quinta-feira, junho 15, 2017

Tema do Congresso : combate à pobreza

O director do Programa África do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Unido defendeu que o tema central do congresso da Frelimo deve ser a utilização das receitas do gás de Moçambique para combater a pobreza.“A inflação desceu face ao ano passado, o metical fortaleceu-se, o governador do banco central trouxe confiança, há alguma estabilidade a curto prazo, mas a pobreza e a crescente desigualdade mantêm-se um problema, e isto terá de ser a discussão central no congresso da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique]”, disse Alex Vines.Entrevistado pela Lusa em Londres, na sede da Chatham House, o analista vincou que o tema central do congresso deve ser “como mudar isto e dar um desenvolvimento mais equitativo ao país no contexto das autárquicas de 2019 e dos desafios que os governos de libertação nacional enfrentam na região”.
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Para o analista, “a grande preocupação sobre Moçambique é que, apesar dos desenvolvimentos económicos positivos nos últimos tempos, a pobreza aumentou no centro e norte do país, a desigualdade e a pobreza estão a aumentar e, mesmo em Maputo, com o corte dos subsídios, haverá muitas dificuldades e uma classe média mais descontente”.
O congresso do partido no poder será, por isso, muito importante para a política interna de Moçambique, e Alex Vines prevê que o poder do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, seja reforçado de forma mais assertiva que em 2015, quando chegou à Presidência.
“Este congresso vai fortalecer Nyusi e permitir que ele aplique a sua visão e a sua agenda para o país, porque em 2015, quando tentou fazer isso, não conseguiu; afastou Guebuza da presidência do partido, mas não era ainda suficientemente forte para imprimir a sua agenda”, considerou. Questionado sobre a importância da assinatura do Acordo Final de Investimento pela petrolífera ENI, no final de maio, o que deverá garantir uma receita fiscal de 16 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, Vines admitiu que “é importante que um investimento tão significativo como este vá em frente, porque o Governo ganha previsibilidade nas receitas”, mas alertou que o executivo está a ser demasiado otimista nas metas. “O início da exportação não será tão cedo como o Governo espera, nem as receitas serão tão altas, penso que só lá para 2023 é que a exportação vai começar a sério”, disse, vincando que, ainda assim, “em termos de receitas futuras, qualquer progresso é importante”.

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