamento do Estado.
Para manter a glória do passado...
O vice-Presidente do Congresso Nacional
Africano (ANC), no poder na África do Sul, Kgalema Motlanthe, advertiu,
segunda-feira, ao partido da possibilidade de o eleitorado optar por uma outra
formação política se continuar a negligenciar as preocupações da maioria
sul-africana.Em entrevista exclusiva à Corporação da Rádio Difusão Britânica
(BBC), Motlanthe apelou ao partido governamental sul-africano a dar atenção a
questões relevantes, com vista a manter a “glória” do passado, sublinhando que
“continuar a negligenciar a maioria do nosso povo, poderá significar que não
estamos em posição de sermos responsáveis.”
"O povo tem o direito de julgar e
criticar por aquilo que hoje está a acontecer e não por o que foi feito no
passado. Quanto mais o ANC for criticado melhor sera para o partido em si.
Temos que escutar a voz da verdade," acrescentou.
Motlanthe, que é também vice-Presidente da
África do Sul, acautelou contra o facto de o partido no poder perder a sua base
de apoio se continuar a não melhorar as condições da maioria no país.Instado a
comentar sobre o tipo de liderança que a África do Sul pretende, ele afirmou
que o país precisa de um dirigente que se preocupe com as condições da maioria
dos sul-africanos.Motlanthe continua a não dizer se ele poderá ou não aceitar
uma nomeação para liderar o partido durante o seu congresso, marcado para 17
deste mês, em Mangaung, na província de Free State.Durante a entrevista, o
segundo homem mais forte da África do Sul tornou claro que não vai aceitar
“acordos” tendentes a garantir uma posição de liderança no seio do movimento.No
congresso, o Presidente do ANC, Jacob Zuma, vai procurar um segundo mandato na
liderança do organização. Seis das nove províncias sul-africanas votaram a seu
favor.
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Socorram a Guiné!
“Vamos fazer guerra. Eu com a minha caneta, eles com catanas e armas”
Saiu de Bissau depois de receber ameaças de morte. Exilado em Lisboa, António Aly Silva não se sente seguro e vê-se obrigado a recomeçar do zero. Uma das mais ouvidas vozes guineenses no mundo, numa entrevista sem assuntos proibidos.
O que é que te levou a sair de Guiné-Bissau?
A perseguição constante, que se acentuou no dia 26, e que me fez sair nessa mesma noite para Dakar e depois para Lisboa.
Especulou-se sobre o que tinha acontecido e como tinhas entrado no Senegal. Se estarias mesmo em Dakar.
Na entrevista que dei ao Informador [ntpinto.wordpress.com] apareceu alguém a dizer que era mentira, que eu não podia ter saído no mesmo dia e que não havia voos à noite.
O que eles queriam era raptar-me em Dakar, mas não tiveram luz verde do governo senegalês que lhes disse claramente que eles não podiam de maneira nenhuma prender-me porque eu não fiz nada no Senegal. O perigo do nosso país advém das mentiras, das calúnias, que acabam por tomar contornos que depois não conseguimos controlar.
As ameaças que recebeste e que te levaram a sair de Bissau têm necessariamente a ver com a tua actividade jornalística, nomeadamente aquela que desenvolves no teu blogue?
De jornalista e cidadão. Porque enquanto cidadão guineense não apoio golpes, não quero saber de golpes. Aliás, quando fui preso no dia 13 de Abril os militares fizeram-me uma proposta indecente que era para eu ficar a trabalhar com eles. Eu disse que não queria. A partir dessa altura começaram a olhar-me de outra maneira, com ódio. Telefonavam, ameaçavam. Queriam parar o blogue, mas não pararam. Vamos fazer guerra, eu com a minha caneta, eles com catanas e armas.
Mas chegaste a ponderar parar com o blogue…
Tenho dois filhos e não quero que os meus filhos cresçam a pensar que o pai foi assassinado.
Depois daquele patético mandato obviamente que eu não posso parar. Não posso e não vou parar. Só vou parar no dia em que morrer. E se eu morrer o meu blogue no dia a seguir continua, tudo está do meu lado. Se querem parar o meu blogue não é matando-me que vão conseguir.
Já tinhas sido preso anteriormente, já tinhas sido ameaçado noutras alturas.
Eu comecei a ser preso desde 92, na época de Nino Vieira. Pertencia ao PCD, fui preso, espancado, tive que ser evacuado para Portugal para tratamento. Tenho o corpo todo marcado, mas porquê? Porque sou jornalista. Se nós todos na Guiné tivéssemos armas, quem é que levantava uma arma para dar um tiro à noite e sobressaltar as famílias? Ninguém. Os militares ficaram chateados quando eu pus um post a dizer que não havia etnia mais “matcho” que outra etnia na Guiné. E não há. Há uma etnia que se sobrepõe às outras porque usa o método de terror, espancamentos e assassinatos e isso põe medo em qualquer pessoa, mas se todos nós tivéssemos armas, ninguém levantava uma arma para fazer o que quer que fosse, porque lhes caíamos todos em cima. Isso é que as pessoas têm de entender.
No teu entender a mudança de paradigma na Guiné-Bissau terá necessariamente que partir da vontade dos guineenses?
Tem que partir do sacrifício dos guineenses. Os militares estão a espezinhar os direitos humanos na Guiné-Bissau e a CEDEAO tem que reagir. Onde é que está o poder efectivo e de facto da ONU? O que é que a ONU faz? Nada. Agora, outro disparate: mandaram militares para ir morrer no Mali. Por cada militar morto ou ferido no Mali vai haver uma queixa-crime contra as autoridades ilegítimas e golpistas da Guiné-Bissau, porque o Parlamento não aprovou nada. Os povos dos países pobres são deixados a morrer e os dos países ricos são salvos. Isto não pode ser. A carta das Nações Unidas é clara. A igualdade é para todos.
Quem é que vai apresentar essa queixa-crime a que tu referes?
Eu mesmo, porque sou cidadão da Guiné-Bissau. Mesmo estando fora do país pode-se fazer, há tribunais internacionais, já escrevi isso até no blogue. Cada cidadão ferido ou morto vale uma queixa-crime contra as autoridades que estão na Guiné-Bissau ilegalmente, que usurparam o poder a começar pelo senhor Kumba Yalá que é aquele que de facto manda naquele país hoje. Isso é insustentável.
No teu entender é Kumba Yalá quem está por detrás dessas movimentações políticas e militares?
Com certeza. O Kumba Yalá é que deu o Golpe, é que manda, que põe. O Kumba Yalá é que manda na Guiné-Bissau, nomeou quase tudo o que é ministros, secretários de Estado, directores gerais. Ninguém tem dúvida disso.
Acreditas que o país irá a eleições no próximo ano?
Eu não sei em que acreditar mais, sinceramente. Só sei que a Guiné-Bissau está de joelhos, quase a cair e se as Nações Unidas não aprovam uma força de interposição de 4 mil ou 5 mil homens para aquele país, estão a hipotecar o futuro de um milhão e meio de guineenses. E alguém terá que responsabilizar as Nações Unidas pelo futuro daquele povo. As Nações Unidas são obrigadas a dar um sinal claro. Foi um disparate do Governo de transição ir à ONU e não chegar sequer a pisar o passeio. Isso é uma prova clara do abandono a que a Guiné-Bissau está votada. Portanto, é preciso que a ONU, o mais cedo possível, trate com a União Africana, com a CPLP, com a União Europeia. Na Guiné, as pessoas são raptadas, espancadas, assassinadas debaixo do nariz das tropas da CEDEAO. Estão lá a fazer o quê? Uma missão que gasta mais de 20 milhões de dólares por mês o que é que faz na Guiné-Bissau? Protege quem? Quem é que nos protege a nós das barbaridades que estão a ser cometidas pelos militares na Guiné-Bissau? Porque já vimos que a CEDEAO não o faz.
Todos estes meses passados não se alterou significativamente o quadro, como acabaste de descrever. No teu entender, porque é que as coisas simplesmente não acontecem?
Não acontecem porque há gente mesquinha a fazer política no nosso continente. Pela primeira vez na história da Guiné-Bissau houve um golpe em Abril, estamos em Novembro e a Guiné ainda não é reconhecida pela União Europeia, não é reconhecida pela CPLP, está suspensa da União Africana e não é reconhecida pela esmagadora maioria dos países da Nações Unidas. Passaram muitos meses e então pergunto, porque é que a ONU ainda não se decidiu pelo envio de uma força multinacional para a Guiné-Bissau. Estou farto de falar na possibilidade do envio de uma força e da Guiné tornar-se um protectorado da ONU. Só assim vamos deixar de passar a imagem de animais que temos perante o mundo e só assim a Guiné-Bissau caminhará com calma e sem sobressaltos para se desenvolver. Na Guiné-Bissau a tropa faz o que lhe apetece, trafica, troca, tem pista de aviação em quase todo o território, protege os traficantes, lança os foguetes, apanha as canas. Mas quem é que vota em alguém para ser chefe de estado-maior? Ninguém.
Achas que pode estar eminente um novo golpe de Estado?
Isso é só somar um mais um. Já escrevi isso uma vez e repito. Se me querem acusar de fomentar incitamento à guerra étnica, só lhes digo uma coisa: disparate, vocês estão a aterrorizar o povo da Guiné porque é que não podemos aterrorizar-vos? Estou em Portugal, mas é como se estivesse em Bissau, não estou seguro, eu sei que não.
Não te sentes seguro em Lisboa?
Não. Nunca. Estou aqui, é como se estivesse na cidade em Bissau, eu sei isso. Não frequento dezenas de sítios porque entendo que não devo fazê-lo. Eles estão a aterrorizar o povo e quando eu disse uma vez a que atitude do Quem é mais do que quem? Quem tem o direito de raptar e matar? Eu não vou raptar ninguém, claro, nunca o fiz, nunca conspirei para nada disso, mas gostava que os guineenses fizessem isso. Que o cidadão comum fizesse isso, porque não, eles têm familiares a estudar fora da Guiné. É apanhá-los numa esquina e levarem duas chapadas, qual é o problema?
Na Guiné-Bissau, os guineenses tem percepção de tudo aquilo que se está a passar ou a informação é sonegada de maneira a que as pessoas não percebam a real dimensão da situação?
A informação não é sonegada, basta ver o meu blogue. Até o secretário-geral da ONU consulta o meu blogue que eu sei.Agora, o guineense está aterrorizado a ponto de não ousar se¬quer piscar o olho. Temos gente à civil em tudo o que é esquinas a ouvir, a comunicar, a mentir. Delatores. Estamos a viver uma ditadura militar na Guiné-Bissau, sobre isso não há dúvidas. Temos lá um representante da União Africana, não sei que relatório é que manda para a União Africana, não me parece que sejam relatórios da real situação porque senão já havia quem tivesse agido. Não estou a duvidar das intenções do representante da União Africana, eu gostava de saber que tipo de informações são passadas para a União Africana.
Como é que é a tua vida actualmente em Lisboa? Deixaste tudo em Bissau?
Vim com uma mochila. A minha vida aqui é uma porcaria autêntica. Estou aqui, tenho que recomeçar do zero, não tenho trabalho, não tenho casa. Para mim isto é um inferno e se calhar antes do fim do ano regresso ao meu país, e se me quiserem matar, façam favor.Eu não posso viver aqui da maneira que estou a viver. Estou aqui ao Deus dará, sentado numa casa que não é minha. Isto não é vida, eu tenho 46 anos, sou Guineense, gostava de continuar a viver no meu país e morrer lá e ser enterrado lá. Esse é o meu desejo. Agora, nem no meu país eu posso viver porque eu critico os desmandos, os crimes que acontecem contra o meu próprio povo. Estou farto de andar a fugir, não gosto desta vida.
Expresso das Ilhas/Entrevista por
Nuno Andrade Ferreira
Falar pela concordia...
O governo e a Renamo, maior partido da posição,
voltarão a reunir-se segunda-feira da próxima semana para encontrar um
denominador comum à volta das cinco questões que estiveram na agenda do
encontro havido hoje, em Maputo, mas que não produziu resultados apreciáveis.O
próximo encontro foi anunciado pelas partes no final da audiência que o governo
concedeu a Renamo, em resposta a um pedido formulado pelo partido da oposição
no dia 22 do passado mês de Outubro, manifestando seu desiderato nesse sentido. Manuel Bissopo, Secretário-geral da Renamo que também encabeça a delegação
desta força política ao encontro, disse que o seu partido apresentou
fundamentalmente cinco questões de relevo, nomeadamente a matéria da defesa e
segurança, os processos eleitorais, a exclusão no benefício dos ganhos da
economia, a despartidarização do Estado e o acesso a função pública.
“Estes pontos foram apresentados ao governo e nós esperamos que dentro de um
prazo de sete dias, a partir de hoje, se pronuncie para o prosseguimento do
processo ora iniciado”, disse Bissopo, apontando que a Renamo quer que o
próximo encontro tenha lugar em qualquer província da região centro do país, a
escolha do governo.
O secretário-geral da Renamo lamenta, no entanto, o facto de o governo não reconhecer
em nenhum momento a legitimidade das questões levadas, no encontro, pelo seu
partido, mas está optimista que nos próximos encontros a reacção seja diferente
e positiva.
José Pacheco, que encabeça a delegação do governo, disse, por seu turno, não
haver nenhuma falta de vontade do governo em reconhecer a legitimidade das
questões, tanto mais que todas e quaisquer decisões do executivo são todas em
estrita observância da constituição vigente na República de Moçambique. Pacheco
apontou, a título de exemplo, a inquietação da Renamo em relação a
implementação do Acordo Geral de Paz (AGP), assinado em 1992, em Roma, Itália,
não tem qualquer fundamentação, dado que todas as matérias sobre o mesmo foram
inseridas na Constituição da República.Desta feita, a Renamo, segundo a fonte,
deverá tornar mais explicitas as questões inseridas na sua pauta
reivindicativa, isto é, saírem do geral ao particular para uma melhor análise
sobre se elas são de alçada do governo ou então de jurisdição de outros órgãos
competentes.Em relação a questão das eleições que, segundo a Renamo, têm sido
marcadas por viciações, Pacheco disse que os escrutínios no país sempre foram
livres, justos e transparentes tanto mais que são reconhecidos pela comunidade
internacional.
“Havendo matérias específicas, eles devem ser mais precisos para que os órgãos
competentes possam, no futuro, tomar deliberações a volta de coisas concretas
que preocupam a Renamo”, explicou Pacheco.No capítulo referente ao que a Renamo
chama partidarização do Estado, o executivo pede exemplos mais específicos,
sustentados por provas concretas de onde é que tal coisa está a acontecer.O
acesso a função pública, segundo a fonte, passa por um concurso público cujo
resultado é que dita a selecção ou afastamento do candidato, independentemente
das cores partidárias que ele escolheu. Alias, o mesmo acontece em relação ao
acesso à Polícia, as forças armadas entre outras públicas.
Desta feita, as duas partes voltarão a reunir-se segunda-feira e,
contrariamente a vontade expressa pela Renamo, de o mesmo acontecer em qualquer
província da região centro do país, Pacheco afirmou que o mesmo terá lugar em
Maputo. Pacheco disse que ainda que a capital do país é a cidade de Maputo, a
Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, o mais alto órgão
legislativo, está na capital e a sede da Renamo está também aqui não fazendo
sentido que esse encontro se realize em um outro lugar.
10.000 seronegativas
Um total de dez mil crianças nasceram seronegativas de mães com
HIV/SIDA assistidas pelo Centro Dream da Comunidade de Sant’Egídio, nos últimos
dez anos em Moçambique.Trata-se de bebés que foram gerados por mulheres seropositivas que beneficiaram
de tratamento para prevenir a transmissão vertical, com a administração da
triterapia no âmbito de um programa que está a ser implementado pela Comunidade
de Sant’Egídio.O Centro Dream diz que o número de bebés nascidos infectados é
quase nulo.Numa altura em que se celebra o dia mundial de luta contra o HIV, a
Comunidade de Sant’Egídio também celebra este ganho.O lema da celebração para
este ano esteve relacionado com a prevenção de novas infecções por HIV de mãe
para filho.Entretanto, ao nível nacional, continuam a nascer milhares de
crianças infectadas devido a vários factores, sobretudo ligados a cobertura da
rede sanitária e adesão a cuidados de saúde durante a gravidez, sobretudo por
razoes culturais. Em muitas zonas do país, é tradição fazer partos fora dos hospitais e não
aceder ao acompanhamento pré-natal, uma situação que é agravada pela proibição
dos esposos e sogras de muitas gestantes de procurarem cuidados de saúde para
gerarem bebés saudáveis. Estes factos foram revelados num Fórum de Reflexão
sobre o Programa de Transmissão Vertical do HIV, organizado pelo Gabinete da
Primeira Dama de Moçambique.De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para
a Infância (UNICEF) estima-se que 85 bebés são infectados diariamente com o
vírus do HIV pelas suas mães durante a gravidez, parto ou amamentação.Quase
metade das crianças que contraem o HIV das suas mães morrem antes de completar
dois anos, situações que poderiam ser evitadas em Moçambique se todas as
mulheres grávidas seropositivas fizessem o tratamento anti-retroviral.A
prevenção vertical é um tratamento que visa evitar a transmissão de um vírus,
neste caso do HIV, da mãe para o filho durante a gravidez, parto e/ou
amamentação. Em Moçambique, o tratamento é feito na base de triterapia. O
Centro Dream introduziu, em 2002 em Moçambique, o tratamento anti-retroviral,
incluindo das mulheres grávidas nos seus centros, com o objectivo de reduzir
novas infecções. No mesmo ano, o Ministério da Saúde (MISAU) lançou o
Programa Nacional de Prevenção da Transmissão Vertical.Actualmente, todas as
unidades sanitárias do país tratam mulheres grávidas. Entretanto, no país,
muitos moçambicanos continuam a percorrer “enormes” distâncias para ter
cuidados de saúde.
sexta-feira, novembro 30, 2012
Comentários à Lei de Probidade Pública
Para a aprovação da lei, a sociedade civil teve uma contribuição/intervenção fundamental. Por isso, é importante referir que, em parte, os propósitos desta acção foram alcançados, como sejam: a aprovação da própria lei; a consagração de algumas matérias consideradas importantes; e sobretudo o facto do “Pacote Legislativo Anti-Corrupção” estar a conhecer avanços significativos na aprovação das propostas que abarca. No entanto, o processo de advocacia não deve ficar por aqui. Há que ter novas formas de intervenção se atendermos que existem duas importantíssimas leis que ainda não foram revistas, mormente o Código de Processo Penal e o Código Penal. São dois instrumentos de suma importância para o reforço do quadro legal anti-corrupção, sobretudo por serem portadores de importantes matérias ligadas à investigação da criminalidade no geral e dos crimes de corrupção em particular e por abarcarem novos tipos legais de crimes de corrupção, em consonância com os instrumentos legais internacionais ratificados por Moçambique.Leia A Q u i.
quinta-feira, novembro 29, 2012
Renamo contra Frelimo e MDM
A Assembleia da República (AR), o parlamento
moçambicano, aprovou a resolução que obriga a Comissão da Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social a
depositar, até a próxima Sexta-feira, a magna casa, os projectos de lei de
revisão do pacote eleitoral.Esta decisão recai sobre a III informação
desta comissão que diz haver falta de progressos na busca de consensos a nível
das chefias das três bancadas parlamentares em matérias como a composição da
nova Comissão Nacional de Eleições (CNE).Com o posicionamento alcançado
por voto a favor da bancada da Frelimo, o partido governamental, e a do
Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a mais pequena formação política das
duas da oposição parlamentar, os deputados terão tempo aceitável para se prepararem
para o debate e aprovação da legislação em sessão plenária.
A legislação já revista poderá ser aprovada até 23 de Dezembro próximo, data
prevista para o término da presente sessão plenária.
Este instrumento, já revisto, deve ser concluído para que seja usado nas
eleições autárquicas que deverão ocorrer até Outubro de 2013. Em 2014,
Moçambique será palco das eleições presidenciais e legislativas. A Renamo, o maior partido da
oposição, continua a defender a partidarização dos órgãos eleitorais, incluindo
a CNE, contra a proposta da Frelimo e do MDM de tornar os órgãos eleitorais
mais profissionais ou menos partidarizados. A
posição da Renamo, que incluiu tentativas de arrastamento do processo, alegando
procura de consensos, tornaria impossível aprovar-se a nova lei ainda este ano
e, consequentemente, comprometeria a realização das eleições autárquicas de
2013.Há cerca de dois anos que a Comissão da Administração Pública,
Poder Local e Comunicação Social da AR está a rever o pacote eleitoral, nomeadamente
no tocante ao recenseamento eleitoral, a CNE, e ao Secretariado Técnico da
Administração Eleitoral (STAE).
A legislação eleitoral moçambicana é em geral considerada relativamente boa, mas a sua aplicação tem-se revelado muito
deficiente, marcada por interpretações discutíveis, influenciadas por
interesses do partido no poder, ou, pelo menos, em benefício desse partido. Se é evidente
que a revisão da legislação eleitoral pode contribuir para melhorar o ambiente
e as práticas eleitorais, tornando-as mais conformes aos princípios que devem reger as eleições
democráticas, é igualmente evidente
que isso depende, em grande medida, dos órgãos que têm a responsabilidade de organizar e dirigir os
processos eleitorais, no caso moçambicano em especial a Comissão Nacional de
Eleições (CNE). Pela sua importância capital, e porque a questão da CNE e do
Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) têm sido dos assuntos que no
processo eleitoral mais têm suscitado um aceso debate público, a questão dos
órgãos de gestão eleitoral é a primeira abordada no presente texto. São igualmente
abordadas algumas questões relativas ao recenseamento eleitoral, que é o elemento de
base sobre o qual se edifica o processo da escolha dos representantes
políticos, às assembleias de voto e à votação e, finalmente, à contagem e apuramento de
resultados. Em geral, são aqui
retomadas ideias que foram sendo apresentadas em vários textos e intervenções durante os últimos anos e
que reflectem, para além da experiência própria, algumas recomendações feitas
em diversos relatórios de grupos de observadores eleitorais que têm acompanhado
a realização das eleições em Moçambique.Os detalhes AQUI.
quarta-feira, novembro 28, 2012
saiba "+" da agricultura moçambicana
As culturas alimentares
básicas ocupam cerca de 4,4 milhões de hectares de terra em Moçambique, cifra
que corresponde a cerca de 79 da área total cultivada no país, revela o Censo
Agro-pecuário (CAP) divulgado hoje, em Maputo, pelo Instituto Nacional de Estatística
(INE).O CAP mostra que a agricultura moçambicana continua meramente de
subsistência e pouco orientada ao mercado. As culturas de rendimento apenas
ocupam 321 mil hectares, ou seja cerca de seis por cento da área total
cultivada no país. Uma análise desagregada por região mostra que
os cereais constituem o grupo de culturas mais praticadas pelas explorações
agro-pecuárias em Moçambique, mas a sua importância é mais saliente na zona
centro, enquanto as raízes e tubérculos são mais importantes no norte do país. As culturas básicas ocupam a maior área
cultivada no país com cerca de 57 por cento da área total cultivada.
Dentro destas, os cereais têm maior destaque com cerca de 54 por cento da área
cultivada com culturas alimentares básicas, seguindo-se as leguminosas com 25
por cento da área e por último as oleaginosas com 11 por cento. No grupo dos cereais o milho é a cultura básica mais importante, ocupando uma
área de cerca de 69 por cento da área cultivada com cereais. A mapira é a segunda cultura mais importante do grupo e em último
a mexoeira com apenas dois por cento da área cultivada com cereais. No grupo das
leguminosas, o feijão nhemba é a cultura mais importante e ocupa 45 por cento
da área cultivada com leguminosas e o feijão jugo apenas nove por cento da área
cultivada com leguminosas.
Nas oleaginosas o amendoim é a única cultura básica e ocupa 11 por cento da
área cultivada com culturas alimentares básicas e cerca de sete por cento da
área total cultivada no país. Comparando-se os dois censos concluiu-se que
não houve alterações significativas no que concerne a importância dos grandes
grupos das culturas alimentares básicas, continuando os cereais os mais
importantes e dentro destes o milho com maior área cultivada. Regista-se um aumento nas áreas cultivadas
para diferentes culturas, mas em termos de área média por exploração não houve
grandes alterações, destacando-se a cultura do arroz que passou de 0,3 hectares
por exploração para 0,5 hectares. O milho,
embora tenha aumentado a sua área, a média por exploração diminuiu de 0,6 para
0,5 hectares.
“Quanto ao uso
de práticas agrícolas que permitam o aumento da produtividade, continuamos num
nível muito baixo. O uso da rega anda nos cinco
por cento o que significa que o cultivo das culturas alimentares básicas ainda
está hipotecado a quantidade e distribuição de chuva que cai numa determinada
campanha agrícola. O uso de pesticidas não é excepção, rondando nos dois por
cento e, por último, quatro por cento para o uso de fertilizantes”, refere o
CAP. Com o CAP
pretende-se fornecer informação sobre culturas alimentares básicas em
Moçambique, bem como mostrar as mudanças estruturais ocorridas nos últimos 10
anos relativamente a área de produção, número de explorações e o uso de práticas
agrícolas. Esta informação serve para orientar o
governo, sector privado, organizações-não-governamentais e os demais agentes de
desenvolvimento na elaboração de políticas e planos que concorram para a
segurança alimentar e nutricional.
Opinião do economista João Mosca
Existem discursos
muito diferentes sobre a situação económica do país e, sobretudo, sobre os
modelos de crescimento e desenvolvimento que estão em prática. O discurso
oficial,os textos e intervenções de
académicos e os relatórios de organizações internacionais, revelam situações
muito diferenciadas. As diferenças não são apenas de natureza de política económica e de
estratégias de desenvolvimento mas começa na apreciação da evolução recente da
economia e na análise de diagnóstico da situação actual. Em resumo o discurso da governação tem ressaltado os avanços no acesso à
educação e à saúde. Há mais energia em casa dos cidadãos. Há mais rádios,
telemóveis e bicicletas. A produção de milho e mandioca aumentou. Existem 44
universidades e a quase totalidade dos docentes são moçambicanos. Existiram
grandes investimentos em infra-estruturas. Argumenta-se que Moçambique é um
país estável. O país é um dos principais destinos do investimento directo
estrangeiro. O crescimento económico tem sido elevado e “robusto”. Os académicos e outras individualidades referem essencialmente os seguintes
aspectos: o crescimento económico não se tem traduzido em maior equidade social
e redução da pobreza, pelo menos entre 2002 e 2008; o crescimento económico tem
agravado o défice da balança comercial e não se tem reflectido em receitas do
Estado através dos impostos (excepto nos últimos anos); os grandes
beneficiários do investimento das multinacionais não são o país, o orçamento do
Estado e os cidadãos das zonas onde os investimentos se realizam; o país vive
acima das capacidades de produção de riqueza sustentado por recursos externos;
existe delapidação dos recursos naturais; a agricultura não tem cumprido as
funções que lhe são acometidas constitucionalmente desde 1975; A acumulação
económica é realizada principalmente no exterior; a governação não tem exercido
as suas funções de Estado sobre a economia.
Algumas organizações e parceiros internacionais referem que Moçambique decaiu
no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano; semelhante apreciação é
apresentada em relação à competitividade da economia e no ambiente de negócios;
a necessidade de uma maior redistribuição dos incrementos da riqueza nacional;
a corrupção permanece alta e não existe medidas eficazes; a delimitação de poderes
é pouco clara; os direitos humanos são frequentemente não respeitados. Não existe convergência de argumentos entre os académicos e individualidades
nacionais e a comunidade internacional com os discursos e argumentos da
governação. Será que a sociedade civil e a comunidade internacional têm mais
acerto nos seus posicionamentos? Ou será o governo? Quais as razões de
posicionamentos tão diferenciados? Estes posicionamentos são fundamentados em
estudos e/ou investigação com metodologias e abordagens teóricas ajustadas?
O consenso pode não existir e dificilmente existirá porque existem factores
normativos e outros que influenciam os posicionamentos. E ainda bem que não
existe consenso. As ideologias, a formação em diferentes escolas de pensamento,
as vivências pessoais e a experiência profissional, os interesses económicos e
de poder, entre outros, podem influenciar os discursos, os estudos e os
posicionamentos individuais ou de determinados colectivos. Mas uma coisa é
consenso em cada posicionamento com teoria de suporte, estudos empíricos para a
fundamentação e discurso ou escritos coerentes, e outra coisa são discursos não
fundamentados e que pretendem iludir ou enganar pessoas em defesa de poderes e
interesses económicos.
O debate seria importante porque poderia aproximar posições, mobilizar vontades
e cada um entender melhor os posicionamentos dos demais. Mas também existe o
risco de não haver aproximação e então haveria necessidade de tolerância,
aceitação das diferenças e convivência na pluralidade.
Propõe-se assim que os responsáveis pelos ministérios económicos aceitem o
debate que se realizaria durante dois dias, de forma aberta (acesso livre), com
órgãos de informação em directo, com entre 4 e 6 temas da actualidade económica
e social a acordar, sem protocolos excessivos, com igualdade de tempos entre as
partes envolvidas, assim como de outras regras próprias de debates públicos.
Naturalmente que cada uma das partes elegeria quem seriam os oradores. O debate
não seria objecto de algum aproveitamento político partidário ou governamental,
antes, durante e depois dos debates. As moderações seriam realizadas por
pessoas de comprovada imparcialidade e aceites pelas diferentes partes em
debate.
Apenas como
exemplo, podem-se considerar temas importantes:
- Política económica, estabilidade económica e padrões de acumulação.
- Crescimento, equidade e pobreza.
- Investimento directo estrangeiro, multinacionais, extracção de recursos naturais e desenvolvimento.
- A agricultura no desenvolvimento de Moçambique e segurança alimentar.
- Instituições, governação, democracia e desenvolvimento.
- Políticas direccionadas para as pequenas e médias empresas e o empresariado nacional.
- Investimento em capital humano e de conhecimento: o ensino superior e a investigação.
- Relações externas dependência e desenvolvimento.
Esta proposta pode ter vários destinos e cada um com os respectivos
significados. O primeiro é não se obter qualquer reacção, o que demonstraria
falta de humildade democrática, insegurança, arrogância e desrespeito por posicionamentos
não convergentes. Seria uma má imagem para a sociedade. A segunda possibilidade
seria a governação económica aceitar a proposta e impor condições de tempos,
não respeito pelas regras de debate público que assegure equilíbrio entre as
partes em discussão ou a procura de influenciar os oradores e/ou moderadores.
Esta seria a forma cínica e manipuladora de aceitação. A terceira seria a de
aceitar os debates com humildade democrática, um sinal de tolerância e de
vontade de compreender as diversas abordagens para delas se poder corrigir ou
melhorar determinados aspectos da governação.
Esta proposta pode não se cingir à área económica. Os domínios do ensino e da
educação, da cultura e das artes, da cooperação, da democracia e da governação,
da justiça, entre outras, são igualmente importantes para a sociedade e o
desenvolvimento integral do país e dos cidadãos.
A carta tem um direccionamento não preciso, isto é, não são indicados cargos
pessoas e organismos do Estado. Isto por três razões: primeiro porque o
proponente tem dúvidas sobre a quem especificamente dirigir a carta; segundo
porque uma iniciativa individual como esta, se dirigida a alguém, poderia ser
interpretada sob diferentes pontos de vista; terceiro, o não direccionamento
pode simultaneamente cair no vazio e ninguém assumir alguma iniciativa mas
também pode ser motivo de alguma troca de opiniões entre os destinatários. A
motivação do proponente não é outra senão reconhecer a importância do debate
sobre o desenvolvimento do país.
terça-feira, novembro 20, 2012
Presidente mais pobre do mundo!
O Presidente José
Mujica vive numa casa modesta e doa maior parte de seu salário. Apesar de ser chefe de Estado, ele abre mão de todos os
luxos atrelados ao cargo e vive em numa casa simples, nos arredores de
Montevidéu, que é vigiada por apenas dois seguranças oficiais. Quase todo seu
salário de presidente (equivalente a 360 mil meticais) é doado a instituições
de caridade. O presidente gosta de cultivar
hábitos simples, fazendo pequenos consertos pela casa, dirigindo o seu “VW” ano
1987 e brincando com sua cadela, que tem um problema em uma das patas. A oposição uruguaia, porém, diz que a recente
prosperidade económica do país não resultou em melhores serviços públicos, e
pela primeira vez desde sua eleição, em 2009, Mujica viu sua popularidade cair
abaixo de 50%. Ao mesmo tempo, o país ganhou
atenção internacional por ter descriminalizado o aborto e por discutir actualmente
a legalização da maconha. Ele acredita que
uma vida com poucas posses é uma resposta ao consumismo exacerbado dos dias atuais.
Oiça o Presidente “Pepe”....
segunda-feira, novembro 19, 2012
Depois dos pilotos...
Um breve comunicado de imprensa emitido pela LAM na noite de domingo anuncia o
fim da greve, depois de ter sido alcançado um acordo que satisfaz ambas as
partes. O comunicado não revela mais pormenores. Os grevistas, cerca de
70, reivindicavam o pagamento de subsídios e por trabalho nocturno, seguro de
vida, entre outras regalias.
A reivindicação mais séria é a alegada falta de seguro de vida. Contudo, a
direcção da LAM refuta estas alegacões. João Abreu, administrador técnico
administrativo da LAM, assevera que a LAM, com as suas certificações
internacionais, jamais voaria sem seguros de vida. Abreu lamenta o
desconhecimento disto por parte dos grevistas, explicando que os seguros são
colectivos e não individuais. Sobre os aumentos salarias, Abreu disse que
o assunto já foi resolvido e que a partir de Janeiro do próximo ano haverá um
aumento salarial entre 22 a 35 por cento.
Assim, o voo Maputo-Johanesburgo escalado para a manhã de domingo a LAM usou um
avião do tipo Boeing 737 alugado a Africa do Sul e operado por uma tripulação
sul-africana, ao invés do Embraer-190 da companhia aérea moçambicana.
A ligação Maputo Dar-es-Salam sofreu um atraso de mais de uma hora, levando
como assistentes de bordo duas chefes dos grevistas.A LAM também confiou os
seus voos para as cidades da Beira e Quelimane a sua subsidiária MEX. Porém, já
não foi possível resgatar a ligação Maputo-Lichinga-Nampula que teve ser
cancelado. A foi reprogramada para a tarde de segunda-feira. A LAM
ainda não divulgou os prejuízos causados.
quarta-feira, novembro 14, 2012
Também queremos comer bem!
O líder do principal partido da oposição em Moçambique (Renamo),
Afonso Dhlakama, que, em 1992, assinou o acordo de paz com o partido no poder,
ameaçou hoje “destruir” o país, se o Governo não responder às suas exigências.Vinte anos após ter
deposto as armas como um dos líderes da guerra civil moçambicana, Afonso
Dhlakama disse, em entrevista à agência francesa AFP, que poderá voltar a
recorrer à violência, se o Governo da Frelimo não partilhar a riqueza e não
reformar o sistema eleitoral.
“Estou a treinar os
meus homens e, se for necessário, sairemos daqui para destruir Moçambique”,
afirmou o líder da guerrilha que lutou, entre 1977 e 1992, numa guerra civil
que causou um milhão de mortos.
Já a 02 de
novembro, em entrevista à agência Lusa, na sua base, na Gorongosa, Afonso
Dhlakama se tinha queixado de "injustiças e humilhações", desde que
foi assinado o Acordo Geral de Paz para Moçambique, a 04 de outubro de 1992, em
Roma.Sob a égide da
Comunidade de Sant'Egídio, o acordo pôs termo a 16 anos de guerra civil entre a
Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o Governo da Frente de Libertação
de Moçambique (Frelimo), introduzindo um sistema multipartidário no país.
“Mas, mesmo assim,
eu não estou arrependido, só que estou preocupado porque somos atacados
militarmente até hoje, somos excluídos de tudo e espezinhados", acusou.
Realçando que a sua
postura tem evitado que Moçambique resvale para situações "como a Somália
ou os Grandes Lagos", admitiu, na altura, que nem sempre é compreendido no
seio do seu partido.
“A própria Renamo
acusa-me de estar a comer com a Frelimo", disse à Lusa.
Hoje, à AFP,
Dhlakama disse que, se as suas exigências não forem respeitadas, o país poderá
ficar dividido outra vez.
“A situação não
pode continuar assim. Estamos a pensar pedir a divisão do país. A Frelimo fica
com o sul e nós ficamos com o centro e o norte”, sugeriu.
Realçando que
prefere uma solução pacífica, avisa que não tem medo de bloquear o crescimento
económico de Moçambique. “Preferimos um país pobre a ter pessoas a comer do que
é nosso”, sublinhou.Dhlakama diz que
está farto do “roubo” dos recursos do país, patrocinado pelo Governo da
Frelimo. "Queremos dizer a [Armando] Guebuza [Presidente de Moçambique]:
‘Estás a comer bem. Nós também queremos comer bem’.”O líder da Renamo
defende ainda uma reforma do sistema eleitoral, para prevenir a fraude.
A Renamo é o maior
partido da oposição no Parlamento, com 51 lugares, mas tem perdido apoios desde
1999.
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