quinta-feira, fevereiro 09, 2017
terça-feira, janeiro 31, 2017
Trump separa casal
Muhamad Moustafa
e Nabila Moustafa são um casal de imigrantes sírios a viver nos EUA. Estão
agora separados por causa da decisão de Donald Trump, de impedir a entrada de
cidadãos de alguns países muçulmanos no território americano.Muhamad Moustafa
está em Washington, com um visto J1, no âmbito de um programa académico na área
da medicina. Nabila foi com o marido para os EUA e teve que viajar para o
Catar, para visitar a mãe que terminou há poucas semanas o tratamento contra o
cancro no peito.
Depois de Donald
Trump assinar a ordem executiva a proibir a entrada de imigrantes de sete
países e refugiados sírios no país, este casal vive agora um pesadelo.
Nabila chegou aos
EUA pouco depois de a ordem executiva ter entrado em vigor - depois de ter
antecipado a viagem, para a evitar - e foi de imediato barrada pelos agentes
fronteiriços.
"Não é
americana e não pode dizer 'o meu visto' porque o visto pertence aos EUA",
contou Nabila à ABC News sobre a conversa que teve no aeroporto, onde lhe foi
negado o acesso a um tradutor, advogado e a conversar com o marido.
Duas horas depois
de aterrar nos EUA, foi deportada de novo para o Catar, tendo de receber
assistência médica. Do outro lado da porta, estava o marido, que a tinha ido
buscar ao aeroporto.
"É assustador,
porque eu não posso sair dos EUA. Se sair, não poderei voltar e continuar a
minha formação. Este é o meu futuro", lamentou Muhamad Moustafa. "Não
tenho para onde ir. O único sítio para onde posso ir é a Síria e lá está
terrível neste momento".
quarta-feira, janeiro 25, 2017
Corram com os “meus turras” que saberei agradecer
Os governos de Moçambique da Turquia
abriram uma nova página no capítulo das relações bilaterais, ao assinarem hoje,
em Maputo, quatro acordos de cooperação destinados a conferir ímpeto e ganhos
mútuos nos domínios contemplados.Trata-se do acordo sobre supressão de vistos
em passaportes diplomáticos e de serviço, rubricado pelo Ministro dos Negócios
Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, e seu homólogo turco, Mevlut
Cavusoglu. Os dois ministros assinaram igualmente o acordo de consultas
políticas.O acordo sobre a cooperação comercial e económica foi assinado pelo
Ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, e sua contraparte turca, Nihat
Zeybekci, que é o titular da pasta da economia. Os dois dirigentes rubricaram
ainda o acordo sobre a promoção e protecção de investimentos.Os dois governos
assinaram dois memorandos de entendimento, dos quais o primeiro no domínio da
cultura e o segundo sobre o turismo, rubricado pelo titular da pasta, Silva
Dunduro, e seu homólogo daquele país.Os acordos constituem o saldo da visita
que o Presidente da Turquia, Recep Erdoğan, está a
efectuar ao país, a primeira de um estadista turco desde que os dois países
estabeleceram laços de amizade e cooperação há 40 anos.Erdogan, acompanhado por
uma delegação de 150 empresários, foi recebido com 19 salvas de canhão, e
manteve demoradas conversações com o Presidente Filipe Nyusi, durante as quais
avaliaram o nível de cooperação e relançamento do capítulo promovido pelo seu
governo, que coloca acento tónico na “diplomacia económica”.
Crimes passionais,preocupam!
Onze dias depois do crime macabro envolvendo o
casal Stefan Filipe e Darlen Cossa, no bairro de Inhagoia, mais um jovem
assassinou a mulher alegadamente por motivos passionais na capital moçambicana.
Desta vez, o homicida, ora a contas com as autoridades policiais, desde o
último sábado (21), é um cidadão de apenas 24 anos de idade, o qual pôs fim à
vida da namorada com recurso a um instrumento contundente, no bairro das FPLM.
A vítima tinha também 24 de idade. O suposto
assassino é vigilante de uma empresa de segurança privada, segundo o Comando da
Polícia da República de Moçambique (PRM) em Maputo.
O homem alegou que o crime, ocorrido no dia em que
foi detido, resultou do facto de ter chegado à casa e encontrar a sua
companheira bastante bêbada, o que para a corporação não justifica tirar a vida
de alguém. “Acreditamos que se trata de mais um crime passional”, disse Orlando
Mudumane, porta-voz da PRM, falando à imprensa, na manhã desta segunda-feira
(23), sobre a situação da ordem e segurança pública entre 16 e 22 de Janeiro
corrente.
Este é o segundo terceiro crime pretensamente
passional, que acontece em Maputo e Sofala, este ano, em menos de duas semanas.
O primeiro deu-se por volta das 19h00 ,
no bairro de Inhagoia, onde um jovem que em vida respondia pelo nome de Stefan
Filipe, de 31 anos de idade, assassinou a sua esposa, Darlen Cossa, de 27 anos,
com recurso a uma faca da cozinha. Em seguida, o homem imolou-se e o seu
cadáver foi achado no tecto da própria casa.
O segundo aconteceu por volta das 23h00 de domingo
(15), no município de Dondo, na província de Sofala. Uma adolescente de 17 anos
de idade encontra-se detida, suspeita de matar o namorado, de 25 anos, quando
este lutava com um suposto rival, por sinal professor.
Como acontece em muitos dos países do mundo, os
dados de crime e violência são difíceis de se obter e não são fiáveis devido a
uma série de factores, incluindo deficientes sistemas de registo, reduzidas
taxas de reporte à polícia (devido à falta de confiança na polícia e no sistema
de justiça criminal) e a inexistência de um sistema padronizado de recolha de
dados. Convidamos a lêr AQUI o relatório “Avaliação do Crime e Violência em Moçambique”.
O presente relatório representa uma avaliação da situação do crime e violência
em Moçambique e foi realizado entre os meses de Agosto 2011 e Março de 2012. O
estudo foi realizado com o objectivo de proporcionar uma visão abrangente sobre
a situação do crime e da violência em Moçambique.
segunda-feira, janeiro 23, 2017
“As empresas, em reorganização, deviam ser geridas por estrangeiros”
Em que estado encontrou a
empresa? A empresa
atravessa por um período de grande expansão. Novas aeronaves, novos
equipamentos, foi removida da lista negra, de modo que novas rotas foram
iniciadas e tudo caminhava a bom ritmo. Era assim há vários anos. Quando
começámos a olhar para os livros, para o modo como a forma de gestão como foi
concebida, tenho de dizer que foi uma confusão. Não necessariamente por culpa
de alguém em particular, mas apenas porque estava fora de controlo. Por isso,
tivemos de segurar e estabilizar o navio. Tivemos de analisar as contas, a
organização e, basicamente, remodelá-la para tentar adequa-la ao que
esperávamos que viesse a tornar-se uma empresa sólida. É o que temos vindo a
fazer desde então. Houve uma atenção especial à questão financeira, certamente.
Reformulámos completamente a situação financeira da empresa. Agora podemos
dizer, com segurança, que sabemos exactamente quem somos e que dinheiro
devemos. Sabemos o que está no banco e sabemos para onde estamos a ir, em
termos do nosso desempenho financeiro. Sabemos o que temos de aprovisionar, à
medida que vamos para frente. É um quadro muito diferente do que herdamos.
Agora recebo um extracto mensal das contas, verdadeiras e factuais. Estou muito
confiante em que o Governo está muito feliz com isso, os nossos credores
também, e, certamente, a equipa de gestão está confortável com isso.
Como primeiro PCA
não-angolano, na história da TAAG, enfrentou resistência por esse facto? Ou
terá sido pelas reformas que aplicou? Esta não é a primeira vez que assumo um cargo, como estrangeiro. Estive em
Omã, no Sri Lanka e fiz parte da equipa que fundou a Emirates. Logo, isso não é
novo para mim e não o é para a maioria da minha equipa também. Em termos de
TAAG, isso foi completamente novo. O pessoal ficou realmente um pouco
preocupado que isso tenha ocorrido. Tive conversas com ministros e vários
funcionários do Governo. É muito mais fácil para um estrangeiro chegar a uma
empresa aérea, como a TAAG, e implementar políticas que realmente têm efeitos
benéficos sobre o negócio. Elas podem até perturbar as pessoas em Angola, mas a
pessoa encarregada de as realizar, no caso eu, não tem qualquer pressão que não
seja a pressão de ser o CEO da empresa.
Que despesas teve de cortar? Os 70 milhões de dólares é o montante que
conseguimos economizar desde a nossa chegada. Na realidade, no total são 120
milhões de dólares, porque há ainda os 50 milhões de dólares que tivemos de
aprovisionar para as contas deste ano e do ano anterior.
Como fizeram isso? Tivemos de passar pente a tudo.
Analisámos os contratos e a forma como estes foram concebidos. Será que
precisamos de todos eles? Tínhamos contratos de consultoria em quase todas as
áreas da nossa actividade. E eu perguntava-me: se eu tenho um gestor aqui que
deve desempenhar a sua função, por que razão tenho um consultor sentado ao lado
dele a fazer o mesmo trabalho? Ou o gestor faz o trabalho ou o consultor! Não preciso de duas
pessoas para o mesmo trabalho.
Hoje, o pessoal vê o que é, enquanto, antes, tínhamos tantos
processos na empresa, que era difícil saber o que era válido e o que não era. A
redução dos processos permitiu-nos também encontrar maneiras de fazer com que
muitas pessoas executassem diferentes tarefas muito melhor do que eram capazes
antes. Deixou de fazer sentido, por isso, a quantidade de consultores que
forneciam informações que não eram usadas. Foi-me dito, entretanto, que
eliminar alguns desses contratos não seria fácil.
Por que razão lhe disseram isso? Porque havia muitas empresas locais,
agentes locais, todo o tipo de pessoas envolvido por trás desses processos,
desses contratos. Eu respondia ‘ok’, mas o meu mandato é para cortar custos,
sempre que for possível e é o que venho fazendo. E isso foi apenas uma vez, em
todos esses processos, que me foi dito que havia processos intocáveis. A
realidade é que as pessoas que me disseram que se oporiam, não se opuseram. E,
no fim de contas, fomos capazes de sanear muita coisa, o que produziu enormes
poupanças.
Voltando à questão dos
recursos humanos. Admite a possibilidade de baixar salários? Não necessariamente. Apenas racionalizar o
trabalho, olhando para a taxa de trabalho no mercado actual. Muitas empresas
estão a fazer isso agora. Quando não se está a ganhar tanto dinheiro quanto
antes, tem de se certificar que a força de trabalho seja acessível. Se não for
acessível, então tem de se fazer algo. Podemos ter de encontrar um mecanismo de
oferecer um esquema de afastamento voluntário. Dessa forma, podemos ter de
oferecer às pessoas um pacote de pagamento que vai encorajá- -lo a pensar se
quer ficar ou partir. Quem partisse seria devidamente compensado. Esta empresa
já fez isso antes, certas posições foram eliminadas, mas depois foram
recrutadas novamente. Não é muito inteligente fazer isso.
Claro, que se o
Governo nos disser: “queremos que mantenha o voo e estamos preparados para
subsidiá-lo”, nós aceitaremos. Se o governo de Cabo Verde disser: “vamos
dar-vos concessões, reduzir as taxas de aterragem, o custo do combustível, etc,
etc, se chegarmos a algum tipo de assistência, vamos continuar a rota como um
serviço público. Mas, até lá, as pessoas que me desculpem, a empresa tem de
ganhar dinheiro.
E voos domésticos são
rentáveis? Não sei. Têm o
seu custo, digamos assim. Estamos a operar uma abrangente rede de voos
domésticos, melhoramos um pouco nos horários. Alguns desses voos têm ligação
com as rotas que deixam Luanda para outros destinos, como Lisboa. Lisboa é
muito popular na nossa rede, por isso é útil que alguns desses voos conectem,
para que possam fornecer mais ligações a Lisboa e Porto e vice-versa.
Realmente, tivemos de analisar a programação nacional e internacional e é
curioso notar que, se olharmos para as rotas internacionais, o que acontecia
era que os voos são Angola para outros lugares, e de outros lugares para
Angola. Não é esse o potencial de Luanda. Luanda é um ponto importante e
estratégico para os serviços aéreos ao sul do Sahara e precisamos aproveitar
isso. Por outras palavras, precisamos trazer os voos provenientes da América do
Sul, Europa, China, que liguem Luanda a outros pontos em África, de modo a que
pessoas viagem de uns destinos para outros e possam usar os nossos voos para
isso. Isso é algo que nunca foi feito antes.
Porquê? Primariamente, é preciso ter um visto
para transitar por Angola. Quando chegámos aqui, reunimo-nos com oficiais do
departamento de migrações, altos funcionários ministeriais e dissemos-lhes:
“olhem, Luanda é uma potencial placa giratória, não precisam pedir vistos a
quem entra em Angola”. E eles concordaram e estão a eliminar a maior parte dos
vistos de trânsito para as pessoas que apanham voos de ligação dentro de 24
horas, e os resultados do sucesso já são significativos. Embora o mercado
angolano não cresça de momento, estamos a conseguir trazer os clientes dos
mercados ao redor, o que aumenta a nossa carga dentro e para fora de Angola em
voos internacionais. Por exemplo, quando, em Março ou Abril, começámos a ligar
Joanesburgo e Cidade do Cabo, para os nossos voos para Lisboa e Porto, tínhamos
6,7 passageiros. Seis meses depois, estamos receber entre 80 e 90 passageiros
que vêm através daqueles destinos que conectam com o nosso voo para Lisboa e
Porto. Neste inverno, ligaremos para o nosso voo para o Brasil, Havana e talvez
Dubai. São essas coisas que irão aumentar o nosso negócio daqui para frente. E
isso permitiu-nos manter voos diários duplos para Portugal todo o tempo, mesmo
no Inverno, quando, no passado, teríamos de reduzir o número de frequências
nessa altura, por falta de demanda.
Em segundo lugar,
queremos construir a marca para que as pessoas olham para a TAAG como uma das
transportadora aéreas líderes em África. Esse é o objectivo. Se vamos ser
capazes de o alcançar, vamos ver... De qualquer forma, vou recebendo
declarações positivas de muitos dos nossos clientes regulares que estão a notar
diferenças. Os voos são muito mais pontuais do que eram no passado. O interior
da aeronave é muito mais limpo, muito melhor do que eram. O serviço de chão
começou a funcionar melhor. Não é o ideal, porque não estamos a operar num
aeroporto ideal. É um muito congestionado aeroporto, lotado. Mas tentamos
melhorar os processos que controlamos tanto quanto podemos. O que gostaria de
ver em três anos é as pessoas dizerem: “Há aí o voo da TAAG? eu vou com a
TAAG”, enquanto, no passado, era: “TAAG? que outra companhia também vai?” (Por
Cândido Mendes)
Oficialmente esquecida
de Sofala, que já
desempenhou as funções de Adjunto chefe do Departamento de Defesa e Segurança,
governador de Inhambane, Zambézia e Nampula, ministro dos Combatentes e da
Presidência para Assuntos da Casa Militar, assim como outros crentes, estudou
na escola da ex-American Board e foi pela mão desta igreja que rumou à Tanzânia,
onde se juntou à Frelimo. Deolinda Guezimane, igualmente antiga combatente e
ex-secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), o braço
feminino da Frelimo, mais tarde deputada na Assembleia da República e
Conselheira de Estado, é também uma das muitas jovens que “cresceu” na
ex-American Board, de onde mais tarde seguiu para a Tanzânia. Lucas Chomera,
deputado da Frelimo na Assembleia da República, onde preside a Comissão da
Administração Pública e Poder Local, foi também um dos vários jovens que hoje a
igreja diz terem sido “filhos de casa”. Entretanto, quis o destino que, em
Moçambique, a igreja tivesse como precursores “inimigos jurados” da Frelimo.
Um
deles foi Nkamba Simango, o primeiro moçambicano doutorado nos Estados Unidos
da América (EUA), muito antes de Eduardo Mondlane celebrado pela histó- ria
oficial como o primeiro doutor em Moçambique. Natural de Machanga, por volta
dos anos 1890, Nkamba Simango, descrito na obra de Leon Spencer, investigador e
docente de história africana, como um “líder religioso bem treinado”, teve os
primeiros laços com a ex- -American Board na Beira e Monte Selinda (em
território zimbabweano), mas essa ligação ficou fortalecida nos EUA, onde para
além de se formar em Sociologia e Psicologia, ensinou, mais tarde, Chindau no
Departamento de Antropologia da Universidade de Columbia, entre vários outros
títulos que obteve. Fazendo da religião um instrumento para a liberdade humana,
Nkamba Simango já observara, em 1921, que “nos velhos tempos, o homem negro era
detido por indivíduos, enquanto hoje é detido por governos e corporações”,
defendendo que “devemos agir para libertar estas pessoas” em referência aos
escravos. Uma outra geração ligada à ex- -Missão American Board, por sinal a
terceira, integrou o Reverendo Uria Simango, que foi, mais tarde, um dos
fundadores da Frelimo, partido no qual chegou a ser vice-presidente, co- djuvando
Eduardo Mondlane. Tal como Nkamba Simango, Uria teve a sua vida,
intrinsecamente, ligada a esta igreja de que pouco se fala. Em “Uria Simango,
um homem, uma causa”, Barnabé Lucas Nkomo retrata a “história da penosa
trajectória política de um missionário revolucionário, cujo empenho e dedicação
à causa da libertação do seu povo foram negados pela memória colectiva da história
recente do seu país”. Também natural de Machanga, Uria acabaria, barbaramente,
assassinado entre Maio de 1977 e Junho de 1980, no campo de reeducação de
M´telela, distrito de Majune, província do Niassa. (por : Armando Nhantumbo)
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